Formação · UNIFESP · Rascunhos

Rascunhos das aulas — XIV Curso

Material de rascunho a partir das legendas das aulas da XIV edição (MovReCam): para revisão e estudo, não um livro oficial.

Hub UNIFESP Vídeos · XIV Inspeção do curso

16 aulas com rascunho (legenda) · gerado 2026-08-18 05:26:33 UTC

1ª Aula — Apresentação e Orientações do Curso sobre o uso Terapêutico da Cannabis

Aula 1 · YouTube · ~23375 caracteres · pt

Olá a todos e todas, bem-vindos. a 14ª edição do curso de extensão uso terapêutico da canabis sativa. Então esse curso ele tem o protagonismo do MV Rican em colaboração com a UNIFESP. E é as por isso que eu estou aqui, eu sou Eliana Rodrigues, professora da UNIFESP e coordeno esse curso, então, pela universidade.

Então, a nossa equipe é uma equipe formada por mulheres. Então, eu já chamo a próxima mulher aqui que ajuda, né, a a a fazer com que esse curso tenha a excelência que ele tem, que é a Cristina Segato. Oi, gente, sejam bem-vindos, bem-vindas. Obrigada, professora Eliana.

É um prazer para mim fazer parte dessa equipe de mulheres maravilhosas, saudando o nosso ah >> eh querido padre Ticão, né, que foi o o grande eh precursor dessa dessa possibilidade de ter um curso online gratuito. E eu aqui na equipe, eu tenho a missão de responder os alunos, de tirar as dúvidas, de compartilhar com vocês algumas eh eh coisas mais burocráticas aí do curso. Então, a gente tem um e-mail, depois vai ficar disponível aqui na descrição da da aula, do vídeo. É, eu peço que vocês tenham um pouquinho de paciência, porque no começo das inscrições a gente recebe muitos e-mails, cerca de 500 por dia.

Então, eh, a gente vai, todo mundo vai ser respondido, mas assim com um pouquinho de paciência, tá? Então, eh, sejam bem-vindos, bem-vindas. Um bom curso para todo mundo e é isso aí. Bom, agora eu gostaria de chamar a Tamara Saini para dizer qual que é o papel dela aqui nesse nosso curso.

Olá a todos, meu nome é Tamara, eu faço parte da equipe e eu sou responsável pela comunicação com os professores palestrantes, além da edição do vídeo das aulas, né, aqui nos bastidores. Então, sejam todos muito bem-vindos. Por último e não menos importante, vamos chamar agora aqui para se apresentar a Gabi Dainese, que é a coordenadora do curso pelo MV Ran. Olá a todos e todas.

Sejam bem-vindos a mais uma edição do nosso curso sobre uso terapêutico da canabis sativa, também conhecido como o curso do padre Ticão. Sou a Gabi Dainesi. Eh, antes de mim se apresentaram aqui a Tamara, a professora Eliana e a Cristina Segato. Nós somos hoje a equipe que eh elabora, coordena e dá apoio a esse curso.

Então, em nome delas, quero dar as boas-vindas a todos vocês a mais essa edição. Esse é um curso do em parceria da Movie Recan com a UNIFESP, sempre trazendo eh novas perspectivas, novas propostas, renovando a grade. Nessa edição a gente tem uma grade eh muito maior, com novos temas, temas que a gente nunca tinha trazido antes. Então, eh, em nome de toda a equipe, eu quero dar as boas-vindas a vocês, mas também a todos esses professores, pesquisadores e colaboradores que, eh, cedem um pouco do seu tempo e da sua expertise aqui nesse espaço.

Hoje eu tô aqui para apresentar o curso. Eu vou estar com vocês nessas aberturas das aulas, mas também para falar um pouquinho de como o nosso curso vai funcionar. A ideia é que essa essa abertura fique fixa, eh, que vocês sempre possam consultá-la. A gente vai falar aí de como se acessa, de como registra as presenças, as formas de comunicação, como eh vocês podem eh pegar o certificado, desce de outras edições.

E também vou apresentar um pouquinho da história do curso, como ele se deu, como a gente chegou aqui com mais de 150.000 1000 inscritos ao longo de todas essas edições. E também eh a ideia é que hoje a gente tivesse uma aula que, infelizmente, ela não vai poder eh ser apresentada, que era do professor Henrique Carneiro, ele que tá passando por algum processo de doença na família. Então, eh, a nossa força aqui, o nosso abraço, o nosso agradecimento por ele ter aceitado, eh, eh, o convite inicialmente, mas, infelizmente a gente vai ficar devendo essa aula que iria falar sobre a história da cannabis, mas a gente também vai trazer esse tema em outras eh oportunidades. Então, eh, agora trazendo esse essa parte de como o curso vai funcionar, de orientações para quem tá chegando agora no curso.

Eh, me justifico dessa ausência dessa aula e a gente se encontra aqui todas as terças e quintas-feiras às 19:30 com um conteúdo novo, com uma aula nova. Eh, e qualquer dúvida a gente tá disponível para responder vocês, eh, preferencialmente no e-mail, que é o e-mail que aparece na tela, mas também que tá sempre na descrição dos vídeos. É importante, vou vou falar ao longo da da aula de orientação, mas de trazer aqui que sempre a nossa comunicação vai tá eh de forma de tópicos na parte da descrição. Então, tudo que eu trago aqui na abertura, o que tem de orientação, sempre vai tá na descrição dos vídeos aqui no YouTube.

É só vocês colocarem na descrição. Então, vamos começar. Bem-vindos. Espero que vocês gostem do conteúdo de hoje e do curso que começa hoje.

Mas antes da gente ir paraas aulas, eu venho fazer um convite para lá de especial para vocês, que é o lançamento do livro Psicoativos Invisíveis. Esse nosso livro, ele traz vários psicoativos do mundo, do Brasil, psicodélicos também, animais, fungos, plantas, minerais. Muitos deles resultados de trabalhos de campo que eu realizei nos últimos 35 anos entre medicinas tradicionais brasileiras, diversos povos originários que se relacionam com todos esses elementos, né? Então eu resolvi abrir o baú com os meus diários de campo e tornar esses dados visíveis, porque somos brasileiros.

Precisamos saber que nós estamos sentados em cima de um monte de plantas, animais e fungos que podem ser psicodélicos e e psicoativos e a gente nem sabe, né? Então eu faço esse convite também, eu discuto, será que psicoativo é sinônimo de alucinógeno? O que você acha? Então, se você quer saber e discutir tudo isso comigo e com Vander eh Wilson, no dia 20/06, sábado agora, na livraria Taper Taperá, às 4:20, não dá nem para esquecer essa hora, né?

Então eu espero vocês lá eh sábado que vem pra gente poder discutir juntos sobre tudo isso. Eu tenho certeza que vai ser um encontro para lá de especial. Então eu espero você lá. Até mais.

Olá a todos e todos. Então, bem-vindos a mais uma vez, né, a nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Um curso que tem a missão de discutir, debater de forma ampla e democrática os tratamentos à base de cannabis, as suas possibilidades clínicas tanto em humanos quanto animais. também estudos científicos e tratamentos através da divulgação científica, falar sobre algumas condições clínicas, sobre os produtos derivados à cultura, história, eh a legislação, também sobre o direito dos pacientes e presescritores.

A gente também vai falar no curso sobre métodos de extração e cultivo e debater muito e trazer o que tá acontecendo aí no cenário. Então, quem sou eu, né? Eu sou a Gabi Dainese, já me apresentei um pouquinho lá no início, eu sou jornalista, sou especialista em políticas públicas e junto com a professora Eliana Rodrigues, eu coordeno esse curso e tô eh junto, estava junto, né, com o padre Chicão na idealização. Então tô aqui desde a primeira edição.

Esse é um projeto de extensão universitária que é um processo o que é a extensão, né? um processo de educação, um dos pilares da universidade, eh, que tem esse caráter de troca da universidade com a comunidade. É uma via de mão dupla, onde os saberes acadêmicos e os populares se encontram e transformam e se constróem coletivamente. Esse é um dos grandes exemplos aí, talvez um dos maiores projetos de excensão, eh, sem faltar com a humildade na história, principalmente em relação a cannabis.

E eu falei um pouquinho sobre divulgação científica, que é através dela que a gente vai trabalhar. E o que é é o processo de transformar o que que é produzido na na academia, o que é produzido eh na pesquisa acadêmica numa linguagem mais acessível e popular. Então essa é a função do curso, que a gente possa falar tanto com as pessoas com pouca escolaridade, quanto aqueles que estão estudando a planta ou que querem estudar a planta. sem a divulgação científica, sem popularizar a ciência, né?

Ela fica muito restrita a um determinado nicho só, né? Eh, você às vezes não consegue atingir as pessoas. E quando a gente fala de canabis, isso é muito importante, porque a gente vem de um cenário eh cheio de desinformação, cheio de preconceito, eh que precisa ser, a gente precisa quebrar todas essas barreiras. E qual é a missão do nosso curso, né?

Democratizar informação, como eu falei, fazer divulgação científica, difundir informação de qualidade, da autonomia dos pacientes na escolha do tratamento, acolhimento e construção de uma rede e ao e fazer essa integração entre a universidade e a comunidade. Esse esse curso ele começa lá na zona leste de São Paulo em Hermelino Matarazo. Eh, primeiro eu preciso eu explicar de que o padre Ticão, né, que muita gente já ouviu falar, era um entusiasta eh da saúde integrativa, eh, e uma pessoa super atuante na localidade também, eh, na cidade e na questão de de direitos, né? E ele tinha um amigo que que muitas pessoas também conhecem desse cenário da cannabis, que é o o deputado Paulo Teixeira, que apresentou a ele o professor Elisaldo Carlini.

É aí que tudo isso se encontra e que a gente tem a primeira sementinha do curso, né? Ele foi uma das da dos simpósios que o professor Elizabo Carl produziu. E nesse nesse encontro ele ficou super entusiasmado com os potenciais eh da Cannabis e quis trazer isso para dentro de igreja da Pastoral de Saúde como um dos temas que eram debatidos ali. Só que quando ele traz esse tema, eh, algumas pessoas se reúnem ali com ele, né, que faziam parte ali da comunidade e trazem que entre elas eu estava, eh, que não é tão simples a gente falar de canabis na periferia, porque é um assunto que não é só sobre o medicinal, né?

Um assunto que tem muitas facetas, que a gente fala de proibição, a gente fala de encarceramento, a gente fala de morte, a gente fala de violência, a gente fala de muitas outras questões, né? Então, não só sobre o acesso, sobre os potenciais clínicos. Então, eh, pensando nisso, né, a gente propõe fazer alguns debates e encontros, né, e foram quatro, eu só tenho três aqui figurinhas, mas foram quatro debates. Eh, e a gente foi trazendo especialistas nesses debates e foi juntando muita gente, muitos curiosos, principalmente por falar de cannabis na periferia, né, dentro de uma igreja católica.

Então, foi juntando muita gente, muitos curiosos e e cada vez eh com mais assuntos, mais profundos os debates. E aí num num deles, né, no último que nós fizemos, eh, em dezembro também, eh, alguém disse: "Nossa, isso tem tanto assunto que deveria virar um curso." E aí o padre Ticão já eh levantou a mão, quem quer participar, não sei o quê, e se marcou uma reunião para dali uma semana para que a gente começasse a idealizar o curso. Eh, e juntou bastante gente ali num dos salões da igreja. Então, a gente tem essa primeira reunião, né, com que juntou bastante gente interessada.

fizemos outras e fomos formatando a grade com várias pessoas aí já do movimento, vários especialistas, gente do direito, gente da parte cultural, gente que fazia parte da marcha, eh, enfim, gente da universidade, a gente juntou bastante gente e saiu o primeiro, a primeira edição do curso, né, um curso presencial gratuito, que acontecia lá na paróquia, que foi juntando muita gente. A gente chegou a 700 alunos na primeira edição, pensando que não tinha transmissão online, que era lá e tinha que se locomover pela cidade, né? num outro momento, a gente tá falando aí de, ai, desculpa, gente, em 2018, então, muita gente eh em 2018 eh né, um um outro momento, inclusive, e aí eh e aí a gente eh eh terminou o curso já com a proposta de uma nova edição. Então, eh, aí é uma, eu trouxe algumas fotos pro pessoal matar saudade.

Aqui um evento que a gente fez no, na finalização do curso da, da primeira edição. Aqui uma foto do segundo, né? Então, a gente faz o segundo curso, eh, vai juntando mais gente, então tinha mais de 1000 inscritos no segundo curso. Eh, uma, a partir do segundo curso também a professora Eliana passa a ser a coordenadora do curso.

No na primeira edição era o professor Elisaldo Carlini, que já estava um pouco adoentado, mas que teve presente ali nos primeiros debates, né? Lembrando que, como eu disse, esse grande encontro dessas três figuras aí desse cenário, que é o Padre Piticão, professor Elisaldo Carlini e o deputado Paulo Teixeira, eh, que possibilitaram a gente ter esse primeiro curso. professor Elizabo Carlini eh topou eh seu coordenador e e inscreveu o curso lá na UNIFESP, que foi sempre super parceira tanto do padre Ticão, dos seus eh projetos de extensão aí em parceria com a universidade, quanto principalmente nessa questão da saúde integrativa e do curso da Cannabis. Então, como eu disse, né, aqui é umas fotinhas do salão super lotado, cheio de alunos, assim, toda todas as terças-feiras eh era esse montão de gente.

E aí a gente tem todas essa a partir da da terceira edição entre a pandemia, né? E aí não é mais possível a gente fazer o curso de forma presencial e aí a gente passa a fazer ele de forma online e aí vai juntando mais inscritos. Então a gente chega a uns 5.000 inscritos nessa primeira edição eh online. Faz a edição seguinte.

também de maneira online. E, infelizmente durante essa edição, a quarta edição, a gente perde professor Elisaldo Carlini durante ela e eh um entre a quarta e a quinta edição, no final do ano, na transição aí eh dos anos, no exatamente no dia primeiro de janeiro, a gente perde o padre Ticão. E aí, no curso seguinte, durante a pandemia, eh, já com a repercussão da morte do padre Ticão, a gente tem uma edição com mais de 20.000 1000 inscritos, que é a quinta edição do curso, e seguimos online, né, eh, até essa edição, agora, a 14ª edição, a gente perde um pouquinho desse acolhimento dessa rede, do quentinho de estar um próximos ao próximo ao outro, mas a gente eh consegue atingir mais pessoas de forma online ainda na pandemia, com as pessoas em casa. Então, a gente chegou a esse recorde aí, né, no total de todas as edições, passamos dos 150.000 inscritos, eh, e estamos aqui nessa 14ª edição.

Então, é isso, né? Então, eh, essa é uma parceria de extensão da universidade com a MV Recan e a UNIFESP é essa universidade, né, que serve de ferramenta de transformação social, que sempre tá aberta aos processos de extensão, aos projetos de extensão, né? E essa é a função, né? A extensão universitária é a democraz democracia do conhecimento, né?

Quando a universidade dialoga com a ciência, a ciência se torna a ferramenta de transformação social. Então, agora que eu contei um pouquinho da história, falei um pouquinho de tudo isso, tentei falar de forma suscinta, mas eu vou falar disso eh na minha aula lá no final eh do curso, quando eu falo um pouquinho sobre movimentos sociais, mas a ideia aqui era não se estender muito e falar apenas de como tudo isso começa, mas eu vou agora eh mostrar para vocês um pouquinho de quem são esses atores, da onde a gente começa, com o que eles pensavam, né, duas pessoas que são unânimes assim quando a gente fala desse dessa planta. Eh, então a minha homenagem a esses dois mestres que eu tive o prazer de compartilhar um pouquinho da minha vida e a minha gratidão por ter tido esse tempo com eles. Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância, plenitude.

Sou padre Ticão. Eu sou caipira lá do interior de uma cidade chamada Europes Catanduva. Aí quando eu chego aqui em Hermelino Matarazo, estou há 42 anos como padre aqui, eu acho um absurdo 4 milhões de pessoas não ter uma universidade pública. E aí nós começamos a luta que tinha o seguinte princípio da creche à universidade.

>> Quando eu entrei na escola medicina, a medicina brasileira pouco queria entender das coisas do caboco brasileiro, do índio brasileiro. O importante era importar ideias, medicamentos do exterior. Eu queria muito estudar coisas brasileiras, nacionais. Eu entrei no curso de medicina com essa ideia mais ou menos imatura, mas já existia.

E ela se concretizou muito bem quando eu comecei a estagiar e aprender com o professor José Ribeiro do Vasco. E a primeira coisa que ele me ensinou foi uma coisa muito engraçada, trata de entender o porque que se usa maconha. Você entendendo porque o objeto a maconha, você passa entender o que é a maconha. E a maconha era considerada nessa época erva do diabo.

Havia uma propaganda muito intensa contra a maconha e que não é verdade não, que a maconha hoje já é um medicamento sobre a forma de produtos medicinais, já são reconhecidos e rejeitados esse produto. >> Gênesis 1:29. Deus deixou todas as plantas para [roncando] a nossa alimentação, para a nossa vida. Esse é o motivo principal.

A cannabis é uma planta de Deus. Agora, se ela foi misturada com as drogas por ignorância e até por crueldade do poder econômico, [música] agora se a cannabis ela é desacreditada por lideranças religiosas, sem conhecimento, [música] sem informação, aí é outro problema. >> Eu estudei bastante ação de combustivante da maconha. Posso dizer com orgulho São Paulo de no nosso grupo foi o primeiro no mundo a estudar em termos mais recentes os efeitos anticonulsivantes da Maconha.

>> Lê o evangelho a partir da vida. Então eu quero dizer que a Cannabis é uma santa erva, é criação de Deus. Todos deveriam ter em casa algumas plantas. Nós sabemos hoje em dia que o meu cérebro, o seu, o cérebro [música] do Papa, o cérebro do presidente da República daqui, todos são fontes de produção de trocas tipo maconha, princípios ativos que não tem o nome de maconha, mas que é neurotransmissor, tem uma função do cérebro.

[roncando] Hoje em dia nós sabemos como é que a maconha inclusive viagem em vários receptores do nosso cérebro que baixa o limar de convulsão. Eu me lembro quando estudante de medicina ainda nós começamos a publicar os primeiros trabalhos no exterior em inglês e fomos os pioneiros do mundo. Já na época de 50, 60 eu consegui fazer o primeiro trabalho testando o produto na epilepsia do homem. E foi muito difícil porque no Brasil tinha um preconceito contraanto a plantas medicinais, inclusive a maconha a erva do diabo.

É como diziam, eu ia falar com os delegados e eles eram mais compreensíveis do que os médicos. Ah, então se eu levo um pouco daqui que eu tenho bastante presa, né, e faça suas experiências, pois conte pra gente. E nós teimamos, teimamos, teimamos e conseguimos a autorização da Escola Paulista de Medicina. Deu muito bem mesmo pros pacientes que receberam o Delta9 THC e depois o canabidol deixaram de ter convulsões.

Logo depois de a ordem proibido fazer pesquisa com Macar no Brasil. Eu fiquei proibido de continuar e eu todo país e vários colegas estavam trabalhando. >> Nos últimos anos nós buscamos uma relação com a universidade e aconteceu aqui um encontro de formação. É uma luta ainda para a legalização da cannabis medicinal.

Ainda o preconceito é muito forte. Por isso que esse trabalho vai ser uma maneira não só de vencer o preconceito, mas de legalizar a cannabis medicinal em todo o Brasil. >> Eu fui acusado de fazer apologia do crime. Não tem o menor sentido.

Eu cheguei a dizer publicamente, olha, aqui no Brasil nós não lemos e não gostamos. Nós estamos publicando leses aí sem ter lido, porque não é possível >> muita coisa a fazer ainda. Muito obrigado. >> Obrigado.

>> Tá bom. [música] >> Então vamos lá. A nossa parte de orientação, né? Então, eh, qual é a metodologia do nosso curso?

São aulas às terças e quintas a partir das 19:30, no canal do YouTube. Não precisa esperar um e-mail ou um link para acessar as aulas. Dá para vir diretamente aqui na página do YouTube e acessar a aula. Também não precisa ser às 19:30, ela fica disponível a partir desse horário, mas ela fica gravada aqui.

Dá para acessar a qualquer momento durante todo o período do curso, tanto para consulta, quanto para posteridade, quanto também para fazer as atividades. Toda aula vai ter um formulário do Google. Na aula de hoje não tem, que é só apresentação, onde vocês vão registrar o nome de vocês e os dados para contabilizar a presença. Isso pode ser feito ao longo do curso.

Então, ah, pulei a terceira aula lá no final do curso, lembrei disso, posso voltar e posso preencher esse formulário quantas vezes forem necessárias ao longo do curso. Não é necessário receber o e-mail ou um link, né? Como eu disse, eh, a presença são contabilizadas pelo formulário, que tá sempre disponível também na descrição das aulas. Então, é só entrar em qualquer aula e e na descrição vai ter essa e outras informações.

Para emitir o certificado é necessário ter 75% de participação e o certificado ele vai ficar pronto até 30 dias após o encerramento das atividades. Então, a gente encerra o curso em novembro até dezembro. a 30 dias a contar, né, da data da última aula, a gente vai emitir o certificado de todo mundo e vocês mesmos que emitem e que eh fazem o download do certificado, a gente não envia o certificado para ninguém, tá? Ah, o cronograma do curso, as aulas iniciam hoje, dia 16/06, vão até o dia 12/11.

As presenças e as atividades, as aulas podem ser assistidas até o dia 12/12. E os certificados até eh o dia 12/01 a gente envia. A ordem da das aulas, elas podem mudar porque pode ter algum problema técnico e a grade da eh tá disponível na ementa do curso lá onde vocês se inscreveram e tem o link na descrição dos vídeos. E aí, como acessar o formulário das eh da de preenchimento aí dessa presença e as informações?

Então, vocês vão acessar aí a página do YouTube. Em mais vai ter aqui, ó, para enviar a presença, acesse, clica no link, ele vai abrir um formulário do Google. Esse vai tá fechado porque é de uma edição que já acabou, mas aí vocês vão preencher os dados de vocês e enviar. pode tirar print, pode enviar com cópia para vocês, eh, não tem eh problema, mas de uma maneira geral a gente não tem problema e pode enviar mais de uma vez.

E aí, como emitiado, né? Então, vocês vão entrar, eh, eu vou dar uma pause aqui, ó, no ciex.unifespo. u.unifespo. Vão entrar com os dados de vocês, dá para entrar eh com eh o login, a senha que vocês cadastraram, mas também com eh o GOV, né?

Entrando, vai ter aí eh os cursos que vocês tão eh escritos ali, ó, em consultar inscrições ali do lado direito. Aí você vai achar os cursos que você se inscreveu e você vai baixar ali, ó, em certificado do curso e ele vai abrir o certificado. Eu vou pausar aqui, eh, porque vai entrar com os meus dados, né? ele vai abrir um um aviso dizendo que o certificado, nesse caso aqui, ó, ainda não foi emitido, que você pode fazer a correção dos dados pessoais, né?

Então você pode, vamos supor que o seu nome tá errado. Nesse momento você pode corrigir, depois você vai emitir, você vai fazer o download do PDF e aí você pode salvar, imprimir o que for melhor. E aí para finalizar vou avisar vocês que as a gente prorrogou as inscrições até o dia 30, porque teve muita demanda de último momento e que vocês podem eh convidar outras pessoas aí. Eh, e para encerrar, uma fala do padre Ticão aí, pra gente matar saudade.

A gente se vê na próxima quinta-feira, então, uma ótima semana para vocês. >> Medicina do presente e do futuro passa pela canabis. Então, viva Cannabes, viva Santa Maria, viva o nosso movimento da Cannabes, viva associações que estão se formando, as associações que já existem, que continuem praticando essa amorosidade, essa solidariedade. Um beijo no coração de todos.

Até mais. M.

2ª Aula — Botânica e a Etnobotânica da Cannabis sativa L. - Profªs Carla Bruniera e Eliana Rodrigues

Aula 2 · YouTube · ~75613 caracteres · pt

Olá, pessoal. Bem-vindos à nossa primeira aula de conteúdo, nossa segunda aula, né, eh, em termos de dia de calendário da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Para aqueles que ainda não me conhecem, eu sou a Gabi da Inese. Recomendo para aqueles que estão chegando agora assistirem a aula de orientação.

lá a gente se apresenta, apresenta a equipe, conta um pouquinho da história do curso também passa algumas orientações de como vai funcionar o nosso curso. Eh, reforçando algumas coisas até que foram faladas lá, eh, todas as aulas a gente posta aqui, com exceção dessa aula orientativa, um formulário do Google ou Google Forms, para que vocês preencham os dados de vocês, isso contabilize a o registre, né, a presença de vocês na aula. Lembrando que é necessário 75% de participação nas atividades, nas aulas, para obter o certificado ao final do curso. Falando de certificado, vocês mesmos que emitem dessa edição e de todas as edições.

Então vocês eh têm lá uma orientação, endereço de como eh fazer, se colocar no Google eh ou em alguma ferramenta [limpando a garganta] de busca, elas também auxiliam de como fazer. É bem simplificado. A gente não envia o certificado para ninguém. São muitos alunos e exatamente porque são muitos alunos, o nosso canal exclusivo de comunicação são as mensagens por e-mail.

A gente tem uma equipe para pr a Cristina principalmente, né, Cristina Segato, eh, para responder os alunos, mas outras pessoas também podem fazer. E, eh, a os outros canais de comunicação, como as redes sociais, o grupo do Telegram, eh, não é exatamente um canal adequado, apesar que a gente posta alguns conteúdos lá. e como acessar todas as aulas a gente posta o link no link tri da Movan. Ele tá na bio do Instagram também, tá aqui na bio do da tá aqui na descrição das aulas do YouTube.

Lá vai ter primeira, segunda, terceira aula, os formulários também lá eh de em ordem cronológica. Então é só acessar esse link tri para ter as informações. Eh, e eu acho que não tem mais muito, né? Espero que todos vocês tenham acessado a ementa do curso.

Lá tem a grade, tem mais ou menos como o curso vai funcionar, mas eh não custa aqui a gente reforçar. E as aulas são abertas, o conteúdo é aberto, mas para ter o certificado precisa fazer a inscrição. Então não adianta assistir a aula, responder o formulário, se você não se inscreveu lá no site da UNIFESP. Depois de fechado não tem mais como fazer.

Era para ter encerrado o dia 15, a gente estendeu até o dia 30 de junho, não vai ter mais uma nova prorrogação. Então corram lá, eh, avisem os amigos e as outras pessoas, pessoas que podem ter, eh, podem ter uma mudança aí de paradigma com o curso. A nossa ideia é um curso bem acessível a todos, com uma linguagem eh popular, mas com conteúdo científico de qualidade. Então, bem, a nossa aula de hoje, ela vai ser dividida em duas partes.

Então, pra primeira parte da aula, que a gente vai falar sobre botânica da cannabis, sobre taxonomia, né? Eh, eu queria dar as boas-vindas à Carla Brunieri. E na segunda parte a gente vai receber a professora Eliana Rodrigues. Eh, aí daqui a pouco eu volto para falar um pouquinho da aula da professora Eliana.

Então, obrigada às duas por esse eh por por esse conhecimento e a gente se vê já. >> Olá a todas e a todos. Eh, eu sou a Carla Polizel Brunheira, sou docente na UNIFESP de Diadema e fui convidada no curso de de uso terapêutico da canabisativa para falar um pouquinho sobre a botânica dessa espécie. Bom, nessa aula a gente vai eh focar principalmente sobre a classificação da planta, né, a taxonomia dela.

E eu vou mencionar alguns aspectos históricos importantes, né, para entender um pouco desse processo, esse processo de mudança, né, na taxonomia do de cannabis. E também por último, um pouco de eh da descrição botânica, então como que essa planta é, né, como são as suas folhas, flores e frutos. para vocês entenderem um pouquinho melhor sobre a descrição botânica dela. Bom, acho que é um senso comum, né, que a cansativa ela tem uma utilidade muito grande, por isso que ela é uma planta tão estudada e tão interessante para ser estudada eh por botânicos e todas as outras pessoas, né, seja da áreas de biológicas ou até mesmo fora da área.

Ela é uma planta completa que a gente tem utilidade desde as raízes, né, que toleram metais pesados. Então, podem ser utilizadas na biorremediação em solos contaminados, desde o caule que produz eh fibras, né, que são utilizadas na indústria têxtil ou então eh para na indústria de papel. Além disso, as folhas e flores que tem os fitocanabinoides, né? Então, muito importantes tanto para eh propósitos medicinais, para fins medicinais e também utilizados para fins recreativos e também as suas sementes, os frutos, né, que a gente tem tanto uso de biocombustível, mas também os ácidos grassos como ômega-3, ômega-6 na indústria alimentícia, além de serem também eh terem essa importância ecológica, né, como alimentos de animais.

Bom, a origem de canabisativa é na Ásia Central, mas ela foi introduzida em diversas partes, né, em diversos continentes, como a gente tá vendo aqui no mapa. Então, a origem dela aqui em verde e todas as outras áreas onde ela foi introduzida, né? Claro, todos os aspectos legais e relacionados a isso a gente, né, vai ter também em outras em outras partes do curso. Então, foi só para dar um uma introdução, né, pra aula, para não começar na classificação, né, nua e crua.

Então, eu queria trazer um pouquinho para vocês o grupo onde canabis está inserido, que é a família Canabas, tá? Essa família é uma família cosmopolita, como a gente pode ver aqui nesse mapa. Então, todas as áreas em vermelho onde ocorre algum alguma espécie, algum gênero, né, dessa família, ela possui no total 10 gêneros. Eu vou usar muito esse banco de dados que é o Plans of the World Online, o PO, tá?

É atualizado com os dados de 2026 e a família contém cerca de 170 espécies, sendo que metade dessas espécies está no gênero celtis, tá? que é um outro gênero. Então, no Brasil a gente tem como gêneros nativos tanto celts quanto trema, né? Então, dois gêneros.

E introduzidos a gente tem cânnabes e úmulos. Para quem não conhece úmulos, tem a espécie úmulos lúpulos, que é o lúpulo, né, usado na fabricação da cerveja. E em cânnabis a gente tem, por exemplo, cannabis sativa, eh, que é mais conhecida, né, como maconha ou rachxicheixe. E essa frase de Mberly é é interessante, né, porque esses gêneros, né, da maconha e do lúpulo, eh, são, né, de espécies de plantas que causam grande felicidade e infelicidade, né, ao homem.

Então a gente interpreta, claro, que o uso pode ser um uso muito bom ou também um uso que pode levar a uma certa tristeza, né, em alguns casos. Então assim, começando um pouco desse histórico da taxonomia, né? A gente sabe que a maconha ela é domesticada há muito tempo, é uma das primeiras plantas a se ter registro, né, de domesticação. E a primeira descrição dela vai lá na antiguidade, né, os gregos e romanos, eles eram já eh, digamos assim, filósofos e ao mesmo tempo eles tinham também esse essa pegada biológica de descrever plantas, descrever animais.

Então, nessa época, desde Platão, Aristóteles, né, tivemos muita descrição de vários taxons biológicos. E a descrição da maconha, ela data mais ou menos então de 2 anes de. Cristo, bem nessa época, com um filósofo romano chamado Pausânios, né? Mas o nome Cannabis, ele vem a ser usado pela primeira vez lá no século X com Fux.

E a espécie canabisativa, né, foi proposta por Lineu lá na obra Espícies Plantaram, que é uma obra extremamente importante, porque Lineu descreve diversas espécies, né, de plantas e animais em eh nessas obras dele e nessa propriamente dita, né, plantaram, é uma obra que reúne muitas espécies botânicas, incluindo canabisativa. E para quem não sabe, Lineu também é considerado pai da taxonomia, porque ele traz, né, todo o sistema hierárquico e o sistema binomial. Então, a gente usar binômios para designar, né, as entidades biológicas. Então, cânnabis, né, o nome genérico.

Isso ativa é um epíteto específico que vai então ser eh específico para essa espécie, essa unidade taxonômica, né, canabisativa, tá? >> [roncando] >> E logo em seguida a gente tem uma pessoa importante também bastante conhecido, Lamar, né? E o Lamarque ele começou a observar algumas diferenças morfológicas em algumas populações, tá? E ele chamou de cannabis índica, né?

Cannabis que vem da Índia, tá? Por conta dessas diferenças morfológicas, então plantas um pouco mais baixas, com diferenças também nas folhas e nas sementes, né? que eu vou tá trazendo aqui para vocês nos próximos slides. Então, aqui a gente tem uma foto do material tipo.

Material tipo, pessoal, ele é bastante importante porque é o material que o autor, né, o descritor da planta, ele vai usar como referência para aquele nome, tá? Então aqui a gente tem o material tipo de cannabisativa e aqui de cannabisíndica. E a gente vê em alguns ramos, né, escolhidos como material tipo, eh, grandes diferenças aqui, né, pelo menos eu como botânica vejo muitas diferenças, né? a gente vê o espaçamento das folhas, né, que esses internós, que a gente chama são bem mais espaçados, enquanto que aqui é bem mais congesto, né, e agrupado essas essas folhas.

O formato, né, apesar de ser parecido aqui, os folíolos são bem mais longos, né? Então, cânnabis tem essas folhas compostas, que uma folha dividida em folíolos. Aqui a gente percebe que eles são mais longos, tá? a própria arquitetura aqui da disposição, das folhas, enfim, a gente consegue perceber essas diferenças que foram também percebidas pelo Lamarque.

Eh, ele então descreveu essa nova espécie canapis índica. Eh, decol é um botânico também extremamente importante e ele dividiu canabisativa com base nos efeitos ou usos, né, da planta. Então ele tem esses quatro grupos, né, beta, alfa, beta, gama e delta, né, que também receberam esses outros nomes aqui, principalmente associado a efeitos psicoativos, né, ou produção de fibra dessas plantas e também aquele grupo, né, que ele considerava um intermediário entre os outros, tá? Então, sempre baseando também em características, né?

Porque próprios efeitos ou eh o uso daquela planta vai tá associado a características, né, químicas ou morfológicas que ela possui. Eh, a gente tem então agora um russo, né, o Yanitevski, eh, que traz a espécie cannabis roderales, né? Ruderales, no botânico, no latim botânico, é considerada uma espécie selvagem, tá? E ele observou isso em populações que que tinham alguns indivíduos que cresciam espontaneamente, né, fora daquelas áreas de cultivo e também observou várias diferenças dos frutos, né?

Então aqui a gente tem algumas fotos, né, de desse fruto de cânnabis. Eh, vocês vejam que ela tem, né, eles têm essa essa ornamentação meio reticulada, tá? Então, o formato desse dessa espécie era diferente, o tamanho também dos aquênios, né, que é esse tipo de fruto. Então ele também eh, né, naquela época ele considerou eh aquelas populações diferentes e chamou então de uma outra espécie, considerando, né, como cannabis roderales.

OK. Outro russo, né, o Vavilov, então fez um trabalho eh no qual ele considerou as três espécies, né, distintas. Cannabisativa descrita por Lineus, eh, Cannabis índica por Lamarque e Cannabis Ruderales por Ianevski, né? Como e eles acreditavam que a roderal seria como se fosse uma espécie parental das outras duas espécies.

A gente tem a Tatiana Cebriacova, que é era assistente, né, do Vavilov, então também russa e ela traz um dos trabalhos mais detalhados, né, com o grupo. Ela reconhece apenas duas espécies, então cannabisativa e cannabisa, com essas diferenças morfológicas. Então, a gente vê que as eh cannabisativas são plantas mais altas, né, comparado com canabis índica. Então aqui nesse esquema a gente vê isso claramente, né?

Eh, elas eram também, né, a os indivíduos de canapisativa mais eh menos samificados, enquanto que índica eram mais samificados. Os folíolos também, folíolos mais longos, enquanto que de índica seriam foliolos mais curtos, tá? E também observaram diferenças das sementes. Então, em canabis ativa a gente tinha sementes maiores com uma coloração mais acisentada ou amarronzada, enquanto que em cannabis índica a gente tinha sementes mais pequenas, né, com uma coloração escura e mais brilhante, tá?

Então, todos os aspectos morfológicos da planta para separar, né, essas espécies. Esse trabalho de da Tatiana foi um trabalho bem extenso, bem detalhado. Ela reconhece essas duas espécies, né, como tá aqui nessa tabela. Então, cannabisativa e cannabisa, mas dentro de cannabisativa, ela reconhece duas subespécies.

E vejam aqui, né, várias proles e dentro dessas proles variedades e formas, ou seja, a gente tem aqui eh mais de 30 taxons infra e específicos, né? Então assim, dentro de canabisativa é uma subdivisão muito grande, né, dessas populações aqui, considerando então diferentes taxons. Então a gente vê que até o final do século XX a gente tinha a classificação desse dessa espécie, né, de de cannabis ativa ou do gênero cannabis, né, muito baseado quê? Na morfologia, né?

morfologia do das folhas, das influorescências da semente e também origem geográfica também um pouco do uso, né? E esse uso, se eram fibras ou uso para para finalidades já psicoativas, enfim, era também associado com propriedades químicas, mas que na época a gente não tinha, né, tanto conhecimento de quais eram esses metabólitos, né, eh, que a planta apresentava. Então, o que acontece é que no século XX vai ter uma abordagem com novas evidências, né? Então, são trazidos eh dados químicos e moleculares para essas classificações.

Então, tem alguns autores aqui que vão se basear nessa quimiotaxonomia, ou seja, uma taxonomia, uma classificação mais associada também com essa variação nos metabólitos secundários que a planta apresentava. Bom, então, eh, fazendo um compilado, né, dos trabalhos que consideram, né, a quimiotaxonomia, eles vão, então, considerar três espécies distintas, ou seja, três grupos distintos, né, cannabisativa, cannabis índica e cannabis roderales, tá? E aqui só, né, de forma bem superficial sobre cada uma delas. Então, eh, cannabis roderales seria esse grupo, né, mais primitivo da espécie selvagem, como a gente, né, já falou anteriormente.

Eh, uma curiosidade é que eles não encontraram populações completamente isoladas, tá, para esse grupo. Então, elas estavam sempre em sobreposição geográfica com outras, né, com as outras espécies, assim, digamos. E lembrando que sempre tinha, né, os metabólitos químicos também sustentando esses grupos. né?

Então você tem ali a presença de alguns dos metabólitos, né, eh, dos canabinoides ali, eh, e do THC e o CBD. Então, a presença de cada um deles também sustentando esses agrupamentos. Aí a gente tem um outro agrupamento de canabisativa, que no caso ela vai ter duas subdivisões, então vai ter a subespécie sativa e a subespécie espontânea, tá? cada uma também eh mais específica de uma área geográfica, né?

E aqui a subespécie sativa muito utilizada, né, na fabricação de de com muitas fibras, né, e sementes, então mais utilizadas para essas finalidades. E a terceira, né, que seria cannabis índica, com quatro grupos, né, quatro subespécies ou biótipos. Então, a gente tem a subespécie índica, a caferistânica, afigânica e quinenses, né, também com seus respectivos usos. Aqui a gente vê, né, aquênenses também para produção de fibras e sementes, tá?

E com as respectivas áreas. Então, também lembrando que cada uma com o seu metabólito secundário ali associado e sustentando, né, esses diferentes grupos, tá? Então, uma classificação baseada na quimiotaxonomia. E essa é uma das classificações eh mais assim mais usadas, né, por bastante tempo, que é classificação de small e concrete de canabisativa.

Então, eles consideraram uma única espécie, né, porém uma única espécie com taxons em frespecíficos. E baseado no quê? baseado no nível, né, de eh tetrahidrocanabinol, ou seja, do THC, então se era menor que 0.3% ou maior que 0.3%. Então, se fosse menor, a gente teria a subespécie, né, sativa, tá?

Então, canapisativa, subespécie sativa. Agora, se fosse maior que 0.3%, 3% a gente teria a espécie canapisativa, subespécie índica. E aí uma segunda divisão, né, dessas subespécies seria pelo fato delas serem cultivadas ou selvagens. Então, dentro, né, da subespécie sativa, a gente tinha então as cultivadas como variedade sativa e as não cultivadas, ou seja, as selvagens como variedade espontânea.

E dentro de é canabisativa subspécie índica, a gente teria a variedade índica para aquelas, né, que eram cultivadas e as selvagens como variedade carifistânica, tá? Então também novamente, né, uma subdivisão da espécie canabisativa. E aí então a gente tem eh uma taxonomia com uso, né, maior de dados moleculares, ou seja, sequências de DNA. Então, já no século XX, assim, eh, a sistemática molecular, né, ela realmente veio revolucionar as classificações, porque é uma grande quantidade de dados e dados que não tm influência ambiental, então sem plasticidade fenotípica, ou seja, o ambiente ele não molda as características.

Então, começaram a ser extremamente utilizados nas classificações. E aí a gente tem alguns trabalhos importantes, né, como esse aqui de 2005, que traz uma ampla amostragem da da cannabis, né, também uma grande quantidade de dados moleculares. E os resultados desse trabalho então mostram a presença de três espécies, ou seja, de três linhagens diferentes, de três agrupamentos diferentes em cannabis, chamando de cannabisativa índica e roderales. E além disso também propõe, né, que ocorram sete taxons infraespecíficos, ou seja, além dessa divisão em três espécies, outros taxons, né, dentro dessas três espécies aqui.

Um outro trabalho, além de dados moleculares, ele também eh traz evidências da morfologia e da química, ou seja, integrando todas essas fontes de evidência e também traz a presença então de três espécies, né? Canabsativa, índica e roderales novamente, tá? Porém, esse trabalho tem algumas críticas, algumas limitações em relação tanto à amostragem quanto, né, aos tipos de análises realizadas. E aí, eh, a gente tem mais recentemente ainda filogenômica, ou seja, eh, a sistemática usando dados genômicos, ou seja, DNA completo, né, da ou mais próximo, né, de completo dos diferentes organismos pra gente tentar então estabelecer as relações de parentesco e melhores classificações sobre esses organismos.

Então, a filogenômica é bastante recente, mas traz também vários dados eh robustos sobre eh esses taxons. E nos trabalhos, por exemplo, esse de Vergara e colaboradores de 2021, eh eles trazem que seria uma única espécie, então contradizendo, né, os trabalhos de sistemática molecular que vieram anteriormente. Então, é uma única espécie sem taxons infraespecíficos, né? Então, a gente não tem subespécies, tá?

Eh, essa variação morfológica, ela não tem genes associados. Então, eles viram, né, que não teriam, né, genes associados a um determinado fenótipo, ou seja, um conjunto de características, né, morfológica ou até mesmo, né, química. Então, eh, consideraram uma única espécie, né, canabisativa, tá? Só que essa espécie claramente diversa em termos de características, né, morfológicas, principalmente.

Por isso que ela tá aqui como uma espécie fenotipicamente diversa. Aqui é uma síntese, né, dessas propostas diferentes de classificação. Então, a gente tem, né, eh, uma espécie única canabisativa, como alguns autores propuseram, que eu mostrei para vocês, com três subespécies. As três subespécies.

Aqui a gente tem também as propostas de terem três espécies, né? Então, canabisativa, índica e roderales. Então, como se fossem três linhagens diferentes, né, evolutivas. E a gente tem o mais recente, então, que seria a canabisativa, né?

Uma única espécie, como proposto pela filogenômica e só que é uma espécie com muita variação morfológica, ou seja, fenotipicamente diversa. Eh, lá naquele banco de dados, né, do Plans of the World Online que eu mostrei para vocês, se vocês entrarem, ele considera, né, como nome aceito, então essa única espécie canapisativa e 36 sinônimos associados, ou seja, nomes que já foram descritos, que já foram propostos por diferentes autores, né, e que hoje estão todos sobonímia, né, então são sinônimos de carambativa, tá? Então, essa é a espécie reconhecida atualmente, que foi descrita lá por Lineu em 1753. E aqui, né, tem esse esse eh gráfico, né, muito interessante do trabalho de Lapierre, colaboradores de 2023, que mostra esses diferentes autores, né, a proposta deles como uma única espécie canapisativa, porém outros, né, que propuseram pelo menos duas ou três espécies aqui e também quais foram os principais dados utilizados pra classificação deles.

Então, em preto a gente tem morfologia, né? Então, morfologia externa, características das folhas, das flores, dos frutos. A gente tem alaranjado aqui a parte mais da quimiotaxonomia, então as características químicas. E em azul a gente tem a molecular, então os dados moleculares sustentando aquela classificação.

E a em relação a essa pergunta, né? Será que a taxonomia tá totalmente resolvida de de cannabis, né? Eh, no momento há um consenso, então, que canabisativa é uma única espécie, tá? Fenotipicamente diversa, como foi colocado, mas com o acúmulo de novas evidências, novas análises, né?

A ciência ela não é estática, ela não é algo que que para, né, no tempo. Então, claro que a gente pode acumular novas evidências. quem trabalha, né, com a sistemática desse grupo pode vir a tomar outras decisões, né, dependendo aí do que, né, o futuro mostrar pra gente. E agora eu queria bem rapidamente mostrar um pouquinho, né, da planta para quem não tem tanto contato.

Então, dentro dessa classificação, né, uma única espécie é de cannabis, né, cannabis ativa, elas têm esse aspecto, tá? São ervas eretas e anuais, ou seja, né, elas não são plantas perenes, elas têm podem atingir, né, até 4,5 m, que é bastante, tá? As plantas masculinas são mais altas, as femininas são mais baixas, então isso é bem importante, né? Elas possuem sexos separados.

Então existem as plantas masculinas, né, que produzem flores masculinas e as femininas que produzem flores femininas, tá? Então as masculinas, como eu disse, são mais altas e degada delgadas e as femininas são mais baixas e mais robustas, tá? As masculinas morrem logo após o a florescerem, né? E as femininas, elas duram ainda alguns meses após a polinização.

A gente tem essas folhas bem conhecidas, né, que são folhas compostas, então elas são divididas em folíulos e a gente chama de palmadas porque muitas vezes a gente encontra cinco folíulos, tá? Como nessa folha da direita aqui, mas elas podem, né, produzir até sete ou às vezes chegar a 11 folíolos, tá? Então aqui a gente vê um número maior mesmo de folíolos e de comprimento elas atingem cerca de 15 cm, tá? Outra característica marcante é essa margem dos folíolos que é serreada, tá?

Então tem essas reentrâncias como a gente tá vendo aqui. E a disposição, né, no ramo, ela pode ser oposta. Então, na base da planta, geralmente você, né, tem duas, uma para cada lado do ramo, mas quanto mais ao ápice da planta, a gente vê elas tendo uma posição mais alterna, então elas vão se alternando, né, no ramo. A gente tem, então, como eu falei, né, as influorescências masculinas e as femininas em indivíduos separados.

As influorescências masculinas são maiores, então elas são eh tem as flores melhor distribuídas, a gente chama de uma panícula, tá? Esse tipo de influorescência que tem esse formato como se fosse uma pirâmide, tá? E as flores, como vocês estão observando, elas são geralmente esverdeadas, elas não são flores vistosas, robustas, tá? São flores bem reduzidas, como a gente tá vendo aqui na foto.

Aqui um pouco mais de zoom nas flores e masculinas, né? A gente vê as cépalas, tá? Que fazem parte da flor aqui bem verdinha, né? Com essa margem mais transparente, branquinha.

Os estames, que é onde é produzido o grão de poli, eles são pêndulos, né? Eles ficam penduradinhos aqui na flor, né? Então são bem pequenos. A gente vê aqui sépalas de até 4 mm, tá?

Os estames de até 5 mm. Então são flores realmente bem reduzidas. Aqui a gente tem fluorescências femininas. A gente vê que elas ficam muito mais congestas, né, e agrupadas no ápice da planta, né, mal a gente consegue distinguir aqui o que que é flor.

Quando a gente vê em fluorescência aqui em corte, dá para ver um pouco melhor, mas ainda é difícil porque elas estão realmente bem agrupadas. ali no ápice da planta são poucas flores, né, por influorescência. E também vejamos que elas são essa cor, essa coloração esverteada, né? Então não tem nada chamativo.

Então isso mostra que é uma polinização realizada pelo vento, tá? É o vento que leva o pól da flor masculina até a flor feminina. Aqui é um pouco mais de destaque pra flor feminina, né? Ela tem essas bractélulas que são essas folhas modificadas que formam um capuz aqui, né, uma bainha, envolvem o ovário.

O ovário da flor é onde tá os óvulos, né, que vão formar e depois as sementes, depois da fecundação. E a gente vê aqui esses essas flores femininas cobertas por tricomas, né, glandulares, que são tão importantes, né? Então, esses tricomas são eles onde estão os canabinoides, tá? Então a planta, né, ela tem esses tricomas glandulares em diversas partes, mas são mais concentrados nas influorescências, né, e tem muita resina, né, com os terpenoides, que são os canabinoides.

Então aqui algumas fotos, né, desses tricomas que são lindíssimos também. E aqui a gente vê o frutinho, né? O fruto eh pequeno, né? Até 5 cm e 5 mm, me desculpem.

É do tipo aqueno, que é esse fruto seco, tá? um frutose indecente que não se abre, né, sozinho, de forma espontânea. E ele tem essa casca, né, que é o que a gente chama de pericarpo, que tem eh esse esse retículo, né, também chamado de maplike. Então, aparece um mapa, né, é muito característico também da dos frutos, né, desses aquênios de cannabis, tá?

Tá? Então essa é a carinha do fruto, né, dessa importante espécie aí que a gente tá estudando aqui é um pouco mais dessas ilustrações, né, da planta aqui eh planta feminina, né, o a flor feminina com essas bractélulas que envolvem a flor, o fruto, né, com esse aspecto reticulado que eu falei para vocês, as folhas compostas, né, palmadas, as flores masculinas aqui também o frutinho novamente, tá? Então assim, era isso que eu queria mostrar para vocês com essa parte da aula. É uma pincelada, né, desse histórico de classificação de como foram as mudanças e no que elas se basearam principalmente e mostrar um pouquinho mais a carinha da planta também de uma forma botânica, né, conhecer um pouco os nomes das estruturas.

Espero que vocês tenham aí gostado de aprender um pouco mais sobre a canabisativa. Então, essa bibliografia da aula, né, eh, principal. Então, estou à disposição e agradeço a atenção de todos. >> Então, bem-vindos, bem-vindos a essa aula.

A gente vai receber a maravilhosa professora Eliana Rodrigues, que é a nossa coordenadora também. É um prazer sempre trabalhar com ela. Eu sou muito suspeita. Eh, então e e antes da aula dela, quero reforçar também, né, o convite que ela fez nesse sábado em São Paulo, pra galera que é de São Paulo, que vai vir paraa Marcha da Maconha em São Paulo, que acontece nesse domingo, dia 21.

No sábado, dia 20, ela vai lançar o livro eh Psicoativos Invisíveis na livraria Taperata Peratá. tá? O convite na aula de orientação, também tem o convitinho eh aqui no shots e também nas redes sociais, no Instagram. Eh, convidar todos vocês.

O lançamento vai ser às 16:20, às 4:20, não dá para esquecer. Fica essa livraria fica lá na Galeria Metrópole, na região da República. Então, todos convidados. Agradeço a todos por estarem aqui.

Tenham uma ótima semana. A gente se vê na próxima terça-feira e assim a gente vai seguindo o curso. Espero que ele seja de muito conhecimento, de muito despertar a todos. Uma boa semana, um bom final de semana para todos e uma ótima aula.

>> Olá a todos e todas. Eu sou a professora Eliana Rodrigues. Como a gente já se apresentou à equipe no primeiro dia de aula, eu faço a coordenação do curso pela UNIFESP, né? Queria dar aqui de novo as boas-vindas a vocês, que é essa minha primeira aula.

Eh, e dizer que hoje a gente vai fazer uma grande viagem, uma surpresa aqui para vocês. É uma coisa inédita. Então, eu espero que vocês eh curtam bastante. Então, vamos lá, vamos compartilhar a tela aqui [limpando a garganta] e vamos começar.

Ah, bem, eh, ter certeza que tá compartilhando, tá? Então, como eu já disse, eu sou Eliana Rodrigues e a aula de hoje, a primeira aula que eu vou dar é a etnobotânica da canabis sativa L de Lineus. Isso aqui vocês já viram, a parte botânica e taxonômica da planta foi dada, né, na última aula, pela professora Carla, que é uma botânica da UNIFESP, né? Então, a propriedade da do ponto de vista botânica é dela.

Mas só para reforçar aqui que o nome popular dessa planta não é só um, são vários, são, aliás, a gente vai ver são milhares, dependendo do do país, né? Aqui no Brasil a gente conhece ela também como maconha, liamba, deamba, ganja, fumo de Angola, muito embora a maior parte das pessoas tenha sequestrado, né, o termo cannabis do do nome eh científico para como nome popular. justamente para fugir desses outros nomes, né, principalmente maconha, que tem todo um estigma. Então, hoje um dos nomes populares mais usados paraa planta é canapis, mas na verdade não era, né?

A gente já começa aqui falando de uma questão, nãoé? Então, só para complementar, eu sou coordenadora do Centro de Estudos Etnobotânicos e Etnofarmacológicos da UNIFESP. Então, vamos lá. A etnobotânica é uma disciplina científica que se ocupa de entender a relação entre culturas e plantas, né?

Como que diversas culturas utilizam plantas para qualquer fim, não é só medicinal, né? Para construção civil, para construção naval, como combustível, como para fazer artesanato, tintura corporal, enfim, né? E para isso utiliza métodos da antropologia cultural e sobretudo da botânica, né? Também.

>> [limpando a garganta] >> E esses trabalhos são feitos por meio de entrevistas. Quando o trabalho for sobre plantas medicinais, por exemplo, a a praticantes de cura, como, né, médiuns, parteiras, pai de santo, chamãs e assim por diante, né? [limpando a garganta] Bom, ah, a então, como a gente já disse, a professora Carla, ela já fez toda a explanação do ponto de vista botânico e taxonômico, mas só para relembrar, esse é o jeitão da planta, né? A gente também sabe que a gente fala de cannabis, né?

Muito. Ah, há cannabis, mas na verdade não é a cannabis, são as canapis, porque ao mesmo tempo que é uma única espécie, como a gente acabou de ver, né? Cannes sativa são as canabis. Por quê?

Nós vamos ver daqui a pouco, né? o número de variedades agronômicas que se estima que tenha para essa planta hoje. Então, a gente por aqui a gente já vê vários tipos eh de folhas mais delgadas, folhas mais eh mais eh gordinhas, né? [limpando a garganta] Coloridos diferentes, né?

Que a gente vai ver também que isso se dá a presença de ter diferentes terpenos. Isso vocês vão ver lá na aula de química, não vou me ater muito aqui, mas essas diferenças de cor se dão pelas concentrações desses princípios ativos que são para além dos canabinoides, né? E aqui eu queria deixar bem claro que a aula de hoje, ela, claro, ela vai falar algum eh vários usos rituais utilizados na América, na Ásia Central, mas a aula ela não é eh eh desse eh ponto de vista mais que eu quero falar, quero falar mais realmente do ponto de vista da etnobotânica e dentro da etnobotânica um pouco mais ainda do ponto de vista medicinal, porque o nome do curso, né, é o uso terapêutico. da caniva.

Então vamos lá. [limpando a garganta] Então vocês também já devem ter visto com a professora Carla que ela é uma erva anual, então ela, né, tem um ciclo de um ano. Então a gente vê o jeitão das flores femininas aqui das das plantas fêmeas e o jeitão das flores masculinas aqui na planta macho. O que é importante deixar claro aqui nesse ponto para além da botânica, é que a planta macho muitas vezes ela é conhecida como can, né?

Eh, mas também, mas é a mesma espécie, né? Mas por quê? Porque ela tem baixas concentrações de canabinoides, sobretudo THC, quando comparada com as flores eh da planta feminina, né? Então aqui a gente faz um uso mais para tecidos, para cordoaria, fibras, né?

Construção que a gente vai vai ver aqui. Quer dizer, hoje a gente sabe que até portas da de carros luxuosos são feitos a partir de fibras, né? dessas plantas. Por quê?

Porque ela é muito resistente e ao mesmo tempo é leve, né? Então, nesse caso, para tecidos, tênis, enfim, eh velas, né, de de de navios, utiliza-se o cânamo. Então, seria aqui, no caso, a planta masculina. Já [limpando a garganta] a planta feminina, a gente possui outros eh outros princípios ativos, outros fitocanabinoides, terpenos, uma numa qu centração muito rica, né?

Por isso que a gente usa mais na medicina a planta feminina. Bom, aqui é só pra gente ter uma noção, essa essa essa obra do Christian Hat, que se chama Enciclopédia das Plantas Psicoativas, etnofarmacologia e suas implicações, né? Ela é uma Bíblia, é um livro gigante com várias monografias e dentre essas monografias a gente tem lá três sobrecannabis. uma sobre a cannabis sativa, outra sobre a cannabis índica e outra sobre a cannabis puderales.

Claro, porque isso era no tempo em que a planta acreditava-se que ela eram três espécies, depois três subespécies, variedades, enfim, hoje a gente já sabe que não é nada disso, mas ali no livro tava separado. E aqui é muito interessante a gente perceber que a sativa, olha o número de nomes populares que ela leva no mundo, né? E a índica aqui, ó, número de é muito nome popular. Isso nos indica o quê?

do ponto de vista da etnobotânica, que essa planta, tá certo, vem sendo usada em diferentes regiões do planeta e há muito tempo, caso contrário, ela não teria tantos nomes populares em tantos tantos continentes, né? >> [limpando a garganta] >> E de fato, eh, existe assim dados, né, de que ela tenha, uma hipótese, a melhor é que ela tenha surgido na Ásia Central, na religião ali da, da China, eh, naquele entorno, né, Nepal, Paquistão, aquela região ali, e que ela ela tenha sido ali o seria o centro, né, de domesticação dessa planta inicial, eh, que remontaria 12.000 1 anos antes de Cristo, né? Porém, a gente também tem outras evidências de que essa planta era cultivada na República Teca a 26.900 anos antes de Cristo, né? Existem outros relatos de que ela teria sido a primeira planta domesticada pelo homem.

E daí existe também uma estimativa de que existam cerca de 10.000 1 variedades agronômicas dessa espécie, o que nos faz entender o porquê que algumas plantas, enquanto algumas deprimem atividade sistema nervoso central, né, por exemplo, são ansiolíticas, serve pra gente acalmar, outras são estimulantes, né? Por quê? Porque existe uma diferença entre as proporções entre esses princípios ativos, cerca de 800 da planta que vocês vão ver aí na aula de química, né? Então aqui a gente consegue entender a a complexidade que é um tratamento com cannabis sativo, porque de qual cansal, né?

E qual é a via e qual é a dose e qual foi o método de extração? Então são tantas variantes que nos faz realmente trazer diversos problemas e e e às vezes até publicações eh que que querem, né, nos fazer discrentes, mas nós não devemos ficar discrentes, porque existe uma dificuldade enorme e você comparar estudos quando você tem toda essa complexidade aqui, né, ao paso quando se você tem um princípio ativo só, muito mais fácil, né? [roncando] Então aqui é um site de venda de de sementes dessas diferentes variedades agronômicas, né? Então, por que que eu tô mostrando isso?

Que é pra gente comprar, não. Eu tô mostrando que é pra gente entender que é o que é que a universidade, né, deveria poder fazer, né, e que talvez vai começar a fazer. Vamos ver, né? Então, por exemplo, aqui vocês veem de novo a índica separada da sativa e aí tem a híbrida, que é o resultado da o cruzamento.

Bom, enfim. Não esquece essa parte indicaciativa, porque isso é uma questão genérica, isso é popular, não é não é o ponto do ponto de vista científico aqui, né, que é o que nós estamos trazendo. Então, se eu clicar, por exemplo, em uma dessas strains, uma dessas variedades, por exemplo, a Cinderela 99, eu vou ver [limpando a garganta] como que os as pessoas que consomem nesse banco de de nesse site, né, nessa loja, como que elas se eh se enxer, como que elas sentem, percebem o uso dessa planta a partir da sua semente, né, que cultiva e tudo mais. Então, olha, do ponto de vista medicinal do eh paraa estress, ela ela resolve 100% aqui dessa questão do stress, segundo esses essas pessoas que consomem.

Paraa depressão também, ela é muito boa para depressão, quase 100% das pessoas usam e e tem um bom resultado para depressão. Paraa dor já não, né? Então, pra dor ela já não é tão boa. Então, veja, eh, eh, aí eu precisaria de uma outra strin assim por diante.

Ah, e do ponto de vista negativo, do ponto de vista negativo também, boca seca, todo mundo praticamente que usa essa planta percebe boca seca, olhos secos, né? Metade dessas pessoas percebem esses efeitos negativos. Então, é isso que a gente precisa. A gente precisa entender cada variedade agronômica com a sua sutileza, ou seja, com a sua eficácia, com a sua segurança, como qualquer medicamento.

Só que isso é difícil quando você tem restrições, por exemplo, para cultivo da planta em determinados países, como é o Brasil. Acabou de ser liberado, né, pras universidades, mas acabou de ser liberada. Então isso vai agora um grande tempo pra gente pegar todas aquelas 10.000 1 variedades que eu falei e tentar entender para que doenças, né, cada uma delas serviria. A gente tem também do ponto de vista étno botânico, vários relatos de tumbas de chamãs da China que levavam, né, junto com seus pertences ali na sua tumba, flores femininas, né, sementes, galhos, folhas dessa planta, né, mostrando o quanto que era importante então essa planta para esses eh chamãs, né?

Aqui também a gente percebe vários artefatos, né, utilizados ao longo da história para o uso dessa planta. Temos objetos que lembram muito na arguile, né, de hoje. Temos também essas urnas aonde eram queimadas folhas, né, uma espécie de um incenso, né, eh, para para queimar junto com carvão e a pessoa então inalar, né, que seria hoje a via, digamos, a a via inalatória, né, processo de vaporização. Bem, então, como eu disse, essa planta ela não é só do ponto a gente não deve olhar para ela só do ponto de vista medicinal, mas também das suas propriedades narcóticas, né?

Psicoativo do tipo alterador de percepção. Vai depender do quê? Daquela variedade que eu falei lá, né? Dentro daquelas 10.000, qual que realmente altera a percepção e qual que não altera, né?

qual que tem uma quantidade maior de THC, outra menor de THC e assim por diante. As sementes são utilizadas na alimentação, né? Então, não só para azeites. Hoje a gente sabe eh [limpando a garganta] depois no final dessa aula eu vou mostrar para vocês o canal do o canal do YouTube, do Instagram, que eu tenho um projeto de extensão junto aqui com o pessoal do Movican também, que eu passei seis meses na Europa e lá eu fui em 25 cidades de 10 países.

E o que mais tem? Alimenta alimentos. A base da semente que eu percebi foi em Lisboa. Então você entra nas lojas de canabis lá, você vê, por exemplo, eh maionese feita a partir da semente.

Não, mas tem também a também em em em Viena também. É, não é só Lisboa não, mas principalmente esses dois lugares, chocolate em pó, café em pó, mel, maionese, massa, né? macarrão, peso, além do azeite. Então, assim, é um arsenal gigante de de alimentos preparados a partir das sementes.

Por quê? Porque as sementes são ricas em ômega-3, são ricas em diversas eh questões de vitamina. Então é é um alimento muito muito muito importante, né, que nós não temos aqui no Brasil ainda, até onde eu saiba, em 2026, como eu já disse também, para além dessas propriedades, ela também é muito utilizada isso, desde os século X aqui no Brasil, né, como fonte de fibra, tecido, papel, eh, para fazer tênis, roupas, navegações, enfim, né? [limpando a garganta] Bom, eh, as culturas, então, sobretudo, eu tô falando agora lá da Ásia, que é a região de origem, né, da planta, eh, ela tá envolvida nas questões de de chamanismo, né, nos processos de cura locais.

Para quê? Para induzir o trans, para promover profetizações por desses chamãs. No Nepal, especificamente, os chamãs, eles veneram a Chiva, né, ou chiva, aliás, o deus Chiva, porque eles acreditam que foi Chiva. que descobriu essa planta e ensinou as suas receitas de como preparar para os chamãs.

Então, no Nepal, a Chiva é considerado o chamã primordial. Por isso, então, se vocês forem paraa Índia, pro Nepal, pro Paquistão, vocês vão ver uma grande conexão entre artefatos que tão eh esculpidos, digamos assim, a chiva e a canabis sativa. Então, eu vou mostrar alguns exemplos aqui. Então, essa conexão chiva e cannabis, ela é muito forte lá.

Por isso, então aqui, por exemplo, uma das formas de uso que se mantém até hoje, desde o passado, são as chaas. O que que é xara? A gente conhece aqui no Brasil, eu vou arriscar dizer, como fosse o raxicheixe, né? Então, também conhecido como xarra, chura, churros, né?

Elas são obtidas, é uma resina que é obtida quando você esfrega a mão nas flores femininas da planta. Então, quando você esfrega a mão, o que que tem nessas flores femininas, né? Essas células aqui que se chamam tricomas que armazenam a resina, né? Então, dentro dessas desses tricomas, dessas células, tem a produção, nós vamos ver daqui a pouco melhor, e o armazenamento tanto dos canabinoides quanto dos terpenos, que é aquelas substâncias que dão cheiro, cor pra planta, né?

Então, quando eu esfrego a minha mão nessas flores femininas, eu libero as resinas na minha mão. Aí com uma espátula eu tiro e eu posso preparar um cigarro, um alimento. E aí é charas, né? Um outro tipo é a ganja.

É um também é é uma receita, digamos, preparada a partir de flor feminina, mas não a flor fresca e sim a flor seca, né? Então eu posso misturar, por exemplo, essa flor a outros fungos, outra outras plantas e fazer um cigarro ou também fazer um alimento, né? Aqui a gente vê um yog fumando o seu chilo, fumando cannabis no seu chilo. O chilo é uma espécie de um cachimbo.

E o que que tá desenhado aqui, esculpido, Chiva, né? Mostrando essa conexão. E por que que o iog usa? Porque para processos de meditação é importante a planta naquela região.

Para a leitura de textos sagrados que são dificílimos do entendimento, também se usa a planta para aumentar a concentração, né? Aqui o terceiro tipo também que se usa na região é a bang, né? é uma bebida feita, mas aí não a partir de flor e sim agora aqui nós estamos falando de folhas, que também as folhas podem ter aqueles tricomas que eu mostrei para vocês. E quando você então submete, né, ele a ao calor, você pode preparar ali com misturado com açúcar, leite e outros produtos para para essa bebida aí, né?

Bom, na história, sim, né, a gente percebe que as principais farmacopeias falam, já relatam sobre o uso medicinal dessa planta. A primeira delas é de cerca de 5000 anos atrás, é a farmacopeia chilesa de Sheeninum. Então aqui a gente já vê a multi a a a quantidade enorme de usos terapêuticos da planta. Então veja, para malária, [limpando a garganta] constipação, dor reumática, distração contínua, né?

O que nos lembra? TDH, talvez sedativo, para inflamações vaginais, para combater insanidade. Então, veja, nunca é para uma coisa só. Nós vamos ver isso nos outros, nas outras farmacopeias e e textos aqui medicinais, né?

Então, também no Egito de Ébers também existe esses relatos de vários usos terapêuticos no de matéria médica, deoscore desiden. E aqui pensando em Brasil a nossa primeira farmacopeia brasileira, que aliás esse ano ela faz 100 anos, né? A primeira de 1926, ali constava a canabisativa. Inclusive uma coisa muito interessante que o professor Carlini, que nós vamos falar dele daqui a pouco, caso alguém não conheça, né?

O avô dele era médico também. Então na época do avô dele era totalmente possível você prescrever, porque inclusive a planta estava na farmacopeia. A partir da segunda farmacopia, ela acho, se não me engano é de 1937, eu não tenho certeza, ela foi abortada da da do livro. a planta saiu e nunca mais voltou.

Quer dizer, voltou, voltou agora em novembro de 2024, é muito recente, na sétima edição, né? Em fluorescência feminina seca voltou. Então, eh, pra gente entender que existem vários usos, eh, do ponto de vista da medicina tradicional alegados para essa planta, né? Mas aí fica aquela pergunta, nossa, então é uma panaceia, serve para tudo do ponto de vista da filosofia, tudo é nada.

Então não é legal, não é legal. Eh isso desmerece eh eh a planta inclusive, né? Não favorece, porque aí fica todo esse discurso, ai serve para tudo, então não é nada. Então a gente tem que tomar muito cuidado com as palavras, principalmente no assunto que é tabu, né?

Eh, é muito perigoso o que a gente pode pode desfavorecer um movimento que tinha tudo para ser positivo, né? Mas por outro lado, ã, a gente se pergunta, será que é possível esse conceito, não falar a palavra, mas esse conceito de que serve para muitas coisas, né? Bom, vamos ver o que que hoje a farmacologia fala pra gente, né? Então, se a gente comparar aqui o que o que se falava há 5.000 anos, a gente percebe que de fato faz sentido.

Então aqui a gente observa um encontro entre o conhecimento tradicional e o conhecimento acadêmico, né, por métodos diferentes. Por quê? Porque hoje, desde 1990, a gente sabe que nós temos no nosso corpo um sistema que se chama sistema endocanabinide, que vocês vão ter aula sobre isso com o professor Paulo, não vou entrar, mas só pra gente começar a entender o encontro entre essas medicinas, né? Então, olha só, a canabisativa ela age em praticamente todos os órgãos do nosso corpo, né?

A partir de receptores do tipo CB1 e CB2. Ora, então seria esquisito [risadas] se ela não tivesse envolvida em vários processos terapêuticos, né? Aí, aí seria o problema, né? Então, hoje a gente sabe que praticamente todas as células do nosso organismo podem expressar receptores canabinoides, tanto fio de cabelo quanto unha, né?

Então, enfim, [risadas] tem vários estudos mostrando eh benefícios para calvice, né, que também postei lá no nosso projeto de extensão canabinal. Então, não é um achômetro, isso é ciência, né? A gente tem dados, tem artigos para mostrar. Mas vamos voltar paraa etnobotânica, então, tá?

Eh, esse artigo é um só, né, dos artigos que mostra eh, o quanto que as plantas eh a planta canabisativa, do ponto de vista medicinal, da da medicina tradicional, o que mais se usa como medicamento são as folhas e não a influorescência, né? Mas não só. Tem também o uso das sementes como alimento, né, das flores como psicoativo do tipo narcótico, né? E outro, esse outro artigo mostra que para além das folhas, flores, sementes, também se usam as raízes.

Então, prática, ó, planta inteira, né? Raízes aqui para gota, artrite, dor nas juntas, enfim, inflamação. Então, veja bem, eh, do ponto de vista da medicina tradicional, todas as partes dessa planta podem ser utilizadas para diferentes coisas, né? De novo, será que isso é possível?

Bom, se diferentes partes eh são usadas, nós teríamos que ter tricomas em todas essas partes. Mas a gente tem, ah, não, a gente só tem na flor feminina, será, né? Então, agora vem a resposta aqui. Esses tricomas que eles produzem, eles secretam as resinas e armazenam, né, que tá na superfície da planta.

Aqui a gente vê esse tricoma imaturo e aqui ele imaturo. Ou seja, quando ele tá transparente, não adianta você colher para fazer o remédio, porque não vai ter ali a concentração boa dos canabinoides que estão aqui dentro, dos terpenos, que a gente chama de resina, né? Todo esse complexo, ele vai tá bom para você colher e fazer o remédio quando ele tiver nessa cor aqui dourado ou ambo, né? E o que a gente sabe já a ciência é que todas, absolutamente todas as partes da planta possuem tricomas, não só a influorescência feminina como a masculina, como os as raízes, como os galhos, como as sementes e até os pólens tem tricô.

Ah, mas não vai ter na concentração que eu preciso. Isso é verdade. A flor feminina, ela vai favorecer muito mais a extração desses dessas resinas. Mas as folhas, como eu já disse ali na Ásia é o que mais se usa e não só na Ásia, né?

Por esse banco de dados que eu vou mostrar para vocês aqui agora. O que mais se usa na medicina tradicional de novo são as folhas, uma forma de chá, né? Bom, vamos entrar, a gente falou do mundo, agora vamos entrar no Brasil. E aqui é uma coisa que eu quero, quero eh relatar para vocês que é uma coisa nova aqui que eu vou trazer, tá?

Eh, eu tive uma fiz uma proposta, né, de desenvolver um projeto que foi financiado pela FAPESP, eh, de agosto de 2025 até janeiro de 2026, aonde eu fui paraa Europa em 10 países, para entender do ponto de vista do naturalista europeu, como que o indígena e o negro escravizado utilizava a planta aqui no Brasil entre os séculos X e X. Claro, porque quem é que relatou sobre esse uso? foram os jesuítas, foram os exploradores, os cronistas, os naturalistas europeus, né? Foram eles que inventaram, digamos, o indígena, né, o o Brasil, né?

Então, o que eu vou contar agora aqui é um pouco sobre esse passado, tendo essa pergunta, como eu já falei, né? Como era o uso da planta pelos indígenas escravizados no período colonial e imperial, do século X ao século XIX. Então, para desenvolver esse esse trabalho, a gente precisa fazer colaboração com [suspirando] com estrangeiros. Não sei se todo mundo sabe, né?

Precisa. Então, eu achei por bem fazer uma colaboração com a Dra. Teresa e a Manica, que são responsáveis por esse banco de dados etnobotânicos da canabis sativa que se chama Canuzzi, que fica em Barcelona e é gerenciado pelo Instituto Botânico de Barcelona. Então, quem tiver interesse, entra com esse esse banco e no Google com essa palavra-chave, vocês vão acessar, vocês vão entrar aqui medicinal, aí vocês vão ver todo no mundo como que essa planta é usada pela medicina tradicional.

Então, tem cerca de 2.200 receitas de 40 países. E o Brasil não tava nesse banco de dados. Então, a nossa colaboração foi justamente ir paraa Europa, entender tudo isso e depois dar esses dados para que fossem inseridos nesse banco aí, contribuindo paraa ciência da canapis ativa, da ciência etnobotânica, né? Bom, então vamos recolher a âncora aqui, né?

Vocês já podem ir paraas suas cabines, garantam suas boias, peguem o seu dramim, porque a viagem poderá ser longa e vai causar fortes enjos. Isso eu posso garantir. Vamos embarcar aí. Por quê?

Porque quando você pega um livro antigo, fala de um naturalista ou de um jesuíta falando dos indígenas ou dos negros escravizados, o seu estômago vira, né? Então, claro, eu não vou apresentar todos os dados aqui, vou apresentar praticamente nada, porque eu já escrevi um livro sobre isso que vai ser lançado no primeiro semestre de 2027. Eh, e o meu editor, claro, não permite que eu fale, né, mas alguma coisa eu vou começar a falar para vocês terem uma noção do quão enjoativo isso pode ser. [risadas] Então eu contei 58 acervos, bibliotecas nacionais, museus, jardins botânicos, né, de 15 países, eh, em 25 cidades durante 6 meses, né?

Para cinco desses países eu não fui no Reino Unido, eu pesquisei online, mas para 10 eu fui. Então, essas viagens ela acontecia de avião, de trem, de navio, de ônibus, né? E foi uma espécie de uma viagem de uma antinaturalista. Quer dizer, eles vinham para cá para saber como a gente usava, né, essas ess as as plantas do sertão, tudo.

Agora eu fui para lá, não só para ver o que eles registraram sobre a gente, mas também para ver como que eles usam a cannabis hoje. E aí eu eu eu a gente fez 78 vídeos sobre cada cidade por onde eu passo olha aqui em Lisboa é assim. Olha aqui na aqui na Itália é na sei lá, Veneza é assim. Isso tudo tá lá também no nosso no nosso canal do canabinal que eu vou mostrar no final aqui, tá bom?

Só para vocês irem entendendo o que que é o qu, né? Então, foram 35 bibliotecas nacionais também. Eu fiz vídeos sobre essas bibliotecas. Algumas delas são absolutamente incríveis, como essa aqui diamante negro em Copenhagen é maravilhosa.

Ou essa aqui da na Áustria, né, também em Viena é maravilhosa. Sete museus. Por que museus? Porque muitos desses museus, os artefatos indígenas que foram levados por esses naturalistas estão lá, né?

Eh, e alguns desses museus ainda tentam fazer algum tipo de reparação histórica, mas são poucos, tá? Bem poucos. O de Viena, que é o museu do mundo, por exemplo, é um é um exemplo disso. Não vi muito mais não.

E quatro exposições em Paris, em Veneza, em Colônia e em Viena. Essa de Veneza foi a Bienal de Arquitetura para eu tentar ver como que a cannabis era vista, é vista na arquitetura no mundo, né? É do ponto de vista de dos tijolos, das suas fibras, enfim. Aqui em Colônia, na Alemanha, foi uma exposição do Sebastião Salgado também para entender como que hoje, né, o europeu vê o indígena, um brasileiro levando indígena paraa Europa e como que essas coisas se conectam.

Em Viena teve essa exposição sobre o colonialismo, né, eh, de plantas. Então, como que os países que colonizaram, que especificamente a Áustria, né, levaram diversas plantas para Viena, né, para a Europa, das suas colônias, né? E aqui também em Paris, eh, nesse, nesse museu sobre a Amazônia, eh, que foi uma coisa muito interessante também ver os artefatos, cocares, uma série de de elementos, né? Agora, o mais legal foram os jardins botânicos mesmo, né?

Eu fui a 12 jardins botânicos nessas 25 cidades. E me chamou muita atenção o fato de que nenhum jardim botânico possui exemplar da canáis sativa, tá? Nenhum. Eh, coisas absurdas.

Por exemplo, o de Paris, né? Eh, você tem uma maior coleção no no Jardim Botânico de dados étnobotânicos, plantas. Então, você tem lá plantas que produzem lipídios. A cannabis poderia est lá uma das maiores produtoras de libri, não tava.

Plantas que produzem fibra, cannabis podia estar lá, não tava. Plantas que alteram percepção, não tava. Plantas medicinais, não tava. Plantas fitorremediadoras, não tava.

Então, é um é um jardim gigante com plantas eh do ponto de vista latino botânico do mundo inteiro e a canabis simplesmente silenciada. Aí você vai pro jardim botânico de Amsterdã, você fala: "Não, em Amsterdã, né, vai ter não, só do lado de fora mesmo, do Jardim Botânico que tem. Dentro do Jardim Botânico tem uma espécie de um workshop, né, que vários jardins botânicos tem essa parte educacional porque faz parte, né? E aí você tem uma lousa assim onde você mostra onde que tá cada planta que é importante.

Por exemplo, do ponto de vista da fibra, tá aqui, ó, o algodão. Vai lá visitar. Aí você fala fibra, só tem o algodão. E cadê a can?

Não dá. Ai, aqui, ó, o estimulante, psicoativa do tipo estimulante. Aqui o café. Vai lá visitar.

Estimulante. Poderia tá canca, não tá? Aqui pra construção civil, Alpinos, vai lá visitar também a can. Então assim, você percebe que é um silenciamento da planta nos jardins botânicos, né?

O único jardim botânico que o funcionário disse que tinha exemplar da canapis ativa foi o de Berlim. No entanto, [risadas] eles tiveram que tirar a planta do Jardim Botânico da exposição porque as pessoas roubavam. Então assim, [risadas] para vocês verem o quanto que a planta é importante, né? A pessoa vai visitar o Jardim Botânico e rouba a planta.

Enfim, vamos lá. Então, no Brasil a gente teve várias expedições científicas, né? eh desde o século X, então, quando houve aqui a a invasão, né, no nosso no nosso país. Eh, e al e também a chegada dos escravizados, então, eh, africanos, né, os, então aqui o que que a gente tinha naquele momento?

Eram cronistas, jesuítas, exploradores, não eram os naturalistas, né? E aqui a gente já tem relato da planta como fibra pelos próprios jesuítas. No século X7 a gente já tem a missão científica de Maurício de Nação, hã, do holandês. E aqui também a gente tem aqui o relato nessas obras que eu consultei sobre fibra já no século XVI.

Aí a gente já começa a ter alguns naturalistas, né? a gente tem a primeira expedição filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira e os jesuítas eles são expulsos, não é, no século XVI. Então aqui já a gente já tem uma já começa a ter eh uma visão inclusive diferente sobre a cultura brasileira, né? Até aqui praticamente a gente não tem eh na pelo menos nos nas obras que eu consultei, né?

nada sobre os os negros escravizados, só sobre indígena. Não era bom, mas só tinha o relato de indígena, né, canibal, sendo que foram os próprios indígenas que promoveram, né, a a a estada desses europeus. Quando se não fossem os indígenas, eles teriam morrido aqui, esses europeus, né, não sabiam onde pegar água, onde comer, do que comer, as doenças, tal, né? Enfim, esses relatos não tinha o negro praticamente.

O negro só começa a ser relatado quando chegam os naturalistas, final do século XVI, século XIX, né? E aí esses naturalistas começam a relatar ou os absurdos que eram feitos na escravidão ou então falar mal mesmo, né? Tal qual falava mal do indígena, falar mal do negro escravizado, né? Então tem que tomar muito para mim para ler o livro que eu vou [risadas] [suspirando] que eu vou publicar.

Bom, finalmente, então, todo mundo sabe que Napoleão invadiu Portugal. Portugal teve que sair correndo. 1808 chega Dom João VI aqui no Brasil com toda a tropa dele e abre os portos, né, brasileiro. E é aí que entram os naturalistas mesmo.

Então, alemães, austríaco, enfim, né? E aí que a gente começa a ver nessas expedições, então da Austríac, de Santiler e a de Langisdorf, né, os franceses, alemães, que a cannabis começa a aparecer nessa literatura um pouco os outros usos para além da fibra e do alimento, né? Aqui a gente já vê o uso medicinal, uso eh eh do ponto de vista da do narcótico, do seu uso como tóxica e outros usos, tá? Isso aqui tudo, claro, tô resumindo porque, como eu já expliquei, eu não posso falar porque tá no livro, né?

Mas aí o que que a gente percebe que no final do século XIX, né? Eh, a, por influência da Europa, nas nossas boticas aqui no Brasil, que eram as nossas são as nossas farmácias atuais, começa a ser vendido esses cigarros dos índios, né? Então, fórmula para gripe, para asma, para opressão, insônia, catarro. Então a gente percebe que o Brasil ele, né, começa a copiar ali Europa e vamos que vamos.

Os médicos começam a receitar, como eu já falei, o avô do professor Carline vai lá na farmácia, compra um cigarro e tal, né? [roncando] Eh, eh, mas antes disso, 1830, não no final, mas no começo, já começa a ter um estranhamento. Então, por exemplo, tem uma lei municipal no Rio de Janeiro que proíbe o uso, mas é mas é muito voltado para as pessoas escravizadas mesmo, tá? Sobretudo os negros, né?

Então eles seriam presos se fumassem. Então eles já fumavam escondido ou misturado com tabaco, né? Uma coisa que eu observei que eu acho, né? Eh, e finalmente em 1938, por uma lei federal, ele é proibido no Brasil mesmo, né?

Por isso que, como eu disse, a segunda farmacopeia já não tem mais. Isso vai crescendo, tanto que lá para 1980 é proibido o uso da cannabis, o o estudo inclusive da cannabis no Brasil. Então, o professor Carlinho estuda de 1950 até até 80, publica coisas incríveis sobre o o a atividade anticonvulsivante da planta e depois ele é proibido de estudar. Então, é mais ou menos sobre isso que eu queria falar da do Brasil nesse passado aí, né?

Então, foram consultados nesse estudo da Europa 65 autores, quatro eram mulheres, dentre esses naturalistas, olha que interessante, né? além de jesuítas e naturalistas aqui. Então, desses dessas 130 desses 65 autores, eu li 130 obras que, pelos critérios de exclusão resultaram em 27 autores e as suas 36 obras que estavam escritas em português, espanhol, francês, alemão, latim, né? Claro, eu usei recursos, né, tecnológicos para ler tudo isso, porque eu não sei todas essas línguas, né?

E daqui eu obtive 90 relatos, 48 de uso direto da planta e 42 usos substitutos, né? Nós vamos falar esse substituto aqui depois. Então o uso direto, a gente tem 28 usos medicinais, 13 como fibras, três como narcótico, dois como tóxico, um como alimentar e um como outros usos. Então, só pra gente pegar um uso narcótico aqui, um relato do século XIX por Richard Francis Burton, que é o inglês se referindo ao negro escravizado.

Olha o que que ele fala. Os negros se deliciam também com o pango aqui chamado ariri. Os vadios e dissolutos guardarão o dia santo a moda africana, deitando ao sol, fumando e, se possível bebendo e fumando cânimo, como os selvagens meio corrigidos da Serra Leoa. Quer dizer, esses relatos são dessa natureza, né, dessa natureza.

Então, essa invenção da África feito pelo pelo europeu, a invenção da América feita pelo pelo europeu, é algo que nos incomoda, né? E eh desses 90 relatos, 42 são substitutos. Que que é isso? Bom, a coroa portuguesa, ela comprava o o a fibra do canho, da Rússia, da Inglaterra, só que era caro.

Então, ela buscava nas suas colônias ã fontes alternativas dessas fibras, né? Ou até mesmo tentava plantar nas suas colônias, como aqui no Brasil, né? Então, esses naturalistas, eles também vinham com a intenção de fazer comparações. Ah, essa fibra aqui é tão importante quanto o cân.

Não, essa fibra é mais do que o canhão, né? Então são 39 relatos de fibra, como eu já disse, interessantíssimas. Uma delas só é feita por Von Márcios. Ele descreve a piaçava, né, da lá da Amazônia, do Rio Negro, dizendo assim, ó, cabos e cordoalha de piaçaba, que são preferidas as melhores cordas de cano da Rússia.

Olha que interessante, né? Então, ele tá aqui falando o seguinte, ó. E essas plantas, muitas delas, gente, são 39 relatos que eu vou pôr lá no livro, nunca nem foram estudadas. Quer dizer, fala do cânimo cânimo tá legal, é legal cimo, eu sei, eu gosto, mas assim, né, a gente tem um monte de coisa aqui.

Bom, e agora indo pro final aqui da parte do Brasil, é o século XX ao século XX. O século XX ao século XX é todo proibido, inclusive os indígenas, né? Então eu vou poupá-los aqui, né? E clar, obviamente dizer que isso é um uso do passado não acontece mais, porque o indígena é assim, quando ele quer alguma coisa, ele não tem autonomia, ele é tutelado da fun, né?

Aí ele não é cidadão, digamos, né? Aí quando eh interessa, ele é um cidadão e pode ir preso por tá portando canas. Quer dizer, é interessante isso, né? Então, pouquíssimos relatos, relatos apenas de três etnias indígenas, uma das quais eu estudei, as outras duas tem publicação, indígenas que foram presos, alguns desses outros que eu também não vou contar aqui, tá lá no livro, mas assim, sete usos medicinais dos indígenas da planta do Brasil, nove como narcótico, um é um é um como tóxico e quatro outros usos, né?

Então eu vou falar só do que eu trabalhei, né? Porque os outros eu não vou falar aqui. Então o indígena, os oitna indígena mraré, então ela sempre utilizou várias plantas que alterassem a percepção para o chamanismo no contexto sagrado, no contexto ritual, né? Então essa planta lá para eles, ela é conhecida como yamho, né?

E ela pode ser usada com com fins medicinais e também para alterar a percepção dentro dessa prática chamânica, dentro dessa desse dessa desse uso religioso. Só que antes de chegar a cannabis lá, introduzida pelo não indígena, inclusive existiam outras plantas que também eram usadas nesses da mesma forma que é o togrô pingapirro rô e o caprancor rô que nós estamos vendo aqui o caprã correr rô, né? Então veja, foi muito interessante porque esse caprã correria errou porque eu tava um dia assim acordando, né, 5 horas da manhã na aldeia e o Inor Rei que é essa pessoa chegou para mim com um cigarro e falou e e apontou para mim como para eu fumar, né? Aí eu, nossa, eu pensei: "Puxa, será que eu posso escovar um dente antes, tomar um café?" [risadas] Sempre conto essa história.

Eu acho incrível. Eh, aí eu falei: "Mas o que que é isso, né?" Aí, aí a frase que todo mundo tem que pega a cadernetinha e anota aí, gente. Aí ele falou assim: "Esse aqui é um fumo para você temperar a sua cabeça". Eu achei aquilo incrível.

Eu achei aquilo fantástico, fabuloso. Falei: "Puxa, que sacada, né? Que seria da comida sem o tempero? Coisa chata, que vida boba, né?

Dá para temperar a cabeça. Olha que legal, né?" Aí, claro, preparei uma garrafa gigante de café, sentei com ele e falou: "Vamos ver então quais são as plantas e fungos que temperam a sua cabeça". E o meu controle positivo foi a Yamro, que é a maconha, porque é o que a gente conhece, né? Então, tá em azul aqui todas as plantas que temperam no mesmo grau, a Yamho, aquela maconha, plantas e fungos que temperam mais e plantas que temperam menos, né?

Essas coisas todas talvez aj nosso endocanabinoidoma, que vocês vão ver depois da aula que eu falei de farmacologia com o Palmo, né? A gente vai saber, nunca vai saber. Por quê? Porque muito embora nós tenhamos trabalhado, né, com indígenas, com negros dentro do mesmo projeto, eu, professor Carlini, na escola Polis de Medicina, nós somos proibidos de estudar essas plantas todas que vocês estão vendo aí.

Proibidos. Proibidos, né? Aí 25 anos depois dessa proibição, eu resolvi, olha, vamos lá, né? Vamos pegar os os diários de campo aqui que eu tenho, que estão na num bauzinho aqui enferrujando, já tá perdendo ali a cor da do do do lápis.

E vamos transformar isso num livro, porque afinal de contas esses psicoativos eles estão invisíveis. Nós somos proibidos de estudar, mas eles existem, né? Então, nós estamos aqui, como eu falo, nós estamos sentado em cima de um monte de psicoativos e outros psicodélicos que não só a psilocibina, não só a Iwas que todo mundo só fala disso, né? Nós temos coisas nativas aqui nossas e a gente nem sabe.

Hã, essas dos indígenas talvez a gente nunca fique invisíveis, né? Mas outras de outros levantamentos que eu realizei tem que ficar visível, né? a gente tem que começar a estudar essas coisas, esses novos psicodélicos, psicodélicos nossos aqui do Brasil, né? Então eu convido quem tiver interesse em adquirir esse livro, eh, eu sugiro, é meu, né?

[risadas] Mas eh é um trabalho de 25 anos, então ele é denso, ele é pesado, ele faz muitas críticas, né? muitas, mas também traz muitas soluções. Eu não vou contar aqui o final, não vou dar spoiler. O outro trabalho que também tá no livro é sobre esse fumo que se chama tira capeta.

Hum. Porque eu eu, o professor Cina, a gente estava procurando medicamentos para psiquiatria na época, no doutorado, né? Por isso que a gente foi estudar junto com os macraré e com os quilombolas do Pantanal, que é o seu cesáreo, né? Então ele vai um belo dia também e vem se despedir à noite de mim e eu sinto aquele cheiro absurdo.

Falo: "Gente, que que é isso?" Aí ele vem, ele fala: "Ah, isso aqui é um cigarro que eu fumo antes de dormir, que chama tira capeta". É possível. Se eu tava indo lá para entender os psicoativos, né? Plantas que poderiam, por exemplo, ser antisquizofrênico, antipsicótico, tira a capeta.

Parece uma coisa interessante, né? Então veja, tudo que eu tô tentando mostrar aqui que podem são plantas, substâncias que podem agir no nosso sistema eh endocanabinoide, no nosso endocanabinoido, naqueles receptores que eu mostrei, naqueles órgãos todos, né? Só que a gente precisaria estudar, a gente precisaria saber, né? Aqui é o a receita do cigarro tira capeta.

Claro, ele tem diferentes proporções, mas a gente tem artigo científico publicado, como tá aqui, ele tá publicado em inglês, é removing the devil cigarettes, né? [risadas][limpando a garganta] Bom, afinal, mas então, será que a gente só tem fitocanabinoides na canabisativa? Será que a partir de outras plantas eu não posso ter? Então, esses são dois bons exemplos de estudo etnobotânico, que eu arrisco dizer que a gente deveria poder olhar para essas plantas, né, e ver se elas agem no nosso sistema ou em outro sistema.

De repente a gente tem um outro sistema aí que a gente nem sabe, né? Algumas plantas também nos lembram da cannabis. Então, por exemplo, essa euum canabinum, né? Por que canáino?

Não sei. Vamos estudar aqui uma lista desse mesmo livro do Rat que eu falei para vocês com 37 plantas que são utilizadas no mundo em substituição a cannabis, né? Então, por exemplo, no Brasil, três delas estão aqui no Brasil, uma delas é aquela que fede a noite, a dama da noite, aquela pedida que fica doce. Ela é conhecida como maconha, o nome popular, e os são as folhas que são usadas, né?

E também duas zórnias aqui que tem no Brasil, zórnia latifolia e zórnia dífila. Ó, com o nome popular delas, ó. Maconha brava. Maconha brava aqui embaixo, Brasil, né?

Folhas. Folhas. Então, veja, não é uma, não é um pr só a maconha, só a cannabis tem folha, eh, tem fitocanabinoise. Claro que não, né?

Ou age no nosso endocanabinoide, no sistema endocanabinide. Claro que não. Nós, mas nós vamos ver em outras aulas isso, tá? Eu vou falar, vou voltar a falar depois, tá?

E aqui, só para ir terminando, então a gente recentemente, que é un 5 anos, teve uma notícia de que essa planta trena micantra, ela teria apenas CBD e não teria THC. Ora, é tudo que todo mundo precisa, né, para para se absorver do uso da canabisativa, né, porque ela é do mal, afinal de contas, ela tem THC. Vamos fazer uma reflexão aqui, né? Aparentemente uma notícia muito boa, mas será que é?

Será que quem tem dor essa planta vai resolve? Sem THC eu resolvo minha dor. E cadê os terpenos para eu fazer eu ficar calma e dormir nessa planta se ela só tem CBD? Bom, o fato é que até hoje a gente não ouviu mais nada falar sobre isso, mas eu vejo como uma grande hipocrisia.

Não, o pesquisador não é sobre isso que eu tô falando, esse discurso de que, ah, só tem CBD, então a gente não precisa mais da canabisativa ou ela é melhor que a canativa. Isso é uma bobagem, né? Então a gente fica com essa coisa do CBD, essa esse questionamento muito comum você ver as pessoas falando assim: "Ah, eu uso canabidiol, ah, eu uso CBD". Se uma pessoa virar para você e falar isso, você deveria virar para ela e falar assim: "Ah, que pena, né, que você usa o Sóc CBD, porque você tá deixando de usar todos os outros 790 princípios ativos da planta que juntos dão um efeito final melhor do que só o CBD.

você usar só o CBD, você aumenta a reação adversa porque você aumenta a dose. Não é inteligente, mas inteligente seria você usar a planta como um fitoterápico, que é a planta em toda a sua complexidade. Mas as pessoas insistem, né, em se esconder atrás do CBD. Então, pra gente melhorar esse panorama aí é interessante a gente fazer o nosso papel de formiguinha.

Qual é o papel de formiguinha? cada um fazer a sua divulgação científica, seja numa uma mesa de bar, seja no almoço de domingo com a família. Então eu trouxe aqui alguns filmes que são importantes que vocês assistam. Chama aquela sua parente bem assim que é bem quadradinha, né?

Bem quadradinha. Dá vontade de virar para ela falar assim: "Ó, se você é contra o THC, você tem que rever a sua existência porque você produz THC o tempo inteiro, que é a nandamida." Mas você não pode chegar assim com dois pés. Você chegar com os dois pés, a pessoa vai embora. Se você começar a falar numa divulgação científica a palavra maconha, a pessoa já desliga a o o Instagram, desliga o YouTube.

Tem que ter estratégia, né? Então por isso fala canas, tal, mas assim, com ao tempo é importante que a pessoa entenda toda a complexidade do assunto. Sim. E para isso tem filmes que são fundamentais.

Então o primeiro deles é esse ilegal. A vida não espera. Então chama aquela sua parente que é limitada e fala: "Ah, fiz uma lasanha aqui, vem comer lasanha na minha casa". Aí enquanto tá comendo a lasanha, bota o filme.

Sabe? Porque se uma pessoa assistir esse, depois que ela assistir esse filme, ela continuar sendo contra o tratamento com cannabis, aí é um ser humano que a gente tem que desistir dele mesmo, tá? Aí não tem o que fazer. É um ser humano que não deu certo, né?

Aqui outro filme também, dois filmes feitos pelo nosso grande cineasta brasileiro Beto Brant, é o La Planta, que foi gravado no Uruguai, e a Planta que foi gravado aqui no Brasil, né? Também tá disponível em vários eh várias plataformas aí para assistir, né? Eu sugiro que vocês assistam para se informar melhor sobre esses tratamentos, né? E principalmente indiquem para as pessoas que ainda não têm ideia.

Falando em divulgação científica, bom, o professor Carlini é o pai, né? conhecido como pai da maconha medicinal no mundo, que foi o primeiro a a entender como que ela tratava convulsões, né? Praticamente zerava ali no Hospital São Paulo pessoas que eram reativas, a Gardenal e outros anticonvulsivantes, né? Ele tem um papel fundamental, não só na pesquisa, mas em oferecer vários simpósios, se aproximar dessas mães.

E bom, gente, eu acho que o professor Carin, ele dispensa a apresentação, né? Mas nunca a gente pode deixar de falar dele, tá? Nunca. Não pode ser esquecido.

Às vezes eu vou num congresso, eu vejo lá uma palestra sobre atividade anticonvulsivante. A pessoa vai, ela fala um monte de trabalho de estrangeiro e não fala do professor Carline, que é o brasileiro que foi o primeiro. [risadas] Então a gente sempre tem que trazer essa educação científica, como ele me ensinou, educação científica, né? E junto com ele o padre Ticão, que foram dois gigantes aí, né?

paraa divulgação da do de tudo do uso terapêutico da Cannabis. Então, a gente tem aqui no nosso canal do YouTube, CE da Unifesp, né, nove episódios eh falando do do padre Ticcão, falando do professor Carlini, então também convido vocês a assistirem. E finalmente esse é o projeto de extensão da UNIFESP, que a gente também desenvolve junto com MV RCAN, aonde a gente traz desde 2023 artigos científicos sobre cada doença. Ai, depressão, tá aqui o último artigo que saiu.

Ai, ansiedade, tá aqui o último artigo que saiu. Parksinson, Alzheimer, fibromialgia, né? Autismo, eh, tá tudo lá, né? E a última temporada foi essa que eu passei, que eu falei na Europa, onde cada cidade que eu ia, eu entrava numa farmácia e perguntava coisas e aí eu gravava vídeos falando sobre o que que acontecia lá, como que era lá, né?

tá meio parado porque esse semestre tá uma loucura. A gente tá tendo um monte de coisa, acontecendo um monte de coisa, mas logo eu vou retomar e eu espero que vocês possam eh começar a seguir a gente, ajudar a divulgar, ajudar a pulverizar, né, as informações, os conhecimentos científicos sobre a planta. Porque eu penso que a única forma da gente combater a ignorância é com educação, não é bater de frente, mas é trazer uma nova perspectiva. E eu acho que esse canal pode ajudar, assim como esse curso, não tem nem o que falar, né?

Tá bom? Bom, espero que vocês tenham gostado então dessa aula. Eu vou estar com vocês em mais outros três momentos e curtam bastante o curso porque tem gente muito, muito legal, com aulas incríveis e eu tenho certeza que vocês vão eh aprender muita coisa e eu tô doida para uma hora encontrar vocês aí num evento que a gente vai organizar o ano que vem. Então vamos lá.

Um beijo para todos vocês.

3ª Aula: A Fitoterapia da Cannabis sativa L. — A Fitoterapia da Cannabis sativa L. - Profª Eliana Rodrigues

Aula 3 · YouTube · ~49674 caracteres · pt

Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabisativa. Eu sou a Gabi da Inési. Tô aqui para apresentar essa aula.

Vou estar com vocês nessas aberturas para falar um pouquinho sobre as aulas e também sobre conjuntura e outros temas aí importantes nesse cenário da luta pela regulamentação do uso terapêutico da cannabis. Eh, venho aqui hoje dar as boas-vindas a quem tá chegando agora, reforçando que é importante assistir a aula de orientação e as primeiras aulas. O cronograma, né, o calendário é pensado de uma forma eh que os conteúdos se conectam para que vocês possam ter um aproveitamento melhor dos conteúdos eh que estão por vir. Então, sugiro que todos assistam, mesmo quem tá chegando agora a primeira e segunda aula, né?

É muito importante o vídeo de orientação. A gente conta um pouquinho como a gente chega até aqui a nossa história, mas também eh como a gente resolve as principais dúvidas de vocês. Lembrando que nosso principal método de comunicação é por e-mail, esse e-mail que tá na tela e que também tá na descrição aqui dos vídeos. Nossos principais recados sempre vão estar na descrição dos vídeos, é só colocar em ver mais.

Então, sem se me estender mais, né, quero dar as boas-vindas, agradecer mais uma vez por ela estar aqui com a gente, não só nessa aula, mas também na coordenação do curso. Vamos receber a nossa querida e maravilhosa professora Eliana Rodrigues. Ela vai falar sobre fitoterapia e a gente se vê na quinta-feira também com mais conteúdo. A gente vai falar um pouquinho sobre SUS e sobre a cannabis no SUS.

Então, sejam todos bem-vindos, tem uma ótima aula. A gente se vê na quinta-feira. Olá a todos e todas. Para quem não lembra de mim, eu sou a professora Eliana Rodrigues.

Eh, fui eu que dei a última aula para vocês sobre a etnobotânica da canabisativa. E hoje nós vamos falar um pouco sobre a fitoterapia no Brasil e como que a cannabis se insere nesse cenário, né? Então vamos lá, vamos começar projetando porque hoje a gente tem fortes emoções aqui na aula. Vamos ver.

Já tá projetando aqui. Então vamos lá. Bem, eh primeiro lugar definir fitoterapia, né? Então, ela é um recurso de prevenção e tratamento de doenças que se utiliza de plantas e seus derivados.

Ela é alopática, então tem muita gente que confunde tudo, né? Homeopatia, antroposofia, eh, como é que é aquele outro que cheira o eh, então, enfim, de óleos essenciais, né? Não, não é a mesma coisa, né? A fitoterapia ela ela age assim como a alopatia, pelos contrários, né?

Então, se eu tenho uma dor, eu vou tomar um anti, né? Se eu tenho uma febre, eu vou tomar um anti térmico. Então, [roncando] ela age pelos contrários. A homeopatia age pelos iguais.

Eu tô com febre, eu vou tomar algo que vai aumentar a minha febre, né? A fitoterapia não. Então, muita gente fala: "Ah, eu não sei se eu uso plantas ou alopatia". Bom, você tá usando a mesma coisa.

se você tiver falando de fitoterapia, tá? Isso é muito importante porque sem uma grande confusão e tudo é pseudociência, né, para algumas pessoas. Bom, enfim, vamos pular essa parte. >> [risadas][suspirando] >> Bom, no Brasil a gente tem muita potencialidade para que a gente tivesse uma fitoterapia de verdade, uma fitoterapia robusta, uma fitoterapia que fizesse juversidade biológica, né?

os laboratórios farmacêuticos que que realmente se debruçam em produzir fitoterápicos também nós temos muitos, são 22 aqui no Brasil pelo menos equipes de pesquisa no Brasil inteiro, cerca de 280 equipes do norte a sul pesquisando plantas medicinais. Uma diversidade cultural enorme, porque também não adianta nada a gente ter um monte de planta, mas não não conhecer sobre. E aí a gente tem as etnias indígenas, os quilombolas, os ribeirinhos, os jangadeiros, enfim, né, que são as pessoas que tem esse conhecimento tradicional. Então, olha quantas vantagens nós temos sobre os outros países, até porque nós somos o primeiro no planeta, né, em termos de número de angiospermas, que são as plantas superiores às vedetes no desenvolvimento de novos fitoterápicos.

Então, a gente tem todo um cenário que nos favorece, né, que para que nós fôssemos o primeiro país no mundo a desenvolver fitoterápicos. Mas será que é isso que acontece? A gente tem muitas limitações. Então, uma delas é a falta de políticas de conservação.

Aí vai alguém que vai falar: "Mas a gente tem a política?" Tá, a gente pode ter a política, mas ela não funciona. Também uma falta de políticas, né, que priorizem realmente as plantas nativas do Brasil. Ah, nós temos a política picque pinique. Sim, mas eh [choro] não prioriza, né?

Não prioriza os nativos. Nós vamos ver daqui a pouco. Pesquisadores que também focam estudos apenas em plantas do exterior exóticas, né? Tudo bem?

A cannabis sativa ela é uma planta exótica. Nós estamos falando, o curso é sobre canabisativo, mas não é por isso que nós não devêsemos eh investir em plantas que são nativas no Brasil, inclusive muitas que poderiam terem os próprios cannabinoides, né? Só há cannabis que tem canabinoides, né? Nós temos políticas que mais cerceiam do que valorizam esse conhecimento eh tradicional para que nós brasileiros, professores universitários, públicos, pudéssemos estudar.

Nós somos muito perseguidos enquanto ONGs e estrangeiros e empresas brasileiras, algumas podem estudar à vontade, né, levar para fora tudo. Nós aqui temos essa grande dificuldade de acessar conhecimento tradicional para desenvolver fitoterápicos, né? A nós também aqui, a nossa política ela é de commodities do agronegócio. Aí é super aceito tudo isso, né, sem nenhum problema, né, mas que acaba tirando a possibilidade da gente desenvolver, descobrir, por exemplo, novas seringueiras em outros biomas, né?

Imagina se no serrado, em vez da gente ficar plantando um monte de soja e cana de açúcar, a gente descobrirse uma nova seringueira, né? seringueira que nos dá borracha, que circula cerca de R bilhões de reais no mundo anualmente, só as naturais, fora as sintéticas. Então é uma política que, né, e também nós não temos cursos de fitoterapia e plantas medicinais nas universidades médicas. Ah, mas é só nas médicas?

Não, praticamente nenhuma. Nem na biomédica, nem na farmacêutica, nem na de nutrição, nada, né? Então, temos pouquíssimos cursos de fitoterapia e aí o problema é de quem monta a grade, não é do governo, né? Então, veja, são vários tipos de problemas e não é só do governo, né?

É de cada um de nós aqui, né? Nós, por exemplo, configuramos o nosso país em dois hotspots. O que significa isso, né? dois dos nossos biomas, que são catinga, eh, aliás, serrado e mata atlântica, eles possuem alta biodiversidade, ou seja, tem um número gigante de plantas por met², espécies endêmicas num número também enorme, ou seja, plantas que só ocorrem naquele lugar, mas que já perderam 70% da sua área original.

Ou seja, são biomas altamente vulneráveis. Por quê? Porque as nossas políticas de conservação elas não funcionam, né? Pantanal ficou queimando anos aí.

Então a gente não só não sabe quantas plantas tinham no Pantanal, originalmente faltam pesquisas como a gente nunca vai saber porque queimou, né? Essas nossas políticas aqui, né? Que nós temos marcos legais de 2006, elas falam que priorizam a a biodiversidade do país, mas não é verdade, né? Então, por exemplo, numa rápida busca que eu fiz uma vez junto com o professor Carlini, nós pegamos cinco ã cinco normativas da Anvisa, do Ministério da Saúde, que são eh regulamentações que falam assim: "Ó, gente, vamos estudar essas plantas aqui." E são eh são mecanismos, documentos, né, que guiam editais de CNPq, FAPES, para que sejam desenvolvidos estudos com aquelas plantas.

Olha que incrível, metade praticamente são de plantas exóticas. Então é o incentivo a gente estudar soja, alho. Vamos estudar alho em pleno século XX com toda a diversidade que a gente tem aqui, né? Não só de plantas, como eu já disse, mas do conhecimento tradicional associado.

A gente se indígenas conhecendo um monte de plantas para que que serve. Nós vamos ficar aqui estudando camomila, né? Você tem três séculos já que foi virado de cabeça para baixo uma planta europeia, os europeus já estudaram. Então isso aqui é é triste, né?

Um retrocesso enorme, né, da fitoterapia aí que se pretende ter no Brasil. Para além disso, se você for numa unidade básica de saúde, né, SUS, eh, você vai passar no médico, aí o médico poderá te mandar pra farmácia para você pegar um fitoterápico. Dos fitoterápicos que deveriam estar na farmácia, que geralmente não estão, apenas quatro são de plantas nativas do Brasil. O resto é, então, quase 70% dos medicamentos que deveriam estar, segundo essa política de 2006, né, nas UBSs, eles são exóticos, não são da nossa flora.

Então são essas coisas que a gente tem que fazer a crítica, né? Ai, mas o SUS é maravilhoso, vocês vão ter aqui aulas sobre o SUS. É, pode ser, mas se a gente não fizer a crítica em coisas que são realmente importantes de serem transformadas, também não adianta muito, né? Então vamos pensar agora na cannabis quais seriam os produtos e medicamentos possíveis à base da planta na fitoterapia.

Vocês vão ver na aula, o pessoal da da advocacia a diferença entre um produto e um medicamento, né? Eh, quando a gente fala em canapis, a gente tem produtos específicos, né? Eh, então não vou hoje aqui falar muito sobre isso, falar rapidamente porque isso não é minha seara, mas vou finalizar falando um pouco, tá? Quais seriam esses produtos e medicamentos?

Então, se a gente tivesse ali no SUS, né, na UBS e tudo mais, então a gente poderia ter a planta medicinal em natura, que é aquela que está no substrato na Terra. Quando eu tiro ela da terra, ela já não é mais planta, ela já vira uma droga vegetal, que é como a gente tá vendo aqui, essa droga, ela passa por um processo de desidratação de reações enzimáticas da própria planta que vão favorecer alguns princípios ativos, né? Então aqui nós estamos falando de drogas vegetais e ou então eu posso ter um fitoterápico, né, que vai ter lá uma bula, vai ter tudo a dose, o que que tem lá dentro, né, possíveis reações adversas, interações medicamentosas. Ele passou por todo o crio da Anvisa, né, dos outros medicamentos que são os sintéticos, né, com estudos com ratos, camundongo, bigle ou ser humano.

Ele comprovou segurança, eficácia e qualidade. Então, aí aqui eu tô na ponta, né, eu no no extremo, digamos, no máximo do do luxo, eu teria aqui um fitoterápico. Dentro das UBSs, eu poderia ter essa planta cultivada na farmácia Viva, que é uma política do SUS, não é? ou então dentro da farmácia viva do do tipo três, aonde a UBS pode dispensar para além da planta, para além do da droga vegetal, também pode dispensar os manipulados, né?

Então eu não, claro que eu não vou invadir aqui, né, a aula da Jaqueline porque ela vai falar sobre tudo isso na farmácia Viva, né? Mas qual seria aqui o produto mais seguro, né? Se você for for um paciente? Me parece um pouco claro que ou se a a planta que eu pudesse cultivar, se eu pudesse cultivar toda essa cadeia aqui do SUS também, né?

Ou então o próprio fitoterápico, né? O menos seguro aqui seria uma droga vegetal que eu adquirisse de um comércio, como é de fato, né, o problema maior que a gente vê, né, no consumo de de cannabis, como cigarro, né, que a gente fala do uso adulto. O problema é o que que eu tô comprando, o que que tem aqui dentro. Mas isso não é só para cannabis, isso é para fitaterapia de um modo geral.

Então, quando você adquire uma droga vegetal de um comércio ambulante ou mesmo de alguns comércios que não são ambulantes, você tem aí um risco. Será que o que eu tô consumindo é o que tá escrito no saquinho, né? Será que tem validade? Será que tá contaminado com fungo e bactéria?

Então, esse é o pior cenário de drogas vegetais. É claro que existem farmácias que são boas, óbvio, não é no geral, né? Mas eh eu tô falando no geral, aliás, tá? E é muito interessante quando a gente fala em fitoterapia ou quando a gente fala sobre a canabisativa, a pessoa virar para você e fala assim: "Ah, eu uso CBD, eu uso canabidiol".

Aí a pergunta que fica, será que isso é fitoterapia? Será que a pessoa está se utilizando de um medicamento dentro da fitoterapia? Então, vamos ver um conceito de fitoterápico. O que é um fitoterápico, né?

fitoterápicos são aqueles, né, medicamentos obtidos exclusivamente de material vegetal, sem a inclusão de compostos isolados ou sintéticos. O que que seria um composto isolado? Eu pegar uma planta e tirar só um princípio ativo dela. Isso é um composto isolado.

Ou então inserir algum princípio ativo sintetizado no laboratório nesse medicamento ou produto. Então aqui a gente fica a pergunta. O CBD é a planta? A planta é o CBD.

Vamos ver, né? Aqui, por exemplo, a gente tem medicament. Gente, eu tenho esses eh, como é que chama? Esses esses eu peguei da internet, mas eu não tenho nenhum conflito de interesse.

Eu nunca usei, não ganho nada com isso. É só porque tava na internet, poderia ter pego qualquer outro, tá? Eu nem sei da se é bom, se não é bom, não sei nada, tá? não seguiem por isso aqui.

Eu só quis pegar um exemplo aqui onde tá escrito óleo de CBD e aqui tá escrito full spectrum e extrato da canabis sativa da maconha, né? Então veja aqui eu só tenho o CBD e aqui eu tenho a planta inteira, né? Então o que que é a fitoterapia aqui nesse slide que eu tô querendo falar? Fitoterapia é só aqui, porque eu tô usando um óleo que tá a planta inteira ali.

Ou é ou é toda raiz, ou é toda folha, ou é toda flor, mas tá todo mundo lá dentro, né? Quando eu vou lá e tiro só um princípio ativo, no caso CBD, aí eu não é mais fitoterapia, isso é fitofármaco, não é mais não é, né? Então isso gera uma série de problemas que nós vamos discutir hoje aqui, tá? Eu também posso ter óleos que são além do full spectrum que eu falei e do CBD isolado, eu posso ter óleos do tipo broad Spectrum, que é aquilo que tem, tá todo mundo lá, menos o THC, porque tem pessoas que são sensíveis ao THC, não podem usar o THC.

Então existe aqui um broad, tem gente que é preconceituosa, então quer usar o broadpectrum, enfim, né, né? Então isso é muito importante da gente começar a entender que mesmo esse full spectrum, se a gente lembrar da aula anterior que eu falei que tem cerca de 10.000 variedades agronômicas, o esse full spectrum ele pode ser de vários tipos, né? Porque qual planta eu tô usando, que variedade eu tô usando, né? Como que eu fiz para extrair esse óleo, né?

Eh, qual é a via que eu tô usando? Então, tudo isso tem que tá nessa nessa equação para dar o efeito final, né? Então, qual é o melhor fitocan? Não existe o melhor produto, não existe o melhor fit, existe aquele que é mais adequado paraa sua condição médica, hum, terapêutica.

Cada um vai ter um papel aqui, mas nós vamos discutir também um por um. Então, se o CBD não é um fitoterápico, por que que se usa o termo canabidiol como medicamento ou remédio? Será que ele é mais eficaz que o próprio fitoterápico? Vamos ver.

Aqui, gente, quando eu uso só o CBD isolado, sem mais nada, daquele jeito fitofármaco que eu falei, eu tenho esse efeito aqui, ó, que tá nessa linha mais escura, tá vendo? Um azul escuro, tá? Então, o que significa isso? Vamos supor que eu tenho ansiedade, eu tô usando remédio para ansiedade.

Aqui eu tenho as doses desse óleo e aqui eu tenho a ansiedade. Atividade, na verdade aqui eu vou medir a atividade ansiolítica, né, para tirar a minha ansiedade. Bom, então eu tô aqui ansiosa. Aí eu começo a aumentar a dose do meu meu medicamento, eu atingjo o ótimo, ó, tô sem ansiedade aqui, tá vendo?

E eu não tenho mais ansiedade. Nossa, esse negócio funciona. Se funciona tanto que eu vou querer aumentar a dose, quero ficar menos ansiosa ainda. O que que vai acontecer?

Quando eu aumento a dose do CBD puro, a minha ansiedade volta. Por quê? Porque o CBD isolado, ele tem esse efeito que a gente fala em curva em uma invertida. você vai aumentando a dose e você vai tendo benefício.

Tem um ótimo. A partir desse ponto, se você aumentar, você perde o efeito. Agora, se eu tiver usando o full spectrum, que é todo mundo lá dentro, né? Aí ele tem essa curva azul clara, né?

Eu também preciso aumentar a dose para ver qual é o ótimo. Ele atinge um ótimo e para lá. Ele não vai ficar mais ótimo. Eu não vou virar assim um Harry Krishna se eu tomar o óleo inteiro.

É sobre isso que eu tô querendo falar. Mas no caso do fitoterápico, que é o flu spectrum, aí sim eu vou manter o meu efeito. Ainda que eu aumente muito essas gotas, né, gota, enfim, o efeito ele vai se manter, eu não perco. Então isso é sobre o efeito comitiva, isso é sobre fitoterapia.

Quando a gente fala de fitoterapia, a gente tá falando da planta como uma um laboratório farmacêutico cheio de princípios ativos que vão estar se beneficiando e vão estar também se anulando. Se você tiver alguma coisa muito tóxica, você poderá ter um que vai lá e fala: "Fica aí não, né? Dá um tempo, tal". Então você tem aí esse equilíbrio entre as os princípios ativos.

É por isso que é fitoterapia. Isso não sou eu, tá? Que tá falando isso aí. São os grandes mestres da área canábica.

Então, o Etan Russo, o professor Rafael Mexula, o professor Carline, todos defendiam o uso do fitoterápico como estratégia, né, de você obter maiores eh eh benefícios do ponto de vista do da eficácia farmacológica do medicamento, né? Agora, ah, mas se usar só o CBD isolado, então não tem efeito nenhum, não é legal? Não tem. Eu vou mostrar aqui um artigo que é uma revisão de 2023 que traz todo o potencial terapêutico do CBD purificado, canabidiol purificado.

Vocês vão ver, né? Aqui isso aqui também eu apresento nesse nesse episódio do canabinal, CBD, esquizofrenia e outras doenças, tá? Se alguém quiser depois passar para alguém, né, para algum amigo, enfim. Então, o que que tem nesse artigo que eu acabei de falar para vocês?

Usando o CBD puro, né? A gente tem uma pirâmide de efeitos já comprovados, uns com estudos mais robustos, outros com estudos não tão robustos. Então, o que que tá no topo da pirâmide? o efeito da da eh antiepilético, anticonvulsivante, que há 50 anos já foi comprovado pelo professor Carlin.

Então a gente só tá na na na ponta dessa pirâmide lá é porque o professor Carlini começou isso há 70 anos atrás, tá certo? Então hoje ninguém mais pode chegar e falar assim: "Ai, será?" Não existe isso, gente. Se alguém virar e falar assim: "Ai, será que funciona para epilepsia?" Você fala: "Filho, vai estudar, vai se atualizar, pelo amor de Deus, para de falar bobagem", né? Então isso aqui são metaanálises, né?

Tanto que foi publicado na morte, depois da morte do professor Carlini, esse artigo da contribuição dele no mundo paraa questão da da epilepsia, né? Também é o primeiro episódio do canabinal, eu apresento esse artigo, se alguém tiver interesse, tá? Mas voltando, mas a gente também sabe que o CBD ele é responsável por várias atividades que eu vou mostrar daqui a pouco para vocês. Ansiolítica, antipsicose, antiesquizofrenia, eh transtorno do estresse pós-traumático com estudos robustos.

De que tipo? Clínico, randomizado, controlado, propacebo, né? Fase dois, fase três. Ai, que que é isso?

Vamos olhar aqui. Então, eu tenho os estudos pré-clínicos. Para virar um medicamento, eu parto de estudos pré-clínicos, às vezes em vitro, às vezes com animais, né? Rato, camundongo, beagle.

Aí depois que deu tudo certo, eu passo pros estudos clínicos, ensaios clínicos, fase um, com voluntário sadi, só paraa população jovem que não tem a doença, que tá sendo investigada. Se deu tudo certo, eu vou pra fase dois, que que é a população alvo. Então, se é um remédio para dor, eu tenho que pegar gente que tem fobomialgia, por exemplo, né? Deu tudo certo?

Aí eu vou paraa fase três, que é o randomizado multicêntrico. Eu vou mandar isso para um monte de lugar para ver genética, raça, como é que isso daí vai tá, né, para chegar num medicamento. Então, por que que eu tô mostrando tudo isso? Eu tô mostrando tudo isso porque as evidências científicas que eu vou mostrar agora pro CBD est foram estudos a partir dessas fases aqui, fase dois e três.

Ou seja, não é teste em vitro, não é teste nunca, não, já passou por tudo isso, né? Então vamos ver o que que a gente sabe. Então a gente já sabe que as maiores evidências do CBD são para ansiedade. Então veja, a gente tem sete ensaios clínicos não controlados, o que significa isso?

não controlado, não tem controle, não tem grupo que não usou a planta para comparar o CBD para poder comparar. Então, tem um grupo que usou o CBD, um grupo que não usou. Isso aí é controlado. Isso aí tem uma robustez maior.

Então, mas veja, eu tenho 17 controlado mostrando a evidência que é ansiolítico, tá certo? Para psicose, esquizofrenia, eu tenho oito estudos controlados, né, mostrando que é antiesquizofrenia, ant psicótico. No caso de transtorno do estresse pós-traumático, eu tenho quatro, muito embora a gente saiba que o THC que tá mais envolvido aqui nesse no estresse pós-traumático, né? Mas mesmo assim o CBD também, a adição, né, que a gente costumava falar de dependência, né, por álcool, enfim, tabaco, eh, agora é outro nome, né, é adição, transtorno por uso de substância.

[roncando] Três estudos controlados também mostrando a eficácia do CBD e não acaba aí, tá? Esse artigo ele traz um monte aqui, ó, né, de tea, então do do do autismo, né, condição do autismo, Parkinson, transtorno por uso de heroína, né, neuropatia periférica, insônia, adição por cigarro, sistema cárdio lá. Então isso aqui não é assim, nossa, será? Ai, deixa eu ver.

Não, gente, isso aqui é um estudo, é uma revisão que foi feita séria numa revista séria, né? Você for no médico, ele fala: "Ah, não, não tem evidência". Aí você pega esse artigo, você leva, estuda um pouquinho aí para ver, né? Aí se o médico não quiser estudar, aí você de médico, né?

Fazer o quê? Agora nós vamos entrar numa discussão que é muito importante aqui, que é sobre o canabidiol, ser não psicoativo e o ter atraído canabinol, que é o THC, ser psicoativo. Será que isso faz sentido? Será que isso está correto do ponto de vista eh científico, né?

Se a gente não quer ciência para provar tudo, então vamos usar ciência aqui, né? A gente tem que entender o seguinte, que toda classificação implica em uma ideologia. Então a classificação ela não é a feita assim, ai que bonitinho, vamos fazer. Não, ela vai guiar política, ela vai guiar consumo, ela vai guiar o capital em última instância.

Então vamos começar com a pergunta básica. O que é uma substância psicoativa? Né? Então, pela classificação que tem dentro do campo acadêmico científico, tá?

Eu vou mostrar o que temos do ponto de vista histórico. A primeira foi feita por Luis Lewin, aonde ele separa, ele divide, classifica a substância psicoativas em cinco tipos: eufórica, fantástica, inebriante, hipnótica e excitante. A maconha estaria na fantástica, né, pela própria UMS, a psico eh eh conceito de substância psicoativa é aquela que altera as atividades da mente, humor, cognição, bem-estar, né? A segunda classificação é aquela de deliqu de 1957 a 65, que divide em três grupos.

Os psicolépticos que abaixam o tono mental. Então, por exemplo, na psiquiatria seriam os anciolíticos, antipsicóticos, antiesquizofrênicos, os psicoanalépticos, que são aquelas que elevam o tônus mental, por exemplo, antidepressivo, e os psicodislépticos que perturbam a atividade do tônus mental, que também não deixam de ser medicamentos, que nós já vamos ver daqui a pouco aqui. E finalmente a terceira classificação que que já é de 1971 é a de Shalom, aonde ele separa igual ao delay de NQ, só que ele ele ele deixa mais fácil, né? Ele falou assim, ó, são substâncias depressoras da atividade do sistema nervo central ou estimulantes ou perturbador e coloca a cannabis e o raxicheixe dentro da dos perturbadores, né?

Bom, vamos seguir aqui o nosso raciocínio. Até o momento são só essas três classificações de substâncias psicoativas naturais. De substâncias psicoativas sintéticas, aquelas feitas no laboratório, a gente tem classificação atual, mas para natural não. Então nós vamos lidar com o que a gente tem, não é?

Se chegar alguém da robustez do professor Carl ou de outros psicofarmacólogos e trouxerem uma outra classificação, OK, mas até agora é o que temos. Então vamos ver aqui o professor Carlí o que ele fazia na sala de aula. Ele pegava esses conceitos de substâncias psicoativas e fazia de uma forma super eh didática. Ele, né?

Olha, suponha que você tenha uma atividade normal da mente, se é que não existe normal, mas ok, né? Mais ou menos ali normal. Se eu usar, por exemplo, o café, eu posso ficar com a atividade estimulada da mente, né? Se eu usar, por exemplo, maracujá, vai dar uma deprimida.

E se eu usar, por exemplo, a zabumba, vai dar uns eregidum, né? Então ele dava esses exemplos de sala de aula. Vamos pegar esse esse esse exemplo dele para seguir aqui o raciocínio, tá? Voltando à pergunta, o CBD é um fitocanabinoide não psicoativo?

Vamos ver. Quando a gente pega, por exemplo, dois artigos agora de 2024, o que que a gente vê? Atividade ansiolítica e antidepressiva do CBD. Ora, anciolítica e antidepressiva.

Mas a gente acabou de ver que essas são atividades. Aqui tá escrito CBD, mas ficou muito claro, não se enxerga, tá? Então, seguindo aquele esquema do professor Carline, o CBD seria um depressor onceolítico, portanto, desse artigo que eu acabei de mostrar aqui, né, dos artigos. Mas ele também pode ser um estimulante.

Ah, então ele tá em duas caixinhas do dos três das três classificações de substâncias psicoativas. Ó, o CBD tá nas duas caixinhas. C também um artigo de 2024 mostrando que ele tem atividade ansiolítica em baixas doses e antidepressiva. Ah, então o THC também tá aqui, ó.

Não dá para chegar, mas ele tá tá como estimulante e tá também como alterador de percepção. Só o THC não. A gente sabe que a cansativa está nas três caixinhas de psicoativa. A conclusão é essa, né?

O CBD tá na caixinha depressora estimulante, THC e canabisativa em todas as caixinhas. Por quê? Porque a planta como fitoterápico, ela é psicoativa porque tá todo mundo lá dentro, né? E ainda quando eu tiro só o CBD continua sendo psicoativa, porque isso aqui é ser psicoativo.

Ah, mas então por que que as pessoas falam que é psicoativo? Não é psicoativo, né? Então escrevo um artigo só para falar sobre isso dentro de uma de uma revista que chama Psychoativáes. Hum.

Tudo que eu tô falando aqui agora, tô resumindo desse artigo para vocês. Então, também já publiquei no Canabinal um episódio só falando dessa confusão. O que que é psicoativo? O que é lucinógeno, que é psicodélico, né?

O que tem acontecido muito é que a gente tá sendo torpedado por artigos científicos e universo midiático e pacientes e médicos e laboratórios dizendo que CBD é não psicoativo. Então, olha a introdução dos artigos que a gente lê para apresentar no canabinal. A parte não psicoativa da cannabis é o CBD. Eh, o CBD não psicoativa ao contrário do THC.

E e continua, tá? Você vê em várias revistas os títulos dos artigos falando que o CBD não psicoativa. É tipo um show de horror. Hum.

Uma sexta-feira 13 que não tem fim. Agora a pergunta que fica é: a quem interessa classificar o CBD como não psicoativo? Se a gente acabou de ver que do ponto de vista da das classificações históricas de psicoativo, o CBD é psicoativo. A quem interessa?

Então vamos ver o que a gente tem. observado é que houve um sequestro intencional dos termos de forma equivocada. Então, psicoativo foi sequestrado e virou alucinógeno, que alucinógeno é outra história para fazer definição aqui de alucinógeno. Então, primeiro, psicoativo não é alucinógeno e com isso deriva o quê?

THC psicoativo, logo CBD não psicoativo, logo não é. Então, THC, molécula do mal, CBD, molécula do bem. Então, isso é muito vantajoso, por exemplo, para pacientes que sabem hoje que a canabis funciona muito. Ela sabe que funciona, mas ela jamais quer ser vista como uma pessoa maconheira.

Então, ela se esconde atrás de uma molécula que é do bem, que é o CBD, funciona. Eu me eximo aqui, eu falo: "Não posso usar, não sou maconheira, não tem. Eu afastei a planta do meu benefício, que é, né, em nome do tal do CBD. Beleza?

Com isso, o laboratório farmacêutico pode vender mais, não é verdade? Com isso, alguns pesquisadores que não querem ser discriminados, aí tá escrito errado, gente, desculpa, né? Eles não querem ser discriminados, falar assim: "Ai, não, não trabalho com trabalho com CBD, né? E é bonito, é elegante, a trabalha com CBD.

E alguns médicos que têm conflito de interesse, sim, em congressos que vão e continuam falando que o CBD não psicoativo. Por quê? Porque ele vai ter paciente, porque ele tem interesse com laboratório, que quer vender se não for psicoativo, porque se for psicoativo não vende, porque psicoativo é lucinógeno, entende? É loucura, né?

Então as classificações elas têm teor ideológico, ideológico pro capital, porque não adianta nada falhi, mas é uma forma de de as pessoas se aproximarem da planta, mas é uma forma errada. A gente dizia ontem, os fins não justificam os meios. A gente pode transformar essa realidade com educação, com informação, com conhecimento e não transformar o psicoativo num alucinógeno e desconstruir tudo isso, porque no final das contas isso prejudica o paciente. Então, o paciente que tem fibromialgia Parkon Alzheimer, ele precisa do THC, não é?

Mas eu não posso porque o THC é do mal. Então isso é péssimo. E se o THC fosse realmente uma molécula do mal, será que ele estaria em seis dos sete medicamentos aprovados no mundo? Então veja, nós temos aqui esses cesamete e o marinol são produzidos a partir de THC, que é feito em laboratório, aquele que copia o THC da planta.

Isso aqui foi aprovado pelo FDA em 1985. Então já se passaram 40 anos aí, né? Mais, né? Para além disso, nós temos medicamentos que são feitos a base de THC natural e ICBD natural e um só medicamento à base de CBD natural, que é o epidiolegx.

Veja, a maior parte é THC, né, para quem usa, nós vamos ver daqui a pouco para quem, enfim. Então é meio que esquisito, né, o que se faz, o que se planta, porque afinal de contas a quem interessa, né? A quem? Agora, voltando, então, tendo agora essa visão, olhar para esses tricomas aqui que a gente já começou a ver na aula passada como locais onde eu tenho uma indústria química que tá produzindo um monte de canabinoides, inclusive o THC, CBG, CBN, CBD, enfim, e ter penos que dá cheiro, dá cor às plantas.

Lembra? Esses tricomas, eles estão em folhas, estão em flores, estão na planta inteira. Então os fitocanabinoides eles estão aí dentro junto com terpeno, eles juntos formam a resina, né? Então de novo, eu tenho os terpenofenois, que são os fitocanabinoides, CBG, THC, lá lá, e eu tenho os terpenos, que é o que eu tô falando, que dá cor, dá cheiro, então humuleno, cariofileno, beta mirceno, né?

Então, muitos desses terpenos a gente encontra, por exemplo, na mxirica, né? Eh, encontra no limão, na laranja, na lavanda. E por isso que às vezes a gente pega às vezes uma cepa, uma strain, uma variedade da cannabis com esse cheiro. Por quê?

Porque tá lá o peno, assim como tá na fruta, né? Então, tanto os fitocanabinoides quanto os terpenos, eles atuam no sistema, no nosso sistema endocanabinoide, o endocanabinoidoma que a gente falou, né? Mas não tem só terpeno e e fitocanabinoide. A gente tem também flavonoides, tem alcaloides.

É a a planta na fitoterapia ela é uma indústria, né, de princípios ativos, né? Então, esses fitocanabinoides a gente tem mais de 150 na planta. Os mais estudados são CBD e THC, mas cada vez mais estuda-se CBN, CBG, THCV, né? Aí a pergunta que vem é, será que os canabinoides estão presentes apenas nas plantas?

A resposta é não. Então nós temos canabinoides na planta, nessa e em outras nós temos, nós produzimos canabinoides. Agora, nesse momento, nós estamos produzindo canabinoides, né? E praticamente todos os animais, porque lembra, a gente é animal, tem muita gente que acha que não, mas até ruim, né, a gente ser comparado ao animal ultimamente com o ser humano realmente acho que não deu certo, mas enfim, o animal deu mais certo.

Mas vamos voltar aqui na aula. [risadas] É uma questão filosófica aqui, né? Mas todos praticamente animais, apenas alguns insetos não tm eh não produzem canabinoides, né? Olha que interessante.

Então aqui a gente produz a nandamida, né, 2AG, a planta produz THC, CBD. E eu também posso ter canabinoides sintéticos, aqueles produzidos em laboratório, que são os os THCs, o dranabinol e anabilona. Todos eles atuando naqueles receptores que eu falei na aula passada, que o Paulo que vai falar sobre essa aula mais aqui. Eu só tô dando um para entrar no assunto Paulo depois, né?

E também a gente tem os endocanabinoides, como eu já disse, assim como a gente tem a endorfina, né, que nós produzimos, a morfina que vem da planta, a deltorfina que vem do sapo. Então, estamos conectado aqui com a natureza, porque a gente é natureza, né? Então, olha que legal, nós temos a nandamida que a gente produz, que ela é muito similar quimicamente ao THC. Então aqui vem aquela minha aquele meu, aquela minha dica, né?

Se você conhece alguém que é contra o THC, você chega pra pessoa fala: "Então é melhor você rever a sua existência, querido, porque você tá produzindo THC agora nesse momento, não é? Se suicida, porque você tá produzindo THC. Aqui o CBD é muito parecido com 2G, que é o outro endocanabinoide que a gente produz também, né? E praticamente todos os animais produzem e outros endocanabinó que tá aqui.

Mas isso aqui quem vai falar é o Paulo, eu só tô passando, tá? A gente também, por fim, tem os canabinoides sintéticos, como eu já falei, nabilona e o dronabinol, são feito em laboratório, sobretudo para quem tem anorexia, falta de apetite, paciente quimioterápico que tem náusea. O, a, a questão da anorexia era para quem era soro positivo no passado. Hoje, graças a Deus, a gente acho que está estamos superados, né, quanto a isso.

Como agem os canabinoises de novo? Isso aqui é aula do Paulo, é a aula da do sistema endocanabinoide, endocanabinoidoma, mas aqui só paraa gente começar a pensar também, então a gente sabe que em 1990 surgiu a ideia do sistema endocanabinoide, receptores e os canabinoides, que eu já falei, anandamida, agindo nos nossos receptores, 2 AG, isso em 99, 1990, quando foi 2010 a gente já percebeu que não era nada daquilo, que a gente tem um sistema indocanabinoide expandido. que se chama endocanabinoidoma, ou seja, a gente tem várias fechaduras com várias chaves, né? E essas chaves atuam em outros receptores de outros sistemas do opioide, doetonérgico, do dopaminérgico, enfim, é uma loucura, né?

É uma loucura a complexidade que vocês vão ver. O Paulo vai falar isso para vocês, né? Então, se a gente pegar só o CBD aqui, só o CBD, olha ele agindo no sistema GABA para epilepsia, insônio, ansiedade, pânico, esquizofrenia. O CBD aqui nos receptor serotonérgico atuando para memória, desordem alimentar, depressão, ansiedade, né?

Então é uma coisa, é é uma coisa complexa, tanto que foi chamado aqui de promiscuidade molecular, né? você não atua só nos seus receptores, você atua nos receptores de outros sistemas. Então é daí que vem a ideia de que o sistema endocanabinóide ou endocanabinoidoma, ele age como um maestro, que foi Eduardo, Dr. Eduardo Faver que traz essa ideia, né?

Quer dizer, ele regula os outros sistemas, o cardiovascular, o respiratório, muscular, o imunológico, reprodutor, né? Então, na verdade, nenhum médico, nenhum cientista que trabalha na área da saúde pode se furtar a pegar um livro agora e começar a estudar, né? Porque nós temos, por exemplo, aqui é muito interessante as pessoas, ah, a gente não sabe nada, né? Não sabe nada não.

Como assim não sabe nada? É a mesma coisa falar que a medicina não sabe nada. Não é porque a medicina não sabe tudo que ela não sabe nada. Então, a gente sabe muita coisa.

Só que não sabemos tudo. E não sei se vamos saber, porque são 10.000 1 variedades de planta atua em praticamente todas as células. Então, diante disso, não é fácil também, né, saber tudo. Mas a gente sabe muita coisa.

Tanto sabe muita coisa que a gente tem cerca de 77.000 artigos publicados. Esse dado aqui é de setembro do ano passado. Se você entrar hoje, você já vai ver artigos para serem publicados em 2027, né? Nesse mesmo banco de dados.

É muit, o volume é muito alto de publicação, então a gente sabe muita coisa. Os livros de farmacologia hoje eles têm já aqui, ó, Hang Day, o capítulo 19, os canabinoides, né? Esse outro aqui também é clássico que se estuda na medicina, naonto, enfim, né? Goldman Gilman, um livro de farmacologia, tá lá os canabinóis.

Então, o professor ou médico que hoje fala: "Ah, isso aí ninguém sabe nada". falou: "Querido, vai estudar, filho, porque senão você vai ficar prova atrás, não vai mais ter paciente para você daqui a pouquinho não vai, porque não dá mais pra gente ficar no conforto do nosso escritório, do nosso laboratório, da nossa clínica médica com pacientes do passado que eu já formei aqui e falar: "Ah, não, isso é coisa de maconheiro não vai, esse argumento não vai mais, né? Nós precisamos agora trazer a consciência". falou educação.

Olha, tá aqui no livro, não tô inventando. Não é sobre o cigarro de cannabis que as pessoas estão fumando ali na rua. É sobre um medicamento, é sobre um endocanabinoidoma. É com esse argumento que a gente vai, né?

Nós já temos mapeados aqui receptores canabinoides em cães e gatos, né? Como assim não sabemos nada, né? Tem vários episódios que eu falo já sobre uma série só sobre pets, né? Do canabinal.

E vamos além então. Mas a planta só tem canabinoide? A gente já viu que não lá atrás, né? Que tem os terpenos, flavonoides, tudo mais, né?

Então tudo isso é que tá misturado aí nos tricomas, né? E esses ã terpenos, tá? Tá vendo aqui tudo? Limão, laranja, né?

Eh eh a alecrim são os mesmos terpenos que tem nessas plantas, né? esses esses que eu tô falando aqui. Então é na junção, é na mistura, é no efeito sinérgico que que na verdade não não se deve falar efeito sinérgico. O efeito uragem não é efeito sinérgico.

Aí vamos lá. Por que não é? Então aqui é um aqui é um problema, tá? Vamos deixar pro Paulo resolver lá na aula dele.

Mas existem teorias que dizem eh que é o que eu vou falar e outras que não. Então assim, para ser um efeito sinérgico, você tem que ter um mais um daria dois, né? Então você tem um princípio ativo mais um princípio ativo, esse aqui tem peso um, esse aqui tem peso um. O final seria o quê?

O peso da eficácia do efeito farmacológico dessa substância com esses dois princípios adivos seria dois, porque tem peso um. um dá dois. No efeito cinérgico você teria quatro, né? Porque 1 + 1 daria 2, mas no efeito sinérgico 1 + 1 é 4.

Então isso é sinergia. Você aumenta, você amplifica o efeito final de uma de duas ou três substâncias ali. O que se fala sobre o efeito enturagem não é efeito sinérgico, porque você não tem um mais um, você tem zero mais um. Aí esse zero é estimulado por esse um.

E é por isso que você precisa de todo mundo lá, porque esse zero sozinho não vai funcionar. Quem seria esses zero? Os fitocanabinoides. Sem os terenos não teriam ação.

Então isso aqui é polêmico. Não vou falar mais porque já falei até demais, tá? Quem quiser, vamos estudar mais sobre isso, ver se o Paulo nos ajuda. Mas ainda é polêmico isso.

E para ir finalizando, quem que pode prescrever fitoterapia no Brasil? Eu não sei se todo mundo sabe, mas médico, dentista, veterinário, biomédico, farmacêutico, nutricionista, fisioterapeuta, enfermeiro e mais recentemente biólogo. Então, por exemplo, eu sou bióloga, eu poderia prescrever, não vou, mas eu poderia prescrever fitoterápico, certo? Agora, quem é que pode prescrever a cannabis como um fitoterápico no Brasil?

Médico, dentista e veterinário, né? Então, isso é algo eh recente também. veterinário faz pouco tempo, então é uma fitoterapia, mas ainda não é, né, a a da cannabis nesse sentido, né? Não, não estamos terminando, não.

Lembrei que eu inclui mais uns slides aqui. Vamos discutir isso agora, da onde que vão vir então esses produtos e medicamentos. Então, eu fiz uma série no canabinal para falar tudo sobre isso que eu vou dar aqui também falar, tá? Então, esses produtos e medicamentos, como é que eu posso acessar, né?

O que que são eles? Então, esse aqui, por exemplo, esquece, tá, gente, a marca de novo. Eu não tenho conflito nenhum. Eu coloquei só porque foi o primeiro que eu achei na internet, tá?

Deveria ter posto um X, mas não pus. Então, eh, eu posso ter um produto de origem vegetal que, né, que é onde tá todos, tá todo mundo lá dentro, todos os fitocanabinoides, os terpenos, flavonoides, tá todo mundo lá, né? Então esse é é um produto. Eu posso ter também um fitofármaco, então aqui seria um fitoterápico, né?

Eu posso ter também um fitofármaco, ou seja, só o CBD, stopal CDB. Então isso não é fitoterápico, isso é um fitofágo, tá? Depois eu posso ter medicamentos de origem vegetal que eu tenho que importar, que aí também são fitofármacos, também não é fitoterápico. Por quê?

Porque não tá todo mundo lá dentro. Então, por exemplo, para epilepsias, eu tenho epidiox que eu preciso importar. E ele é rico em quê? Em CBD natural, que vem da planta.

Na esclerose múltipla, eu tenho duas opções aqui. No Brasil tá disponível nas farmácias o Mevil, que é esse spray bucal, que ele tem THC e CBD naturais, extraem da planta. Tenho até mais um pouquinho THC do que CBD. E o Tenho o Sativex, que também é de THC que vem da planta, mas eu precisaria importar.

Depois eu tenho aqueles medicamentos de origem sintética que também precisam ser importados, que eu já mostrei para vocês. São os THCs feito em laboratório. Nabilona é um que é a base do cesamete e o drano abinal é outro que é a base do marinó. Para casos de quimioterapia, soro positivo, eu já expliquei isso, já falei dor neuropática, náusea da quimioterapia, falta de apetite do soro positivo, né?

E também tem o que a gente chama de produtos artesanais. Tem muita gente que não gosta. Ai, porque artesanal. Bom, porque eles começaram assim.

Algumas associações hoje eh não gostam, né, que a gente fala artesanais, mas originalmente as associações tinham essa essa origem, digamos assim, né? Não são não eram empresas, né? Não eram indústrias. E por isso a gente, isso foi muito importante inclusive, né, para poder sobreviver e ajudar um um grupo e a ter acesso, né, um grupo de pessoas vulneráveis que não tinham acesso ao medicamento, né, ao produto.

Então, nesses produtos também eu tenho todos os fitocanabinoides, né? Posso ter aqui pomadas, mas eu não tô isolada. Ou então eu posso ter todo mundo lá, mas mais enriquecido com CBD, mais enriquecido com CBG, mas tá todo mundo lá, né? Isso também é comum.

Às vezes você tem um óleo de CBD, fala: "Ah, eu tô usando CBD". Não, você tá usando todo mundo com um pouquinho mais de CBD, mas tá todo mundo lá, né? Que é o full spectro. E quais são as formas de uso?

Já tô terminando, gente. Sei que tá cansativo aqui, mas vamos lá. Pelo menos 45 formas de uso no mundo, tá? Então, entre elas, ó, pomada, a flor, né?

Comprimido, a vaporização, né? supositório, óvulos vaginais, o o inal a aquele ah, esqueci como é que usa isso aqui. Então, vocês estão vendo, né? O óleo sublingual, o spray nasal ou o spray oro, oro bucal, né?

Oro nasal. É, eu tenho uma dificuldade aí, gente. Eu não sou farmacêutica. Vai desculpando se eu falei alguma bobagem aqui, tá bom?

Mas enfim, isso é no mundo, tá? Mas e no Brasil? O que que eu posso? O que que tá regulado, o que que é é permitido?

O oral, o bucal, o sublingual, o inalatório e o e ou dermatológico, né? Esse aqui eu não sei porque esses aqui não são, tá? Isso aqui tá, as figurinhas estão aqui, mas não são. Isso aqui não pode.

Só pode o que eu tô falando. Oral, via oral, né? bucal, sublingual, vinalatória ou a dermatológica, que no caso pomadas, que é bem recente essa daqui também, essa via, tá? Mas isso aqui também quem vai falar mais com mais propriedade para vocês são as farmacêuticas, tá?

O óleo não funciona. É muito comum a gente ouvir as pessoas falar: "Ai, não serve para nada, né? Eu já experimentei essa medicina canabino". É tudo bobagem.

Aí você vira pra pessoa e fala: "Mas como é que você usou?" "Ah, eu usei o óleo lá." Sim, mas, né, às vezes tem o médico também, o médico também não consegue falar na assim, não tem às vezes a a informação, né? Às vezes não tem e tá tudo bem porque não tem curso, né, em universidade, lembra? Então, quando você tá usando sublingual, é muito importante que você faça um uso após as refeições, café da manhã, almoço e jantar, né? Se for para usar três vezes, se for para usar uma vez, depois de uma delas, mas tem que ser depois da refeição.

Essa refeição tem que ter gordura, tem que ter ou de manhã o ovo ovo frito ou castanha, enfim, tem que ter gordura, porque o medicamento é um lipídio. Então, para ter máxima de absorção, você tem que ter comido gordura. Segura embaixo da língua, que é onde você tem a via, né, de absorção, tá? Por máximo que você conseguir, 2 minutos sem falar, né?

Os próximos 15 minutos sem beber água, sem escovar o dente, porque senão você lava tudo, né? E também é interessante você dar um intervalo de 2 horas entre o medicamento sintético ou outro medicamento que você usar e o o uso da da do sublingual, né? E claro, você tem que ir aumentando a dose, diminuindo isso. Daí tem que ter um médico, tem que ter um farmacêutico que vai te ajudar a administrar a melhor dose para você, porque é uma dose individualizada.

O que que falta em você? Então, nós vamos ver na aula de modulação, que eu vou dar junto com o Paulo, depois da aula do Paulo de sistema endocanabinoide, como modular, né? Então, cada um tem uma falta, digamos, que o seu organismo não produz e precisa repor, né? Então, médico é fundamental aqui, não é?

Não é laboratório assim, vou testar aqui, não, né? E como obter? Primeiro lugar, você pode com a receita médica aí nas farmácias, hoje você tem mais de 40 produtos nas farmácias, qualquer farmácia, né? Ou medicamento, como eu falei, qual a diferença?

O produto ele não tem bula. O produto ele não passou por todo aquele rigor da Anvisa, que são teses de eficácia, segurança e qualidade, né? Ele não pode ter uma uma o produto eh fitoterápico à base de cannabis, ele, eu não sei exatamente o termo, mas é um produto a base de cannabis, eu acho. Eh, desculpa, eu realmente não lembro, mas ele não tem bula e ele não pode ter indicação terapêutica.

Quem vai fazer a a indicação e a dose é o médico. Então você tem lá o produto, mas não fala para que que é e nem quanto. Agora o medicamento não, o medicamento tem uma bula como qualquer outro medicamento, né? Então, no Brasil a gente tem mais de 40 produtos e um medicamento só, que é o mevatil, que é para esclerose múltipla.

Então, essa forma ela é rápida, mas é cara, né? Uma outra forma é com também tudo com receita médica, óbvio, né? É importar via Anvisa, ela demora um pouquinho mais e ela é um pouquinho mais cara, né? Cada vez tá mais fácil, mas ainda assim, né?

Você também pode obter esse óleo de associações canábicas. vocês vão ter uma aula só sobre associativismo. Eu só tô aqui, só tô pulverizando, tá, as coisas pra gente depois juntar tudo lá na frente. Eh, eh, às vezes você, na própria associação, você tem médicos que prescrevem, né?

E esses óleos eles têm eh nós temos mais de 400 associações canábicas no Brasil. Essa é uma forma rápida e barata. Os óleos normalmente você tem que se afiliar a essa associação, claro. E o óleo ele é muito mais eh em conta, né?

Você tem acessível do que aqueles da farmácia que eu falei que pode ir até R$ 3.000, dependendo do euro ou do dólar. Você pode cultivar em casa se você tiver um abáas corpos ou individual ou coletivo, no caso das associações, né? Então essa forma ela é rápida e ela é gratuita. Rápida porque não quer dizer para conseguir o abas corpos não, né?

Mas é rápida porque você acessa de forma rápida. Isso que eu quis dizer, né? Eh, mas hoje cada vez mais a gente tem pessoas e vocês vão ver um bloco só de advogados aqui falando de como obter esses abascotos, tá? E por fim, a judicialização ou via SUS ou plano de saúde, onde você o estado, né?

Hoje a gente tem cerca de 24 estados que já tem projeto de lei ou já tem a lei para acesso à cannabis pelo SUS. A professora Luciana Surjus vai dar uma só de SUS lá, ela vai falar mais sobre isso já já, mas normalmente quem alimenta essa rede do SUS são ou óleos de associações raramente, mas tem, ou então empresas de fitoterápicos, né, ou fitofármacos, não é a farmácia viva, né, que a gente esperaria, poxa, é mais barato, é o mais fácil, né, mas de acordo com a nossa realidade aqui, não é, né? E então é claro que vai ser uma uma forma demorada e gratuita, mas é gratuita para quem? Pro povo, mas pro estado tem um custo enorme, sendo que a gente poderia ou pro plano de saúde, né, poderia cultivar nas farmácias vivas, né?

Essa aqui fica aqui o pensamento para vocês irem paraa aula da Jaqueline e discutir isso. Então gente, aqui eu acho que essa aula foi um pouco pesada, foi longa, mas [limpando a garganta] ela é ótima porque ela vai abrir um panorama do que que vocês vão ver agora, né, na aula do Paulo de farmacologia, na aula do SUS, da Luciana, farmácia Viva, da Jaqueline e das farmacêuticas, a Cásia, a Carol. Então depois lá na frente vocês vão juntando tudo aí, tá bom? Um beijo enorme e eu espero vocês então paraa próxima aula.

Até mais.

4ª Aula O SUS e a Cannabis sativa L — O SUS e a Cannabis sativa L - Profª Luciana Surjus e Dra. Manoela Hisae

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Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis. Sou a Gabi da Ines tô aqui para apresentar mais uma das nossas aulas. Aula que a gente aula muito importante, né, que a gente vai falar sobre o SUS e sobre toda essa estrutura e como a cannabis entra nessa estrutura.

Essa aula vai ter dois momentos. a gente vai receber duas queridíssimas aqui. No primeiro momento a gente vai falar tecnicamente sobre o SUS, sobre a estrutura do SUS, eh, e um pouco sobre a cannabis nessa estrutura com a professora Luciana Surjus, ela que é professora da UNIFESP, do campus da Baixada Santista. E num segundo momento a gente vai receber a Dra.

Manuela Rai, que vai falar um pouquinho da cannabis, do atendimento com a Cannabis no SUS. Então eu agradeço as duas por estarem aqui com a gente mais essa edição. Espero que vocês gostem da aula e a gente se vê na próxima terça-feira com mais um conteúdo. Então, dando início aqui, saudando a todas as pessoas presentes e que passarão por aqui.

Eh, agradecendo também a Gabi Daines, professora Eliana, né, a oportunidade de estar com vocês de novo nessa 14ª edição do curso do uso terapêutico da Cannabis da UNIFESP. vou colocar uma apresentação e aí vou ter a oportunidade de me apresentar também aqui melhor para vocês. Então, eu sou Luciana, sou professora da UNIFESP aqui da do campus Baixada Santista e vou falar um pouquinho sobre o Sistema Único de Saúde, né, e a relação eh com o tema, né, da canabisativa. Então, partindo aqui de onde eu falo, né, queria declarar que não tenho nenhum conflito de interesse eh com a temática, né?

não sou financiada por nenhuma eh empresa, né, com interesses comerciais nesse tema e tenho aí minha os meus outros interesses, né, no estabelecimento e no fortalecimento das políticas públicas, né, de saúde, de educação. Então, venho aí de 16 anos de atuação no SUS, né, passando pela gestão de diferentes serviços de saúde mental também no Ministério da Saúde, na diretoria de saúde de alguns municípios, né, eh, agora há 9 anos aqui na Universidade eh Federal de São Paulo. Eu na UNIFESP lidera o grupo de estudos pesquisa e extensão diverso, que trata das temáticas de saúde mental, redução de danos e direitos humanos. e sou uma docente bastante extensionista, né, que entende aí a extensão universitária como um grande espaço de articulação e produção do conhecimento.

E aí me insiro, né, em diferentes eh núcleos, né, coletivos e dispositivos de produção de conhecimento em parceria com as comunidades envolvidas, né? Então, desde o Centro Regional de Formação em Política sobre Drogas e Direitos Humanos, Observatório Internacional de Práticas de Gestão Autônoma da Medicação, o Núcleo de Saúde Digital da UNIFESP e o Farmacom, Observatório do Uso de Medicamentos, maconha e [limpando a garganta] outras drogas. Então, essas são, né, as minhas eh inserções aqui na na universidade, né, e com relação ao tema especificamente, né, da maconha, da canabisativa, que eu vou tratar aqui como como sinônimo na minha na minha fala, né, eu componho ainda a representação eh da UNIFESP na Comissão de Trabalho para Regulamentação da Lei Estadual de São Paulo, né, de fornecimento de produtos eh derivados de cannabis e também no grupo grupo de trabalho para regulamentação da lei municipal eh em Santos. Eu venho participando do desenvolvimento de algumas pesquisas e algumas atividades extensionistas relacionadas a levantamento, né, de associações canábicas, eh, de cultivadores domiciliares, né, já produzimos alguns materiais, né, relacionados à questão racial e questão do de gênero no uso não médico da maconha.

Eh, e também no meu pós-doutorado me me debrucei, né, tenho finalizado esse processo de me debruçar sobre a regulamentação do uso não médico, especialmente no que se refere às medidas de promoção de equidade e eh reparação social. Então, sem mais delongas, pra gente conversar eh um pouquinho sobre o SUS, né? Eh, uma provocação é o que que vem na cabeça quando a gente fala do SUS, né? E aí muitas vezes vem na nossa cabeça um sistema [roncando] quase que colapsado, né?

Eh, que a gente enfrenta bastante precariedade, né? De espaços super lotados, quase sempre uma expectativa, né, de um cuidado que seja hospitalar, [roncando] eh, filas de espera, né? ah, a questão da [roncando] eh das diferentes concepções e compreensões, né, do que significa, né, eh, o acesso a um Sistema Único de Saúde, né, para algumas pessoas, uma relação de extrema dependência, né, de eh a única eh o único acesso garantido, né, ao cuidado em saúde. e para outras pessoas um um uma das portas de acesso, né, que servem mais para algumas ações de saúde, eh, do que para outras, né?

E na verdade, assim, assim como as pessoas que não conhecem, a gente t algumas eh visões, né, sobre sobre nós, né, [roncando] eh mas não sabem, né, muito eh do cotidiano da nossa vida, dos nossos, né, da da do de como a gente enfrenta os problemas, de como a gente se organiza, né, de como a gente se forjou pessoa, né? Então, uma das questões que é sempre bastante importante, né, na discussão do SUS, é a gente resgatar eh um pouco, né, o porquê de um Sistema Único de Saúde, né, um sistema universal de saúde e como é que a gente compreende também as dificuldades, né, eh, no estabelecimento e na sustentação, eh, de um sistema como esse, né, para que a gente não corra o risco de jogar a criança com a água do banho, né, que a gente não corra o risco eh de compreender pelas dificuldades do SUS eh um tamanho menor do que o SUS e significa, né, uma relevância menor do que o SUS tem na vida e na e na democracia, né, e na soberania nacional. Então, o SUS envolve, né, bastante eh muitas e diferentes áreas, né, de de ação. a gente vai olhar para algumas delas, né?

Mas a gente tá olhando ali, né? O espaço de cuidado que chega para povos indígenas, né? Os nossos programas, o nosso programa nacional de humanização, né? Um programa bastante amplo, que sofreu alguns golpes e e descredibilidade, né, no nos últimos anos, mas que garante, né, a a o controle de agravos importantes no nosso país, no nosso território, né?

Então, o as frentes também, né, de vigilância epidemiológica e e vigilância em saúde, né, processos que a gente eh quase não percebe, né, de atuação do SUS no nosso cotidiano, né, na fiscalização eh de espaços, né, de espaços públicos, de prestação de serviço, né, de fiscalização do que a gente consome, do que a gente acessa, os espaços ali, né, pensando as hortas comunitárias, farmácia viva, regulamentação, né, de espaços de cuidado a partir de outras medicinas e outras lógicas, né, eh, para além, né, da, né, do acesso a ao medicamento alopático, [roncando] a questão do sistema, né, de de urgência emergência, então o acesso aí ao a ao SAMU, né, que todo mundo eh conhece, que chega, né, em vários várias cidades, em vários estados eh do país, né, [roncando] eh os nossos programas de transplant né, que são reconhecidos aí mundialmente, né, como eh programas eh de sucesso que garantem, né, equidade do acesso, né, e uma e uma qualidade bastante expressiva, né, com com resultados significativos, né, e tratamentos que vão sendo incorporados, né, tratamentos eh novos, né, inovação tecnológica que vai sendo incorporada aí na medida da provisão orçamentária e da produção de evidências, né, para que eh todas as pessoas, né, não só aquelas que eh tem aí um acúmulo de recurso, né, para eh acessar diferentes tecnologias ou possam fazer, né? E aí, por que que a gente fala de um sistema público de saúde? Olha, eu tinha colocado umas figurinhas que sumiram, [risadas] mas vamos lá. Eh, essa ideia, né, de sistemas eh universais de saúde, ela deriva das teorias de bem-estar social que se originam, né, no mundo, né, principalmente no mundo ocidental, após a Segunda Guerra, eh, Mundial, né?

Então, governos vão priorizar, né, um amplo desenvolvimento, né, cultural, científico para processos de industrialização, né, e e reconstrução, né, nacional e de territórios, né, mas com uma grande pressão popular para que fossem garantidos ali direitos básicos e políticas sociais, né, em sociedades a, né, a a eh bastante desmontadas, né, arrasadas, né, por processos de guerra, né, >> [roncando] >> Eh, e o estado faria, né, fez, né, nesse sentido, uma aposta, né, na lógica do capital, no lucro, envolvendo, né, uma [roncando] uma eh uma mobilização, né, de de recursos eh e agentes privados, né, na reconstrução eh das nações, mas sem abrir mão, né, eh da garantia dos direitos básicos a essa população, reservando ao estado a o compromisso, né, e e o dever, né, de prover esses recursos. Muito do que eu vou falar aqui tá num livro chamado SUS estado de bem-estar social, perspectivas pós-pandemia, que é do professor Nelson Rodriguees Santos, né, professor aposentado da Unicamp. E aí embaixo, né, tem o link de acesso a esse livro e a também ao ao YouTube, né, que que professor Nelson apresenta um pouco essa produção. E aí, peço desculpas, mas vamos conviver um pouquinho aqui com esse com esse restinho de gripe.

[roncando] Eh, então, seguindo assim, como é que isso se dá no Brasil e na América Latina, né? Brasil e América Latina. Isso se dá também, né, após eh processos aí de tragédias humanitárias, né, de processos ditatoriais, eh onde há um clamor, né, um grande estímulo ao crescimento econômico e industrial, né, de de reconstituição [roncando] da sociedade, eh, num processo, né, onde a população deixa de ser predominante rural e passa a ocupar, né, cidades médias, cidades grandes e [roncando] numa concentração simultânea, né, de extrema renda e palterização massa da população, né? Então, uma mobilização social para que essas garantias, né, fossem eh eh reservadas, né, e que o Estado pudesse eh ocupar um outro lugar, né, nessa nessa restituição, né, eh social de uma possibilidade de eh reconstrução e e construção de uma sociedade eh produtora de de cidadania, né?

>> [roncando] >> Então, o que que o SUS é? O SUS é simplesmente o maior sistema de saúde pública do mundo, né? O sistema de maior alcance, né? Que nasce aí no bojo de um processo de redemocratização do nosso país, né?

E que representa o lugar da saúde na busca por uma sociedade melhor. Então, uma sociedade que carrega valores democráticos, de superação de desigualdades, né? E com o objetivo de atender dignamente todos os brasileiros, né? Então é o nosso eh braço da saúde para se fazer justiça social.

Então no processo de criação do SUS, na elaboração, né, da do que é o SUS, das leis que regem, né, e e de como eh eh foi se propondo o desenho, né, dessa desse Sistema Único de Saúde, eh já se pautava um conceito ampliado de saúde, né, que não é só um conceito de ausência de doença, né? mais a necessidade de criação de diferentes políticas públicas que podem então produzir, né, o bem viver, produzir o bem-estar e produzir uma vida mais saudável, né, com o imperativo da participação social na construção desse sistema e da política de saúde e a impossibilidade do setor sanitário responder sozinho a essa transformação, porque ela tá pautada eh por determinantes, né, e condicionantes. eh, que vão aí garantir eh oportunidades, né, de uma vida mais saudável ou vão se constituir de barreiras, né, a a ao desenvolvimento pleno eh da vida. >> [tosse] [roncando] >> Então, pra gente pensar determinação social do processo saúde doença, a gente precisa pensar em como a nossa sociedade se organiza, né?

Quais são as estruturas que regem, né, a maneira como nossa sociedade se organiza, né? Eh, então, numa sociedade que se organiza com uma grande importância dos fatores econômicos, né? eh como é que estão organizados os nossos ambientes de convivência e de trabalho, quais são as culturas, né, e valores que regem, né, a nossa as nossas relações sociais, né, pensando que tudo isso vai interferir na saúde de grupos populacionais de forma desigual, né, e pode estruturar eh o valor que se tem a vida, né, o reconhecimento de cidadania das diferentes pessoas, né, a concepção de saúde, eh, e precisa ser sensível né, como eh cada povo lida, né, com as as suas diferenças aí de gênero, etnia, eh e diferenças eh econômicas, né? Então, se a gente pensar eh nas estruturas que organizam a nossa sociedade, né, que é uma sociedade pautada pela exploração econômica, pautada pela exploração territorial, pautada pelo racismo, né, pelo patriarcado, eh, nós precisamos estar atentos, né, porque os grupos populacionais eh eh [limpando a garganta] expropriados, né, de uma relação de reconhecimento da sua eh da sua cidadã cidadania, [roncando] eh, vão ter também dessa forma um impacto no desenvolvimento dos processos aí de adoecimento.

Então, a gente precisa entender que a saúde é resultado da interação desses múltiplos fatores, dentre os quais a gente pode perceber os modos de organização da produção, do trabalho num determinado contexto eh histórico, né, e da limitação do aparato biomédico para modificar essas grandes estruturas que organizam eh esse processo. Então, a gente tem a previsão de que na nossa Constituição o SUS é um sistema público de saúde e que parte do princípio que saúde é um direito de todos os cidadãos e cidadãs e que é um dever do Estado. E vai se orientar por alguns princípios, né? Alguns princípios que são doutrinários, né?

de universalidade, equidade, integralidade e princípios de participação popular, regionalização, hierarquização, descentralização e comando único. E aí, para falar rapidamente eh de cada um deles, eh essa ideia, né, da universalidade dos dos sistemas, então nasce, né, de eh de inspiração, né, da realidade de países europeus no pós-guerra, com a ideia de que para acesso ao sistema de saúde eh não poderia se diferenciar, né, eh pessoas pela sua classe social, eh pelo fato de estarem empregadas ou desempregadas. pela cor da pele, pela religião e outras características de diversidade, né? Então, se a gente lembrar antes de desistir o SUS, é até difícil a gente, né, eh, fazer essa essa reflexão de que o sistema de saúde público não era para todo mundo, era para as pessoas que tivessem eh carteira de trabalho assinada, né?

E aí, como é que a gente eh penaliza de algum modo as pessoas que não têm acesso ao trabalho, que também passam a não ter acesso ao cuidado em saúde, não ter reconhecido o seu direito de cuidar da saúde, né, no espaço público. Então esse é um ponto de partida, né, um princípio doutrinário de que é um sistema que não vai fazer uma seleção, né, eh uma condicionalidade de quem tem ou não, eh, esse direito. Um outro princípio doutrinário é o princípio da equidade, né, que é se é para todo mundo e se a gente reconhece uma estrutura desigual de acesso, eh, não pode ser igual para todo mundo, né? A gente tem que prover aí uma diferenciação nas ofertas de modo que eu faça mais para aqueles que precisam mais, né?

e de que eu possa fazer menos para aqueles que não requeiram tanto, né, do sistema eh de saúde. Essa imagem acho que ela ilustra bastante isso, né? Se a gente tiver essa eh eh incorporado, né, essa lógica da meritocracia, né, de que todo mundo vai conquistar o seu lugar ao sol, né, e vai dar conta aí das dificuldades da vida, basta eu dar um suporte igual para todo mundo, né, e as pessoas vão então alcançar aquilo que eu eh tenho de intencionalidade, né? E se a gente faz isso, a gente vai se deparar, né, com essa eh diferença, né, de de oportunidades e diferença eh na diversidade, né, de possibilidades de cada um.

De modo que eu preciso garantir que quem não precisa de apoio segue, né, a vida como ela está, mas que quem precisa de apoio e quem precisa de mais apoio, a gente precisa garantir, né, eh, de forma distinta, né, mais recurso para quem mais precisa. >> [roncando] >> E aí, por fim, o princípio doutrinário da integralidade, né, que envolve um conjunto de ações que vai desde prevenção, de promoção e do tratamento e reabilitação, pensando que todo ser humano precisa ser beneficiado com prevenção e cura, né? E aí professor Nelson faz de novo uma provocação dizendo que não tem menor sentido, né, a gente entrar num prédio para se curar e no outro para se prevenir, que seria uma um desperdício de recursos, oportunidades, né? Então, a integralidade menos como um uma circulação das pessoas por diferentes locais para pegar parte dos seus benefícios, vamos dizer assim, eh, assistenciais, né?

E mais da concepção de que cada um de nós é uma pessoa integral, né? E que precisa ser olhada na sua integralidade, né? acessando aquilo que lhe é mais necessário naquele momento e compondo, né, uma rede aí eh de cuidados que priorize, né, aquilo que as pessoas precisam, né, e não só uma organização a priori para que as pessoas fiquem circulando eh de modo a achar eh onde é que vão resolver parte eh dos seus problemas, né? E [roncando] aí, saindo dos princípios doutrinários, a gente vem pros princípios organizacionais, que é pensar, tá?

Então, se eu tenho todas essas concepções, como é que eu vou fazer isso na prática acontecer, né? E aí entram esses princípios, né, organizacionais que vão pensar essa eh hierarquização dos serviços, pensando que os serviços têm sim diferentes densidades tecnológicas, né, e que não precisam estar todos disponíveis o tempo todo, mas disponíveis para aqueles que precisam acessar essas tecnologias, garantir a participação social pra gente reduzir a possibilidade de injustiças, né, e reduzir e ampliar, na verdade, a nossa nossa capacidade, a nossa sensibilidade de identificar as necessidades de cada território, de cada região, de cada família, né, de cada pessoa. A regionalização, né, que é a a as regiões terem autonomia e suficiência para que as pessoas não precisem fazer grandes deslocamentos, né, para acessar aquilo que elas precisam. e a descentralização, que é a gente olhar para estruturas nacional, estaduais e e municipais de uma maneira harmônica, sem que um interfira, né, de maneira eh eh desnecessária na outra, né, para que a gente possa, na medida do possível, estabelecer no nível municipal, que é lá onde a vida acontece, né, o acesso aos recursos necessários, né, fazendo uma composição entre os entes federados, mas que não disputem entre si, né, eh eh o provimento de cuidado para que isso se dê de uma maneira harmônica, né?

E aí fiz muito rapidamente, né, na inteligência artificial, uma ilustração, né, do que seria aí a que seriam aí as estruturas, né, de governança e gestão do SUS, pensando três esferas de governo, né, a esfera federal, que vai ter ali um regramo, né, de todo o sistema nacional composto ali por comissões que a gente chama comissões tripartite, né, União, Estado e Municípios, né? e que tem no Ministério da Saúde o seu grande eh eh dispositivo, né, de da sua grande instância, né, de regulamentação, né, na esfera estadual. Então ali todas as esferas pensando a participação social, né? Então, Conselho Nacional de Saúde, Conselho Estadual de Saúde, Conselho Municipal, Conselhos Locais, né, nos diferentes territórios, às vezes nos próprios serviços, né, e cada instância compondo aí comissões, né, no estado, comissão bipartite, onde vão ser ser discutidos, né, as necessidades populacionais desses territórios e também o financiamento, né, que o SUS prevê um financiamento tripartite, né, que União, estado e municípios possam prover, né, a partir eh eh das suas tributações os o, né, do a partir do pagamento dos nossos impostos, o financiamento, né, desses recursos, desses dispositivos e serviços, né, eh, e estratégias de [roncando] de cuidado.

A gente tem, então, esses fóruns, né, de pactuação, tripartite, pensando gestão, capacitação, desenvolvimento tecnológico. E a gente tem, né, e o Dataus, um departamento de informática no SUS, que é responsável aí pela disponibilização de informações. Então, um recurso bastante interessante, né, uma plataforma chamada Tabnet, onde a gente vai acessar ali os principais indicadores de saúde, pactuações, informações epidemiológicas de rede assistencial dos nossos municípios, da nossos estados, né? uma maneira de que a gente possa ir acompanhando, né, o estabelecimento dessa política e participando cada vez mais desse processo de organização do cuidado, né?

Em relação a modelos de atenção à saúde, a gente tá, né, os profissionais de saúde, principalmente os profissionais de saúde mais velhos, tem uma tendência a pensar, né, numa pirâmide de complexidade dos serviços, pensando a tensão básica, né, como a a a [roncando] base da pirâmide, né, onde a maioria da população vai ser atendida. e pensando a complexidade eh na regulação, né, do acesso à aqueles que precisam acessar, né, serviços de outras densidades, eh, tecnológicas. a gente vem trabalhando há um tempo no SUS com a ideia de derrubada dessa pirâmide, né, com a ideia de como é que a gente pode eh regular o sistema eh num funcionamento em rede para que esse essa fluidez possa acontecer, para que as pessoas não tenham que chegar por etapas, né, mas que a gente tenha um sistema regulado com a sensibilidade paraa identificação das necessidades, né, e uma organização regional al que possa favorecer o acesso a essas diferentes eh eh densidades tecnológicas a partir do momento em que foi identificada a sua necessidade, né? Então, se a gente pensar, por exemplo, o serviço de urgência emergência, que ele é porta aberta, né?

Então, a pessoa vai chegar e vai ser vai ser atendida. o serviço de saúde mental que precisa tá não não pode estar referenciado, ele não pode ser só por meio de encaminhamento, porque senão a gente vai eh perder, por exemplo, pessoas com condições mais graves de saúde mental que não vão ter condição de cumprir esse essa etapa, né, do encaminhamento. Então, como é que a gente garante portas sensíveis para fazer boas avaliações, bons acolhimentos, de modo que as situações de maior agravamento não fiquem esperando, né, em em filas sem qualidade de avaliação, né, que favoreça a a o acesso mais rápido, né, a quem a quem precisa, né? E aí o professor Nelson vai reunir pra gente, né, uma série de informações muito valiosas que vão nos ajudar a reconhecer, né, os pontos positivos, esforços e os avanços que a gente teve, né, com a implementação do SUS.

Então, pensando aí, né, a atenção básica, eh, também amplamente, né, estabelecida no nosso país, com um potencial de resolução de 80 90% das necessidades eh populacionais, eh nessa aposta, né, de que mais vale a gente prevenir do que curar, mais vale a gente promover saúde, né, e cuidar de pequenos agravos que não, né, que não vão eh se se eh que não vão piorar, né, por conta da falta, né, da continuidade do acompanhamento e que garantem, né, ali a a o cuidado permanente do de doentes crônicos, né, de pessoas com agravos crônicos que podem aí, né, ao longo da vida eh requererem eh acompanhamento, né? >> [roncando] >> Então, a universalidade abrangida para quase metade da população eh antes da estratégia de saúde da família, né, e que eh ganha um reforço, né, inicialmente com os núcleos de apoio da saúde, que foram conhecidos como Nasf e agora são emultes, que são estruturas especializadas compostas por diferentes profissionais de saúde que facilitam, né, eh, o acesso de informação e de qualificação do cuidado para as pessoas lá nas unidades básicas de saúde, né? Então, ao invés de eu ter, por exemplo, um ambulatório de especialidade que não requeira uma tecnologia hospitalar ou uma tecnologia, uma densidade tecnológica, né, que eu tenha que movimentar e deslocar a população para ir até lá acessar esse cuidado, eu desloco a equipe, né? Se a tecnologia ela é leve, ela é da equipe de cuidado, eu desloco as equipes de cuidado para irem até as unidades básicas de saúde e desenvolverem com as equipes de saúde da família práticas que vão ampliar o alcance das ações da Unidade Básica de Saúde e vão ampliar também o conhecimento dos profissionais generalistas para resolver situações semelhantes que venham a acontecer, né?

Então, atenção básica que chega aí é mais de 400.000 agentes comunitários de saúde, 50.000 equipes. Nós estamos falando de uma realidade de 2023 que a gente precisa ver como é que caminhou. Eu não dei conta aí de trazer essa atualização para vocês, então tô me pautando nesses números, tá? Sistematizados pela pelo professor Nelson, né?

e os avanços a favor de direitos à saúde, né, que são muito incorporados, né, eh, no discurso, né, no reconhecimento do povo brasileiro como um direito, né, que vai ser sempre eh ali cobrado, né, essa letrinha muito pequenininha, juro para vocês que eu vou falar o que tá escrito, que então a gente vem, né, com a atenção primária em saúde se consolidando em muitos países, né, e e sociedades desenvolvidas que têm essa essa prerrogativa, né, da da garantia da saúde como um direito a ser garantido, né, pela pelo Estado. a saúde mental, atenção de alta complexidade, pensando lá os transplantes, tratamentos de HIV, câncer, hemoterapia, né? A gente pode falar também de grandes traumas, né, de de grandes acidentes, né? Então, capacidade, né, eh, de resolutividade, né, de de resolução, eh, do nosso sistema de saúde, né, para essas para essas questões, né?

E aí, o que seria de nós na COVID, né, se não tivéssemos o SUS, né, toda aquela articulação eh contra tudo e contra todos, né, que sustentou ali que a gente não tivesse, né, uma, eh, [limpando a garganta] um resultado ainda pior do que a gente eh teve, né, com com eh o número de morte que nós tivemos na COVID, né? Então essa persistência do SUS, né, desse SUS teimoso, né, que vai se colocando, né, e fazendo o enfrentamento aí das condições e de agravamentos, né, no nosso país, né? Então, eh, professor Nelson vai colocar que o neoliberalismo chegou atrasado ao Brasil, mas ele tem um efeito que é bastante devastador no SUS, né? Então, o SUS que tava pronto e poderia levar a saúde brasileira a outro patamar, ele é sempre sabotado desde o seu nascedouro, né, com o atravessamento de interesses econômicos, né, eh, e do grande capital, né?

E aí o professor Nelson vai nos revelar, né, eh, cinco grandes investidas ao sistema público de saúde brasileiro, né, que aí nos fazem eh diminuir muito, né, da nossa da potência e viver, né, aquilo que as primeiras fotos nos apresentavam, né, que é uma precarização do cuidado, né, e e um uso, né, bastante privativo e bastante precário, eh, do nosso sistema, né? Então, o sub financiamento, né, a gente já sabe, né, que desde o início a gente tem um sistema subfinanciado. A gente viveu nos últimos anos, né, um processo de desfinanciamento, então eh já era insuficiente e ele tem uma retração, né, que isso causa, né, uma fragilidade. a gente tem perda de muitos agentes comunitários de saúde, fechamento de serviço, não reposição de recursos humanos, não realização de reforma administrativa, o teto de gastos, né, que vem e que aí acua, né, os gestores em eh complementar as suas equipes, expandir os serviços de acordo com as necessidades aí da população e que fizeram aí prosperar uma saúde de mercado, né, que que eu costumo dizer assim, eh, o setor privado não não tem nenhum interesse que o SUS acabe, né?

Porque é um um potente comprador de serviços do mercado privado. A gente tem uma terceirização imensa, né? Eu vou correr um pouquinho pelo nosso tempo, uma terceirização imensa. Então, muito da política pública nossa de cuidado é feita por força eh terceirizada, sem estabilidade, sem muitas garantias, né, de de direitos trabalhistas, né?

E a gente tem aí uma uma força econômica eh privada, né, fazendo um uso eh extremamente forte do SUS, que seria chamado aí eh a saúde suplementar, né? planos e e serviços de saúde que são hoje centenas, né, que atendem só 25% da população, que vai desde quem paga muito mais barato até planos, né, de elite que custam, né, eh, muito mais, né, do que se estimou, eh, e que, eh, ganham ainda incentivos do governo federal eh [roncando] com injeção de recurso, né, a chamada renúncia fiscal, que vai dando mais eh fôlego, né, para as instituiçõ ções eh privadas, né, e vai nos impedindo, né, de termos recursos suficientes, né, para eh fortalecer, né, o nosso sistema, né? E aí, como é que então o SUS aguentou tanta pancada, né? Então, o professor Nelson vai dizendo, né, que essa incorporação desse valor pela população é algo que não deixa, né, eh, o SUS acabar, né, a mobilização dos seus trabalhadores, né, e com esse entendimento, né, da saúde como um bem público, né, assim como a educação, são conquistas que a população não vai abrir mão, né?

E aí pra gente chegar então onde é que entra, né, ou que não entra eh a questão eh da cannabis, né, com relação a esse sistema, eh a gente pode pensar que entra em vários eh em vários espaços, né, em vários em várias frentes. Se a gente pensar na regulação do acesso, na aprovação de medicamentos e produtos para comercialização no nosso país, no regramento para importação de produtos, na incorporação e disponibilização, né, de medicamentos e produtos pelo SUS e na própria regulamentação do cultivo e da pesquisa eh em cannabis no nosso país, né? Então [roncando] eu tô resgatando aqui uma lei de 2006, que é a nossa lei de drogas vigente, onde ali eh se colocam, né, a proibição eh de drogas, né, e também o plantil, né, e exploração de vegetais que possa, né, das quais podem ser extraídos ou produzidos drogas, né? Então, a gente precisa lembrar que a maconha, né, que eu tô tratando como sinônimo da canabis sativa, porque existe uma única eh espécie, né, dessa dessa planta, eh ela é proibida, né, no nosso país, né, mas que a gente tem aí a possibilidade, né, no regramento nacional de que a União possa autorizar o plantil, a cultura e a colheita para fins medicinais ou científicos.

Isso está garantido já há muito tempo e que é uma atribuição do Ministério da Saúde autorizar esse plantio, a colheita, né, eh, para ser extraído aí produzidos drogas para fins medicinais ou científicos, eh, mediante fiscalização e que o Ministério da Saúde pode delegar, né, essa essa responsabilidade. Então, a gente pode ver que desde 2013 a gente tem algumas regulamentações da nossa agência nacional de vigilância de vigilância sanitária, Anvisam, que vão favorecendo que a gente tenha, embora a proibição, né, da pesquisa, do cultivo, do uso, né, dessa planta, eh, também para fins medicinais, a gente tem regulamentações eh regulações da Anvisa que vão favorecendo a possibilidade do uso dos produtos e medicamentos derivados da planta a partir do reconhecimento eh do seu potencial terapêutico em alguns momentos e também eh do reconhecimento do direito ao uso compassivo, né, de medicamentos quando a gente tem experiências, né, de uso de algumas medicações, eh, que não eh não trazem, né, todo o benefício que eh uma pessoa poderia ter no seu tratamento e que poderia eh ter com uso aí de medicamentos, produtos neoderivados da cannabis. Então, desde 2013 a gente vai tendo aí, né, a possibilidade de uso compassivo. 2015 tem uma reclassificação na da cannabis na lista, reconhecendo, né, ainda mantendo a contradição, né, de ser uma substância de controle, mas reconhecendo o seu potencial terapêutico.

E aí uma série de regramos que vão no sentido de favorecer processos de aquisição por importação, né? eh autorização sanitária, né, para aqueles produtos que não têm todas, não cumprem ainda todos os critérios para serem considerados medicamentos, mas que já tem ali eh um certo reconhecimento do seu potencial terapêutico eh e um compromisso, né, de de regras sanitárias de produção que que eh eh favoreceriam então a venda desses produtos, né, no nosso país. Então, uma série de RDCs, né, que são as resoluções da diretoria colegiada da Anvisa, né, e que foi construindo as suas possibilidades regulatórias a partir desses dessas frentes, né, de importação de produtos derivados por pessoa física, a autorização sanitária desses produtos poderem ser comercializados no Brasil e eh o registro de medicamentos, né, que a gente teve no Brasil, um único medicamento né, chamado Mevil, que cumpriu aí todos os critérios para ser considerado medicamento. A RDC 327, né, que fala da autorização de sanitária para produtos, ela foi revogada, substituída por uma nesse ano que eu vou trazer aqui algumas informações para vocês.

Então, a RDC 660 de 2022 é a que regula ainda, né, importação dos produtos derivados de cannabis por pessoa física. é um processo bastante simples, né, quase automatizado para, né, para muitos produtos, né, e [roncando] que tem ali todo um caminho, né, no site da Anvisa paraa orientação e paraa solicitação, né, da importação desses desses produtos, né, basta ter um um prescrição médica, né, um relatório médico e você pode fazer todo esse processo, né, de autorização para importação no site da Anvisa, né, e a RDC C327, que foi eh agora substituída pela 1015 de 2026, né, que tratava então eh da prescrição, dispensação, embalagem, importação, monitoramento, né, de uma série, de produtos que não são considerados medicamentos, mas que podem ser acessados, né, a partir de uma avaliação aí de de eh de segurança, né, e de qualidade na na sua produção. aqui alguns dados bem rápidos, né, que tratam da do problema da judicialização da cannabis no Brasil, né, a gente tem aí eh o último dado de 2018, né, um um um gasto de R$ 617 eh 1000, né, para tratamentos de poucos pacientes, né, esse valor já subiu e e muito, né, então o custo estimado ali nessa data para tratamento eh de um paciente eh mais ou menos o um custo de 74, né, ou 60.000 R eh por mês por paciente, né, para eh síndromes eh com amplo ampla gama de evidência que garante, né, eh que garantiria, né, um um uso de medicamentos e produtos derivados da cannabis eh para poder atender a essa a essa população e que vai tendo aí um impacto acumulado com o processo de de judicialização pelo impedimento de produção. né, e de cultivo eh no nosso país que eh impactaria, né, nos recursos gastos aí com a judicialização.

Eh, a gente tem no no site do governo federal um recurso chamado FalaBR. é um recurso bastante interessante da política de transparência institucional, que você pode colocar perguntas bastante detalhadas que você não consegue identificar eh eh no no nos sites, né, nas plataformas do governo federal. E aí eu fui perguntando, né, em relação ao quantitativo e o valor total de cumprimento de mandatos judiciais. E a gente chega aí 2023, né, com o valor de 8 milhões, né, gastos, eh, na judicialização desse acesso.

A gente tem o relatório de gestão da Anvisa, a gente tá no relatório de 2025, mais o de 2024, que traz mais informações detalhadas do quanto a gente tem autorizado via Anvisa, né, eh, importação de produtos derivados da cannabis. Então, um acumulado de quase milhão, né, de autorizações a produtos importados que nos eh demonstram, né, eh o favorecimento de pessoas que têm recursos para fazer esse processo de importação, né, prescrições, mais de 2.000 1 profissionais eh prescritores de várias eh eh especialidades médicas, né? Eh, e aí alguns eventos recentes com impactos no acesso que vale a pena também a gente destacar, né? Eu trouxe ali algumas eh propostas, né, aprovadas na 17ª Conferência Nacional de Saúde, que vão dizer, né, da regulamentação da legalização da maconha no Brasil, né, como for como forma de combate ao genocídio, encarceramento da juventude negra, né, o investimento e normatização do cultivo doméstico e do associativismo canábico, né, a regulamentação e a garantia de política de cotas, né, em todas as fases.

espaços da produção do comércio de maconha terapêutica e do Cânhamo, né, industrial, né, e a garantia aí eh da incorporação de medicamentos produzidos à base de maconha medicinal no SUS, né? então o clamor do nosso espaço, né, maior de controle social pela regulamentação e pela incorporação, né, e outros eventos, né, com impacto no acesso, é a publicação em 2024, né, de do reconhecimento, incluindo a flor da cannabis na farmacopeia brasileira, né, o que significa a possibilidade de estabelecer padronizações, indicações terapêuticas com mais qualidade e segurança e duas decisões. uma dos do primeiro da primeira sessão do Supremo Tribunal de Justiça pela necessidade de regulamentação do cultivo no país, né, para fins medicinais, eh, e do Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário, que considera então eh posse e porte, né, de maconha para uso pessoal, eh, num processo de descriminalização, então, eh, intensificando, né, uma pressão eh sobre o governo federal para regulamentação eh do acesso, né? E a gente tem aí, né, eh, a partir, né, de toda essa atenção e essa mobilização popular, uma série de resoluções, né, a gente tem um boom de resoluções aí da Anvisa, né, eh, a mudança da diretoria da Anvisa, que vem sendo muito reconhecida, né, e muito elogiada por abrir mesmo a possibilidade de grupos de trabalho, de se debruçar muito fortemente eh nos trabalhos paraa regulamentação, então, do cultivo, né, de cannabis para fins de pesquisa, do cultivo para fins comerciais, eh, restritos aí a um potencial de THC de 0.3, do três, né, que seria aí essa essa esse canabinoide, né, com efeitos mais euforizantes.

Eh, a o reconhecimento das associações canábicas, né, a partir de de instituição de um ambiente regulatório experimental, eh, e a disposição de autorização sanitária para fabricação e importação, que é a RDC 1015 de 2026, que substituiu aquela RDC eh 327. né, como tinha eh dito para vocês, né? Então, muito rapidamente, né, passando por elas, então sistemas, né, de autorização especial para desenvolvimento do cultivo, eh, sem restrição, né, da da potencialidade da potência do THC para fins de pesquisas científicas, pensando especialmente em instituições de pesquisa, né, instituições de ensino superior ou técnico, institutos de defesa e repressão, né, e fabricantes que tenham aí essa autorização especial e que podem então com uma série de informações regradas, né, coordenadas geográficas, descrição fotográfica, estimativa de quantidade, documentação, organograma de responsabilidade, plano de controle e monitoramento, né, terem ali regulados a questão do do plantio, da cultura, da colheita, manipulação, transferência, doação, importação. Então, todo o processo aí para fins de pesquisa, né, com cumprindo ali todos os requisitos de segurança de áreas de cultivo, controle eletrônico, vídeom monitoramento, né, e aí todo um processo rastreável, né, de aquisição, eh, cultivo, né, e acompanhamento dessa produção sob o risco, né, de ter aí a autorização, eh, sanitária especial retirada, né, então, incluindo guarda, transporte, eh, descarte a regulamentação então da 1013 de 2026, pensando então essa essa variedade, né, da cannabis com baixo teor de THC para fins eh comerciais, também com essa autorização, né, especial de cultivo, né, com essa limitação do THC, então um monitoramento, né, e rastreabilidade, eh, para garantir de importação, aquisição e fornecimento, eh, controlados aí, né, a a [limpando a garganta] composição, eh, dessa dessa dessa quimiovariedade, né?

tem outro nome, gente, eu falei errado. Eh, então, monitoramento, controle, rastreabilidade, toda a documentação, então, prevista nessas normativas, né, para quem quer participar, né, desse novo, eh, mercado, eh, mas com essa restrição, né, do potencial aí da composição do THC de 0.3%. E quando a planta passar, né, desse desse desse limite, eh, há necessidade de uma notificação em 48 horas, né, e de descarte, né, da planta ali com todo o processo controlado, né, o ambiente regulatório experimental para cannabis medicinal, então, eh, que vai acontecer, né, para associações canábicas a partir de edital de chamamento público, que ainda não saiu, então um ambiente regulatório experimental que vai ser acompanhado para gerar evidências, né, da possibilidade de qualidade, de segurança, né, e que não constitui ainda um um regime permanente, né, não tem eh eh autorização para atividade atividade comercial, industrial ou publicitária [roncando] e que não gera também eh um direito adquirido, né? Então, as associações, né, que vão concorrer a esse edital e vão ser contempladas, vão poder cultivar, né, e produzir aí chamados preparos medicinais, né, desenvolvidos e preparados, eh, a com base, né, na na base de cannabis para uso medicinal e que façam aí o fornecimento de uma forma não comercial, né?

Então, vai avaliar os riscos sanitários, produzir evidências, testar os arranjos técnicos, né, e subsidiar uma decisão regulatória que virá eh na sequência, né? Eh, será desenvolvido um protocolo de adequação regulatória experimental para poder eh eh limitar o escopo, monitorar e gerar dados, né? >> [roncando] >> Eh, e também aí finalmente a resolução 1015, que atualiza, né, a autorização sanitária para fabricação e importação, eh, dos produtos, né, também aí eh cercados de uma série de requisitos, né, eh e documentações, eh, que envolvem regulamentação, desde rotulagem, embalagem, folheto informativo, prescrição, dispensação. Então, uma vasta regulação eh para o o a venda, né, importação, distribuição eh no nosso país, né?

O que que a gente ainda não tem, né? A gente não tem eh pela instância de incorporação de tecnologia no SUS, que é a Contec, eh uma uma recomendação de incorporação desses produtos ou medicamentos no SUS. A CITEC é essa instância, ela já fez duas avaliações, uma em 2020, outra em 2021, de solicitações de incorporação e ela fez uma, não recomendou, né, a análise é feita sobre custo benefício, né, o quanto os medicamentos disponíveis, né, dão conta das necessidades. Então, essa é ainda uma realidade, né, a ser eh conquistada.

E mais, né, a uma questão pra gente, algumas questões, né, que não foram reguladas e que é necessário, né, que haja aí uma participação popular, comunitária, né, um envolvimento, eh, nesse processo, que é a regulamentação do cultivo domiciliar, né, que consome ali boa parte dos processos de judicialização, né, e tem sido uma um mecanismo, né, de democratização do acesso em diferentes países, né, o sonho aí da Cannabis na farmácia Viva, né, que eh requeriria ou requer, né, um processo efetivo de discriminalização, de regulação de toda a cadeia produtiva para que a gente possa ter aí a liberdade da planta, né, sendo reconhecida como tal. uma política de produção de conhecimento, né, de estímulo, de incentivo ao desenvolvimento de pesquisa, políticas de promoção de equidade, então pensando participação de pequenos produtores, de comunidades tradicionais, né, de cultivos de pequena escala e medidas de reparação, né, eh que é que se tratam aí, né, do reconhecimento, eh, do impacto, né, eh, desproporcional da política proibicionista para alguns grupos populacionais. e alguns territórios que deveriam então eh ser reparados, né, eh nesse impacto eh no tocante à criminalização, autopoliciamento, violência, mortalidade da juventude periférica. Então a gente ainda espera, né, mais e mais, né, dessa regulamentação, que ela caminhe eh, de modo coerente, né, com a função aí do SUS em produzir justiça social.

Então, falei um pouquinho rápido, mas dei conta aqui de cumprir o horário estabelecido. Fico à disposição com perguntas que possam surgir, que venham pelo chat, a gente pode seguir em diálogo. Então, agradecendo novamente e imensamente a oportunidade de estar com vocês e desejando um excelente curso eh para todas as pessoas. Até logo.

Olá a todos e todas. Sou Manuela Ritaê, médica prestora de canabis. muito feliz e honrada por mais uma vez ser convidada eh para contribuir de alguma forma para um dos cursos mais antigos, mais renomados, né, eh pioneiros em relação ao tema da cannabis no país. Eh, e queria agradecer em nome dessas grandes figuras, mulheres fortes, né, que guardam, que que guardam com muito carinho e resistência, né, esses diversos saberes, essas diversas pessoas articuladas para que esse curso continue formando pessoas, ideias, corações, né, em nome da Eli Rodrigues, da Gabi da Inese e da Crisegato, entre as outras pessoas que auxiliam, né, a tá na gravação, eh, tem muita gente boa envolvida, né, eh, É, é um tema, né, a cannabis e sativa e o e o SUS é um tema que diretamente me toca, que me comoove, que me move.

Eu atuo no atendimento direto de pacientes que necessitam do tratamento com canabis terapêutica em algumas frentes, né? eh no consultório particular, eh trabalho em conjunto com associações do país e algumas das maiores associações do país. É, eu tenho orgulho de fazer que eu faço dizer que eu que eu faço parte lado a lado, ajudo a fortalecer eh a democratização do acesso junto com as dessas associações e trabalhando também especificamente eh agora, né, numa iniciativa pioneira no país de realização de consulta presencial e de telemedicina, especificamente de cannabis terapêutica, por meio da associação ADESAF e o seu convênio pelo SUS. Então são consultas eh promovidas pelo SUS de cannabis terapêutica.

Eh, por isso, né, minha alegria, né, é meu dia a dia. Então, queria compartilhar um pouquinho eh e poder somar no tema. No slide um, né, a gente fala da abertura do SUS e da cannabis sativa. A gente vai falar sobre a cannabis terapêutica a partir de uma perspectiva específica, perspectiva do SUS.

Isso é importante porque quando o tema cannabis aparece, a conversa muitas vezes ela se perde em extremos. De um lado tem uma defesa quase mágica da planta, como se ela resolvesse qualquer condição, eh, servisse para todo mundo. E aí tem aquela frase que a gente tem ouvido bastante de que aspas, a cannabis ela não é uma panaceia, fecha aspas, né? De outro lado também há uma rejeição moral ou ideológica, como como se discutir cannabis fosse automaticamente discutir o uso recreativo, como se o uso recreativo devesse ser eh criminalizado, marginalizado.

Enfim, que nenhum desses extremos contribui efetivamente paraa questão técnica e prática que envolve envolve a questão da saúde pública. A proposta da aula é situar a questão da cannabis terapêutica no SUS hoje e eu declaro não haver qualquer conflito de interesse para essa minha apresentação. Embora haja a necessidade da gente distinguir o uso adulto do do recreativo para que se estabeleçam regras claras em termos de saúde pública, né, para que se façam leis e e se coloquem os stanks sets, vale ressaltar que essencialmente, se a gente for parar para pensar, o uso da planta, ela em sua maior parte ela é sempre terapêutica. Eu explico, o indivíduo que sempre fumou, né, para se acalmar, no final do dia para dormir, não queria ser medicado com psicotrópico convencional, eh via que aquilo abria fome.

Quando ele não tem prescrição médica, ele tá fazendo uso recreativo. E aí, se ele tem uma prescrição médica, ele tá fazendo uso adulto. Então assim, o tratamento com cannabis, ele pressupõe, né, eh, avaliação médica, clínica, terapêutica, tem indicações, né, tem o segmento, a dosagem, monitoramento e análise de risco benefício. Não, a canisela não é uma panaceia.

a partir dessa dessa leitura, né, a gente é interessante eh a gente fazer um paralelo, né, que é esse slide que tá na tela, do SUS e da Cannabis, que são duas histórias de construções de direitos, né? Eh, a gente vai para um breve histórico do SUS, eh, relembrar a origem do SUS e conectar os princípios constitucionais com a discussão do acesso a cannabis. No próximo slide, para entender cannabis no SUS, a gente precisa voltar um pouquinho e lembrar que o SUS ele não nasce pronto. Ele foi resultado de uma construção política, social e sanitária.

Antes da Constituição Federal de 88, o acesso à saúde no Brasil, ele era muito restrito. Grande parte da assistência médica tava vinculado à previdência social, ou seja, quem tinha vínculo formal de trabalho e contribuía paraa previdência tinha a maior possibilidade de acessar esses serviços de saúde. Quem tava fora desse sistema dependia de filantropia, de serviços locais, de caridade ou simplesmente ficava sem assistência médica mesmo. Era um modelo muito fragmentado, excludente e e desigual.

Nas décadas de 70 e 80 tem o movimento da reforma sanitária brasileira que ele passa a defender uma mudança radical. A saúde ela não devia ser tratada como um privilégio, como uma mercadoria ou benefício trabalhista. A saúde ela deveria ser direito de cidadania. Esse movimento ele reuniu diversos profissionais de saúde, sanitaristas, pesquisadores, movimentos sociais e setores da sociedade civil.

A oitava Conferência Nacional de Saúde em 86, ela foi um marco porque ela consolida a participação social e a ideia de saúde como algo mais amplo, como resultado de condições de vida, de trabalho, de renda, moradia, educação, saneamento e participação política. Lá para 88, a Constituição Federal, ela incorpora essa visão no artigo 196. A saúde [roncando] é direito de todos e dever do Estado. Essa frase, ela parece simples, mas ela é uma das bases mais ambiciosas da política pública brasileira.

Em 1990, a gente tem as leis orgânicas da saúde, especialmente a lei 8080, que estruturam efetivamente o SUS como sistema universal. >> [roncando] >> Aqui a gente precisa destacar três princípios: a universalidade, a a integralidade e a equidade. A universalidade a gente eh a gente fala em relação, né, verge sobre todos têm acesso ao todos têm direito ao acesso, né? A integralidade ela significa que o cuidado ela deve considerar pessoa na sua complexidade, não apenas na doença isolada.

E a equidade significa reconhecer desigualdades e ofertar mais a quem mais precisa. E é exatamente nesse ponto que a cannabis terapêutica ela entra na discussão. Se um instrumento terapêutico, quando como a cannabis, por exemplo, existe, mas apenas as pessoas com renda mais elevada conseguem acessar, a gente tem um problema de equidade, né? Já sai daí.

E o SUSA ele precisa equilibrar direito individual, evidência científica, custoefetividade, impacto orçamentário e prioridades coletivas para poder eh delimitar as suas as suas diretrizes, as suas políticas, né? A cannabis terapêutica, eh, a gente precisa pensar ela como outra história de disputa por conhecimento e acesso, né? Assim como foi o histórico do SUS, a gente precisa pensar cannabis nessa lógica, nesse cenário também. E aí a gente tem um breve histórico da cannabis medicinal no slide três.

Eh, a cannabis ela não surge também do nada, assim como SUS, né? O uso terapêutico da cannabis, ele é documentado em diferentes culturas. No século XIX tem preparação de cánis, a gente sabe, né, de da preparação de canabis chega a integrar as farmacopeias, utilizado em contexto médico para sintoma como dores, espasmos, distúrbo de sono e convulsão. Aí depois, no século XX, especialmente entre as décadas de 30, de 70, tem um processo internacional de proibição, estigmatização, né?

Aí aí aí para, né? Aí quebra esse movimento. Ele interrompe pesquisas e reduz presença da cannabis no campo médico formal. A retomada científica, ela ganha força lá para pros anos 90, com a redescoberta da descrição do sistema endocanabinoide.

Esse é um ponto fundamental, porque a cannabis ela não é estudada porque ela é uma planta usada historicamente. Ela passa a ser investigada mesmo a partir daí, porque o organismo humano ele possui receptores e mediadores endógenos, né, envolvidos em funções fisiológicas vitais e importantes. Os receptores CB1 mais abundantes no sistema nervoso central e o CB2 que são mais relacionados ao sistema imune, aos tecidos periféricos, eles participam de processos de modulação de dor, de inflamação, de apetite, de sono, de humor, memória, espasticidade e excitabilidade neuronal. Em termos simples, o sistema endocanabinoide, ele participa da homeostase, que é a capacidade do nosso organismo de regular, de manter um equilíbrio do nosso do funcionamento do corpo.

Isso ajuda a explicar porque que os compostos da planta podem ter efeitos em áreas clínicas tão diversas. A partir de 2010 cresce as evidências clínicas, especialmente para as epilepsias fármacorresistentes, espacidade associada à esclerose múltipla, dor clônica neuropática e nause em vômito associado à climioterapia. No Brasil, a partir de 2015, o acesso começa a se ampliar por vias regulatórias, né? 2015, é, ontem, eh, a gente começa a ampliar as vias regulatórias, importação, judicialização e a atuação das associações de pacientes.

Aí, nesse quadrinho, na tela questão, a gente tem um paralelo da história do SUS com a da Cannabis, que são duas histórias que saem da resistência inicial e caminham para um reconhecimento institucional efetivamente. De um lado do SUS, ele percorre um caminho que vai de um sistema excludente para um modelo constitucional de direito universal. E de outro a cannabis, ela percorre um caminho que vai da estigmatização e da resistência regulatória pro reconhecimento gradual da sua possibilidade terapêutica. A tabela do slide, ela ela mostra essa comparação, né?

O SUS, ele ele passa a ser entendido como direito. Na cannabis, o tratamento passa a ser entendido como uma possibilidade terapêutica de direito. O SUS enfrentou resistência inicial à cannabis também. O SUS ele precisou eh construir regulação gradual.

A cannabis também segue o mesmo caminho. A cada dia a gente tem regulado. Eh, o SUS se fortaleceu com base científica, planejamento e participação social, tal qual tem acontecido, né? né?

A cannabis ela precisa desse tripé para avançar e assim tem avançado. E finalmente o SUS ele busca a equidade. A cannabis terapêutica, se ela quiser dialogar com o SUS, ela também precisa enfrentar a pergunta da equidade. [roncando] Essa comparação ela é útil porque ela evita uma visão ingênua.

Nenhum direito ele se implementa porque uma lei foi publicada, porque num determinado dia um governante chegou e e falou: "Poxa, isso daqui pode ser bom pra população, eu tô de bom humor". Não, os direitos eles dependem de instituições, de financiamentos, protocolos, de pessoas capacitadas, monitoramento e de disputa política ideológica. É aqui que a aula começa a entrar no cenário brasileiro, especificamente. Os direitos eles não são slogans, eles são sistemas de implementação.

E a cannabis, ela só vira política pública quando ela sai da exceção individual, quando ela sai do caso da Mariazinha, do José, do João, e ela entra em critérios coletivos. transparentes e avaliáveis. No slide cinco, a gente tem o cenário da cannabis terapêutica no país, eh, que vai apresentar um pouquinho a mudança de percepção social e papel ao longo da mídia, das das famílias, dos pacientes ao longo da história, de forma geral. Eh, o cenário ele é fortemente marcado pela mobilização de pacientes e familiares.

Isso é bastante importante. Diferentemente de várias tecnologias eh que chegam primeiro pela indústria, de vários medicamentos, de vários insumos que chegam primeiro pela indústria, pela universidade ou por grandes ensaios multicêntricos de cima para baixo. A cannabis, ela no Brasil, ela entra na agenda pública principalmente pelas urgências das famílias, sobretudo por causa de mães, mulheres lutando pela vida dos seus das suas crianças. Os primeiros casos de grande repercussão, eles envolveram crianças com epilepsias graves e de difícil controle.

As famílias buscavam cannabis deol, cnabis como alternativa de eh diante de quadros muito refratários, crises frequentes, múltiplos anticonvulsivantes e grande impacto na qualidade, no sofrimento da vida dessas pessoas. Essa mobilização, ela produziu algo que a burocracia sanitária muitas vezes demora a reconhecer, o sofrimento real, a demanda concreta e a pressão social. Esse processo também modificou a imagem pública da cannabis. O debate deixou de ser apenas criminal, moral ou policial, passou a incluir crianças, mães com seus rostos, com seus com suas com seus desafios, as suas tristezas, as suas angústias, com laudos médicos, com crises convulsivas, com questões de importação, decisões judiciais e evidência clínica.

Isso não, isso não significa que todo uso seja automaticamente eh justificável. Significa que a sociedade foi obrigada a encarar cannabis também como tema de saúde. O slide ele traz um infográfico histórico. A ideia que não é ler cadenimento do infográfico, mas a mensagem principal é: a canabis, ela tem uma longa trajetória de uso, de proibição, de redescoberta científica e disputa regulatória.

O Brasil ele entra nesse movimento de forma muito tardia, né, ao longo, se a gente for pensar no no na linha da história do tempo, mas muito intensa também, com protagonismo de família, associação, judici judicialização, com fortes e potentes atores. O estigma ele é uma barreira sanitária. Quando ele impede pesquisa, formação profissional e acesso regulado, ele deixa de ser uma opinião e vira problema de saúde pública, né? na linha do tempo da cannabis eh medicinal no Brasil, ainda eh a gente organiza os principais marcos brasileiros preparando o terreno, né, pra gente falar da RDC, PL e leis estaduais.

A linha do tempo brasileiro, ela mostra como o tempo evolui rapidamente eh mais de uma década, né, como como esse tema evolui mais de uma década muito rápido. Em 2014, a gente tem os primeiros casos de grande repercussão nacional. Esses casos colocaram a cannabis no centro do debate público, especialmente para as epilepsias eh refratárias. Em 2015, a Iisa facilita a importação excepcional de produtos à base de cannabis mediante prescrição e autorização.

Esse foi um passo muito decisivo, assim, porque reconheceu na prática que os pacientes podiam acessar produtos antes que que, né, disponíveis no mercado nacional. No entanto, esse modelo ele tinha limites muito claros, né? Custo eh, muito elevado, dependência de fornecedores estrangeiros, externos, uma demora na logística, né? às vezes paciente demorando 20, 30, às vezes mais de mês para para conseguir eh ter acesso ao seu remédio para para esse remédio chegar ao Brasil e uma grande desigualdade do acesso.

2017 ocorre o registro do primeiro medicamento à base de canabis no país. 2019 surge a RDC 327. Então a gente vai destrinchar um pouquinho mais para frente. Ele cria uma categoria regulatória específica pros produtos eh de cannabis e permite a comercialização em farmácias eh com controle sanitário, coisa que não havia antes.

Entre 2020 e 2026, a gente observa a expansão de de das prescrições, eh, uma expansão larga de de número de prescrições, crescimento do número de produtos, fortalecimento das associações, aumento da judicialização do remédio, né, contra o estado e surgimento de políticas públicas estaduais. Então, aí ele deixa de ser sessão e ele passa a integrar a agenda de saúde pública, o que é algo muito positivo. Em 2026 permanecem debate sobre eh em 2026, né, agora ainda permanecem debate sobre a atualização regulatória, a produção nacional, o cultivo, preço, a incorporação ao SUS e os protocolos clínicos. nós, eu aqui vocês aí, cada um com a sua função, com a sua ação, com sua, com a sua existência no mundo, somos responsáveis também por ditar e fortalecer quais são os rumos eh que esse tema vai tomar, né, no nosso país, inclusive pensando que tem eleições futuramente esse ano ainda.

Esse percurso mostra que o país avançou, mas ele avança de forma muito fragmentada. É exatamente por isso que a gente precisa discutir o papel das diferentes esferas, da Anvisa, do Congresso Nacional, dos Estados, Municípios, Judiciário, associações e do SUS, de todos esses agentes nos quais nós nos incluímos. Ampliação de acesso, ela não significa um acesso universal. Então, eu vou ampliar o acesso agora, vou estabelecer leis e regras.

Não quer dizer que a população tá usando, que a população eh tá fazendo de forma geral tratamento com cannabis. Significa que, na verdade, mais portas foram abertas, mas elas continuam muito caras ou burocráticas para que você adentre esse esses espaços, né? E a cronologia brasileira, ela foi puxada por casos concretos, né, de de de pessoas que lutaram para depois eh ser institucionalizada parcialmente. Eh, aí no próximo slide tem um um uma reflexão de que a discussão regulatória ela não se limita a Anvisa, porque muito quando a gente fala de canabis a gente fala da Anvisa, né?

E ela tem um papel muito importante mesmo. Mas eh quando a gente fala de cannabis, a Anvis ela é central, mas ela não resolve sozinho o problema do acesso, por exemplo, né? Pensando em termos de SUS, a regulação sanitária, ela define o que que o que que avaisa faz? Ela vai definir padrão de qualidade, autorização desses remédios, prescrição sobre a dispensação, o monitoramento e a fiscalização.

Mas o acesso no SUS ele envolve muitas outras questões. O poder legislativo ele discute margos legais, como o PL399 de 2015 e as leis estaduais. O Ministério, por exemplo, e a CONITEC, eles lidam com incorporação tecnológica, protocolos clínicos e avaliação de custo efetividade, né? pensando em cofres públicos, pensando nos cofres públicos, pensando em termos de saúde pública, como como que se faz essas políticas.

Estados e municípios, eles podem criar as próprias políticas, como já tem sido feito. E o judiciário aparece quando há uma negativa de fornecimento ou ausência de acesso. Esses atores todos dançando, né, nessa sinergia, nessa sintonia e às vezes encontra pontos, é o que tá fazendo o cenário ir para lá, para cá. As associações ela ocupam lacunas deixadas pelo mercado e pelo estado.

E os profissionais de saúde eles precisam estar capacitados para prescrever, monitorar e orientar. Portanto, a cannabis no SUS ela é um tema intersetorial, não cabe não cabe em uma única caixinha. Infelizmente a realidade ela não respeita esses organogramas administrativos, burocraticos, sequenciais, né? Eh, mas é é importante demais falar desses agentes envolvidos, dos marcos legais que têm impacto efetivamente no funcionamento ali na ponta, né, no paciente pegando o seu remédio para poder fazer o tratamento.

Eh, ainda mais em tempos de eleições. E aqui eu reforço porque para que a gente não fique como espectadores, né, eh esperando as leis caírem de cima, né, para que a gente eh ou com associativismo ou com os nossos votos, a gente possa também fortalecer as pautas que nos são importantes, que nos tocam diretamente, tocam a nossa comunidade, a nossas, né, as nossas, enfim, eh, o nosso ecossistema de forma geral, né? A gente tem o PL399 de 2015, que é relatoria do deputado federal Paulo Teixeira do PT São Paulo, um dos grandes eh defensores da pauta, né, uma das das eh dos agentes vanguardas nesse tema, né, de de meter a cara, de, né, de de comprar uma briga que antes não antes muitas pessoas lá dentro do Congresso viam com maus olhos, né, com olhar de criminalização muito grande, com uma leitura muito estrita. Eh, vamos separar as discussões aqui.

Primeiro destacar, né, esse PL399 de âmbito federal, que ele demarca ele debate um marco regulatório mais amplo para cannabis no no Brasil, pensando em termos de território de Brasil. Segundo aí, depois tem essa segunda, né, essa essa lei estadual paulista de 17618 lá de 2023 do deputado Caio França com outros parlamentares. Ela institui uma política estadual de fornecimento gratuito de medicamentos formulados com derivados à base de de canab eh de canabinoides, né, no âmbito de unidades de saúde pública, estadual e privadas conveniadas com o estado. Então, uma lei abrange eh a regulamentação e deitar diretrizes e a outra efetivamente propõe algo concreto pro estado, né, de vamos entregar então o óleo eh o remédio à base de canabis.

Esses dois instrumentos eles têm naturezas diferentes, né? Então o PL399 ele discute um margo, um marco regulatório mais amplo, envolvendo cultivo, pesquisa, produção e acesso da planta, né? falando desses diversos atores satélites em relação ao tema principal. E a lei paulista, ela trata de uma política estadual de fornecimento, de fato, em caráter de excepcionalidade dentro do sistema público estadual.

Essa é a diferença, né? Uma coisa você é você regular a cadeia produtiva nacional e a outra é você criar uma política pública de fornecimento pros pacientes. Eh, ambas elas dialogam, mas elas não são a mesma coisa. Especificamente no próximo slide sobre o PL399 de 2015, o debate sobre o marco regulatório da Cannabis, ele propõe alterações na lei de drogas para ampliar e regulamentar o acesso a produtos à base de cannabis para fins terapêuticos, científicos e industriais.

Esse ponto ele precisa ser dito com muita clareza. O PL399 eh não é uma proposta de legalização do uso recreativo, né? Isso aparece muito como uma confusão em alguns debates públicos. O centro do projeto é permitir um marco regulatório mais amplo para produção, pesquisa, desenvolvimento e acesso.

Na prática, isso poderia permitir uma produção nacional mais estruturada, reduzir dependência de importação, né? Já que a gente tem um território com terras tão ricas para produzir, pessoas que têm conhecimentos tão profundos sobre a planta, né? Eh, para estimular a pesquisa científica, melhorar a previsibilidade regulatória e reduzir custo pros pacientes. Por que que isso importa pro SUS?

Por que que o SUS não consegue eh, né, por que que isso é importante pro SUS uma proposta como essa? Porque o SUS ele não consegue depender eh de produtos caros, importados e poucoessíveis, né, judicializados eh periodicamente. Um sistema público universal, ele precisa pensar em escala, preço, segurança, em várias em várias, eh, né, inclusive em sustentabilidade do próprio sistema. A produção nacional e a regulação clara, elas podem ser estratégicas, estratégias para reduzir essas barreiras econômicas, né?

Mas o PL também ele gera suas controvérsias a receio de desvio de finalidade, debates ideológicos, disputas econômicas e preocupações sobre o controle estatal, entre outros, né, do beneficiamento, enfim, que se passar deturpado, por exemplo, pode gerar um eh muitos benefícios paraa indústria e a fragilização das associações, dependendo de como de como se passar, né? Esses pontos eles não devem ser ignorados. A resposta, porém, não deve ser paralisar o debate. Então, ah, não, não, não é bom suficiente, então não.

Só contra o P. Na verdade, a resposta deve ser a gente construir uma regulação robusta, fiscalizar, né, implementar os critérios técnicos e a transparência. E o não a gente já tem, que é o nada, que é o vácuo, né? Então é pegar algo consistente para avançar, né?

para pra gente ir avançando, somando e melhorando assim, eh, a situação legislativa, né, o PL avançou, mas ele não foi aprovado. Então, a gente vive essa incerteza regulatória. Ele foi aprovado em comissão especial, mas não foi aprovado pelo Congresso Nacional, né? Eh, isso significa que continua havendo a debate político ainda e regulatório e a ausência de um marco legal mais completo que mantém parte do tema em zona de de insegurança, né?

Essa insegurança, ela tem efeitos concretos e aí a gente sente na pele. As empresas, por exemplo, têm dificuldade de planejar investimentos, os pesquisadores enfrentam barreiras adicionais eh muito desgastantes, né? Eh, e a gente precisa de estudo científico para poder colocar no SUS, para poder, enfim, isso vai se retroalimentando de forma negativa, né? essas barreiras adicionais às pesquisas científicas fazem com que a gente não tenha novos estudos e aí as evidências continuam baixas para algumas questões, eh, né, continuam inconsistentes.

As associações elas dependem de decisões judiciais e autorizações específicas e os pacientes ficam presentes produtos caros, importação entre associações, né, e judicialização. O estado, por sua vez, ele tem dificuldade de organizar políticas públicas na ausência de um marco regulatório e de organizar políticas públicas nacionais mais integradas, né? Paraa saúde pública, esse esse cenário é extremamente problemático, porque a demanda existe independentemente da conclusão legislativa. Então, se a gente tem um um marco regulatório, não, a gente já tem muitas demandas no campus da cannabis, né?

pacientes, eles continuam chegando nos consultórios, as famílias continuam procurando tratamento, os médicos continuam sendo questionados e os juízes decidindo casos e casos de judicializações para quais pacientes devem ou não, o estado consegue ou não fornecer e bancar esse remédio. O vácuo regulatório ele não elimina a realidade, ele apenas a torna mais desigual e fragmentada. Por isso discutir o PL399, a gente não tá discutindo uma lei, a gente tá discutindo se o Brasil quer organizar a cadeia da cannabis medicinal com previsibilidade ou se vai continuar dependendo de soluções parciais, caras, judicializadas e quebradas, né? A ausência de marco completo, ele favorece a desigualdade, porque quem tem recurso vai sempre navegar melhor por importação, advogados e especialistas, né?

sobre a RDC eh 327 de 2019, na próxima no próximo slide, porque também ela é importante? Ela é um marco central na regulamentação brasileira, ela é um dos nossos marcos que a gente precisa tentar entender, né, para onde a gente vai, do que tá do que se está estabelecendo de políticas, de regras, de marcos. Ela estabelece a CR RDC procedimento para autorização sanitária, para fabricação, importação, comercialização, prescrição. Então ela organiza essa série de coisas, né?

E a fiscalização de produtos de canabis para fins terapêuticos. A grande inovação que teve na RDC foi criar a categoria de produtos de canabis que antes não não havia, eles não existiam, né? Isso é importante porque esses produtos eles não seguiram inicialmente o caminho tradicional completo de de registro de medicamento. A RDC ela cria um modelo específico com autorização sanitária, exigência de qualidade, regra de dispensação e monitoramento.

Linguagem simples, né? Em suma, o paciente ele dependia majoritariamente de importação individual. Então eu quero tratar, eu vou lá, eu importo, eu bato a cabeça com, né, para fazer aquilo individualmente. Depois da RDC, tornou-se possível encontrar mais produtos.

Então tem produtos nas farmácias, tem de importação. Mediante sua prescrição médica, você vai lá e você pode pedir seu produto, inclusive nacional, né? Isso trouxe maior previsibilidade paraas empresas, pros profissionais, pros pacientes, paraas associações. Mas é essencial entender que a RDC ela regula produtos, ela não define política pública de acesso universal, né?

A Anvisa, ela pode autorizar a comercialização, mas isso não significa que o SUS irá fornecer automaticamente. Então, a RDC ela é uma norma sanitária e não uma política de incorporação do SUS. Eh, por que a RDC 327 foi importante? No próximo slide, a maior parte dos pacientes dependia de importação individual.

Então, isso significa preencher solicitações extensas, depender de fornecedores estrangeiros, lidar com os prazos, né, que são longos por vezes, custos, variações cambiais, etc. Paraa família, com criança, com paciente grave, com uma dor insuportável, isso isso é angustiante, né? A burocracia ela não tem convulsão, ela não tem, ela não, ela não sangra, mas o paciente sim. Essa diferença, ela costuma ser esquecida por por sistemas lentos e ineficientes.

Com RDC, os produtos de canabis, eles passam a ser comercializados em farmácias com autorização da Anvisa. Isso permite, né, maior manejo, rastreabilidade do produto, maior controle de de qualidade, uma padronização mínima para esses produtos. pro médico, a RDC, ela traz mais segurança regulatória. Efetivamente, a percussão, ela passa a ocorrer dentro de um mercado eh sanitariamente autorizado, com regra clara de concentração, via de administração, responsabil responsabilidade técnica, etc.

E pro paciente tem uma ampliação de oferta dos produtos. No entanto, a ampliação de oferta não equivale à democratização. Eh, o preço continua sendo uma barreira enorme paraa maior parte dos pacientes hoje em dia. E, portanto, a RDC, ela foi um avanço regulatório, mas não resolve a principal questão do SUS, como a gente garante o acesso equitativo, né?

Eh, o produto se existir em farmácia não significa que o paciente consiga pagar, que ele consiga se tratar, que ele consiga aliviar seu sofrimento. O que a RDC não fez, né, no próximo slide, eh, ela não legaliza o cultivo comercial da cannabis. Ela permite a autorização de produtos, mas a cadeia produtiva, ela segue limitada. A produção nacional plena com cultivo regulado continua dependendo de outros marcos, né, eh, legais regulatórios.

A RDC ela não incorpora automaticamente os produtos ao SUS. Também a incorporação do SUS depende de processos próprios, né, com avaliação de evidência, segurança, entre outras questões, impacto orçamentário, pensando em termos de saúde pública. Eh, hum, mas é isso, né? A a questão, a ANVIS, ela avalia aspectos sanitários.

A incorporação no SUS, ela exige outras camadas de decisão e também a RDC, ela elimina barreiras econômicas. paciente pode ter prescrição, pode haver produto autorizado, pode haver farmácia vendendo e ainda assim o tratamento ser absolutamente inacessível pelo preço. Esse é o drama central da da cannabis terapêutica no SUS e no país. Hoje, no meu ponto de vista, a regulação ela abre portas, mas essas portas cobram pedágio para liberar a passagem.

Esses pedágios não são acessíveis a todos. Portanto, quando a gente fala de canabis no SUS, a gente precisa olhar para além da autorização sanitária. A gente precisa discutir financiamento, produção nacional, protocolos, compra pública, judicialização e a equidade. A regulação sanitária, ela não é necessariamente, então, sinônimo de acesso público, mas ela é importante.

Eh, da relevância da RDC pro SUS, né? No slide 14, a gente precisa conectar marcos regulatórios ao desafio do acesso público e equitativo. A RDC, ela resolve parcialmente regulatório. Ela traz uma via formal pros produtos autorizados e comercializados, mas ela deixa em aberta essa questão que a gente comentou.

Como que a gente garante um acesso equitativo a um tratamento que continua inacessível paraa maior parte da população? Essa pergunta ela é ponte entre a regulação e o SUS. O SUS, ele não pode se orientar apenas pelo fato de uma tecnologia, de um recurso existir. Ele precisa avaliar para quem ela indicada, qual benefício oferece, quais riscos apresenta, quanto custa, quais as as alternativas que já existem, eh, e qual impacto isso vai ter efetivamente no orçamento público.

Eh, ao mesmo tempo, o SUS ele não pode ignorar demandas reais de pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais. O desafio é encontrar equilíbrio entre acesso e responsabilidade. Sem critério, o sistema ele vira refém de pressões individuais e do mercado. Com excesso de barreiras, os pacientes graves ficam sem alternativa.

Portanto, a relevância da RDC pro SUS, ela tá em criar uma base regulatória, mas não encerrar o debate. A partir dela, a questão deixa de ser apenas a gente pode vender e passa a ser para quem deve quem deve receber, com qual indicação, com qual produto, etc, etc, etc. Eh, o SUS ele precisa transformar então esse acesso individual fragmentado em política pública nacional a partir desses marcos. Eh, dessa RDC também os principais pontos, né, n, [roncando] eh, esse slide ele resume o fluxo regulatório de forma simples.

A RDC autoriza produto de cannabis, exige prescrição médica, estabelece controle sanitário e permite comercialização em farmácia. Eh, a gente pode imaginar um caminho. A empresa solicita autorização sanitária, Anvis estabelece requisitos e controles. O produto chega ao mercado regulado, o médico avalia e e e prescreve pro paciente quando há indicação.

A farmácia vai lá e dispensa e o paciente usa com acompanhamento, né? Esse seria o fluxo. Esse fluxo ele é muito melhor do que um cenário totalmente informal, né? Ele reduz risco de produto sem composição conhecida, melhora a rastreabilidade do produto e permite monitoramento dos efeitos adversos também do do uso da cannabis.

Isso é especialmente importante porque produto de cannabis pode variar nas suas concentrações, nas suas composições. Eh, é importante, né, para questões de cuidado, de acompanhamento, enfim, a dose ela ela importa muito tratamento com cannabis. Também é importante a gente reforçar que a RDC ela prevê critérios sobre via de administração, qualidade farmacêutica, proibição de publicidade e responsabilidade técnica. Esses pontos eles ajudam a separar eh o uso terapêutico medicinal regulado de comércio desordenado, né?

Produto regulado, então ele não é garantia absoluta de eficácia, mas ele aumenta a segurança sanitária. E a cannabis, ela não é um suplemento basal eh para automedicação, que não tem regra, né? projeções e na no próximo slide a gente tem projeções e alterações regulatórias em torno da RDC 327. Esse slide ele mostra que a regulação brasileira ela permanece em construção.

A RDC ela nasce como resposta a uma demanda urgente, mas o campo ele tá evoluindo, evolui diariamente, rapidamente. A cada ano surgem novos produtos, novas demandas clínicas, mais prescrições, mais judicializações, mais associações e pressão por produção nacional. Existem diversos tipos de produtos. Existe produtos eh de uso bioral, como os óleos, tem game, tem creme, tem pomada, tem supositório intravaginal, tem diversas, né?

Tem um spray nasal para crianças, por exemplo, pacientes que convulsionam. Eh, é esperado que as normas sanitárias sejam revistas. uma regulação inicial, muitas vezes ela precisa ser aperfeiçoada à medida que se acumulam dados, né, de uso real, segurança, enfim, a medida que as coisas vão acontecendo. No caso da cannabis, é ainda mais evidente que o, né, porque o Brasil ele criou uma categoria regulatória específica agora intermediária e o mercado mudou muito desde 2019 paraa frente, como a gente viu lá atrás.

Aqui vale dizer eh, que o profissional da saúde, nós, a gente precisa acompanhar as atualizações. A pressão de cannabis, ela não depende apenas do conhecimento clínico, ela depende de conhecer regra de receita, tipo de produto, como é que eu vou prescrever um produto de uma associação que às vezes vai muito bem para uma dor crônica por causa de um índice às vezes mais elevado de THC, dependendo da associação, dependendo do cultivo do produto, se eu só recebo um lobby da indústria farmacêutica o tempo todo, né? Então, depende também da gente conhecer eh os acessos pelas associações, quais são os tipos de óleo, quais as diferenças, né? Eh, os tipos, né, tipo de produto, como que eu faço, importo, eu vou na farmácia e e os protocolos públicos também.

Na minha prática clínica não é incomum ouça, ai doutora, né, eu tenho neuro de referência, eu tenho psiquiatra de referência, eu tenho meu geriado de referência, mas eu vim aqui porque ele não é a favor, né? Ele falou que não tem evidência científica ainda, né, importante, que não tem muitos estudos, né, de forma geral. Eh, teve uma mãe de uma paciente, paciente meu com autismo, que era uma paciente social, tinha uma condição financeira muito, muito escassa. E aí eu, ela falou: "Doutor, eu devo falar pro pro neurologista do SUS se ela tá tomando cannabis?" Eu falei: "Sim, com certeza.

É muito importante que ele saiba. E diga que ela tá dormindo agora melhor, que ela tá diga por que ela tá mais calma, né? É, é muito importante." E aí na consulta seguinte eu falei: "E aí você falou para ele?" E ela me disse: "Doutor, eu falei". E ele falou assim: "Que se eu quiser tratar meu filho com esse tipo de remédio, é mais fácil eu levar ele na biqueira", né?

Então assim, eh, isso foi um dos casos que me marcou, mas diariamente eu ouço absurdos de profissionais da saúde de forma geral, né? De paciente trás, de uma desinformação importante. Então, eh, os profissionais precisam ir atrás e o estado, quando a gente diz respeito ao SUS, precisa instrumentalizar seus profissionais também, né? para atender e divulgar esse tipo de tratamento sobre próximo, no próximo slide, as condições clínicas com mais suporte científico, né?

Isso é importante pra gente pensar em termos de SUS. Por que que eh várias leis ou vários estados, por exemplo, destinam a canabis somente para tais tais tais tais condições? Então, esse slide é eh ele é importante quando a gente fala eh que a gente não pode colocar todas as indicações no mesmo nível e não pode mesmo. Existe uma diferença entre as indicações com ensai clínico robusto, eh, com entre indicações com evidência moderada, né, indicações pronissoras e indicações que ainda são especulativas.

Isso em termos de política pública faz total diferença. As evidências mais consistentes envolvem as epilepsias sefratárias, fármacas resistentes, especialmente em síndrome comadravel no gastou e complexo de esclerose e tuberose, particular com canabidol eh purificado. E aí eu não sei se é porque o canabidol purificado é exatamente o mais eh efetivo ou porque se quem ajudou e e resolveu apoiar e financiar o estudo eh tem interesse em que se isole o canabidol, né? Eh, enfim, estudos randomizados, publicados demonstram a redução de crises em populações pediátricas com epilepsia grave, mas não é por isso, né?

não é coincidência que várias políticas públicas e protocolos, por exemplo, comecem pelas epilepsias fármacorresistentes. Outro campo com evidência relevante é eh espasticidade associada à esclerose múltipla, especialmente quando a gente fala em formulações contendo THC e CBD. Há evidência também paraa dor neuropática crônica, embora os efeitos tendam a ser modestos e precisam ser avaliados frente a eventos adversos também funcionalidade e alternativas disponíveis. Nusas de vômitos induzidos por quimioterapia também aparece historicamente como indicação suporte para alguns canabinoides, sobretudo em contextos refratários, em que os remédios convencionais não dão conta, o que para mim também eh é uma questão, né?

A gente tenta diversos remédios com diversos efeitos colaterais e só então pode entrar cannabis. a cannabis que muitas vezes tem efeitos colaterais tão respeitosos, né, numa dosagem que que ajuste, né, aquele paciente específico. Infelizmente às vezes ela é a última a entrar para dar esse suporte, esse conforto pro pro paciente. Eh, já condições como transtorno do espectro autista, ansiedade, insônia, fibromialgia, demência e outras, elas têm evidências ainda em desenvolvimento, né?

A gente precisa de muito mais estudos. Eh, os estudos são muito heterogêneos e necessitam de maior robustez, apesar de que na prática clínica a gente vê eh resultados muitas vezes eh quase que milagrosos, assustadores assim, né? Isso não significa a gente negar a experiência clínica individual, significa apenas que a política pública ela exige mais do que o relato de melhora. Então, ah, não, melhorou não, não.

A gente precisa fazer ciência, a gente precisa de estudo, a gente precisa saber quais são os pacientes que vão melhorar, com qual dosagem, com qual tipo de remédio. Então, SUSA, ele precisa de critério reprodutível, eh, população alvo definida, despecho mensurável, segurança e análise econômica. Eh, não é tudo para todos, mas também não é nem nada para ninguém, né? Os protocolos públicos eles tendem a começar então por condições de maior evidência e maior gravidade, diferentemente eh enfim, é isso, né?

Em relação ao CBD, preminância, predominância com CBD, com THC, etc. Então, a gente precisa entender eh de quais componentes a gente tá falando, dosagem, etc., perfil de indicação, risco e e o controle, né? Eh, no slide 18 tem as formas de acesso ao tratamento com cannabis terapêutica no país. A partir daqui, a gente entra num ponto importante que é a questão do acesso na cannabis terapêutica, eh, apenas perguntar se é evidência é insuficiente.

A gente precisa perguntar como o paciente chega ao tratamento. Paciente, ele não vai chegar no seu consultório, perguntou: "Doutora, mas tem evidência robusta para isso?" Muitas vezes ele nem vai chegar no consultório porque ele não sabe nem por onde começar, como alguns pacientes disseram, mas eu não sabia nem quem procurar para para começar a me tratar com carabis, eu não sabia nem onde ir. Então hoje no país existem quatro grandes caminhos para você conseguir seu remédio. Tem os produtos de farmácia, né?

Eh, tem uma importação autorizada pela Anvisa, são os produtos importados, tem as associações de pacientes e a judicialização. Em alguns estados ainda há políticas públicas específicas de fornecimento dentro do SUS estadual, mas essas políticas variam muito em escopo, em critérios de implementação. Esse mosaico de acesso, ele revela um sistema em transição, né? Esse mosaico de acessos tem avanços, mas os avanços são desiguais.

o paciente com mais renda, ele consegue eh uma consulta particular, né, que às vezes custa até R$ 2.000, eh ele consegue mais fácil acesso ao produto de farmácia, a importação e há também o advogado, se ele quiser judicializar o paciente, ele mais vulnerável, ele depende muito mais da associação, do SUS local, de decisões judiciais às vezes, né, com ajuda do Ministério Público ou de projetos públicos ainda muito incipientes. Essa diferença é o que a gente chama de problema de equidade, né? Esse é o essencialmente é o problema de equidade. Eh, tem um infográfico no slide 19, que são as formas de acesso no Brasil.

Ele organiza as principais portas de acesso, né? Eh, que é o que a gente já tinha comentado. Eh, tem a via da da a farmácia, tem a importação, [roncando] hum, tem as aí depois embaixo tem as associações de pacientes, né? E aí aqui fazer um adendo que eh as associações de pacientes elas tiveram um papel histórico no país, principalmente pros pacientes que não conseguiam, não conseguem acessar produtos industriais, né?

Eh, muitas associações oferecem acolhimento, orientação, suporte e e produtos mediante critérios próprios. Em alguns casos, as decisões judiciais também, né, que autorizam o cultivo e a produção dessas associações, ela ocupa o espaço que o estado e o mercado eles não preencheram adequadamente. E muitas vezes quando a associação é séria e ela tem, né, eh, uma certa organização, eh, a gente vê na prática clínica produtos superiores, né, e com preço muito mais acessível e produtos superiores a determinadas patologias, com respostas superiores ao paciente que antes tomava, né, às vezes aparece um paciente invariavelmente, aparece no consultório, pacientes que tomava o óleo importado ou de farmácia, que passou que passou eh não conseguia mais pagar passou a a usar o óleo nacional e deu respostas muito mais expressivas, né? Então, a questão da associação não é só democratizar o acesso.

E a gente fica às vezes com essa ideia de que, ah, então eu não consigo um bom, né, um importado com esse complexo um pouco de vira láato, então vou pegar um de associação. Então, muitas vezes a a resposta, a grande resposta do do da sua questão, da sua patologia, das suas dos seus incômodos, pode estar justamente num óleo de associação que por ser um fitoterápico, por ser um remédio eh que que o extrato ele é mais perto da planta, ele passa por menos processos industriais, muitas vezes, né, por causa do efeito entorrem, efeito comitiva, por você passar por menos processos industriais, muitas vezes ele pode ser um remédio muito mais efetivo e potente. Então, a gente trabalha com esses pacientes às vezes com uma menor dosagem. Eh, alguns pacientes, por exemplo, eu consigo pensar em dois na semana passada que tavam com dosagens muito altas do remédio de farmácia importado, 19 gotas duas vezes ao dia, que quando a gente passa pro óleo de de associação, por ele ser muitas vezes mais efetivo, embora menos concentrado, eh esse paciente passa a tomar sete gotas, sei lá, duas vezes ao dia.

Então, assim, depende muito do óleo da associação, de qual, né, de qual a questão desse paciente, enfim. e a e havia também, né, da judicialização, que os pacientes acionam o poder judiciário para obter o fornecimento de produto. Eh, aicialização ela pode garantir o acesso individual, mas ela também cria muitos desafios, né, socioeconômicos, porque as decisões casa a casa, elas desorganizam o planejamento, eh, elas, né, elas mobilizam a estrutura do Estado e em detrimento de de prioridades às vezes coletivas, né, mas é um direito do paciente, do cidadão. E por fim, a políticas públicas estaduais e municipais ainda muito heterogêneas.

Eh, tem a farmácia, né? Então, assim, de forma geral, se a gente for pensar, a farmácia ela é mais regulada e mais cara, mas ela é mais regulada. A importação, ela é histórica, mas ela ela ela ela é burocrática ainda hoje. Aliás, a associação ela é socialmente muito potente, mas ela precisa de qualidade e rastreabilidade, né?

Eh, embora haja muitas associações sérias, existem também muitas associações muito incipientes e e, enfim, inconsistentes, né? Eh, e sobre a judicialização, ela resolve casos, mas ela não substitui uma política pública. Sobre o próximo slide, associações, autocultivo, judiciário e as vias de acesso, a gente vê aqui eh que a gente tinha muita, né, muita importação e aí começam as farmácias e aí depois as associações vão vão crescendo, tomando espaço também. Então, eh, associações elas não são apenas organizações de apoio, a gente precisa discutir eh as associações de pacientes, né, eh, de outra forma, né, em muitos contextos, elas se tornaram as únicas portas reais de acesso, centros de acolhimento, espaços de educação pros pacientes, paraa comunidade, mas é a ponta mais próxima do paciente.

Eh, essas viraram redes de pesquisa, em alguns casos produtoras de derivados mediante a autorização judicial. As associações elas surgem da lacuna. Quando o mercado é caro e o estado não fornece, a regulação ela é alimentada, né? E os pacientes, a sociedade civil, ela se organiza.

Isso não é um eh não é novo na saúde pública. A gente já viu movimentos parecidos, movimentos de pacientes já tiveram um papel decisivo nas questões de HIV, de doenças raras, saúde mental, de deficiência. A diferença é que no caso da cannabis, as associações elas lidam com uma planta historicamente criminalizada, né? o que torna tudo muito mais complexo do ponto de vista do acesso.

As associações elas podem reduzir custos, orientar família, criar rede de cuidado e produzir dados observacionais ali na ponta. Do ponto de vista sanitário, é necessário a gente discutir qualidade padrão, né? A padronização dos remédios, o teor dos canabinoides, possíveis contaminantes, eh boas práticas, enfim, esses dois lados eles precisam caminhar juntos. Defender a associação não significa abrir mão do controle sanitário, né?

E defender controle sanitário não significa ignorar que sem as associações, muitos pacientes jamais teriam chegado ao tratamento e estariam com a vida em paz e com muito menor sofrimento e com a vida em alegria. Hoje o slide também ele mostra outras vias, né? Eh, acho que é o próximo slide. Deixa eu dar uma olhadinha.

[roncando] Eh, aqui a gente tem também do a forma de acesso dos produtos dos últimos três anos. Enfim, esse mapa ele deixa claro que quando a política pública ela é insuficiente, as pessoas elas criam caminhos paralelos, aquele lá em cima, alguns mais seguros e outros caminhos mais arriscados, né? A função do SUS, ela deveria ser reduzir a necessidade de caminhos mais inseguros, oferecendo alternativas reguladas, acessíveis e baseadas em critérios clínicos, né? Mas aí a gente vê que efetivamente os eh as grandes eh as grandes cenas aí, os grandes instituições que hoje têm fornecido esse esse esse acesso é são os os produtos importados, eh, são os de farmácia e aqueles distribuídos, fornecidos por associações.

Então, a gente não pode nem romantizar, nem criminalizar, né, eh, essas instituições, esses tipos de óleos e produtos, porque cada um serve para um tipo de patologia, vai bem para um paciente, outro não. Cannabis, ela é uma terapia muito individualizada e a gente precisa conhecer bem o nosso paciente para poder manejar. Eh, é isso. Acho que a próxima próximo slide, ah, não, é o slide anterior, desculpa.

Ele mostra a evolução também, só falando um pouquinho por cima, do fornecimento público monitorado, né, no levantamento apresentado. O acesso a cannabis no Brasil, ele tá começando a se deslocar, né? Eh, o que antes dependia quase exclusivamente de importação, que é o que mostra o slide anterior, eh, né, e de estratégias individuais, passa a envolver cada vez mais os produtos de farmácias, as decisões judiciais, as associações, as políticas públicas. Essa mudança de forma geral, ela reflete um amadurecimento do mercado e da regulação, mas também revela uma disputa.

Quando o produto de farmácia cresce, isso pode indicar maior disponibilidade regulada, mas se os preços permanecem altos, o acesso continua restrito. Quando a judicialização cresce, isso indica que a demanda reprimida e a ausência de política pública é suficiente. Quando as associações aparecem com força, isso indica protagonismo social, mas também uma loucuna do Estado. Pro SUS, o gráfico ajuda a fazer uma questão de uma pergunta de gestão.

A gente quer continuar respondendo caso a caso, produto a a produto, batendo cabeça com João, com Maria, com José, decisão judicial, a decisão judicial ou a gente quer construir protocolos e fluxos organizados pro país inteiro, né, pro nosso sistema de saúde de forma geral. Eh, e sobre a distribuição de pacientes por via de acesso, eh, é isso, não é uma única porta de entrada de cannabis no país. Basicamente isso, né? Os pacientes estão acessando por várias vias.

E aí também dizer que o paciente que importa e o paciente que usa o remédio de farmácia, ele tem uma condição, ele tem que ter uma condição social mais abastada. Eh, isso é relevante, né? Por quê? Paciente que judicializa, por exemplo, ele precisa de laudo, de advogado, de defensoria, de tempo, de persistência.

Ou seja, o acesso ele depende não só da indicação clínica, não basta que você precise de cannabis e passe por uma consulta, mas da capacidade social de você navegar pelo sistema, de como você vai conseguir. Isso é profundamente relevante pro SUS, porque um sistema universal, ele existe justamente para reduzir a dependência da renda, do CEP, da escolaridade, da capacidade de brigar, né, ou judicializar. Quando acesso a cannabis depende desses fatores, a gente tá diante de uma desigualdade sanitária. Esse é um bom momento pra gente perguntar quem tem direito, né?

Quem consegue exercer esse direito de ser de ter tratamento com cannabis terapêutica. Eh, mais para frente, no próximo slide, a gente vê sobre protocolos estaduais. Nos últimos anos, diversos estados e municípios começam a construir políticas próprias. Esse movimento ele é muito importante porque ele mostra que a discussão ela deixa de ser exclusivamente regulatória e passa a fazer parte da agenda de saúde pública.

Então assim, os pacientes começam a ter eh informação e aí vão pro óleo de cannabis, começa a ter resultado e começa a judicializar e aí os gestores olham para cima e poxa, não tem política pública vindo de cima, que que eu faço? Então essas políticas começam a surgir eh de forma regional. Quando o estado ele cria protocolo, ele tenta responder a pergunta prática, tipo, quem pode receber, para quais doenças, quais documentos são necessários, quais critérios indicam eh suspensão, etc. Essas perguntas, na verdade, elas são decisivas.

Sem esses protocolos, o acesso ele tende a depender da pressão individual, da judicialização ou do improviso local. com protocolo, o sistema ele consegue priorizar a condição com maior evidência, organizar o orçamento, treinar profissional e acompanhar resultado. Mas há um risco, né? Protocolos muito restritos, por exemplo, eles podem excluir pacientes que que poderiam se beneficiar, como eu acho que acontece no estado de São Paulo.

E protocolos muito amplos podem gerar uso sem evidência científica e pressionar o orçamento também, pensando em termos de saúde pública. A construção equilibrada, ele exige participação de especialista, gestor, paciente, associação, universidade e órgãos, né, de avaliação tecnológica. não são decisões isoladas, né, baseadas ou no desespero orçamentário ou na falta de, enfim. Eh, no próximo slide a gente tem mapa de leis e protocolos estaduais.

Eh, diversos estados aqui a gente tem que diversos estados passaram a discutir ou implementar leis e protocolos, né? Somente cinco estados não promulgaram ainda leis pro fornecimento público de carabis medicinal. E não quer dizer que somente esses cinco estados não estão fornecendo, porque outros promulgaram leis, mas não estão fornecendo. Eh, esse dado ele é importante porque ele revela uma descentralização.

O estado ele não opera necessariamente eh, né, os estados, né, os estados do país, eles não esperaram necessariamente uma solução federal vir lá de cima completa para começar a agir. A maioria das iniciativas estaduais, elas tendem a priorizar condições neurológicas mais graves, sobretudo as epilepsias refratárias, eh, por diversas razões que a gente já explicitou, né, entre elas a questão da da das evidências científicas, das questões, eh, eh, de impacto financeiro e e enfim, de por ser uma população alvo mais delimitável, né? No caso de São Paulo, por exemplo, a lei estadual 17618/2023, ela institui esse fornecimento dos derivados à base de de cannabis eh nas unidades de saúde estadual e privada conveniados ao SUS. A lei prevê participação da Secretaria do Estado, tudo mais, mas efetivamente quando a gente vai ver na prática, eu tô no SUS, eu tô plantão no SUS, eu atendo cannabis medicinal pelo SUS, efetivamente, né, da forma que que o governo do Tarcísio, do do do nosso nosso governador eh realizou, ela não tem chegado a ponta, ela não tem chegado de forma eficiente, efetiva, eh, a Ponta e a quem precisa, inclusive tá parado, pelo que eu entendi, de tem um processo assim de paralização por causa de um superfaturamento de um do remédio que enfim eh não sei se enfim aqui, mas assim eh dizer que é muito bonito que existem que existam leis importante, não é só bonito, é importante que ex essas leis, esses marques, esses tanques, mas na realidade ali os profissionais de saúde como profissional de saúde do SUS, a gente vê que na verdade tá muito distante ainda disso, efetivamente entrar numa engrenagem e e fazer parte da nossa da nossa prática, do nosso dia a dia.

Então, eu tô falando de diversas crianças com autismo que eu atendo, que usam respiridona, às vezes usam três, quatro remédios. Então eu peguei um paciente com 4 anos de idade que tava usando clonazepan, entre outros três outros fármacos, entre eles um um antipsicótico. E em nenhum momento ali na prescrição tinha um, né, uma sugestão, por exemplo, paciente é muito agitado, ele é muito em nenhum momento, por exemplo, foi sugerido cannabis para esse paciente. Então, assim, a maior parte dos pacientes do SUS que eu atendo, eles vêm eh com polifarmácia, né, ou minimamente vem ali é idade muito tempo.

ente com 2 anos de idade usando o rispiridona. Então, a cannabis, conforme as políticas de saúde forem sendo favorecidas e fortalecidas, ela ela, né, se se der tudo certo, ela vai ocupando esses espaços e não vai entrar como uma última alternativa. Eh, a regulamentação paulista também, né, ela delimitou condições prioritárias, especialmente em em síndromes epiléticas grávidas, como draveleno, gastou, e complexo de esclerose e tuberosa. Essa delimitação segue a lógica eh eh de começar por indicações com maior evidência e maior gravidade também.

Em outros estados, alguns protocolos de leis também discutem dor crônica, né, uma forma mais ampla, dor crônica refratária, espacidade de esclerose múltipla, transtorno do espectro autista, né, para qual dos pacientes a gente muitas vezes vê um impacto muito efetivo, mudando a vida não só do paciente que toma o óleo, mas mudando a vida da comunidade, da família, da da de uma mãe que às vezes tá sendo mordida pelo filho, né, que que não consegue dormir há muitos anos porque o paciente chora de madrugada, que tá batendo aquela cabeça na parede da escola que acolhe essa criança, né? Eh, do vizinho, enfim. Eh, mas é isso. Há uma grande heterogeneidade entre entre as leis, entre os estados.

Essa heterogeneidade, ela cria um problema federativo. Na verdade, o paciente, ele pode ter acesso em um estado e não em outro. Para um sistema que se pretende universal, isso é absolutamente desarmônico, incongruente, desconfortável, né? Eh, mas também pode ser uma uma etapa de aprendizado.

Se a gente for ver, os estados eles funcionam como laboratórios de política pública, desde que produzam dados, né, compartilhem resultados para que depois ali a gente, a partir dessas experiências a gente faça algo mais unificado, pensando no território inteiro. Eh, em relação à evolução de pacientes no Brasil, que é o próximo slide, esse gráfico ele mostra o crescimento expressivo do número de pacientes em em com tratamento com cannabis no país. Eh, a mensagem principal é simples, assim, a demanda tá crescendo todos os dias e muito. Quando uma demanda cresce, o sistema ele pode fazer duas coisas.

Ele pode fingir que ela não existe, que é uma estratégia eh pouco brilhante, né, pensando em administração pública, ou ele pode organizar critérios, fluxo, protocolo e monitoramento. Pro SUS, essa segunda opção, ela é mais compatível com uma responsabilidade sanitária, né? crescimento, por isso a resposta da Anvisa, né, com com certo atraso, mas enfim, veio eh a resposta dos legisladores. Enfim, o crescimento de pacientes, ele também aumenta a necessidade de formação profissional, né?

Muitos médicos não estudaram sistema endocanabinoide na graduação. A gente tem dados de que menos de 2% dos médicos do país hoje sabem prescrever cannabis. Muitos profissionais da atenção primária, eles não sabem como acolher uma família que chega usando um produto de associação ou importado, não sabe orientar. Farmacêuticos, enfermeiros, gestores também precisam compreender o tema.

A falta de de capacitação, ela gera não só insegurança pro paciente dentro do sistema, mas estigma também. Nossa, tá usando maconha, você tá usando maconha e como é que é isso dá barato, enfim, né? assim, são coisas que eu já ouvi e e também gera decisões inconsistentes em cuidado, em saúde. Portanto, o crescimento de demanda, ele não é apenas um dado, ele é sinal de que a rede precisa se preparar, né?

Não só para fornecer esse tratamento, para que eu receba esse paciente e eu dê como alternativa, eu prescreva e maneje ele dentro do sistema, mas para orientar esse paciente que vem com óleo importado do médico dele, aí eu sou um médico que prescrevo outros remédios, será que tem interação? Será que não tem, né? A falta de capacitação multiprofissional, ela é geral de médicos, farmacêuticos, enfermeiros, gestores, de equipe da da atenção primária de saúde, né? E a atenção primária de saúde, ela tem um papel fundamental no cuidado de um acompanhamento longitudinal, né, de todas as etapas, dessa proximidade com paciente.

Eh, enfim, aí a gente tem um próximo slide falando do mercado das prescrições e da dimensão econômica. Aqui ele traz, esse slide, ele traz a dimensão econômica do campo da cannabis, né? a gente for pensar em na na judicialização, enfim, o crescimento do mercado, ele mostra que existe demanda, investimento e expansão, mas do ponto de vista do SUS, o crescimento do mercado, ele precisa ser lido com muito cuidado, né? O mercado em expansão, ele pode gerar oferta, reduzir preço no longo prazo e estimular eh inovação.

Mas também ele pode aprofundar a desigualdade se o acesso continuar dependendo da capacidade de pagamento. Então a lógica do mercado, ela não é a necessariamente e ainda bem a lógica da saúde pública. O mercado ele atende quem compra, mas o SUS não. O SUS ele tem que atender quem precisa.

Por isso, a discussão sobre produção nacional é importante, se faz muito importante, necessária e urgente, eh, a discussão sobre compras públicas, sobre parcerias, associações, né, como as associações entram no sistema do SUS, protocolos, né, e é que como as associações entram no sistema do SUS, vale a pena ressaltar mais uma vez que essa iniciativa da associação ADESAF na Baixada em São Vicente, eh, pegando pacientes do SUS para fazer consultas específicas de cannabis terapêutica, o futuro já começou, né, eh, numa das numa das iniciativas pioneiras mais revolucionárias no na na, né, que tem que que hoje eu tenho conhecimento no país, talvez uma das primeiras mesmo, né? Eh, enfim, a gente precisa discutir protocolos e avaliação de custo efetividade, né? Se o Brasil não organizar esse campo, o risco é a gente ter uma medicina, eh, uma terapia canabinoide para poucos, como a gente já tem paciente com renda, informação, acesso, especialistas e capacidade jurídica serão os únicos a continuarem se tratando, né? A política pública, ela precisa transformar crescimento econômico em acesso regulado e equitativo, não apenas em expansão do consumo privado.

Eh, no próximo slide a gente vai encaminhando pro final, para uma pergunta. Afinal, quem hoje tem acesso ao tratamento no país, né? A gente falar de equidade, é de falar de dar mais para quem, talvez quem precisa mais. Eh, depois de falar da história da regulação, de evidência, né, de das farmácias, da importação, etc., a gente volta a pergunta essencial, quem tem acesso ao tratamento no país?

Na prática, o acesso ainda tá fortemente associado à renda e a condição socioeconômica. Pacientes com maior renda conseguem pagar consulta especializada, comprar produtos em farmácia, importar formulação, fazer acompanhamento frequente e quando necessário contratar apoio jurídico. Paciente com menor renda depende muito mais das associações, do SUS local, da defensoria, da judicialização, né, por meio eh, público ou programas públicos ainda muito restritos e falhos e e faltantes. Essa realidade desafia diretamente o princípio da equidade.

Equidade ela não é tratar todo mundo exatamente igual, ela é reconhecer que pessoas em condições desiguais, elas precisam de respostas diferentes para alcançar um patamar justo de cuidado. Se uma criança com epilepsia refratária só acessa a cannabis porque sua família consegue pagar, a gente não tá apenas eh diante de uma decisão clínica, a gente tá diante de uma desigualdade em saúde, né, de uma sentença de morte para quem tem uma renda social mais desfavorável. A cannabis, ela revela uma atenção típica do sus contemporâneo, como a gente incorpora insumos, tecnologias, medicamentos novos, muitas vezes mais caros, com evidência variável e um sistema universal subfinanciado. Não existe resposta simples, mas algumas direções são claras.

Priorizar a condição com maior evidência, construir protocolos eh transparentes, reduzir a dependência da de judicialização, né? O estado gasta muito com com a judicialização hoje, ao invés de, por exemplo, se associar, pegar e e fazer eh parcerias com as associações locais que tem um poder de produção muito importante, subestimado, né? Enfim, eh, algumas direções são claras, a gente precisa apoiar a pesquisa nacional, avaliar a custo efetividade, fortalecer mecanismo público de acesso, sobretudo. Também a gente precisa reconhecer que a judicialização, embora importante para garantir direitos individuais, ela não pode ser o principal modelo de acesso.

Judicializar caso a caso é mais desigual, porque quem tem informações e recursos chega mais facilmente a judiciário. Além disso, as decisões individuais podem pressionar o orçamento sem o planejamento populacional. Porta a essa pergunta, né, quem tem acesso, ela deve orientar toda a política de cannabis no SUS. Se a resposta continuar sendo principalmente quem pode pagar, então a gente ainda não eh não resolveu a questão de saúde pública, a questão da equidade.

Eh, a realidade hoje na prática é que a cannabis terapêutica no Brasil ela é um marcador de desigualdade de acesso. Eh, no próximo slide a gente tem os desafios da cannabis no SUS, né? Um dos desafios mais importantes é produzir mais evidências científicas, evidências nacionais. Estudos internacionais são fundamentais, mas o SUS precisa de dados brasileiros com as nossas genéticas, com a nossa população, com as nossas plantas, nosso clima, nosso solo, né?

Perfil de pacientes, doses utilizadas, produtos acessados, desfechos clínicos, eventos adversos, adesão, enfim, dados nacionais ajuda a construir protocolos mais realistas de acordo com a nossa realidade, de acordo com o nosso, né, com a nossa, com o nosso contexto. O, o segundo desafio é fortalecer a produção nacional. Dependência de importação encarece o tratamento, fragiliza o abastecimento e limita a autonomia tecnológica, né? produção nacional regulada, ela pode reduzir custo e ampliar acesso, desde que acompanhada de controle sanitário eh rigoroso.

Por que que a gente tá importando o óleo de canabis se a gente tem um potencial produtivo tão tão potente, tão satisfatório, tão importante como eu tenho visto, né, eh, junto aos meus pacientes que utilizam óleos de algumas associações sérias e muito consistentes, como associação Flor da Vida, eh, a Cultive, associação ADESAF, THC, a Humana, entre outras, né? Eh, por que que a gente vai importar se se eu tô vendo alguns desses olhos mudar a vida dos pacientes? O terceiro desafio é desenvolver protocolos clínicos. Sem protocolo o acesso fica refém da sorte, da renda, do município, do juiz, etc.

os protocolos eles, né, essa burocratização, elas servem para definir indicação prioritária, critério de inclusão, exclusão, produto. Isso tudo é muito importante. O quarto desafio é capacitar os profissionais de saúde. Não basta publicar uma lei se a ponta da rede eh se a ponta da rede, ela não sabe orientar, se ela não sabe prescrever.

Eh, os médicos eles precisam conhecer indicações, riscos, interações e limites de evidência. Precisam se atualizar, precisam estudar antes de dizer que não há evidência científica. E por isso não, eu não sou a favor. Não é como não ser a favor, depende você a favor para qual caso, qual tipo de remédio você tá falando, né?

Os farmacêuticos precisam orientar uso, armazenamento, equipe de atenção primária à saúde precisa acompanhar a família, identificar evento adverso, né? As questões de interações medicamentosas, ainda mais em idosos, às vezes polifarmácias, os gestores precisam planejar compra, fluxo e monitoramento, né? Além desses quatro pontos, eu acrescentaria mais dois. Primeiro, integrar as associações ao debate com respeito ao papel histórico delas e exigência de qualidade, né?

Segundo, reduzir a judicialização por meio de políticas públicas claras. A a judicialização, ela deve ser exceção e não esqueleto do acesso como como tem sido. E resumo, a cannabis no SUS, ela não deve ser tratada tratada como modismo, nem como ameaça moral. Ela deve ser tratada como uma questão de saúde pública, com evidência, com regulação, com avaliação econômica, participação social e compromisso com a equidade.

[roncando] Eh, para encerrar, eu gostaria de retomar a ideia central da aula, né? A cannabis terapêutica no SUS, ela não deve ser discutida como uma questão de prescrição individual, eh, muito menos, quem dirá, como uma questão eh de uma questão policialesca, né? Ela precisa ser discutida como questão de acesso, equidade e política pública. O Brasil avançou, a gente tem regulação sanitária, produtos autorizados, importação, associações bem atuantes, decisões judiciais, leis estaduais e protocolos em construção.

Mas ainda há uma distância importante entre a exigência entre a existência regulatória e o acesso real na ponta pro paciente. O grande desafio dos próximos anos vai ser construir um modelo que una segurança, evidência científica, qualidade dos produtos, capacitação profissional, participação social e justiça no acesso. e que não, por mais uma vez, né, na história do mundo, eh, beneficie somente as indústrias farmacêuticas, né, porque não necessariamente, inclusive, o óleo delas são melhores para todas as patologias e não necessariamente elas eh regem essa essa esse controle, essa regularização eh que tanto se fala, porque, por exemplo, tem algum o eu não sei, por exemplo, né, dos olhos importados, por exemplo, que eventualmente eu possa prescrever para um paciente se aquela plantação levou agrotóxico ou não. Aquilo não vem na análise de resultado do do remédio.

Então é é regulação e esse esse controle, na verdade é só até a página dois, né? Então a pergunta final é não é simplesmente se a cannabis tem lugar no SUS. A pergunta é como construirse esse lugar de forma responsável, sustentável, equitativa, né? ter um produto autorizado, mais uma vez, não é o mesmo que ter uma política pública, né?

[roncando] E não é o mesmo que dizer que a gente tem acesso. Eh, só encaminhando para para pros termos finais, eu espero que eu tenha podido esclarecer algumas questões, alguns pontos que que dançam em conjunto com a questão da cannabis e do SUS, né? A gente não consegue falar só de, ah, a cannabis ela é oferecida, ela não é, qual paciente que usa, né? Porque são muitas questões que envolvem a questão da cannabis do do dos pacientes, do acesso do remédio, né?

Ela já tá disponível no SUS? Essa é uma pergunta eh que muitas pessoas fazem. Ó, em âmbito nacional não há uma incorporação ampla e universal hoje para todas as indicações. Existem políticas públicas estaduais, como a gente viu, municipais específicas, decisões judiciais e iniciativas locais, né?

O acesso pelo SUS, ele depende do estado, do protocolo vigente naquele estado, de indicação clínica, da documentação e organização da própria rede regional ali. Eh, [roncando] a mesma lei paulista, por exemplo, ela garante acesso automático? Não, a lei ela institui uma política estadual, foi regulamentada, mas o o acesso depende de várias questões, né? e e e assim questões de critério de fluxo, protocolo, prescrição, documentação.

E às vezes o paciente se perde nessa nessa toada. Muitas vezes, por exemplo, como é que o paciente vai acessar o remédio, mesmo que tenha lei paulista, eh se o médico do SUS ali, o prescritor, ele não sabe prescrever? Então, assim, paciente às vezes ele para muito antes, né? Eh, lei, ele é, a lei, ela é um ponto de partida e não sinônimo de dispensação automática.

Qual o papel das associações, né? Espero ter deixado isso muito claro. As associações, elas foram fundamentais pro acolhimento, advoca-se, para para acesso e e pesquisa. Elas podem reduzir barreiras econômicas e sociais.

elas estão muito perto ali da comunidade do paciente, né, das mães, dos pacientes de forma geral, dos, enfim, idosos, crianças com autismo, eh pacientes com Alzheimer, com Parkinson, ao mesmo tempo, elas precisam dialogar com esses padrões de qualidade, rastreabilidade, controle laboratorial e fármacovigilância. Eh, a judicialização, ela é positiva ou negativa depende, ela é ambivalente, né? Se a gente pensar em termos de saúde pública, a gente tem uma questão. Se eu pensar que eu tenho direito, pô, eu tenho direito hoje a esse remédio, ele vai melhorar minha qualidade de vida, o estado não vai pagar, eu não tenho condição, eu vou te alizar, né?

E e outra coisa também acho que é importante eh trazer, quando a gente fala de cannabis, muito se fala do CBD. Ah, o canabis deol, né? óleo, ah, o óleo de canabol é o canabidol é bom, vou tomar óleo de canabidol, mesmo paciente tomando às vezes um óleo com THC expressivo ali ou um para um, por exemplo. Então isso eu acho que talvez pelos endereços interesses da indústria, né, quando a gente isola o canabol, ele, [limpando a garganta] né, muitas vezes você vê que tem um óleo que que ele precisa concentrar muito, ele fica menos efetivo e a gente precisa aumentar doses muito altas.

Então, o paciente consome frascos e frascos de forma muito rápida. Isso é muito bom paraa lógica da indústria, mas a gente precisa lembrar do efeito entorragem, né, que é o efeito comitiva da planta de cannabis. Quando a gente não isola a gente deixe todos esses outros eh componentes ali em sinergia, eles potencializam, né, a a efetividade da planta. E também a gente pode prescrever para qualquer doença, não, né?

A precisão ela deve ser individualizada, baseada numa avaliação clínica muito sensível, numa evidência disponível em tratamentos prévios, né, quais tratamentos já fez ou não, né, entre risco e benefício, pensar nas interações medicamentosas e e possibilidade de monitoramento desse paciente. Para políticas públicas, a exigência de evidência, ela tem que ser ainda mais rigorosa, né? Então, vamos pro próximo slide. [roncando] Eh, aqui a gente tem as referências aí pro próximo.

Aí próximo, são inúmeras as referências. E eu queria agradecer, deixar meu contato, né? Esse é o contato do do consultório. Tem o Instagram que eu eu ainda não não coloquei muito muito muito conteúdo, mas tô em vias de Eh, queria agradecer para quem acompanhou até aqui.

Espero ter conseguido elucidar, fazer algumas pontes, né, e tornar acessível alguns algumas questões que versam, que que que flertam com a questão do SUS, né? Eh, para mim como médica e como médica prescritora de cannabis, é uma alegria muito, muito imensa atender pelo SUS cannabis, né? Eh, e não só cannabis, mas no consultório, nas associações do quais eu faço parte, de sentir que eu tô fazendo parte da história, fortalecendo esse movimento, né? Eh, até interessante porque essa paixão ela vem eh, né, de uma questão familiar, né, eh, de uma de um de um movimento de vanguarda do meu pai.

Ela vira uma paixão na minha vida e assim eu conheço meu esposo que também trabalha com canabis e a gente tem nosso filho, né? E eu falou: "Esse menino ele é fruto da cannabis, da história do movimento da cannabis no país." Então é isso. Queria agradecer e me colocar à disposição porque eu puder auxiliar para fazer trocas, partilhas, para pra gente pensar estudos, enfim. Eh, meu muito obrigada, né, mais uma vez, por ministrar nesse curso e falar de uma planta milenar, ancestral, sagrada, tão respeitosa, acolhedora e generosa no modo de ação e nos efeitos colaterais.

e falar do SUS, né, que é uma estrutura de saúde revolucionária, também sagrada, muito importante, né, que embora tenha muitas muitas necessidades de ajustes, né, de de e muitas falhas, eh é algo que a gente precisa a todo custo manter, manter, não deixar destruir, né, com as com as oss, com as terceirizações, com arterizações, fragilizar, assim como a gente precisa continuar lutando para que a cannabis não tenha mais retrocessos. A gente partiu de muitos retrocessos por muitos anos e aí a gente avança e aí tem mais retrocesso e aí vamos paraa frente, vamos para cima. Todos nós somos atores e responsáveis para fazer com que essa pausa essa pauta fortaleça e avança avance. Tá bom?

Muito obrigada e boa noite para quem conseguiu chegar vivo até aqui. Até vamos lá, vamos descansar um pouquinho. Obrigada.

5ª Aula A Farmácia Viva e a Cannabis sativa L — A Farmácia Viva e a Cannabis sativa L - Jaqueline Guimarães

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Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Sou a Gabi da Enés e tô aqui para dar as boas-vindas a mais essa aula, nossa quinta aula. Aula que nós vamos falar sobre farmácias vivas e a cannabis.

Para essa aula a gente vai receber a queridíssima Jaqueline Guimarães. Ela que é uma sumidade nessa questão das farmácias vivas, mas que também é uma super militante da regulamentação da cannabis. Quero dar as boas-vindas a todos a essa aula, mas também aqueles que estão se que estão se juntando nesse momento, né? E lembrar que a gente tem as primeiras aulas e um uma aula de instruções e orientações, que é muito importante para quem tá se juntando agora que assista essa aula de orientação.

Hoje, dia 30/06, a o dia que tá indo no ar, a estreia dessa aula é o último dia de inscrição para para essa 14ª edição. Lembrando que para obter o certificado é preciso estar inscrito no curso. Então, muito importante a quem não se inscreveu ainda, aí lá no site, no link se inscrever que ainda dá tempo, vai hoje até à meia-noite, tá bom? Tenho uma ótima aula, espero que vocês gostem do conteúdo de hoje.

A gente se vê na próxima quinta-feira e muito obrigada a todos por estarem aqui conosco. Olá, pessoal. Tô aqui mais uma vez fazendo uma conversa com vocês sobre farmácias vivas e canabis sativa no SUS, ou seja, acesso a plantas medicinais, tanto cannabis sativa quanto outras plantas medicinais no SUS. Então, a gente vai ver todas as etapas dessa cadeia produtiva que ocorre dentro de uma farmácia viva, como essas fotos ao lado que vai desde o cultivo, processamento, passando pelo controle de qualidade até chegar o produto final e a dispensação ao paciente.

Eh, vou me apresentar aqui. Meu nome é Jaqueline Guimarães. Eu sou farmacêutica. Eh, desde o tempo, né, que de faculdade eu fui caminhando pelo lado das plantas medicinais e então me especializei em fitoterapia com ênfase em farmácias vivas, em cannabis medicinal, fiz a pós-graduação em cannabis medicinal, em fitoterapia clínica, em homeopatia, né, e já há mais de 20 anos eu trabalho com essas práticas integrativas e complementares, principalmente ente na produção, né, e na oferta aos pacientes do SUS, na ampliação do acesso, que é algo com que eu me preocupo muito, o acesso ao fitoterápico com qualidade e segurança a toda a população que dele precisar.

Atualmente, né, eu atuo como membro do GT, Grupo Técnico de Fitoterapia do Conselho Regional de Farmácia, sou vice-presidente da Associação Brasileira de Farmácias Vivas e no passado, né, eu fui eh cofundadora e coordenadora da Farmácia Viva de Betim no período de 16 anos. também trabalhei eh implantando várias farmácias vivas eh como o Brumadinho, que infelizmente não existe mais, né, por uma mudança de gestão. Eh, Itapecuru Mirio, Maranhão, fiz vários projetos, né, para concorrer edital. Então, trabalho também pensando consultoria, municípios que queiram montar projeto e concorrer a editais de estruturação de farmácias vivas ou mesmo estruturar farmácias vivas com recursos próprios.

Então, vamos lá para essa conversa que ela vai ser muito boa. O que seria então farmácias vivas? São serviços que pertencem ao SUS e exclusivamente ao SUS. elas só existem dentro dos serviços eh públicos de fitoterapia e a gestão das farmácias vivas, ela compete às secretarias municipais ou estaduais de saúde ou do Distrito Federal, conforme consta na portaria 886 de 2010, né, essa portaria que instituiu as farmácias vivas, né, eh, junto ao Ministério da Saúde em 2010, Apesar de que esse esse serviço, né, de fitoterapia, fitoterapia pública, ele já tenha surgido há mais tempo.

Nós vamos ver adiante. Então, elas transformam a biodiversidade brasileira em cuidado, ampliando, né, o acesso das populações às plantas medicinais com fitoterápicos e fitoterápicos com segurança, qualidade e promovendo também o uso racional. É muito importante a gente fazer essa educação e fitoterapia junto à população, porque existe um pensamento de que sendo planta medicinal não faz mal. E a gente sabe que isso não é verdade.

As plantas medicinais interagem com medicamentos sintéticos, interagem com outras plantas medicinais, né? Tem restrição de uso quanto a idade, né? por exemplo, idoso ou eh bebês, crianças pequenas e gestantes, tem muitas plantas que são contraindicadas. Então, a gente tem que observar toda, né, esse conhecimento em relação às plantas medicinais para indicar com segurança e não trazar trazer transtornos à saúde do paciente.

Então, os princípios, né, das farmácias vivas, é preservação da biodiversidade, uso sustentável dos recursos naturais, valorização dos saberes tradicionais, o desenvolvimento científico, ampliação das opções terapêuticas no SUS e o acesso seguro às plantas medicinais. em relação à biodivers eh biodiversidade e sustentabilidade, né? As farmácias vivas elas trabalham no sentido de preservar essa biodiversidade, promover o uso sustentável das plantas medicinais, fortalecer inclusive a agricultura familiar e os recursos naturais locais. sempre que vai surgir uma farmácia viva, é muito importante, né, fazer esse levantamento étnobotânico e também da cultura, dos usos tradicionais das plantas medicinais e local, para que a gente concilie isso tudo, faça então uma seleção das das espécies que serão elenco, vão compor o elenco da farmácia viva.

e considera esses saberes e a ciência, valida o conhecimento popular junto à ciência, né? Valorizando esse conhecimento, trazendo ele pra pesquisa científica, conforme tem a REN SUS, inclusive a REN SUS é uma relação de 71 plantas de interesse no SUS, interesse para pesquisa, para validar esse conhecimento tradicional e trazer com segurança pra população, né? Porque muitas vezes, né, o conhecimento ele é deturpado ao longo, né, do tempo e acaba que o uso pode se tornar incorreto, né? tem plantas, por exemplo, que são indicadas na hipertensão arterial e isso às vezes não é levado em conta pela população.

Então, pra gente garantir qualidade, segurança e eficácia terapêutica, é importante validar esse conhecimento tradicional e ampliar as opções terapêuticas disponíveis no SUS. A fitoterapia, ela é muito útil no SUS, né? Ela faz com que eh tratamentos sejam mais eficazes, mais efetivos. né, e diminuindo assim, né, o uso do serviço público, porque quando você resolve, traz uma solução ao problema de saúde daquele paciente, né, você está desonerando o SUS.

Então isso também é muito importante. Então farmácia Viva é mais do que um serviço, é uma política pública de saúde. E como falar de farmácia viva sem citar o seu mentor, que foi o nosso querido professor Francisco José de Abril Matos, nascido em 1924 e faleceu em 2008 do farmacologista, professor emérito da Universidade Federal do Ceará. em 1983, ele criou esse projeto de farmácias vivas, idealizado, né, segundo a influência da Organização Mundial de Saúde, que desde a conferência de Alma Ata já recomendava aos Estados membros que eles incluíssem os eh medicina tradicional, o conhecimento tradicional, né, nos serviços públicos de saúde.

Então, seguindo essa recomendação, o professor Matos criou esse projeto Farmácias Vivas. Então, nasceu lá no Ceará em 1983 e foi, né, reconhecido pelo Ministério da Saúde somente em 2010, através da portaria 886. Quem tiver oportunidade, né, de ir a a Fortaleza, visite esse acervo. Está dentro da Universidade Federal do Ceará.

É uma coisa linda demais que hoje, né, é cuidado pela professora e Meiriane Pandeira, que é a sucessora do professor Matos, né? Ela trabalhou com ele muitos anos e depois do seu falecimento, ela que eh se responsabilizou pro cuidar eh de todo esse acervo, né? Então, tem todos os registros, tem fotos, tem matérias, tem os objetos que ele usava, né, nas suas pesquisas e tem o orto de plantas medicinais, né, que foi criado por ele ali na Universidade Federal do Ceará. Realmente é uma visita enriquecedora e que nos emociona, porque quem segue essa área da fitoterapia, né, tem o professor Matos como um mestre, né, um grande mestre.

Então, lá no Ceará, em 2009, foi eh publicado o decreto estadual 3016, reconhecendo três modalidades de farmácia viva no município e no estado, né, no município de Fortaleza e em todo o estado do Ceará. Eh, a farmácia viva tipo um, que seria aquela que só trabalha com o cultivo das plantas medicinais, com o orto de plantas medicinais e a orientação eh de preparações caseiras, a educação e fitoterapia para a comunidade. Então, ali tem a manipulação, não tem a beneficiamento da planta medicinal. Já a farmácia viva tipo dois é aquela que além do orto de plantas medicinais e existe o setor de beneficiamento primário, né?

É onde faz então após a colheita ou coleta da planta medicinal faz a todo o beneficiamento, né? desde a seleção, né, higienização dessa planta e a desidratação e depois o empacotamento, né, ou o invase dessa droga vegetal que depois da planta medicinal desidratada, ela se torna uma droga vegetal. Então, eh, o empacotamento, a identificação correta dessa droga vegetal para dispensação a aos pacientes, né? E aí eles vão preparar infusões, decocções e outras formas farmacêuticas caseiras, né, extemporâneas para o uso doméstico.

E por fim, a farmácia Viva tipo 3, que além do plantas, né, desse setor de beneficiamento, vai ter a oficina farmacêutica, que é um laboratório de manipulação, onde é feito a a manipulação de formulações fitoterápicas como eh cremes, loções, gel, xaropes, positório, enfim, uma infinidade de formas farmacêuticas. Isso lá no Ceará, já no nosso Ministério da Saúde, eh foi publicada a portaria 886 de 2010, que reconhece somente o modelo tipo três como farmácia viva, né? lá na nesse nessa portaria diz que farmácia viva ela vai ter desde o cultivo até a dispensação do fitoterápico. A gente vai ver adiante.

Então, atualmente nos serviços, eh, no SUS, nós temos várias modalidades de serviço de fitoterapia, assim como lá no Ceará temos os ortos terapêuticos, que não são eh reconhecidos como farmácias vivas, são reconhecidos como ortos terapêuticos, que vai fazer aquele mesmo papel, né, do cultivo, né, da educação e promoção da saúde, através da educação e fitoterapia. resgatando o uso tradicional, né, das plantas medicinais, orientando as preparações caseiras, realizando práticas comunitárias. Então ela eh essa modalidade contribui para o SUS promovendo educação e saúde, fortalecendo o vínculo entre comunidade, biodiversidade e autocuidado. Eh, foi feito um levantamento pelo Observa Pix da Fiel Cruz, que identificou em 2022 eh 45 municípios com essa modalidade de serviços.

Eh, uma outra modalidade que hoje existe no SUS são as ervanarias. Eh, foram identificadas eh 28 eh municípios, né, comanarias, onde ocorre a produção da droga vegetal, né, a partir do extrativismo ou do cultivo da planta medicinal. E é feito esse beneficiamento com a secagem, o armazenamento, né, como eu disse, a identificação correta e a dispensação da droga vegetal, que não deixa de ser um fitoterápico, né, porque eh a planta medicinal passou por um processamento, uma transformação. É, esse serviço contribui bastante para o SUS porque garante o acesso, né, das a plantas medicinais processadas com qualidade e segurança para o uso terapêutico.

E por fim, as farmácias vivas, né, foram identificados 63 serviços de farmácias vivas em municípios. Eh, eles promovem uma assistência farmacêutica em fitoterapia. As etapas que temos ali é o cultivo, o beneficiamento, a preparação dos fitoterápicos e uma dispensação orientada. Sua contribuição para o SUS é que integram a biodiversidade, ciência e assistência farmacêutica para ampliar o acesso a fitoterápicos seguros e eficazes.

Então, [limpando a garganta] esses serviços, eles são serviços muito importantes para o SUS e, na verdade, é uma política pública de saúde. Os outros terapêuticos, as ervanarias e as farmácias vivas promovem o cuidado integral, valorizam a biodiversidade brasileira e ampliam o acesso da população às terapias baseadas em plantas medicinais. Para além disso, nós temos também as farmácias de manipulação de fitoterápicos, que é um também um serviço muito importante, bastante resolutivo, né? foi detectado que 20 municípios tinham farmácias de manipulação de fitoterápicos no SUS.

As principais atividades são manipulação do fitoterápico, dispensação desses produtos, orientação sobre o uso racional das plantas medicinais e de fitoterápicos e o acompanhamento farmacêutico. Lembrando que essa modalidade não tem o cultivo, né? Os municípios, através de processos de licitação, adquirem os insumos farmacêuticos ativos, vegetais e todas as matérias primas necessárias para manipulação das formulações fitoterápicas. Então, é feito um processo de compra também, um material de invase, né, que que são os frascos, etiquetas, etc.

E a partir da desses insumos é feita a manipulação. Então não existe a etapa do cultivo e do beneficiamento e também da produção dos derivados vegetais, que sejam as tinturas e extratos. Então esse serviço contribui bastante para o SUS porque oferecem fitoterápicos manipulados com qualidade, segurança e orientação profissional à população. Por fim, uma outra modalidade seria a dispensação de fitoterápicos industrializados.

A gente tem na RENAM, que relação nacional de medicamentos, eh, 12 fitoterápicos já padronizados, que são esses, ó, o cachorro, fra, aeira, babosa, cáscara sagrada, espinheira santa, guaco, garra do diabo, hortelã, eh, isoflavona de soja, plantago, não é o plantago major, mas o plantagoa, que tem a finalidade, né, de uso para constipação intestinal, salgueiro e unha de gato. Então, as atividades principais desse serviço é a aquisição de fitoterápicos industrializados. Nós temos uma portaria 155 que contempla a assistência farmacêutica, onde através dela é possível que o município use o recurso vindo paraa assistência farmacêutica paraa aquisição desses fitoterápicos, tá? Eh, então esses eles podem ser adquiridos através desse recurso.

Então, ela também tem atividade de programação, né, da compra e do abastecimento dos municípios, dispensação aos usuários, orientação farmacêutica, promove o uso racional de medicamentos fitoterápicos e integra com atenção primária à saúde, porque através das unidades básicas de saúde, o o município pode fazer essa dispensação do fitoterápico. é como ela contribui, né, para o SUS, ela vai ampliar o acesso da população a medicamentos fitoterápicos padronizados, registrados e seguros, fortalecendo a assistência farmacêutica e ampliando, né, as opções terapêuticas disponíveis no SUS. Então, 24 municípios fazem esse essa dispensação de fitoterápicos industrializados. Vamos falar um pouquinho aqui então das etapas, né, realizadas na farmácia Viva, conforme a portaria 886 de 2010, aquela que instituiu, né, a farmácia viva no SUS.

Então, existe o cultivo, é o primeiro passo, mas antes do cultivo tem uma etapa que é a definição, né, fazer o levantamento eh etnobotânico, né? também um conhecer o a cultura, né, o do uso das plantas medicinais no município, né, eh os os principais quadros de saúde a ser tratado na atenção básica. Tudo isso para nos auxiliar a selecionar as plantas medicinais que devem ser padronizadas, quais as plantas que eu vou cultivar também saber onde adquirir essas mudas, sementes, né? Enfim, tem todo um preparo para que esse cultivo aconteça.

E a gente vai ver isso um pouquinho adiante. Depois temos o beneficiamento, né, que ele inicia após a colheita ou a coleta da planta medicinal. E a gente vai ver as etapas, a preparação que vai desde, né, a droga vegetal até a obtenção do fitoterápico mesmo, a gente vai ver também. E a dispensação desse fitoterápico.

Lembrando que o controle de qualidade ele tá presente em todas essas etapas. É super importante o controle de qualidade desde o cultivo até a dispensação. É uma etapa transversal que acompanha todas as fases da farmácia viva, garantindo a identidade da planta, pureza, segurança e qualidade dos produtos fitoterápicos, né? Então, essas etapas, conforme a portaria 886 de 2010, elas são obrigatórias o cultivo, a coleta ou a colheita, o processamento, o armazenamento das plantas medicinais, a manipulação de preparações magistrais e oficinais e a dispensação desses fitoterápicos.

Lembrando que essa portaria ela tem duas diretrizes muito importantes. Primeiro, que a farmácia Viva deve realizar todas essas etapas e segundo que é proibido a comercialização das plantas medicinais e do dos fitoterápicos produzidos pelo por esse serviço. Então é tem que ser gratuito, tem que ser no SUS, tem que pertencer ao SUS. Não existe farmácia viva privada ou com fins lucrativos.

Toda farmácia viva, ela não tem essa finalidade de de comercialização, nem de obtenção de lucro. A farmácia Viva é um serviço que vai existir dentro do SUS e seus produtos são dispensados gratuitamente aos pacientes mediante prescrição de profissional de saúde habilitado. Então, os produtos também não estão disponíveis paraa pessoa chegar numa unidade de saúde. Falei assim, eu quero um xarope de guá.

Ela tem que ter uma prescrição que seja do médico, do enfermeiro, do dentista, do farmacêutico, do nutricionista, todos aqueles profissionais de saúde que, conforme o seu conselho de classe estão eh podem, né, fazer a prescrição de fitoterápicos. Então, tem toda uma norma por trás, né, dessa prescrição e da dispensação do fitoterápico no SUS. Vamos falar então do cultivo. O tio de plantas medicinais, ele tem que obedecer as boas práticas, né, para o cultivo de plantas medicinais.

A, o tipo de eh cultivo tem que ser agroecológico ou orgânico, né? E a primeira etapa é a escolha da área. A gente precisa de uma área que tenha água para irrigação de boa qualidade, né? Verificar o tipo de solo, né?

Se é um solo adequado, se ele tem que ser eh melhorado, né? Fazer uma análise de solo, fazer uma calagem, preparar os canteiros, verificar se tá distante, né, de fontes poluidoras como rodovias, né? centros urbanos, é colocar ali uma barreira contra o vento para evitar a poluição, que a poluição chegue até essa área de cultivo, ser uma área preservada, né, da presença de animais, do trânsito de pessoas e verificar também o histórico dessa área. Houve um cultivo ali que se usasse, né, eh, agrotóxico, existe proximidade com alguma área de cultivo que utiliza agrotóxico?

Porque não pode. Se houve, né, o uso de agrotóx agrotóxico nessa área, pelo menos 5 anos, essa área tem que ficar em cuidado para que possa vir a cultivar uma planta medicinal nela. E vocês sabem, né, que a cannabis é uma eh cannabis sativa é uma planta que ela faz eh uma melhora do solo. Ela retira metais pesados, ela retira agrotóxicos.

É lógico que eu não vou plantar no eh cannabis numa área contaminada e depois usar essa canabis para produzir medicamento. Claro que não. Ela poderia ser usada para produção de fibras, né, com finalidade de produção de tecidos ou de material de construção, né? enfim, outras outros usos que não sejam medicinal, com certeza, mas ela promove uma limpeza desse desse solo, uma recuperação do solo.

A escolha das espécies, como eu já disse, a gente tem que escolher plantas que vão se adaptar ao clima, ao solo dessa área, né? Verificar as exigências agronômicas, montar fichas agronômicas de cada planta, né? que a gente enxerga cada planta como um indivíduo, com necessidades próprias. E para isso a gente monta essa ficha, inclusive para saber, né, se tem compatibilidade entre as plantas, né, fazer um bom consórcio entre elas, eh verificar o uso tradicional, a demanda do sistema de saúde local.

Então, a partir desse estudo, desse levantamento, é que eu vou selecionar as plantas que vão compor o elenco da farmácia Viva. Promover, então, eh, as boas práticas, né, de cultivo orgânico ou agroecológico. A gente pode usar também a homeopatia e a biodinâmica nesse cultivo, agricultura biodinâmica, né? A, o sistema agroflorestal também é bem-vindo.

é montar os procedimentos operacional padrão contendo técnicas de cultivo, os tratos culturais que é pó da adubação, controle de pragas e doenças, eh o manejo e controle do mato, as técnicas de colheita, implantação de composteiro miocário, né? fazer um bom projeto de irrigação, onde eu possa eh minimizar, né, o o o uso da água, otimizar o uso da água e plantia, colheita, né, aquisição de mudas e sementes identificadas botanicamente de boa procedência. Quando eu vou fazer um cultivo de plantas medicinais, eu tenho que ter uma certidão de nascimento para essa planta. Então, nessa fazer um registro, né, de onde onde veio essa muda ou essa semente, ter um laudo botânico, né, da muda, saber a procedência, porque isso vai acompanhar todo esse processo para garantir a rastraabilidade e garantir a qualidade.

Eh, fazer parceria com instituições agrícolas, com outras farmácias vivas, com ortos de referência. Eh, tem um calendário de plantia e colheita, onde eu vou definir horários, ferramentas adequadas e o transporte. Uma coisa muito importante, gente, é a área de cultivo está próxima ao setor de beneficiamento, porque depois que eu colhi aquela planta, quanto antes eu fizer o processamento, fizer eh o beneficiamento dessa planta, mais qualidade eu vou ter mais garantia, né, de eh preservação dos princípios ativos. Então, o cultivo adequado às plantas medicinais é o primeiro passo para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos fitoterápicos produzidos ali nas farmácias vivas.

Então, os princípios do cultivo, sustentabilidade ambiental, conservação da biodiversidade, o uso racional dos recursos naturais, valorização do conhecimento tradicional, produção segura e de qualidade. Depois nós temos a etapa do beneficiamento, que é para onde a planta vai assim que ela é colhida. Se há um cultivo preservado, né, da poluição, do trânsito, de pedis e se é uma planta mais alta, não é uma planta rasteira, muitas vezes, né, eu não preciso fazer lavagem dessa planta, a porque a própria regra já encaminha, né, isso. E quanto mais eu lavar a planta, mais difícil de eu desidratar essa planta.

Eh, e tem todo um cuidado, né? Se chover, eu tenho que aguardar pelo menos três dias para fazer a colheita dessa planta, principalmente se for uma planta aromática, porque a chuva ela vai lavar ali os tricomas também, onde estão presentes os, né, os terpenos das plantas aromáticas. Então eu tenho que aguardar cerca de 3 dias para depois fazer essa colheita. E a se for planta rasteira, aí a gente já vai ter que fazer uma limpeza, né, em água corrente para depois fazer todo o processo da secagem.

Após essa limpeza, vou fazer a seleção, que eu vou retirar ali a parte de interesse da planta. Por exemplo, a calêndula é a flor, o guaco é a folha e assim por diante. Essa planta e embaixo à esquerda é o guaco micânia aglomerata e acima nós temos a calendula oficinares. Vou remover impurezas, partes danificadas e materiais indesejados.

Então eu preciso de ter a planta na melhor qualidade possível para conduzir paraa secagem. Essa secagem, ela pode ser feita de forma natural em instantes com bandejas, em ambiente com umidade controlada, né? Não ao sol, mas a sombra. E eu posso fazer em em estufas de circulação de ar.

Essas estufas, conforme essa aí do desenho da da foto, ela é com circulação de ar. é uma estufa elétrica, mas ela também pode ser eh com energia solar, pode ser de tem outras modalidades, né? Essa aí é elétrica, mas a com a energia solar funciona muito bem. A gasa eu já não aconselho porque pode ficar um pouco de resíduo, não é muito indicada não.

Então a secagem ela ocorre aí por redução da umidade para evitar a proliferação de microrganismos, né, como fungos. Quando você tem uma planta que não foi submetida corretamente à secagem, provavelmente vai crescer fumo. Então, a na monografia das plantas medicinais, a farmacopeia brasileira, geralmente fala qual que é o resíduo de umidade permitido, mas se não tiver ali, a gente trabalha em torno de 12%. E a gente faz testes, né?

o controle de qualidade, vai fazendo testes para verificar o teor de umidade residual. Eh, durante todo o processo de secagem é feito um monitoramento para acompanhar, né, essa secagem e verificar quando a gente chegou nesse teoridade ideal. Então, o beneficiamento adequado, ele garante a qualidade, segurança e eficácia dos fitoterápicos produzidos ali na farmácia Viva. A etapa seguinte é uma etapa chamada de processamento também, onde eu tenho a extração e a manipulação.

A extração eh a gente pode fazer pelo processo da maceração ou percolação. Esses processos estão lá na forma COPE brasileira, nos procedimentos gerais. tem toda a etapa passo a passo pra gente eh fazer esse processo. Na percolação a gente usa um tecilho chamado percolador, que é esse da foto à direita no alto, né?

Que é como se fosse um cono invertido, que a gente coloca camadas, né? Usa areia lavada, usa papel de filtro, algodão, a droga vegetal já pulverizada, né? que a gente tá nessa figura do meio, é um tamiz, é uma peneira farmacêutica, na verdade, onde a gente passa a droga vegetal pra gente chegar no tamanho ideal da partícula, onde eu vou ter um melhor eh uma melhor extração e uniformidade nessa extração. Então, ou pode ser feito através da ceração, onde eu ponho essa droga pulverizada em contato com o líquido extrator, tem agentação, é um processo mais simples e também funciona muito bem.

E depois ocorre uma filtragem, né, pra gente obter aí uma tintura ou um extrato glicólico. Eh, essas essa tintura e o extrato glicólico a gente chama de derivados vegetais e será uma matériapra paraa produção de fitoterápicos ou a tintura em si já é um fitoterápico, né, que que a pessoa toma em gotas diluída em água. Então, essas são as formas eh de extração. A etapa seguinte seria a mesma manipulação, onde eu incorporo, né, esses insumos farmacêuticos ativos vegetais, que a gente chama de ifave, eu vou incorporar em bases galênicas, que são, por exemplo, a base de um creme.

Essa foto da esquerda, do meio à esquerda, eu tenho é uma base de creme para e tô produzindo um creme de calêndula, acrescentando ali um extrato glicólico de calêndula. Ou eu posso incorporar uma tintura de guaco numa base de xarope simples, que é a foto do meio, ou eu e depois já é a fase de invase, né, onde eu tô invasando o creme em uma bisnaga. Eu vou rotular na etapa abaixo, fazer a identificação correta, né? Lembrando que cada produto, né, antes de manipular, a gente tem uma ordem de manipulação onde eu já coloco ali um lote que vai acompanhar no rótulo esse produto.

É muito importante isso para garantir a rastreabilidade e a qualidade dos produtos da farmácia Viva, tá bom? Então, esses processos padronizados e executados com qualidade garantem fitoterápicos seguros, eficazes e com rastreabilidade nas farmácias vivas. Eh, nós temos a RDC 18 de 2013, que é uma resolução que vai eh monitorar todos esses processos, né, e garantir a qualidade eh de tudo que é feito dentro de uma farmácia viva. Ali diz tudo que o passo a passo, né, que o farmacêutico deve fazer para garantir essa qualidade.

Então eu digo que a nossa Bíblia dentro da farmácia Viva, a Bíblia do farmacêutico, onde te dá todas as etapas e toda a garantia da qualidade e ela tem que ser seguida essa RDC1, tá certo? Quem está envolvido, né? Quais os profissionais envolvidos nas farmácias vivas? aqueles que atuam em toda essa cadeia produtiva, desde o cultivo até a o consumo do fitoterápico, né?

Então, na etapa de cultivo e produção das plantas medicinais, nós temos o engenheiro agrônomo, biólogo, técnico agrícola, jardineiro, agricultor familiar. E eles vão contribuir, né, planejando, cultivando, manejando e conservando as plantas medicinais utilizadas na farmácia Viva. Na etapa de processamento até a dispensação, nós vamos ter farmacêutico, técnico em química e auxiliar de farmácia. eles vão eh garantir, né, o beneficiamento da da matériapra vegetal, o controle de qualidade, a manipulação e a dispensação dos produtos.

Já na prescrição, orientação e uso, nós temos aí envolvidos os médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, agentes comunitários de saúde e os usuários do SUS, ou seja, os pacientes. Os agentes comunitários, pessoal, eles são bem importantes porque eles são o elo entre a unidade de saúde e o paciente. Eles estão indo visitar o paciente na residência. Então, muitas vezes eles trazem situações eh que fazem o profissional de saúde intervir.

Por exemplo, o uso indevido de plantas medicinais, eh o abandono do tratamento convencional, por exemplo, a hipertensão, utilizando plantas que ainda não têm, né, uma validação científica. Então, é muito importante essa comunicação e a presença dos agentes comunitários. Todos esses profissionais de saúde que foram citados, eles têm eh autorização, né, e o reconhecimento de seus conselhos profissionais na prática da fitoterapia. Mas é muito importante que o programa de farmácia Viva ofereça a esses profissionais uma capacitação, principalmente porque nas universidades muitas vezes os profissionais não têm acesso ao uso do a a ao estudo, né, da fitoterapia.

E e dessa forma, a gente oferecendo essa capacitação, eles vão ter conhecimento de interações de de fitoterápicos com medicamentos convencionais, sintéticos, né, de eh alguns cuidados, restrição quanto ao tempo de uso, as principais indicações, né, enfim, a dose correta, o tempo de uso que deve ser feito para cada situação clínica. Então é muito importante a capacitação do profissional de saúde. E esses esses profissionais envolvidos, então eles vão trabalhar com a prescrição, orientação, acompanhamento terapêutico, eh promoção do uso seguro e racional das plantas medicinais e fitoterápicos. Então, e essa cadeia produtiva, né, da das farmácias vivas, ela é multidisciplinar.

Todos esses profissionais são muito importantes, cada um com a sua competência, seu conhecimento e aplicação desse conhecimento dentro dessa cadeia produtiva. Então, quais os benefícios, né, dessa integração? produção qualificada das plantas medicinais, segurança e qualidade dos fitoterápicos, ampliação do acesso, né, eh, aos produtos fitoterápicos, educação e saúde e o uso racional das plantas medicinais e fitoterápicas. Quais serão então os benefícios da inclusão desse serviço no SUS?

Primeiro, né, e muito importante, a redução de efeitos adversos. Os medicamentos sintéticos, muitas vezes eles tratam, né, uma situação e trazem três, quatro problemas. É lógico que eles são importantíssimos. Tem situação que só medicamento sintético não tem outra opção, mas tem outras condições de saúde que o fitoterápico ele resolve muito bem e sem reações adversas.

Eu vou citar o caso aqui, né, de eh afecções gástricas, por exemplo, gastrite, refluxo. A espinheira santa é uma planta, né, a mais tênusic fóli com excelentes resultados e que não tem tantos efeitos adversos como os medicamentos sintéticos indicados para esse caso, que reduz a absorção de vitamina B12. Isso pode causar a longo prazo até quadros relacionados a ao cognitivo, né? Já foi associado ao risco de demência na na velice devido a essa baixa da vitamina B12.

Enfim, em muitas situações, né, o fitoterápico é muito resolutivo. E não é assim falar que é mais barato para você produzir um fitoterapia com qualidade. Muitas vezes ele não vai ser mais barato, mas não é só o valor financeiro. A gente tem que ver os outros valores da fitoterapia, né, como essa redução de efeitos adversos, o resgate, né, da do conhecimento popular.

eh essa interdisciplinaridade, a envolvimento da agricultura familiar, enfim. Então, outra eh outro benefício seria a promoção da saúde preventiva, curativa e integrativa. Então, o fitoterápico, ele não vai só eh tratar a doença, ele vai promover saúde. Muitas vezes as pessoas esquecem disso, né?

O próprio autocuidado, o momento que você vai preparar aquele chá, ele já é curativo, né? na hora da insônia que você para para fazer um um chá de de melça, você já vai eh acalmando, você já vai se centrando. É uma coisa toda uma aura assim de de benefícios, né, que tem nesse momento, fora a ação dos princípios ativos presentes na Melissa oficinares. a desoneração do no SUS, por reduz custos com medicamentos sintéticos.

Quando você eh e cura um paciente, você melhora aquela condição de doença, você evita que ele retorne na unidade de saúde tantas vezes quando ele retornar. Eu eu gosto muito de citar o exemplo, né, da daquelas úlceras varicosas que são feridas que a pessoa tem anos e anos e elas usam o serviço de saúde três, quatro vezes por semana porque tem que fazer a troca do curativo. Então vai consumir eh material, vai ocupar o profissional de saúde, vai exonerar, vai exonerar o SUS. Então, eh, a fitoterapia ela desonera o susto quando esse paciente se cura, ele deixa de frequentar o serviço.

Fora que para mim o mais importante é a qualidade de vida desse paciente, né? Amplia e muitas opções terapêuticas no SUS, então vai ter mais alternativas seguras e eficazes para os tratamentos, principalmente no tratamento de feridas, né? Porque o fitoterápico ele dá oportunidade da gente tratar cada fase da ferida. Você tem uma fase inicial que muitas vezes você precisa é de fazer um desbridamento, ou seja, tirar um tecido necrosado.

Então, para isso a gente tem, por exemplo, a papaína que vem do látex do mamão. A gente trabalha com isso no SUS. Depois disso, você vai ter que usar talvez um fitoterápico que vai ter uma ação antimicrobiana. Então aí você tem a copaíba, por exemplo, e a própria calêndula, uma ação anti-inflamatória, você vai ter calêndula, você vai ter trançagem, eh uma ação cicatrizante, então você vai ter barbatimão, eh uma ação para evitar uma cicatriz, melhorar o processo de cicatrização.

Aí você vai ter rosa mosqueta, por exemplo, né? Então, olha que interessante, para uma ferida só você vai ter vários produtos fitoterápicos. Se você for usar um um produto sintético, né, você não vai ter essa variedade de opções e essa adequação para cada fase, né, da ferida. Outra, outro benefício é a resolutividade e sucesso terapêutico.

A gente tem melhores resultados no tratamento e consequentemente maior qualidade de vida pro paciente. valorização e resgate do conhecimento tradicional. Porque quando você inicia um serviço de fitoterapia, você vai lá buscar no conhecimento tradicional daquela localidade, quais fitoterápicos que já foram usados, se eles têm indicação pros quadros, né, de saúde que mais acometem aquela comunidade. A redução do retorno dos pacientes às unidades de saúde e com isso redução do número de consultas.

Então você tem mais efetividade e continuidade do cuidado. E por fim geração de renda para agricultura familiar. Incentiva o cultivo sustentável e movimenta a economia local. Fora que é um cultivo saudável, né?

Você não pode utilizar agrotóxico defensiva agrícola no cultivo de plantas medicinais. E o que a gente vê, né, infelizmente no nosso país, é um uso abusivo, desordenado de eh agrotóxicos, de defensivos agrícolas, muitas vezes eh proibidos em outros países e que tem trago problema de saúde muito grave paraa população, pros agricultores e e suas famílias, né, má formação eh de crianças, eh casos de câncer, alergias respiratórias, vários problemas de saúde. Então, é só benefício que a gente tem na fitoterapia para o SUS e para a população. Então, ampliar o acesso à fitoterapia no SUS é fortalecer o cuidado integral, a promoção da saúde e a qualidade de vida da população.

Vou dar alguns exemplos de serviços, né, que existem no SUS do Brasil. são serviços bastante resolutivos, são casos de sucesso, né, de serviços implantados e que estão aí eh oferecendo, né, essa porta para a população. Então, a gente tem eh os ortos terapêuticos do Maranhão. São várias, várias, mais de 50 eh iniciativas em municípios do Maranhão, que são espaços de cultivo e educação e saúde, que promovem o uso das plantas medicinais, o fortalecimento da comunidade e o cuidado integral, conduzido inclusive por uma farmacêutica muito guerreira, a Cine, que tá lá no Maranhão, que eu sempre gosto de falar o nome porque realmente vai nas unidad em cada cidadezinha pequenininha e implanta lá o oto, é claro, com o apoio do governo do estado e do governo do município, mas é uma pessoa que que defende bastante e que multiplica bastante os ortos terapêuticos pelo Maranhão.

A farmácia Viva de São Bento do Sul, que é mais uma farmacêutica que, né, que eu eu gosto de apresentar, que é a farmacêutica Ana Prad. É um serviço onde tem o cultivo e também o extrativismo de plantas medicinais e o beneficiamento e a dispensação da droga vegetal para a população mediante prescrição e acompanhamento profissional de saúde. Um outro serviço é a farmácia Viva de Betim, na qual eu trabalhei 16 anos, desde a implantação, né, e até a minha aposentadoria. Mas eh é um serviço que já foi referência aí no no Brasil, que a gente chegou a atender mais de 10.000 eh receitas, né, prescrição de fitoterápicos mensais e os profissionais de saúde aderiram completamente, né, desde dentistas, médicos, farmacêuticos, nutricionistas, fisioterapeutas, enfim, eh utilizando os fitoterápicos, né, em suas prescrições.

a farma verde de Montes Claros com a farmacêutica Eurislene. Um trabalho exemplar, né, que tem todo um controle de qualidade desenvolvido e tá aí atuando e ajudando a população e hoje é uma referência aí no Brasil em termos de farmácia viva também. Então essas experiências fortalecem o SUS e ampliam, né, o acesso à fitoterapia. Nós temos também eh a farmácia Viva de Gramado do Rio Grande do Sul, que ela é mais novinha, mas chegou com toda força já e tá fazendo um belo trabalho.

e a Farma Verde, farmácia Verde, né, de São Gotardo, né, conduzida pelo farmacêutico Bernardo, uma um trabalho exemplar também no Brasil, que ele trabalha bastante com extrativismo, mas um extrativismo consciente, racional. Então, esses serviços, eles são exemplos de sucesso no SUS. Então, como financiar farmácias vivas? pode ser recurso próprio, tanto do município, do estado ou do Distrito Federal, ou através de editais de estruturação de farmácias vivas, que de 2012 a 2024 nós tivemos 15 editais e foram contempladas 140 secretarias municipais de saúde e 14 secretarias estaduais, eh investindo então eh cerca de eh mais de 71 milhões de reais na estruturação desses serviços.

E de 2024 para cá, 2024 e 2025, nós tivemos a um incremento financeiro federal para o desenvolvimento de ações de fitoterapia no SUS, eh, em 2024 e também em 2025, para municípios que enviaram ao menos um registro de movimentação de pelo menos um fitoterápico por meio do sistema, né, da do Ministério da Saúde. E esse registro de dispensação e tem que ter sido enviado nos dois anos anteriores à publicação das portarias. Então, se de 2022 até 2024 o município registrou nesse sistema pelo menos a dispensação de um fitoterápico, ele já está concorrendo, assim como de 2023 a 2025, né? E agora em 2026 ainda não tivemos a publicação de uma portaria.

Então, o valor a ser eh enviado para o município, ele vai considerar o índice de desenvolvimento humano. Eh, quando ele for muito baixo, vai receber R$ 1 per cápita. Baixo 80 centavos, médio 60 centavos, alto 50 centavos e muito alto 20 centavos per cápita. E para esse cálculo foi considerado o senso demográfico de 2022.

Em 2025 nós não tivemos edital de farmácia Viva e em 2026, por enquanto, ainda não. Estamos aguardando. Bom, enfim, agora vamos falar dessa plantinha medicinal que precisa chegar na farmácia [limpando a garganta] Viva. Afinal, a farmácia Viva é a casa das plantas medicinais, né?

Por que não mais essa canabis ativa? Como uma forma de ampliação do acesso aos pacientes do SUS que não tem como comprar. Realmente não tem como comprar. Não tem como comprar de farmácia, não tem como importar, não tem como comprar de associação.

O que acontece nesse caso é a judicialização. E isso não é bom para o SUS. Judicialização adoece o SUS, né? Por que não chegar na farmácia viva?

Nós temos toda a competência para manipular a os fitoterápicos feitos com canabis sativa. Nós já temos toda uma legislação que garante a qualidade dessa cadeia produtiva. Nós já temos a fiscalização da vigilância sanitária, nós já temos a fiscalização da Anvisa, por que não a cansa ativa na farmácia Viva? Então, as principais vias de acesso à cannabissa medicinal no SUS, né, no Brasil, eh, seria importação individual, né, o produto que é importado conforme a a RDC60 ou a compra, né, em farmácias, que até então era regulamentado pela RDC 327 de 2019 e agora pela RDC 1015 de 2026, através das associações de pacientes, que é um acesso por meio de associações autorizadas judicialmente, eh, que tem um acompanhamento multiprofissional, mas que ela não é gratuito e não é para todos, ela é para aqueles associados que fazem parte, né, desse processo judicial, através da judicialização do Sul.

SUS ou de planos de saúde. O que ocorre no SUS é uma sangre o SUS, judicialização não é uma coisa boa para o SUS, não é mesmo? Porque acaba que o SUS vai ter que adquirir esse medicamento num preço muito alto, né? e vai atender poucos pacientes.

Não é universal judicialização. Eh, como deveria ser o fornecimento, como deve ser o fornecimento, eh, o atendimento do SUS, ele deve ser universal e deve ser eh igual, né? Deve ter eh equivalência, equidade, né? Equidade é uma justiça conforme a necessidade de cada um.

é algo realmente muito justo e igualitário e ou através do autocultivo medicinal, é quando o paciente, né, precisa do tratamento, não tem condição financeira de comprar e ele entra com pedido de abas corpos. Então ele consegue uma autorização judicial, né, preventiva para que ele não seja punido pelo cultivo da planta e ele vai produzir o seu óleo de forma artesanal. O acesso a cannabis medicinal do Brasil, então, ocorre por esses caminhos, eh, esses caminhos regulatórios, administrativos e judiciais, que busca ampliar o acesso, mas ele não consegue atender a todos os pacientes, principalmente os pacientes do SUS. No Brasil a gente já caminhou bastante, eu vejo, nos últimos anos, né?

Nesse mapa, nós vemos em verde eh aqueles estados que já t uma política instituída por lei estadual ou distrital em amarelo, aqueles que t estão em processo de implantação, regulamentação ou expansão e em cinzas sem política específica. Então a gente vê que em 75% do Brasil a gente já tem uma política estabelecida, aprovada, instituída ou em andamento, mas isso também não garante que está sendo já implementada. Existe às vezes a política, mas ela ainda não foi implementada definitivamente, né? Os estados encontram-se então em diferentes estados de regulamentação e operacionalização das políticas públicas.

A existência de legislação não implica necessariamente no fornecimento universal já implantado. Então, muito ainda ao que se fazer. Já caminhamos muito, né? E a gente vai ver adiante que agora 2026 a gente teve um grande avanço com aquelas portarias que foram eh publicadas.

Eh, é para realizar, né, esse slide, fazer esse mapa, né, a referência foi essa aqui abaixo, onde a gente vê um estudo feito, né, nos cadernos iberoamericanos de direito sanitário, de regulamentação estadual e distrital da cannabis medicinal no Brasil, uma análise normativa e política. eh, Barroso Júnior, que foi o autor desse estudo e então tá bem atualizado, tá bom? Eh, eu como vice-presidente da Associação Brasileira de Farmácias Vivas, eu defendo muito lá dentro e a gente tem trabalhado bastante, né, nessa entrada da canabis sativa para finalidade medicinal dentro das farmácias vivas. Associação Brasileira de Farmácias Vivas é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2021, constituída profissionais por profissionais e estudantes das áreas da saúde, da agronomia, da botânica e é dedicada ao fortalecimento das farmácias vivas no SUS.

Ela representa as farmácias vivas em instâncias governamentais e não governamentais no âmbito municipal, estadual, federal e do Distrito Federal. Então, os objetivos, né, por existimos, por criada a Associação Brasileira de Farmácias Vivas para fortalecer, né, apoiar e fortalecer as farmácias vivas como estratégia de cuidado em saúde no SUS para integrar, promover a integração entre profissionais, estudantes, instituições e comunidades para qualificar, estimular a produção de conhecimento, a pesquisa e as boas práticas no uso de plantas medicinais para promover e defender políticas públicas que garantam acesso seguro, racional e sustentável. Nesse sentido, nós, né, a Associação Brasileira de Farmácias Vivos elaborou um projeto de lei que está tramitando, né, na Câmara e a passos muito lentos, infelizmente, para atualizar a RDC1. para que a gente amplie, né, a farmácia Viva, considerando farmácia Viva, não só essa que faz desde cultivo até a manipulação do fitoterápico, mas também aquela que faz desde cultivo até a produção do sachê de droga vegetal.

A gente pensa também no consórcio de municípios, porque às vezes tem municípios muito pequenos que não justifica você montar toda uma estrutura de farmácia viva, ela vai ser subutilizada. Então, pensamos num consórcio de pequenos municípios onde se centralize uma farmácia viva e que ela atenda todos aqueles municípios, né, dentre outras coisas. Então, precisamos de apoio para que esse projeto de lei transmite, né, e seja aprovado, se transforme em lei e amplia ainda mais as farmácias vivas no Brasil. Então, o nosso propósito é cuidar de pessoas, valorizar a biodiversidade e fortalecer o SUS com ciência, tradição e compromisso social.

Nesse sentido, então, a farmácia Viva, ela tem uma proposta, né, de como incluir a cannabis ativa eh dentro do rol de suas plantas. Eh, a gente pensa num modelo integrado seguro e sustentável para ampliar o acesso da população a fitoterápicos de cannabis com qualidade, com base em evidências científicas e na regulamentação sanitária. Primeiro seria a implantação de outros oficiais de cannabis ativa. Não é cada município ter lá o seu cultivo de plantas medicinais de de canapis ativa, por é um cultivo que tem muita exigência.

Vocês viram na RDC 1013, né, toda a exigência que é necessária para que se implante um cultivo de cannabis eh com fins medicinais. Então, é muito complicado para um município, para um secretário de saúde implantar. a gente sabe que isso não vai acontecer para que a gente tenha um espaço para cultivo das plantas medicinais, né, comuns, já é super difícil a gente ter pelo menos cerca pra gente ter pelo menos eh um guarda municipal que zelhe ali por aquele local quando a gente não está presente, tem um terreno propício para isso. A gente às vezes luta anos, quanto mais ter ali um cultivo com uma segurança 24 horas, com câmera de vídeo filmando 24 horas, com restrição de entrada, olha, impossível.

Eu não vejo isso como algo viável. Por isso essa proposta de hortos oficiais, onde vai ter vai ser feito esse cultivo, né, com o apoio ali do Ministério de Agricultura e Pecuária, Ministério de Desenvolvimento Agrário, Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Aí a partir dali do cultivo, a colheita é feita, né, e é encaminhado esse material vegetal para um laboratório oficial, laboratório farmacêutico oficial, para que ali seja feito então, né, a produção, né, a extração e a produção do IFA, que é o extrato padronizado, que vai ser matériapra, então, para as farmácias vivas manipularem os fitoterápicos a base de cannabis ativa. Eh, então ali a gente vai ter uma variedade de formulações.

Podemos fazer xarope, supositório, eh formulações tópicas como creme, eh, a gente pode fazer formulações orais, é, tipo spray, né? Eh, a gente pode fazer os óleos, né, para uso sublingual, conforme é usado hoje bastante, a forma farmacêutica mais utilizada, né? E depois esses fitoterápicos feitos de forma individualizada a partir da prescrição médica, inclusive isso é muito legal quando você possibilita ao médico que ele individualize a prescrição do seu paciente conforme a necessidade que ele tem. Eh, então esse fitoterápico seria dispensado com segurança e responsabilidade, né, na própria farmácia viva ou nas unidades de saúde, mantendo ali todos os registros de rastreabilidade, a dispensação seria feito pelo farmacêutico da unidade de saúde ou mesmo da farmácia viva, né?

Hoje no SUS a gente tenta fazer um fluxo que facilite para o o usuário, né, para que evite que ele tenha se deslocar. Muitas vezes ele não tem recurso nem para se deslocar do da sua residência até uma farmácia viva que vai ficar mais distante. Então a [limpando a garganta] gente descentraliza essa dispensação. A gente coloca dispensação na própria farmácia da unidade de saúde, onde temos um farmacêutico responsável e ele que vai fazer essa dispensação, vai forer todos os registros, né, conforme a legislação.

Então, quais os benefícios, né, de desse dessa cadeia, né, que a a Associação Brasileira de Farmácias Vivas sugere, eh, vai ampliar o acesso gratuito e seguro aos fitoterápicos de cannabis pelo SUS, vai eh produzir, né, de forma controlada, padronizada e rastreável todos os fitoterápicos em conformidade com a legislação sanitária. vai eh manter, né, garantir sustentabilidade, porque vai ter uma integração entre cultivo, produção e dispensação no SUS, fortalecendo as políticas públicas de saúde e vai garantir um cuidado integral, promovendo o uso racional de fitoterápicos e o cuidado integral centrado no paciente. No SUS, né, os farmacêuticos, eles fazem a atenção farmacêutica. ele vai acompanhar o paciente, ele vai orientar o uso correto, ele vai identificar possíveis reações adversas, fazer o manejo dessas reações adversas, né?

vai verificar a adesão do paciente ao tratamento, enfim, a gente vai garantir qualidade do início ao fim desse processo. Então, o objetivo, né, da nossa proposta é fortalecer as farmácias vivas como espaço estratégicos de cuidado em saúde, promovendo autonomia, qualidade e e equidade no acesso a produtos de cannabis para fins medicinais. Os benefícios então dessa inclusão da canabis sativa nas farmácias vivas, evitar o emprego de recursos públicos na aquisição de produtos oriundos de processos judiciais, ou seja, desonerar o SUS, né? Porque judicialização, eu falo que sangra o SUS, isso não é bom para o SUS, é uma doença para o SUS, né?

possibilidade de parcerias, convênios, com entidades públicas ou eh privadas, né, para o monitoramento e garantia da qualidade. Então, vai garantir segurança e efetividade dos tratamentos aos pacientes. Inserção da planta em uma cadeia produtiva totalmente regulamentada, porque a farmácia Viva ela está totalmente regulamentada pela portaria 886 e pela RDC1. Então não vai ter desvio de qualidade e também sem fins lucrativos.

O nosso objetivo na farmácia Viva é produzir fitoterápicos 100% seguros e 100% eficazes, sem fins lucrativos. O produto da farmácia Viva, ele é gratuito ao paciente mediante a prescrição e vai também ampliar e garantir o acesso da população ao tratamento com produtos de cannabis. a toda a população, né, não só aos pacientes do SUS, porque o SUS é universal, então é a forma de ampliar totalmente o acesso ao tratamento. Eu vou falar aqui rapidamente sobre a o novo marco regulatório da cannabis medicinal no Brasil, que foram as quatro, na verdade cinco resoluções.

tem a 1011, né, que ela vai alterar a RDC, a portaria 344, a RDC 344, que eh trata dos produtos controlados, a RDC 1012 de 2026, que que vai autorizar, né, o o cultivo e pesquisa de de produtos de cannabis com fis medicinais, inclusive, né, essa portaria ela não estabelece limite de Tor de THC, a RDC 103 de 2026, que vai eh regular o cultivo, né, com fins eh farmacêuticos, industriais e medicinais, né, da cannabis ativa, porém de produtos com até o teor de até eh 03% de THC, a RDC 1015 de 2026, que ela substitui a RDC 327 e com algumas novidades, né? Eh, primeiro, em relação a prescrição eh de produtos de cannabis com até 02% de THC, passa a ser feita em receita receituária especial, que é a receita branca em duas vias, né? sendo que uma das vias tem que ficar eh no junto ao prontuário do paciente e a outra via vai ser utilizada paraa aquisição do produto. Ela também eh oficializa, né, autoriza a prescrição odontológica.

Então agora a prescrição para humanos, ela pode ser feita por médicos ou dentistas e também autoriza, né, a manipulação magistral de produtos de cannabis. com eh na verdade 98% de eh canabidiol. Então, eh as farmagas de manipulação não vão poder fazer um produto com CB canabidiol Spectro, por exemplo, com até 02% de de THC. O produto ele praticamente é o canabidiol isolado, né?

Porque ele tem que ter no mínimo 98% de pureza. os os 2% restantes, né, vão ser produtos ali da planta que são terpenos e rastros às vezes de THC, mas é muito muito pouco, praticamente é o isolado. e a RDC 1014 de 2026, que estabelece um ambiente experimental, o Sandbox regulatório, onde ela vai avaliar, né, o trabalho feito pelas por algumas associações que se enquadrem, né, os requisitos da norma e também vai ter um edital específico para poder eh selecionar essas associações que durante 5 anos vão eh ser supervisionadas, né? Vão avaliar, a Anvisa, vai avaliar as práticas de cultivo e produção que são feitas nas associações.

Então, o que mudou, né? A pesquisa agora está regulamentada e isso é muito bom porque a os pesquisadores vão poder trabalhar com produtos com maior TO de THC e vão poder cultivar para fazer essa pesquisa o que antes era proibido no Brasil, né? a gente vai ter um cultivo regulamentado do Cânamo, na verdade, porque é uma espécie que tem até 03%, né, de de THC, a produção regulamentada no Brasil, então vamos poder produzir para fins medicinais farmacêuticos, a manipulação farmacêutica autorizada, né, para produtos eh com canabol até 98% de pureza E novos modelos regulatórios serão avaliados, né, para um futuro aí, quem sabe uma nova regulamentação. Então, pela primeira vez, o Brasil possui normas específicas, abrangendo praticamente toda a cadeia produtiva de eh cannabis medicinal.

Mas por que não se fala de farmácia viva em nenhuma dessas resoluções? Porque a farmácia viva ficou de fora. Existe uma oportunidade futura para que as farmácias vivas possam eh trazer a canativa e produzir os fitoterápicos com canabis sativa ampliando, né, o acesso da população a esses produtos. Essascs não incluem a farmácia viva, mas criam bases regulatórias compatíveis com esse modelo assistencial.

Então o que já existe nessas resoluções? pesquisa científica, cultivo regulamentado, produção farmacêutica, manipulação magistral, controle sanitário e rastreciabilidade. Qual convergência com as farmácias vivas, né? Cultivo de plantas medicinais que as farmácias vivas fazem, manipulação farmacêutica que as farmácias vivas fazem, prescrição individualizada também, que faz parte das ações das farmácias vivas.

Integração com o SUS, farmácia Viva, ela só existe dentro do SUS. ampliação do acesso, porque farmácia Viva é para todos, desde que tem uma prescrição de seus produtos e é gratuito. Então, o que ainda falta? Falta a inclusão da cannabis na política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos.

uma regulamentação específica para as farmácias vivas, atualização da RDC18, adequação da portaria de consolidação 5 de27, que é uma portaria que consolida a 886 de 2010, e uma definição de requisitos de segurança para o cultivo público. normatizar isso. Perspectiva então da Associação Brasileira da de Farmácias Vivas, as RDCs 10, 12, 13, 14 e 15 não autorizam diretamente a cansativa nas farmácias vivas, porém estabelecem as bases técnicas sanitárias e regulatórias que tornam essa possibilidade viável para futuras discussões no âmbito do SUS. As bases regulatórias criadas dizem respeito a uma possibilidade futura de integração às farmácias vivas.

E baseado nisso, essa é uma luta da Associação Brasileira de Farmácias Vivas que nós estamos levando para eventos científicos como congressos, simpósios, levando mesas de debate com entidades que estão relacionadas a entidades governamentais que estão relacionadas aí a essa causa, estão atuando nessa causa da cannabis medicinal no SUS. Então eu convido a todos que venha se associar, junte-se a nós, né, a Associação Brasileira de Farmácias Vivas, para fortalecer essa nossa luta e possibilitar que realmente, né, isso aconteça, que a canapse ativa chegue na farmácia viva e o acesso seja ampliado a todos que precisam do seu tratamento de forma gratuita. Para se associar, basta você entrar no nosso Instagram, Abra Farmácias Vivas, e ali na link da Bio existe eh a forma de o formulário, né, para que seja feito, né, a associação. Tem lá o cadastro de associados.

A anuidade é muito barato, sabe? Isso não vai honerar ninguém. E a sua força nessa luta é muito importante para que a gente tenha uma vitória. Nós temos o site que é abfarmácias vivas.org.

Ele é aberto a todos. Vocês podem eh entrar e ter acesso a a muitas coisas, muitas notícias, material científico e o associado, é claro, tem mais benefícios, tá? Então, fortalecendo as farmácias vivas, a fitoterapia e o SUS em todo o Brasil. Esse é o nosso trabalho, né?

a nossa luta e esperamos que vocês venham nos ajudar nessa luta, tá bom? Eu agradeço. Deixo aqui meu contato, meu Instagram, Matricária Farma. Tem maior prazer em recebê-los.

E lá eu divulgo eh informações científicas sobre cannabis medicinal, sobre eh fitoterapia, sobre aromoterapia, né, sobre práticas farmacêuticas integrativas, porque eu sou uma farmacêutica integrativa e tô aqui para plantar conhecimento, cultivar saúde e transformar vidas. ajudar cada um que precise do meu trabalho. Muito obrigada e fico à disposição.

6ª Aula — Endocanabinoidoma - Prof. Dr. Paulo Morais

Aula 6 · YouTube · ~52852 caracteres · pt

Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabisativa. Sou a Gabi da Inésite. Tô aqui para apresentar a nossa sexta aula, aula muito importante para que a gente consiga entender os outros conceitos que vem a seguir, que é sobre o sistema endocanabinoide.

Para essa aula, a gente vai receber o professor Paulo Morais. Ele que tá desde antes do curso, até eu falei um pouquinho dele no vídeo de apresentação, quando eu contei um pouquinho da história do curso. Ele aparece inclusive em uma das fotos. Ele fez parte desde a primeira edição do nosso quadro de professores.

Ele que é docente da Universidade da UNIR, da Universidade Federal de Rondônia. Então, queria agradecer o Paulo por estar com a gente mais essa edição, pelo esse conteúdo maravilhoso. A gente adora as aulas do Paulo e dizer que a gente se encontra, inclusive na terça-feira complementando esse conteúdo eh do sistema endocanabinoide e que é a base pra gente seguir o curso até o final. Então, ten uma ótima aula, ten um ótimo final de semana.

Espero que vocês gostem dessa aula. A partir de hoje vou lembrar vocês de curtir, comentar e compartilhar a nossa aula em outros canais, em outras redes sociais. É importante para que a gente atinja mais pessoas, para que a gente tenha mais engajamento, para que a gente possa quebrar mais preconceito, mais barreiras aí e fazer chegar conteúdo de qualidade, desmistificando essa planta, o uso terapêutico dela e fazendo chegar em várias famílias aí, em vários pacientes, em vários terapeutas, eh, em quem precisa. Então, um ótimo final de semana, a gente se vê.

Olá, meu nome é Paulo, sou psicólogo, sou professor na Universidade Federal de Rondônia, no curso de psicologia. Faço meu pós-doutorado no Programa de Orientação e Atendimento ao Dependente no Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Também sou membro da Associação Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas, a Abrande e coordeno o laboratório de estudos psicodélicos da Universidade Federal de Rondônia, que é um projeto de extensão. E falando em projeto de extensão, começo parabenizando as organizadoras nessa 14ª edição do curso de cânnabes medicinal e agradecendo também a oportunidade mais uma vez estar colaborando com essa importante iniciativa de divulgação científica e cidadania.

E sem mais delongas eh vamos falar sobre o endocanabinoidoma. E falando em endocnabinoidoma, vocês têm aí nessa imagem a minha reação, a primeira vez que eu ã precisei falar sobre esse conceito, né, e publicamente. E vocês vão ver ao longo do do dessa aula porqu dessa minha reação. Não sei se alguém ao ler esse esse tema teve uma reação semelhante, né, que é um nome bastante diferente.

Aliás, é um neologismo, uma uma palavra criada nesse novo século, né, no século XX, para descrever um sistema orgânico, ã, que foi eh recentemente identificado os componentes. Sem mais delongas, na próxima hora eu vou conversar com vocês a respeito de alguns avanços científicos na compreensão dos efeitos da cannabiss. can usizada há muito tempo, mas a compreensão de como esse ela age no nosso corpo é relativamente recente. Vamos falar de sistemas orgânicos, né, para ter uma compreensão do endocanabinoidoma, que é um sistema orgânico bastante amplo.

A gente tem que ter uma noção do que são sistemas orgânicos. Eu vou dar como exemplo o sistema nervoso central, que assim como o endocanabito também é um sistema que organiza e gerencia o funcionamento de outros sistemas orgânicos. Vamos falar do sistema endocanabinoide, do qual o endocanabinoidoma é um é uma é uma extensão, é uma uma ampliação de conceito e ao final conversar um pouquinho a respeito de uma perspectiva biopsicossocial integrativa da saúde, como isso se relaciona com essa esse conceito que a gente vai ver hoje. Bom, ah, história da maconha da da relação dos seres humanos com a cânnabis, né, que é o nome da planta da qual a gente chegou a conhecer o sistema endocanabinoide, daí o nome, né, eh, endocanabinoidomba, a função do da planta de ser conhecida há muito tempo.

A relação da espécie humana com essa planta se perde no tempo. Foi uma das primeiras plantas a ser domesticada pela nossa espécie e tem sido dado diferentes usos ao longo do tempo, né? os efeitos tanto medicinais quanto euforizantes, estéticos, filosóficos, espirituais da planta são conhecido já há muito tempo. No entanto, um conhecimento científico, né, de como essa substâncias presentes nessa planta geram efeitos ah os efeitos que que nós conhecemos passou a ser eh algo bastante é algo bastante rescente, né, nessa por esses autores datado a partir da identificação da principal das principais substâncias psicativas do do da planta.

que é o delta9 THC e o canabidiol. e também da descoberta do sistema endocanabinoide ao longo do final da década de 80 e início da década de 90 do século passado. Bom, falando desses avanços científicos, embora uma boa parte do do avanço científico que a gente tem a respeito do funcionamento do sistema, aliás, o conhecimento que a gente tem do sistema canabinoide é bastante recente, é do na década de 80 do século passado que nós conhecemos, ã, [limpando a garganta] identificado os primeiros receptores, né, primeiras estruturas do nosso organismo. que eh sofrem o efeito da do THC especificamente, né, o por onde age a agia os efeitos psicativos da maconha.

E só que esse desenvolvimento científico ele não começou no século XX. a gente pode datar ao início do uso da microscopia e também de metodologias reducionistas e mecanicistas como forma de eh investigar a natureza lá no século X7. Bom, falando em reducionismo, né, que é um método de investigação científica, no qual se propõe que para conhecer o funcionamento, conhecer fenômenos biológicos mais complexos, eu vou estudar ah a questão a partir de elementos mais simples desse fenômeno, né, nessa representação aqui do organismo para conjunto de de órgãos que formam um sistema de órgãos isolados para que são formados de tecidos, esses tecidos formados por células, essas células com organelas intracelulares, essas organelas formadas por proteínas e por lipídios. E isso, essa produção desses proteínas e lipídios, ã, proporcionada pela atividade genética.

E esse essa metodologia bastante eh efetiva, né, no em termos de explicar relações relações de de funcionamento do organismo. a gente tem uma série de exemplos do sucesso dessa do uso dessa metodologia para saúde humana, que é o caso aqui no nessa imagem, né, insulina pro diabetes, a descoberta de que atividade de os receptores betadenérgicos têm relação com hipertensão e também sintomas de ansiedade, marcadores genéticos para para alguns tipos de cânceres, né, essa essa metodologia é uma metodologia bastante efetiva em termos de proporcionar conhecimento. É uma metodologção, uma metodologia, um raciocínio que exige a criação de novas tecnologias, né? a gente é bastante recente a gente poder estudar eh genes, proteínas e esses elementos menores do organismo, mas bastante efetivo.

E esse conhecimento de elementos bastante ã reduzidos, né, eh estruturas bastante minúsculas do nosso organismo, leva a gente ao ao endocanabinoidoma, né? E uma forma da gente entender o que é esse endocanabido é aplicar esse reducionismo, né, estudar por partes a própria palavra endocanabinoidoma, né? O neologismo, como eu falei para vocês, ã, parece grego, né? é uma palavra formada a partir de de grego.

Ah, endo, dentro, interno, canabinoide relativo a cannabis, cânomo, maconha, que é a mesma coisa, ea referente a grupo, massa, conjunto. E a gente vai ter aqui uma definição de que o endo, o endocaditoidoma é o conjunto integrado de mediadores químicos, receptores, enzimas, redes biológicas, vias metabólicas internas do organismo que se relacionam aos efeitos de canabinoides de de canabinoides. Bom, falando de sistemas orgânicos, embaixo na imagem vocês têm definições de dicionalizadas de sistemas. Essa definição anatômica, né?

Conjunto de órgãos ou tecidos relacionados que desempenham uma função específica. E aí na imagem, sistema cardiovascular, sistema nervoso, sistema eh nervoso, sistema respiratório, digestório, órgãos, grupos de órgãos que desempenham uma função específica. E o endocnabinoidoma é um conjunto de órgãos e elementos, né, de receptores, mediadores químicos e processos relacionados que desempenham ã funções vitais. E se a gente for elencar uma função vital específica, é a homeostase, a o equilíbrio das disfunções orgânicas do corpo, né?

Falando do sistema nervoso, é o sistema nervoso, nessa representação aqui, a gente tem o sistema nervoso central, o órgão enccêfalo e o órgão medula e a sistema nervoso periférico, né? Sistema nervoso central. localizado na caixa craniana no interior da dos ossos da coluna vertebral. E esse eh sistema nervoso, né, diferente do sistema respiratório, que o nome é pela função, sistema digestivo também, né?

sistema digestivo digere, o sistema respiratório respira, o sistema nervoso, o nome, né, eh, em função dos elementos que constituiem o sistema, né, os neurônios, que são as células que formam o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. Esses neurônios são células, células. Quando eu falo células, eu tô falando de estruturas bastante pequenas, vistas apenas ao microscópio. E essas células formadas por outras estruturas também reconhecíveis e vista somente a partir de microscópio, microscopia eletrônica muitas vezes, que são a membrana celular e as organelas intracelulares.

Bom, pergunto se vocês já pararam para pensar que o nosso corpo ele não para, né? Ele ao todo tempo, né? estão, estejamos acordados, dormindo, executando alguma atividade. Eh, a gente tá sempre, o nosso corpo, ele tá sempre a se ajustando, ah, pelo menos minimamente a questões minimamente, eh, não exagero falar, mas por serem muito sutis essas mudanças, esses ajustes, mas ajustes constantes da nossa condição a ao ambiente, tanto o ambiente externo quanto o ambiente interno, tá?

H, por exemplo, a manutenção de temperatura, né? Nosso corpo tem um uma temperatura ã ótima de funcionamento, né? Por volta dos 36º. Muito acima disso a gente vai chamar de febre, muito abaixo disso a gente vai chamar de hipotermia.

E o ambiente muda de temperatura, né? Independente das nossas condições fisiológicas, o o ambiente muda de temperatura e o nosso corpo ele se adapta a essas mudanças, ele responde essas mudanças, né? Quando esquenta a gente, o nosso corpo ele responde ah com estratégias, com respostas fisiológicas que diminuem a temperatura, né, que ajuda a diminuir a temperatura, como, por exemplo, ah, transpirando, né, colocando água para fora, refrescando o corpo com água. ou no caso de do frio, deixando os pelos eriçados pro para para uma maior camada de ar e tremendo os músculos, né?

Esse processo de equilíbrio do de dessas funções orgânicas do estado orgânico, é conhecido como homeostase, né, que é uma das mais importantes, dos mais importantes temas no campo da fisiologia e da biologia, tá? E a gente vai eh ver mais adiante a falando de homeostase, né? A gente já começa a falar aqui uma um ponto central da da homeostase a de controle de organização de resposta homeostática, é o hipotálamo, que é um pedacinho do nosso sistema nervoso central. H bom, como eu falei, ah, conhecimento, método que a gente usa de estudo, é um método reducionista, né?

E a gente obteve essas conseguiu entender muito de estruturas muito pequenas que compõem o nosso corpo, que formam o nosso corpo e permitem o funcionamento do nosso organismo a partir de tecnologias. Tô obgando aqui como exemplo microscópio, que permitiu a gente observar as células em detalhes e a ponto de conseguir ver que compõe a a célula, né? Por exemplo, aqui a uma representação de membrana e nessa membrana o que compõe essa membrana, os elementos da membrana, né? Lipídios e uma e proteínas aqui, né?

E essas proteínas, a gente vai falar bastante delas, são proteínas receptor receptoras. Eh, e quando eu falo proteínas receptoras, né, que vão receber alguma coisa e essa alguma coisa são sinalizadores químicos, né, o nosso corpo, uma grande parte das funções é eh mediada por reações químicas e essas reações químicas se dá por atividades celulares. essas atividades celulares mediadas por ah muitas delas por sistemas de conexão de uma substância química com um estrutura do nosso nosso corpo, uma proteína do nosso corpo, que são o as proteínas receptoras de membrana. Aqui nesse exemplo a gente tem o uma substância, né, chamada uma molécula, nessas substâncias, moléculas no nível eh atômico, molecular.

a acetilcolina. Bom, ah, e esse sistema, né, uma boa forma da gente mentalizar esse funcionamento, é, não é um uma metáfora perfeita, mas é uma metáfora que nos ajuda a lembrar um sistema de chave e fechadura. os receptores, né, as proteínas de membrana que vão eh mediar a atividade celular, elas hã sendo específicas para chaves, para moléculas. E essas moléculas, a partir do contato da relação da molécula com o receptor, né, com a com a fechadura, produz uma mudança e essa mudança ã vai ser desencadear aí uma série de eh respostas celulares e, em última instância comportamentos complexos e respostas orgânicas bastante complexas, né?

Aí nesse modelo de chave fechadura, né, como eu falei, uma molécula que se ahã que é reconhecida por uma que tem características que eh interagem com o uma proteína do nosso organismo e funciona no sistema de chave fechadura. E nesse sistema de chave fechadura, alguns nomes que eu vou falar mais adiante relacionados à farmacologia dos canabinoides, tá? E aí eu peço, gente pode ter três condições aqui dessa chave e fechadura. Uma chave de fato, né, que se encaixa perfeitamente nos na fechadura e promove a resposta, né, promove a abertura do do do do do mecanismo da da fechadura.

Eu vou ter uma chave modificada, né, que eu vou chamar na farmacologia de agonista parcial. que vai ter características semelhantes à chave, até serve na fechadura, até produz uma mudança no mecanismo da fechadura, mas não uma mudança tão ã plena como a chave produziria. Eu vou ter uma chave falsa, colocar aqui um galho, tentar colocar um galho na num buraco de fechadura. Esse galho vai impedir, não vai fazer nada, né?

não vai executar função nenhuma em termos de mecanismo da dessa fechadura, mas vai impedir que o a que uma que uma que [limpando a garganta] uma chave que abriria aquela aquela fechadura que essa chave eh tenha contato. E nisso eu tenho um bloqueio de atividade, né? E essa esse elemento eu vou chamar de antagonista, né? Esses nomes aí no campo da farmacologia.

Bom, falando de chaves e fechaduras e pra gente chegar no sistema endocanabinoide, depois no endocanabinoidoma, falar da primeira substância, primeiro neurotransmissor que foi identificado, que é a cetilcolina, né, que é uma substância produzida pelo nosso organismo a partir de elementos que a gente obtém na nossa dieta. E essa substância, ela tem receptores também, né? Já são reconhecidos e foram já bem mais tempo reconhecidos receptores, né, proteínas que reconhecem essa reconhecem a essa molécula e modificam a atividade celular em função desse reconhecimento. E pegando aqui como exemplo, o a acetilcolina tem receptores que são chamados de nicotínicos.

tem receptores chamados de muscarínicos, tá? E por que que tem esses nomes nicotínicos e muscarínicos? Nicotínicos eles, a chave dele além da da acetilcolina que o nosso corpo produz, tem substâncias no mundo aí. E entre essas substâncias, o tabaco, né, a nicotina presente no tabaco, que funciona como uma chave para esse tipo de receptor.

Tem um e aí é dado o nome de nicotínico. O receptor muscarínico tem uma substância num tipo específico de cogumelo chamado amanita muscária, que produz uma substância muscarina e que também funciona como chave para esses receptores de acetilcolina. E com isso se tem uma um refinamento de conhecimento a respeito dos efeitos da acetilcolina e de outras substâncias que agem sobre a acetilcolina. H, substâncias externas, tá bom?

Tomando como exemplo a acetilcolina, a gente tem um já o conhecimento a respeito de onde essa cetilcolina, onde o nosso corpo produz essa substância, né? Onde tem grupos de neurônios que são especializados, grupos de células especializadas em produzir essa molécula. E para onde ela projeta, né, esse os neurônios localizados nesses nessas regiões projetam enviam eh ailocolina para eh ativar o receptores em diferentes regiões do do sistema nervoso, tá? Ã, e aqui continuando na acetilcolina, falei que tem neurônios específicos, né?

a gente conhece grupinhos neuronais que vão ter células que vão produzir a cetoccolina, vão produzir essa essa molécula. E aqui eu vou apresentar, né? Não se assustem com a imagem, com a tent vou descrever aqui esses esses passos, né? Essa daqui é a cetilcolina.

Então é uma substância que o nosso corpo produz a partir de duas outras moléculas, a colina e a gastetil comenzima A, [limpando a garganta] tá? Para nosso corpo produzir acetilcolina, vai acontecer a atividade de uma proteína que é uma enzima. Essa enzima vai fazer uma reação química lá pro uma reação química e vai produzir a molécula de acetilcolina. Acetilcolina é um neurotransmissor que vai ser armazenado em vesículas sinápticas e vai ficar armazenado até que chegue um sinal nervoso, um impulso nervoso que faça essa vesícula sináptica.

Isso aqui é o interior de um terminal nervoso. Daqui a pouco vou vou apresentar um um modelo de desse. Ela vai ficar armazenada até um sinal elétrico chegar nesse nessa nessa região e ela ser liberada num espaço extracelular, conhecido como fenda sináptica, e interagir com um receptor, com uma outra proteína numa outra célula e proporcionar uma resposta nessa nessa nessa célula que vai ter o receptor, né? E a acetilcolina depois de ela executar a atividade, ela vai ser destruída, né?

vai existir enzimas especializadas em reconhecer e ã degradar, destruir a molécula de acercolina, né, quebrando a molécula. E esse ciclo se recomeça. Mas eu apresentei esses elementos para vocês, porque para falar do sistema endocanabinoide, ah, esses nomes se eu apresentasse lá a primeira vez, talvez parecesse assim muita novidade para quem não é acostumado com a linguagem biomédica, bioquímica, tá? Então, a gente vai falar, quando a gente fala de sistema endocanabinoides, a gente vai falar de receptores, endocanabinoidoma também, de receptores, de ã sinalizadores químicos e de enzimas responsáveis tanto pela produção quanto pela destruição do do da substância química, tá bom?

Hã, falando de comunicação entre células, né, na comunicação celular, eh, a toda a atividade sensorial, motora, tudo que a gente tem de ouvido, ouvido paladar, são experiências que a gente tem pela por atividade do sistema nervoso central e por um sistema de comunicação entre células, tá? Dou como exemplo aqui a a percepção, né, a sistema visual que eu eu tenho células no fundo do meu olho especializadas em detectar energia luminosa e converter essa energia luminosa em impulso elétrico. E esse impulso elétrico é o que vai ser a linguagem de uma parte da linguagem de comunicação dentro do sistema nervoso. aqui vamos pegar aqui um uma imagem, né?

Ela ela estimula células no fundo do nossos olhos, que essas células vão formar o nervo ótico, né? Na aqui a imagem é é convertida em um impulso elétrico. Esse impulso elétrico vai até uma região chamada núcleo geniculado medial. Lá vai fazer conexão, né?

Vai fazer sinapse com outra célula. E essa informação vai até chegar ao nosso córtex visual, nosso córtex ocipital. E aqui eu tenho um exemplo ampliado pra gente ver esse esqueminha, tá? Um neurônio, uma célula nervosa que vai transmitir um impulso que é o neurônio pressináptico, e a célula nervosa o neurônio pr péináptico, que vai ã receber a atividade desse neurônio pré-sináptico, tá?

esse neurônio por diferentes por mudança na carga elétrica da membrana. Diferente de outras células do corpo, neurônio, ele produz uma atividade elétrica, né? Ele em função de diferentes estímulos, ele vai disparar um impulso elétrico aqui. Esse impulso, o chamado de potencial de ação.

Esse impulso vai percorrer toda uma estrutura chamada axônio e vai chegar até estruturas finais desse axônio, que são os botões terminais. E lá vai acontecer a sinapse, que é a comunicação com o neurônio seguinte, o qual vai estimular a atividade desse outro neurônio ou inibir a atividade desse outro neurônio. Aqui nessa ampliação a gente tem o botão terminal, né, onde vai acontecer a sinapse. É que eu falei anteriormente da do neurotransmissor, no caso acetilcolina armazenada, desculpem, em vesícula sináptica.

Essas vesículas sinápticas, quando chega um potencial de ação aqui, né, uma um pulso, acontece uma mudança na carga elétrica da membrana, ela libera os neurotransmissores. Esses neurotransmissores, eles vão ser reconhecidos por proteínas especializadas com características específicas em reconhecer esse neurotransmissor. E a partir da interação do da molécula de neurotransmissor com a proteína receptora, com pedacinho da proteína receptora, vai promover uma resposta celular, seja uma resposta celular de mudança de carga da membrana, seja respostas celulares que envolve até mudança no metabolismo da célula. Bom, dito isso, voltamos, começamos a falar um pouquinho mais de canabinoides.

Esse artigo aqui eu recomendo para quem tem interesse no estudo científico dos endocanabinoides, um pouquinho da da história, né, do do desenvolvimento de desse desse conhecimento, né, que a gente tem mais de pouquinho mais de 100 anos que a gente conseguiu isolar um canabinoide, uma substância química específica. da planta cânnabis, que foi o cannabinol. Na década de 40 foi identificado o canabidol, o CBD já foi isolado na década de 40. H, década de 60 identificado o delta9 tetrahidrocanabinol, né, o principal componente psicoativo e com características aí bastante específicas que chamou bastante atenção e a partir dele é considerado um marco na do conhecimento da farmacologia dos canabinoides.

Na década de 70, eh, foram desenvolvidos em laboratório uma série de moléculas que tentavam imitar o THC e a partir delas foi possível na década de 80 se identificar se reconhecer no corpo de de organismos mamíferos ah proteínas que eram especializadas em reconhecer, né, em responder ao THC. E esses receptores, essas proteínas ficaram conhecidas como CB1. Pouco tempo depois, início da década de 90, foi descoberta uma substância química produzida pelo organismo e que ativava o receptor. Afinal de conta, se tem o receptor no organismo, deve ter alguma substância que interaja com ele.

Não, não seria não estaria ali o receptor esperando a pessoa, o o animal ter acesso à maconha para para ele ser ativado, né? uma ter tem o a substância no próprio organismo. Identificado também o um outro receptor, o CB2, mais um mediador químico endógeno, o 2 AG, identificadas as enzimas responsáveis tanto pela produção quanto pela degradação do 2AG e do CBD, do CBD, não, desculpem, do da Nandamida. e a o endocanabinoide, né, uma série de de eventos acontecendo e o a ideia do endocanabinoide por volta do ano 2020 2011, né?

A primeira referência dela dessa palavra no Medline, né, no Pubm é de 2009 e muitos acontecimentos. Recomendo quem tiver interesse em conhecer um pouquinho desse desse desse desse trajeto aqui, o filme O Cientista, que até pouco n atrás pelo menos estava disponível no YouTube. Bom, falando de sistema endocanabinoide, sistema endocanabinoide clássico, ah, composto pelos receptores canabinoides, né, proteínas ã de membrana especializadas em reconhecer THC especialmente, mas de também o CBD, né, inicialmente anabinoides externos, depois reconhecidos substâncias endógenas, né, substâncias produzidas pelo nosso organismo e que atuam nesses receptores. Inicialmente, e o dois araquinioetanolamida, que é popularmente popularmente é uma um um endocanabinoide relativamente popular, né, chamado de anandamida.

Foi descoberto em identificado em 2000 em 1992. e o 2 Ag, 2 araquinói ou glicerol descoberto em em 95. As enzimas de produção, né, as enzimas responsáveis pela produção da nandamida e do 2ag e as enzimas responsáveis pela degradação, por quebrar a molécula de ã anandamida e 2. Então, o sistema endocabinoide clássico são os receptores, dois receptores, dois mediadores químicos, 2 AG e anandamida, e as suas respectivas enzimas de síntese e de degradação.

Ah, falando dos receptores, né, canabinoides, ah, canabinoides, os dois, CB1 e CB2, receberam o nome de canabinoides por serem sensíveis ao elemento da planta conhecido inicialmente. São receptores, que é um detalhe eh fisiológico mais importante do ponto de vista de saúde. são ah receptores do tipo metabotrópicos, né, acoplados a proteína G. Esse GPRC é a sigla em inglês para para esses receptores.

Eles são receptores que tem porções, ão tem uma configuração, uma molécula, uma molécula, uma proteína com uma configuração específica atravessando a membrana celular, uma parte extracelular, uma parte intracelular e ah lida com sistemas de segundos mensageiros. Isso quer dizer que ele é ação um subtipo de receptor que ele a ativação dele por uma molécula, além de produzir uma resposta imediata na polaridade da célula, também tende a produzir respostas tardias na alteração metabólica e de expressão enzimática e e proteica da célula, tá? forma, né? Os as proteínas são conjuntos de aminoácidos e a forma que esses aminoácidos eles vão se organizar, isso aqui também é um detalhe mais interessante.

ah, vão vão especificar qual é o local onde vai ser se ligar substâncias principais como o 2ag e o a landamida e sítios de ligação alostéricos, que são locais na própria proteína receptora, que não tem a ativação dele não é pelo ã sinalizador químico principal, mas por outros sinalizadores químicos e que a ativação deles modula a ação do modulador do do sinalizador químico principal, tá? E esses receptores metabotrópicos, os dois os dois canabinoides, né? CB1, CB2, tem ação modulatória da atividade celular. Aí essa ação modulatória aqui, um esquema que eu tenho, o primeiro mensageiro que é a substância química, né?

sinalizador químico, ligante químico, a ceticolina, no caso do sistema endocanabinoide 2AG ou anandamida, o receptor endocanabinoide, a proteína de membrana, a membrana celular e a atividade dele na interação do endocanabinoide com o receptor CB1 ou CB2 vai promover uma mudança nesse receptor que vai ativar a proteína G. Proteína G vai ativar uma cadeia enzimática, vai ativar uma enzima. Essa enzima vai produzir substâncias químicas no interior das células. Essas substâncias vão funcionar como mensageiros que vão atuar em outras estruturas da célula e vai mudar o metabolismo e expressão eh proteica.

Vai mudar o metabolismo celular, tá bom? Os receptores canabinoides, eles também são localizados em estruturas intracelulares, né, mitocôndria, lisossomo, né? Então, além de serem localizados, de terem já sido identificados na membrana celular, os receptores, canabinoides, algumas estruturas intracelulares também expressam receptores canabinoides. E aqui um matéria da revista do jornal jornal da USP [limpando a garganta] 2018 falando de proteínas proteínas acopladas a a receptores acoplados à proteína G.

A relevância deles para saúde, né? E não era uma matéria específica de receptores canabinoides, eram receptores da família, dos receptores acoplados à família a proteína G, do qual o receptor e aqui são imagens de microscópio e representações dessas imagens, né, do receptor CB1, né, que é essa parte azul da imagem, ah, com uma molécula, no caso aqui, uma molécula de uma substância, de uma substância antagonista. Não vou lembrar antagonista, não vou lembrar agora, mas uma é uma molécula que interage, né? Se é se é um antagonista, ele bloqueia a atividade do receptor.

Se é um agonista, ele produz uma atividade nesse receptor e promove a ativação da proteína G, que é representada aqui nessa imagem, por pela essa parte amarela e verde, tá? em receptor essa parte azul e a a importância dos receptores acoplados a a fam a à proteína G. E chamo essa notícia que não só por pelo CB1 e CB2 serem receptores acoplados à proteína G, mas porque outros receptores acoplados a proteína G também são sensíveis à atividade dos endocanabinoides, tá? E aqui alguma representação esquemática de receptores CB1 na sequência do CB2, né, com a distribuição.

Ah, largamente distribuído no sistema nervoso central, é o receptor ligado à proteína G mais abundante na no sistema nervoso central, né, amplamente distribuído em diferentes regiões, tá presente em terminais pré-sinápticos. Daqui a pouco a gente vai falar desses pressinápticos. A gente tava falando na outra, quando a gente falou da cetilcolina, era um terminal, ação dela era no neurônio pósináptico, daqui a pouco a gente vai falar, mas ela é presente em neurônios pr em pré-sinápticos de diferentes sistemas de neurotransmissão. que não é só um um receptor do sistema nervoso central, também é expresso em diversos tecidos periféricos, tá?

bastante partes do corpo. E nesses receptores, tanto agem canabinoides endógenos, né, substâncias que o nosso corpo produz, como vão atuar também os canabinoides exógenos, canabinoides externos, né, por exemplo, os compostos da planta cânnabis ou canabinoides sintéticos. Bom, falando dos receptores CB1, aqui a gente tem especificamente a localização deles, né, distribuição, uma um trabalho que verificou a densidade de receptores canabinoides no enccêéfalo. E a gente tem essas distribuições.

Eu chamo atenção para vocês dessa parte aqui que tem um tronco encefálico e que tem uma basicamente uma ausência, né, de receptores cannabinoides nessa região. Nessa região aqui tem estruturas muito importantes para controle respiratório, cardíaco, eh centros respiratórios cardíacos. E a ausência de receptores aqui indica, por exemplo, a não eh a alta segurança farmacológica que tem os fitoscanabinoides, né? Não, não provocam overdose.

Ah, nessa imagem aqui, a representação da distribuição dos receptores CB2. os receptores CB2 e é um tipo de receptor predominante no sistema imunológico, com alta expressão nos elementos do que compõe o sistema imunológico, linfócitos e outros, né? Ele tem pouca expressão no sistema nervoso central, né? diferente do CB1, que é altamente expresso no sistema nervoso central.

CB2 ele tem poucos, mas aumenta bastante a expressão dele ã em situações de neuroinflamação, inflamação do tecido nervoso e degeneração do tecido nervoso e uma série de funções moduladas, mediadas pela atividade do receptor CB2. Tá bom? Ah, falando agora, né, falamos dos receptores, né, que compõe o sistema endocanabinoide. Agora falar de ligantes químicos, né?

Os ligantes químicos do sistema endocanabinoides são os endocanabinoides. Mas antes da gente conhecer os endocanabinoides, a gente já conhecia ao longo da história os fitocanabinoides, né? Os componentes presentes na planta, né? Destaque pro canabidiol cannabis nessa imagem aqui o cannabiserol e o delta9 tetra hidrocanabidol canabinol.

Ah, a gente também tem os canabinoides sintéticos. falei para vocês a partir da década de de 70, desenvolvimento de substâncias que buscavam imitar a molécula de eh THC e que depois se mostraram úteis, né, e foram muitas delas desenvolvidas para com com intenção de de estudar o organismo, né? E algumas foram úteis pra identificação dos receptores canabinoides, né? E algumas até foram lançadas como medicamento, caso do marinol, que é o tronabinol e o riponabo, né?

O riponabanto já retirado de mercado em função dos efeitos adversos e eh esses canabinoides sintéticos também sendo utilizados aí como substância ã de venda eh em substituição a cânnabis, né? o mercado, a ilegalidade da cânnabis levou vendedores colocarem no mercado os canabinoides sintéticos, tá? E os endocanabinoides, que são os produzidos pelos organismos animais. Bom, falando de canabinoides exógenos, né, os canabinoides que não são produzidos pelo nosso corpo, ã, os fitocanabinoides e os canabinoides sintéticos, que são muito diferentes entre si, né, são perfis farmacológicos muito diferentes.

Tanto é que ah Estados Unidos eh se faz campanha, no Brasil deve deve existir campanhas também [limpando a garganta] eh fazendo essa esse tipo de alerta, né, que o Spice, o K2, K9, as drogas K não são a maconha, né, muito diferente de efeito, tá? e até até temos matéria no Brasil. E, eh, por exemplo, essa da de 2024, eh, escrevendo por que grupos criminosos banem a a as drogas do tipo K, que são os canabinoides sintéticos de pontos de venda, porque os efeitos são muito mais ahã embora sejam ajam no sistema canabinoide, eles têm efeitos muito diferentes dos canabinoides. E esses efeitos muito diferentes se devem às características farmacológicas, né?

Esses os canabinoides sintéticos são desenvolvidos em laboratório, não existem na natureza e eles acabam sendo moléculas de alta eficácia. O que que eu digo de alta eficácia? Eles promovem uma resposta biológica no receptor. A interação dele com o receptor, né, com a a proteína receptora do nosso organismo promove uma resposta biológica plena, tá?

Enquanto o fitocanabinoidec, ele é um, perdão, ele é um agonista parcial de receptores canabinoides, tá? E enquanto a gente pode comparar os canabinoides sintéticos a uma chave, os nossos o nosso THC é uma chave modificada, ele produz uma resposta celular de menor intensidade e acaba tendo um perfil de segurança muito maior. Tá aqui uma representação, né, de magnitude de resposta. O agonista parcial ele dá uma tem uma magnitude X.

o agonista pleno tem uma magnitude de resposta maior, é feito eh também o perfil de risco maior. E quando a gente fala de endocanabinoides e canabinoides sintéticos, uma outra questão que precisa ser levada em consideração é o efeito comitiva, que é a combinação, né, o resultado terapêutico e uma um efeito mais modulado quando se tem a combinação de diferentes moléculas comparada à molécula isolada. Quando se fala da dos canabinoides sintéticos, a gente tá falando de uma molécula isolada, por exemplo, o medicamento marinol, que é uma molécula chamada dronabinol, e é só a molécula de dronabinol, que no caso imita o THC, ã, e ela pura. Quando se fala da do uso de fitocanabinoides, a gente tá falando de preparados compostos eh fitocomplexos, né?

Compostos bastante complexos que tem ali não só os canabinoides, não vai ter no uma maconha, num cigarro de maconha, não tem só THC, tem THC, CBD, CBG, tem uma série de de substâncias ali, né? Então a planta ela tem ah os carabinoides, tem flavonoides, terpenos, né, outras substâncias também produzidas pela planta e que ah modulam a resposta orgânica, né? Eh, e, né, o acabam, por exemplo, tem eh favorecendo um perfil de segurança do fitocanabinoide comparado aos canabinoides isolados, canabinoides sintéticos isolados. Bom, chegando aos canabinoides endógenos, né, os endocanabinoides, os endocanabinoides, a gente tem a naraquenoiodilondamina, a nandamida, síntese, essa aí as enzimas, né, eu só coloquei a sigla que vocês veem que eu tenho dificuldade a falar até o nome da da molécula, né?

Araquino etanolamina, ah, napld. Eh, coisa semelhante. Só que só coloquei a sigla aqui, mas para identificar que se conhece uma molécula, você conhece uma molécula e conhece o a via metabólica dela, né? Qual a enzima que produz essa essa molécula e qual a enzima que degrada.

Conhecendo a enzima que produz, essa enzima que degrada, se conhece também os elementos que são usados na produção e quais são os produtos da destruição da molécula, tá? conhecida a nandamida, conhecida a 2AG, elas reconhecidas e também as moléculas, principais moléculas, ah, moléculas, não, desculpem, enzimas de de degradação e e síntese e característica diferente da dos endiocanabinoides pros pra acetilcolina, por exemplo, né, que é uma molécula que o nosso corpo produz, deixa armazenado em vesículas sinápticas, quando chega um sinal nervoso, um impulso nervoso no terminal é liberada na fenda sináptica e produz a a a promove os efeitos no receptor. Os endocanabinoides, eles não ficam armazenados em vesículas sinápticas, eles são produzidos sob demanda, conforme a célula recebe diferentes estímulos, esses diferentes estímulos sinalizam quimicamente pra célula fazer a a síntese de endocanabinoides para serem liberados e eles exercerem as atividades. E a sinalização é uma sinalização retrógrada.

um neuro neurônio pré-sináptico libera neurônio póssináptico, os receptores reconhecem e sofrem os efeitos da acetilcolina. No caso dos endocanabinoides, o neurônio pré-sináptico vai ter os receptores e o neurônio póssináptico é o que vai fazer a liberação dos endocanabinoides. Bom, não vou entrar em detalhes aqui, mas essa imagem aqui representa o processo de síntese e degradação e alvos ã alvos farmacológicos do da nandamida, tá? Aqui eu tenho um processo.

Quais são os as substâncias? Quais são os substratos que vão sofrer atividade enzimática, uma atividade enzimática nat que vai produzir essa esse nap que vai sofrer atividades de outras enzimas, né? Aqui vocês vem a NAP, que eu já havia citado e vocês vem outras ah também outras siglas aqui que são referentes a diferentes enzimas, né? E essas diferentes enzimas vão produzir a nandamida.

A nandamida vai agir, vai agir em receptores CB1 e CB2, com maior afinidade a CB1 do que a CB2. E vai agir também em outros tipos de receptores. Aqui representado o receptor para capsaicina TRPV1, né, que é o receptor eh capsaicina e a substância presente na pimenta, tá? Aí aqui vias de metabólicas de destruição, a via que eu já havia citado FA H e outras vias metabólicas que também degradam a a nandamida, né?

E trans reduz ela a metabólitos já identificados. Ah, um uma curiosidade interessante. A Nandamida é o nome que os pesquisadores que identificaram a molécula deram aquela aquele nome comprido, né, ailio realmente a Nandamida é melhor, né? E a Nanda, muito muito espirituosa a esse nome, porque pegaram um aspecto subjetivo dos efeitos dos canabinoides, especificamente do THC, e uma característica da molécula que eles identificaram, né?

E a Nanda, amida, a ananda uma palavra do sânscrito, como tá aqui na imagem, que eh escreve um estado de consciência. esse estado de consciência, o estado de êxtase de eh felicidade suprema. Bom, aqui a via metabólica do 2 Ag, dois aracinodical glicerol, tá? que vai ter esses precursores, esses essa esse substrato que vai ser sofrer ação de uma um grupo de enzimas, na verdade, uma de uma enzima.

Ah, vai produzir um outro substrato que vai sofrer outra atividade enzimática e ã chegar a molécula, a produção do 2 AG no nosso organismo. 2AG vai agir em receptores, vai ter a mesma afinidade de receptores CB1 e CB2, age também em receptores de capsaicina e agem também na imagem anterior onde escrevi em em proteína de transporte de endocanabinoide, que é uma proteína específica especializada em reconhecer o endocanabinoide e fazer a a mudança. Bom, aqui uma sinapse. Falei de produção sob demanda e comunicação retrógrada, né?

a sinapse que eu já havia citado anteriormente, neurônio pré-sináptico libera o neurotransmissor, receptor do neurônio pós-sináptico reconhece, sofre ação. E a mudança na resposta celular é na resposta na no neurônio póssináptico. Quando a gente fala de transmissão celular endocanabinoide, a gente tá falando de uma transmissão reversa. é o neurônio póssináptico que vai produzir e liberar o endocarnabinoide que vai agir no receptor pré-sináptico.

E ele agindo no receptor pré-sináptico, ele vai modular a atividade do neurônio que estava liberando neurotransmissores, né? Esse essa produção do endocanabinoide, ela vai se dar por estimulação celular, que é que vai acontecer em função de mudanças provocadas por neurotransmissores na atividade dessa célula, desse neurônio pós-sináptico, que vai desencadear processos aqui a partir de lipídios da membrana celular, né? Uma característica dos dos endocanabinoides também é essa. Os precursores dos endocanabinoides, eles são estão ali na membrana, na nos lipídios da membrana celular e vai sofrer ações de enzimas vai ser produzida, uma linha enzimática vai produzir 2G, uma outra linha enzimática vai produzir a nandamida que vão ser liberadas na fenda sináptica, né?

vai ser transportada, colocada para na fenda sináptica e vai agir no receptor ã CB1 ou CB2, tanto ah em neurônios como também em tecido das célula, células gliaris. Bom, hã, isso aqui é uma outra representação, uma simplificação, né, matérias primas, né, as substrato eh lipídico que vai ser usado como precursor, que vai passar por atividade enzimática, vai formar o endocanabinoide. Esse endocanabinoide vai agir em diferentes receptores, inicialmente identificado CB1 e CB2, mas depois se verifica que age sobre receptores de capsaicina, receptores acoplados à proteína G do tipo 55, receptores ã de núcleo celular, tá? E vias metabólicas.

E essa esses itens, esses itens aqui começam a gerar algumas uma ampliação do sistema endocanabinoide, né? O 2AG e a nandamida não já agem só nos receptores CB1 e CB2. Eles também têm atividade em outras proteínas, né? aqui uma algumas delas, as enzimas que sintetizam a nandamida e O2AG também produz outros lipídios, né?

alguns deles aqui. E esses lipídios, eles não necessariamente todos eles, alguns têm atividade sobre receptores CB1, ã, mas mesmo não tendo atividades nos receptores CB1, eles modulam a respostas estão estão relacionados a a respostas fisiológicas que são importantes. E aí vem a pergunta se esses receptores, esses ligantes, eles fazem ou não parte do sistema endocanabinoide, né? esses repitores sofrem atividade de de endocanabinoides, são ou não são parte do sistema endocanabinoide, tá bom?

Além disso, a gente tem aqui o efeito, [limpando a garganta] uma representação dos efeitos de um fitocanabinoide, o canabidiol CBD, tá? que ele vai agir sobre receptores CB1 e CB2, mas também vai ter uma atividade ah em receptores. Eh, são receptores do sistema Epioide, vai agir também sobre receptores, outros receptores acoplados a proteína G e receptores de serotonina, receptores de dopamina. Vai ter uma ampla faixa de efeitos além do CB1 e CB2.

né? Então, a gente tem aquelas observações da do da da tela anterior, essa essa amplitude de respostas do do do CBD. E esse texto de 2009, que é um dos primeiros textos a tratar do endocab, que seria depois conhecido como endocanabino, nomeado como endocanabinoidoma, tá? que tem um dos autores Vicenso de Marzo, que eh é um no laboratório dele, Instituto de Biologia eh eh de química biomolecular que se eh propôs essa essa ideia do endocaninoidoma, tá?

Algumas observações que eles apresentam nesse artigo, as descobertas dos endocanabinoides levou à identificação de muitas outras moléculas, né? muitos outros, muitas outras aminas e estéreis de ácido gráfico, os lipídios, tá? Essas moléculas foram uma grande família de lipídios sinalizadores, de sinalizadores celulares. Ã, e aí eles falam que torna-se necessário compreender alvos celulares, metabolismo e alterações em condições tanto fisiológicas normais, saudáveis, quanto nas condições patológicas.

e propõe o endocanabinoide metalobolome, que é o conjunto complexo de mediadores lipídicos funcional ou quimicamente relacionados aos endocab sistema endocanabinoide, tá? Esse é um estudo de 2009, esse é um estudo de 2020. Eh, para quem tem o interesse mais detalhado em endocabinoidoma, esse é um estudo que eu recomendo, ã, que é a esse endocanabinoide, canabinoidoma, farmacologia, ah, redundância farmacológica, promiscuidade farmacológica, multireino, da variedade, tá? Eles vão fazer nesse texto, né, o Viceno de Marso e o Fábio e a nota, vão fazer a descrição do dos elementos que compõem os o endocanabinoidoma, né, que são receptores CB1 e CB2 e mais conhecidos de outras proteínas receptoras, tanto receptoras de membrana quanto receptoras intracelulares.

os endocarabinoides, anandamida e 2AG e uma série de outras, né, outros lipídios semelhantes que também alguns deles atuam nos receptores CB1 e CB2, tá? considerar os processos enzimáticos e os alvos moleculares desses dessas enzimas, né, que são [limpando a garganta] enzimas que compartilham tanto rotas metabólicas quanto funções biológicas semelhantes. Nesse texto, os autores falam do fitocanabinoidoma, que seria o equivalente no reino vegetal. Falado escrito canabinoides, terpenos, flavonoides e os canabi canabiméticos, tá?

E falam de uma mudança de perspectiva, né? O efeito observado, ele não é explicado apenas pela ação isolada da molécula em um receptor específico, mas uma modulação de uma rede regulatória complexa. Bom, endocanabino então é mais do que um nome ã diferente e tem sua relevância, né? Ele vai representar, a gente tratar do endocnabidoidoma, vai representar uma ampliação tanto do conhecimento que a gente tem farmacologia quanto da fisiologia dos canabinoides, tanto canabinoides endógenos quanto os fitocanabinoides, tá?

Tá indicando uma mudança de paradigma em termos de abordagem do sistema, né? O sistema é muito mais complexo do que a gente imagina, imaginava. e vai implicar também uma profunda mudança na maneira tanto de pensar a fisiopatologia quanto as intervenções terapêuticas, tá? A ideia de que reduzir, né, fazer uma redução, explicar um pelo mínimo conseguir compreender o macro teve grande sucesso.

A gente 400 anos aí pouco mais, pouco menos a gente conseguiu explicar como a nandaminda age em receptores CB1 e como isso pode contribuir pro tratamento, por exemplo, de dores neuropáticas. Mas a gente também sabe que a dor não é só mediada pelo receptor CB1, né? Tem outros fatores, tanto fisiológicos quanto sociais, quanto psicológicos, que podem ah est estar também envolvidos no processo de dor, tá? Então, a gente tá, quando a gente fala do sistema, é um raciocínio é bastante interessante, nos dá bastante informação, mas que limita o raciocínio ao processo de ação de uma molécula num receptor e essa molécula produzindo uma resposta previsível.

Essa resposta não é tão previsível assim, porque a na natureza, na não é existe uma interação entre entre sistemas que um modula o outro e acaba modificando a resposta, tá? Quando a gente fala do endocanabinoidoma, é um uma um conceito que vai levar vai considerar mais componentes, múltiplos receptores, ligantes químicos e vias metabólicas compartilhadas. Essa imagem aqui é uma imagem só ilustrativa da da dimensão dessas interrelações, mas não tem relação de grandeza. É uma rede dinâmica que modifica-se, né, templacidade, redundâncias e promiscuidade farmacológica.

H, nessa rede acontece interação de processos metabólicos, tanto na síntese quanto na na degradação de de de substâncias que vão modificar o funcionamento celular, interação de sistema e também uma ecologia celular, porque marcadores moleculares desses elementos que compõem o sistema endo canabinoidoma podem ser observado em outras espécies também. Bom, esse sistema pode ser considerado como um metasistema homeostático que integra neurotransmissão, plasticidade, metabolismo, inflamação, microbiota intestinal e, em última instância comportamento e atividades cognitivas. É um sistema que poucos podem ter tanta distribuição, quantidade de receptores, mediadores químicos, especificamente lipídicos, e promover tamanha interação entre o sistema nervoso central que e o sistema nervoso periférico, né? Como exemplo aqui o a participação no controle da de processos homeostásticos.

H variedade de efeitos que que isso que isso tem, esse raciocínio tem é bastante ampla e ainda muita coisa ser investigado, mas pensando só em receptores CB1 e CB2 e as distribuições dele em diferentes regiões do do corpo, os possibilidades clínicas e agora esses receptores expandidos também mediando outras funções biológicas que têm impactos em outras quadros de saúde. E a gente não se assusta agora olhando 2006, uma publicação de 20 anos atrás numa importante revista do de farmacologia indicando o sistema endocanabinoide como um alvo emergente de farmacoterapia, né? E nessa lista aqui, coloquei no essa imagem, uma lista com mais de 20 quadros de saúde, quadros de saúde que vai de dependência química a a arteresclerose ou problemas inflamatórios, tá? Então esse essa ampla distribuição do endocanabidoidoma ajude a explicar porque ah parece promissor o terapia canabinoide com tanta para tantas patologias diferentes.

Voltando à definição, né, do endocanabinoidoma, o conjunto de mediadores químicos, receptores, enzimas, redes biológicas, vias metabólicas que o organismo são relacionados aos efeitos dos canabinoides. a gente fala, né, essa endocanabinoidoma compõe parte aí da do que é chamado de medicina das dos homens ômicas, né, que é ligado à proteonômica, genômica e outras metabolômicas e que se baseia em tecnologias [limpando a garganta] que identificam biomarcadores, permitem eh diagnóstico precoce, ah, estratificação de pacientes, seleção de terapias individualizadas, conhecer prognósticos, tá? E que tem demonstrado aí ah que é uma abordagem bastante promissora para se pensar numa medicina de precisão, né? a partir de pessoas com mesmo quadro, mesmo quadro de sintomas, com diferentes perfis eh genômicos, eh de de aparato genético e com isso de endocanabinoidoma vão ser poderão ser identificadas por tecnologias e já em alguns casos já acontece isso.

e especificação de tratamento, tratamento individualizado, aquilo que os autores chamam de medicina de precisão. A gente tem junto com essa medicina de precisão, a medicina que temos uma grande precisão em relação ao conhecimento da biologia humana, mas quando a gente pensa em saúde, pensar só na biologia é pensar pequeno, porque a saúde ela vai ser, os processos de saúde, saúde e adoecimento, eles são mediados por outros fatores que extrapolam a biologia humana, né? como esse trabalho aqui de 2007 falando de uma proposta da década de 70, vai dizer que para pensar em saúde eu preciso pensar na biologia, preciso pensar em questões ambientais, questões relacionadas ao comportamento e também questões sociais e de organização social, né? aspectos biológicos, psicológicos e sociais, eles interagem e pessoas mesmo com ah mesmo mesmo quadro, tem históricos e contextos sociais, não só biologias diferentes, mas eh personalidades, eh contextos sociais e outros que diferem, tá?

E quando a gente pensa na endocanabinoidoma, a gente pensa numa integração com aspectos biopsicossociais, porque o estilo de vida eh parece tá também fatores socioeconômicos parece tá modular uma série de componentes desse sistema. né? Aqui eu coloco algumas ah antagônicos, né, de modulando favoravelmente favor funcionamento harmônico do aparato homeostático do nosso organismo. E no outro extremo algo que não é tão saudável assim, né?

exercícios físicos ou sedentarismo, fazer um jejum ou restrição calórica voluntária, diferente de insegurança alimentar ou fome. Uma dieta rica em ácidos grásticos e ômega-3, ôga6, comparado a uma dieta rica em ultras processados, ritmos civicadianos adequados, né? ter sono preservado comparado à jornada 6 por1, ter direito ao lazer e cultura ou ser exposto à violência. A gente pensa nisso quando pensa em modulação do sistema endocnabinoidomen, tá?

Terapêutica personalizada, né? Os indivíduos diferem biologicamente e diferem finamente em termos ah de composição do endocanabinoidoma. E com isso, duas pessoas que têm o mesmo diagnóstico podem ter tanto processos fisiopatológicos diferentes e precisar de tratamentos diferentes e aquela abordagem de uma doença tem doença X, toma medicamento Y. Isso, ã pode funcionar em muitos casos, mas é um funcionado, né?

Quando a gente pensa em um funcionamento sistêmico, tem uma disfunção na na homeostase, no funcionamento ótimo do organismo e não vai simplesmente ã ligar ou desligar o receptor, mas sim fazer uma modulação fina do funcionamento desse sistema, tá? E essa complexidade e interrelação entre tudo, comportamento, ambiente, imunidade, metabolismo orgânico, se relaciona de tal forma que mudanças e um impacta em outro, né? E a gente precisa de pesquisas de de investigação para conhecer como isso se impacta. E a gente tá num uma época bastante interessante que a gente precisa vislumbrar o que a gente quer como terapêutica, né?

E eu penso aqui, isso aqui uma colocação de que uma terapêutica ética otimizada e acessível vai depender de uma mudança de paradigma, mas uma mudança de paradigma com bastante crítica e observação e compreensão eh um pouco mais ampla do que a gente teve até agora. de sistema de que é a saúde, né? Agradeço a atenção de vocês. Encerro e saudando essas duas grandes figuras, Padre Ticão e professor Carline.

E um ótimo curso para todas e todos. Obrigado.

7ª Aula — Modulação do Sistema Endocanabinóide e Canabimiméticos - Profª. Eliana Rodrigues

Aula 7 · YouTube · ~33499 caracteres · pt

Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Eu sou a Gabi da Inés. Estou aqui para apresentar mais uma aula, a nossa sétima aula, na qual nós vamos aprofundar um dos temas mais importantes para compreendermos o potencial terapêutico da cannabis, o endocanaminoidoma, e as diferentes formas de modulá-lo.

Para dar continuidade a esse aprofundamento, nessa aula, a gente vai ter uma dobradinha com a professora Eliana Rodrigues. Na primeira parte, ela vai dar sequência aos conteúdos apresentados anteriormente pelo professor Paulo, ampliando a compreensão sobre como podemos modular esse sistema. Nesse contexto, a professora Eliana compartilhará alguns conhecimentos adquiridos em um curso de atualização oferecido pela Universidade Hebraica de Jerusalém, que ela teve a oportunidade de realizar graças a um convite da Dra. Paula Vinha.

Trata-se de uma formação que reúne algumas das descobertas e evidências científicas mais recentes sobre a modulação do sistema, trazendo conteúdos de ponta e o que há de mais atual nessa área de pesquisa. Dando continuidade à aula, ela apresentará os chamados canabiméticos, ou seja, outras plantas e substâncias capazes de interagir com esse sistema, ampliando nossa compreensão para além da canabisativa. E por fim, para integrar todos esses conhecimentos, ela vai encerrar a aula mostrando algumas das práticas integrativas e complementares, além do estilo de vida e como eles podem contribuir pra modulação do sistema endocanaminoidoma. Por isso não vai embora quando a primeira parte da aula terminar.

Ao final haverá uma breve transição de uma aula para outra. Em seguida, começará essa segunda parte da aula na parte justamente que ela vai falar sobre o estilo de vida e as práticas integrativas e complementares e como isso pode influenciar o sistema endocanabinoide, trazendo uma discussão pro nosso cotidiano e pro cuidado com a saúde. Então assim, fica conosco até o final. Tenho certeza que será uma aula extremamente rica, atual, cheia de aprendizados.

Aproveitando também para trazer um aviso bem importante, né? Na próxima quinta-feira, no dia 9 de julho, a gente não vai ter aula por se tratar de um feriado aqui no estado de São Paulo, onde o curso tá sediado. Então, é uma oportunidade para colocar as aulas em dia, aquelas aulas que estão atrasadas para quem chegou por último no curso. E para que a gente possa ampliar ainda mais esse conhecimento, não esquece de seguir e compartilhar o curso em outras redes, comentar, indicar para outras pessoas, para que a nossa aula, o nosso conteúdo possa a eh chegar em mais pessoas.

Dessa forma, a gente consegue quebrar a barreira do preconceito, da desinformação por meio da divulgação científica e da educação de qualidade. Uma ótima aula, uma ótima semana e a gente se vê na próxima terça-feira, dia 14. Então, >> olá pessoal, tudo bem? Eu aqui de novo hoje, mas apenas para complementar essa aula incrível que o professor Paulo deu de sobre o sistema endocanabinoide, o endocanabinoidoma.

Eu vou fazer só um chorinho aqui, uma uma complementação por conta de um curso que eu tive a oportunidade de fazer. E aí eu acho que realmente vale a pena a gente fazer essa complementação, pedindo licença aqui, né, obviamente, eh, pro professor Paulo e projetar aqui essa parte que a gente vai ver agora. Bom, eh, vamos fazer uma complementação sobre um curso que eu fiz na Universidade Hebraica de Israel. Graças à professora, a Dra.

A Paula Vinha, queria deixar aqui meus agradecimentos. Eu fiz esse curso há uns três anos atrás e ele para mim foi revolucionário e por isso que eu acho que vale a pena eh usar um tempinho aqui pra gente olhar para isso, né? Então, a gente vai falar sobre modulação do endocanabinoidoma e canabiméticos. A gente já sabe que o endocanabinoidoma ele regula vários sistemas, né?

A gente já viu isso, Paulo já falou isso também, mas de fato a gente precisa então estar com como por ele regular vários sistemas, ele tem que tá em equilíbrio, né? Esse nosso eh eh sistema, ele tem que tá em equilíbrio, porque se ele tiver em desequilíbrio, né, ele vai favorecer, né, a a manifestação de de algumas doenças. Então, ter esse sistema que regula os outros sistemas em equilíbrio é fundamental. Mas como que a gente faz isso?

Como que a gente equilibra isso? Então, existem várias formas pra gente fazer esse equilíbrio, né? Uma delas é uma forma endógena, né? Como eu mesma, né?

Os seres humanos, os animais podem produzir endocanabinoides, né? Esses canabinoides que são similares aos da planta, né? eh, regulando. Então, se eu tenho pouco, por exemplo, a nandamida, eu preciso produzir mais a nandamida, né?

Então, ali tem as estratégias para isso, tá? Mas eu não vou falar sobre elas hoje. Isso eu vou falar na última aula, que é estilo de vida e práticas integrativas e complementares, né? Eu vou deixar para falar hoje só sobre as formas exógenas, ou seja, que vem de fora, que não depende de mim, né, para modular esse meu endocanabinoid.

Então, uma das formas é usar fitocanabinoides, né, que vem da canabisativa, que vários médicos vão falar aqui para vocês como regular esse sistema diante de diferentes doenças, né? A outra forma é usar medicamentos ou produtos. Tem aqui um exemplo de um sintético, né, mas poderia ser a partir de fontes naturais, enfim, né? E também vocês vão ver isso durante as aulas, né, com os com os médicos.

Agora, o que eu quero trazer aqui para vocês é que existem formas de regular, modular, equilibrar esse endocanabinoidoma usando substâncias isoladas que estão sendo desenvolvidas na nessa Universidade Hebraica de Jerusalém, que é do grupo de pesquisas do professor Rafael Mechula. É claro que vamos guardadas as devidas proporções de riscos, né, uso de fitoterápico versus substâncias isoladas, que a gente já falou sobre isso na aula de fitoterápicos, mas de qualquer maneira isso é revolucionário da medicina do futuro, porque vai ter momentos em que eu vou precisar de algo que vai num alvo específico, num rim, né, uma substância que vai no osso, né, nós vamos ver aqui exemplos. Então isso realmente é revolucionário. Por isso que embora ainda isso não esteja, digamos, nas farmácias, né, nada, mas isso tá sendo estudado para ser a medicina que eu acho do futuro e eu acho muito importante.

Então vamos lá. Esse meu sistema eh do endocanabinoidoma, ele pode estar desregulado de duas formas. ou ele está produzindo muito endocanabinóide, eu posso estar produzindo mais do que eu precisaria ou então eu tô expressando mais receptor dentro desse sistema que também vai tá super excitado, né? Então, quer dizer, eu tô aqui com uma hiperatividade, tá demais, não precisava tudo isso, tá desregulado.

Então, aí as estratégias seriam como bloquear esse sistema. Opa, tá demais. Vamos dar uma bloqueada aqui, já vou falar como. Ou então outras doenças derivam da falta de produção desses endocanabinoides, né?

Tá faltando aqui, eu não tô sendo capaz, o meu organismo não está sendo capaz de se autorregular, de produzir o a quantidade que ele deveria de anamida ou de 2 ou dos receptores do sistema, né, endocanabinoide. Então aqui, ó, tá de tá de menos. Então eu preciso o quê? preciso facilitar esse sistema para que então eu fique com ele em homeostase, em equilíbrio, né?

Então vamos ver como aqui agora alguns exemplos, né? Então quando eu tô com esse sistema hiperativo, produzindo mais do que eu deveria, seja receptor, seja endocanabinoide, eu tô diante de doenças, por exemplo, diabetes do tipo dois e doença renal crônica. quando eu eh por que, né, que então eu eu tenho essas doenças, uma das explicações então que eles dão nesse curso é a alta expressão de receptor CB1. Se eu tenho muito receptor CB1, eu vou est super excitando esse sistema.

Então o que que eu preciso fazer? Preciso antagonizar, bloquear esse receptor CB1 que tá em alta expressão usando essa substância que é o JD 5037, por exemplo, que tá em estudo tudo de novo, né? Tá em estudo, né? E aonde que tão esse essa alta expressão desses receptores?

No rim, né, no fígado, vesícula. Então veja, são locais específicos. Isso é muito importante, isso é muito interessante, né? Também a obesidade, seja ela pela ingesta de gordura ou seja ela por fatores genéticos, ela ocorre pela alta produção de 2 AG e anamida, que são esses neurotransmissores que nós produzimos, né, similares ao CBD e ao THC, respectivamente, que a gente já falou.

Então, tô produzindo demais, tá demais. Que que tem que fazer? Tem que bloquear. bloqueia o receptor aonde elas se ligam para fazer essa esse essa homeostase.

A gente também sabe que no passado foi desenvolvido um medicamento para para eh a base, né, usando esse mesmo essa mesma ideia de bloquear receptor CB1, porém ele bloqueava tudo, a parte periférica e a parte central, né? E com isso, eh, teve casos, inclusive depressão e suicídio, porque e aí esse medicamento foi tirado do do comércio. Então, aventa-se agora a possibilidade de desenvolver esse Rimonabanto 2.0, que era o Rimonabo, né, no futuro 2.0, eram que ele agiria apenas na periferia, então em fígado, pâncreas, vesícula, de modo e periférico, específico, eh, perdendo a possibilidade, anulando essa possibilidade da pessoa ter problemas do sistema nervoso central, o que seria muito positivo, né? Mas eu também posso ter um sistema que não tá híper, mas tá ipo, né?

Como a gente já falou, é o contrário. Então, eu tenho aqui, ó, tá, tá faltando coisa aqui, né? Então, o autismo, por exemplo, a explicação são níveis baixos de de produção de anamito. As pessoas nessa condição elas não produzem a andandamida, que é o THC lá da planta, na quantidade que deveria.

Então, o que que eu preciso fazer para restabelecer, né, essa essa esse equilíbrio, eu precisaria inibir as enzimas que degradam esse neurotransmissor. Ora, e quem é? é a FA que tá aqui. Então, se eu inibo alguém que degrada alguma coisa, no final eu vou ter bastante dessa coisa, né?

Com isso, eu aumentaria os níveis de anamida. No caso da osteoporose, né, o que que a gente já sabe que existe uma baixa expressão dos receptores CB2 nos ossos da pessoa. Então, como é que eu poderia reverter uma osteoporose? Isso aqui é revolucionário, né, para mulheres, enfim, né?

Então, aumentando a expressão desses receptores nos ossos com essa molécula que é o H30. Então, de novo, isso aqui tá sendo estudado, né? Mas de fato é algo revolucionário se a gente pensar que você vai ter uma ação específica, [risadas] num órgão específico, né? Bom, outra forma exógena de modular, equilibrar o endocanabinoidoma seriam os canab miméticos que eu vou falar agora que a gente tá vendo lavandas, né?

Mas não só lavanda, a gente tem outras, muitas outras plantas que também atuam em receptores, né, do sistema endocanabinoide. E é isso que a gente vai ver agora, né? são, claro, também estão em estudo, a gente teria que entender a dose, a a via de administração, mas de qualquer forma isso abre perspectivas, né, que a gente assim não tem só cannabis atuando, a gente tem outras plantas que também podem atuar nesse sistema e é necessário estudar cada vez mais, né, essas outras formas de modular. Então isso aqui vocês já estão careca de saber, né?

Quem atua no endocanabinoidoma? Os canabinoides, os que nós produzimos, o que a cannabis produz e os sintéticos feitos em laboratório. Mas existem outras substâncias, já falei, sim, né? Então a gente vê, né, várias plantas que também atuam nesse endocanabinoidoma, né?

Então a gente vê a copaíba, lavanda, o jambu, a pimenta do reino, né? Todas elas ali ah por meio dos seus terpenos também agindo no endocanabinoide em receptores, por exemplo, né? Então aqui cria-se um novo conceito. Afinal, fitocanabinoide é só o que vem da cannabis?

Não, a gente tem os canabis miméticos, né? Que são essas plantas que mimetizam, digamos, os canabinoides, né? Mas também tem essa ideia desse novo conceito de qualquer planta que atue no sistema endocanabinoide pode ser chamada de fitocanabinoide. Bom, aqui a gente vê o orégano, o alecrim, a canabis sativa, a pimenta do reino, todas elas, o que elas têm em comum?

Esse beta cararofileno, que é um terpeno que ativa o receptor CB2, né? Ali desencadeando uma cascata enorme de reações que eu nem seria capaz de explicar, né? Mas que tá relacionado com apoptose, com estress oxidativo da célula. tá aqui mostrando de fato existem estudos.

Então quem quiser saber mais pode consultar esse artigo que eu coloco aqui, né? E aqui de fato a gente vê que a equinácia, a ruda, o jambu, a copaíba e a pimenta do reino, eles agem no endocanabinoidoma de forma agonista no receptor CB2, modulando então, por exemplo, o sistema imune. De novo, que dose, né? Tudo isso está sendo estudado, mas que que age age, né?

E a gente não pode se furtar. Outras plantas vão agir nos no outro receptor endocanabinoide que é o CB1, de formas diferentes. Então, por exemplo, a equinácia é uma antagonista fraco de CB1. A cavacava, por meio da cava lactona é um agonista de CB1.

A salvia divinorum por meio da da salvinorina A afeta o receptor CB1, mas de modo indireto, não diretamente. A losna por meio da tujona tem baixa afinidade pelo CB1, ou seja, a gente tá vendo várias coisas, várias plantas, né, atuando para além da canabis nesse sistema. Aqui também muito interessante a gente vê a lavanda, a camélia cinenses que é o chá das índias, da Índia, né? E a soja atuando no endocanabinoidoma de uma forma muito interessante que é inibindo a enzima, né, que degradaria na andamida.

Que enzima é essa? Essa F a, né? Então, veja, se eu inibo uma enzima que degrada uma coisa, no final das contas, essa coisa aumenta a concentração, né? Então aqui eu teria um favorecimento na na na produção da nandamida nesse sistema em determinadas doenças.

É muito importante. Se eu tiver em falta, lembra no IPO lá, se eu tiver IPO, meu sistema Ipo, eu preciso de andandamida. Então essas plantas poderiam aqui ajudar a regular. Hum.

Aqui ainda dentro dos na BIMÉdos a gente tem alguns produtos muito interessantes. Eu até postei dois vídeos no YouTube no Canabinal. Um chama copaíba, lavanda, e o outro chama pea. O pea é o palmito etanol, amida, né?

Nós vamos falar no próximo slide um pouquinho mais dele, mas esse produto ele é muito interessante porque ele ele ele é composto por lavanda, copaíba e o pé e ele favorece o sono, né? A pessoa fica mais calma, fica mais tranquila via inalatória. Então é um produto muito interessante para quem tem dificuldade de dormir. Talvez vha a pena falar com o médico, procurar, né?

procurar saber mais. O pé é um canabinomimético, como eu já falei, é o palmito etenolida. Nós produzimos esse pea, só que nós produzimos às vezes, dependendo da doença que eu tenho, eu posso não estar produzindo numa concentração que eu deveria. Então, por exemplo, em doenças crônicas, Alzheimer, Parkinson, não é suficiente.

Doenças inflamatórias, né? Então o que eu produzo não é suficiente, então vou ter que obter de alguns alimentos, mas que também não. Então o que tem se feito muito é o uso do PEA como um suplemento alimentar. Ó, meu organismo deveria produzir, mas não tá na quantidade, então isso me tô inflamado.

Então seria uma forma de regular essa inflamação crônica. Animais que tm problemas de articulação tem vários produtos agora a base de PEA, né? Então é algo interessante. E o pé ele também inibe aquela enzima que degrada nandamida, como a gente já falou, que é a FAAH, né?

Favorecendo então claro a ligação da anamida a os receptores aonde ela se liga, né? Então você que tem todo um favorecimento indireto, diretamente ele ativa os receptores GPR5, que é um dos que um dos dos que se pensa ser o eh ser categorizado como CB3. muito embora, não sei em que situação que isso tá, eu confesso que precisaria estudar aqui, mas aventou-se a possibilidade de DLC. E também ative o receptor GPR19, né?

Para além disso, ativa também o receptor pepar alfa, regulando dor e inflamação, como eu já expliquei, né? aumentando os níveis de receptor CB2 e também age no receptor TPRV1 também caso de dor e inflamação aqui, né? Então veja, são muitas coisas que esse pé atua e ele também é um canabis mimético muito importante. Então acho que era um pouco essa complementaçãozinha só que eu queria fazer na aula do professor Paulo.

Com certeza a aula dele não nem precisaria de tudo isso, mas eu achei interessante trazer esses dados porque como eu tive a oportunidade de fazer esse curso na Universidade Hebraica, eu achei importante passar isso adiante para vocês. Então, até a próxima aula que vai ser a minha última aula com vocês e tenha um ótimo curso. Até mais. >> Olá, pessoal, tudo bem?

Hoje eu venho então para oferecer uma última contribuição aqui no curso, uma última aula de um tema muito interessante. Eu pelo menos achei, eu andei, ando estudando essa parte e eu acho que vocês poderão gostar porque é uma forma de autonomia, digamos, na regulação do nosso endocanabinoidoma que nós temos, né, e que talvez esteja subaproveitado. Então vamos só ver se tá tudo certinho aqui e vamos começar. Bom, hoje eu vou falar sobre formas de regular o nosso endocanabinoidoma, formas endógenas a partir do estilo de vida que eu tenho e de práticas complementares integrativas.

Então, como que essas estilo e práticas podem regular o tôus a gente já viu que pode estar em desequilíbrio, promover doenças, né? Então é sobre isso, tá? A gente já viu em aulas anteriores, na aula de modulação do endocanabinoidoma, formas exógenas de regular, de modular, de equilibrar esse sistema, né, como com a planta, canabis, com medicamentos sintéticos, com substâncias, né, específicas que o pessoal da Universidade Hebraica de Jerusalém tá desenvolvendo e também com canab miméticos. Isso a gente já viu, nãoé?

Mas o que a gente quer ver agora é como modular a partir de mim mesma, né, de uma forma endógena de regular. Tem como? Então tem como, por exemplo, eu aumentar os níveis de anamida ou 2 no meu sangue, né? Como que eu posso regular isso?

Como eu posso equilibrar? Então é sobre isso. É aí com isso eu dispensaria, tá certo? Esses medicamentos que é o sonho, né, de consumo, é o luxo aqui.

Vamos lá. Vamos ver então. [limpando a garganta] Bom, eh vamos primeiro começar a olhar pro estilo de vida, né? Então, a gente tem esse artigo aqui que é uma é uma é uma revisão, não é?

Que diz o seguinte: cuidado e alimentação do sistema endocanabinoide. Então, é uma revisão sistemática de potenciais intervenções clínicas que regulam positivamente o sistema endocanabinoide. Então, lembra quando eu mostrei aquela balança, quando a balança fica aqui em cima, um dos ladinhos, significa o quê? Que tá hipoativo, né?

Que tem, tá sendo produzido pouco endocanabinoide ou pouco receptor, né? Então esse artigo ele fala de formas onde eu posso aumentar esses essas neurotransmissores, esse anamida, dois georceptores de forma a restabelecer o equilíbrio. É sobre isso, tá? E esse outro também fala de qualidade de vida e um sistema endocanabinoide vigilante.

Que que é vigilante? Atento, né? Produtivo, regulado. É isso, né?

Então ele tá falando dessa parte aqui, ó, da modulação, pacientes que estão com baixa produção de endocanabinoides ou baixa expressão de receptores. Então, ele vai falar de estratégias de estilo de vida que regulam positivamente esses receptores ou aumenta a síntese do 2AG e da nandamida ou então inibe a degradação deles. Porque claro, se eu inibo a degradação de um neurotransmissor, eu aumento a sua disponibilidade ali na na no sistema, né? Então a gente vai tá a gente vai praticamente falar dessa parte aqui, estratégias para resolver essa falta aqui, né?

Então começando por dieta, né? A gente tem uma dieta muito rica em ômega6, que são as gorduras, hambúrguer, tem um monte de coisa, tudo errado, né? Mas por outro lado, a gente tem pouca dieta eh em ômega3, né, que seria, digamos, a gente tem que ter uma proporção entre esses ôgos. A proporção que seria ideal, né, é de seis para três.

Eh, seis, eh, desculpa, de quatro para um, né, 4 de ômega6 para um de ômega-3. Só que a gente sabe que esse equilíbrio ele não normalmente não tá na nossa dieta, né? Normalmente a gente tem aí um índice muito mais alto. Nesse nesse quatro aí tem 30, sei lá, né?

Pelo menos a Dra. Paula Vinha sempre fala bastante sobre isso nas palestras dela, né? Aprendi com ela isso. Então, eh, e a gente precisa utilizar dietas que mantenham esse equilíbrio nessa proporção entre o se o ômega-6 e o ômega-3.

Isso já por si só seria um fator para equilibrar esse essa balança do nosso endocanabinoido, né? Então, procurar ter uma dieta que tenha que seja mais rica em ômega-3 para chegar nesse, nessa proporção, né? Dentro da alimentação também a gente pode estar com seque hipoativo quando a gente utiliza alimentos que estão ricos em pesticidas, né, que são gerados a partir de uma agricultura que impera, aonde imperam os pesticidas. Por quê?

Porque esses pesticidas eles bloqueiam os receptores CB1. Em quando bloqueia o que que acontece? Eu tenho uma baixa. Esse sistema ele fica hipoativo, né?

Por outro lado, se a gente usa alimentos orgânicos, eles não desregulariam essa balança, né? Então daí a relevância em se utilizar alimentos orgânicos, né, e não ricos em pesticidas, né? Também nós temos eh uma grande quantidade de fitalatos, né? em diversos alimentos ultra processados, né?

Então, garrafinha de água, hambúrguers, hambúrguer, refrigerante, as coisas prontas, as latinhas, né, que envolvem os refrigerantes e a não refrigerantes, mas essas latinhas, né, os plásticos. Então, esses fitalatos, eles também bloqueiam receptor CB1 e se rebloqueio, eu fico com, né, com sistema IPO insuficiente, né? Então, se a gente evitar esses alimentos ou esses plásticos, a gente também não desregula o nosso sec, né? A gente favorece o quê?

A a que a balança fique equilibrada. Então, por isso que, né, gente fala: "Ah, mas por que que não posso? Ah, por que que eu não posso?" Não posso por causa disso, não é? Essa é uma boa explicação.

Então, saindo da dieta, entrando para controle do peso, que é o outro fator de estilo de vida, né? A gente já falou na aula de modulação que a obesidade ela ela tem, né, a sua eh uma da da das suas explicações, pelo menos dentro do sistema eh endocanabinoide, que é ter o sistema hiperativo, ou seja, eu tenho uma alta produção desses eh neurotransmissores endocanabinoides, anodamida e 2, né? Então, como que eu posso controlar o meu peso, né, bloqueando esses receptores, CB1 na periferia, como a gente já falou, então seria fígado, pâncreas, né, com essas substâncias químicas, né, isoladas, que é o AM6545 e o JD 5037. É lógico, de novo, isso aqui é medicina do futuro.

Nós estamos trazendo o que seria o estilo de vida, né? Eh, digamos top, né? Então essa poderá ser uma solução no futuro, né? E com isso você restabeleceria também o equilíbrio dessa balança do seu endocanabinoidor.

O exercício físico seria a terceira estilo de vida importante, né? Então a gente sabe também que pessoas que estão hipoativas aqui, que tá faltando, né, coisa nesse equilíbrio, quando executa corrida a 30 minutos, a gente já observa o dobro da produção de anandamida no sangue desse corredor, né? E o atleta de bike também ele aumenta significantemente a nandamida depois de um exercício de 30 minutos. E não só aumenta esses esse endocanabinoide, mas como aumenta também esse fator BDNF, que é um fator importantíssimo pro cérebro, né?

Eh, então aqui a gente só tem coisa positiva. Então, mais uma explicação do porqu fazer exercício físico. Não é qualquer exercício, não éem qualquer quantidade, mas pelo menos nesses estudos que eu trago e é esse é o tempo, né? 30 minutos corrida ou bike.

E com isso você também teria essa hipoatividade, né, sendo anulado, ou seja, teria um reequilíbrio desse sistema, né, quando a gente fala em high, né, fala assim: "Nossa, a pessoa ficou viciada em corrida, ela corre, corre, corre, ela prefere, né, sei lá, não sei o quê, a não correr, porque ela precisa correr. O que que é esse raio do corredor, né? Achava-se que eram endorfinas, né? Hoje já se sabe que não são só as endorfas, mas principalmente o 2AG, a nandamida e esse fator BDNF que aumentam, são liberados quando a pessoa tá no na corrida e aí traz esse prazer, né, que é esse rai, né, que a pessoa sente.

Bom, então resumindo, do ponto de vista do estilo de vida e a modulação desse endocanabinoidoma, o sistema endocanabinoide, eu preciso regular, controlar a minha obesidade que tá desregulada, né, para mais, a minha dieta que tá desregulada para menos e o meu exercício físico quando eu também tô desregulada ali para menos, né? Então eu precisaria fazer essas modulações para poder tá, digamos, com o meu sec equilibrado, né, e evitar eh doenças. Uma outra forma de modular o SEC ou o endocanabinoidoma é com práticas integrativas e complementares. Eu vou falar, principalmente dessas três, né?

Meditação, mindfulness, massagem e eletro eletroacupultura. Então, olhando para meditação, Yog, mindfulness, a gente tem muitos estudos já, né, mostrando. Esse é o mesmo que eu falei anteriormente pro pro, aliás, esse italiano Vinceno de Março, ele é muito importante, né, no estudo do do dessa regulação do endocanabinoidoma, né? Então esse nesse artigo traz um estudo muito interessante sobre meditação, yoga e mindfulness, que é o seguinte, são pessoas também de novo, né, hipoativas, o seu sistema tá em defasagem, não tá produzindo tanto que deveria produzir, mas quando eu executo essas atividades, eu aumento o nível de anamida de 2 no meu sangue e eu restabeleço essa esse equilíbrio, tá?

Vamos ver aqui eh um estudo um pouco mais, digamos, concreto para mostrar isso. Então, o título é: Práticas de engenharia interna e retiro avançado de ISA e yoga de 4 dias estão associados a efeitos canabiméticos e aumento dos endocanabinoides a curto prazo e melhoria sustentada de saúde mental. Um estudo observacional prospectivo de meditadores. É um título gigante, mas o trabalho é bonitinho, vale a pena.

É de 2020. Então ele mostra um estudo piloto observacional com 323 adultos que participaram desse retiro de 4 dias num programa que se chama Isa Yoga Bava Spandana. Espero que eu tenha falado direito, né? Então, como que funcionou esse estudo antes do retiro?

Ah, esses pacientes eles foram consultar, eles foram submetidos a entrevistas online e também foram coletados o sangue dessas pessoas, né? Aí elas foram pro retiro, ficaram quatro dias lá e no dia quinto, né, depois do retiro, um dia depois do retiro, de novo essas pesquisas foram realizadas online, a mesma, e mais coleta de sangue. E de novo, um mês após o retiro, foram feitas aquelas pesquisas online repetidas, né, para ver. Bom, a coleta de sangue ela avaliou o quê, né?

Biomarcadores. Quais? Então, os endocanabinhoides, anandamida, o 2ag, o 1 Ag, o DEA, o EEA e o tal do BDNF, que é esse fator neurotrófico derivado do cérebro, que é uma proteína essencial paraa saúde do cérebro, né? Então, vamos ver aqui os resultados desse estudo.

Então, essa experiência de 4 dias só de meditação, né? eh até um mês, porque foi eles só mediram até depois de um mês, não mediram mais, né? Então, até um mês, pelo menos, né? Melhorou o foco, a felicidade e o bem-estar, reduziu a depressão e a ansiedade.

Então, isso foi observado por meio daqueles, daquelas entrevistas online, né, que se repetiram aí por três vezes antes e duas vezes depois do estudo, né? Mas e o sangue? O que que aconteceu com o sangue? Então, a gente percebe aqui que tanto a nandamida quanto o fator BDNF, eles aumentaram, né, eh, após as aqueles quatro dias eh de prática, né, de meditação.

Então, olha que interessante, né, a gente tá vendo a média com intervalo de confiança de 95% para Nandamida e pro BDNF, né? Eh, ou seja, os dois biomarcadores aumentaram significantemente significativamente nesse estudo, né, mostrando que sim, que a meditação aumenta esses índices no sangue das pessoas, né, com quatro dias de prática. H, então é o que a gente observa aqui, ó, tanto a nandamida quanto 2G, 1 AG, o D, o E o BDNF aumentaram, restabelecendo então essa essa equilíbrio, né? Tem esse outro estudo que fala da qualidade de vida em um sistema endocanabinoide vigilante.

De novo, né, a gente já viu. Olha que interessante aqui. Esse artigo traz um estudo mostrando que a meditação aumenta também os níveis de andandamida, 2 um ag e o de e o fator PDNF, né? E acupuntura, eletroacupuntura.

Bom, essa daí é muito interessante também, porque de novo, né, o paciente ele tem tá com o sistema IPO, né, insuficiente. E quando ele se submete à eletrountura, o que que a gente observa é um aumento da anamida nos tecidos e também da expressão de receptores CB2. Isso é muito legal, né? Porque não só aumenta o neurotransmissor, mas também a expressão desses receptores, o que facilita o sistema como um todo, né?

E no caso da massagem, por fim, né, da mesma forma, a pessoa está lá ipo. E como é que a massagem vai vai modular? Ela aumenta a concentração de anamida no sangue em 168% em pacientes que não tm dor. Então o paciente não tem dor, ele só tá fazendo massagem, enfim, né?

Tem esse aumento enorme, né? E no caso de pacientes com dor lombar, que foi o estudo que foi feito, né? aumenta 1,6 vezes a liberação de PEA no sangue. Lembra que eu falei do PEA, né, na outra aula, o palmito etanol, amida, que a gente produz, mas de forma às vezes insuficiente para um processo inflamatório, numa doença crônica.

Pois é, quando você faz massagem, nesse estudo especificamente, a pessoa com dor lombar aumentou. Claro que aumentar o pé é positivo, porque ele ele por si só é anti-inflamatório e analgésico, né? Então também é muito interessante isso, né? como a massagem pode modular esse sistema desregulado, hipoativo, né?

E por fim, suplementos alimentares, né? Então a gente também em pessoas hipo, suplementos ricos em ácido araquidônico, eles podem aumentar a concentração no sangue de anamida e 2AG, né? Ã, para sistemas que tão eh hiperativos, aí a setinha está errada, tá? Tá certo?

Tá certo. Hiperativo, né? Eh, existem também suplementos alimentários ricos em ômega-3 que podem diminuir a concentração de anamida e 2 no sangue, né? Exatamente o contrário.

Veja, são formas de regular esse sistema, ou que tá hipo ou que tá hiper, né? Também para as pessoas que estão com sistema, por exemplo, ipo, né? Eh, você pode também ter suplementos alimentares à base de lactobacilos acidófilos, que vão modular o CC como aumentando o número de receptores na flora intestinal, não é? Por isso existe uma forte conexão, já tem muitos estudos sobre isso, eu ainda não me dediquei a estudar, mas entre o sistema endocanabinoide e a flora intestinal, né?

Então, disbioses. Então, isso é muito muito importante que a gente ponha mais estudo nisso, né? de novo, né, falando daqueles daquelas pessoas que têm uma hiperatividade do SEC e que tem problemas de obesidade, né, aqui suplementos alimentares prébióticos em ratos obesos, né, que produzem muitos receptores CB1, no caso no colum, né? Ã, esses prébióticos, o que que eles fazem no receptor CB1, né?

Eles bloqueiam esse receptor no colo e bloqueiam também a liberação de anamida, né? Então, de novo, o rato tá lá obeso porque ele produz muito receptor no colamo, muita nandamida. Aí o prébiótico vai fazer a modulação bloqueando esse sistema, tanto o receptor quanto a liberação de anamida. E para finalizar as plantas medicinais, mas isso nem nem vamos falar mais, porque nós já falamos da canabis, já falamos dos canabomiméticos, que é a lavanda, a copaíba, tivemos uma aula só sobre isso, né?

Então, a curcumina, resveratrol, as betacarofileno, são várias substâncias, né? terpenos e outras substâncias que atuam nesses receptores, seja o CB1, seja CB2, diretamente agonista, antagonista e seja também por meio de inibir a FAAH, que é a enzima que degrada na andamida, ou seja, aumentando a possibilidade de andam andamida no sistema para quem está IPO, isso é perfeito, né? Então, resumindo, as práticas integrativas e complementares, elas podem modular o nosso sé por meio de mindofes, meditação, yoga, eletraupuntura, massagem e dietas, suplementos, né, suplementos alimentares, né? E o resumo do resumo do resumo para eu ir embora desse curso que já falei demais, né?

A gente pode como modular o nosso endocanabinoidoma de diversas formas, né? com os fitocanabinoides da cannabis, com os canabinomiméticos de outras plantas, com os nossos próprios endocanabinoides que nós produzimos, com os sintéticos produzidos em laboratório, com o estilo de vida e com as práticas integrativas e complementares. Com isso, a gente pode ter o nosso sistema saudável, o nosso sistema em homeostase, em equilíbrio, porque afinal de contas com a idade a gente sabe que a gente precisa ter esse equilíbrio, porque a gente perde com a idade, a gente perde receptores CB1, perde receptores CB2. Olha aqui a quantidade que eu tenho aqui quando jovem e quando eu fico idoso.

Então, para que eu possa garantir, né, que o meu sistema fique são, apesar disso, dessa questão fisiológica, eu preciso aprender a modular, não só com medicamentos, mas com essas práticas e estilo de vida que a gente mostrou aqui. Então é isso, espero que vocês tenham gostado aqui da da das nossas aulas e eu espero encontrar vocês muito ainda aí na vida e desejo boa sorte para todos vocês. Espero que tenham eh aproveitado muito o nosso curso. Um beijo para todo mundo e até um dia.

8ª Aula — Aplicações Clinicas da Cannabis sativa L. - Dra. Kassia Martins

Aula 8 · YouTube · ~50447 caracteres · pt

Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Eu sou a Gabi da Inés. Tô aqui para apresentar mais uma aula, nossa oitava aula.

Aula que vem logo depois de um feriado, feriado pelo menos aqui em São Paulo, né? o que gerou alguma confusão aí pro pessoal dos outros estados, mas isso tava previsto no no na nossa ementa e no nosso calendário do curso. Hoje a gente vai eh dar início ao novo bloco, o bloco que a gente vai falar da parte clínica. E para dar início, dar introdução a esse bloco, a gente vai ter a nossa queridíssima Dra.

Cásia, ela vai eh dar as próximas duas aulas e essas aulas são muito importantes para que a gente venha com as aulas a seguir, que a gente vai falar especificamente de alguma condição clínica e a e o tratamento da cannabis. Então, a Dra. Cásia hoje traz um pouquinho sobre as aplicações clínicas da Cannabis. A gente também vai falar sobre reações adversas e sobre interações medicamentosas.

Eh, queria agradecer a ela por estar com a gente mais uma vez. Eh, queria agradecer a presença de todos vocês. Eh, dizer que é muito importante que vocês nos ajudem a chegar as mais a mais pessoas, né? Então, seguir aqui o canal, se inscrever no canal, eh compartilhar os vídeos, compartilhar eh o conteúdo em outras redes.

Pra gente é muito importante para que a gente chegue em mais pessoas aí e dispute corações imensos. Então, bem-vindos. Eh, uma ótima aula. Tenho certeza que vocês vão gostar do conteúdo.

Nem vou dizer que espero que vocês gostem. E a gente se vê então na quinta-feira com mais uma aula da Cásia. Oi, tudo bem com vocês? Eu sou a Cácia Martins Fernandes Pereira e eu quero começar essa apresentação agradecendo eh por fazer parte desse curso que carinhosamente a gente apelidou de curso do padre da UNIFESP.

E eu quero agradecer a professora Eliana Rodrigues, a Gabi, a Tamara e a Cris pela organização, pelo apoio e parabenizar pela organização, né, desse curso que tá indo na 14ª edição e cada ano sendo atualizado e organizado de uma maneira muito excelente, né? Quero agradecer a UNIFESP também pela oportunidade de ofertar um curso desse para toda a população, eh, independente da da área da pessoa, da do nível de formação, né, que é tão fundamental a gente espalhar essa informação de qualidade para todo mundo. Eh, quero agradecer também ao professor Elizaldo Carlini e ao padre Ticão, que infelizmente não estão presencialmente conosco, mas que é de alguma forma estão iluminando essa caminhada, esse movimento brilhantemente. Eh, o tema da aula hoje é aplicações clínicas e interações medicamentosas da canabis ativa.

Eu convido a todos, caso surja alguma alguma dúvida ou queiram fazer algum comentário, vão lá no no chat, faça a pergunta, deixa seu comentário que nas próximas horas a gente vai responder, tá bom? Aproveitem e espero que seja muito proveitoso. Eh, então vamos lá. Eh, eh, eh, para quem não me conhece, né, vou falar rapidamente.

Eu sou farmacêutica, sou de Dourados, Mato Grosso do Sul, eh, nasci lá, mei, formei lá e vem para São Paulo desde então. Estou por aqui, atuei em diversas áreas de da farmácia, eh, e em diversos setores. Pude, eh, passear bastante aí nessa, nessa área farmacêutica. E a que mais me chama atenção é a pesquisa, produtos naturais, eh visão integrativa, é o cuidado do paciente.

Eh, eu tenho mestrado e doutorado pela obstetrista na UNIFESP com pesquisa com planta medicinal e hoje eu tô pósdoc na neurologia eh com a pesquisa de cannabis na epilepsia, tanto pesquisa clínica, eh, quanto pesquisa de evidência de mundo real. E desde do final do meu doutorado, eu tenho estudado a cannabis. E acho que entender do sistema endocanabinoide um pouco, né, dessa complexidade e da de planta, eh, conecta com tudo que eu acredito que eu estudei. Eh, eu também acompanho o paciente junto com médico e dentista, eh, no ajuste de dose, na modulação de efeito adverso, buscando eficácia e segurança.

É, então, por ser farmacêutica, o meu lema, a minha meta, eh, a minha régua, o meu norte, é tentar, né, garantir o uso seguro e racional, identificando riscos e benefícios baseados em evidências. Eh, isso em todo o cuidado com o paciente e agora especificamente com a canabisativa. Eh, peço desculpas aqui que canabisativa deveria estar em itálico, mas essa arte aqui não me possibilitou, mas da maneira correta, né, eh, escrever canabis estativa em itálico e o L sem ser itálico, tá? Eh, vocês já tiveram aula de sobre a história da cannabis, sobre a linha do tempo da cannabis com historiador, então com propriedade para falar sobre isso.

Eh, então não vou voltar nisso, só queria trazer alguns marcos, né, que esse uso terapêutico, né, usar canabis para fins terapêuticos é muito muito antigo, desde a China antiga e Índia e árabe. E aí vem pro ocidente um pouco depois, né? E e no final do século XIX já tinha produto a base de canabis sendo vendido. Mas o marco que eu quero, alguns marcos importantes quando a gente fala de aplicações terapêuticas, eh aplicações clínicas, é o marco, né, que o nosso professor Elisaldo Carlini começou na década de 70 a estudar cannabis paraa epilepsia, né?

Então, é um pioneiro nesse nesse mundo. Ele foi um pioneiro e depois se descobriu o sistema endocanabinoide, né? E depois eh a gente teve aquele caso da Charlotte Fig, né? Uma paciente com uma síndrome raríssima e e que a família começou a a mostrar esse tratamento com cannabis e os benefícios, né?

aqui o caso Fisher no Brasil e não só essa paciente, mas outras pacientes no Brasil, onde as mães eh conseguiram eh movimentar essa transformação e essa aplicação da cannabis na na medicina, né, na no na ciência, na na parte médica, né, mostrando que ela tava a a cannabis ela era utilizada para recuperar a saúde, trazer qualidade de vida e essas crianças puderam se desenvolver com qualidade de vida, bem-estar, né? Então é um são marcos importantíssimos quando a gente fala sobre aplicações clínicas da Cannabis, sem poder citar essas mães, que eu não vou citar os nomes para não esquecer, né? Mas eh a gente tem documentários eh maravilhosos, emocionantes sobre isso. E aí eh que foi fundamental para que a gente use a cannabis dentro da medicina hoje, né?

Medicina eu falo, eh, pensando nessa terapêutica como uma opção terapêutica, farmacológica natural, né? Eh, mas não só médico, tá? Mas pensando na medicina nesse sentido de recuperar a saúde, pensando como uma ferramenta de saúde. E a Anvisa, né, em 2019, eh, pensando, né, e se mobilizou a isso, eh, a esse movimento e criou a RDC 327, que é a uma RDC importante, né, e depois a 660 também para importar produto de cannabis.

Então, eh, vocês também tiveram, né, sobre regulamentação aí e vão ter mais aulas sobre isso, então não vou perder muito tempo falando isso, né? E outro marco importante é sobre a farmacopeia brasileira, né? Farmacopeia é um compêndio, é uma reunião de espécies vegetais, de monografia sobre espécies vegetais importantes, né, terapêuticas, consideradas medicinais, né, toda a erva é medicinal, né, mas eh que tenha eh uma finalidade ou várias finalidades ou que se se mostra importante para que a gente conheça. Então, na primeira edição publicada em 1926, a farmacopeia brasileira continha a espécie lá canabsativa, né, que falava da caracterização, estrutura microscópica, ensaio químico, aplicações oficinais para eh para você saber qual que é a qualidade daquele extrato ou não.

E ela foi retirada na segunda edição. E desde 1940 a gente não tinha mais a cannabis dentro da farmacopeia, mas em 2024 ela foi reincluída na sétima edição. Então nossa farmacopeia brasileira tem lá, se vocês buscarem na internet vocês conseguem baixar essa farmacopeia. E você vai ver o capítulo da cannabis sativa e ali você fala a descrição desse trato, como esse trato deve ser.

Isso é muito importante eh paraas paraas farmácias vivas, paraas farmácias de manipulação, quando vão fazer receber um extrato vegetal, né? E a partir de agora que algumas coisas podem ser eh manipuladas pela farmácia, né? Eh, você ter essa essa monografia ali é um é um uma régua, né? Uma um são padronizações importantes pra gente avaliar a qualidade daquele extrato vegetal.

Então, se é de verdade a canal absativa, eh, o que que a gente precisa olhar, qual a estrutura que tem nela, como ela é descrita, quais os principais extratos, quais tipos de análises podem ser feitas pra gente eh medir a qualidade, os seus componentes químicos, né, as suas estruturas. Então isso é um marco muito importante. E aí vocês também já tiveram aulas sobre o sistema endocanabenoide, o famoso SEC, ou agora esse nomão grande aqui, né, endocanabinoidoma, eh, que é um sistema que foi descoberto há pouco tempo, mas que há muitos anos a gente tem, né? Eh, acho que somente por enquanto os insetos ainda não têm o sistema endocanabinoide, mas o restante dos dos bichos dos animais tem.

Eh, e ele a as funções básicas desse sistema são relaxar, comer, dormir, esquecer e proteger, né? é um maestro do nosso corpo. E quando a gente pensa nessas funções básicas, a gente pensa em algumas condições de saúde ou muitas condições de saúde que estão ligador, com o sono, com a inflamação, com a dor, com náusea, com ansiedade e diversas outras condições. E aqui eu pedi pro nosso amigo chatt uma imagem eh com essas funções e eu eu coloquei junto com essas com esse símbolo que é chamado lemeniscata.

A lemeniscata é conhecido como símbolo do infinito, o oito ou o infinito, né, que é o oito deitado. Mas quando a gente pensa no corpo, né, pensar essa lemenescata em pé, esse movimento que a lemenescata traz, ela é um símbolo de movimento e comunicação, né? Então, tudo que tá em cima comunica com embaixo ou leva para baixo e tudo que tá embaixo vai para cima. E quanto mais equilibrado e ritmado, mais perfeito é esse equilíbrio.

Então, é esse, essa analogia ou esse paralelo que eu quero trazer para vocês do sistema endocanabinoide, que ele busca comunicar e integrar o que tá em cima com o que tá embaixo, o que tá dentro com o que tá fora, com equilíbrio. E quanto mais equilibrado e ritmado a gente tiver integrado, [limpando a garganta] mais saúde a gente vai ter. Então, a função desse endocanabinoidoma no nosso corpo é buscar o equilíbrio. Então, é sempre buscar o balanço de movimento e de equilíbrio, de comunicação e de integração.

Então, por isso que tá associado com essas funções básicas, relaxar, dormir, proteger, esquecer e comer. eh e tá ligado com o nosso eh bem-estar físico e mental, né? Então, eh, pensando nisso, né, essa função do SEC, como sinalização celular, modulação de neurotransmissores, é ligado a inflamação, dor, sono, humor, apetite, neuroproteção, eh buscando homeostase e comunicação entre os sistemas, né? Vocês aprenderam lá que existem os alvos principais, né, os receptores principais, que são os canabinoides CB1 e CB2, além de outros canabinoides ou outros receptores não canabinoides, né, mas que participam do sistema, por isso que a gente chama de endocanabinoidoma, é esses outros alvos, né, os vaniloides, o 5HT1A da serotonina, né, serotoninérgico, o gaba A, que é o gabaérgico.

Então, estas as aplicações clínicas de cannabis ou da cannabis eh estão relacionadas com diversos receptores, por isso que modulamos diversos outros sistemas e relação com outros eh neurotransmissores, não necessariamente próprios do sistema endocanabinoide. Por isso que a gente tem uma amplitude de aplicação clínica. E aí, eh, pensando nisso, né, aqui, eh, o onde a gente mais tem, eh, de aplicação clínica com evidência, né, as epilepsias refratárias, que reduz hipersensibilidade, hipercitabilidade neuronal e a neuroinflamação, as dores crônicas, né, que modulam via noisceptiva centrais e periféricas, os transtornos de ansiedade e sono, né, transtornos de humor que fluencia sistemas serotoninérgicos e gabaérgicos, né, inibitórios, eh eh e reguladores, né, de excitação, inibição, eh, doenças neurodegenerativas que podem exercer efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores. E aí as diversas aplicações baseadas nisso.

Eh, nas próximas aulas, outros professores virão para falar específicos de das principais condições de saúde. Então, eu não vou me aprofundar, eu quero trazer um um uma visão geral, tá bom, para todo mundo. Então, aqui eh aqui uma outra coisa importante, né? Eh, uma frase que me chamou atenção quando eu estava lendo um artigo de revisão, eh, que ele fala, né, canabis, canabinoides e saúde, uma revisão de evidência dos riscos e dos benefícios médicos, né?

Então, tava lá, né? A cannabis é usada recreativamente devido aos seus efeitos gratificantes que estão associados à diminuição da reatividade ao estresse e a uma maior sensação de bem-estar. Os efeitos recompensadores podem incluir efeitos positivos, como a euforia, e o alívio de experiências adversas, como a ansiedade. Então aqui eu trago um ponto importante, eh, que é o fato de que a gente fala, mas é o uso medicinal ou o uso recreativo, né?

E os autores aqui chamam atenção que o uso recreativo é porque ele traz efeito gratificante que diminui a reação ao estresse, por exemplo, e uma sensação de bem-estar. E isso vai dar efeito positivo como alívio de experiências ruins, por exemplo, da ansiedade. Então, o efeito do uso recreativo também é um uso medicinal ou um uso terapêutico, né? Então a gente, eu vou escrever às vezes cannabis medicinal ou uso na medicina, quando a gente tá pensando de uma indicação médica ou de dentista ou do médico veterinário, eh pensando na clínica onde ele vai prescrever, tá?

Eh, mas eu não vou entrar eh desmerecendo um uso adulto, um uso recreativo quando a gente quer buscar um bem-estar, eh, para que a gente tenha sintoma gratificante e diminua a nossa reação ao estress, que a gente aumente efeito positivo, que a gente aumente sensação de bem-estar e diminua efeito de adverso, de efeito negativo, né? Então que esse uso, mesmo que que seja com a finalidade recreativa não médica, que seja um uso seguro. É essa a minha busca, né? Garantir o uso seguro e racional, independente de ser um uso recreativo ou um uso médico, é um uso seguro e racional, tá bom?

E essa tela, eh, eu organizei para mostrar para vocês, nem todo mundo aqui tem o conhecimento de fazer busca de artigo científico, né? Eh, Pubmed é uma livraria, né, eh, que elenca, que que indexa diferentes eh revistas científicas de diferentes eh áreas dentro da medicina ou da saúde. E quando a gente vai buscar algum artigo, eh, alguma informação, eh, sobre, eh, alguma substância para alguma aplicação terapêutica ou qual tratamento melhor, é um dos primeiros eh uma das primeiras bibliotecas que a gente procura eh para tentar encontrar um artigo, um estudo que seja revisado por por profissionais, né, por cientistas e que tem qualidade, né, eh, Eh, não são vozes das nossas cabeças, né? Então, a gente tem que procurar inglês, né?

Então, eu coloquei cannabis e benefícios e apareceram 2000 679 resultados, né? Depois eu coloquei canabidiol e benefícios apareceram 923 resultados. Isso não quer dizer que todos esses resultados apresentam exatamente o que eu busquei, né? a gente precisa fazer outros filtros, customizar essa busca para ficar o mais eh eh focado no que eu quero buscar.

Mas aqui eu queria trazer esse paralelo, né? Quando a gente busca cannabis e benefícios, a gente tem 2679 resultados e quando a gente coloca cannabis e riscos, a gente encontra mais de 10.000 resultados, né? Isso é porque a cannabis tem mais riscos do que benefícios? Não necessariamente, né?

A gente pode ter estudos que demonstram mais riscos, né? Mas não porque o uso de cannabis tem mais riscos, né? Aqui, eh, a gente vê muita mistura de estudo com cannabis, com transtorno por uso de cannabis ou um uso irracional. eh ou eh antes de se saber os estudos mais novos, né?

Aqui, por exemplo, ó, os estudos são de 1960, a partir de 1967, né? Então assim, é é só para mostrar que a gente precisa ser ter sempre um olhar crítico quando a gente fala de saúde e a canabis, né, como vocês viram aí todo esse essa linha do tempo, o preconceito que que a proibição e que a falta de estudos eh fez a gente ter tudo isso que a gente viveu e que ainda vive, né? Mas isso não quer dizer que por ter mais resultados com essa busca, quer dizer que a cannabis tem mais riscos do que benefícios, tá? É só pra gente ter um olhar crítico e tentar olhar cada estudo como foi feito, com qual a finalidade, com qual planta, com qual produto.

Muitas vezes nem foi da própria planta, né? Então, quando a gente busca agora evidências clínicas da cannabis medicinal, eh diferentes estudos de revisão elentam essas aplicações clínicas com evidência científica, né? Então aqui, eh, com evidência mais forte de aplicação terapêutica, a gente tem cannabis para dor crônica, espasticidade muscular, náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. e epilepsia refratária.

as evidências científicas que apresentam revidências, só que com mais eh mais limitadas, né, não robustez, entram os transtornos mentais, como dependência de opioide, transtorno de uso de cannabis, esquizofrenia, psicose, transtornos depressivos, transtorno do estess pós-traumático, anorexia nervosa, síndrome de turrê, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, TDA, TDH, que é o que a gente tem visto bastante discussão, né, assim como transtorno do espectro autista ou demência. Já as evidências mais fracas estão nos tremores e noctúria, na esclerose múltipla, sintomas da doença de Parkinson ou dissenesia induzida por elidopa, cored de Hudton, distonia, demência, doença de cromativa, colite ulcerativa, síndrome do intestino irritável, síndrome da anorexia caxia em câncer e doença como glaucoma, né? isso que que tem estudos científicos publicados. Então, pensando nisso, né, quando a gente fala tem evidência de uso, a maior parte das evidências mostrando benefício com robustez são através de estudos clínicos randomizados, né?

Por isso a gente tem maior robustez na evidência da aplicação do canabidiol, o CBD. como tratamento adjuvante para a epilepsia refratária em adultos e crianças. e o THC paraa melhora da esasticidade, né, que a gente tem até um medicamento vendido em drogaria, considerado medicamento único com THC que está em drogaria para isso. Eh, dor crônica, né, eh, e espasticidade e e a esclerose múltipla, eh, dor crônica, náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia.

Já as evidências que os que os cientistas falam inconclusivas ou insuficientes estão os transtornos neuropsiquiátricos e outras condições médicas. E aí nesses transtornos neuropsiquiátricos que entra ansiedade, depressão, insônia, eh transtorno do espectro autista, TDH, a gente vê na clínica eh evidências, né, maiores do que estão nos estudos científicos, né? E aí eu pergunto, e as evidências de mundo real? O que que a gente tá vendo na clínica que ainda não tá eh sendo publicado eh sendo estudado como um ensaio clínico, por exemplo, né?

E aqui eu faço um paralelo, né, da importância da gente eh ter estudos eh que retratam o mundo real, não só um estudo eh clínico randomizado, que tem um rigor na hora da confecção do estudo, que é muito eh limitado, né? Eh, alguns eh profissionais de saúde falam, mas não temos tanto estudos com cannabis, a gente não tem ensaio clínico randomizado. Por quê? Não é só na cannabis, com a cannabis, né?

Quando a gente fala de planta, eh, é bem complexo você fazer um um estudo clínico onde você tem diversos extratos de diferentes plantas, de diferentes formas de preparo, onde a gente tem um monte de componente lá dentro e que é difícil a gente ajustar dose, né, eh, ou proporção daquele determinado composto dentro daquele estrato. Então, eh, eu, desde o meu mestrado que eu estudo planta, né, e eu sempre, eh, tive dificuldade de encontrar esses estudos clínicos com plantas, né, porque é complexo e não só a planta, né, um ensaio clínico randomizado, ele tem um rigor de critério de inclusão de paciente que é muito grande. Então, se a gente for pensar numa população hoje que a gente vê que utiliza cannabis, que tem condições de saúde bastante complexas, a gente tem eh Opa, perdeu aqui. Pera, voltar.

Deixa voltar. Então aqui a gente vê eh que muitos dos pacientes seriam excluídos, né? Porque a gente tem que limitar aquela população para que seja mais fácil o controle desses pacientes. Então, eh esse um autor aqui fala que mais de 70% da população seria excluída, né?

porque você não pode ter outra condição de saúde misturada, eh, ou não pode ter tido algum problema de saúde durante a o acompanhamento desses pacientes, né? Uma metodologia que tem que ser muito simplificada, mas quando a gente fala de mundo real, a gente vê que é mais complexo tratar com paciente, né? e a validade externa de um ensaio clínico. Eh, como a gente tem muito rigor para fechar cada caixinha, quando a gente vai pro mundo real, onde a gente não tem tanto controle assim do que essa população faz, de que produto que essa população usa, de qual a dose que ela usa, qual eh se ela teve alguma infecção durante o tratamento, né, se ela não usou aquele dia, eh nem sempre a gente tem os mesmos resultados.

Então, é muito importante a gente ter estudos que trazem evidência do mundo real. Ele vai eh o que que ele pode contribuir, né, para contribuir complementar os ensaios clínicos randomizados, né? Evidência de mundo real não quer dizer que é melhor que um ensaio clínico, assim como o ensaio clínico não é melhor do que um ensaio de mundo real. Então é muito importante ter ensaios clínicos randomizados, mas também ter de mundo real.

Hoje no Brasil a gente tem um um cenário, né, onde a gente vê a população utilizando, inclusive no SUS eh é distribuído esse medicamento, né? A gente tem diversas associações, mães preparando os olhos para seus filhos. A gente precisa saber o que tá acontecendo com esses pacientes. E quem vai mostrar isso pra gente?

O estudo de evidência de mundo real. você vai poder acompanhar a longo prazo, você vai otimizar dosagem, variedade de produto, individualidade daquela dose para cada paciente. a gente pode analisar a qualidade de vida que esse paciente, não só o sintoma daquela condição de saúde, mas o que que mudou no entorno daquele paciente, daquela família, eh, mais viável e você consegue recrutar melhor esses pacientes, porque você pode abranger a condição de saúde, a condição do paciente e é um complemento científico pros ensaios clínicos randomizados, né? Então, hoje a gente tem um cenário no Brasil que é um solo fértil para se estudar evidências de mundo real.

A gente já tem alguns estudos nesse nesse caminho e mostram a importância pra gente saber se essa população tá usando produto seguro, qual dose que é mais segura ou se não está usando um produto seguro. Eh, teve eficácia, teve segurança, né? Esse estudo aqui vai me mostrar. Então assim, a gente tem um solo fértil para complementar os ensaios clínicos que faltam, né?

E também quando fala um um ensaio clínico que você é tem o grupo controle placebo que não utiliza, você imagina uma condição de saúde grave onde você não pode dar nada, nenhuma substância que pode melhorar a saúde daquele daquele paciente para comparar o efeito, né? Então acaba ficando, será que vale a pena fazer um ensaio clínico, né, em determinadas condições de saúde, né? Então aqui a gente tem um um exemplo, tá, de estudo de evidência de mundo real que foi feito no Canadá, eh onde eles analisaram, né, fizeram um estudo observacional com pacientes durante 24 semanas que tinha autorização médica para se utilizar canais. E aí eles utilizaram eh questionários e escalas para validar se melhorou o sintoma ou não validados, né, com qualidade, que que com rigor científico, né?

Então eles verificaram nessa população que houve a redução da interferência e da intensidade da dor do paciente. Interferência nas práticas do dia a dia dele. Ele teve melhora, melhora no sintoma da ansiedade e da depressão, melhora na percepção de qualidade de vida e também verificou melhora no sono, né? Mais pacientes relataram que dormiram mais de 7 horas de sono por noite, enquanto menos pacientes relataram dormir menos de 5 horas por noite.

Então, só aqui a gente mostra ou vê, né, observa eh evidências de mundo real de uso de cannabis para reduzir a intensidade e a interferência da dor no seu dia, melhora da ansiedade, melhora da depressão, melhora da qualidade de vida e melhora do sono, né? Então, contrabalanceando ou complementando aquelas evidências científicas robustas. né? Então aqui eh uma uma imagem também, né?

Vocês podem fotografar, eu vou disponibilizar essa aula, eh esse material. Então eh que isso sirva para vocês de de informação, eh, para que vocês tenham acesso a isso, tiver alguma dúvida de ir lá eh analisar, né, relembrar o que a gente discutiu ou o que vocês vão aprender ainda, né? Eh, mas aqui as principais aplicações clínicas da cannabis na epilepsia refratária ou nas epilepsias refratárias, na dor crônica, no transtorno de ansiedade e estress, distúrbios do sono, doenças neurodegenerativas, né, demenças, doenças de Alzheimer, espasticidade, doenças neuromusculares, alterações do apetite e náuseas. E aqui os principais alvos, né, que a canabis e os seus principais compostos aqui, né, citados como THC, CBD, CBG, CBN, terpenos, flavonoides, né, também vocês tiveram essas aulas aí e dos principais receptores aqui envolvidos, né, como alvos, né, para essas aplicações clínicas.

Eh, mais para frente, eh, vocês vão ter aulas específicas das principais congestões de saúde. E aqui já fica uma colinha, né, para que a gente eh verifique, né, tire dúvida durante o curso ou depois, né, isso eh de uma maneira geral, né, porque cada vez mais a gente vê aplicação em outras condições de saúde e mais estudos sendo apresentados pra gente. E aí, então e a primeira parte da aula, né, que é aplicações clínicas da canabis sativa. Aqui agora a gente entra nas interações medicamentosas com uso de cannabis.

Então nem todos são flores, né? Eh, as flores eh têm a beleza, mas acompanhada das flores, a gente tem alguns outros efeitos. E aí a gente precisa entender para falar de interações medicamentosas, eh, vamos pensar, né? Lembro tanto de receptores que o sistema endocanabenoide tem e que ele tem eh parceria, né, com outros sistemas.

Então, se a gente tem essa ação, eh, essa interação com outros sistemas, quando a gente usa cannabis que interfere nesses receptores, a gente também vai ter interferência em outros sistemas. Então, o risco de interações medicamentosas é alto, né? Então, para entender isso, a gente precisa entender primeiro que existe a farmacocinética e a farmacodinâmica. Farmacocinética é tudo que o nosso corpo faz com o com aquele produto.

Então, a gente vai ingerir o produto e aí vai absorver, vai distribuir ele no corpo, vai metabolizar e eliminar. E a farmacodinâmica é o que o produto faz com o nosso corpo. Então, depois, durante, né, e essa esse movimento dele no nosso corpo, ele vai interagindo e aí ele vai interagindo com receptores, ele vai promovendo ação e efeitos. Então, as aplicações clínicas têm a ver com a farmacodinâmica, né?

A ação e efeitos da planta no nosso corpo, enquanto que a farmacocinética é o que o nosso corpo faz com a planta. E aí as interações medicamentosas estão muito relacionadas com a farmacocinética, né? Mas não só. Então, eh, ela depende da via de administração.

Por exemplo, a inalação ou fumo ou vaporizada, a absorção é muito rápida, ela atinge eh níveis plasmáticos de 3 a 10 minutos e é biodisponível, ela vai tá disponível lá dentro do nosso corpo para ação de 10 a 35% para o THC, por exemplo, é mais alta. Já a vi oral, ela não deixa eh não é tão fácil ser absorvido e tá disponível para ação dentro do nosso corpo. Então é uma biodisponibilidade baixa, é em torno de 6% ou quase metade, né? Se for pensar em 35 da do uso inalado é muito maior, né?

E ele demora de de uma a duas horas para atingir o pico de concentração. Então demora mais para sentir o efeito. Enquanto as vias oomucosa e transdérmica, eh a gente evita o uso do metabolismo inicial, né, que vocês vão entender um pouquinho também mais para frente. A farmacocinética.

Então, pensando, né, como que o nosso corpo vai distribuir isso, né, a cannabis pro corpo, eh, eles são altamente lipofílicos, os canabinoides gostam de gordura e eles distribuem rapidamente pelos órgãos vascularizados, cérebro e coração, por exemplo, e eles se acumulam em tecido de gordura, tecido adiposo. Então, olha que interessante, em usuário crônico, a reserva de gordura que a gente tem eh pode liberar a substância de volta pra corrente sanguínea várias semanas após um uso. Então, a pessoa usou hoje daqui algumas semanas aquela reserva eh de gordura que o paciente tem, ele pode liberar um metabólito daquele daquele canabinoide na circulação e promover algum efeito, né? Isso pensando em usuário crônico, né?

Porque se acumulou, então é facilmente acumulado. Então, eh isso também a gente pensa num tratamento, né? Às vezes no decorrer do tratamento a gente pode mudar a dose pensando nesse nessa absorção, nesse acúmulo, né? E uma coisa importante que o THC também atravessa a placenta e é estressado no leite materno.

Por isso que a gente não recomenda para ser utilizado durante a gestação, nem durante o aleitamento materno. Metabolismo, né? A parte mais importante quando a gente fala de interação medicamentosa, ocorre predominantemente no fígado através das enzimas do citocromo P450. Então aqui a grande parte dos medicamentos que a gente toma viaal, eles sofrem metabolismo de primeira passagem, metabolismo hepático e interação nas enzimas do citocommo P450.

Então, só aqui a gente já pensa em interação medicamentosa, né? Então, por exemplo, eh, aqui ele cita, né, a CP2 T9, A2C19, A3 A4, né, que são essas enzimas desse complexo do citocum P450, que metaboliza e transforma o que a gente tomou em outros metabólicos para fazer efeito ou não, né? Por exemplo, o THC, ele é convertido nesse 11 OHT THC é um metabólito ativo e possui também atividade psicoativa, né, só para mostrar eh que vai sofrer um metabolismo e que muda aquela substância no corpo. Então aqui, independente da cannabis, né, existe esse metabolismo de primeira passagem quando a gente usa algum produto vioral, né?

Então, usa vioral, o medicamento absorvido no intestino, ele vai entrar pela circulação através da veia porta hepática. E aí no fígado ele começa a sofrer esse metabolismo. Então ele vai se transformar, aquele produto que a gente tá eh tomou em metabólitos secundários que podem ser ativos ou inativos. E aí ele vai alcançar a circulação sistêmica, né, na circulação do nosso corpo, no sangue.

E aí o que a gente ingeriu, não necessariamente vai tudo pra circulação, né? Ele vai ser transformado em alguns metabólicos que fazem efeito, outros não, e depois é eliminado, né? Alguns são mais ativos, outros são inativos. E se a gente usa com outras coisas, uma coisa pode prejudicar a outra, né?

Então eu pus, coloquei esta imagem também para que vocês usem isso como eh para vocês verificarem, estudarem depois, né? Fotografem o que vocês acharem eh mais prático aí para vocês no dia a dia, tá bom? Então, eh, o metabolismo e as enzimas, os canabinoides, por exemplo, atuam como inibidores das enzimas metabolizadoras da do citocromo P450. Eles são inibidores, né?

Então eles podem, se eu tomar junto com outro medicamento, ele pode atrapalhar o metabolismo do outro medicamento. E aí eu ter problema, né? por exemplo, THC, CBD e CBN inibem a CP 2C9. Uma, olha o tanto, né?

O CBD e THC também inibem outras e são todos exemplos dessas enzimas metabolizadoras. Então, se ela inibe o metabolismo dessas enzimas, quando eu ingerir um outro medicamento junto que não vai sofrer esse metabolismo, eu posso aumentar ou diminuir os metabólitos de outros produtos. E aí que entram as interações medicamentosas pela farmacocinética e também podem interferir com enzimas não sípicas, né? Por exemplo, tem estudo que mostra que o CBD e o CBN inibem a UGT e A9 e a carboxilesterase 1 e vai são inibidas pelo THC e pelo CBD, que pode afetar, por exemplo, o uso de um anticonfuscivante.

Então, às vezes eu vou ter que usar outra dose daquele produto, porque ele vai inibir o metabolismo dele. E aí eu preciso mexer na dose tanto da cannabis quanto desse medicamento que vai junto, porque ele atua nos mesmos metabolizadores, por exemplo, com transportadores de drogas, não só em enzimas, a PGP, por exemplo, né? São enzimas eh ligadas na membrana celular que faz com que a droga é transportada para dentro ou para fora da célula. né?

Então, eh, da droga, do medicamento, né? E a PGP tem eh bastante relacionada, por exemplo, a estudo de que mostra de farmacresistência, por exemplo, né? Porque não deixa o medicamento entrar na célula ou joga da célula o medicamento. Então, tem estudos em vitro que mostram, por exemplo, que os canabinoides podem inibir alguns transportadores, como a PGP, MRP1, BCRP, né?

Então, eh, apesar de ainda ser um estudo vitro, é um alerta para que a gente fique de olho com o que que a gente tá usando junto para evitar a interação medicamentosa. Ali a gente mostrou os canabinoides como inibidor enzimático, que vai prejudicar a ação de outro medicamento, mas a gente também pode ter o canabinoide como vítima, ele vai sofrer a ação do outro medicamento, né? Então, CBD e o THC pode ser alterado por medicamento convencional, por exemplo, que é inibidor potente da CIP 3A4, por exemplo, o cetoconazol, ele aumenta a exposição do canabinoide e aí eu posso aumentar o risco de toxicidade, enquanto dos indutores reduzem a sua concentração plasmática. Então, não é só o o canabinoide que vai interferir com a absorção dos outros medicamentos, com metabolismo dos outros medicamentos, mas os outros medicamentos também podem atrapalhar o metabolismo dos canabinoides e tanto aumentar o o metabólito dele na circulação e aumentar a sua toxicidade, quanto diminuir e não promover efeito.

Então aqui, né, só trazendo, né, um também um um esquema para ficar fácil pra gente estudar, né? Então a gente tem, por exemplo, sublingual, oral, vinalatóriautópica, né? E aqui a gente tem como ele é distribuído, especialmente quando a gente absorve por via oral, né? Então ele entra numa corrente sanguínea, ele é distribuído, ele é metabolizado no fígado.

E é aqui que acontece a a o bo, as interações que podem dar ruim, né? E aí a excção. E aí também depende o efeito, o tempo e o mecanismo de ação, né? Então eu ingeri o fitocanabinoide ou, né, que veio da planta ou o próprio endocanabinoide do corpo, que vai se ligar nesses receptores, né, aqui especialmente CB1 e CB2, mas a gente viu e vocês viram nas outras aulas que existem outros receptores que participam disso e os refeitos, né?

Então, enquanto a farmacodinâmica é o que a gente espera, né, que a gente quer a melhora, o efeito, onde ele vai se ligar num receptor e vai promover ação, o efeito fisiológico, um efeito que vai modular a fisiologia, na verdade, né, um efeito eh farmacológico, mas para ter essa farmacodinâmica, ele vai sofrer a farmacocinética, que é o que o nosso corpo vai fazer com ele, né? E aqui as principais interações medicamentosas, né? a gente tem eh, por exemplo, as a cannabis e os anticonomvulsivantes, por exemplo, clobazã, valproato, netopiramato, rufinamida, eh, que são bastante conhecidos, fenobarbital, fenitoína, todos eles podem reduzir as concentrações de CBD no organismo, enquanto que o clobazã e o valproato aumenta o nível desses na circulação. Então o CBD, por ser umidor da enzima, ele aumenta em até oito vezes a dose do clobazão e do valproato também.

E isso pode aumentar o risco de hepatoxicidade ou aumentar, por exemplo, no clobazã um uma ação de sedação sonolência e letardia, né? Então, eh, ele interfere tanto pensando na farmacocinética, mas aí por ele interferir na dose que vai est dentro do nosso corpo, ele pode interferir na farmacodinâmica, porque eu vou ter uma concentração muito alta para atuar nos receptores lá e a farmacodinâmica muda, né? Então, o que o nosso o que ele faz com o nosso corpo vai est modificado porque vai ter outra dose lá, gente, ou em menor quantidade, que daí eu não vou ter efeito, ou em maior quantidade, onde eu vou ter a possibilidade de mais efeito excessivo, que não é o que a gente espera, ou às vezes eh eh tóxico, um efeito tóxico, por exemplo, com valp proato, que pode aumentar o risco de hepat toxicidade. Então a gente precisa monitorar o uso, né?

E ali então eh o outro é o contrário, né? E a o topiramato, ele aumenta a quantidade de CBD agindo, né? E aí também a gente pode aumentar efeito de sonolência, por exemplo, né? Cannabis com anticoagulante, antiagregante plaquetário, né?

A varfarina. Eh, aqui também o THC, não só o CBD, inibe a CIP 2C9 e que metaboliza a varfarina e isso pode aumentar o risco de sangramento. O clopidogréu com CBD também, né? O CBD pode impedir a ativação do clopidogré, que depende também da CIP 2C19 e e reduz a eficácia antiplaquetária, né?

Então, eh, eu quis fazer com bastante eh, texto a minha apresentação, os slides, para que vocês usem isso para estudar mesmo, né? Para não ouvir só o que eu tô falando, mas para que vocês tenham isso como fonte para leitura, né? A cannabis e os opioides. Aqui as interações são farmacocinéticas e farmacodinâmicas, né?

Então aqui a gente vai ter ação eh modificada, efeito modificado, né? Eh benefício modificado, risco de efeitos ruins, né? Uma superdagem, né? Então com a metadona, por exemplo, o CBD inibe as enzimas, dois tipos de enzimas e aumenta o nível de metadona lá no na circulação e vai aumentar a toxicidade e promove mais fadiga e sonolência.

Então, potencializa aquele efeito de sonolência, de sedação, que não é legal, né? Eh, o, por exemplo, um outro aqui, né, que depende a bupreorfina também, né, o CBD vai inibir a CP 3 a 3 A4 e aí quando eu colocar eh outro opioide, dependendo dessa via como esse, também vai ter um risco de aumento de toxicidade. E aí, eh, se a gente pensa só em toxicidade, a gente vai ter essa pior anacedação, vai ter um prejuízo cognitivo, porque vai ter esse efeito depressor aditivo no sistema nervoso central, né? Então, se o CBD já ajuda a cedar, a causar sonolência, né?

Eh, se a gente utiliza um opioide que vai sedar e causar sonolência, isso vai ser muito pronunciado, né? Isso vai ser muito potencializado e aí é tóxico, né? Mais analgésicos e opioides, né? A oxicodona e a gabapentina.

Então ele vai ter uma sinergia analgésica. Mas a a gente pensar que a gente quer uma melhora, mais analgesia é legal. A gente pensa: "Não, a dor tá muito, né? A gente precisa aumentar".

Só que isso pode correr o risco de aumentar muito essa analgesia. E aí a gente não quer sedação, a gente quer analgesia, quer tirar a dor, mas não sedar. A gente não quer deixar eh o paciente com letargia e que não consegue ter coordenação motora, né? Eh, não ter cognitivo funcionando, né?

Então, quando a gente usa junto, a gente pode potencializar o efeito, porque a gente busca às vezes uma tirar a dor com mais força, né? dependendo do paciente, mas a gente tem que cuidar porque pode ter esses defeitos adversos de um excesso e aí virar uma sedação. Pramadol pode reduzir a eficácia analgésica, por exemplo, né? Eh, então vai utilizar e não vai ter efeito, né?

Porque o CBD pode reduzir a eficácia do tramadol, então não adianta usar os dois juntos perto, né? O paracetamol, por exemplo, pode interferir nas vias de desintoxicação e aumentar o risco de hepatoxicidade, né? Aumentar a dose lá de novo. Eh, hidrocodona também, o THC acelera suação e aí vai reduzir a eficácia, né?

Se eu eh tiver precisando da acodona, agindo determinada dose, por determinado tempo, o THC pode fazer com que ele seja eliminado rápido e aí ele não vai fazer efeito. Então, pensando nisso, né, pode ser para mais ou para menos. Eh, as estatinas e beta bloqueadores, isso é importante, né? Eh, estatina utilizado para colesterol, por exemplo, né?

Então, a o CBD ou os canabinoides, né, a inibição de enzimas como a CP 3A4, que a gente já falou, a CIP 2D6, né, pode elevar o nível da estatina e de beta bloqueador como metroprol. E aí vai diminuir muito a pressão arterial, vai diminuir frequência cardíaca, vai aumentar o nível de toxicidade no hepático das enzimas, né? Então, muito cuidado, né, principalmente aqui em pacientes idosos, né, onde não só idoso, né, mas eh principalmente idosos, né, a metipormina, por exemplo, ó, o CBD pode potencializar o efeito hipoglicemiante. E aí eu tenho o risco de hipoglicemia, que às vezes não é benéfico porque já eh baixou demais e vai aumentar o risco de tontura e de desmaia.

Então a gente precisa ficar monitorando, ficar de olho. Ah, não pode utilizar junto. Calma que tem uma tem uma saída. Cannabes e imunossupressores.

Eh, por exemplo, né? Eh, os imunossupressores, ele tem um índice terapêutico muito estreito, né? Então, eh, eles estão metabolizados pela CIP 3A4 de novo, ó. E aí vai ter um risco, eh, o CBD vai inibir essa enzima e pode aumentar os níveis sanguíneos desse medicamento e aí elevar a toxicidade.

Isso é índice terapêutico estreito, né? Eh, com uma pequena dose, ele já promove efeito. Uma dose um pouquinho maior, ele já é tóxico, né? Então, por exemplo, do acrolinos, ciclos para urina, Everolinos.

Então, se o CBD inibe esta CIP e que vai elevar o nível desses fármacos no sangue, eu posso aumentar a tua necessidade, por exemplo, no rim, né? E não vai ser bom. Aqui também importantíssimo, né? Que é muito comum a gente ver, né, canabis psicotrópicos ou depressores do sistema nervoso central.

E essas interações são muito frequentes e a gente vê bastante na prática clínica, né? álcool e benzodi pínicos, né? Então, utilizar junto a gente potencializa efeito sedativo, prejuízo motor, cognitivo, né? Porque a farmacodinâmica vai ser aditivada lá no sistema nervoso central, né?

Vai tá todo mundo agindo com esse efeito depressor que num começo a gente precisa, porque vai ser bom e depressor no sentido eh sedativo, né? para promover sono, calma, tranquilidade, mas todo mundo agindo, álcool, benzodiapínico junto, não vai ser legal. Eh, fluxitine de sulfirã, por exemplo, né, eh, pode desencadear, né, utilizar junto o episódio de hipomania ou delírio. Lítio pode aumentar a concentração plasmática e aí induzir disfunção renal, sonolência.

Então, muito cuidado com mais medicamentos psicotrópicos, né? A respiridona, por exemplo, THC pode reduzir seus níveis cerebrais. Eh, por exemplo, aqui, ó, de novo, o PGP, né, que é esse transportador. Eh, e aí a prejudicar o efeito dele onde ele precisa atuar, por exemplo, na esquizofrenia, né?

ele não vai deixar o o PGP vai ficar liberando ele para fora da célula para não fazer efeito e aí vai prejudicar o efeito. Eh, os antidepressivos, por exemplo, eh, inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como a gente já falou lá da floxitina, é um deles, né? Mas aqui outros dois, né? Certralina e estaloprã.

o a os canabinoides pode reduzir a eliminação dele e aí via inibição, porque vai inibir o CIP 2C19 e vai aumentar o risco de efeito adverso. Então, reduzindo a depuração, né, reduzindo a eliminação deles, eles vão ficar agindo, eles vão ficar agindo e eles vão ficar agindo em cerca de 25%. E isso pode aumentar efeito diverso, né? eh você ter aquele efeito de sonolência, eh, de letargia, de déficit motor, né, eh muito mais pronunciado.

E outras interações, por exemplo, né, eh, teofilina. Aqui, por exemplo, o ato de fumar, né, a gente tá falando muito do uso oral, mas, ó, o ato de fumar induz a enzima CIP 1 A2, acelerando a depuração da etofilina. Que que é isso? acelera a eliminação dele e aí não vai ter eficácia terapêutica ou vai reduzir.

E com a cafeína, né, que é super importante, além da astão lá da adenosina, que é um receptor da cafeína e que é um eh, né, a cafeína que estimula, né, e tem essa ação. O CBD vai atuar como inibidor moderado da CIP 1 a2, aumentar a exposição da cafeína e a meia vida do da cafeína no organismo. Então a gente vai ter ela agindo mais tempo ou mais pronunciado. Olha que interessante, né?

Eh, inibidores e indutores potentes, medicamentos como cetoconosol, que é um inibidor, por exemplo, da CIP 3 A4, essa CP a gente falou bastante, né? Pode eh dobrar os níveis de CBD, né? Então pode ter um efeito tóxico, né, quando a gente aumenta muito a dose no na circulação, enquanto a rifampicina, por exemplo, é um indutor, vai reduzir o até 50% do CBD. Então, olha que importante, né?

A gente tem para mais ou para menos. E aqui também para vocês fotografarem, para que seja uma consulta, para vocês estudarem, né, as principais interações medicamentosas com produtos de cannabis. Aqui focando em CBD e THC, o que a gente tem mais estudo, né, mas a gente tem os terpenos, CBG, CBM, CBC, cada vez mais, né, THCV, a gente eh eh descobrindo, né, componentes importantes aí, né? Então aqui explicando um pouquinho, né, como ocorrem as interações, ou por inibir enzima ou por inibir transportadores.

E aí a gente vai aumentar risco de toxicidade e a gente pode ter efeito eh diferente da farmacodinâmica, né, de efeito, potencializando efeito, né? E aqui os principais exemplos, né, de medicamentos aqui citados, né, e existem sites que a gente busca eh coloca lá canabidiol versus X, um outro eh medicamento pra gente saber se há interferência, né, se há interação medicamentosa. são muito úteis esses sites, porém nem todos estão atualizados com estudos ou eh assim, né, eles falam: "Ah, não tem eh interação, mas não por porque não se sabe se tem interação, né? Não tá tão claro se tem interação.

Então, nem sempre a gente vai ter de fato a resposta lá se tem interação ou não, né?" Então, eh, tem alguns estudos que estão mais atualizados, né? sobre isso. Mas e aí? Tem interação com tudo quase, né?

Isso que eu falei só de medicamento, mas e alimento, né? Os nutricionistas aí podem falar, né? Tem medicamento, cafeína, né? A gente não tá pensando ela em medicamento, mas o cafezinho que a gente toma, o chá que é rico, né?

Em cafeína, né? A gente não vai usar então porque tem risco de interação. Então aqui dica de segurança de ouro que vocês têm que colocar isso como mantra. A gente tem que colocar isso como mantra sempre.

Se a gente começar baixo e devagar, né? Nos estudos falam muito sobre start low, comece baixo e go slow e vá devagar, né? a gente diminui essas possibilidades, intervalo entre seu uso e outras medicações. Quando a gente fala de interação medicamentosa, isso é fundamental, porque se a gente não utilizar junto, às vezes em períodos diferentes, se a gente dá um intervalo de 2 horas, eh se a gente dá um intervalo de meia hora às vezes, mas eh 2 horas é um intervalo bastante seguro.

Às vezes a gente precisa dar um intervalo maior, porque cada produto tem um tempo para chegar até o fígado e uma metabolização, não só cada produto, mas cada pessoa. Mas se a gente evitar o uso junto, no mesmo momento eu tomar junto, a gente já reduz muito muito a as possibilidades de interações e de efeitos ruins combinados, né? Então, o intervalo entre o uso da cannabis e de outros medicamentos ou outros produtos é fundamental para que a gente eh tenha mais segurança e claro escolher um produto com garantia de qualidade, né? Eh, porque aí a gente sabe que aquele produto tem aquela substância naquela quantidade.

Então, a gente consegue também sabendo que produto é esse, que hora que é melhor utilizar, como é melhor utilizar, o que que eu devo evitar, né? a gente viu ali que o maior eh responsável pelas interações é o CBD, né, o cannabidiol, porque ele é um indutor eh inibidor enzimático, né? Mas o THC também, às vezes o THC é um indutor, né? Então a gente precisa saber o que que a gente tá tomando, né?

Aqui eu coloco eh todas as referências que eu utilizei nesse estudo. Se vocês não conseguirem copiar, entrar no drive, podem me escrever que eu compartilho com vocês, né? Às vezes não conseguiu abrir um, não conseguiu mais porque não funcionou. Eh, me sinalizem, tá?

Vou deixar esse tempinho aqui para vocês copiarem, mas me sinalizem. Eh, tirem foto aí. Se não conseguir, podem tudo que eu coloquei aqui não são vozes da minha cabeça. Eh, foi baseado em estudos sérios indextados em no Pubmed, que é a a biblioteca eh mais validada, digamos assim, né?

Então, não são vozes da minha cabeça, né? Então eu brinco assim que a gente pode ser ativista, mas a gente também não pode perder e ser levado só pela paixão, pela emoção e e esquecer da ciência, né? Então, a gente precisa tá sempre aliada à ciência conosco, porque assim a gente consegue discutir com o outro, entender o lado do outro que não tá disposto a entender, às vezes a conversar sobre, porque ele tem muito preconceito. Então, que a nossa paixão eh pela cannabis não deixe a gente ficar cego, eh, e limitado, porque senão a gente cai no mesmo do outro lado ou do mesmo lado daquele que não quer aprender o novo, não quer conhecer, não quer ouvir, né?

Então, se a gente tiver sempre um fundo baseado na ciência, a gente vai ter um pouco mais de força para discutir sobre e para levar informação correta e claro, né, segurança e saúde. E aqui eu coloco essa frase, né? A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres, que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas, né? Vocês vão ver aí no curso ou já viram bastante coisa legal e vão ver até o final eh as possibilidades que a gente tem de cannabis, as suas aplicações terapêuticas, as suas formas de uso, eh qual a finalidade, né?

eh em qual setor que a gente pode discutir sobre ela, né? Seja social, seja político, né? Eh, científico, médico, eh, de arte, de cultura, de história, de filosofia, né? que cada um encontre aí a sua, o seu norte, a sua suas pedrinhas, as suas seu livro de viagem, as suas ferramentas para seguir a a sua vida com essa mochilinha aí, com informação, com coisa boa de qualidade, né?

Pra gente levar só o essencial, pra gente seguir livre o nosso propósito e direção, né? pensando numa vida social, comunitária, boa, eh bem informada e segura. Aqui eu coloco meu e-mail, meu telefone, eh no chat também eu vou entrar eh para interagir com vocês, se vocês tiverem interesse, eu me coloco à disposição e a gente se vê em breve em mais algumas aulas por aí. Aproveitem, o curso é sensacional.

Aproveitem muito e contem comigo. Muito obrigada.

9ª Aula — Reações Adversas da Cannabis sativa L. - Dra. Kassia Martins

Aula 9 · YouTube · ~40515 caracteres · pt

Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Sou a Gabi da Inés. Tô aqui para apresentar mais uma aula, a nossa nona aula, aula que dá continuidade à aula anterior, que a gente falou sobre as aplicações clínicas da Cannabis.

Eh, a gente continua essa aula falando de interações medicamentosas de reações adversas com a Dra. Cásia Martins. Eu quero agradecer muito a participação dela, agradecer ela estar com a gente mais essa edição e esse conteúdo maravilhoso. Espero que vocês gostem da aula.

Vou lembrá-los de curtir, comentar, compartilhar em outras redes, porque como esse é um curso gratuito e a gente eh não patrocina a página, é a forma da gente alcançar mais pessoas para que a gente possa desmistificar, democratizar o acesso à informação sobre essa planta e sobre os poderes terapêuticos da cannabis. Eh, então agradeço a todos que se engajam. Não esqueçam de registrar a presença. Lembrando que a presença é importante, né?

75% de participação nas atividades para que a gente possa emitir o certificado, mas que isso só é válido para quem se inscreveu no curso enquanto estavam abertas as inscrições. Elas já se encerraram, mas todo semestre a gente eh dá oportunidade de uma nova edição com novos conteúdos, com sempre reformulando os conteúdos. Então, agradeço a todas uma ótima aula, um ótimo final de semana e a gente se vê então na próxima terça-feira. Oi, tudo bem?

Como vão vocês? Eh, aqui é Cácia Martins Fernandes Pereira de novo. Tivemos juntos há poucos dias, né? Eh, mais uma vez agradeço a ao convite e reforço a a minha honra, a a minha felicidade de fazer parte do curso do Padre da UNICESP em sua 14ª edição, né?

Eh, agradeço mais uma vez a professora Eliana Rodrigues, a Tamara, a Gabi, a Cris e parabenizo pelo curso, pela organização. Agradeço vocês por pelo por estarem assistindo, por participar, por engajar nesse movimento. Contem comigo. É muito importante, né, que que é estejamos todos juntos, eh, cada um na sua área, cada um no seu movimento, mas dentro desse, desse, eh, campo, nesse cultivo, né, nesse de flores.

Eh, então, o tema de hoje é reações adversas da cannabis. E espero que vocês gostem, participem, porque é muito importante. Eh, o chat é um um meio da gente tá eh compartilhando informação, dúvida, comentário. Então, fiquem à vontade ali que a gente sempre que pode a gente tá vai responder e entra e e compartilha e comenta e conversa, tá bom?

Eh, ao final também vou compartilhar de novo o meu e-mail, meu telefone, fiquem à vontade, mas o chat eu acho que é o melhor lugar pra gente conversar, tá bom? Eh, então, reações adversas da cannabis, lembrando, né, que eu sou farmacêutica, então, eh, garanti o uso seguro e racional da cannabis, identificando riscos e benefícios baseados em evidências. É a minha meta, é o meu lema, é a minha régua. Eh, então, por mais que, né, seja um produto natural e a gente busca o uso do produto natural, que seja eh com garantia de segurança e uso racional, independente de ser uso terapêutico, eh, médico, recreativo, é o uso racional, tá bom?

Então, dentro do tema da aula, né? E aí, o que é reação adversa? Você sabe o que é reação adversa? Efeito adverso.

A gente confunde muito reação adversa com efeito colateral, né? Eu como farmacêutica às vezes peco nesse errando isso. Vejo muitos profissionais de saúde, médicos, eh, falando efeito colateral, mas querendo dizer reação adversa. é muito comum, né?

Não, não tô eh criticando médicos, não. Eh, eu por mais que eu saiba, estudo, tenho a propriedade para falar disso como profissional farmacêutico, eu não poderia errar, né? Mas eu quero mostrar a importância da diferença do efeito colateral por uma reação adversa. Efeito colateral é qualquer resultado não intencional que pareça estar relacionado associado ao tratamento, mas não é só efeito negativo, ele pode ser um efeito positivo também, né?

Então, efeito colateral, né, em inglês a gente vê muito nos estudos como side effects, não necessariamente eles são negativos, eles podem ser efeitos positivos. Agora, quando a gente fala de sinônimo para um efeito negativo, aí sim entra a palavra adversa, pensando no efeito negativo, né? Então, existe um um uma área enorme de evento adverso, né? um guarda-chuva de efeito adverso, que é qualquer ocorrência negativa, prejudicial que ocorra durante o tratamento.

Pode estar relacionado com o com o medicamento ou não. Então, o paciente está utilizando um está em tratamento com determinado tratamento específico ou produto e acontece alguma coisa, é um evento adverso. Por exemplo, o paciente está sendo tratado com um medicamento e ele cai. Então, [limpando a garganta] a queda é um evento adverso.

A gente vai precisar estudar para saber se aquela queda foi causada pelo tratamento ou não tem nada a ver com o tratamento. Interação medicamentosa, que a gente falou na aula passada, é um evento adverso. Então, uma reação provocada por uma interação medicamentosa não é um efeito daquele medicamento, e sim um evento adverso ocasionado ocorreu durante necessariamente a causa foi o medicamento tomado e sim a interação dele com outro produto, com outro medicamento, né? e é adverso, é negativo.

A reação adversa é o efeito nocivo que se suspeita ser causada por um medicamento, né? Então, efeito e reação adverso a gente pode considerar como sinônimo, né? Eh, nos estudos a gente vê efeitos, reações, mas o adverso é a a o que nos mostra que é um efeito negativo e não um efeito colateral. O efeito colateral, ele pode ser um efeito positivo.

O paciente estava utilizando o produto eh para melhorar o sono. E aí ele teve um um uma calma durante o dia. Ele teve o pensamento um pouco mais menos acelerado durante o dia. Ele teve um efeito colateral, um efeito positivo que não era esperado.

Claro que hoje com a cannabis, quanto mais experiente a gente eh quanto mais experiente a gente tá no uso da cannabis, né, de de no uso clínico, no acompanhamento de de conhecimento que a gente tem de informação, mas a gente sabe que muitos efeitos que a gente observa eh a gente já tá esperando que aconteça com aquele paciente, né? Então, mas o que a diferença é que o adverso é negativo, isso a gente pode evitar, saber que pode acontecer e evitar. Então, é importante a gente saber que ele pode existir, mas a gente precisa saber diferenciar. Então, eh, efeito adverso e reação adversa, tudo bem a gente falar que é bem parecido, né?

eh, mais colateral, efeito colateral e reação adversa como sinônimos, a gente não pode fazer essa essa relação, né? Então, a reação adversa a gente eh suspeita que seja ocasionada pelo aquele tratamento. Como a gente vai saber de fato que foi ocasionado um estudo de farmacovigilância, por exemplo, né? Mas dentro desse meio reação adversa e o efeito adverso aqui dentro, a gente pode até considerar eh a ausência de efeito como reação adversa.

E aí eu trouxe aqui essa essa a imagem que eu tirei de uma aula da professora Eliana Rodrigues, que ela retirou de um livro, né? eh evento adverso. Então é a qualquer ocorrência não esperada que pode ocorrer durante qualquer intervenção e saúde, incluindo tratamento ou não necessariamente um tratamento com medicamento, com produto, né? Pode ser um um procedimento, por exemplo, né?

E ele não tem necessariamente a relação causal ao tratamento. O que que vai ter a reação causal? o evento ou a reação adversa, a gente sabe, que foi causada pelo medicamento, né? Então, a gente tem nesse guarda-chuva o evento adverso, né, como o grandão lá, é um evento não esperado ao paciente por uma intervenção relacionada à utilização do medicamento.

Dentro dele tem a reação adversa. E aí a gente tem, por exemplo, uma inefetividade terapêutica, que é um evento adverso, que pode ser uma reação que a gente precisa saber. A interação medicamentosa, tá aqui dentro, a intoxicação, porque a gente usou numa dose maior, por exemplo, um erro de medicação, um desvio de qualidade, tudo isso é um evento adverso. A reação adversa é o que a gente suspeita.

Olha, foi esse efeito ruim foi causado pelo medicamento. Então, eh, para que a gente saiba se foi o medicamento causado ou não, a gente precisa acompanhar. Existe uma ciência chamada de farmacovigilância, que as ciências é as ciências, as atividades relacionadas para detectar, avaliar, compreender e prevenir efeitos adversos ou quaisquer outros eventos possíveis ruins relacionados a medicamentos. E aqui eu tenho um exemplo super atual que aconteceu, por exemplo, eh, com a vacina, eh, contra a dengue atual, né?

Então, ela já tá estava sendo aplicada nos pacientes. E aí há poucos dias eles descobriram dois duas reações eh sérias, super sérias, eh de pacientes que tinham tomado a vacina e eles não tinham identificado essas reações nos estudos. Então, eh, eles só souberam disso porque eles estão acompanhando o uso. E aí, para evitar eh maiores riscos da população sofrer essas reações, eles eh pausaram a vacinação para eles continuarem os estudos, mapearem mais pacientes que tomaram a vacina para saber de fato se essas reações foram provocadas pela vacina ou foi um evento adverso, algo não necessariamente causado pela vacina.

Ou às vezes pode ter sido um efeito de ineficácia da vacina, né? Talvez o paciente pegou o dengue e não positivou e não foi a vacina que provocou aqueles efeitos e sim a dengue ou uma outra infecção que não foi identificada ainda. Para saber isso precisa ser estudado, né? precisa ser acompanhado.

Então, a gente deveria ter a farmacovigilância atuando também com cannabis, né? De novo, a gente tem um solo no Brasil de uso de cannabis que a gente pode eh descobrir muitas coisas, né? Quais são as as principais reações adversas ou será que são eh ineficácia porque o produto não tem qualidade, né? Então, por exemplo, eh, durante a a pandemia pela COVID-19, eu trabalhei como, eh, especialista de informação médica da vacina da Jansen, e era um centro de atendimento, né, onde os pacientes se ligavam e eles queriam informações ou ou eles relatavam eh eventos adversos após tomar a vacina.

E a gente tinha que relatar e informar paraa Anvisa. tanto a os pacientes que tomavam a vacina de fato, quanto aqueles pacientes que estavam utilizando a vacina ainda durante o estudo, porque enquanto, né, a gente tava em pandemia, o estudo ainda estava sendo realizado, né, em em vários centros. Então, às vezes a gente tinha reporte de durante o estudo apresentou o paciente X, né? A gente nunca tinha o nome do paciente nesses casos do estudo, eh, que relatavam febre.

A gente tinha que relatar e informar que durante o estudo o paciente X YZ relatou febre. E aí, para que os estudos de de acompanhamento identificassem se é uma reação adversa da vacina, se é um evento que foi relacionado, que que aconteceu por outra infecção ou muitas vezes eram eh o paciente ligava para falar: "Olha, eu tomei a vacina e eu tive COVID", então a vacina de vocês eh não tem efeito, ela tá ruim. Sim, ela tava estragada. É um evento que a gente tinha que informar paraa Anvisa, para que seja monitorado para saber se de fato que reação foi essa?

uma reação adversa, foi uma ineficácia, foi aquele produto, ele não ele foi eh manipulado de uma maneira errada, era um produto falsificado, por isso não deu efeito, ou realmente não funcionou, ou porque naquele dia ele tomou junto com uma outra substância que promovou promoveu uma interação medicamentosa que causou esse efeito. Então aqui a importância dessa ciência que é acompanhar o uso pra gente saber a segurança de uso, né? Então de novo, né, o o Brasil é um solo fértil para que a gente pesquisa eh e conheça o que que tá acontecendo ao utilizar esses produtos de cannabis, né? Quais são as principais reações adversas provocadas pela Cannabis?

E que tipo de reações são essas? Ou são eventos adversos relacionados à cannabis, né? Quais são os mais comuns? Ou são efeitos eh reações de interação medicamentosa, ou por falta de qualidade do produto ou por ineficácia daquele produto, ou uma intoxicação por ter utilizado a dose errada, né?

e quais são os efeitos eh não ruins e sim benéficos colaterais, por exemplo, né? Mas a importância da farmacovigilância, né? E como a gente tem aqui no Brasil diversas modalidades de uso de cannabis, né? Ou eh por paciente que utiliza mais artesanal, que faz em casa, eh né?

As mães que preparam os olhos paraas suas filhas, muitas vezes paraos seus filhos, né? ou os produtos importados que chegam um monte de diferentes lugares fora do Brasil ou aqueles de drogaria, né? Eh, ou os produtos que logo vão começar a ser manipulados em farmácias de manipulação. Então, é importante a gente ter a farmacovigilância.

Eh, a gente não tem muito essa esse hábito de reportar, né, de relatar esses efeitos. É, mas é muito importante, né? Então, que a gente faça isso, que seja pros nossos prescritores, pelos profissionais de saúde que acompanham a gente durante o uso de canabis ou eh paraa própria Anvisa, no site da Anvisa tem lá para você eh eh fazer o reporte, né? E ela vai estudar, ela vai eh elencar e esses essas reações para analisar.

Eh, se vocês conhecerem as marcas dos produtos que vocês utilizam também relatem para essas pessoas, né? Quanto mais informação e dados a gente tiver, mais a gente vai saber do que a gente tá falando, né? Então aqui um exemplo, né, do um boletim do Cebrid, né, que era o Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas da UNIFESP, né, coordenado, acho que já mudou a coordenação, esse aqui é em 2019, né, mas é um sistema de farmacovigilância em plantas medicinais que eles colocaram em 2019, ó, já tá um pouco atrasado porque a gente já tem coisa mais atualizada, né? O Mevil, por exemplo, que é um produto de THC e CBD, ele fala: "Não é recomendado para menores de 18 anos porque pode causar tontura, desmaio, ansiedade, delírio, alterações de humor e paranoia.

São exemplos de reações adversas. Uso com cautela em paciente com histórico de epilepsia ou doenças cardiovasculares, por exemplo. E aí é que a gente pode pensar, né? Por quê?

Porque às vezes utilizam outros medicamentos e aí eles alertam riscos de interações medicamentosas. né? Principalmente na epilepsia ali que utiliza outros medicamentos anticonvulsivantes. Lembra que a gente viu o risco de interação medicamentosa, de aumentar o metabólito na circulação e aumentar a toxicidade ou de inibir a ação daquele eh a o metabolismo daquele outro medicamento e aí eu não ter o efeito daquele outro medicamento, né?

E o monitoramento hepático renal, por exemplo, né? Então, lembra que a gente viu também que dependendo do da interação, aumenta o metabólito que é mais tóxico e aí vai prejudicar as enzimas hepáticas ou mexe com a depuração, que é a eliminação daquele produto pelo corpo, pelos rins, e aí a gente sobrecarrega rim e também pode ter efeito, né? Então é importante a gente saber, né? Esse aqui é um estudo de exemplo de farmacovigilância também, né?

[limpando a garganta] Desculpa. Eles analisaram, né, a segurança de produtos de uma marca X, não importa qual marca nesse momento, né, eh, 2 anos de comercialização desses produtos, né, eles falam que são produtos full Spectrum, que vocês já estudaram também ou vão estudar ainda, né, sobre. Eh, e eles, eh, tentaram monitorar todos os efeitos eh observados durante dois usos que esses produtos foram comercializados. dois anos de uso de comercialização desses produtos.

Então eles falam, ó, que foram registrados ou relatados, né, que é mais importante, isso depende da pessoa relatar. Eh, 1429 eventos adversos. Eventos a gente precisa saber se estão reações adversas, né, ou efeitos adversos em mais de 5 milhões de produtos. Isso dá uma proporção de 0.0.

03% de eventos baixinho, né? Mas aconteceram de 1151 clientes. Então, desconforto abdominal, náuseas, dispepsia, diarreia, sintoma dermatológico como coceira e e erupção cutânea, foram as reações ou os eventos adversos mais relatados. Aqui a gente pode falar em reações, né?

De fato, ocorreram essas reações adversas. A maioria foi classificada como não grave. Eh, tiveram dois eventos adversos sérios relatados. Aqui eles falam eventos mesmo, porque quando eles foram analisar esses dois eventos, o relato foi o seguinte: um paciente tinha mais de 80 anos, ele fala, ele que ele tava tendo alucinação, ele falava que via aranha eh subindo pela parede e foram analisar, ele tava utilizando uma dose de 2,5 de CBD por dia.

era uma dose muito baixa, então, eh, não fazia sentido um relato desse ter sido ocasionado por essa dose, né? Não tem outro estudo, eh, que demonstra que isso eh pode ter sido relacionado somente pelo uso de dugda, né? Um outro relato foi uma uma mulher foi bem sério, que ela chegou eh no hospital eh com dificuldade respiratória e foi medicada, né, foi atendida, ela teve alta e essa paciente continuou a utilizar o produto, continuou o tratamento com o produto que ela tava utilizando depois, sem mais efeitos, sem mais relatos desse efeito adverso. E aí os autores consideram que não foi associado de fato ao produto de cannabis esse evento adverso, né?

Eh, e eles também não viram nenhuma evidência de toxicidade hepática, né? Mas é importante acompanhar, né? e e paraa gente saber de fato quais são os riscos que a gente vai ter ao utilizar o produto de cannabis e de qual produto. E aí vocês lembram lá no Pubmed, né, onde a gente joga as informações paraa gente buscar efeito eh resultado, eh buscar estudo eh sobre aquilo que a gente quer aprender, né?

E aí eu coloco ali, reações adversas de cannabis, canabidiol, cannabinoides, apareceram 57 resultados. Eh, quando a gente coloca eh cannabis, né, aparece um pouco mais, ó, eh quando eu tiro reações, né, eu coloco só adverso, adverso, aparecem mais resultados, né? Lembra que eu falei que, eh, efeitos e reações adversas muitas vezes eh são considerados sinônimos, né? Então, a palavra diverso aqui que é importante, né?

que quer dizer efeito eh uma reação negativa ou efeito negativo, né? Então, só para mostrar para vocês como a gente busca, né? E quando a gente joga riscos também é uma forma da gente buscar efeitos adversos, né, ou reações adversas, né? E aparecem 501, apareceram 501 resultados, né?

Eu coloco cannabis, canabidol, canabinoides, porque para tentar filtrar um pouco. Mas de novo, eh quanto mais eh detalhada eu quero a minha pesquisa, a minha busca precisa filtrar, ser mais específica possível, né? que eu quis abranger mesmo para pegar todo tipo de estudo para eu conseguir analisar o que o que que é o que eu preciso, se é do uso eh terapêutico com prescrição médica, eh ou autorização eh medicinal, né, como é utilizado fora do Brasil, por exemplo, eh se é só canabidiol ou outro canabinoide, né, que hoje a gente já tem estudos com CBG, THC e tudo mais, né? Então depende de como o que que eu quero aprender, né?

Então a gente vai filtrando a E aí e aqui, né, quando a gente busca isso, eh o que que a gente tem de estudo sobre reações adversas da can? uma generalização de efeitos, um uso irracional, eh produtos variados, eh eles colocam tudo junto na mesma mistura. Eh, a gente tem mistura às vezes de um de um baseado lá de um de um med de uma erva que foi fumada, que não necessariamente é só cannabis, né? A gente tem muito produto combinado com tabaco e outras coisas.

a gente tem muito produto sintético e produto sintético perigoso, eh, considerado como cannabis, eh, forma de apresentação diferente e forma de uso diferente, né? Então, eh, só aqui se a gente generalizar tudo, a gente não vai saber o que do que a gente tá falando. A gente tem muito estudo também que mostra as interações medicamentosas, então não necessariamente é uma reação adversa da cannabis. a gente vê desvio de qualidade tanto do daquele estudo quanto dos produtos que estão sendo estudados, né?

Eh, então nem toda cannabis, nem todo produto vai ter aquele efeito ruim ou positivo, né? A gente tem às vezes indicação de saúde inadequada ou sem acompanhamento, né? Não é porque eu tenho uma autorização para usar cannabis, que a cannabis é a melhor indicada para mim naquele momento. Eh, e se eu não tiver acompanhamento, talvez eu vou ter uma ineficácia, eu vou aumentar o risco da minha doença ou eu vou aumentar um risco de uma intoxicação, de eu utilizar uma dose errada ou um risco de interação medicamentosa, ou a forma de uso errado, ou a absorção vai ser prejudicada.

Eh, então a gente vê também que falta monitoramento farmacovigilância pra gente saber se esses riscos, esses efeitos que a gente tá vendo eh sendo publicado nos estudos é por conta da mistura, é por conta do da uso indevido, é por conta do tabaco que tava ali naquele vaporizado, né? E são insuficientes. Então, a gente ainda tem estudos insuficientes também. eh com reações adversas, mas de novo, o nosso país é um solo fértil, não só pra gente cultivar a planta, mas para que a gente conheça de fato o sobre o uso terapêutico da canabis sativa, né, no Brasil, para que a gente eh transmita isso pro mundo, né?

Então, eh não dá para se basear só nos estudos. A gente quando vai analisar sobre isso, a gente precisa, assim como as aplicações clínicas, se tem evidência científica, se é eh evidência científica robusta, frágil, insuficiente. É muito importante saber de qual canes, do que que a gente tá falando, de como é o uso, de como que foi feito a metodologia daquele estudo para antes da gente generalizar efeito. Então, a gente tem eh essa bagunça aí quando a gente pesquisa sobre isso, mas aqui a gente tem eh robustez, evidência importante, forte de os canabinoides sintéticos tem bastante reações adversas e riscos paraas nossa saúde, principalmente spice K2, né?

Eh, foram substâncias que inicialmente foram desenvolvidas em laboratório para estudo, para saber se eh se ele se eu eh resetar aquele receptor, se eu bloquear aquele receptor, se eu induzir aquele receptor, que efeito que eu vou ter, que é importante em pesquisa eu saber sobre receptores e mecanismos de ação. Mas quando a gente extrapola isso, a gente faz um estudo translacional pra população, que seja pro pro animal, né, um estudo clínico, pré-clínico, eh a gente vê que tem muitos riscos, muitos efeitos adversos, muitas reações adversas. Então eles têm efeitos farmacológicos duas a 100 vezes mais potentes do que o THC. E isso pode resultar emergência, emergência psiquiátrica.

E tem estudo eh que mostra mesmo que os efeitos adversos em humanos são graves, como náusees, vômitos, falta de ar, depressão respiratória, hipertensão, taquicardia, dor no peito, espasm musculares, insuficiência renal aguda, ansiedade e agitação, psicose, risco de suicídio, comprometimento cognitivo. E aqui eu coloco dois estudos de revisão, eh, só para ilustrar, né, que que de fato, eh, aqui, ó, eles chamam de suplementação de canabenoide, mas eles estão falando dos canabenoides sintéticos, né? Então, eh, por isso que a gente precisa ter um olhar muito, eh, criterioso quando a gente vai analisar isso e quando a gente vai discutir com uma pessoa que não entende e que se ela só ler isso, ela vai achar que tudo é cannabis, que tudo é tudo é cannabis, tudo é cannabis ativa, tudo é o uso racional da cannabis e não é, né? Então ali é um alerta.

Então, o que que a gente tem de efeitos em estudos em animais? as doses superiores. Eh, quando a gente vê estudos em animais, muitas vezes se utilizam doses superiores aquelas recomendadas para humanos, né? Eh, nos animais a gente consegue, infelizmente, extrapolar a dose, né, eticamente ou não, eh, para que a gente vê até onde que aquele produto é seguro, né?

E ali a gente consegue medir qual que é a dose mais segura, qual que é a dose mais terapêutica, qual que é a dose insuficiente. Então, normalmente estudos em animais a gente tem mais, né, que é mais fácil fazer com animais, apesar de que agora a gente tá mudando, né, a a o comitê de ética tá cada vez mais rigoroso também pros estudos e animais, porque eles também merecem ter cuidado, né? Eh, mas o que a gente vê, tá, as reações adversas em animais que pode, a cannabis pode reduzir espermogên espermatogênese, alterar o peso dos órgãos reprodutivos masculinos, diminuir a fertilidade e a redução dos níveis de testosterona, aumenta a mortalidade embriofetal, as variações estruturais fetais e atraso na maturação sexual da próle, a hipotensão severa, era bradicardia em doses muito altas até parada cardíaca, inibição do sistema nervoso central, tremores e redução da viabilidade de células células células específicas. Desculpa.

Então aqui, ó, os estudos em animais já nos alertam para ter muito cuidado para ser utilizado durante a gestação, né? Porque a gente tem aqui eh indícios de que pode ser ruim, né? Claro que quando a gente vai eh a gente não pode ir tão a fundo nesses estudos de gestação, né? E quando a gente vai para humano, a gente não estuda na gestante, né?

Preciso nem falar porquê, né? o risco é muito maior do que o benefício que a gente pode encontrar em seres humanos, as reações adversas, né, incluem sonolência, fadiga, letargia, sedação, tontura e dor de cabeça, diarreia, diminuição do apetite, vômitos, náuseas, perda de peso e dor abdominal. Eh, menos comum, agitação, depressão, pânico, pensamentos suicidas. a normalidades hepáticas, né, especificamente o aumento das transaminases, ALT, aste ou TGO, TGP, que a gente conhece mais, né, gama GT também e mas são mais comuns quando administrados com valp proato, por exemplo.

Então, nesse caso aqui, as reações, os eventos, os efeitos tem muito a ver com a interação medicamentosa, né? Também infecções do trato respiratório superior, pneumonia, febre, rah, né? Que são as erupções cutâneas e reações alérgicas. Isso é temos nos estudos, tá?

De novo, no final do do da aula vai ter o QR code para vocês acessarem as referências que eu utilizei, mas fiquem à vontade para me pedir alguma caso vocês não consigam abrir. E aqui, por exemplo, né, um um uma revisão sistemática, que é um dos tipos de revisão bem controlado, né, de estudo, que eles falam de canabinoides para uso médico, né, eles eles falam eh eles analisam os estudos que tem, né? Então eles encontraram 79 ensaios clínicos randomizados, mais de 6.000 participantes, né? Aí o que que eles viram que o dronabinol, ó lá, um THC sintético, é um produto de THC sintético, promoveu tontura, náusea e euforia.

Outro THC sintético com outro nome, tcura e boca seca, THC e CBD na proporção um para um, que eles chamam de naiximóis. Eles têm riscos elevados de tontura, desorientação, alucinação e boca seca. Os mais comuns foram geral, né, os canabinoides usados na medicina, tontura, sonolência, desorientação, confusão, perda de equilíbrio, euforia, alucinações, boca seca, náusea, vômitos, fadiga e acenia. E aí a farmacogilança é importante pra gente saber o por que tá causando isso.

Será que é o produto? Será que é a interação? Será que foi a forma de uso? Será que foi o horário que tomou?

a combinação, será que foi outra coisa que não tem nada a ver, né? Aí aqui é um clinical trial, né? É um estudo clínico randomizado, controlado. Eh, o que que eles observaram, né?

Esse estudo bem legal, né? Então, é o estudo controlado que que a o meio científico fala que é o o tipo ouro de estudo, né? os efeitos adversos comuns. A frequência maior de 10% foi tontura e vertigem, problemas de mobilidade, equilíbrio e coordenação.

Esse estudo é interessante porque como ele é controlado com placebo, a gente também observa efeito adverso no grupo placebo, né? um pouquinho menor do que 30%, mas vocês vão ver se vocês entrarem no estudo lá no Google tem como traduzir, né, para quem tem dificuldade eh de de ler, então vocês conseguem traduzir a página inteira. Distúrbios dissociativos de pensamento ou de percepção. Aumento significativo de esquecimento relatado.

Padiga e cansaço. Quedas e lesões. Infecções. Distúrbios do humor como depressão, sensação de barato, eh euforia, né?

Aumento do apetite, boca seca, dificuldade de concentração. Então, ó, a frequência foi em torno de 20 a 30% dessas reações adversas, né? observadas nesse estudo. Eh, aqui é uma outra revisão sistemática, né?

Eh, eles analisaram eh um estudo observacional, eles analisaram estudos já existentes. Eh, então eles analisaram 20 estudos observacionais com 180 milhões de pacientes. E qual que era o objetivo, né? avaliar se o uso de cannabis aumenta o risco de eventos graves como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Por quê? Eh, antigamente se falava, né, hoje ainda se fala que canode para quem tem problema no coração, né? É um tem risco cardíaco, né? Eh, será que tem?

Vamos estudar, vamos observar. Qual o uso de canabis, né? Nesse estudo, eles não conseguiram concluir se houve aumento estatisticamente significativo no risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular. Intoxicação, né?

A intoxicação já é uma dose, é acontece com uma dose superior ou um uso incorreto, um uso irracional. Temos riscos, né? Quando a gente usa uma dose superior aquela indicada para nós, ou quando eu uso de uma forma incorreta, se já era para eu usar via oral e eu tô fumando e aquele produto tinha outras coisas, não só cannabis, eu não sabia o que tinha ali. Mesmo a cannabis que eu tava usando ali tinha mais THC, eu não posso.

Ou tinha, não sei, né? Eu usei junto com outra coisa, eu não me alimentei direito, né? Mas existe risco de intoxicação. Então, tem estudo que mostra que existe risco de intoxicação tanto com efeito físico ou psiquiátrico, né?

Eh, por exemplo, relaxamento, distorção de tempo, perda de inibição, enquanto que efeito físico, eh, os efeitos físicos foram observados, taquicardia, edema conjuntival, que é o olho vermelho, com prometimento em tarefas cognitivas e da memória de curto prazo, mais comuns com proporções mais altas de THC. Então aqui a gente vê que a intoxicação risco maior é com o THC e possivelmente com uso fumado, né, pelo pela maneira, pelos efeitos que a gente observa aqui, né? Então, às vezes aquela dose foi superior para mim, para mim foi intoxicante, para algumas pessoas às vezes não, né? Mas aqui mostra que o THC ele tá, ele tem um pouco mais de risco, né, a para intoxicação, né, para usar uma dose elevada.

Eh, aí aqui esse estudo, né, eu consegui traduzir esse aqui também, se vocês quiserem fotografar aqui é o resumo, né, mas é um ensaio clínico randomizado, né, e ele fala eh controlado, ó, de THC e canabol em CBD usados sozinho ou junto, tanto por usuário frequente de canabis ou ocasional, nunca usou ou usou esporadicamente. eh e observou se tem efeito, tem risco de intoxicação aguda. Então, o que que eles viram que é interessante, que a gente fala que o THC tem risco de intoxicação e o CBD não, mas aqui eles viram que o CBD também pode contribuir com a intoxicação. Como se ele, nesse estudo, tá, ele utilizado em dose baixa junto com THC.

Ele aumentou o efeito toxicante, intoxicante do THC, mas quando ele foi usado junto com o THC em dose alta de CBD, ele foi eh diminuiu o risco de intoxicação. Isso especialmente, principalmente em usuá ou não usuários ou quem não tinha muito eh hábito de utilizar canales. O THC levou a frequência cardíaca, né? Então, de novo, né, o risco será, né, a gente tem que olhar para essa pro coração quando a gente tá pensando com o THC.

E a maioria desses riscos aumentados de intoxicação foi para esse público que não tinha a o hábito de utilizar cannabis, né? Então a gente fala: "Ah, o CBD eh não é intoxicante, pode ser, depende, depende, né, como que ele tá sendo utilizado, né? Então isso é interessante assim, né? a as substâncias naturais, elas têm esse e essa essa brinc esse paradoxico, né?

Paradoxo de às vezes em dose baixa tem um efeito, em dose alta tem outro, mas depende da população, depende da condição, né, de saúde do paciente, depende de como foi utilizado. Mais um aqui, né, desse estudo é um estudo é de acompanhamento, né, quando vocês leem coort, né, eles acompanham por um tempo eh alguma situação, né? Então, o objetivo aqui era avaliar o risco de visitas ao pronto socorro em adulto que tinha autorização médica para uso de cannabis. Queriam saber se quem tinha autorização médica para uso de cannabis tinha maior risco de intoxicação através de entrada no hospital ou no pronto socorro.

Então eles eh cruzaram com pacientes controle que entravam no hospital com risco de intoxicados, mas que não tinha autorização médica. Difícil ter esse controle, né? Mas mesmo assim eles mostram ali como eles fizeram, né? O risco de intoxicação para quem tinha autorização para usar cannabis foi duas vezes 2,45 vezes mais.

e en e risco para transtornos mentais ou comportamentais. também nesse público que tinha autorização médica para cannabis também foi considerado de ter duas, [limpando a garganta] 27 vezes maior risco de intoxicação. Porém, eh, eles não falam muito sobre, né, eh que condição que esses pacientes tinham, por que eles utilizavam cannabis, qual can, se eles tinham outra condição de saúde. Mas é importante, o que é interessante que eles eh levantam uma hipótese que eles acham que esse aumento do risco pode ocorrer porque o THC e o CBD inibem as vias enzimáticas lá que a gente falou de interação medicamentosa, do citocromo P450 e mexem com o metabolismo de outros medicamentos psicoativos.

Então, esses pacientes, eh, eles poderiam utilizar outros medicamentos psicotrópicos junto com canabis. Por isso, o maior risco de intoxicação, então o risco de interação medicamentosa. Por isso que é legal a gente estudar e ver o que que o que que tá sendo discutido, o que que tá sendo apresentado ali, né? Então aqui eu eu criei também de novo com ajuda do chat GPT.

Eh, desculpa eu utilizar o chat GPT para isso. não sei desenhar nem manualmente, nem pelo computador, mas acho que que eh com se a gente dá munição adequada, segura, para que a nossa inteligência, a nossa inteligência artificial disponível possa criar pra gente, baseado nos estudos que a gente tá apresentando, né, a gente consegue ter um material de qualidade, né? Então aqui só mostrando, né, eh, os efeitos psicoativos, as alterações oculares, sintomas gastrointestinais, efeitos cardiovasculares, hormonais aqui, principalmente eh observados com estudos em animais, né, o risco eh problemático que a gente pode falar a a partir de um uso irracional de um produto inadequado, né, eh sintomas psiquiátricos, respiratórios, hepáticos, né, de interação medicamentosa. Eh, e aí aqui a gente vê, né, da cannabis como um todo, né?

Então aqui eu não tô falando eh de qual forma de uso, então tudo vai depender, né? Eh, na prática clínica que eu acompanho o paciente, eh, mais comuns de reações adversas, eh, são sintomas gastrointestinais, né, ou boca seca ou as fees ficaram mais amolecidas, que às vezes o paciente tem uma uma prisão de ventre e aí favorece a eliminação das feses dele, né? Então essa reação adversa foi positiva. A gente pode falar de efeito colateral daí, né, nessa situação, né?

Mas sonolência é uma reação diversa, que também a gente pode falar que é um um efeito benéfico, mas às vezes não, né? Sonolência fora de hora não é legal. Eh, que tipo de sonolência é essa, né? É uma sedação ou é sonolência?

Ou foi porque mexeu com a frequência cardíaca ou a pressão arterial, né? Então isso é importante a gente ver também vemos bastante na clínica eh a queda da pressão arterial. Então é uma reação adversa importante pra gente monitorar, né? Eh para saber principalmente em relação à dose, a interação medicamentosa, eh qual produto, o que que tá usando junto, o risco desse paciente de ter essa pressão baixa, por exemplo, né?

Aí aqui, eh, só pra gente comparar, né? Eh, cannabis tem bastante eh risco de interação medicamentosa e de efeitos de reações adversas, né? A gente precisa saber. Eh, mas não é por isso que a gente não deve utilizar e não deva estudar, pelo contrário, né?

É por isso que a gente precisa estudar mais. Mas aqui um estudo eh uma revisão sistemática do uso de benzodiazepínico, né? Uma classe de medicamentos aí tranquilizantes que a gente vê com muita frequência no nossa família, no nosso meio de trabalho, internet, das pessoas utilizarem para dormir ou para diminuir a ansiedade, eh não ter vergonha de falar, né? às vezes até conta vantagem utilizar.

Eh, também não vou julgar que utiliza ou não utiliza, né? Eh, não sou contra esses medicamentos, né? Eu sou farmacêutica, eu gosto de medicamentos, mas a gente precisa ter um uso racional, independente se é cannabis e os outros medicamentos. A gente tá tendo esse uso racional, né?

E nesse estudo, eh, ele alerta, deixa eu voltar aqui, ele alerta pro uso indevido, pro problema de saúde pública global, né? A gente tem pacientes com insônia e com ansiedade. Então, a gente tem um aumento de uso desses medicamentos assim, eh, real. E o risco, os riscos são de overdose, principalmente em combinação com opioides e álcool, risco de mortalidade, comportamento de risco, eh, né, aumentar o comportamento de risco para doenças, para para violência, ideiação suicida, criminalidade, piora nos resultados de tratamentos de outros transtornos.

Então assim, não é porque a cannabis tem risco que a gente não vai usar e ou não vai prescrever e por que a gente prescreve bens do diazínico ou outros tranquilizantes, sabendo dos riscos, né? Então é só uma uma provocação, né? Que a gente tem que ter o mesmo cuidado com um bodiazepínico, com o álcool, com a cerveja no bar, né? Com o cigarro que fuma.

Eh, como tudo, né? Não é só a cannabis que a gente tem que cuidar. Então, quando a gente fala de quais os riscos de usar cannabis, a gente tem que, antes de responder quais são os riscos, a gente tem que responder qual can, quanto de canabis, quando eu vou usar a canes, como eu vou usar essa canabis, por que que eu vou utilizar a can, né? Eh, respondendo essas perguntas, a gente consegue eh medir os riscos e prevenir reações e efeitos adversos e melhorar a eficácia, melhorar a segurança e essas aplicações clínicas da CANABC ser com eh um uso racional, seguro, terapêutico, controlado, né?

Então aqui, fotografem, eh, imprimam, colem na geladeira de vocês em cima da cama, na mesa de cabeceira, eh, dentro da carteira, eh, fundo de tela do celular, eh fundo de tela do computador, tatuem. Eh, é, é só o essencial esse, né? E é muito importante. A cannabis é geralmente bem tolerada quando usada em doses apropriadas.

Então aquela máxima, comece baixo, aumente devagar e mantenha baixo, né? A gente não precisa ter medo de usar. Eh, a gente não precisa eh também sair usando rápido, aumentando rápido, né? A gente tem que ter cuidado, eh, mas sem medo, né?

Com cuidado, com cautela. Eh, evite sintéticos, evite uso fumado, cuidado sempre com interação medicamentosa ou de alimentos. Conheça o produto que tá sendo utilizado, né? Prefira um produto de boa qualidade para que você consiga saber o que tem ali e você eh já prevenir, né?

prevê o que que que você espera daquele do efeito. Evitar THC para pacientes com angina ou histórico de infarto agudo do miocárdio ou com histórico pessoal ou familiar de esquizofrenia ou transtornos psicóticos, né? Evitar, não tá falando que é proibido, né? avaliar o risco benefício nesses casos.

Eh, acompanhamento com profissionais de saúde habilitados, habilitados, né, tanto para prescrever quanto para acompanhar esse paciente. E não deve ser usada durante a gravidez, né? Porque aqui a gente tem mais riscos do que benefícios. Então isso aqui é para tatuar.

Aqui são as referências que eu utilizei. Vou deixar aqui um pouquinho. Eh, se vocês não conseguirem abrir, eh, podem me escrever que eu envio qualquer problema, né? Porque às vezes dá problema nessas coisas.

Contem comigo que eu tenho todos esses estudos. Tudo que eu coloquei aí, eu não coloquei a referência para não poluir o slide porque eu queria trazer a informação, mas não são vozes da minha cabeça de novo. É tudo baseado na literatura científicas, eh, séria, né? E a gente não precisa ter medo, né?

Eu gosto de falar assim que a gente não precisa ter pressa, apesar de que às vezes a gente quer resolver o problema rápido, eh, mas a gente não precisa ter pressa para achar a dose. A gente não precisa ter medo, a gente só precisa ir com cuidado, acompanhando e observando, saber o que a gente tá utilizando, saber quem que está usando, como está fazendo uso. Agradeço mais uma vez o convite das professoras, dos professores da organização da UNIFESP, de vocês todos. Contem comigo.

Seguimos na luta e meu telefone, meu e-mail e até logo.

10ª Aula — Composição Química e Quimiotipos da Cannabis sativa L. - Prof. Diogo de Oliveira Silva

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Olá, meu nome é Diogo de Oliveira Silva. Eu sou docente do Departamento de Química do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo, campus de Adema e sou responsável pelo grupo de bioorgânica e bioanalítica. Nesta aula nós vamos falar sobre a composição química e quimiotipos da cannabis sativa. Uma das perguntas que surge quando abordamos esse tema é: qual a importância da composição química e dos quimiotipos da canabis sativa?

E para responder essa pergunta, basta a gente prestar um pouquinho de atenção nessa figura que tá aqui ao lado. Essa figura, ela traz os principais fitocanabinoides que são produzidos pela canabis sativa, né, pela planta fêmea, que tem pestilos. E também junto nós temos as principais atividades descritas para cada uma dessas moléculas. Então aqui no CBC nós temos atividade antidepressiva, antiinflamatória, analgésica, estimulante de crescimento.

Temos também eh contra glaucoma, no caso do CBG. No CBD tem anticâncer, antiepiléptico, analgésico e assim por diante. Então essa imagem ela traz várias das atividades que são atribuídas às diferentes moléculas, aos diferentes fitocanabinoides que são encontrados na cannabis sativa. E desta forma fica evidente o porquê de estudar a composição química e obviamente os quimiotipos de canapisativa.

Então, como sumário da aula de hoje, nós falaremos um pouco sobre a química de produtos naturais, que é um dos tópicos que nos ajuda em entender o a composição química da canabis sativa, os conceitos de metabólitos primários e secundários, a biossíntese de fitocanabinoides, os cultivares de cannabis, né, as diferentes variantes que nós temos da planta, os quimiotipos de cannabis sativa e por fim o estudo de caso. onde nós realizamos em nosso laboratório a análise de óleos medicinais de cannabis produzidos por algumas associações que possuem o abias corpus preventivo para se fazer isso. A química de produtos naturais tem o seu início logo após a alquimia e se confunde com o nascimento também da química orgânica. tem como conceito que a a química de produtos naturais está relacionada ao estudo de moléculas biossintetizadas por organismos vivos e o seu marco histórico está no início do século XIX, onde a primeira molécula que foi isolada foi a morfina, que é um anestésico isolado a partir da papola.

Em seguida, a quinina foi isolada das cascas de uma árvore chamada cinchona, com atividade de antiemético, antimalárico e analgésico. E logo depois o isolamento do ácido salicílico a partir de plantas do gênero salix, que é um precursor da aspirina e também tem atividade antimicrobiana e queratolítica. Notem que a época que essas substâncias foram isoladas é a mesma época de quando foi sintetizada a primeira molécula orgânica, que foi a síndrese da ureia em 1828. Falando agora de metabólitos primários e metabólitos secundários, para entender um pouquinho a diferença desses dois tipos de metabólitos, nós podemos usar essa imagem que tá representando aqui algumas das funções que estão atribuídas a metabólitos primários.

E aí, junto de metabólitos primários, muitos autores colocam os hormônios e metabólitos secundários. Os metabólitos primários, que são tidos como os açúcares, lipídios, proteínas, ácidos nucleicos e os hormônios, eles são responsáveis por parte vital dos organismos, como crescimento e desenvolvimento, regulação e sinalização. Já os metabólitos secundários, eles estão relacionados às interações com o meio ambiente. Então estão relacionados com estress, resistência, quórum sensing e esse tipo de atividade.

E os metabólitos secundários são tidos como os pigmentos, taninos, alcaloides, terpenos, ligninas, peptídios e outras substâncias do tipo. Então, é importante que a gente tenha muito claro qual é a diferença de metabólitos primários e metabólitos secundários, principalmente porque a composição química e os quimiotipos aí da canabis sativa se diferenciam muito relacionados a metabólitos secundários. Nesta projeção, nós temos um esquema resumido de metabólitos primários e secundários a partir da glicose. Então, notem que a partir da glicose temos uma sequência de metabólitos primários e a partir daí uma série de metabólitos que são tidos como essenciais e na sequência substâncias que são tidas como metabólitos secundários, taninos, flavonoides, lignanas e ligninas, alcaloides, terpenos, ácidos gráxos e acetogeninas.

OK? Então, nesse gráfico, é possível a gente ver o que pode ser considerado a partir da glicose metabólitos primários, como o ácido chiquímico e a acentil comenzima A, e depois os metabólitos secundários, que são esses em vermelho que nós temos aqui embaixo. Nessa projeção, nós temos um exemplo de como são formados metabólitos secundários, que no caso são os terpenos, a partir de metabólitos primários, que são essenciais, como o mevalonato e o IPP, o isopentenil pirofosfato. Então, veja que o mevalonato sofre uma transformação gerando o ISO pentenil pirufosfato IPP.

E a partir daí, unidades isopreno são adicionadas para formar os outros terpenoides. Então, nós temos uma segunda, uma segunda molécula formada aqui, que é o GP, que é o geranil pirofosfato, que é um monoterpeno de 10 carbonos. E depois outras sequências vão sendo adicionadas para se gerar triterpenos com 30 carbonos, diterpenos com 20 carbonos ou tetraterpenos com 40 carbonos. todos frutos de uma primeira eh transformação do mevalonato em isopentenil pirofosfato.

Quando falamos de metabólitos secundários, e aqui usando o exemplo dos terpenoides, sejam eles fruto da biossíntese de espécies de cannabis ou não, a classificação pode ser observada aqui nessa tabela. Então, nós temos diferentes subclasses em função do número de unidades isopreno condensadas que tá intimamente ligada com o número de carbonos dessa espécie. Então nós podemos ver que aqui os monoterpenos que são de até 10 carbonos, que são duas unidades isopreno, nós temos exemplos como geraniol, linolol, depois sesquerpenos, que são 15 átomos de carbono, que são três unidades condensadas de isopreno, onde nós temos inclusive aqui o humuleno, que é o princípio ativo do acheflã, com propriedades anti-inflamatórias. E aí, eh, aumenta-se o número de de carbonos, o número de unidades isopreno condensadas, obviamente a complexidade das estruturas químicas também aumenta no caso dos diterpenos e dos triterpenos, como estão relacionados aqui.

Um outro ponto importante é que uma parte da via de biossíntese desses terpenoides também faz parte da biossíntese dos fitocanabinoides. Então, notem que tem eh duas importâncias muito distintas relacionadas a esses metabólitos secundários e aí chamando atenção especificamente para os terpenoides que vem lá da síntese do pela via do mevalonato que tem o isopentenil pirofosfato como eh como próximo eh metabólito. Boa parte destes e terpenoides presentes na cannabis tem importância por serem moduladores dos fitocanabinoides. Isso já tem vários estudos farmacológicos eh que concluem e indicam isso.

e também parte da biossíntese de alguns desses terenoides também faz parte da biossíntese de fitocanabinoides, como a gente vai ver a seguir. Então, falando desses metabólitos, quando a gente pega derivados da acetilco enzima A, nós temos o ácido mevalônico, como já foi falado, ou mevalonato, que é encontrado no citoplasma, que tá relacionado à biossíntese de alguns terpenoides, de alguns esteroides e também a via do MEP, metil eritritol, [roncando] fosfato, que tá alocado no plastídio. ou no plasto, que tá relacionado também à síntese de terpenoides, mas de cadeia maior, porque vai chegar a sínteses dos carotenoides e dos pigmentos e por isso que tá dentro do plastídio que tá relacionado à fotossíntese. Então nós temos essas duas espécies de metabólitos primários que são muito importantes, que é o MVA e o MP.

E principalmente porque o MEP tem uma via de metabolismo que também está relacionada aos fitocanabinoides. Bom, falando agora da biossíntese de fitocanabinoides, uma primeira informação que é importante passar é que os fitocanabinoides eles não são uma propriedade única exclusivamente de espécies de cannabis. Como nós podemos ver nessa imagem aqui, diferentes plantas, outros organismos também produzem fitocanabinoides. Os fitocanabinoides também estão presentes na sua bioquímica.

No entanto, são diferentes do que os fitocanabinoides da cannabis sativa. Ultimamente, inclusive, estão sendo relatados fitocanabinoides presentes na na bioquímica de leveduras. Através de engenharia genética, outros organismos são capazes de biossintetizar fitocanabinoides sempre numa intenção de se chegar numa diversidade molecular muito maior e aí se explorar outras atividades farmacológicas e outros usos dessas substâncias. Nesta imagem nós temos os principais fitocanabinoides biossintetizados pelas espécies de cannabis.

Notem que se formos considerar toda a literatura disponível, temos mais de 200 fitocanabinoides de escrito. Se formos considerar todos os organismos hoje em dia que são capazes de produzir fitocanabinoides, há relatos que esse número já passa de 500. Mas a intenção dessa aula não é explorar todos os tipos de fitocanabinoides que estão descritos na literatura, e sim focar na biossíntese de fitocanabinoides relacionados a cannabis. Então aqui nós temos as estruturas dos principais fitocanabinoides que são encontrados nas eh cultivares de de cannabis.

Então, todos eles estão aqui com a sua sigla, que é uma uma abreviação já eh universal, bastante conhecida, já consolidada. E aqui do lado nós temos todas as nomenclaturas dessas desses códigos que estão utilizados aqui. fica eh mais evidente o CBD, que é o canabidiol, e o delta9 THC, o delta9 tetraí do canabinol, que são os dois fitocanabinoides mais importantes, principalmente quando se tem a intenção de se estabelecer quais são os quimiotipos de cannabis e não por acaso também são os que estão mais relacionados aos às atividades farmacológicas. dos extratos fitocanabinoides ou dessas espécies quando são utilizadas na medicina canabinoide.

Dentre os fitocanabinoides apresentados na imagem anterior, nós podemos afirmar que esses quatro aqui são os principais: THC, CBD, CBN e CBG. O delta9 THC, o tetraidrocanabinol, ele é o principal componente psicoativo da dos canabinoides da cannabis. O CBN, o canabinol, ele também tem efeito psicológico e comportamental, mas é bem menos potente que o THC. O cannabigerol não possui propriedades psicoativas e é antimicobacteriano.

O CBD canabidiol tem diversas finalidades terapêuticas. É utilizado contra epilepsias, contra doenças multissindrômicas. E esses quatro que nós temos aí, as estruturas, eles são as principais moléculas que serão abordadas, principalmente quando a gente fala dos quimiotipos de canabisativo. Falando agora das vias de biossíntese desses canabinoides, já foi falado anteriormente a relação de metabólitos primários e secundários.

E aqui nós vamos ver como os metabólitos primários acabam fazendo parte da biossíntese dos fitocanabinoides. Então, pensando nesse primeiro painel, onde nós temos primeiro a formação do ácido hexanóico, esse ácido hexanóico ele pode vir tanto do metabolismo de ácidos grchos quanto da própria ação da da acetilco comenzima A. O fato é que a partir do momento que o ácido hexanóico é produzido, ele sofre ação enzimática e entra na via de biossíntese do ácido olivetólico. O ácido olivetólico ele sofre ação de duas enzimas específicas, uma sintase e outra cicl, chegando nessa primeira espécie aromática chamada de ácido olivetólico.

Quando o ácido olivetólico está na presença de geranil pirofosfato, que ele vem lá da via do MEP, ele sofre uma condensação gerando o ácido, o ácido canabigerólico, que é essa estrutura que nós temos aqui, o CBGA. O ácido cannabigerólico, ele é a principal estrutura dos fitocanabinoides, porque a partir dele, sofrendo a ação de diferentes enzimas, os as espécies ácidas de THC, CBD e CBC serão formadas. Então, notem, o precursor comum de todos esses de todas essas estruturas, desses fitocanabinoides ácidos aqui, em todos os casos é o CBGA, o ácido canabigerólico. E ele é proveniente do ácido olivetólico e da condensação com o geranil pirofosfato, que é um monoterpeno que vem lá da via do MEP.

Pensando em onde isso acontece nas células da cannabis, vejam aqui, nós temos uma primeira parte no citoplasma, onde acontece o metabolismo de ácido grcho, gerando o ácido oxanóico. Aqui nós temos o o ácido oxisanóico que sofreu a reação com a acetilco enzima A. E aí nós temos a via de biossíntese do ácido olivetólico através da sintase e da ciclase. Então, produzindo aqui o ácido olivetólico no citoplasma.

Dentro do plastídio, do plasto, nós temos a via do MEP, onde é gerado lá o isopentenil pirofosfato. o isopentenil pirofosfato e eh adquire mais uma unidade de isopreno e gera e forma o gerani pirofosfato, que ao se combinar com ácido olivetólico gera o ácido canabigerólico. Esse ácido cannabigerólico, ele é levado pra superfície da parede celular. E na superfície da parede celular, as enzimas geram as espécies ácidas dos fitocanabinoides, THCA, CBDA e assim por diante.

Aqui nessa tabela, nós temos todas as relações de complexos enzimáticos e os genes que são responsáveis por expressar essas enzimas para fazer a biossíntese de todos esses fitocanabinoides. Então, de uma forma resumida, nós podemos dizer que a biossíntese dos fitocanabinoides, ela tem um início com a parte de metabólitos primários derivados da acetilcoenzima A, gerando aqui o ácido exanoico a partir também de do metabolismo de lipídios. Quando isso acontece, nós temos as ações das enzimas sintase e ciclase do ácido livetólico. E em uma outra via também relacionada com a centenzima A, nós geramos o ácido mevalônico ou mevalonato.

O ácido mevalônico, o mevalonato ele passa pela via do MEP, gerando o isopentenil pirofosfato e depois mais uma unidade de isopreno, eh, formando geranil pirufosfato. E a partir disso, a condensação do ácido olivetólico com o gerani pirofosfato gera o ácido canabigerólico. E o ácido canabigerólico, como falado anteriormente, ele é o precursor de todos os fitocanabinoides na canabis sativa. A partir do ácido canabigerólico, nós temos dois tipos de eventos que podem acontecer na biossíntese dos fitocanabinoides.

Alguns eventos são enzimáticos, como para gerar o ácido cannabidólico, o ácido tetraído cannabidiólico, o ácido cannabicromênico. Todos esses são etapas enzimáticas e também tem etapas químicas espontâneas de descarboxilação. Então o canabigerol ele é formado a partir da descarboxilação do próprio ácido cannabigerólico. Já o canabicromeno, ele é formado a partir do seu ácido correspondente também por meio de uma descarboxilação.

O ácido canabinólico, ele é formado a partir de uma oxidação do delta9 tetraídro canabinólico. Já o cannabidiol, ele é formado a partir da descarboxilação do ácido cannabidiólico. [limpando a garganta] O canabinol é um produto de oxidação do próprio delta9 THC. E o delta9 THC também pode sofrer uma isomerização onde há alteração do posicionamento dessa dupla ligação.

Ó, vejam aqui a gente tem o delta 9 THC. Quando ocorre a isomerização formando o delta 8 THC, nós temos a dupla numa outra posição aqui no anel, certo? O que é interessante nessa parte da via enzimática da biossíntese é que a partir do ácido canabigerol canabigerólico, dependendo da enzima que atua, você vai ter um tipo de ciclição ocorrendo aqui. Então, um tipo de ciclição vai formar a classe do CBD, outro tipo de ciclição vai formar os THCs e outro tipo de ciclição vai formar os CBCs.

E aí a descarboxilação direta forma o canabigerol. OK? Os quimiotipos de cannabis, todos eles estão relacionados ao teor que é encontrado de CBG, CBD e Delta9 THC. Então, quando a gente fala dos quimiotipos de cannabis ativa, eles estão relacionados aos constituintes ou ao teor que nós teremos desses constituintes na planta.

E aqui a título de informação, o primeiro fitocanabinoide a ser purificado, que foi identificado foi o canabinol, que é um produto de oxidação aqui do tetraidrocanabinol, como tá representado aqui. Bom, então nós já falamos bastante da biossíntese, entendendo como que a química de produtos naturais ajudou a interpretar metabólitos primários e secundários. E levando isso pro cenário da cannabis e dos fitocanabinoides, já conseguimos entender um pouquinho da biossíntese dos fitocanabinoides e o que geram essas substâncias eh dentro lá da da parte celular da cannabis. Agora nós vamos falar um pouco sobre as cultivares de cannabis, né, sobre as as variantes de cannabis.

OK? O que se tem de mais aceito na literatura hoje em dia é que a cannabis possui duas espécies, que é a cannabis sativa e a cannabis índica. Aqui nós temos uma imagem que foi eh resgatada de como isso foi inclusive registrado, né? Então nós temos que a canabis sativa ela possui suas folhas um pouco mais estreitas, o arbusto é um pouco mais alto quando comparado com a índica, que é um arbusto um pouco menor, com mais folhas, folhas mais largas.

Mas isso é uma tremenda confusão na comunidade científica. Não existe nenhum consenso quando a gente fala das cultivares ou das variantes aí de cannabis. Não há qualquer consenso sobre a sua classificação, se ela é monotípica ou politípica. pensando que monotípica é quando a gente fala que só tem uma espécie, então é cannabis sativa e aí tudo o resto são subespécies da canabis sativa.

Então nós temos a cannabis sativa sativa, cannabis sativa índica, cannabis sativa ruderalis e já há outros autores que acreditam, que defendem que a cannabis é politípica, ou seja, que nós temos diferentes espécies. Então, a cannabis sativa é uma espécie, canabis índica é outra espécie, canabis ruderales é outra espécie e assim por diante. Mas o fato é que é muito mais amplamente aceito que o que se tem são duas espécies de cannabis, cannabis sativa e cannabis índica. Essa letrinha, né, que tem aí depois do canabis sativa tá relacionada ao nome de quem registrou, de quem fez o primeiro registro em relação a isso.

Não vou entrar nessa parte. Eu acho que isso já foi abordado por outro professor aqui no no nos cursos, né, em outras aulas. Então, deixa essa parte de taxonomia para quem tem mais propriedade para falar. Bom, a verdade é que quando nós falamos dos cultivares, mesmo sabendo da do que é mais aceito como cannabis sativa e cannabis índica, a verdade é que há mais de 2300 cultivares ou químio variedades de cannabis.

teve um número tão elevado de hibridizações, de mutações e de cruzamentos que hoje já não se tem mais exatamente catalogado, não se tem nem como catalogar exatamente quais são essas quimiovariedades. Acaba sendo muito difícil de fazer isso. Por exemplo, aqui no Brasil há um número bastante grande de associações para o uso medicinal de cannabis. E acho que essa é uma iniciativa bastante interessante, bastante importante.

Tem várias famílias que que dependem disso Brasil afora e foi um mecanismo que foi encontrado legal, inclusive de se fazer o cultivo. Só que da mesma forma as associações elas vão fazendo as suas seleções genéticas, as suas seleções de clones. E aí fica muito difícil de você saber exatamente qual é a espécie, qual é o gênero daquela daquela cultivar que tá sendo utilizada por uma determinada associação ou por um outro determinado paciente que tem o seu abias corpus preventivo para fazer o cultivo. Então, dentro dessas mais de 2300 variedades, tem uma ausência muito grande de critérios científicos e taxonômicos para conseguir se fazer uma classificação.

Eh, as nomenclaturas, as classificações, elas são próprias de quem tá cultivando, de quem tá utilizando. E as espécies e subespécies de cannabis acabam se perdendo. você vai tendo uma uma gama muito ampla de de nomes e de e de variedades. Eh, não existe.

Então, uma a identificação sistemática acabou se tornando uma coisa inviável para as cultivares. Só que tem um outro ponto, é preciso distinguir as variantes a partir do momento que se teve uma popularização muito grande da cannabis medicinal. Então, se você tem um paciente que tá seguindo lá um tratamento e aí ele precisa, ele conseguiu ter sucesso naquele tratamento, seria muito interessante, muito importante que conseguisse manter esse tipo de tratamento. Agora, se você não sabe qual é a variante, qual é a cultivária que tá sendo utilizada para fazer ou o extrato ou para se extrair os fitocanabinoides para se dar naquele para se utilizar naquele tratamento, é muito difícil de você conseguir ter o mínimo de reprodutibilidade e de conseguir manter o sucesso desse tratamento.

A forma que se encontrou de contornar esse tipo de problema das variedades que se tem de cannabis, foi se designar os quimiotipos de cannabis. Então, em vez de se fazer uma classificação taxonômica, o que se faz é uma classificação a partir do teor fitocanabinoides. Então, os quimiotipos de cannabis, eles estão relacionados não mais a uma classificação genética ou de características da folha e assim por diante, mas sim estão relacionados com o teor da de alguns dos fitocanabinoides. Então eu trago novamente essa projeção onde eh eu comentei que os quimiotipos de cannabis dependem do teorg, CBD e delta9 THC.

Esse é o ponto que esses são os fitocanabinoides mais importantes para conseguir se atribuir a que quimiotipo está relacionado àquela cannabis, aquela variante. Hoje na literatura nós temos cinco quimiotipos de canabis sativa, mas até pouco tempo se tinha só três, tá? Até pouco tempo tinha três tipos de cannabis, de quimiotipos de cannabis. Um deles relacionado a autor de THC, né?

Inclusive esse tipo de cannabis é classificado lá como narcótico, tá na lista de drogas e assim por diante. A cannabis medicinal onde tem um equilíbrio entre THC e CBD. Tem um e um outro quimiotipo que era o quimiotipo três, que tava mais relacionado a a TC CBD como fitocanabinoide predominante. Você tinha baixos teores de THC.

Subsequentemente foram encontradas, né, foram classificadas eh eh quotipos de cannabis que são mais relacionados ao cânamo, onde você praticamente eh não tem CBD em THC, você tem o CBG como fitocanabinoide predominante e ainda ultimamente tem o quimiotipo cinco, que tá mais relacionada à parte de fibras e tal, que não tem eh nem nenhuma quantidade significativa de fitocanabinoides. Inclusive, ainda se está vendo se essa classificação vai continuar de fato sendo aceita ou não. Então, o fato é que nós temos o cinco tipos eh cinco quimiotipos de de cannabis, né? Todos eles relacionado à quantidade de fitocanabinoides ou qual é o fitocanabinoide majoritário, onde o quimiotipo um tem predominantemente delta9 THC, o quimiotipo 2 existe um equilíbrio entre THC e CBD.

O quimiotipo 3 tem predominantemente CBD com baixos teores de THC. E aí, quimiotipo 4, predominantemente CBG, e quimiotipo 5, ausência de fitocanabinoides. Apesar de ser muito difícil de conseguir correlacionar as características da planta com o quimiotipo, ainda existe um esforço bastante grande de vários pesquisadores tentando fazer isso, né? Então, esse é um artigo da H Science, onde se tem o relato das imagens das folhas e o quimiotipo, vendo que esse essa essas folhas mais estreitas estão relacionadas ao quimiotipo três, que é rico em CBD.

A intermediária é a que se tem equilíbrio, quimiotipo dois, e a mais larga é que é rica em THC. Mas ainda assim é bastante difícil de conseguir correlacionar isso, né, em função das das variedades que se tem por aí. Tem outros pesquisadores que tentam eh correlacionar os quimiotipos com as características da planta e também o teor substâncias, como os terpenoides. Como eu falei anteriormente, os terpenoides, eles têm uma característica bastante importante de modularem o efeito dos fitocanabinoides quando se tá tomando eh algum óleo do tipo full spectrum, né, e não simplesmente o princípio ativo isolado, não só o CBD, né?

Então, a constituição desse extrato é bastante importante, não só pelos pela constituição de fitocanabinoides, mas também eh dos terpenoides que constituem esse óleo. Tem uma série de de guias internacionais. nos Estados Unidos tem um guia bastante importante que quando fala da classificação e da análise desses óleos, eh, ele já considera que é muito importante analisar quais são os terpenoides que constituem o óleo e também qual é o teor deles para caracterizar ali o tipo de óleo para tentar direcionar ou dar alguma algum indicativo da ação farmacológica relacionada daquele óleo. Bom, eh entendido agora, eh, da biossíntese dos fitocanabinoides e também da importância da biossíntese pra gente entender quais são os quimiotipos de cannabis, nessa última parte da aula, eu vou apresentar para vocês um estudo de caso.

Esse estudo de caso, ele é um um projeto que é desenvolvido na UNIFESP, lá no meu grupo de pesquisa, em colaboração com a Cultive, Associação de Cannabes e Saúde. A Cultive é uma associação que possui abias corpos preventivo coletivo. Eu não sei exatamente o número de famílias, mas eu vou chutar aí que tá na ordem de umas 20 famílias. né?

Então eles possuem lá alguns clones, tem um número específico lá de pés, é o Fábio e a Cidinha que tomam conta e eu tive a oportunidade de iniciar um projeto com eles para dar algum suporte na parte química dos extratos para tentar deixar os extratos mais reprodutíveis, mais seguros, de forma que os pacientes entes conseguissem utilizar isso e não ter muita variação, né, na produção de um lote pro outro, né? Então, a gente faz vários estudos lá, tem estudos onde a gente eh eh compara diferentes tipos de extração. Extração envolvendo álcool de cereal, extração a frio sem solvente. A gente sabe que o residual dissolvente, dependendo da situação do paciente, pode ser um gatilho para desencadear eh algum crises epiléticas e coisas do gênero.

Então, a gente tenta eh criar alternativas e estabelecer os processos de produção do óleo da da associação, tenta colaborar nesse sentido, dando alguns inputs técnicos, eh, no sentido de produzir óleos de maior qualidade, mais reprodutíveis e assim por diante. Então, a gente tem lá uma série de iniciativas junto da Cultive de produção dos óleos, de análise dos olhos, de controle de qualidade dos olhos. ainda é um projeto que tá, de certa forma engatinhando. A gente não tem uma estrutura muito robusta ainda, mas já temos alguns resultados do que estamos fazendo.

Então, o que eu vou apresentar para vocês aqui é a análise de alguns óleos que foram produzidos pela Cultive por diferentes quimiotipos, diferentes eh cultivares de cannabis. E aí para vocês entenderem como que isso é na prática, porque a gente falando aqui, ah, então tá, para eu entender qual é o quimiotipo de cannabis, basta a gente saber quais são os fitocanabinoides que estão ali. Sim, basta isso, mas só que isso não é uma etapa fácil. a gente precisa de equipamentos de de alta precisão para conseguir eh saber exatamente quais são os fitocanabinoides que são constituintes daquele extrato, né?

Nesse estudo com a Cultive, que foi um estudo que inclusive a gente fez uma comunicação dos resultados no último Congresso Iberoamericano de Espectrometria de Massas que ocorreu no Rio de Janeiro, nós conseguimos desenvolver um método onde foram analisados os fitocanabinoides ou na verdade alguns dos fitocanabinoides que nós eh eh designamos do método para conseguir saber se nós estávamos tratando de cultivares que eram mais ricas em CBD ou ricas em THC, né, para entender também se o processo de produção tava de acordo e para depois ajudar a produzir os óleos dentro de um teor que era necessário para fazer as doses para os os pacientes, né? Então, a gente em parceria com a Shimatsu, a gente utilizou um equipamento de cromatografia líquida, um UHPLC acoplado a um espectrômetro de massas de alta resolução, um Kiltof no modelo LCMS 9030 e fizemos as análises de oito fitocanabinoides, todos esses que estão aqui. Então nós analisamos canabidiol, canabis, canabigerol, canabinol, cannabicromeno, delta9 THC, delta 8 THC, cân de varina e tetrahidrocânnab de varina, tá? Então nós analisamos essas oito substâncias.

Aqui tem um ponto importante, né, um pouco mais técnico, mais químico, porque eh todas essas substâncias eh muitas delas elas são isômeras uma da outra, então é muito difícil de você analisar e nós conseguimos desenvolver um método que teve a habilidade de distinguir eh essas substâncias, tanto por conta da sua eh resolução na espectrometria de massas, quanto da eficiência da separação. Então aqui a gente tem um um cromatograma onde nós temos mostrando eh essas oito substâncias, né, que se trata de do mix de padrões, só para mostrar como que essas substâncias eh como que esses fitocanabinoides se apresentariam nas amostras. Um [limpando a garganta][roncando] ponto importante desse método é que ele foi capaz de diferenciar dois isômeros, que é o delta8 e o delta9 THC. Isso é muito importante, principalmente porque tá muito relacionado a substâncias psicoativas, né?

Então, lembrando que o delta8 e o delta9 são isômeros. somente essa dupla ligação, ele tá diferente. A gente conseguiu separar cromatograficamente isso. Então, acaba sendo um potencial do método bastante interessante.

E ao final, depois de desenvolvido o método de verificar a deficiência dele e a reprodutibilidade, foram analisadas diferentes amostras de diferentes cultivares. Então notem, nós temos aqui nomes distintos, inclusive nomes de processos distintos, Harley Sul 36 horas, Harley Sul descarboxilado. Então, eh, dependendo de qual é a variedade que foi utilizada, que foi extraído, que foi feito o óleo, nós temos aqui um tipo de variedade, né, que tá mais direcionada à quantidade de CBD ou de THC ou misto, né? Então nós temos, lembrando, CBD quimiotipo 3, THC quimiotipo 1 e THC e CBD quimi do.

Então, notem que a gente tem aqui, caso de uma de uma variante mais voltada a a CBD, nós temos majoritariamente CBD no óleo e muito pouco de delta9 THC, tanto que tá abaixo do limite de quantificação. O mesmo acontece com essa aqui, que é do quimiotipo um, que tem alto teor de THC e não foi detectado CBD. A mesma coisa essa outra Harlet Sul, que foi feita descarboxilação, então tem um teor um pouco menor e assim por diante. Então, dependendo do que resultou na análise, a gente consegue dizer que tá de acordo com o que foi indicado aqui pela pela cultivar que se esperava.

Então essa é uma forma onde a gente fez a análise de óleos medicinais que foram produzidos numa associação, né, de cannabis medicinal, foram analisados e a gente conseguiu, a partir da análise química, confirmar qual era o quimiotipo que se esperava dessas cultivares que estão relacionadas aqui. Bom, era isso que tínhamos para falar sobre toda essa parte de componentes químicos e quimiotipos da cannabis sativa. Obrigado pela atenção e até a próxima aula.

11ª Aula — Psicodélicos - Profª Dra. Eliana Rodrigues

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Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Sou a Gabi da Inés. Estô aqui para apresentar mais uma aula, nossa 11ª aula.

Uma aula muito especial. Especial porque ela é inédita e especial porque a gente vai receber a nossa queridíssima coordenadora do curso, professora titular da UNIFESP, professora Dra. Eliana Rodrigues, é um prazer sempre ouvir a Eli e tenho certeza que vocês vão adorar essa aula, porque como eu disse, um conteúdo super diferente na nossa grade e ela vai falar sobre psicodélicos. Então você sabe, por exemplo, a diferença sobre psicoativos e psicodélicos?

Tenho certeza que vocês vão adorar essa aula. Eh, me conta aqui depois, escreve nos comentários aí, compartilha, chama outras pessoas para vir assistir esse conteúdo e a gente se vê então na próxima terça-feira com mais uma aula. Obrigado, tem um ótimo final de semana. Tchau, tchau.

>> Olá a todos e todas. O meu nome é Eliana Rodrigues. Eh, a gente já teve aí algumas aulas antes, ainda vamos ter outras, né? E bom, a Gabizinha já deve ter explicado para vocês que eu estou aqui, na verdade, hoje para meio que entrar no lugar da professora Dani Rando, que teve um problema de saúde na família e, infelizmente, esse ano ela não conseguiu contribuir com a aula maravilhosa dela, mas nós já temos a garantia de que pra próxima edição ela vai nos presentear com a com a sua presença.

Então, eh, isso é completamente passível de acontecer, né? Somos seres humanos, afinal de contas, né, com problemas, com Então eu peço desculpas porque a grade original não é aula de hoje, não é comigo. E também aproveito para dizer que é a primeira vez que eu tô oferecendo essa aula, né? Eh, é uma aula que eu preparei com muito carinho para entr entrar no lugar aqui da da aula da Dani Rando.

E eu espero que vocês tenham um pouco de paciência comigo, porque vai ser a primeira vez assim, né, eh, que eu vou oferecer. Então, o título da aula, que a Gabizinha também já deve ter falado, né, é psicodélicos. Então, vamos lá. Vamos compartilhar aqui a tela, né?

Vamos ver onde que eu fico. Acho que eu fico aqui assim. Pronto. Bom, então, eh, vamos começar a falar sobre os psicodélicos.

É um desafio enorme para mim essa aula, muito embora já tenha escrito um livro que fala um pouco deles, né? traz sugestões de novas eh, digamos, eh, eh, classificações diante do cenário que se coloca hoje, né, desse assunto, mas de verdade é uma coisa que eu tô estudando, né, ainda. Então, tem um pouco de paciência aqui comigo, tá bom? Então, vamos lá.

Eh, mas para que a gente possa falar de psicodélicos, a gente tem que dar um passo para trás e imaginar. Bom, essa classe de substâncias de plantas, animais, fungos sintéticos, né, elas estão dentro de que classificação? Dos psicoativos, né? Mas retomando também a nossa aula de fisioterapia, o que é uma substância psicoativa.

Então aqui uma classe, uma uma um conceito dois, né, que basicamente falam são muito parecidos, né? Primeiro deles é de Bertolote Girolama de 1993, que são as substâncias capazes de afetar os aspectos da mente, agindo sobre o pensamento e comportamento, incluindo padrões de pensamento, humor, ansiedade, desempenho de cognição e bem-estar. Nossa, quanta coisa, né? Quanta coisa.

Então, em termos em termos de saúde mental, aqui nós estamos bem, né? Porque a psicoativa, a substância psicoativa, ela vai agir especificamente na saúde mental das pessoas, né, sobretudo. E a Organização Mundial da Saúde também, que é um pouco anterior, fala que é isso, né, que são as substâncias que alteram comportamento, humor e cognição, claro, servindo a várias doenças psiquiátricas. Quando a gente fala em cognição, a gente tá falando, por exemplo, eh, de questões, eh, de sintomas, né, de Alzheimer, de Parkinson.

Então, eh acho que vai ser uma aula interessante. Vamos lá. Bom, retomando aqui aquele nosso velho e bom esqueminha do professor Carline, né, aonde ele vai classificar as substâncias psicoativas em três grandes grupos, né, como se eu tivesse uma atividade normal, digamos, da mente. Mas se eu tiver sobre o efeito de café, por exemplo, eu vou estar nessa primeira caixinha que é dos estimulantes, também conhecida como psicoanaléptica.

Aqui, ponto de vista da psiquiatria, nós teríamos o quê? medicamentos de que de que de que ordem os antidepressivos, né? Então, se a gente quisesse tratar os eh pessoas com depressão, nós deveríamos buscar substâncias que tivessem esse padrão de ação na atividade da mente, né? Aumentando então o que seria normal, aumentando um pouco essa atividade, né?

Aqui cérebro, mente, nós vamos retomar esse assunto lá na frente, tá? Eh, alma, enfim. Hoje vai ter uma aula assim, uma parte mais que também fala fala de espiritualidade, mas por favor, nós nós não estamos aqui falando de religião de forma alguma, né? Então já antes que vocês comecem a fazer a crítica, [risadas] calma, nós vamos chegar lá, tá bom?

A segunda caixinha dos depressores. Então, por exemplo, se eu utilizar uma planta do tipo valeriana, eh, o chá de maracujá, né, ou erva cidreira, tal, aí eu teria diante de uma eh de uma substância do tipo psicoativa, do tipo depressora. Aqui eu me atrapalhei toda, né? Eu ia escrever anciolítico, antipsicótico, eu juntei os dois, tá?

Mas seriam ansiolíticos, antipsicóticos, antiesquizofrênicos, né? e também são conhecidos além de depressores como psicolépticos. E na terceira caixinha, ela nem aumenta a atividade da mente e nem diminui a atividade da mente. São substâncias que vão causar uma alteração da percepção dessa mente, também conhecida como perturbadores ou psicodislépticos, né?

Então, por exemplo, a zabumba estaria aqui. A gente já viu na aula de fitoterapia, né? que o THC tá nas três caixinhas, que a canabisativa tá nas três caixinhas, que o CBD estão nessas duas caixinhas pro estudo científico, né? Ou seja, a gente já viu que a cansativa inteira é psicoativa e que o CBD é psicoativo.

Então vamos pular essa parte. Quem não viu, corre lá depois na aula, na segunda aula do curso que é de fitoterapia, que ali eu destrincho bastante bastante vemência a esse assunto. Bom, nessa terceira caixa, é essa terceira caixinha que nós vamos olhar para ela hoje. Ah, mas então os psicodélicos estão dentro dessa terceira caixinha?

Não sei. Suspança, suspans. Nós já vamos chegar lá. Mas antes de ir pro ser humano, vamos olhar um pouquinho pro pros outros animais além da gente, né?

Será que o uso de substâncias psicodislépticas ou alteradoras de percepção ou perturbadoras, né, tudo o mesmo nome, né, é uma premissa apenas dos do de uso pelos humanos? A resposta é não, né? A resposta é não. Então, quando a gente olha, bom, mas antes da gente ir, pro que eu quero realmente mostrar esses outros animais que também usam, essa terceira caixinha, ao longo da história, ela vem sendo chamada de diversos nomes e é isso justamente que provavelmente causou toda esse essa confusão que a gente falou na na aula de fitoterapia.

Então ela também pode ser conhecida como psicoticomiméticas, ou seja, imitam psicose. Psicóticas induzem psicose. Alucinógena, causam alucinações. Psicodélicas promovem a manifestação da mente.

Alguns falam da alma, do espírito, do self. Enteógenas evocam o espírito dentro de si. tactógenas promovem o autoconhecimento. Empatógenas estimulam a empatia.

Eidéticas originam, dão origem a ideias, novas ideias. psicotogênicas afetam a mente e psicodislépticas suavizam a mente. Então, veja, essa terceira caixinha que a gente falava agora a pouco, ela é cheia de estigmas, ela é cheia de interpretações, ela é cheia de conceitos que muitas vezes se desencontram, porque não é possível você ter tudo isso dentro de uma caixinha só. Nós vamos discutir aqui já, tá?

Então, voltando àela pergunta, né? Não são só os seres humanos que usam substâncias para alterar a sua percepção. Aqui é só um exemplo de como que nós não temos estudos eh de farmacologia pré-clínica para avaliar uma substância, por exemplo, lucinógena. Nós não conseguimos saber se um rato, um camundongo, um bigle ou um gato tá está alucinando.

Nós vamos ver por é claro que isso aqui é uma brincadeira, né? Esse aqui provavelmente tá muito louco. Esse aqui então Jesus, né? Mas assim, de fato, nós não temos modelos animais.

Isso é só uma brincadeira aqui. Não dá pra gente saber o que que esse gato tá sentindo que ele tá vendo. É impossível, né? Mas a gente sabe sim, olhando pra natureza, que existem alguns animais, né, que alteram também a sua percepção, utilizando plantas, animais, enfim.

Então, por exemplo, o macaco prego, ele utiliza eles lambem, né, a centopeia e passam um pro outro, né? Então é como se fosse um baseado ali numa roda de conversa, né? Eles vão lambendo e vão passando, vão lambê com a intenção de alterar a sua percepção, né? Existe toda uma um comportamento já observado nesses animais com relação às entopeias, né?

Mas não só. Também a gente conhece a brisa dos cavalos, que é ou também erva conhecida como erva louca, que eles então comem essa planta e ficam com uma visão embaralhada, em coordenação motora e extremamente relaxados, né? Existe também ã a o ópio, né, que é que na verdade é papola, né, essa planta que tá o fruto da papola, que da onde a gente extrai a morfina, enfim, o ópio, a morfina e várias outros eh opiácios, né? Eh, e esses cangurus, então, eles se alimentam do fruto da papola e depois eles ficam embando, pulando, fazendo em círculos nessas plantações.

Você destrói toda a plantação, tá? Não é um negócio legal paraa pessoa que precisa viver ter esse fruto aí, mas para eles é o máximo, né? Porque eles tão tipo uma festinha deles assim, né? Digamos também.

Golfinhos australianos utiliza, comem, né, o baiaku, porque esse peixe tem uma toxina que possibilita que eles fiquem também alterados, né, chapados também. Isso aqui já é muito conhecido, os gatos, né, que utilizam LSD, é, que utilizam essa planta que é erva de gato, né, peta catária, que é ela é conhecida como LSD dos gatos. Por quê? Porque ela tem uma uma uma efeito prazeroso, relaxante, alterador de percepção, que lembra o que é o TH, o o LSD para os humanos.

E finalmente também na África existem essa fruta, né, que é a marula, é utilizada por diversos mamíferos que ficam embriagados dançando, girafa, hipopótamo, eh elefante, ficam, né, ficam macacos também, ficam como se tivessem embriagados mesmo, né? Então isso tudo para dizer que na verdade essa terceira caixinha ela tem uma importância enorme. Por quê? Porque se não, se não fosse ela, a gente não teria descoberto que nós temos um sistema.

Porque se a gente pensar que a canabisativa está nessa terceira caixinha, mas em todas as outras caixinhas da classificação de psicoativos, ora, foi por entender que ela altera a nossa percepção, que nós percebemos que temos receptores. E se temos receptores é porque temos substâncias endógenas, né? Mas nós já vamos chegar lá, vamos mais vamos para senão vou dar spoiler aqui, né? Agora, continuando aqui, mais questionamentos para vocês.

Uma substância que altera a percepção, ou seja, um psicodisléptico, ele sempre vai provocar alucinação. Ele só provoca alucinação? Então, são duas perguntas cujas respostas são: "Não, né? Nós vamos ver agora aqui para desconstruir a ideia de que essa terceira caixinha são as alucinógenas, porque é muito comum, ah, joga aí a essas plantas na terceira caixinha, tudo alucina, tudo coisa ruim, coisa do demônio, coisa do capeta.

Não, não é. Então nós vamos olhar agora aqui o conceito de alucinação, o conceito de alucinógeno, né, para entender que nem todo psicodisléptico alucina, tá? Então vamos lá. Todas essas alterações de percepção podem ocorrer quando eu uso uma substância daquela terceira caixinha que são as dislépticas.

Então, pode ser uma alucinação, pode ser uma ilusão, pode ser um delírio, sinestesia ou senestesia. Vamos ver cada um deles agora, tá? Então, o que será que é isso daqui? Não sei se vocês conseguem observar, mas quando a gente olha, a sensação que dá é que essas círculos eles estão girando, né?

Então isso daqui é um negócio esquisito e eu não usei nenhuma substância [risadas] só até no momento aqui hoje, né? Então o que é isso? Isso é uma alucinação? É um delírio?

É uma ilusão, uma sinestesia? Que que vocês acham? Vai pensando aí. Aqui outro, ó, também é o mesmo efeito.

Que efeito é esse? Esse efeito não é alucinação, esse efeito é uma ilusão. Porque a ilusão é a distorção de uma realidade. Ou seja, existe algo, não é?

Essas coloridos que estão aí na tela que estão me fazendo, estão me, estão me iludindo. Mas existe um objeto hum real. nessa tela branca, tá certo? Então aí é uma ilusão, não é uma alucinação, é uma ilusão.

Então, de repente, você tá usando uma substância, você tem essa sensação, você fala: "Nossa, tô alucinando". Não está, você está iludido. Já nesse outro momento, se vamos supor que tem uma pessoa que tá olhando para uma tela, uma parede em branco, toda branca, e a e a pessoa fala assim: "Nossa, aqui eu enxergo uma vela acesa". Bom, eu tenho algum estímulo naquela parede?

Eu não tenho nenhum estímulo. Zero, é tudo branco. E ainda assim eu vejo uma vela acesa. Aí é uma alucinação.

Por quê? Porque eu não tenho um estímulo visual. Eu não tenho estímulo de percepção que me faça enxergar algo que não tem nenhum estímulo, né? Ou então eu escuto um somonde tá zerado assim, ó.

Agora aqui, ó, não tem nenhum som, mas vamos supor que eu escutasse, ele anda, ele anda, ele anda, aí eu estaria alucinando, não é? Então, a alucinação ela ocorre na ausência de um agente estimulante, seja um som, seja um sapaladar, seja uma visão, seja um tátil, né? Aí é alucinação. Então, notem que nem sempre quando você utiliza uma substância você vai estar alucinando.

Nem sempre aquela terceira caixinha, por isso que não é, né? um alucinógeno seco, acontece que a alucinação eh eh essa alteração então dos sentidos, da percepção, né, ela pode ter a fusão de vários sentidos e aí a gente conhece como sinestesia. Então você pode somar o visual com auditivo, tá e fazer uns erguidum. Como?

Então, um exemplo aqui, vamos supor que essa pessoa falasse assim: "Nossa, eu tô vendo a cor que a cor amarela cheira a número quatro". Nossa, fundiu tudo aqui, né? Tá certo? Então, quer dizer, aqui eu teria uma o quê?

Uma sinestesia, a fusão dos sentidos, que também é uma forma de alucinação, tá? Agora, um outro tipo de alteração de percepção que não é alucinação, não é ilusão. Nós estamos indo para um terceiro tipo aqui daqueles que eu falei. Então a pessoa fala assim: "Estou convencido de que meu vizinho está dormindo com a minha esposa".

Aqui, gente, é importante deixar claro, às vezes acontece isso, acontece. Às vezes ele tá mesmo, tá aí, tá tudo bem, você tá normal, tá tudo bem. Quer dizer, não tá bem, mas você tá bem. Agora suponha que o seu vizinho não está dormindo com a sua esposa.

Isso aí você que tá imaginando. E já te milhares de centenas de vezes você já teve possibilidades de saber que isso não é real, mas você continua convencido disso. Aí você tem o quê? O que a gente chama de um delírio?

O delírio não é da ordem dos sentidos visual, auditivo oufativo, não. É do pensamento. É um falso juízo do da realidade. Então é o meu pensamento que tá criando aquilo.

Tanto que a gente tem também se conhece como delírio persecutório. Essa pessoa tá, ela acha que tem alguma coisa ali com ela, né? Então, eh, aqui também não é alucinação, é um delírio. Vamos pro próximo.

Esse aqui é como se quando sou um evento de uma substância dessa, você sentisse, por exemplo, sua que a sua cabeça tem uma proporção muito maior do que na realidade ela tem. Ou então a a localização dos seus membros é como se o se você sentisse, né, que o seu braço tá saindo do lugar da perna, né? Ou seja, você tem um deslocamento ou então uma uma uma um exagero de determinadas eh partes do seu corpo. Aí é a sinestesia, tá?

A cabeça ganha proporções diferentes da real, a posição dos membros ela muda, né? Sinestesia com C. Por quê? Porque a sinestesia com essa a gente já viu que é a fusão dos sentidos durante uma alucinação.

Mas a gente também tem um outro tipo que é a sinestesia com CE, que é como se eu tivesse sentindo tudo que tá acontecendo dentro do meu corpo. Eu tô sentindo como o meu coração tá batendo, os movimentos do meu intestino, né? Então são sensações orgânicas internas que normalmente eu não sentiria, né? Então assim, tô aqui, tô vivendo, tô, a vida tá passando, eu esqueço que meu coração tá batendo.

Mas quando eu tô subfeito de uma substância dessa terceira caixinha, se ela provocar em mim uma senestesia, eu vou começar a sentir meu coração bater. Fal, nossa, ele tá batendo sim, ele tá batendo. Eu sei que ele tá batendo, mas aí eu afloro isso, começo a sentir algo que antes eu não sentia, né? Isso não é alucinação.

Então veja, todas essas modalidades de percepções, alterações da atividade da mente, elas percorrem muitos campos da percepção e da e da ideia como delírio. Então não é tudo, a gente vamos jogar tudo na caixinha do lucinógeno, é mais fácil, mas não é, né? Bom, aí vem aquela velha e boa pergunta, mas todas as pessoas respondem da mesma forma aos psicodislépticos? Quer dizer, todo mundo vai responder ou com alucinação.

Ã, não é tudo resposta não. Aqui, gente. Quer chutar, chuta não, porque vai acertar, tá? Então, esse autor, o Zimberg, ele explica que para a gente ter o efeito final de uma substância, tá, a gente tem que levar em consideração três coisas.

Primeiro, a droga. Que droga que eu tô usando? Que frequência que eu uso? Que quantidade, né?

Como eu uso, né? É um uso legal, não é? Eh, qual é a qualidade dessa substância? Eu comprei na rua, eu tenho, eu plantei em casa.

Hum. Depois eu tenho a pessoa que tá consumindo, qual é a fisiologia dela, qual é o estado de saúde, qual é o estado atual dela, mental? Qual é a questão cultural dela, as crenças, né? eh, enfim, por que tá usando aquela substância, coisas da pessoa, a genética.

Hum. Mas por outro lado, eu ainda tenho um terceiro elemento que tá nessa equação aí, que vai dar o efeito final da da substância, que é o setting. O que que é o setting? Aonde eu tô usando?

Então eu posso estar usando, por exemplo, uma aasca lá na igreja amparada, né, pelos sacerdotes, a madrinha, o padrinho que ele vai falar quanto que você vai usar, como vai ficar te amparando, te guiando e essa pessoa não tá bem, vamos levar ela ali tal, olhar tal, não sei quê, beleza? Ou eu posso usar na minha kitnet na Avenida São Luís. Percebe a diferença? que o contexto é totalmente diferente.

Um é um contexto ritual, amparado, com acolhimento, e o outro é um contexto não ritualizado, que é óbvio, que vai me trazer muito mais desamparo, muito mais desproteção. Se eu tiver adquirido saiu asco, da internet, que é aqui a questão da droga aí, então pelo amor de Deus, Jesus, Maria José, né? Chama o síndico, Tim Maia, cadê o síndico? Porque você vai precisar de ajuda nessa kitete aí, né?

Então, gente, não é assim o efeito final de umas pistâncias, sobretudo essas psicodislépticas, ela vai depender de tudo isso. Então, não dá para você falar assim: "Ah, é matemático, é uma equação 2 + 2 = 4." Não é igual a 4. Não é, porque vai depender do indivíduo, vai depender da substância e vai depender do setting, do contexto de uso. E tudo isso eh de uma maneira bem simples aqui, né?

Para trazer em português, né? O que aquele o Zimber eh fala naquele conceito dele. Então você tem a potência da substância, o contexto de uso e a pessoa que tá consumindo. Então não dá para você falar: "Ai, mas vai ficar dependente, vai ficar dito?" Não sei por quê?

Porque tem a ver com os aspectos psicológicos, genéticos, tudo da pessoa, não é verdade? Bom, agora vamos então conceituar psicodélico. A gente já conceituou psicoativo, já viu que ele tá dividido lá em três classes ao longo da história, que foi é o que a gente tem até hoje. Eu já falei isso lá na aula de de vitoterapia.

O que temos até hoje é isso. Se chegar alguém para trazer uma outra classificação, psicoativo natural de fontes naturais, aquelas três caixinhas que o professor Carlini mostra lá. Tá bom? Mas psicodélico é o quê?

O nome já fala. A psiquê é alma, mente. Delos é a manifestação. Então quando você utiliza um psicodélica, é como se você acessasse, né, ou manifestasse ou revelasse a sua, o seu espírito ou a sua mente ou a sua alma, o seu self, sua essência, o seu Deus interior, tornar visível a sua essência, né?

E é muito interessante porque o que as pessoas relatam aos psicodélicos é que existe uma ausência de ego. E é aí que você você realmente consegue se enxergar, né? Porque você não tem julgamento, não tem e é isso aqui, ó. Eu sou isso aqui, ó.

E normalmente a gente não tem isso, a gente tem uma cara passa, né? Eh, então é como se a gente tivesse assim uma pessoa composta pelo lado material e o imaterial, que é a alma, né? ou algumas pessoas chamam de espírito, enfim, não vou entrar nesse assunto aqui, senão a gente não acaba hoje, mas enfim, o lado material e o imaterial. Então, quando eu entro entrar, utilizar um psicodélico, é como entrar em contato com esse meu lado imaterial, de certo modo, né?

[roncando] pode ou não causar alucinação. Esse é o ponto. Por isso que eu fiz toda aquela explicação para vocês. Pode ser uma uma ilusão, pode ser uma sinestesia, pode ser e não necessariamente alucinação para não justamente para não ficar nessa coisa do preconceito, né?

Porque você fala: "Ah, é um alucinógeno, então como que isso daí pode servir pra psiquiatria?" Bobagem. A pessoa só quer ficar chapada, então ela fala que serve. né? Vamos separar por nesse caso é importante separar.

Por quê? Porque realmente é diferente. Nem nós vamos ver aqui, tá? Então esses psicodélicos, eles também podem ser divididos em dois tipos, os enteógenos e os entctógenos.

Exemplo, primeiro enteógeno, o nome também já fala, né? É como se você eh tivesse olhando de uma forma introspectiva para o Deus, seu Deus interior, né? o para dentro, né? E o intactógeno é aquele que é um estado que te gera empatia, um contato com o outro, né?

A relação com os outros, o out. Os dois são prazerosos, mas de formas diferentes. Então aqui, por exemplo, você tem aca como enteógeno e aqui octógeno, por exemplo, o MDMA, que é um sintético e não é uma planta, né? O que que eles têm em comum para ser um psicodélico, né?

pelo menos é o que a a ciência diz até agora também, eh, precisa agir. Bom, primeiro precisa ter um anel indólico, que são alcaloides indólicos. Por quê? Porque eles precisam agir nos receptores de forma agonista, nos receptores serotonérgicos 5HT1A, 5HT2A e 5HT26.

Nossa, Liana, que complexo. Não, não vamos entrar nisso aí, gente. Mas, mas é importante que vocês entendam que para ser um psicodélico, e aí tem gente que você fala: "Ah, esse é o clássico e aí começa a inventar, ah, tem os clássicos, não clássico, gente, não tem isso. Conceito de psicodélico não é a manifestação da alma, do espírito, do Deus interior.

Então, é isso. Não dá pra gente enfiar aqui, por exemplo, uma planta zabumba, como sendo psicodélico, não clássico, porque ela vai agir aonde? no sistema colinérgico. Isso aqui, gente, a zabumba é uma uma das plantas, uma prima da planta, por exemplo, da tura, eh, a tropa beladona, que era usada pelos feiticeiros, né, idade média, bruxas, para manipular as outras pessoas ou até hoje é usado República Dominicana, Haiti, dentro do vuduísmo, né, da da prática do zumbi para tornar uma pessoa um zumbi, escravizá-la.

Então, como é que eu posso dizer que uma substância dessa natureza que não age no sistema serotonégico, mas sim no sistema colinérgico é um psicodé? Explica para mim, vai, eu vou ficar aqui sentada. Alguém vai explica, porque eu não consigo entender. E as pessoas começou a ficar uma febre também, tudo virou psicodélico.

Bom, tudo virar psicodélico, então vamos pegar aquela terceira caixinha, jogar lá de novo, todo mundo lá. Mas não dá para jogar todo mundo lá. Não dá. Por quê?

Porque o psicodélico ele ele é muito diferente dessas outras substâncias psicodélicas, psicodislépticas. Por quê? Porque ele age nesses receptores, desse jeito. Ele tem essa essa questão do sagrado muito maior do que esses outros que eu tô trazendo aqui.

Outras pessoas também estão incluindo o cogumelo, a manita muscária como psicodélico. Não é. Não é por quê? Porque ele age no sistema gabaérgico, aquele sistema que é ativado quando eu uso um benzo de azepínico, de azepan, frontal, rivotril, o que que acontece?

Eu causo um rebaixamento da minha atividade, da minha mente, eu durmo, eu fico calma. E não é isso, psicodélico, não é para me chapar, né? Não é nada. Pelo contrário, eu vou abrir as portas da minha percepção para outros, outras dimensões.

Eu não vou me chapar e dormir. Então também não é psicodélica. Aí fica essa moda. Ai não, olha.

Então a gente tem aqui os clássicos, os não clássicos. Não sei o que que é esse não clássico, mas eu vou deixar aqui a minha simples e singela opinião, né? Não é psicodélico. Psicodélicos seriam quais?

Nós vamos ver aqui aqueles que, como eu já disse, que são agonistas desses desses receptores. O que que é ser agonista? Eu tenho aqui um receptor, né? Aquela coisa, fechadura, chave.

A chave liga e vira. Vira, abre a porta, né? Porque ele também podia ser antagonista. O que que é antagonista?

Tá aqui, ó. Chave, fechadura. Liga, mas não vira. Não vira.

Não vira. Então não é o caso. Aqui são substâncias que entram no receptor serotonérgico, esses três e vira, não é bom? Então vamos continuar aqui.

Esse livro que eu escrevi, que eu que eu tô lançando, inclusive ele esse ano de novo, tal, porque eu fiquei fora e eu não deu tempo de lançar, então eu tô lançando esse ano, inclusive vou lançar na na Flipay agora também, já no feira do livro já aqui do Pacaembu, já foi lançamento no Taper Taper e agora na Flipei, né? O que que eu falo nesse livro? Olha, tudo aquilo que eu falei na aula de de fitoterapia sobre o histórico do que é um psico psicoativo. E eu trago essa sugestão, gente, vamos lá.

Se um psicoativo é aquele que altera a atividade da mente, né, do tipo psicoativo depressor, psicoativo estimulante e psicoativo alteração de alterador de percepção, por que que a gente não pega essa terceira caixinha que tá todo mundo lá e normalmente essa caixinha ela tem um estigma muito forte, como eu já falei, por causa daquelas definições equivocadas que eu mostrei naquele livro, psico psicótico mimético, ou seja, eh cria psicose, mimetiza psicose. toda aquela carga pesada é o sininógeno. E a gente poderia separar, né, dizer: "Olha, eh, o alterador de percepção, ele pode ser psicodélico e não psicodélico." Que é isso? Já imaginou você usar um psicodélico como sinônimo da, né, de das plantas que que eram usadas para manipular outras pessoas, para tirar a consciência de outras pessoas?

como no processo de zumbificação, onde se usam plantas da família Sulanácia, que as bruxas peiticeiros usavam e usam. Não, bruxa não. Enfim, o negócio de bruxa também, viu, gente, tá errado, tá? Porque tudo ficou na conta da bruxa, sabe?

Tudo que der ruim ficou na conta da mulher. Não é bem assim. ficou essa coisa da bruxa. Claro, tinha as as mulheres, algumas mulheres, elas usavam no cabo de vassoura, esfregar, né, na na eh nos nas genitais eh com essa planta que é a tropa beladona para ter essa sensação de de voar, tal, mas não eram as únicas, tinham feiticeiros que também manipulavam as pessoas usando a tropa beladona que é essa solanácia que não tem nada a ver com psicodélico.

Então não faz sentido aqui colocar essa planta como psicodélico. aqui é expansão de consciência. Isso aqui tem uma conexão forte com espiritualidade, que é onde eu vou chegar daqui a pouco, no final da aula. Então aqui era uma proposta onde eu tava fazendo e uma segunda proposta de classificação dos psicodélicos que eu trago é por que que a gente não faz uma quarta caixinha, tá?

Então se psicoativos podem ser três tipos, vamos fazer um quarto, né? Vamos dar um upgrade aqui. Por quê? porque eles são especificamente agonistas de receptor serotonégérgico, esses três aqui.

E se a gente considerar, né, que essas substâncias cada vez mais estão interessando a clínica psiquiátrica, né, eh, então a gente deveria sim olhar para com isso com mais cuidado, porque são substâncias seguras que não causam adição e são usadas em microdoses na psicoterapia. E se a gente pensar que a saúde mental do mundo não tem mais, ninguém mais tem saúde mental. Se alguém aqui levantar a mão e falar assim: "A minha saúde mental é 100%." Não tá 100%. Até porque você tá falando que você é perfeito.

Aí já tem um problema, né, gente? Tem que ver aí esse esse ego aí como é que tá, hein? Tá precisando usar um psicodélico. [risadas] É, é brincadeira, [limpando a garganta] mas ninguém tem saúde mental.

Isso é mentira. Tá todo mundo zoado depois da pandemia. Então, Jesus, Maria e José, os três juntos, né? E lá na República Checa, quando eu estive, então, né, no nessas seis meses que eu passei na Europa, lá, por exemplo, eh já é autorizado pela pela psiquiatria o uso de psicodélicos eh em tratamentos, né, psiquiátricos.

Então, olha que que legal, olha que avanço, né, que a República Checa tem em relação aos outros países. Então, olha, isso aqui é uma proposta de classificação pra gente sair dessa coisa do ai psicodélico é alucinógeno, a pessoa fica alucinando, como é que isso vai ser usado na psiquiatria? Uma bobagem atrás da outra. Primeiro porque nem tudos alucinam, segundo porque são microdoses.

Terceiro porque tem um monte de estudo. E quarto porque ela age mesmo de uma forma diferente dessas outras substâncias que estão classicamente na terceira caixinha, tá bom? Agora a gente vai olhar no mundo, afinal quais são os psicodélicos. Eu ponho aqui os psicodélicos visíveis porque esses a gente já conhece, né?

E a gente conhece por quê? Porque nós nos aproximamos, diversos pesquisadores no passado, de comunidades tradicionais, de povos tradicionais que usavam essas substâncias, né? Alguns inclusive pagaram uma conta bem alta, né? A Maria Sabina lá no México que foi quem ensinou sobre a psilocibina para um banqueiro.

Então assim, pagou-se preços altos para isso aí os povos tradicionais, né? Óbvio, sempre. Então, a etnofarmacologia é botânica, ela trouxe pra gente esses conhecimentos, como eu falei lá na primeira aula, mas hoje nós vamos falar só de psicodélica. Então, quando a gente olha para essas duas revisões que são recentes até razoavelmente recentes, né, [suspirando] a gente vai falar um pouco sobre os dados delas, tá?

Então, o que que os psicodélicos têm em comum? Já falei, alcaloides com anel endólico. Eles são alcaloides com anel endólico. Por quê?

Porque esse anel endólico é o que tá presente no nosso neurotransmissor, serotonina, que é o que se liga aqueles receptores que eu falei. Ora, então essa substância para ela agir no mesmo receptor que a serotonina, ela tem que ser realmente quimicamente parecida. E elas são, hã, por isso que elas agem nesse sistema serotonégérgico. O que que eles têm em comuns?

psicodé, baixíssima ou nula toxicidade. Isso é muito importante, né? Se a gente tá falando de tratamento médico, praticamente não produzem adição. Isso aqui também é uma outra coisa que eu tenho ouvido tanto.

Ai, mas tratamento com cannabis, ai, mas a pessoa vai ficar viciada, né? Aí dá vontade de virar para uma pessoa dessa, fala assim: "Querida, você tá, você usa tarja preta e você vem me falar que a cannabis vicia, [risadas] vai estudar. vai estudar de que cannabis nós estamos falando. Nós estamos falando do cigarro, nós estamos falando daquela comprada na rua, nós estamos falando de qual indivíduo, nós estamos falando de pingar, nós estamos falando de pomada, do que que nós estamos falando, né?

Do quê? Então, os psicodélicos dentro dessa desse conceito que eu tô trazendo de agir no sistema serotonégico, lá lá, lá lá lá, eles não produzem adição. Ah, mas vai depender da pessoa. Olha, os dados aqui dos dos estudos mostram que nessas microdoses não produzem não produzem adição e mesmo fora da microdose predominam as mudanças de humor e de percepção.

Pequenas doses produzem grandes efeitos. a capacidade de modificar profundamente a mente e de serem agonistas desses receptores que eu já falei, tá? Então, esses dados todos aqui eu tô tirando do livro do Bouszo, que eu enquanto eu tava em Barcelona, eu fui no lançamento de um livro maravilhoso que se chama Medicina Psicedélica, de um espanhol, que é o Bous, e que eu vou mostrar o livro dele, se alguém tiver interesse, o último slide eu vou mostrar o livro dele, quem quiser comprar. Então isso aqui eu tirei do livro dele, claro, é uma Bíblia.

E aí ele, para ele chegar nessa conclusão aqui, ele parte de vários estudos já que existem sobre os psicodéos, não é? Bom, mas então afinal, mas que que é esse negócio de microdose? Qual que é a microdose? Qual é a dose normal e qual é a microdose, né?

Então, no uso, digamos, recreativo, ou seja, fora do contexto terapêutico, né? Normalmente a dose do LSD é em média de 100 mics. E aqui no no tratamento terapêutico, a microdose vai ser de 5 a 20 microg. Olha que diferença, né?

A psilocibina normalmente 15 mg, um uso regular. No tratamento médico de 1 a 3 mg, né? Bem abaixo, né? De metil tririptamina 25 mg.

Eu não encontrei o uso terapêutico para ela. Mescalina iden, 150 mg, eu não encontrei o MDMA, que é o êxtase ou bala, né, usadas em Have. 100 mg é o uso médi em média. E eu não encontrei pro uso terapêutico.

A quetamina, que foi o primeiro psicodélico sintético aprovado, é de 0,5 a 0,75 mg por kg o uso terapêutico da quetamina, tá? Bom, eh, para os tratamentos aqui, eu não vou falar muito porque eu não tenho ainda intimidade para falar, eu preciso estudar mais, mas segundo o livro do Bolzo, existem dois métodos para tratar para que são utilizados no tratamento da medicina psicélica, psicodélica. Então, o primeiro e o mais famoso é esse método FADMAN. Eh, então, a pessoa ela vai usar uma dose invisível aos sentidos, né?

O que significa isso? eh, muito abaixo desse uso recreativo aqui que a gente falou. Eu não gosto muito do uso falar uso recreativo, mas só pra gente diferenciar do uso terapêutico, né? Eh, e o e a e a e aí o que que acontece?

A pessoa ela vai tendo essas microdoses a cada três dias, né? O objetivo desse tratamento é aumentar foco, aumentar a criatividade, aumentar o bem-estar sem causar alucinação. Isso é muito importante, né? Por quê?

Porque aqui muitas vezes são pessoas que tão eh estágios terminais, pessoas, nós vamos ver mais adiante, tá? É muito comum esse tratamento para pessoas que são eh com estão em cuidados paliativos e além do cuidado paliativo estar no estado terminal, porque nem todo cuidado paliativo é terminal, gente, todo mundo sabe aqui, tá? Se não sabe ter uma aula sobre isso aqui no curso, mas paliativo e terminal, né? Então é muito importante esse tratamento nesse tipo de condição.

E o outro método é o stametes, que ele combina tanto as psilocibinas quanto outros suplementos, a juba de leão, neacina, estimulando neurogênese, melhorando cognição, né? Então isso aqui a gente falaria de quem? Do pessoal que tem Alzheimer, Parxon, porque ele vai ele vai criar novos neurônios, né? Vai promover o quê?

a neurogênese, isso isso é incrível, isso é maravilhoso. Então assim, outro dia eu falava paraos meus alunos, né, que tem 20, 22, 23 anos, falou: "Olha, quando eu tinha a idade de vocês, a crença da ciência, né, que a ciência ela tem crenças também, elas, essas crenças elas vão mudando de acordo com o que a gente vai descobrindo, mas não deixa de ser crença, porque hoje eu acredito nisso, amanhã já não é mais." Aí o que que a gente, a crença era o seguinte: morreu neurônibo, você é alcólatra, né? Não era alcoólico, que a gente chamava, era alcólatra, né? Se você for alcólatra, você vai queimar neurônio, queima, mata e com isso você vai ter demência por quando você ficar mais velho.

Por quê? Porque você, quando você matar seu neurônio, não vai ter outro, não vai, não vai criar novos neurônios. Essa era a crença, né? Quando eu tinha 23 anos, gente, sei lá, né?

30 anos atrá mais, 35 anos atrás era essa crença. Agora já não. Agora a gente já sabe que o neurônio, eles podem sim, senhor. [risadas] Eh, você pode realmente criar, né, ter a gênese, a geração de novos neurônios, como, por exemplo, psicodélico, por exemplo, cannabisativa, né, dentro de um tratamento, certo?

Não é qualquer cannabis, qualquer jeito, aquilo que a gente já falou. Bom, vamos embora, né? Então, esses tratamentos, eu não achei nenhuma foto aqui na internet que eu pudesse usar sem tomar processo, então eu peguei o que deu aqui, né? Mas normalmente o contexto de uso desses desses desses psicoterapia assistida por psicodélicos, que é conhecido como Pap, né?

Eh, sempre assim num ambiente calmo, eh, escuro ou então, né, meia luz, sempre acompanhado por uma equipe interdisciplinar. Então é um médico, um psiquiatra, uma enfermeira, um psicólogo para amparar a pessoa, né? Para ter ali um suporte, não é? De novo, não é a pessoa na casa dela lá, eh, vou usar aqui.

Não é assim, não é nada disso. Nós estamos aqui falando de um tratamento, né? E aí, para quais principais tratamentos? O livro do bolso traz artigos científicos interessantes de dor crônica, por exemplo, inclusive para os pacientes terminais que sofrem de eh oncológicos, né?

Doenças neurodegenerativas, de novo, por causa do quê? da neuroplasticidade, que eu já expliquei, neurogênes, você cria novos, né, novas eh novas condições. Aliás, putz, esqueci de pôr um, nossa, esqueci de pôr um desenho aqui muito legal de uma de um artigo que saiu recentemente mostrando, né, as conexões entre os neurônios de uma pessoa antes e depois de usar eh psilocibina. Então você vê, mas mas aumenta demais, são duas bolas, né?

Essa bola tem pouquinhas conexões entre os neurônios. A segunda bola é uma trama, é uma rede, ou seja, você amplifica a possibilidade de conexões. E eu não trouxe aqui hoje, mas eu vou eu vou deixar um filme para vocês assistirem que eu vou mandar pela pela Tamarinha para ela colocar no material de vocês, que é um filme que mostra que pessoas que querem, por exemplo, deixar de fumar uma dose de psilocibina e a pessoa para. Mas por que para?

Para porque você muda essa trama. você, algo que sempre tinha uma mesma conexão, passa a ter outras conexões, né? Então isso não é milagre, né? Isso é farmacologia, né?

Eh, também para casos de depressão, transtornos de ansiedade e a saúde mental de modo geral, tá? Então, esses são os principais tratamentos que que se tem notícia, né, de sucesso de por esse livro do Bolzo. Vamos olhar então agora para as plantas. Quais são as plantas no mundo que são consideradas psicodéc?

Tá? Então, duas do México aqui que são dois cactos, que é a lfófora Williams, que é a que produz o quê? Mescalina. é a mescalina que vai agir, então, né, no nosso receptor serotonérgico.

E aqui o outro é o São Pedro, também é a mescalina que age. Nós temos uma outra planta que é da África, que é a Iboga, cujo princípio ativo é a Ibogaína. Só que a ibogaína aqui eu já não, eu, bom, eu pus porque eu vi no livro do Bolso, mas você já fica um pouco pé atrás dela ser psicodélica, porque ela age muito num sistema excitatório que é o glutamatérgico. Ela age pouco no sistema serotonérgico, mas eu coloquei, eu fui vencida por ele, mas não queria, mas coloquei, tá?

Existem muitos tratamentos, inclusive em São Paulo, em Sorocaba, clínicas que tratam dependentes, né, pessoas dependentes, craque, Coca, com tratamentos à base de bogaína. São tratamentos polêmicos do ponto de vista das seguranas. Busquem, quem quiser saber mais sobre isso, busquem informações, tá? Mas existem.

Essa outra planta, Glória da Manhã, é um precursor do, na verdade, ela é, ela é um precursor do LSD. A sub, o principio ativo dela é o LSA, era conhecida dos astecas como ololuk, tá? Então, essas, digamos, seriam as quatro plantas no mundo conhecidas eh para eh como psicodélicos, ou seja, que agem ness, ou seja, promissores também para esses tratamentos à base eh de psicodélicos na psiquiatria que a gente tá falando aqui, porque normalmente a gente só escuta ai psilocibina e aasca, aasca até menos porque a gente nem sabe a dose, né, direito da da dessas pap, né, mas assim, Fala-se muito em psilocibina, quetamina, né, que é o sintético. Então temos outras, né, no mundo.

É isso que eu tô tentando mostrar. Ou seja, não acaba aqui, né? Esse aqui é um vídeo que eu convido vocês a assistirem. Claro, a maior parte das pessoas que tá nesse nesse vídeo não sabe quem é o Sting.

Eu, como sou uma pessoa velha, idosa, eu, claro que eu sei, né? Mas algumas pessoas poderão saber. Então o Sting nesse vídeo é muito interessante porque mostra ele tendo uma experiência quando ele usa mescalina que desse desse e peiote, né, esse cactus lá no México. E é muito interessante porque ao mesmo tempo que é engraçado traz essa dimensão, né, de da da da dessa sensação de de que ele experimenta que quando ele usa então o cactus, ele se funde com o mundo, ele, né, como se não tivesse diferença entre ele e o e e as plantas, ele e o mundo.

As plantas começam a conversar com ele, ele vê os coloridos mais intensos, ele começa a fazer uma reflexão sobre a questão existencial. Eh, ele ele fala muito da ausência de ego, né? Ausência de julgamento, ausência de ego, a coisa, né? E e ao final é muito interessante.

Eu vou dar o spoiler porque ninguém me assistiu, eu acho. Mas enfim, se quiser assistir também. Ao final ele fala uma coisa muito importante. Ele fala: "Olha, isso aqui não é uma viagem que você deve fazer para se divertir, não é isso, né?

Isso aqui é é uma ferramenta muito poderosa para você conhecer mais sobre você, como que você tá tratando sua família, porque você quer escrever uma letra de uma música, você quer fazer, quer responder uma pergunta importante, né? Mas não como uma coisa fútil, isso não, né? Então é muito bonitinho esse vídeo, eu se fosse vocês, eu assistiria. E aqui é o lado profano, né, do sagrado, a capitalização do sagrado.

Vamos mercantil, vai, vamos fazer isso aqui virar um negócio, não é verdade? Como coitada da Maria Sabina lá com a psilocibina e no México também com a mescalina, né? Com com peiote, né? Então a Maria Sabina cogomelo mágico aqui o peiote.

Poxa, esse peiote, essa mescalina é usada por povos eh tradicionais do México há anos. e que vai se extinguindo. Por quê? Porque o pessoal quer lá para para ter o barato, né?

Então isso é muito sério, isso é muito grave, porque isso tem uma conotação sagrada, né? E dependendo de como que você lida com isso, você desconstrói o sagrado, descontextualiza, banaliza, torna profano o que é sagrado. Isso para você pode ser ótimo, mas para essas comunidades tradicionais isso é péssimo. Ah, Eliana, mas então para que que você acha que a gente pode estudar para desenvolver medicamento?

Aí pode, pode, porque é uma outra perspectiva, é uma perspectiva respeitosa, é uma perspectiva que considera o lado tradicional, o sagrado, né? é uma perspectiva que vai trazer um benefício pro mundo em termos de saúde mental, sempre com respeito, sempre com cuidado. É isso. Se alguém já tiver me falando mal aí, já tô arrumando.

Bom, então, de acordo com todas as definições que eu falei de serotonina, agonista, lá lá lá, será que a maconha pode ser um psicodélico? Bom, do ponto de vista da farmacologia, pode. Por quê? Porque ela age aqui, ó, no receptor 5HT1A.

Então, se ela age, ela pode, ela é considerada um psicodélico clássico. Sim, né? Por isso que eu trouxe a aula aqui, senão não teria trazido, porque eu vim falar de psicodélico no meio de um curso de cannabis. Louca, não, ainda não.

Tô cuidando da minha saúde mental aqui. Bom, e do ponto de vista de fungos, que fungos psicodélicos que existem no mundo? Os cogumelos mágicos são muitos, mas eu trouxe duas espécies aqui, tá? Então, psilo psilo cubenses e o psilocib caerulenses, tá?

O que que eles têm em comum? A psilocibina, ó lá, igualzinha, muito parecida com a serotonina, que é o nosso neurotransmissor que regula humor, regula, né, humor, atividades de depressão, ansiedade. E tem muita gente que fala: "Olha, vira ele, se for azul é porque é ele mesmo, gente. Não vai nessa, tá?

Tem muita coisa azul que você come, pode comer, mas come uma vez só porque nunca mais você vai morrer. Quer comer, come. Mas eu não comeria. Tem que tomar muito cuidado, ficar comprando esse negócio pela internet.

Nossa, para, para com isso, hein? Para com isso. Ai, mas é azul. E daí que é azul?

Tem tanta coisa azul. Não vai nessa, hein. Ai, tá na bosta do Tá, tem tanta coisa na bosta. Não é porque tá na bosta.

Ou é azul que vai ser o que vocês estão procurando. Pelo amor de Deus, isso aqui não é um estímulo, não é uma aula de anatomia. Olha, olha aqui para experimentar. Não é nada disso, não é.

E animais? Ah, animais também tem. por exemplo, o sapo do rio Colorado, né? O que que ele produz na pela pele?

Ele produz uma substância que tem esse nome enorme que eu não vou falar, que aqui é o nome abreviado desse nome enorme que eu também não vou falar. O que que eu vou falar? Ela é a bufotetina, substância que chama bufotetina, tá? Ah, tem gente que lambe sapo, é, mas não sai lambendo qualquer sapo que pode dar muito errado, tá?

De novo, essa essa aula ela não é para um como é que fala? Um manual de como ficar psicodélico, não é nada disso. É pra gente entender que para além da psicolocbina que tem sido muito estudada e da quetamina, nós temos outros psicodélicos no mundo. E todo tudo isso aqui que eu tô falando na aula tá lá no meu livro numa de uma forma mais eh densa, né?

Claro, tá num livro. Ah, mas a gente tem os sintéticos também. Sim, nós temos o sintético, então a quetamina, o LSD e o MDMA, que é o que se usa em reaves, então é, bala, né, que produz aquele efeito que eu falei tactógeno, em teógeno, é, em patógeno, né? Então, por isso que em reaves, nessas festas raives, as pessoas normalmente elas se abraçam, elas se acolhem, elas sorrem, estão felizes, é uma festa, né?

Por quê? porque elas estão sob esse efeito, né, de olhar pro outro com amor, de se colocar no lugar do outro, enfim. [roncando] Interessante, né? Muito interessante.

E aqui já começo a dizer, bom, eh, sei se agora, é a hora, mas eu vou falar, tá? Eh, depois, mais para frente, eu vou mostrar para vocês uma série da Netflix que se chama Como mudar sua mente, que é revolucionária, né? Então essa aula ela seria complementada com essa série que eu vou passar para vocês, que ela tem acho que quatro episódios só. Um deles é sobre o LSD e é transformador.

Por quê? Porque lá o autor ele explica, né, que na década de 1960 estavam sendo feitos muitos estudos com o LSD, que tem todo esse estigma. Nossa, a pessoa se joga no prédio, não sai voando, aquelas coisas, né, que a gente escuta da mãe, da avó. Eu mesma, eu mesma, eu tinha uma visão bem viezada do LSD.

Hoje eu já, né, estudando, ouvindo, baixando minha meu ego aqui, entendendo como que essas coisas, por que que ficam colocando tudo isso na cabeça da gente. Bom, enfim, 1960, Estados Unidos tava produzindo muito estudo clínico com LSD para pessoas que usavam, por exemplo, cigarro, álcool, depressão, ansiedade, com resultados muito positivos, mas muito positivos mesmo, né? Aí acontece o quê? A guerra do Vietnã.

né? E aí tinha que se mandar esses jovens pra guerra do Vietnão. Acontece que esses jovens eles não queriam guerra, eles queriam paz e amor, que é justamente as sensações, a percepção que você tem quando você tá sobre o efeito, como eu já falei do MDMA também do LSD, paz e amor. Então esse símbolo do do wood stockque, paz e amor, não é do nada, né?

Não é do nada, é porque tinha essa substância naquele momento. E claro que na época, né, os Estados Unidos observa que os seus os seus soldados que deveriam ir para pra guerra do Vietnã, eles não eram mais, como que se diz, manipuláveis. Ele não eles não você não conseguia manipular, né? O cara falava, sem ti todo mundo ia pro mesmo lugar, do mesmo jeitinho assim, filhinha, aquela coisa, gado, gado, não tinha mais gado.

Porque se você desse LSD para esse soldado, só para ter uma noção do que ia acontecer, o cara falava sentido, aí os caras ficavam rodando aleatoriamente, sem ser manipulado, sem ser, sabe? Isso é perigoso, né? Você tem uma substância que, né, que não torna as pessoas gado, que não torna, que não controla, que não manipula, que não exerce, né, o poder de você tem que ir paraa guerra, né, lutar, sabe Deus por quê. E esses jovens não queriam.

Estados Unidos chega e que que ele faz? Seca as pesquisas com LSD, seca, para de dar o dinheiro, seca. E claro que isso tudo morre. Morre, mas fica parado lá.

Fica, fica, como é que fala? Morre, mas tá tá lá assim, né? Esqueci o nome agora. Quando que nem o urso quando fica ibernou, tá ibernando lá, né?

Agora, né? né, uns 10, 20 anos começa a se rever tudo isso. Então, vocês que são jovens, que estão assistindo essa aula, vocês devem vocês devem entender que vocês têm muita sorte, porque a gente foi exerciado durante todos esses 60 quase anos de estudar essas substâncias que são muito poderosas, são muito potentes para a questão da saúde mental, né, das pessoas. E agora ela renasce essa possibilidade ressurge, né, com muitas promessas, com muitas eh um novo paradigma, né?

Vamos sair desse monte de medicamento psiquiátrico, só tem a molécula lá comigo, né? Para outras coisas, outras possibilidades, né? Não que o LSD não seja, enfim, mas temos aqui os recursos também naturais que eu falei para vocês, né? O próprio Pilocibina, né?

e outras que nós vamos ver daqui a pouco. Então, tudo isso para dizer que nós estamos num momento de florescimento de tudo isso de novo. E é para esse lugar que a gente tem que olhar, né, como o futuro da psiquiatria e não olhar com desdém, ah, só mais alucinógeno, não. Por isso aquela quarta caixinha lá que eu acho que pode ser muito interessante, né?

Bom, mas agora vamos olhar paraos psicodélicos visíveis, ou seja, aqueles que nós já conhecemos, mas que são nativos do Brasil, não os do mundo, os do Brasil especificamente, que foram registrados a partir da etnoofmacologia também ou etnobotânica, que também tá nesse meu livro, tudo isso aqui, né? Então aqui, veja bem, nós temos de novo classificação de psicoativos em três caixinhas. A minha proposta é que tem uma quarta. Então, dentro dos depressores aqui a gente teria os maracujá, erva cidreira, mulungu, aasca como estimulante, guaraná, maruama, aasca, [risadas] como perturbador, zabumba e como psicodélico, aasca, sapo curu, inhocoana, para e jurema.

Vamos olhar para esses então. Então, por que que a bebida tá em todos esses? Porque nós já temos estudos mostrando que a Iuasca pode sim ser um antide ser eh um antidepressivo e pode ser um ansiolítico e também um alterador de percepção, né? Então o primeiro dele é o sapo cururu, que também é rico em bufotetina, assim como aquele outro sapo do Colorado no mundo que eu mostrei para vocês.

Só que esse aqui é nativo do Brasil. Nós agora vamos ver dois rapés. Então, o que que é o rapé? É alguma substância, normalmente vegetal que esse cara aqui, por exemplo, ele está assoprando esse pó diretamente na narina dessa pessoa.

E aqui você tem uma ação muito rápida. Vinalatória é uma ação muito rápida, né? Então, rapidamente isso vai chegar no bumbofatório e vai chegar, sei lá eu, aonde que não sei, mas enfim, se a gente tem muitos neurônios aqui no nariz, né? E esse aqui já passou por pelo já recebeu, né?

esse rapé e tá realmente nitidamente você percebe que ele tá em outra dimensão. E aqui eu chamo atenção, ele tá alucinando. As visões que ele tá tendo, ele tá lá dentro com olho fechado, ele tá alucinando. Vamos ver o conceito de alucinação.

Volta. Qual o conceito de alucinação? Ver coisas onde não tem nenhum estímulo. Ver com os olhos.

Ele não tá usando os olhos aqui. Percebe como não como não bate esse negócio da alucinação, né? que ele tá com os olhos fechados. Então vamos ver quais são.

O primeiro deles é o rapé é o pari também conhecido como iopo. E você extrai então a partir das suas sementes, né? Ah, de metil nn de metilriptamina, que é um alcaloide, que aí sim, esse aqui é nós vamos falar muito agora sobre NN de metil tririptamina. É um alcaloide que a gente chama de DMT.

Ele é aqui na floresta amazônica, eu diria, a grande vedete dos psicodélicos e vedete dos novos medicamentos no Brasil e quissá no mundo, né? Então ele é muito usado, por exemplo, pelos vianoman, tanto para estimular quanto em contextos religiosos para induzir o transe, o chamã, né? Para que ele possa se comunicar com os deuses, que é o ecula, conhecido lá, né? e também para gerar profecias.

Então esse rapé ele pode promover sonhos adventórios, né? Enfim. O outro rapé é feito com uma outra planta que é são virolas, né? Esse daqui eram anadenanteras e esses são virolas.

O nome popular é coana e são os tucano e os ianomami que usam também lá na Amazônia, tá? Tem vários nomes populares, enfim. Mas o paric é o mais conhecido. Da onde que a gente extrai esse pó?

Não é da semente, aqui no caso é da casca do caule. Ele é rico em quê? DMT também. Olha que interessante o DMT de novo, né?

E agora, finalmente, a gente chega aqui na bebida aásca, né? Então, para quem não sabe, a bebida aca ela é composta por duas plantas, né? E ela é utilizada na forma de um chá, então via oral. Os rapés eu já mostrei, é viaatória, né?

Então você tem o quê? Você tem a rainha, que é conhecida como el é a, aliás, a psicótria virites, que é conhecida como rainha e outros nomes, tá? E você tem o banisterops Capi, que é conhecido como Jagube ou Capi. Eh, a rainha ela é rica em DMT e o Jagub é é rico em armina e armalina, tá?

O que acontece aqui é uma coisa muito interessante. Antes, né, todo mundo sabe que a Iwaska é usada num contexto religioso, tanto no Santo Darme, quanto na barquinha, quanto no no a união do vegetal. três religiões e mais recentemente na Umbanda, que se chama Umbandime. Por quê?

Porque as pessoas tomam o da dentro da do ritual da Umbanda, né? Esse é um psicodélico considerado enteógeno, como eu já falei lá atrás, porque é como se você acessasse o seu deus interior. É in, é introspecção. Então, tem pessoas que usam esse chá, essa bebida ali no contexto, né, que eu tô explicando, guiado por madrinha, por padrinho, né?

Então você tem o você tem toda uma questão eh dentro do da igreja. Então você tem o minário que você tem que cantar, você tem que dançar, você tem a farda, né, a roupa, você tem estímulos visuais, estão às vezes virgem Maria, como fosse um céu, estrelas, né? Você tem sim a influência da da da do catolicismo ali que você vê na noinário, né? Eh, então é muito interessante isso no da, né?

Na união do vegetal já não sei como que é a união do vegetal também é uma religião mais elitizada, né? Não sei se esse nome é bom, mas assim já é mais uma classe econômica mais assim médicos, advogados, engenheiros, você não tem acesso muito fácil na UDV, união do vegetal na Santo Daim é mais é a gente mesmo aqui, tá certo? Bom, volta pra aula. Então, o que que acontece aqui?

Eh, acontece que essa o jagube ele é uma liana, né? Que que é uma liana? Um cipó que nem o Tarzã. Ah, pulava, né?

E a psicória, a rainha, é uma é uma é um arbusto. Na hora de confeccionar esse chá, né, mulheres devem coletar a a planta feminina, que é o a rainha, e homens devem coletar a planta masculina, que é o jagu, né? E aqui agora o que que eu quero chegar no ponto, né? A a rainha ela tem o DMT.

Então, ah, então se se ela tem o DMT e o rapé é feito de DMT, é por causa do DMT que aja. Sim, mas acontece que o que a gente sabe que ponto de vista da farmacologia, o DMT sozinho, quando eu bebo DMT, existe uma enzima no meu hemorganismo que se chama monoaminoxidase. A sigla é mal, mao. Tá aqui, ó.

Ma, tá mal. Mal. Aqui tá errado, tá? que o DMT é um alucinógeno.

Agora a gente já sabe, né? Tá errado. Isso aqui é pegadinha. DMT é o que?

Que que é um psicodélico, né? Não necessariamente ele alucina, tá? Está errado. Mas vamos lá.

Quando eu bebo um chá feito só da rainha, que tem admetil tririptamina, que seria o psicodélico, né? No caso que nós estamos falando aqui, ele não age, o meu organismo não consegue alterar minha percepção. Por quê? Porque tem essa enzima que é a mal monoamino, ela é do mal, tá gente?

Olha que brincadeira legal que dá para fazer aqui. A mal vai lá e ela destrói o DMT, né? Puxa, que coisa chata. Então, se ele destrói, a DMT não vai fazer efeito no meu organismo, né?

Via rapé faz, mas via oral não, por causa da mal. Acontece que a outra planta que é o jagube, ele tem as betacarbolinas que é armina, armalina. E esses outros alcaloides, o que eles fazem? Eles inibem a mal.

Olha que legal. Então, se eu tenho uma planta, né, se eu tenho uma substância que inibe quem tá inibindo a outra, o efeito final é ação, né? Então, a mal inibe a de a DMT, mas a betacarbolina inibe essa mal. Então, no final das contas a DMT vai agir no meu corpo e eu vou ter alteração de percepção.

Percebe? Isso é mágica, isso é etnobotânica, isso é conhecimento tradicional. Agora a pergunta é: Floresta Amazônica, 25.000 a 30.000 plantas que ocorrem lá, como que os ribeirinhos amazônicos, como que os indígenas chegaram, né, exatamente que uma planta sem a outra não funcionaria, certo? Se eu tivesse só essa planta não ia funcionar.

O chá só funciona porque eu tenho esta planta que anula o efeito da mal. Veja o que que foi que levou as pessoas a escolher exatamente essas duas plantas para ter o efeito final. Eu não sei. Na verdade ninguém sabe.

Na verdade esse é o grande mistério, né? Agora, uma coisa eu posso deixar claro para vocês. Se isso tivesse acontecido dentro da academia, muit muitas vezes a pessoa tá, se eu tô falando isso, a pessoa fala: "Ah, foi ao acaso ao acaso". Olha que interessante.

Quando é do outro é saber, quando é meu é ciência, né? O meu é ciência, o seu é só um saber. Então assim, veja bem, se isso tivesse sido descoberto dentro da academia, a pessoa ia receber, ia ser laureado. Nossa, olha que gênio.

Mas como veio dos povos tradicionais, foi sorte, foi, sei lá, foi foi um caso. É interessante a gente pensar nisso? Faz uma reflexão aí, você em casa, que que você ia achar, né? Como que você lidaria com isso?

Isso é muito comum. O que é meu é ciência, o teu é saber. Isso é péssimo, tá? Eu tô falando isso, gente, gozando, tá bom?

A gente tem esses dois vídeos que foi foram produzidos por uma aluna de TCC e um e um aluno de doutorado, que eu vou deixar no final para vocês assistirem. São vídeos curtinhos, mas eles são bem didáticos, sabe? Tem o Rafael Guimarães, que é um pesquisador também da USP de Ribeirão Preto, da medicina, que também estuda bastante aca falando, né? Esse meu aluno de doutorado que foi, né, o Arilton Fonseca, queridíssimo, ele estudou três grupos de pessoas que consumiam iuasca, um grupo há mais de 25 anos no ritual, né, um grupo há menos de 3 anos e um grupo que nunca tinha usado a Iuasca.

E ele avaliou, ele viu a riqueza, né, eh, de dados comparando esses três grupos em termos de religiosidade, em termos de cognição. Então, a Iuasca não só diminui a sua cognição, como ela tem uma melhora na sua cognição, né? Enfim. E a última planta aqui que eu quero mostrar é a jurema, que é a mimosa hostiles, mimosa teru e flora, né?

Muito comum também ouvir falar sobre o vinho da Jurema. A história da Jurema é interessante porque os indígenas então estavam aqui no Brasil usavam a jurema na forma de cigarro, charuto. Até aí tudo bem porque via inalatória, a de metil tririptamina funciona. Que que tem nessa planta?

É DMT. Então a gente já viu que o DMT lá no rapé vialatória funciona. Então pro indígena que fumava, a planta também tava funcionando, porque DMT. Quando o negro escravizado chega no Brasil, ele fala: "Vamos dar uma upigade aqui, vamos pegar esse cigarro, esquece o cigarro, vou fazer o vinho.

Vamos fazer o vinho da Jurema". E começou a pegar as cascas do ca as cascas da raiz, assim como os indígenas fumavam, mas transformaram isso num vinho. Aí teve toda uma crítica assim: "Ah, tá vendo? O cara tá entrando em transe usando a jurema.

Teve uma época isso, não vou agora saber, gente, eu tô velha, não sei a qual é a referência, sei lá, não sei a referência, gente. Mas eu tava lá, eu ouvi. Aí as pessoas falam assim: "Não, ó, o trans dessa religião, porque tem uma religião que chama jurema, aonde eles usam o vinho da Jurema, bebem o vinho da Jurema, no Santo Daime bebe o aca, no na Jurema, bebe o vinho da Jurema." Bom, eh, agora eu esqueci o que eu tava falando. Ah, sim.

Aí alguns pesquisadores falavam: "Ah, tá vendo esse transí que essas pessoas no ritual da Jurema estão falando que tão em transe? É mentira, não é trans nada, porque a admetiamina vi oral, ela é inibida pela mal." Então é isso aí, é mentira. Aí chega um finlandês que é o professor Claweway, né, aqui no Brasil e estuda essa planta, vira ela de cabeça para baixo. E a sugestão, a a conclusão que chega o Caloy é que essa planta, ela não tem só DMT como alcaloide, ela tem a iuremamina que ela sim inibe a mal, assim como o Jaguub inibe a mal lá pra Euasca, só que aqui no caso, na mesma planta, eu tenho DMT, que é alterador de percepção, e a uremamina que inibia mal, ou seja, o DMT viaural, nesse caso também consegue se manifestar.

É, não sei se ficou muito rápido, não sei se vocês entenderam, mas é uma mágica, né? Como que essas substâncias estão nessas plantas é fabuloso, é absolutamente fabuloso, né? Bom, agora aqui nós já vamos entrando, indo um pouco mais pro do meio pro fim da aula que vai começar a entrar a parte espiritualiz de espiritualidade. Ih, não quero ouvir.

Desliga, não faz mal para mim. Não liga, o que desliga, não é religião, não tem padre, não tem freira, não tem pastor, não é nada, é espiritualidade, ciência, espiritualidade. Já ouviram falar? Nós estamos chegando lá, né?

Porque que que acontece? O que que acontece? Existem alguns neurocientistas que acreditam, ah, não, deixa falar depois. Primeiro eu quero falar aqui, ó.

Então aqui é uma pessoa, não sei se dá para entender, uma pessoa que ela produz as mesmas coisas que as plantas produzem. Então vamos pegar aqui a coisa mais antiga que a gente conhece, morfina, que vem da papola. O que que nós produzimos? Endorfina.

Endorfina quimicamente é muito parecida com a morfina. Nossa, mas a gente produz uma coisa que a planta produz. Sim. Ainda existem sapos, né, cujas deltorfina e dermorfina foram patenteadas por Israel, pela Itália, pelo Japão, pelos Estados Unidos, só pro nosso da Amazônia, que também produz essas finas, endorfina, só que com outro nome, deltorfina e dermorfina, né, a gente nem tumentearam, tá?

Do ponto de vista do dos canabinoides, a gente também sabe que a planta produz fitocanabinoide, mas nós produzimos os endocanabinoides. Já vimos isso nas aulas anteriores de fitoterapia, pelo menos. E no caso da admetil tririptamina, da DMT, a planta produz DMT, mas nós também produzimos DMT. E aqui entrou na espiritualidade.

Por quê? Por isso que existe essa esse approach, essa essa essa essa ideia, né, de que pelo menos do que eu tenho estudado, né, de que a DMT tem uma forte conexão com a espiritualidade. Vamos entender aqui agora. Bom, ã, existe existe um pesquisador que chama Rick Stressman, que ele publicou um livro baseado em estudos que ele fez com a DMT nos hospitais, né?

Eh, e a partir desse desse livro tem um filme também que eu deixo para vocês aqui no final para vocês assistirem, porque o que que ali ele começa a fazer uma uma hipótese, né, de que o DMT, a DMT, que é essa que tá nas nas plantas que eu mostrei, rapé, aasca, jurema, ela seria a molécula do espírito. E aí agora a coisa, né, como, né? Então, poxa, por que que plantas produzem DMT, animais produzem DMT e agora a gente sabe que o ser humano também produz DMT? Bom, mas quem é que produz DMT no nosso organismo?

A glândula pineal. E o que é a glândula pineal? É o terceiro, a terceira visão, né? A glândula pineal tá exatamente nessa posição aqui, na metade da cabeça, né?

Aqui e aqui. E ela em teoria, né? A gente tem essa projeção que tem toda uma questão que eu não vou entrar, seria uma aula só sobre glândula pineal, que daqui a pouco eu vou mostrar a pessoa que manja de glândula pineal aqui para vocês, que é da USP lá, um professor, tá? Mas, mas ela, mas ela, a glândula pineal, ela ela libera DMT.

Bom, primeiro só para falar que a glândula pineal ela controla muita coisa, né? Muit se não falar tudo, tá? Se, por exemplo, tá chegando de noite, então ela libera lá a melonina pra pessoa ir dormir. Eh, a gestação, por que que eu depois de 9 meses é que sai a criatura da gente?

Sai porque a pneal tem essa conexação conexão também com os astros, quantas voltas, quantos anos, quantos meses, né? Então ela ela é ela é assim nesse relógio interno, né? E a ideia de que a dimetreptamina seja liberada pela pineal e e em que isso ocorra em duas ocasiões, no nascimento e na morte. Essa é a hipótese, né, desse stressman, enfim.

Por quê? Porque ela ela faria a a ligação, né, a conexão e a desconexão entre o corpo e o espírito das pessoas. Nossa, Eliana, para, para tudo, eu vou embora. Pode ir embora, não é problema.

para mim não é problema, tá? Isso aqui, gente, eu tenho estudado há muito tempo. Eu venho estudando EQM, não sei se todo mundo sabe o que é isso, é experiência de quase morte. Então, nesse livro Psicoativos Invisíveis que eu publiquei, eu mostro, eu conto ali duas experiências que eu tive que eu nunca imaginei que eu fosse ter.

Então, a partir daí, eu me começo a me debruçar nessas experiências de quase morte, a entender. E aí, aí eu vou avançando nesses autores que eu vou trazer aqui para vocês para tentar resumir em 3 minutos o que eu venho estudando há muitos anos, né? Eh, então, mas para poder continuar, é importante que a gente entenda o seguinte, né? Existem neurocientistas que acreditam que o cérebro da gente ele cria tudo, ele gera tudo, inclusive essas experiências de quase morte, bobagem.

Quem tá criando isso tudo é o cérebro, é tudo alucinação. Já uma outra parte dos neurocientistas acredita que não, que na verdade o nosso cérebro é como é como se ele fosse uma máquina e ele sintoniza, né, eh, pensamentos, eh, ele sintoniza as o as nossas o as nossas emoções, enfim, né? Eh, é como se a gente fosse um rádio, né? O nosso cérebro é o rádio.

O rádio por si só ele não faz nada. Ele é ele é um meio para captar essas ondas para ir sim produzir tudo que ele produz. Televisão, mesma coisa, né? Computador a mesma coisa.

Só o computador não. Eu tenho que ter um software, eu tenho que ter um hardware, né? Então, essas são as as duas, digamos, se é que a gente pode falar, duas correntes dos neurcientistas que enxergam a, então, a mente, o cérebro, ou como a mesma coisa, no caso aqui do primeiro, ou como coisas distintas, né? Então, eh, é difícil a gente se aproximar disso porque, claro, isso gera muito incômodo, principalmente na ciência, na academia, né?

Quantas pessoas sabem que isso acontece? acontece na vida particular delas, mas elas não podem se expor. Afinal de contas, são cientistas, elas vão ser desconsideradas, vão ser desqualificadas, né? E eu acho que a gente não deve ter medo, porque temos, né?

Não devemos nada para ninguém, né? Quer dizer, o fato de não ser material não significa que eu não posso medir. A ciência acha que ela só pode controlar e e o material, aquilo que é material. Mentira.

O que que é a luz? O que que é o é onda? O que que é? Tudo bem, não pega, né?

Então, eh, é muito interessante, é muito interessante essas coisas que eu tenho estudado. Por isso que eu quis, e eu acho importante trazer isso dentro dos psicodéos, porque eu acho que isso pode ter conexão, como então toda essa sensação que a pessoa tem durante um evento de experiência de quase morte é muito parecida com a experiência do uso da admet da DMT. Então faz todo sentido que realmente a gente libere essa substância durante o nascimento e a morte, né? Mas isso eu tô resumindo, gente, o resumo do resumo do resumo do resumo, a gente precisaria sentar numa mesa do bar para pra gente avançar.

Então a pineal, ela é muito estudada por algumas pessoas. Esse neurocientista da USP, Sérgio Felipe de Oliveira, é um médico que estuda, inclusive ele tem hipótese de que os médiuns teriam ah na pineal eh cristais específicos, por isso que eles seriam médiuns e outras pessoas não, né? Então são palestras interessantes que tem dele. E esse cara também chegou até mim num TED T muito interessante, o Dr.

Christopher C. Ele era um cardiologista. Olha que legal isso. Ele era um cardiologista.

E aí ele chegava e falava na hora de ir embora, né, para as enfermeiras, ó, troca o remédio do paciente do quarto 39, por exemplo. Aí a enfermeira fala: "Não, não adianta trocar não, doutor vai morrer, não vai passar de dessa noite, esse daí não passa". Aí ele olhava, ele não entendia, ele fala: "Como assim?" E o paciente morria, não, porque já viu a mamãe que já tá desencarnada, já viu o tio, já isso daí não vai passar dessa noite. Isso era recorrente e aquilo chamou muita atenção do cardiologista porque ele falou: "Nossa, eu que sou médico não nunca observei isso, né?

Como é que essas enfermeiras, né? Tá bom". Aí ele larga a profissão de cardiologista, olha que interessante, para ir trabalhar nesse búfalo Hospice, que é um hospital de cuidados paliativos. E ele já publicou mais de 20 artigos científicos em revistas, né, falando sobre tanto de experiências de quase morte.

E e ele aplica, o que que ele faz? Ele aplica questionários em pacientes que estão nesse estágio terminal, nesse hospital. E o que que ele percebeu? Bem resumidamente aqui, tá?

Os 20 artigos dele lá atrás, há 20 anos atrás, ele dizia que eram sonhos. Eh, quanto mais a pessoa ia chegando próximo da morte, meses antes, ela ia intensificando, aumentando a frequência de sonhos com essas pessoas falecidas, até que no dia da morte ele teria essa essa vinda dessa pessoa, se apresentaria inclusive pacientes com Alzheimer, que já não reconhecia mais a família, antes de morrer tinha uma volta, digamos, da consciência e conseguia reconhecer as pessoas, né? Isso tem muitas coisas eh nesses artigos que eu lii. Enfim, hoje ele já não fala mais em sonho.

Hoje ele hoje o o termo que ele usa é visão. São visões, né? Ou seja, ele já tá mudando o próprio conceito. Aquilo era um sonho ou ou eram visões.

Então tem histórias muito interessantes. E para finalizar esse assunto, né, mas eu acho importante fazer essa conexão disso nessa aula, importantíssimo, tá? Eh, existe esse livro, foi publicado por um deles, esse Alexander Moreira Almeida. Ele também é professor titular, só que é do FR, eh, Juiz de Fora.

Eles publicaram esse livro na Springer Nature. Não sei se todo mundo sabe, mas Springer Nature é a maior editora, né, de ciência da Nature do mundo. E pela primeira vez ela autoriza a publicação de um assunto desta deste nível, que é falar sobre a vida depois da morte, tá? Então, esse professor, ele tem mais de 300 artigos científicos sobre reencarnação, mediunidade, EQM e milhares e milhares e milhares e milhares de coisas interessantíssimas que eu convido vocês ou a comprarem esse livro, eu não ganho nada com isso, tá?

Inclusive, tem uma coisa triste sobre esse professor. Eu sou tão apaixonada por ele e ele é muito contra tratamento com cannabis. Eu fiquei bem chateada [limpando a garganta] porque se ele quer ser disruptivo, né? Se ele quer tirar o preconceito das pessoas sobre a morte, ele deveria se aproximar e estudar um pouquinho sobre cannabis para também ser disruptivo, né?

Ouvir. Eu saí do meu lugar para ouvi-lo. Seria muito interessante se ele saísse do lugar dele para nos ouvir também. Mas tudo bem, quem sabe um dia, né?

Mas eu admiro ele assim mesmo. Ele foi num podcast daquela de uma psiquiatra que eu esqueci, é pod people. É uma psiquiátrica esqueci o nome dela agora. acho que é a Ana, alguma coisa.

E lá ele fica duas horas falando sobre esse livro. Então, quem não quiser comprar o livro, pode entrar também no no nesse nessa nesse podcast aí, é bem interessante, eu achei, tá bom? E essa é a série Como mudar sua mente que eu falei do Michael Pollen que tá na Netflix e que é muito legal se vocês puderem assistir porque lá vai mostrar. Bom, paciente terminal tá aqui sendo assistido por uma equipe interdisciplinar, um psicólogo, psiquiatra, uma enfermeira e tá recebendo a a microdose, por exemplo, da psilocibina.

Como que acontece? O que que a pessoa sente? Esse Christopher Care, se vocês entrarem no Google e e o e verem alguns vídeos dele, é muito legal. vocês ouvirem os pacientes relatando como que são essas essas visões deles, né?

Mas vamos embora que já falei muito. Bom, resumindo, então, psicodélicos no Brasil são esses. E agora nós vamos olhar para aqueles psicodélicos para finalizar a aula. Claro que vocês já devem estar extremamente cansados, né?

Pros invisíveis. Nossa, invisíveis por quê? Como eu já disse, né? Eu fiz vários trabalhos de campo ao longo da minha vida, perdi alguns maridos nesse trabalho de campo e depois de 25 anos de ser proibida de estudar alguns desses eh dessas substâncias, muitas eles são psicoativos, provavelmente nós não estudamos, mas segundo o relato dos indígenas, dos quilobolas, dos ribeirinhos, né?

E quem sabe algum deles não possa ser inclusive psicodélico. A gente não tem como, a gente não estudou. Age no receptor serotonégico, não age, né? Então, muitos deles foram feitos junto com o professor Carline quando eu desenvolvi estudos de campo sob orientação do professor Carlino, né?

Então, esses dois trabalhos foram com o professor Carline e esse foi anterior ao a a eu conhecer o professor. Então, na floresta amazônica com ribeirinhas, no sererrado com os indígenas no macrooré e no Pantanal do Poconé com quilombolas. Eu não vou contar toda a história aqui porque não daria, né? Mas toda esse essa vivência que eu tive tá relatado nos psicoativos invisíveis aqui.

Bom, então olha quanta planta como depressor, como estimulante e como alterador de percepção, planta, animal, fungo, tudo isso a gente poderia estar estudando. Então vamos ver um pouco aqui entre os quilombolas que vivem na na no Pantanal, né, na Cesmaria Mata Cavalos. Eu conheci o seu Cesário, que foi uma das pessoas mais importantes, assim, uma das mais incríveis que eu conheci nesses trabalhos de campo. Então, olha só como eh psicoativas que ele indicou, né, elas elas elas tinham essas indicações como calmante para fazer dormir, para clarear as ideias, doença da cabeça, loucura, né?

Eu já apresentei para vocês o tira capeta lá na primeira aula, né? Então, não vou falar tudo de novo, mas só para vocês verem a importância dele, né? Ó, fortifica o cérebro rejuvenecedor. Agora olha a terceira caixinha, ó.

Fortalece o espiritismo, mexe com a cabeça, aumenta a visão. Fala assim, seu cesário, como assim aumenta a visão? Você consegue ler melhor o celular? que tô precisando aqui.

Não, você vê, você vê lá longe, mas você não tá lá, você tá aqui. É muito interessante, né? Bom, o outro trabalho foi feito com os ribeirinhos amazônicos no num lugar do tamanho de Israel, o tamanho do parque que eu morei. Aqui foi uma das experiências mais incríveis que eu tive na minha vida.

É uma planície de 2.272.000 ha, né? que parecia assim a eh uma planície sem luz, sem nada. Então, o silêncio à noite era tamanho que parecia que você sentia a terra expandindo e contraindo, fazer aum estrelas elas não caíam à noite, elas despencavam, né? Foi aí que eu descobri que não adiantava fazer pedido, porque eu fiz tantos e bom aí aquele silêncio, de vez em quando você só vi aquele boto chato batendo na água assim, né?

Então assim, um lugar, gente, incrível. Então é um lugar que ou você tem uma medicina ou você tem uma medicina que senão você morre, né? Então coisas incríveis aí eu conto lá também no livro, mas olha que legal aqui no alterador de percepção não tem nenhuma indicação. Por quê?

Porque eles são ribeirinhos amazônicos. Quem são os ribeirinhos amazônicos? é o resultado do cruzamento entre o indígena que tava na Amazônia, o negro escravizado que chegou e o europeu pro ciclo da borracha no destino. Então aqui nós temos qual é a religião que vigora?

É o é o cristianismo, a igreja católica. E é pecado você usar uma substância que altere a percepção. Então não tem nada, não tem. Mas tem os anciolíticos, os hipnóticos, estimulante afrodisíaco para memória.

Aqui tem algumas receitinhas, por exemplo, essa formiga que tucandeira, né? Também ele chama, é conhecida como Cabo Verde, mas eles chamam de tucandeira como estimulante. A história é muito legal. A história que eu conheci essa, por exemplo, vai, vou contar rapidinho.

Ah, não, não vou, não. Bom, vou contar agora. Já comecei. Eu tava andando com entrevistado e ele falou assim: "Você tem um vidrinho aí?" tava coletando planta no meio da floresta.

Eu tenho vidrinho, tá? Ele pegou umas cinco formiguinhas dessa grande, hein? Chegou em casa, o filho uns 15 anos, tava deitado na rede assim, tá dormindo, rapaz, adolescente, calor, tava lá. Aí ele foi na cozinha, ele falou: "Vem cá".

Aí fui, ele pegou uma panela, pôs água para ferver. Quando a água tava fervendo, ele pegou as as formiguinhas e jogou na água fervendo as formiguinhas assim, fez um chá, deixou esfriar e foi levou pro moleque, falou: "Toma aí, moleque, para você ver se você tira sua preguiça, né? Quer dizer, qual que é a principal característica da formiga?" Não é ser, não é trabalhar bastante. Então, ele queria que por meio desse chá, essa característica da formiga fosse transferida pro filing.

Isso é muito legal, né? Então, o cérebro de macaco para ficar esperto igual macaco, o pênis do coati é usado como afrodisíaco, muita coisa. E agora nós estamos chegando no final da aula e nós chegamos no invisível do invisível, né? O que significa isso?

Significa que aqui é o ponto onde a gente teve aquele problema que a gente não pôde estudar. Fomos proibidos de estudar as plantas que poderiam ser psicodélicas. Por que não, né? Eh, porque a gente não temos como saber se age no sistema serotonérgico ou não.

O fato é que são indicações muito potentes, muito interessantes, que foram feita, foram feitas pelos indígenas eh mré, né? Então, tá aqui, ó, várias eh dentro dos da da psicoatividade, né, digamos assim, você tem aqui doenças da cabeça, como anciolíticos, disturbos do sono, pensamento, como estimulantes tem resistógenos, adaptógenos, estimulantes para memória, afrodisíacos, alteradores de percepção, né? Aí o curioso é que todo esse trabalho foi feito ao mesmo tempo como parte de um doutorado junto com os quilombolas e com esses indígenas, né? E nós só fomos proibidos de trabalhar com os indígenas.

Isso é curioso, né? É como se com os os negros, os quilombolos, se a gente tivesse fazendo coisa errada, não estava. Mas se estivesse, com os negros poderiam, com os indígenas não. Isso é no mínimo bastante curioso, né?

Então, olha, dentro dos depressores, eu sei que não é a terceira caixinha, mas eu acho legal mostrar, né? Para doenças da cabeça, eles têm plantas para resolver problemas de doidice, tremedeira, que nos lembra Parkinson, para não endoidecer, para combater doenças do espírito, pessoa prejudicada por um espírito. Então vocês vão ver aqui em várias outras indicações de uso que o espírit a espiritualidade ela tá muito presente, né? Então essa questão, o corpo é dividido em matéria e e não matéria, né, digamos, o corpo e o espírito, é algo eh muito comum, muito o incomum, né, [risadas] seria não imaginar que houvesse aqui uma parte eh imaterial, né, [roncando] com ainda dentro dos depressores, esses indígenas têm plantas como anciolíticos, tipo para acalmar, relaxar, para acabar com medo, o nervosismo, para evitar medo de um espírito.

Olha que interessante, né? dentro dos distúrbios do sono é para dormir mais rápido, para dormir por mais tempo, para acabar com o ronco, paraa criança que não dorme bem, para ter bons sonhos, para ter sonhos que adivinham coisas premonitórios, nunca para ficar com sono leve ou então para ficar com sono pesado. nos pensamentos, ó, pr ajudar a pensar, para limpar a cabeça, para tirar canseira da cabeça, para ficar com a cabeça aberta, para maneirar a cabeça. É muito difícil você traduzir isso pra biomedicina, né?

Mas nitidamente você percebe que aqui tá tendo uma uma facilitação, digamos, do ponto de vista eh dessa [roncando] atividade ansiolítica, provavelmente, né? Aqui a última caixinha, a terceira caixinha, que seria as dislépticas, né, ó, para temperar a cabeça, que eu também já falei lá atrás, né, na primeira aula para vocês sobre isso. Mexe com a cabeça, olho mágico aqui também. Que que é olho mágico, né?

E o Ah, olho mágico é é um olho que você tem aqui assim, ó, que você consegue enxergar coisas. Eh, é, é porque é muito, é fácil, é difícil para vocês entenderem quando eu explico, mas quando você tá nesse tipo de relação, onde a língua já não é a mesma, tem uma série de dificuldades para realmente entender o que a pessoa tá tá tentando te falar, né? Olha que legal. Para conversar com seu guia espiritual, né?

fomos substituídos pelo tabaco que vieram, né? Bom, enfim, então são muitas coisas aqui. E aí, claro, como a gente foi proibido de estudar, 25 anos depois dessa proibição, eu resolvo tirar do baú os meus diários de campo, desses trabalhos e colocar nesse livro que Psicoativos Invisíveis, que eu já venho falando aqui para vocês dele e que para mim é motivo de muito alívio, porque foi uma coisa que me causou eh muito muito incômodo durante muitos anos, né, essa essa tudo isso que aconteceu, principalmente quando você vê que ONGs estrangeiros publicam hoje livros, hoje há mais tempo já com toda conhecimento tradicional de indígenas do Brasil e tudo bem. Então, alguém alguns vídeos interessantes, tá?

que eu acho que seria bem legal de vocês assistirem, só clicar e assistir no YouTube. Esse é o do Sting, que eu já mostrei anteriormente. E esse aqui é o livro do Bolso que eu falei, que eu comprei no lançamento lá em Barcelona, né? Medicina psicélica.

É interessantíssimo. Ele é bem grande esse livro. E aqui é o, claro, o nosso livro aqui, tá bom? Então, eu espero que, bom, é a primeira vez que eu ofereci essa aula de psicodélicos.

É óbvio que se ela for se manter no ano que vem, que eu não sei se vai, eu vou melhorar, eu vou procurar, né, eh, melhorar ela. Mas, eh, era isso que eu achava interessante mostrar para vocês aqui hoje. E, eh, para sanar, né, essa nossa ausência da professora Dani Rando. Eu espero que, pelo menos em parte, eu tenha conseguido sanar a falta dela nessa nessa edição, mas o ano que vem a gente espera estar com ela aqui junto com a gente, que ela é uma pessoa muito carinhosa, tá bom?

Então, gente, obrigada por mais uma vez estar aqui. Hoje a aula ela demorou mais do que o normal. Eu peço até desculpa. Eh, e a gente se vê ainda em alguma aula aí no futuro, tá bom?

Então, um beijo para todo mundo aí. Até mais.

13ª aula — Compostos canabinoides e o tratamento da Doença de Parkinson - Dra. Ana Rouver

Aula 13 · YouTube · ~52217 caracteres · pt

Olá, pessoal. Bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Sou a Gabi da Inés e tô aqui para apresentar a nossa 13ª aula, aula que a gente começa a falar das condições clínicas, das doenças, das patologias e do tratamento da cannabis. Para essa primeira aula, a gente vai falar sobre doença de parkson.

O nome da aula é Compostos, eh, canabinoides e a doença de Parkson. E para essa aula, a gente vai receber a queridíssima Dra. da Ana Roover. Então, muito obrigado, Dra.

Ana, por estar com a gente mais uma edição. Espero que vocês gostem dessa aula e a gente se vê então na próxima terça-feira. Um ótimo final de semana. Sejam todos bem-vindos a mais essa aula do curso de extensão em cans medicinal da Mov Recan, promovido pela UNIFESP, eh, na qual nós falaremos sobre a aplicação da cannabis medicinal para a doença de Parkinson.

E para essa aula, eu gostaria de iniciar com uma abordagem um pouco diferente, né? Em vez da gente começar falando sobre receptores, mecanismos biológicos, sobre mecanismo de ação dos canabinoides, eu quero iniciar essa aula do ponto de partida de da experiência de um paciente, porque afinal nós estamos falando sobre pessoas, nós estamos fazendo esse curso para chegar as pessoas que precisam ouvir um pouco mais sobre a aplicação da cannabis nessas doenças. Ao longo dessa aula, nós vamos discutir a fisiopatologia, eh, vamos entender o racional biológico para a atuação dos canabinoides sobre essa doença. Vamos falar sobre as as evidências clínicas e sobre o que nós nos pautamos na hora de pensar um tratamento da doença de Parkinson com os canabinoides.

Antes de falar sobre ciência, eu gostaria que mentalmente vocês respondessem essa pergunta. Por que o paciente com a doença de Parkson procura o tratamento com a cannabis medicinal? Quando a gente pensa nessa pergunta, a resposta mais clássica seria pensar para melhorar o tremor, para melhorar o movimento. Mas será que realmente é só isso?

Esse é o motivo principal pela busca do tratamento pelo paciente. Ou será que o tramor eh não não é aquilo que mais limita no dia a dia, né? Mais limita a qualidade de vida desse paciente com Parkinson? Porque existem muitas vezes questões que podem ser até, digamos, invisíveis e que o somatório desse quadro todo é o que realmente influencia na qualidade de vida e na capacidade para que essa pessoa consiga realizar ações simples do dia a dia.

Como cumprir a sua rotina, trabalhar, ter essas atividades de de lazer, se sentir bem consigo mesmo, né? questões emocionais, questões relacionadas ao sono. Então são todos fatores que é quando nós pensamos na complexidade do que é a vida, né, são coisas que afetam muitas vezes mais do que simplesmente um sintoma motor que vem por conta da doença de Parkinson. Eu gostaria de passar para vocês um vídeo de relatos de pacientes que fazem parte de uma pesquisa clínica que tem sido executada na Universidade Federal de Santa Catarina para testarmos o potencial dos canabinoides sobre os sintomas da doença de Parkinson, eh, para que a gente entenda um pouquinho mais como que é a experiência do paciente sobre esse tratamento.

Mas é, eu quero que vocês prestem atenção, não tanto especificamente no que ele fala, é sobre a cannabis em si, mas principalmente no que ele diz sobre a sua própria doença. >> Não deu para produzir nada, perdi emprego, né, porque eu era cabeleireiro, então parou, estagnou e também abalando também a parte psicológica e tal, né? Motora ficou muito abalado porque o dedo tremia cada vez mais, mais, mais, mais. >> Hoje a simples ação de amarrar o cadarço é motivo de comemoração, assim como as novas obras do artista plástico.

>> Eu comecei a chamá-lo de inquilino, né, para amenizar também essa esse diagnóstico e fui seguindo. A partir daí, esse inquilino fica sempre com adjuvante, não que não tenha valor, mas para mim ele é muito doloroso assim, entendeu? Ído. >> O Osório é um dos pacientes participantes de uma pesquisa inédita realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Os ensaios clínicos avaliam como o uso de substâncias extraídas da cannabis podem contribuir para o tratamento de Parkinson e se os resultados permanecem a longo prazo. >> Como o relato desse paciente vai bem além de falar sobre o seu tremor, de falar sobre o sintoma motor da doença. Nesse caso, ele está falando muito mais sobre as questões da sua qualidade de vida, sobre tudo aquilo que ele precisou abrir mão por conta dos sintomas todos que a doença de Parkson trouxeram, por conta das limitações psicológicas, das limitações físicas, né, das questões de autonomia como um todo, questões de convívio social, eh não poder mais fazer aquilo que ele mais amava na vida, que além ser seu trabalho, também era o seu lazer, que era pintar. Então tudo isso afeta de uma forma muito grande, muito considerável no dia a dia dessas pessoas.

E é sobre isso que nós vamos trabalhar quando nós pensamos no tratamento com a cannabis, não pautado tanto apenas num diagnóstico e nos sintomas motores da doença de Parkinson, mas principalmente em todo o potencial para que a gente restabeleça essa qualidade de vida e a autonomia do paciente. E o que esse paciente realmente está nos contando é sobre isso, sobre o como a cannabis pode devolver para ele parte daquilo que ele mais gosta de fazer. Sobre esse paciente que precisou deixar de cortar cabelos e deixar de pintar e hoje por conta do tratamento com a cannabis ele consegue novamente fazer essas atividades. Como ele se sente mais feliz?

como ele se sente melhor consigo mesmo por ele se sentir capaz de fazer essas atividades, que para nós que não temos a doença de Parkinson pode parecer uma coisa simples, mas para um paciente que tenha doença, isso é algo muito grandioso, você voltar a executar atividades que te trazem o bem-estar. Além disso, a questão da rotina em si, é o como é importante para todos nós podermos executar a nossa rotina desde a hora que nós acordamos até na hora que nós vamos dormir. Escovar os dentes, pentear os cabelos, nos vestirmos, tomarmos banho, comer, né? Então são atividades que são essenciais para que a gente tenha o nosso dia a dia saudável.

E para um paciente com Parkinson, isso pode ser uma grande limitação. Então, o que nós vemos a partir desses relatos é a cannabis trazendo novamente essa possibilidade, uma melhora para que esses pacientes possam retornar a ter uma, né, a ter a sua rotina mais normal possível. E por falar nisso, em rotina, em sintomas da doença, em como que a cannabis ela pode ajudar esses pacientes com a doença de Parkinson, a gente precisa dar um passo atrás e entender o que afinal é a doença de Parkinson, porque aqui nós estamos falando de uma doença neurodegenerativa, uma doença progressiva que traz um grande impacto sobre a qualidade de vida do paciente. E de forma geral, a doença de Parkinson, ela é a segunda doença neurodegenerativa que mais acomete indivíduos em todo o mundo.

Ela chega aí numa distribuição de 03% da população global. E quando a gente passa para uma faixa etária acima dos 60 anos, isso aumenta bastante, chegando ali até 3%, conforme a gente vai aumentando essa faixa etária. A estimativa é que em 2040 nós tenhamos cerca de 17 milhões de pessoas com diagnóstico de doença de Parkson em todo mundo. Então, apesar de quando a gente fala em porcentagem, 3% pode, né, parecer algo menor.

Quando a gente passa isso para âmbito global, né, pensando em números de pacientes acometidos por essa doença, a gente vê que é algo que tem aumentado muito e que atinge muitas pessoas em torno do mundo inteiro. Então, sim, é algo que a gente precisa discutir, que a gente precisa trazer a consciência e explorar as alternativas terapêuticas que podem ajudar esses pacientes. Eh, também é importante destacar aqui que eh tanto homens quanto mulheres podem ser acometidos por essa doença, mas nós temos uma incidência maior na população masculina, né? chegando numa proporção de três homens para cada duas mulheres acometidos pela doença de Parkson.

E independente da forma em que ela se manifeste, a doença de Parkson, ela vai trazer impacto sobre a qualidade de vida desses pacientes. De forma geral, quando nós pensamos nesses sintomas, né, é muito muito fácil a gente eh associar a doença de Parkson com tremor, que é o o sintoma mais conhecido, mais falado da doença de Parkinson. No entanto, quando nós pegamos essa esse timeline aí, né, o o curso de vida de um ser humano desde a sua infância até a terceira idade, o que que nós vemos? Pacientes com a doença de Parkinson muitas vezes não e quase nunca tem os sintomas motores como os primeiros sintomas da doença.

O que que acontece? A doença ela é diagnosticada a partir do surgimento dos sintomas motores, porque esses sintomas, o conjunto deles, que é a lentidão de movimento, que todos os pacientes com a doença de Parkson vão ter lentidão de movimento. Então, a gente tem alguns testes que nós podemos fazer, testes de marcha para vermos como como está essa esse início da marcha e como está a passada, a postura do paciente, testes de agilidade, como pinçar dos dedos, abrir e fechar a mão, né? Então são ou mesmo de de pé para você testar como tá agilidade do pé, da perna, fazendo uma flexão de quadril.

Então, a gente faz esses testes para testarmos como está essa questão da agilidade, né, da movimentação, que é o que nós chamamos de bradinesia, um paciente com lentidão de movimento, especialmente ao iniciar esse movimento. Então, esse é o sintoma clássico que todos vão ter, que pode vir acompanhado do tremor de repouso, da rigidez, a própria estabilidade postural. Eh, porém esse conjunto de sintoma, sintomas cardinais, que é o que vão fazer com que a gente chegue a um diagnóstico de doença de Parkinson, eles não são os primeiros a surgir. Antes de nós termos esses sintomas, nós vamos já ter vários outros, como por exemplo distúrbios do sono, né?

Então, esturbo especialmente no sono ren, que aqueles a etapa do sono, onde nós temos movimentos rápidos dos olhos, onde os sonos, os sonhos acontecem, eh problemas gastrointestinais, depressão, ansiedade e dentre outros vários problemas que podem surgir muito antes do paciente receber o diagnóstico. Qual que é a dificuldade de se diagnosticar precocemente? é que todos esses outros sintomas de relacionados ao sono, relacionados ao humor, relacionados às questões autonômicas também são sintomas de muitas outras coisas, né, de muitas outras doenças e de muitos outros eh problemas em relações a aos nossos hábitos que nós vamos tendo ao longo da vida. Então, é difícil você diagnosticar um parks nessa etapa.

E os sintomas motores eles passam a a aparecer quando esse paciente já teve uma degeneração em torno de 80% de um tipo específico de neurônios, né, que ficam numa área específica lá do nosso cérebro, que são os neurônios que produzem dopamina. Então, vejam que já nós temos que ter a morte de uma quantidade grande de neurônios pros sintomas do Parkinson passarem a surgir. E aqui nós temos também uma relação direta ao tratamento, né? Porque se a gente acompanhar nessa figura, nós temos inicialmente essa linha verde, né, que que é uma eh representa um envelhecimento saudável.

Então é normal que você tenha um decaimento ali na sua capacidade de realizar determinadas atividades, né, por conta da idade. Eh, e nós temos a linha vermelha, que é essa última baixo, que representa então um paciente que tem a doença de Parkson. Vejam como a a evolução de um paciente com parkson é totalmente diferente de um de um envelhecimento saudável. É porque o comprometimento, o impacto que os sintomas do Parkson e que a neurodegeneração tem sobre as atividades do dia a dia dessa pessoa é muito grande.

Os tratamentos todos fazem o quê? Eles visam restaurar, né, ou trazer ao máximo possível essa curva do envelhecimento do paciente próximo ao envelhecimento saudável. Por que que eu disso? digo restaurar ou trazer próximo, porque nós não temos nenhum tratamento que cure a doença de Parkinson até hoje.

Uma limitação importante que nós temos em relação à doença de Parkinson é em relação ao seu tratamento. Por até hoje nós não temos um tratamento que cure a doença de Parkson. Todos os tratamentos convencionais que nós temos, eles focam nesse prejuízo dopaminérgico em repor ou restaurar essa função dopaminérgica. E a principal droga utilizada para tratamento da doença de Parkinson é o que nós chamamos de levodopa ou conhecido prolopa.

Esse medicamento ele é o mais eficaz e estudado até hoje. Ele controla muito bem os sintomas motores, especialmente ao longo ali dos cinco primeiros anos de de tratamento. Eh, porque ele basicamente atua como repositor dessa dopamina que está em falta. Que que acontece?

A levodopa, quando ela chega no nosso sistema nervoso, ela é convertida dopamina e consegue se ligar nos receptores de dopamina que estão lá nas áreas de controle motor e que não estão recebendo estímulo porque os neurônios que produzem essa dopamina estão morrendo. Então, se o neurônio que produz dopamina morre, não tem dopamina para ativar o receptor que controla o nosso sistema motor. O alevodopa se transforma em dopamina e ativa então esses receptores. E com isso nós temos uma melhora na questão dos sintomas dessa doença.

No entanto, a levodopa, ela é acompanhada de uma série de de problemas, de efeitos adversos que vão desde efeitos gastrointestinais a outros bem mais complicados, como são as próprias flutuações motoras relacionadas a esse tratamento, que são conhecidas como período zomof. Que que é isso? ao longo dos anos, especialmente ali a partir do 5º ano de uso, que é mais comum de acontecer, o efeito do prolopa vai como se fosse encurtando. Então, o que que vai acontecer?

Existe uma brecha entre você tomar um medicamento, acaba ação desse medicamento. Até o horário do da próxima dose, é como se você tivesse desligado, está faltando dopamina, desligou a dopamina nesse período até você tomar a próxima dose do prolópagamo. Nesse período que você está desligado, que você está off, que fal que a ação do prolopa acabou, é um período em que o paciente tem exacerbados os sintomas motores que são predominantes para ele. Então, por exemplo, um paciente que tem predominância de rigidez acompanhada com dor, nesse período em que o prolopa não está fazendo efeito, nesse período ele vai ter muito mais rigidez, por consequência mais dor, por consequência mais dificuldade nas atividades do que no período em que ele tem efeito do prolópago.

Isso é muito comum de acontecer. Outro efeito colateral que nós temos são as dissinesias induzidas por levodol, movimentos involuntários, descontrolados, que podem vir com com dor, né, e que afetam o dia a dia desse paciente. Então, por exemplo, o paciente que fica balançando o corpo e não consegue controlar, o paciente que move o braço descontroladamente e não consegue controlar. Muitos pacientes têm essa dissinesia tão forte que muitas vezes ele se joga e não consegue parar de fazer isso.

É involuntário. É um movimento que não pode ser voluntariamente cessado por aquele paciente e ele é induzido pelo medicamento, que é o medicamento mais eficaz, conhecido até hoje para essa doença. Qual a estratégia para isso? Não existe um tratamento, não existe um medicamento que pare esses eventos adversos.

A estratégia é, se o paciente está apresentando essa dissinesia, que é esse movimento involuntário, a solução é reduzir o prolopa. Se você reduz o prolopa, o que que acontece? você aumenta os estados off do paciente em que falta dopamina, em que o paciente está desligado, está off e que todos os sintomas que ele já tem são exacerbados. Para evitar mexer ou reduzir a dose do prolopa, uma das estratégias é sim associar outras drogas, né, que são drogas dopaminérgicas também, drogas que são agonistas, ou seja, elas também têm a capacidade de se ligar nesses mesmos receptores de dopamina e ativá-los para que faça esse controle motor, eh, ou então aumentar o tempo que a dopamina fica disponível para atuar.

lá no cérebro. Esses tratamentos, eles visam então eh também trazer mais qualidade de vida, eh prolongar os períodos em que o paciente pode manter a mesma dose do prolopa sem aumentar e com isso, né, fazer com que esse paciente tenha menos efeitos colaterais relacionados ao tratamento com prolopa em específico. No entanto, o comprometimento da qualidade de vida, ele é claro, não tem cura, tem essa evolução da doença que vai acontecer independente do tratamento e tem essa dificuldade em que a principal droga até hoje não consegue eh abranger toda a sintomatologia e mais ainda quando nós associamos os sintomas motores, como a ansiedade, a depressão, os distúrbios do sono, a dor. Então, a gente acaba tendo uma limitação bastante importante e é por isso que nós temos que estudar outras estratégias para ajudar esse paciente a manter a sua qualidade de vida.

esse sistema endocanabinoide que está distribuído em todo o nosso corpo, como vocês podem ver nessa figura. Então nós temos aqui no na representação do corpo humano, tudo que vocês vem colorido em verde, em azul, em amarelo, são regiões, tecidos, órgãos que nós temos a presença de receptores para esse sistema endocanabinoide. E nós, se nós ampliarmos essa imagem para a imagem do sistema nervoso, que é essa imagem mais à direita, vejam que nós temos diversas áreas em que nós temos a presença de receptores desse sistema. E aqui eu quero destacar essas regiões dos núcleos da base, envolvendo o caldado cutamen, eh, regiões do Córtex, enfim, várias regiões que são justamente aquelas que fazem o controle motor, além de termos também a presença de receptores no próprio sistema muscular, ou seja, nós temos diversas regiões do nosso corpo, na grande maioria dele, em que o sistema endoc canabinoide está presente.

E esse sistema nada mais é do que um sistema de neuromodulação. É um sistema que nós temos ele como um guarda-chuva da homeostase, ou seja, ele é capaz de modular a atividade de todos esses outros sistemas de neurotransmissão que justamente estão afetados pela doença de Parkinson. Esse sistema endocanabinoide presente nas regiões de controle motor no sistema nervoso, ele é capaz de modular a ação da dopamina, modular a ação da cetilcolina, da noradrenalina, da serotonina, que são neurotransmissores que de alguma forma vão estar envolvidos e comprometidos em alguma fase da doença de Parkinson. Também vale destacar que sobre esse sistema endocanabinoide é onde a cannabis, a substâncias presentes na cannabis podem atuar.

Então ela exerce uma ação sobre o sistema endocanabinoide. É uma ação que também visa a restabelecer o equilíbrio do próprio sistema endocanabinoide, que também está deficitário na doença de Parkinson. Basicamente, o que que acontece aqui? Nós temos uma figura que trata da modulação exercida por esse sistema endocanabinoide.

E o que que eu quero explicar para vocês? Então, nós temos aqui o neurônio eh pré-sináptico representado em verdinho e nós temos o neurônio póssináptico representado em rosa. Para uma neurotransmissão, como por exemplo acontece com a própria dopamina, ela acontece da seguinte maneira. Essas vesículas que vocês vêm aqui dentro do neurônio pressináptico são vesículazinhas onde o neurotransmissor ele é armazenado.

Então o neurônio produz, armazena ali a dopamina. Essa dopamina ela é liberada entre o neurônio e o outro que se chama fenda sináptica. e ela consegue atuar em receptores que estão no neurônio seguinte, ou seja, neurônio pós-sináptico, mandando uma informação para a frente. Então, o neurônio um que fala com o dois, que fala com o três e assim por diante, levando essa informação para que lá no final essa informação resulte em um movimento coordenado.

Que que acontece com o sistema endocanabinoide? Ele é que modula para que essa transmissão do neurônio um pro dois, pro três, pro quatro aconteça assim proporcional. De que forma? Quando esse neurônio pré-sináptico está, por exemplo, não está liberando dopamina que chega ou ele está liberando um excesso de dopamina aqui, o nosso neurônio pós-sináptico, que recebe a mais, por exemplo, dessa dopamina que foi em excesso, ele vai passar a produzir o que chamamos de endocanabinoides, que são os canabinoides endógenos produzidos pelo nosso próprio neurônio.

Esse endocanabinoide que pode, que os mais conhecidos são anandamina e o dois eraquinoglicerol ou 2G, eles são liberados na fenda e eles vão se ligar ou sinalizar para o neurônio pré-sináptico que ele tem que dar uma pausa ali ou reduzir a intensidade de liberação da sua dopamina, ou seja, equilibrando o quanto que o neurônio ou a força que ele vai transmitir essa informação para o neurônio seguinte. Imagine isso acontecendo em cadeia, porque o neurônio não recebe informação de apenas outro, não é uma linha contínua em que eu tenho um, depois o outro. Um neurônio está recebendo informação de vários outros, de uma circuitaria. E quem coordena o quanto esse neurônio tá recebendo de informação é esse sistema endocanabinoide que de forma retrógrada informa ou modula o quanto que um neurônio vai estimular o outro.

Na doença de parks, uma das teorias é que conforme a gente vai envelhecendo, esse sistema endocanabinoide ele vai ser enfraquecido, né? Isso nós já evidenciamos em em animais, né, que há uma queda do sistema endocanabinoide com o envelhecimento. Eh, e consequentemente se tem uma queda desse sistema, tem uma perda dessa capacidade de modulação. E com isso as doenças neurodegenerativas, como o próprio Parkinson, são mais eh suscetíveis de acontecer.

Com isso também uma das estratégias que nós temos pensando em tratamento, né, e que pauta os estudos envolvendo a cannabis é que se esse sistema endocanabinoide ele está enfraquecido, eles ele não está conseguindo modular adequadamente a transmissão dopaminérgica e todas as outras, se eu estimular esse sistema endocanabinoide, eu consigo melhorar a transmissão dopaminérgica. Então, como que a gente faz isso? Usando canabinoides vindos da planta. Então, principalmente quando nós pensamos no THC, nós temos eh a capacidade de, utilizando o THC estimular esses receptores para que eles consigam modular essa atividade que está acontecendo ali a nível de sistema nervoso, né?

Além de que eles atuam, os canabenoides atuam em outras vias, como por exemplo o próprio CBD atuando no que nós temos ali, como a própria neuroinflamação, o estress oxidativo. E pensando no conjunto disso tudo, principalmente nesses dois canabinoides da planta, que é o THC e o CBD, nós temos um potencial muito grande para neuroproteção. Por quê? Lembram que eu falei que a doença de Parkson também é uma doença neuroinflamatória e que tem fatores oxidativos ali associados.

Os canabinoides a partir do estímulo de CB1, receptores canabinoides lá no sistema nervoso, né? O que que eles podem fazer aqui? Nós estamos pegando, por exemplo, o próprio THC, eles podem, eles estão envolvidos com aumento de fatores de proteção pro nosso cérebro, como é o caso do fator neurotrófico derivado do cérebro BDNF. Isso faz com que tenha um potencial para gerar o crescimento ali de uma neuroplasticidade, que é ampliar as conexões desse neurônio que ainda está funcional, a própria neurogênese, que seria surgimento de novos neurônios em determinadas regiões do nosso cérebro, né, e a neuroproteção como um todo.

Além disso, eles também atuam, né, pensando a nível de membrana mesmo, né? Então, quando a gente eh pensa na capacidade antioxidante, especialmente do CBD, nesse caso, em reduzir fatores inflamatórios, né, também confere uma proteção do sistema nervoso. Adicionalmente, os canabinoides, eles atuam nas nossas células da glia, que seriam como as nossas células de defesa, só que no sistema nervoso. Então nós temos, por exemplo, a microglia, né, o micróglia, que é responsável, então, por trazer essa resposta inflamatória quando tem algo que que é nocivo, um agente invasor lá no sistema nervoso, só que para isso ela produz inflamação, ela produz radical livre, né?

Então os canabinoides eles conseguem atuar a nível dessa célula para reduzir esses fatores inflamatórios e oxidativos. Ao mesmo tempo que nas células de suporte que ajudam na nutrição, no suporte dos neurônios, que é a astroglia, nós temos ali o melhoramento desse suporte, um aumento da liberação de substâncias anti-inflamatórias que melhoram a sobrevida, melhoram a capacidade funcional dos nossos neurônios. E tudo isso culmina então num potencial de neuroproteção. De forma resumida, quando pensamos na doença de Parkson e uso dos carabinoides, né, o CBD, ele está bastante envolvido com os sintomas não motores, redução de ansiedade, de estresse, redução de depressão, melhora na questão do sono, com isso melhora no bem-estar.

eh fatores também relacionados eh a à capacidade do paciente em se perceber e e se autoavaliar melhor em relação às suas próprias atividades. Eh, enfim, então são vários sintomas não motores que estão bastante eh associados ao uso, a melhora a partir do uso do CBD. Enquanto o THC, nós estamos falando muito mais de potencial analgésico, porque o paciente com Parkson ele tem muita dor. Na melhora dos sintomas motores muito mais vistas em estudos clínicos relacionados ao THC, né?

Então eu já adianto que não tem estudo clínico que utilizou somente CBD e que mostrou resultados positivos para os sintomas motores, mas sim para sintomas não motores. Então CBD para psicose em estágios avançados, para ansiedade, depressão, sono, né? Mas não pro tremor, não pra rigidez, não pra bradinesia, que aí sim nós só vamos ter em estudos que utilizaram de alguma forma o THC. Eh, além disso, o efeito relaxante é um efeito mais sedativo.

Então, aquele paciente que não apenas tem uma qualidade do sono ruim, mas aquele paciente que não pega no sono ou que ele acorda várias vezes no meio da noite e não consegue dormir novamente. Então, aí nós temos uma aplicação do THC também. Então, de forma geral, tem plausabilidade, é plausível de se utilizar os os canabinoides? Pensando biologicamente?

A resposta é que sim, né? Mas o que que nós temos que pensar? A plausabilidade, ela é diferente de eficácia clínica, tá? Ou seja, eh, aqui nós vamos ter que pensar em relação às evidências que nós vamos ter e que os estudos que já foram realizados eh nos trazem, eh, para pensarmos no que utilizar, quando utilizar e o quanto utilizar desses canabines.

Para isso, eu trouxe o que nós temos até hoje para pra gente pensar numa linha do tempo. É, e eu quero comentar sobre alguns dos principais estudos que que nós temos aqui e vou trazer um pouquinho do que eu tenho trabalhado em estudos clínicos e com cannabis e Pinson, pra gente ver a que pé nós estamos e o que nós podemos trabalhar hoje com segurança em relação à doença de Parkinson. Então, o que que dizem os estudos em uma linha do tempo, né? Então, claro que nós temos vários estudos pré-clínicos, né, em animais, nós temos alguns estudos feitos em células, mais estudos com seres humanos, nós temos um pouquinho mais de 10 atualmente.

Então, ou seja, muito pouco estudo clínico, muito pouco estudo com seres humanos que eh testaram o uso de canabinoides até o momento. Então esse é um dos motivos para que a terapia com canabinoide ainda não é e amplamente divulgada pra doença de parkson, que ainda exista uma insegurança dos profissionais muitas vezes eh em relação a esse tratamento, né? E é o que mostra também a necessidade de investimento em estudos para que a gente consiga elucidar como que funciona o tratamento para o Parkinson utilizando canabinoides. Eh, desses estudos, um pouco mais de 10 estudos que que nós temos eh até hoje no mundo todo, qual é o problema?

A grande maioria deles, primeiro, estudos de curto prazo, dose única, uma semana, três, quatro semanas, na maioria deles, eh, pouquíssimo tempo de intervenção, ou seja, para uma doença crônica que acompanha o paciente a a uma década pelo menos ali da sua vida para eh para esses estudos que nós estamos falando, eh, uma semana ou uma administração única, vejam que é pouco. para se avaliar o impacto uma qualidade de vida, né? Já que o Parkinson ele não é só tremor, não é só rigidez. O parxo é o complexo de sintomas que afeta a autonomia e afeta a capacidade do paciente ter a sua rotina de uma forma adequada, uma qualidade.

Então, curto tempo de intervenção. Outra questão, a maioria desses estudos utilizou apenas o CBD, CBD isolado, né? E o que que eu falei para vocês antes? Não teve nenhum estudo para o Parkinson, que testou apenas CBD e demonstrou efeito sobre sintomas motores.

Todos os estudos que avaliaram o uso de CBD isolado demonstraram sim benefícios em sintomas não motores, como melhora do sono, como melhora de ansiedade, como eh a própria melhora de sintomas psiquiátricos envolve como a psicose e que pode acontecer em estágios mais avançados da doença. Porém, nenhum deles demonstrou eficácia para o tremor, rigidez, lentidão. Outra questão, os estudos que demonstraram eh eficácia em relação aos sintomas motores são estudos que utilizaram o THC. Porém, qual foi a problemática?

Além de curto tempo de estudo, uma problemática importante é qual a dose que foi utilizada. Então, nesses estudos que utilizaram THC, eh, em parte deles não se sabe qual dose foi, porque foram estudos em que, eh, foi por relato dos pacientes, foi por estudos em que a intervenção foi pela via inalada e não se sabia a quantidade presente de THC naquela planta utilizada. Ou seja, sabe-se que quando tem o THC tem melhores os sintomas motores da rigidez, do tremor, porém não se sabe o quanto de THC é necessário para isso, tá? Eh, então vejam que é bem complexo por falta de evidência em relação à dose, por se utilizar as substâncias apenas isoladas, principalmente o THC, e nas próprias ferramentas utilizadas nesses estudos, né, como, por exemplo, avaliar apenas a disinesia e nós não termos ali um resultado sobre outros sintomas da doença, sobre a qualidade de vida do paciente.

estudos voltados para essa complexidade como um todo, pensando em protocolos em que a gente consiga melhor definir doses, nós tivemos alguns agora bem mais recentes, então principalmente a partir de 2024. Mas eu quero trazer para vocês aqui rapidamente o gráfico que foi um dos primeiros que demonstrou benefício motor. É um estudo de 2014. Eh, nesse caso nós não sabemos qual foi a dose de canabinoides que os pacientes usaram, porque foi pela vinatória, como eu comentei, né?

Um total de 22 pacientes, então uma amostra pequena de pacientes que tinham parks e participaram. desses 22, 15 pacientes eh não tinham ainda estágios off, ou seja, estavam num período em que a levodopa estava em sua maior eficácia e outros sete pacientes, esses sentiam flutuações motoras, entravam em períodos off. Eh, o que que esse estudo mostrou? que principalmente em pacientes que estão com a terapia estável com a levodopa, que não apresentam essas flutuações motoras, eh o uso inalatório de cannabis, TCBD, não se sabe que dose, eh teve uma redução, uma redução eh significativa dos sintomas motores, demonstrado pela principal ferramenta utilizada tanto clinicamente quanto em estudos eh para avaliar a doença de Parkinson.

Então, quer dizer, a partir daqui a gente já entende que sintomas motores a gente tem que considerar além do CBD, né? Então, mais do que isso para se atingir eh benefícios para os sintomas motores. A partir disso, nós realizamos eh foi um estudo realizado lá antes até do do meu mestrado, um um estudo de caso que eu realizei com uma única paciente, eh, e que eu achei interessante trazer para para vocês, eh, visualizarem, eh, pra gente entender que a dose muitas vezes ela também é importante. Como eu comentei para vocês, nós estamos falando do sistema endocanabinoide, que é um sistema de modulação.

Então, o quanto que nós precisamos modular a resposta do sistema endocanabinoide sobre eh o que nós administramos para estimular sistema, não é? E e quanto mais eu aumento a dose, mais eficácia eu tenho. Nós temos uma resposta no que chamamos de u invertido. Que que significa?

Existe uma dose ideal, uma eficácia máxima para aqueles canabinoides atuando sobre esse sistema. Ou seja, quando eu passo dessa dose máxima, eu posso promover efeitos adversos, além de poder perder eficácia. Então, eu tenho que trabalhar numa faixa de dose que é individual entre os pacientes e muitas vezes essa dose é pequena. Vejam esse caso desse estudo de caso que foi realizado lá em 2018, né?

Então, o que que nós fizemos aqui? Eh, essa paciente, ela tem Parvison na época em estágio três, ou seja, já estando entrando num estágio mais grave da doença pela escala de ruin ar, eh, com comprometimento de equilíbrio bilateral, com bastante limitações no dia a dia, muita rigidez, especialmente rigidez. Eh, e nós fizemos um teste com ela. Então, antes de fazer o tratamento, nós colocamos um sensor na perna dessa paciente, na região ali, eh, da coxa, eh, e, e, e da, da, da da da canela da paciente também, para que nós pudéssemos medir a capacidade dela, realizar uma flexão de quadril, levantar a perna e baixar, levantar e baixar.

Que que nós temos aqui? Vejam nessa imagem. Nós fizemos pra coxa esquerda, eh, deixamos essa paciente um tempo de 1 minuto, 9 segundos e 3 milésimos, tentando realizar o movimento. Isso foi no dia 12 de junho de 2018.

Essa paciente, essa linha aqui, ela tentando realizar um movimento. Aqui no eixo Y, nós teríamos a amplitude do movimento dela em relação ao tempo. E nós temos aqui, veja, uma linha trêmula repa, essa paciente com o seu pé grudado no chão sem conseguir levantar. Então, ela não tinha eh capacidade de levantar a perna do chão durante esse primeiro minuto.

Fizemos um tratamento com um extrato de de cannabis para essa paciente que nós dosamos e esse extrato tinha uma dose de 250 microg, 0,25 mg de THC para uma dose de 28 mg. Então, menos de um também eh de CBD por um mês e pedimos para ela repetir esse exercício. Vejam quantas repetições ela fez nesse gráfico de baixo. A gente pode contar pelo menos 15 repetições desse movimento de flexão do quadril.

E vejam o tempo. Então, quando nós tínhamos mais de 1 minuto aqui, nós temos um tempo, ó, de 29 segundos. Em 29 segundos, ela fez mais de 15 flexões de quadril. [limpando a garganta] Amplitude pequena pode ser, mas ela conseguiu fazer o movimento.

Então pense no impacto disso para o paciente no dia a dia. Paciente que não consegue dar um passo e agora ele consegue andar, por exemplo, da sala ao banheiro, né? E com menor dificuldade. Então é isso que a gente está falando, né?

qualidade de vida é capacidade do paciente fazer a sua rotina dele conseguir o máximo de autonomia possível. E aqui nós temos um estudo que nós também realizamos eh agora com um pouquinho mais de pacientes, seis pacientes, onde nós testamos essa mesma dose de THC, 250 mg, né, ou 0,25 mg, eh, outra dose de 1 mg de de THC para 112 microg. Então, nós temos em preto, em todos os gráficos, a linha com a dose menor de de canabinoides e a linha cinza com a dose maior de canabinoides. Nós testamos questão cognitiva porque existe aquele tabu, ah, canabis prejudica ou não prejudica a questão cognitiva, principalmente pensando em idoso, né?

Então, testamos em seis pacientes, três com uma dose, três com outro e verificamos que foi seguro. Nós tivemos inclusive ali, eh, incremento nessa questão cognitiva, até uma leve melhora nessa questão com a dose menor de canabinoides. É, nós fizemos também o teste pra avaliar, é, a questão de sonolência de urna, que também é algo que pode acontecer a partir do uso de canabinoides, principalmente THC. Verificamos que não interferiu também nenhuma dose, nem outra.

E nós tivemos uma melhora na questão da gravidade de insônia para ambas as doses. Vejam como as as linhas se reduziram. Então nós tivemos uma melhora da gravidade de insônia, os pacientes passaram a dormir melhor, né? Ou seja, tivemos benefício não motor nesse caso, para esses pacientes.

A partir disso, nós passamos a executar, agora que eu já tô falando um trabalho do meu doutorado, do qual o paciente que eu mostrei o vídeo lá no início fez parte, eh, que é sim agora um estudo robusto, com o melhor protocolo de pesquisa clínica possível, eh, que é o protocolo preconizado para registro, por exemplo, de um medicamento na visa, né? Então, estudo duplo cego, randomizado, controlado por placebo, né, no qual a equipe não sabia qual paciente usou placebo, qual paciente usou canabinoide durante todo o estudo, eh, que nós tivemos uma amostra calculada de pacientes, n, então o protocolo mais rígido possível de acordo com as normas éticas, para que a gente conseguisse evidenciar eh a eficácia, né, se há alguma aplicação realmente do uso de canabines. Então, como que esse estudo ele foi conduzido? Participaram desse estudo 68 pacientes que foram divididos em dois grupos.

Essa divisão foi de forma aleatória, baseada em critérios para que os dois grupos fossem homogêneos em relação a número de homens e mulheres, à, a estadiamento da doença, eh, uso de alguns medicamentos para o Parkinson, né? Eh, e a partir dessa divisão em dois grupos, no qual o primeiro grupo de 38 pacientes que receberam então uma dose diária de 50 mg de CBD mais 5 mg de THC ao dia e o outro grupo com 30 pacientes no qual os 30 receberam place. Nesse caso, nós utilizamos os as substâncias isoladas, então era somente CBD e THC para sabermos se essas substâncias elas são capazes de modular esse sistema e trazer essa melhora eh da gravidade dos sintomas para o paciente. Esses pacientes receberam esses tratamentos com os canabinoides ou algum placebo durante um período de 6 meses.

E nesses 6 meses eles foram avaliados inicialmente depois de 30, de 90, de 180 dias, eh, para sintomas motores e não motores. Então, nós avaliamos eh a gravidade da doença, qualidade de vida, os sintomas motores em específico, agilidade, questões de sono, de ansiedade, depressão, de dor. E a partir dos 6 meses de estudo, quando encerramos o sexto mês, todos os pacientes tiveram a oportunidade de receber o tratamento com os canabinoides, independente de qual grupo eles tivessem. Então, todos receberam um novo termo de de consentimento e quem quis seguiu no estudo por um período que nós completamos agora de mais 2 anos em estudo aberto, no qual nós avaliamos esses pacientes trimestralmente e agora semestralmente.

É, e todos eles seguem em tratamento. Então, o que que nós tivemos aqui? Principais resultados, né? Então, pensando na questão motora mesmo e gravidade dos sintomas, primeiro, nós tivemos diferença entre homens e mulheres, tá?

Então, o que que nós tivemos? Eh, as mulheres que em relação à flexibilidade tiveram alguns ganhos a mais, principalmente flexibilidade de tronco. Mas aqui pensando na principal escala, que é uma escala motora, né, na gravidade dos sintomas motores, da rigidez, hidradinesia, né, da do próprio tremor, que que nós tivemos aqui olhando homens contra mulheres, né, comparando homens e mulheres, independente do grupo, se foi placebo ou tratamento, eles se comportaram iguais. E aí o que que nós fizemos?

Nós separamos todos os homens em um grupo, todas as mulheres em outros. Para os homens, nós separamos quais os homens usaram placebo, quais os homens usaram os canabinoides e as mulheres fizemos a mesma coisa. E aqui nós comparamos tratamento com placebo versus tratamento com canabinoides. Que que nós observamos?

Os homens com 30 dias de tratamento, apenas os homens que utilizaram os canabinoides já tiveram melhora dos sintomas motores e as mulheres tiveram essa melhora um pouco mais tardiamente com 90 dias de tratamento, mas elas também tiveram essa melhora. Todo, independente de homem ou mulher, quem estava no grupo placebo, apenas na última avaliação é que elas tiveram uma diferença do seu estado inicial no estudo, né? Então, uma pequ uma melhora eh significativa no na última avaliação. Não sabemos exatamente os motivos.

Hipóteses é que, por exemplo, todos eles sabiam que nessa data da última avaliação eles todos receberiam o tratamento com canabinois. Então, pode ser um motivador que dá mais força de vontade, mais ânimo, enfim, para realizar as atividades, né? Não sabemos, mas nós seguimos acompanhando e eu já vou mostrar eh um segundo gráfico que vai deixar, digamos assim, eh trazer mais a evidência como esse tratamento fez uma diferença na qualidade de vida desses pacientes. Aqui em relação à flexibilidade que eu comentei para com vocês, né?

Então, os homens que esse gráfico há na linha preta é o placebo, na linha é verde são os canabinoides, não teve diferença nenhuma, seguiu evolução normal. As mulheres que utilizaram os canabinoides, a linha verde, vejam que ela não só se manteve como teve um aumento, um aumento leve ali, né? Então, aumentou até um pouquinho a flexibilidade. Enquanto as mulheres na linha preta que utilizaram placebo, elas tiveram inclusive uma queda de flexibilidade ao longo dos 6 meses e isso foi significativo.

Outro detalhe importante, lembra que eu falei que todos os pacientes seguiram o tratamento depois que se encerrou a etapa com placebo? Independente do grupo que eles estivessem, eles tiveram a oportunidade de realizar o tratamento. Hoje a gente já completou dois anos, mas essa avaliação que eu tô trazendo para vocês, que não tá publicada ainda, é uma avaliação inédita, eh mostrou um período que nós tivemos de washout, ou seja, uma retirada inesperada nesse caso, né? Então foi uma retirada do medicamento de forma involuntária por um período em torno de 20 dias.

que aconteceu entre 1 ano e 1 ano e 3 meses. Então, entre o 12º, 15º mês eh de tratamento desses pacientes. Faltou produto, nós tivemos problema na importação, que para estudos clínicos com cannabis é outra questão bastante importante que inclusive daria uma próxima aula, né, eh, falar sobre essa dificuldade dos estudos com a cannabis. Mas enfim, tivemos dificuldade na importação, liberação do produto, atrasou 20 dias e esses pacientes ficaram esse tempo sem medicamento.

Conclusão, chegou na data da avaliação, os pacientes vinham bem. Vejam esse gráfico de cima. Então aqui nós temos a evolução dos sintomas motores do paciente. Quanto menor for a linha que nós estamos falando, né, eh, melhor o paciente está, menor a gravidade do paciente.

Ou seja, os pacientes vieram reduzindo, reduzindo a gravidade dos sintomas motores ao longo dos meses. Vejam que aqui nós temos quase junto linha, as duas linhas, né? Tô considerando ainda em verde o grupo que começou já se meses atrás o tratamento com com canabinoides em preto, o grupo que iniciou agora o tratamento com canabinoides. Então esse primeiro pontinho aqui é o ponto zero aqui.

Todo mundo começou o tratamento. Então o grupinho verde aqui já já fazia e continuou. O grupo preto começou aqui e veja o que aconteceu com o grupo preto baixou imediatamente a linha foi melhorando, melhorando, melhorando ao longo dos próximos seis meses. E o grupo que estava já tomando antes também seguiu melhorando.

Faltou produto. O que que aconteceu? Próxima avaliação, ó, chu. Subiu a linha.

subiu a linha porque esses pacientes começaram a ter uma percepção de piora dos seus sintomas motores e os pacientes vinham na avaliação falando: "Faltou medicamento, eu piorei, eu não posso ficar sem esse medicamento porque os meus sintomas estão voltando, né?" Ou seja, os pacientes passaram a perceber melhor a motora eh a partir desses pontos. No gráfico de baixo aqui eu estou falando sobre a gravidade da doença como um todo, né? Então aqui também avalio com a ferramenta que é a escala unificada de avaliação da doença de Parkinson, né? Essa escala ela é padronizada mundialmente para acompanhar os pacientes e paraa pesquisa também.

E vejo que aconteceu a mesma coisa. A gravidade da doença como um todo vinha melhorando discretamente para todos os pacientes. Faltou o produto. Vejam como teve uma grande piora significativa na percepção do paciente e nas avaliações objetivas que nós fizemos com essa escala em relação à gravidade da doença.

Então, mostrando que sim, esse estudo demonstrou benefício do uso de CBD e THC para tratamento da doença de Parkinson. De forma geral, vamos falar sobre a utilização da cannabis na prática clínica, no tratamento da doença de Parkinson. Quais são as estratégias e aplicações que nós temos aqui? Primeiro, nós temos diferentes quimiotipos, né, de de cannabis, né, que podem ser utilizados de acordo com a situação.

Inclusive aqui no curso, nós temos uma aula dedicada a isso, né, que vocês podem entender melhor. Mas nós temos lá, vamos pensar eh no quimiotipo um, né? Nós temos quimiotipo um, nós temos quimiotipo dois, quimiotipo três. Quimiotipo um, nós estamos falando de predominância do THC.

né? Então são plantas, são genéticas que nós temos maior concentração de THC ali. Quando nós falamos da doença de Parkinson, o que que nós estamos esperando, né? Quais são os efeitos esperados?

Um efeito mais sedativo, mais de relaxamento e redução dos sintomas motores. Sim. Então, os únicos estudos que demonstram eficác sintomas motores usam THC, tá? Quais são os riscos?

dose dependente. Então, os estudos até hoje não mostraram eh efeitos adversos graves, né, na maior parte das vezes. Eh, o que traz ali um perfil de segurança muito bom para o uso de canabinoides na doença de Parkinson. Eh, pacientes com dor, com bastante tremor, com rigidez muscular, com dificuldade em pegar no sono.

Todos pacientes que podem se beneficiar aqui. O quimiotipo dois é uma um quimiotipo que tem um equilíbrio entre CBD e THC. Então, digamos, eh, são quimiotipos ali que é um para um, em média ali a quantidade CBD e THC. Aqui nós temos alguns casos mais específicos de acordo com a necessidade do paciente que o paciente também pode se beneficiar.

E nós temos o o quimiotipo três com predominância de CBD. Então veja, muito associado nos estudos clínicos, com redução de ansiedade, de depressão, melhora a qualidade do sono, redução dos sintomas neuropsiquiátricos no geral, né? Vamos pensar até na psicose, na questão cognitiva. Então nós temos muitos benefícios também do CBD para a doença de Parkinson.

De forma geral, que que nós vamos tirar disso? Tudo que nós conversamos aqui sobre o Parkinson, o sistema endocanabinoide, sua modulação em relação à doença de Parkinson e os estudos clínicos. é que primeiro, quem respondeu mais facilmente ao uso de canabinoides dentro desses estudos, né? Primeiro de tudo, pacientes que têm fenóticos mais inflamatórios, né?

Então, pacientes com que apresentam eh mais sintomas não motores, mais depressão, mais ansiedade, distúrbios do sono, né? eh pacientes mais jovens e com menor tempo de evolução da doença. Eh, e os pacientes que aderiram de uma forma adequada ao tratamento, não só ao tratamento com canabinoides, mas também ao tratamento convencional. Então, de forma geral, esses são os pacientes que responderam mais facilmente.

Os outros não não se beneficiam, não. Os outros não, a gente não consegue trabalhar, consegue ir muito, muito bem. né? O que que nós precisamos aqui?

Os outros pacientes que tem o diagnóstico já há muito mais tempo, que já tem mais dificuldade em relação a efeitos adversos, maior gravidade dos sintomas, né? Tempo de evolução da doença, esse é um perfil de pacientes que a gente tem que ter mais atenção, que a gente tem que ter ajustes mais finos em relação a qual caninoide, qual a proporção, né? que dose posologia nós vamos utilizar para esse paciente. Então, pra gente melhorar e ter ganhos em relação à eficácia, aqui a gente vai ter esse grupo de pacientes.

A gente precisa dedicar uma atenção maior. E claro que pensando em relação a efeitos adversos, hoje a gente não tem assim relatos ou descrição de efeitos mais graves, né? a sonolência, a fadiga, a dor de barriga que pode surgir ali, eh, tontura, alguma, alguma instabilidade postural no começo do tratamento, eh, alguma taquicardia que aí a gente tem que observar, né, inclusive que drogas e outros problemas esse paciente eh já tem de base. É, e muito importante questão de interação medicamentosa, né, para pensarmos na segurança do paciente.

Por importante frisar, destacar aqui que apesar de nós termos toda essa questão modulatória, uma segurança já descrita, CBD e THC possuem sim muitas interações medicamentosas e elas precisam ser sim consideradas quando nós vamos utilizá-los como estratégia terapêutica. Isso para garantir segurança em primeiro lugar e depois pra gente garantir a maior eficácia possível e oportunidade de manejo do tratamento desse paciente. Então, basicamente, como que a gente vai escolher a formulação? de acordo com o nosso objetivo terapêutico, de acordo com o perfil do nosso paciente, com as características da formulação.

Então, a gente precisa observar, inclusive questão de garantia de qualidade do produto que nós podemos utilizar, eh, início e a duração do efeito, né? avaliar os efeitos que esse paciente apresenta para que a gente consiga fazer a titulação adequada e o monitoramento de segurança e eficácia. Então isso quer dizer que não existe um produto único que vai tratar todos os pacientes com Parkinson. Infelizmente a gente tem que eh trazer, infelizmente ou felizmente, né, é que cada paciente vai responder a um produto que vai atender a seu Parkinson.

Por quê? A gente fala, brinca, né, hoje que cada um tem o seu Parkinson. Um tem o Parkson e não tem tremor, o outro tem. Um tem o Parkson e tem uma depressão profunda e o outro não tem.

Então, cada um tem o seu conjunto de sintomas. de acordo com o seu conjunto de sintomas e aquilo que mais afeta na sua qualidade de vida, é o que vai me dizer qual formulação que eu vou escolher. Então, não existe uma receita de bolo de como escolher a formulação, qual formulação escolher. existe, qual é o perfil do meu paciente, qual o objetivo terapêutico, né, e essas características como um todo para que eu consiga aí sim eleger o melhor tratamento para aquele quadro em específico, tá?

E isso tem que ser feito com consciência, pausado em tudo isso, pautado, né, em tudo isso que a gente conversou. Então, a melhor formulação não é aquela que tem mais CBD ou mais THC, é aquela que atende as necessidades do paciente certo, no momento certo e com o acompanhamento clínico adequado. Essa é a lição que nós temos da aula de hoje. Para finalizar, eu vou passar um vídeo de um relato de um outro paciente da pesquisa.

Esse paciente ele completou agora eh os os 2 anos e meio no total, né, de de intervenção, 6 anos em que nós tivemos intervenção do plus com placebo, mais 2 anos de tratamento. Esse vídeo ele foi gravado no mês de julho de 2026. Então, é um vídeo para e esta aula recente para que a gente consiga entender um pouco mais a experiência desse paciente, tá? Aqui nós temos um paciente, só para vocês entenderem, um paciente que sofre com muita flutuação motora, períodos off, então períodos desligados.

E vocês podem observar na imagem que ele tem de sinesia induzida pela levodopa, esses movimentos que ele faz de cabeça, de braço, de perna e que são involuntários, né, e que ao início do tratamento eles eram extremamente exacerbados e hoje estão como vocês vem aqui. Então quero que vocês escutem o relato desse paciente pensando não apenas no que ele tá apresentando de sintoma, mas nesse relato do como que o uso dos canabinoides interferiu na qualidade de vida e na sua percepção em relação a si próprio a partir desse tratamento. Olá, a gente tá aqui com o seu Carlos Alberto. Sou Carlos Alberto é um paciente portador da doença de Parkinson e ele tem feito tratamento com canabinoides THC e o CBD há 2 anos e meio.

E eu tô aqui para perguntar pro senhor o que que o senhor teve com com o uso do dos canabinoides. Foi que me sobrevivi de novo com isso aí melhorei 80%. >> E em quais quais questões que o senhor achou que melhorou? E tudo, fisicamente, moralmente, eh, tudo isso aí ajudou.

Hoje tava uma meia hora, uma hora por dia, mais ou menos. Mas estô, tô bem, ótimo. >> Conta pra gente que sintomas que o senhor tinha e como que era viver com Parkson antes de fazer o tratamento com canabinoide. A cabeça da gente ficava louca porque saía, vai travar, vai travar e complicou.

14ª aula — Epilepsia e a Cannabis sativa L. - Dra. Kassia Martins

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Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Eu sou a Gabi da Inese. Tô aqui para apresentar mais uma das nossas aulas.

Aula que a gente vai falar sobre epilepsia, inclusive um dos temas aí é do um dos primeiros temas, uma das primeiras eh patologias em que foi descoberto que a cannabis é aliada. Eh, inclusive faço aqui a menção ao professor Elisaldo Carlini, né, professor emérito da UNIFESP, eh que inclusive dá eh suporte ao início desse curso junto com o Padre Ticão. Então, hoje nós vamos falar desse tema. Para esse tema a gente vai receber a Cásia, a Dra.

a Cásia Martins, que já esteve com a gente aqui e em uma outra oportunidade. Quero agradecer a Cásia por mais essa eh participação no nosso curso. E quero aproveitar para dar um recado, né? Recado importante.

Aliás, eu tenho hoje mais que um recado. O primeiro é a respeito da 12ª aula. Então, ela foi retirada do ar por uma questão técnica. Ela não vai voltar por enquanto.

A gente vai substituir esse conteúdo. Então, a quantidade de aulas que estava prevista na grade vocês terão. E aí vocês não precisam se preocupar com a presença dessa aula. A gente pede desculpa pelo transtorno.

A gente vai tirar também o formulário do ar, eh, mas não vai ser contabilizada. Então, vocês fiquem bem tranquilos ao longo desse bloco. Agora que a gente fala da parte clínica, a gente vai repor essa aula. Eh, e então, eh, peço desculpa, a gente vai reordenar os números a partir de hoje, né?

Já estava gravada a aula passada, que era a 13ª, ela vai passar a ser 12ª e a aula de hoje é a 13ª. E aí a gente acerta o conteúdo até o final para que a gente tenha a quantidade de aulas previstas. Então, estamos combinados dessa parte. E aí queria lembrar vocês para quem já fez outras edições e até para quem vai tá fazendo pela primeira vez, que quem emite o certificado é o próprio aluno.

Então é sempre bom lembrar porque tem bastante eh solicitação e pedido na nossa caixa de e-mail, nos outros canais de informação. É, lembrando inclusive canais de comunicação, lembrando inclusive que o nosso canal oficial é o e-mail, mas a gente responde os outros eh espaços às vezes com um tempo um pouco maior, porque a nossa equipe é reduzida. Então, eh reforçando, né, para emitir o certificado, vocês entram no mesmo lugar onde vocês fizeram a inscrição com login e senha. esqueceu, dá para recuperar facilmente, inclusive pelo CPF.

E vocês emitem o próprio certificado das outras edições e o nosso vai ser a partir do final do ano aí quando a gente encerrar o curso. E aí para finalizar queria lembrar vocês curte, comenta, compartilha a aula, faz ela chegar a mais pessoas, se inscreve aqui para que a gente tenha um alcance maior e que a gente possa quebrar o preconceito e levar a informação de qualidade nos maiores espaços possíveis. Minha gratidão por todos estarem aqui. Espero que vocês gostem da aula de hoje.

Peço desculpa mais uma vez pelo transtorno da 12ª aula e a gente se vê então na próxima quinta-feira. >> Oi, gente, tudo bem? Boa noite. Hoje a gente vai ter uma aula sobre canabisativa na epilepsia, né?

A gente tá entrando no segundo mês do curso da 14ª edição do curso Uso terapêutico da canabis sativa, eh, promovido pela UNIFESP, o curso do Padre Ticão. Quero agradecer mais uma vez o convite, a organização, a parceria e a todos que assistem, que participam. Espero que vocês consigam aproveitar bastante. Eh, deixa eu colocar minha apresentação aqui, né?

Então, para quem não me conhece, eu sou a Cátia Martins Fernandes Pereira. Eh, eu dei duas aulas anteriores aí, eh, voltem lá para assistir sobre as aplicações terapêuticas, interações medicamentosas e também sobre reações adversas, né? Já aprendemos coisas importantes sobre a planta cannabisativa e também sobre o nosso sistema endocanabinoide ou o nosso endocanabinoido. E agora vamos falar dessa condição clínica, eh, onde a gente tem maior rubistez de estudo científico e evidência clínica e científica sobre a aplicação da cannabis nessa condição.

Eh, antes de entrar na epilepsia de fato, né, vamos tentar entender o que é uma crise epilética. Então, uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, né? A os neurônios em atividade normal conseguem ter uma comunicação controlada, irregular e acontece alguma coisa que vai desestabilizar e tem uma descarga elétrica anormal hipersincronizada. E é uma manifestação clínica que desenvolve como crise, né?

Eh, a gente não usa o termo de convunção, mais eh, a gente usa crise epilética, né? Eh, então essas crises podem ser breves, segundos ou prolongadas, durarem até minutos, né? E o sintoma vai variar qual que é a área do do cérebro que foi afetada. E também o tipo de crise é de acordo com a área que que esses neurônios receberam essa descarga elétrica irregular.

Então o início focal ou parcial, ela ela começa em uma área específica, a consciência fica preservada e o sintoma vai variar de acordo com a área que foi afetada. E o generalizado é quando mais de uma área do cérebro eh acontece esse essa descarga normal, né? Então, os dois lados do cérebro eh tem esse esse foco, né? Então, a gente tem o tipo tônico clônica, a de ausência, a mioclônica, a atônica e a tônica, né?

Então, a que começa em um lado somente e ela pode evoluir pros dois lados do cérebro, então ela pode evoluir pro pro tipo generalizado, né? E também tem um início eh desconhecido que não dá para saber se ela é focal e depois foi pro generalizado. Existem alguns fatores que podem desencadear a crise, né? privação de sono, estress, febre, luzes, álcool e drogas, eh esquecer de algum medicamento ou alguma outra condição clínica.

O fato de ter tido uma crise epilética não necessariamente é um diagnóstico de epilepsia, né? Para ter o diagnóstico de epilepsia, normalmente eh precisa ter tido pelo menos duas crises não provocadas, né? Então, se o indivíduo toda vez que tem febre dispara uma crise epilética, não necessariamente esse paciente vai ter epilepsia, né? Lembrando, quem faz o diagnóstico é o médico, né?

Mas a epilepsia é uma condição neurológica, crônica que afeta aproximadamente 1% da população global. Apesar de ser um número que parece pequeno, é, o impacto é bastante importante, né, paraa sociedade, para pra vida do paciente, pra família do paciente, né? Então, eh, é precisa ter para pro diagnóstico, né, mais eh pelo menos duas crises não provocadas em menos ou em mais ou menos 24 horas ou outras coisas, né, ou outras maneiras de diagnóstico, tá? Eu não vou entrar em em detalhes sobre o diagnóstico porque isso é uma questão médica, né?

Então, tem alguns fatores desencadeantes que fazem essas alterações cerebrais, por exemplo, lesões, tumores em determinada região cerebral que vá provocar que vão provocar as crises epiléticas, infecções, AVC, por exemplo, né? E a causa genética, né? às vezes o indivíduo tem algum eh desarranjo na genética e aí ele tem eh uma condição de epilepsia de fator genético, né? E aí eh mas o que a gente sabe que existe um desequilíbrio na excitabilidade do cérebro, né?

Então a gente tem um um regulador do nosso cérebro, né? que o glutamato excita enquanto o a o gaba inibe. Então, quando a gente tá em equilíbrio, né, em excitação, inibição, a gente não tem a crise. Quando a gente tem um desequilíbrio e muitas vezes a excitação está exacerbada, é um fator de aumento de crise.

Então, a gente tem uma hipercitabilidade e uma hipersincronia. Os neurônios disparam em sincronia, gerando descargas elétricas anormais. E isso é uma propagação, né? Essa descarga é propagada em várias redes neuronais.

E aí a gente tem a descarga elétrica gerando sinais e sintomas variados, dependendo de novo da região do cérebro que é cometida. E aí a gente vai ter os tipos de crise, né, que são manifestadas às vezes, onde a gente consegue visualizar o paciente em crise e às vezes não, né? Às vezes o paciente dormindo eh em crise a gente só consegue identificar com com método de diagnóstico eh durante o sono, né? Eh, e aí a gente tem alguns mecanismos neurobiológicos envolvidos, né?

Então a gente tem os canais de íons, onde a gente consegue regular, né, a célula, o tanto que entra de sódio, de cálcio e de potássio. E isso aumenta a excitabilidade, não só com a com o glutamato, né? Então, ó, a gente tem os neurotransmissores excitadores aumentados, por exemplo, de novo, o glutamato. E enquanto que a gente tem os neurotransmissores inibitórios, por exemplo, GABA, eles são reduzidos, né?

Então, o GABA ele é um inibidor. Quando ele tá eh eh em em quantidade adequada, ele reduz essa excitação neuronal. Mas quando a gente tem essa essa descarga, né, anormal, a gente tem o gaba diminuído e o glutamato aumentado. E aí a gente tem uma sincronização anormal das redes, né?

ao invés do circuito funcionar eh de uma maneira eh organizada, eh as conexões elas ficam hiperativadas, isso promova uma crise e isso cria um processo de neuroinflamação, estress oxidativo. Então além dessa excitação exacerbada, a gente tem um processo de neuroinflamação e estress, né? Então, a gente tem formação de radicais livres, a gente tem aumento da processo inflamatório, isso também facilita a as crises. E a neuroplasticidade é normal, né?

a gente começa a ter uma reorganização dos neurônios diferente no cérebro e isso eh também prejudica, né, tanto o desenvolvimento quanto o funcionamento do sistema nervoso, né, do do cérebro do paciente. E aí que entra um fator importante, né, existe a epilepsia fármacorresistente ou conhecida como epilepsia refratária. Mesmo que o paciente utilize mais de um medicamento, muitas vezes dois, ou às vezes a combinação de três, e mesmo assim as crises não são controladas, ela é considerada uma epilepsia refratária, medicamentos convencionais ou fármacorresistentes. E isso é eh chega a ser 1/3 dos pacientes com uma epilepsia tem epilepsia fármacorresistente.

Então é um número bastante elevado, então a gente não consegue controlar as crises nem com medicamento, nem com mais de dois medicamentos, né? Então aí se considera epilepsia farmacorresistente, né? Então a as características clínicas são crises frequentes e refratárias a medicamentos. a gente não consegue controlar nem intensidade, nem o número das crises.

Isso gera o maior risco de lesões neuronais e declínio cognitivo, porque o cérebro tento, tá tentando eh manter o equilíbrio, diminuir, né, essa excitação. Eh, e aí aumenta o processo inflamatório, aumenta o estress oxidativo e aí aumenta o declínio cognitivo. aumenta a comorbidade psiquiátrica, né, atrapalha o desenvolvimento do indivíduo e tem o maior risco de sud, que é a morte súbita inesperada. Isso é um impacto importante na vida do paciente, da família e da sociedade, né?

Então, a gente tem algumas eh causas conhecidas eh que promovem, né, ou que explicam a epilepsia fármacorresistente, né? Algumas eh condições, né, eh são genéticas, né, mas o o que que a gente tem, né, quais mecanismos estão envolvidos nessa condição? Então, a gente tem o aumento de glutamato, de novo, excitação, a gente tem diminuição do gaba, que é um inibitório que poderia controlar essa excitação, mas ele não consegue. Então, a gente tem esse desequilíbrio, né, onde a gente tem a maior excitação e menor inibição.

Então, a gente tem eh o favorecimento das crises, a gente tem esse processo de neuroinflamação aumentado, né? Então, a gente tem citocinas pró-inflamatórias, por exemplo, interleocina 1 beta, interleucina 6, TMF alfa. Eh, isso mostrando que a gente tenha os astrócitos e as micróglias aumentando esse processo inflamatório, sustentando as crises. A gente tem a barreira hematoencefálica, né, que que protege o nosso sistema nervoso contra a toxina.

a gente tem essa barreira eh diminuída a permeabilidade, né? Então, a gente tem toxinas passando eh entre entrando no nosso sistema nervoso e aí isso vai eh causando esse processo inflamatório de toxicidade também, né? alguma os outros mecanismos que podem estar envolvidos é a PGP, que é uma glicoproteína que tá na na barreirinha, né, da tá na na membrana celular. E isso pode também eh fazer com que os fármacos não consigam eh atingir o local de ação, né?

Então eles têm uma quantidade reduzida de medicamento ali e ele não tem a capacidade de de fazer o efeito. E também hoje existem mais estudos mostrando que a gente também tem uma disbiose, né, quando a gente tem o processo eh da microbiota nossa intestinal, né, que hoje a gente tá tem ouvido falar muito de o nosso segundo cérebro, isso também faz com que aumenta a inflamação, aumenta a permeabilidade intestinal, isso altera a microbiota, né? a gente tem uma diminuição das bactérias eh benéficas e o aumento das bactérias maléficas e isso também eh cria um processo inflamatório, um estress oxidativo, um desarranjo no sistema endocanabinoide e uma excitabilidade neuronal. Então, alguns mecanismos que poderiam explicar por que acontece a a epilepsia fármacorresistente.

Essas imagens eu espero que ajudem vocês a visualizar essa essa teoria, né? Eh, e para vocês estudarem e isso servir como fonte de estudo para vocês. Eu vou disponibilizar o o PDF dessa apresentação. Fiquem à vontade, tá?

para para acessarem quando vocês quiserem. Qualquer dúvida podem me chamar. Eh, então aqui a gente tem, né, uma fisiopatologia integrada, essa visão integrada do que acontece, né, no cérebro, que a gente vai ter essa hiperestabilidade, o processo de neuroinflamação, alterar a rede neuronal. a gente tem a barreira hematoencefálica eh em disfunção, ela não tá conseguindo proteger mais, né?

Tá aumentando permeabilidade, entrando coisa eh que não era para entrar, saindo coisa que não era para sair, né? Essa desregulação da do intestino enquanto bactéria, né? Eh, a gente tem a diminuição dos ácidos gros, isso aumenta a permeabilidade intestinal também, isso vai influenciar no nosso cérebro. Então, a gente tem esse processo de inflamação, então aumentar citocinas pró-inflamatórias, né, os astrócitos e as micróglias, né, que são eh considerado nosso sistema imune do cérebro, né, eh o sistema hidrocanabinoide em disfunção também, né, tanto eh com redução de endocanabinoides, quanto aumento às vezes das enzimas que que degradam ou que eh a diminuição das que sintetizam o nosso endocanab e aí isso também tem uma uma um menor efeito neuroprotetor, que é uma das funções do sistema isocanabinoide, né?

Imagina se o nosso sistema isocanabinoide eh tá tentando regular, né? Então a gente também tem essa diminuição do do da neuroproteção, uma vez dessa dessa desse desarranjo todo da epilepsia fármacoesistente, né? Então a gente tem algumas abordagens terapêuticas, né? eh otimizar o uso de medicamentos convencionais antiepiléticos para ver se a gente tem esse controle nas crises.

Tem algumas terapias não farmacológicas, né, como a estimulação do nervo vago, estimulação cerebral profunda, cirurgia, né? Vai lá no foco e e tira aquela região que tá comprometida ou a dietas também, né? Dietas cetogênicas. tem bastante estudo hoje que tem eh tem demonstrado que controla e terapias adjuvantes, né?

Por exemplo, uso de probiótico ou prébiótico, modulação do sistema hidanabinoide, por exemplo, com a cannabis, né? E às vezes mais de uma terapia sendo utilizada no tratamento, na tentativa de controlar essa crise eh é de difícil controle, né? Então, a epilepsia fármacorresistente ou refratária, ela é multifatorial, né? Como a gente já falou ali, estérbio, sistema endocanabinoide, processo inflamatório, eh, intestino, né, o eixo intestino, cérebro, né?

Então, a gente tem envolve o cérebro, envolve sistema imunológico, envolve barreira biológica que tá deixando passar ou não deixa entrar o que precisa, sistema e microbiota. Então, quando a gente puder olhar eh ter uma visão mais ampla desse paciente, também vai ajudar a a tentar controlar essa esse desequilíbrio, né? Então, aí que entramos com a cans e aqui eu faço um paralelo, né? Lembra que nas minhas aulas eh eu sempre mostro o PBMED aqui a pesquisa quando a gente vai e estudar sobre alguma aplicação terapêutica, né?

A gente usa o PBMED como base de dados e a gente procura ehem eh em inglês, né, para que a gente tenha mais resultados, né? Então aqui quando a gente coloca cannabis, canabidiol e epilepsia, apareceram 531 resultados. E aqui eu chamo atenção para que um estudo de 1975 e o outro de 1973 sobre cannabis com uma atividade anti anticonvulsivante com o nosso querido professor Elisaldo Carlini, né? Então, a gente tem como pioneiro no estudo de cannabis na epilepsia um médico, um pesquisador brasileiro, né, da UNIFESP, que começou a utilizar eh a cannabis com olhar na epilepsia, tanto em estudo clínico com paciente, também com estudo utilizando o modelo animal de rato, por exemplo, né?

Então aqui a gente tem um pioneirismo de cannabis e de estudo de cannabis na epilepsia. E aqui o meu momento de gratidão às mães, né, e alguns pais, eh, que lutaram e que ainda lutam pela liberação da cannabis, especialmente na condição da epilxia, né? Então, se hoje a gente tá aqui falando de cannabis, eh se a gente tá com esse curso, eh, e se a gente tem essa evolução do uso medicinal da Cannabis, eh, graças a à luta dessas mães, eh, que tentaram, que tentam, que estão tentando salvar, entender, controlar as crises epiléticas, eh, as epilepsias fármaco-resistentes dos seus filhos. filhos com cannabis, né?

Então é é daqui que a gente viu e tem muitos resultados, né, que a gente chegou onde estamos hoje. Então aqui tentando entender o sistema hidanabinoide na epilepsia, né? Lembra que a gente olhou ali atrás toda todos os mecanismos que estão envolvidos e só olhando pro sistema, né, a gente tem eh essa hipercitabilidade neuronal. Então, lembra o excesso de glutamato e a diminuição do do GABA?

a gente tem indício que os nossos endocanabinoides estão reduzidos, a gente tem a ativação de receptor reduzida, a gente tem, por exemplo, eh, por exemplo, enzima PA, que é uma que degrada os endocanabinoides aumentado, então não deixa eh eles estarem controlado e aí a gente tem mais crise, né? Então, a cannabis, ela vai atuar de diversas formas, por exemplo, aumentando os endocanabinoides, eh ativando receptores e reduzindo a excitação, né? Então, aí a gente vai ter uma diminuição da na frequência das crises, na intensidade das crises, a gente vai ter uma diminuição da estabilidade neuronal, a gente vai ter uma neuroproteção, né? Então, a gente vai ter uma ação eh anti-inflamatória, né?

Lembra que a gente tem aquele processo de neuroinflamação, então a gente vai ter eh diminuir essa estação, diminuir o processo inflamatório, ter ação neuroprotetora, diminui crise, diminui a intensidade da crise e aí melhorar não só a crise de fato, mas a qualidade de vida desse paciente, né? Então, a gente sabe que na epilepsia o sistema endocanabenoide tá em desequilíbrio, né? E uma vez que a gente atua nesse sistema endocanabenoide através da cannabis, por exemplo, a gente diminui a estação, diminui frequência de frequência e intensidade de crise, né? Então, faz muito sentido além dessa regulação, né, da microbiota que a gente já tem estudos que demonstram isso, né?

Então, a na epilepsia a gente tem uma hiperestabilidade neuronal, a gente tem essas alterações dos canais de íons e de neurotransmissores que aumentam essa estabilidade. E quando a gente eh tem a modulação eh por exemplo, por via da cannabis, né, a gente vai ter uma regulação. Então a gente consegue através da cannabis ter a regulação do cálcio e do glutamato, né, principalmente através do receptor transitório vanilo tipo 1, TR TRPV1. A a ativação desses canais vai promover a liberação do glupatamato e o aumento do cálcio, gerando a estabilidade.

E quando a gente atua com o CBD, por exemplo, a gente vai dessensibilizar esses canais normalizando a quantidade de cálcio dentro da célula e normalizando a quantidade de glutamato. Então, diminuindo o processo excitatório. O CBD também afeta receptores de serotonina, por exemplo, o 5HT1A e o 5HT2A, os receptores opioides, o receptor acoplado à proteína G, que é o GPR5, todos também envolvido nessa nessa modulação da transmissão sináptica e aí diminuir a suscetibilidade de crises. Eh, então o mecanismo ou os mecanismos responsáveis por diminuir crises são mulfatoriais, né?

envolvem não só os receptores específicos do sistema endocanabinoide, mas esses receptores como GPR5, TRPV1, que vanilo o o dos canais de cálcio, né, que que é o TRPV1, que é o vaniloide, e também potencializar a a através dos receptores de adenosina e aumento da transmissão gabaérgica que é um inibitório. e assim a gente diminui o processo excitatório, né? Então aqui eh eu pedi pro nosso amigo chatt fazer eh um desenho, né, uma imagem, um esquema, baseado nos estudos, né, eh na teoria que tem sobre isso, para que a gente consiga visualizar melhor, né? Então aqui a gente pensa, né, na epilepsia sem tratamento, a gente tem as alterações desses canais, né, que o cálcio e o glutamato estão com essa hipercetabilidade neuronal, né?

Então os vaniloides ali estão ativos, aumentando o cálcio intracelular, aumentando o glutamato, né? Isso aumenta a quantidade de estação, né? Eh, e um desequilíbrio iônico e o de neurotransmissores, né? Então, é uma hipersensibilidade neuronal a ocorrendo as crises etogênicas, né?

E aí quando a gente entra com o CBD, por exemplo, né, que é um antagonista do GPR5, ele vai deses destensibilizar o receptor vaniloide, né? Então, vai regular a quantidade de cálcio e de glutamato, né? O outro fator também, ele pode potencializar a adenosina, que também tem um efeito anticonvulsivante, e aumentar o nosso neurotransmissor inibitório, que é o GABA. E aí ele consegue controlar e normalizar essa excitabilidade neuronal.

E aí a gente tem uma redução das descargas, então eh diminuindo tanto a frequência quanto a intensidade das crises, né? Então aqui, isso é mostrando, né, através do receptor vaniloide. Eh, e também aqui às vezes eh pelos receptores, né, da 5HT1A e 5 HT2A, terotono inérérgicos, né, receptores opioides também e eh receptor GPR5 também como antagonista, é reduzindo esse processo inflamatório e de excitabilidade. E também temos estudos mostrando que o CBD vai ajudar na regulação dessa microbiota e diminuir eh o processo inflamatório, a melhorar a neuroproteção e também modular essa excitabilidade neuronal, né?

Então aqui a gente pode ver eh a de diferentes formas o CBD pode diminuir a estabilidade neuronal, não via um receptor só, mas de diversos mecanismos, né? no antagonismo do GP5, desibilizando o receptor vaniloide, eh, regulando a adenosina, aumentando o gaba e aí vai diminuir o glutamato que é através eh do 5HT1A e 5HT2A, que tem um efeito ansiolítico e de diminuir aitação também e a neur melhorar a neuroproteção, né? e os opioides e o GPR5, diminuindo a estabilidade, o processo inflamatório, tá bom? E aqui também mais uma imagem, né?

Lembrando que a gente utiliza a flor, os tricô, mas nisso vocês aprenderam muito bem, né? E aqui a gente tem a cannabis com diversos eh componentes, não só o CBD, né? mas o CBD como um o canabinoide mais estudado, mas hoje a gente sabe que outros canabinoides também têm essa ação, né? Eh, essa eh potencial mecanismo de regulação e de diminuir crise.

Terpenos, a gente também tem estudos plavonoides, a gente também tem estudos, né, que tem uma ação antioxidante, anti-inflamatória e anticonvulcevante, né? Outros estudos ainda mostram até que a clorofila tem potencial terapêutico, né? Então aqui estou mostrando os diferentes métodos de tração, né, e as diferentes formas farmacêuticas, né, que a gente tem, que vocês já tiveram aula sobre isso. Eh, e aqui eu coloquei alguns estudos, né, lembrando que a gente tem na epilepsia a maior evidência eh científica publicada de aplicação de eficiência e de segurança, né, eh, de cannabis na epilepsia.

Mas a gente, vocês eh vão começar a ver aí que tem outras indicações aí, né, que a gente já tem bastante estudos também, mas aqui é um estudo em modelo animal, né, o modelo animal zebrafish ou zebra fish ou paulistinha, que é um peixinho, né? Eles eh fizeram nesse estudo eh um um mutante, né? Por exemplo, a síndrome de Dravê é uma eh epilepsia fármacorresistente genética, né? Ele tem uma alteração num gene.

Então eles fizeram isso em laboratório, né? Eh eh tornaram esse peixe eh parecido com a síndrome de Dravê através de manipulação genética. E aí eles trataram eh esse peixe mutante, né, com eh eh componentes da cannabis. Então eles testaram CBD, THC, TBDV, TBN terpeno, né?

E aí eles também fizeram eh com com um peixe normal, né, assim, sem manipulação genética, mas eles colocaram um composto que gerava uma crise parecida com uma crise epilética. E aí eles viram que tinha efeito de diminuir a crise, né? E todos eh esses componentes mostraram, né, eh uma eficácia significativa na redução da crise epilética, né, eh no modelo eh genético, por exemplo, o CBN foi o composto mais eficaz, mas o CBD, o THC e o Linalol, que é o terpeno, também mostraram eficácia significativa. e aquele que foi induzido à crise e de maneira química, né, através do PTZ, dessa substância que eh gera uma crise que parece uma crise epilética, eh o CBD e o THC foram eficazes na redução da crise, né, e os compostos foram bem tolerados em doses baixas.

Eh, outro estudo, né, aqui também com zebrafich, esse modelo animal, né? Então, esse aqui não teve a manipulação genética e sim induzido pelo PTZ. Essa substância que promove uma crise que parece, né, eh ele se movimenta e tem essas descargas neuronais que parecem anormais, né, que parecem uma crise. Então eles testaram fitocanabinoides de novo, né, não só o CBD.

Então eles testaram eh CBD, CBC, CBN, THC, CBG, né? E o que que eles viram? Que o CBD, o CBC e o CBN foram os mais eficazes em doses baixas. Eh, quase não apresentou um sinal de sidação para esses peixes, pelos animais.

O CBC, eh, foi eficaz, eh, foi eficaz mesmo não se acumulando, né, no tecido, né? Então, lembra, né, que os canabenoides eles se acumulam no tecido e e eles vão e faz esse efeito, né? Então, mostrando que mesmo que não teve uma absorção eh muito forte, ele foi eficaz na redução de crise, né? O THC, tanto delta9 quanto delta8 reduziram as crises, mas uma concentração mais alta, né?

E precisou ter eh esse acúmulo tecidual maior para gerar esse efeito, né? Ou seja, eh teve que utilizar mais dose, né? Eh eh mais vezes, né? Aquela dose sendo utilizadas mais vezes, né?

Para se acumular e promover o efeito. O CBG apresentou um efeito bimodal. Que que é isso, né? Numa dose de 2 micromolar, por exemplo, ele aumentou a movimentação.

É como se ele estimulasse a crise, mas numa dose, o dobro numa dose maior, ele reduziu o movimento, ele reduziu a crise, né? Isso é comum, né? Lembra que a gente falou de dose, né? Que que é muito eh importante, né?

a dose, às vezes que a gente pasta, a gente vai ter um efeito contrário, um efeito ruim de potencializar o sintoma e não de melhorar, né? Isso a gente vê muito em estudos em animais, né? Esse efeito bimodal, numa dose ele melhora, numa dose o dobro da dose ele prejudica, por exemplo, né? Ou ao contrário, depende de cada comp eh substância, né?

E eles também dosaram os endocanabinoides, né, desses peixes, né? Então eles viram, ó, de fato, né, que os nossos endocanabinoides estão envolvidos na crise, né? Então o 2G ele reduz a hiperatividade, né, e também tem um efeito sedativo, enquanto a nandamida aumentou e teve um efeito, mas não teve efeito na redução das crises. Então, mostrando que o 2 a G parece ter mais a ver, eh, tá mais relacionado ou ele se altera mais na crise, né?

E aqui é um estudo de, né, eh eh com pacientes agora, né, um um estudo muito importante, né, com 214 pacientes, né, de 1 a 30 anos em 11 centros de epilepsia nos Estados Unidos. Eles testaram somente o CBD puro, né, chamado epidiolex, mas é um CBD puro, né? E eles testaram eh em doses diferentes, né? Eles vão aumentando a dose e escalonando a dose até chegar numa dose máxima e avalia o o efeito, né?

Então, após 12 semanas de tratamento, eh, houve uma redução média de 36.5 5. Na frequência mensal das crises, aproximadamente 39% dos pacientes tiveram uma redução de 50% ou mais nas crises em 12 semanas de tratamentos de pacientes com epilepsia fármacorresistente, né? Esses pacientes eh utilizavam também outro medicamento anticonvulsivo, anticonvencional, né? E aqui eles mostram, ó, que os que utilizavam Clobazan junto com o canabediol tiveram uma taxa de resposta melhor, né?

Então, 51% ali, eh, que utilizavam junto de melhora, né? E os efeitos adversos, 79% dos pacientes apresentaram efeitos adversos, mas efeitos adversos toleráveis, né? sonolência, diminuição do apetite, diarreia, fadiga e também convulsão, né? E isso aqui é importante mostrar.

Lembra que na aula de interação medicamentosa, né, quando a gente tem o uso de cannabis ou de canabidiol com clobazã, a gente também aumenta a possibilidade de efeitos adverso, né? Então, por isso que a gente precisa acompanhar a e monitorar efeito e dose. Um outro estudo clínico com paciente, nesse caso, é a a eh epilepsia fármacorresistente a síndrome de Dravê, né? Uma síndrome genética rara, complexa, ah, associada ao gene SCN1A, alta taxa de mortalidade, né?

E por isso a importância do estudo e do uso de cannabis nesta condição. Então esse estudo foi feito com 12 crianças e jovens entre 2 e 18 anos, eh, que utilizavam o CBD ou placebo adicionados ao tratamento antieplético padrão convencional, né? Então, o que que eles viram? Então, de novo aqui, só o CBD, tá?

Só o canabidiol. Então, a frequência média mensal de crises caiu de 2,4 para 5.9 no grupo CBD, enquanto que o grupo que não usou CBD teve uma queda mínima de 14.9 para 14.1, né? No grupo do CBD do canabidiol, 5% dos pacientes ficaram totalmente livres de crises. Eh, a perguntaram, né, pros cuidadores, né, o que que eles observavam da condição geral do paciente.

Eh, 62% desses cuidadores do grupo que utilizava, que utilizou CBD, relatou uma melhora na condição geral do paciente. Enquanto que o grupo que não utilizou CBD e só utilizou o placebo também teve uma melhora mais de 34%. Os efeitos adversos, diarreia, vômito, fadiga, febre, sonolência e resultados anormais em testes de função hepática, né? Lembra de novo, quando a gente associa o medicamento eh com o cannabis, pode aumentar a interação medicamentosa e alterar a função hepática, especialmente com uso de anticompulcevante.

Por isso, de novo, a importância do acompanhamento, né, eh, de profissional de saúde, não só o médico, né? Aqui um outro estudo clínico com paciente em epilepsia fármacorresistente. Nesse caso, a síndrome de Lenox Gastou também é uma forma genética rara, grave, né? Então a importância aqui também disso, eh, com 171 pacientes entre 2 e 55 anos, ó.

Então a gente aqui já tem uma faixa maior de idade, né? Criança até adulto, né? adulto. Eh, importantíssimo, né, esse estudo.

Então, também testou o CBD canabidiol purificado ou placebo adicionado ao tratamento convencional durante 14, né? A gente teve uma redução na frequência de crises no grupo que utilizou CBD de 43.9% em comparação com que só utilizou eh placebo ou tratamento convencional. A melhora foi de 21.8%, né? Mais que o dobro de melhora.

A frequência total de todos os tipos de crise diminuiu 41.2% com tratamento com CBD e no grupo placebo só foi 13.7%. E aqui analisando de novo, né, a percepção dos cuidadores, eh no grupo que utilizou o tratamento com canabidol, 58% dos cuidadores relataram melhora na condição geral do paciente, né? É, até comportamento desses pacientes foram analisados, né? Enquanto que o do placebo sem o canabidiol foi 34%.

E de novo os efeitos adversos mais comuns, diarreia, sonolência, febre, diminuição do apetite e vômitos, né? Aqui mais uma condição eh fármaco de epilepsia fármacoistente conhecida, né, que é a esclerose e tuberosa. Aqui também um estudo clínico com pacientes, né? Aqui foram 18 pacientes estudados entre 2 e 31 anos.

Eles também utilizaram somente o canabidiol numa dose mínima e foram aumentando de acordo com o peso de cada paciente e com a resposta observada, né? Após 3s meses de tratamento, a frequência das crises caiu de 22 para 13.3, uma redução de 48.8% no grupo que utilizou o canabidiol. Eh, 50% foi classificada como respondedora, né? Uma redução superior a 50% na frequência total de todos os tipos de crise, né?

Crise tônico clônica, por exemplo, 91.4% de redução. Pasmos epiléticos, 87.5 de redução, crises atônicas redução de 86.5%. e uma melhora no comportamento do paciente de 66.7% dos pacientes que utilizaram canabidiol. Olha a relevância desse tratamento, né?

Aqui é um estudo também eh com pacientes, né? E aqui eh de geral, né? de de de redução de crise epilética, né? Então aqui foram 132 pacientes, né?

Metade, um pouco mais da metade crianças e o restante adultos. A frequência da média eh de crises caiu de 144,4 para 52,2 em 12 semanas e permaneceu estável durante todo o estudo. 63,9% dos pacientes apresentaram uma redução maior de 50% na frequência de crises, enquanto 78.7% tiveram redução maior de 25%. A gravidade das crises caiu de 80 para 39 com 12 semanas de tratamento.

E a gente observa no estudo a os efeitos positivos no comportamento, no humor, no bem bem-estar geral do paciente, né? Eh, as evidências de melhoria foram significativas e sustentadas tanto na gravidade da crise quanto no perfil dos efeitos adversos ao longo das 48 semanas do estudo. Olha a importância, né? Tanto mostrando uma eficácia quanto uma segurança no tratamento.

Bastante relevante, não? Esse estudo é interessante, eh, que eles avaliaram preparações artesanais de CBD, né, nos Estados Unidos. Então, eles testaram 10 produtos diferentes de marcas diferentes com doses variadas de canabidiol no tratamento da epilepsia, né? Então, o que que verificou nesse estudo?

eficácia na redução de crise. O CBD resultou em 39% dos pacientes com uma redução superior a 50% nas crises. Aproximadamente 10% dos pacientes ficaram totalmente livres de crise com o uso do óleo. A taxa de resposta do CBD foi considerada similar ao medicamento convencional Clobazan num grupo, né, de pacientes.

aproximadamente 18% dos pacientes relataram efeito positivo no aumento da do estado de alerta, melhorou a comunicação verbal, interação social mais rica e melhora do humor, né? E o a sedação foi o efeito adverso mais comum relatado em menos de 4%. Mas eh todos esses pacientes que relataram a sedação como efeito adverso estavam tomando Cobazan junta. Então, a importância de novo da interação medicamentosa e monitorar esse paciente, né, a dose e o efeito.

Esse é um estudo muito interessante do grupo brasileiro, né, famoso Pamplona, mostrando eh a importância de utilizar extratos completos, né, os full spectrum, eh comparado com CBD isolado, né? Até atrás ali a gente tava falando do CBD isolado. Esse estudo mostra eh que os extratos completos, onde a gente tem eh não só o CBD no extrato, mas os outros canabinoides, os plavonoides, os terpenos naquele naquele frasco, naquele óleo, né, a gente tem um efeito comitiva, né, vocês ouviram o entorrage, né, o efeito entorrem, efeito comitiva, onde todos os componentes vão agir eh ajustando e balanceando com um efeito muito mais positivo do que quando a gente utiliza só o CBD. Então eles analisaram 11 estudos observacionais envolvendo 670 pacientes.

E aí eles verificaram que uma proporção maior de pacientes quando utilizavam o extrato completo, né, o full spectrum relatou melhoras de 71% em comparação com aqueles que só usavam CBD. Então a melhora foi de 71% versus 46%. E quando esses pacientes utilizam o extrato rico em CBD, não só o CBD purificado, o extrato completo, eles precisam de uma dose menor para atingir o mesmo benefício, né? Então, eh eh eles mostram que o extrato da planta como full spectrum, o extrato completo da planta que é rico em CBD, mas não somente TBD, ele é quatro vezes mais potente do que quando utiliza somente o CBD.

E uma coisa importante além da eficácia é mostrar que eh os efeitos adversos quando utiliza o CBD isolado é maior do que aquele quando utiliza o extrato completo, né? Então, eh, os efeitos adversos foram relatados em 76% com CBD puro contra 33% nos usuários de extrato completo. E aí, quais são esses efeitos, né, de novo, alteração da apetite, sonolência, distúrbios gastrointestinais como diarreia, fadiga e náusea, né? Então, eh, a gente vê nesse estudo aqui, né, apesar dele analisar os estudos que a gente já tem publicado, né, mas quando a gente vê a evidência clínica de acompanhamento, né, das associações de pacientes que já utilizam o extrato completo e vê isso na prática de mundo real, né, nas suas casas, nas suas associações, a gente vê que o extrato completo parece ter muito mais eh tem mais relevância, né?

Você precisa de uma dose menor para atingir um efeito terapêutico igual ou melhor, com menos efeito adverso, né? Então é legal que esse estudo mostra o que a gente vê na clínica, no nosso mundo real aqui com esse monte de associações maravilhosas, né, que promovem extratos completos. Aí, eh, esse estudo um é um estudo interessante que eu quis trazer aqui, que ele coloca eh a credibilidade, né? Qual que é a credibilidade das evidências que a gente tem do efeito ou dos efeitos de cannabis na saúde humana, né?

Então, não só aqui epilepsia, né, mas eles analisaram 101 metanálises de estudos observacionais em ensaios clínicos randomizados, né? Ele, então eles falam que a evidência tem alta certeza de que o CBD é eficaz no tratamento da epilepsia, né? Então ele é benéfico especialmente eh para síndrome de Lenox Gastô, síndrome de Dravê, esclerose tuberosa também, né? Eh, mas isso aqui é legal porque não é só eh na epilepsia, né?

E quando você vai estudar outras condições, aparece lá na epilepsia que e é certo que tem benefício, né? Então ele mostra que eh tem uma melhoria na impressão global do paciente, na qualidade de vida. e uma redução significativa eh de pelo menos 50% na frequência das crises, né? Olha que que interessante.

E aqui eh, né, só mostrando, né, mais um outro estudo importante que a gente tem eh de grupo brasileiro, né, pesquisando canabidiol, eh não só na na epilepsia, né, mas só mostrando que que o Brasil, a pesquisa, os pesquisadores, os brasileiros, as brasileiras, eh a gente tá na vanguarda ainda do uso medicinal ou na aplicação terapêutica da cannabis, né, né, para melhorar a saúde da população. E aqui, já que eu repeti várias vezes, já que a gente já falou sobre isso, né, antes, nas aulas anteriores lá, sobre interações medicamentosas, né, é importante a gente falar que tem essa interação com medicamentos anticrises, antiepiléticos, né? E quando a gente fala de epilepsia refratária, por exemplo, a gente às vezes não usa somente canabis, né? a gente usa outro medicamento para tentar controlar, porque é de difícil o controle de fato, né?

Então, lembrando que o CBD interage com diversos medicamentos anticrise, tanto por mecanismo farmacocinético, lembra? O que o nosso corpo faz com com o produto, quanto o que o produto faz com o nosso corpo? Então a gente tem tanto potencialização de efeito quanto cortar o efeito, quanto aumentar reação adversa e toxicidade, né? Então, só lembrando lá que o CBD metabolizado pelo sistema do citocromo P450 lá no fígado, ele inibe certas enzimas, especialmente a CIP 2C19, a CP 3A4 e tem interação com brivaracetã, clobazã, lacosamida, gabapentina, oxcarbasepina, fenobarbital, pregabalina, topiramato, né, os os mais utilizados no controle, né, na tentativa de controle da epilepsia farmacoesistente, né, o clobazan, além dessa interação medicamentosa, pode haver uma sinergia do receptor gaba e aí aumentar eficácia anticonvulsivante, mas também eh podendo aumentar a sedação, né, enquanto que o uso com valp proato eh é conhecido por aumentar as transaminases.

né, TGO, TGP ou as out, aumentar o estress hepático e prejudicar, né, ter um efeito de toxicidade aí. Tá bom? Então, só lembrando da importância do acompanhamento médico do profissional de saúde que vai acompanhar esse paciente junto com o médico e com a família, né, com os cuidadores desse paciente. E de novo aqui, né, eu comecei falando do da importância do Carline, do professor Carline no estudo.

E aqui eh esse estudo aqui é muito legal, né? eh um estudo de revisão que mostra a contribuição do professor Carline eh na pesquisa de canabidiol, CBD, no tratamento de epilepsia, né? Desde 1973 começou a estudar eh a crise, né? Eh, convulsões, a gente falava, ainda fala às vezes convulsão, né?

Não quer dizer porque teve uma convulsão que é epilepsia e nem toda a crise é convulsão. Então, a gente evita essa palavra, né? E sim, crise epilética, né? Então, em 1973, 1975, em 78, aí junto com Michulan, né, que é outro pai aí dos estudos sobre cannabis, né, eh, aí em 80, 81, né, olha só, ó o gap, né, que daí de 82 parou, né, parou esse tipo de estudo por diversos motivos aí que vocês já estudaram, né, eh, pararam os estudos, né, por porque vocês já viram sobre o proibicionismo, né, guerra às drogas, né?

Eh, e aí em 2020, né, a gente começa a ter mais estudos de volta sobre eh voltamos a falar sobre cannabis na medicina e na epilepsia de fato. Aqui eu coloco eh todas as referências que eu utilizei para fazer esses slides. E eu coloco outros estudos também, por exemplo, no Alzheimer, né, porque é uma doença neurodegenerativa também. Então, eh, tem bastante coisa aí.

Se vocês não conseguirem acessar, vocês podem entrar em contato comigo. Eh, vou deixar só mais um pouquinho aqui, é para vocês entrarem no meu drive, onde estão todos esses estudos, tá bom? Eh, para vocês consultarem aí quando quiserem. E aqui está meu e-mail, o meu telefone.

Mais uma vez eu agradeço o convite, a organização, professora Eliana, Tamara, a Cris, a Gabi, né, professor Elisaldo Carlini, o padre Ticão, eh todo mundo aí que de certa forma me ajudou diretamente ou indiretamente, que tá comigo. E muito obrigada. Eh, espero que vocês tenham aprendido pouco e eh que vocês utilizem a aula, esse material como fonte de estudo, eh, e de evolução aí no no ensino de vocês, na aplicação. E contem comigo.

Muito obrigada.

15ª Aula: A Cannabis na medicina Ayurveda — A Cannabis na medicina Ayurveda - Margarete Mota

Aula 15 · YouTube · ~84995 caracteres · pt

Olá, pessoal. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre os terapêuticos da canabis ativa. Sou a Gabi da Enés. Estou aqui para apresentar mais uma das nossas aulas.

aula que a gente vai falar de uma medicina milenar, da medicina a essa aula a gente vai receber a Margarete Mota, ela é especialista nesse assunto e ela vai trazer um pouquinho de da medicinaveda e da canabis dentro da medicina Aurveda. Então, quero dar as boas-vindas a Marga, quero agradecer dela estar com a gente em mais essa aula, em mais esse ano, né? E espero que vocês gostem dessa aula. A gente se vê novamente na próxima terça-feira.

Não esqueçam de curtir, comentar, compartilhar a nossa aula, de escrever nos comentários o que vocês acharam, de postar em outras redes sociais. pra gente é muito importante esse engajamento. Também não esqueçam de preencher o formulário de presença e que para emitir o certificado é necessário tá escrito no curso, fazer os formulários, preencher os formulários de presença e também que é o próprio aluno que emite o certificado. A gente tem reforçado isso porque tem bastante procura aí para emitir o certificado de outras edições.

Então tem um ótimo final de semana. A gente se vê na próxima terça-feira e minha gratidão a todos eh por estarem aqui até esse momento do curso e pela amarga, por essa aula maravilhosa. Olá, boa noite a todas, a todos e a todes. Sejam muito bem-vindas, bem-vindos e bem-vindes a mais uma aula organizada pela UNIFESP MV Recan sobre o uso terapêutico da can da cannabis sativa.

Meu nome é Margarete Mota e eu vou abordar o uso da cannabis na medicina aurir quando a gente fala de aurveda, a gente vai precisar usar algumas palavras em sânscrito, mas não se desesperem que eu vou simplificar o máximo possível, tá bom? Então, eu sou naturóloga, terapeuta Airveda, sou diretora, produtora e corroteirista do documentário Airveda Cura Possível, que é o primeiro e por enquanto ainda é o único documentário latino-americano sobre a sou diretora da ESA, escola de saberes ancestrais, uma escola onde a gente tem um curso de formação, um curso livre e uma pós-graduação lato senso em Airveda. e também sou organizadora do LAA Encontro Latino-Americano de Airveda. Bom, como aqui no curso provavelmente tem pessoas que já ouviram falar da Airveda, pode ser que tenha pessoas que nunca ouviram falar dessa palavra, que inclusive a a própria palavra seja um pouco complicada, né?

Eh eh a pronúncia seja um pouco sou um pouco estranho aos ouvidos. Então eu vou contextualizar um pouquinho sobre o Airveda para depois eu abordar a cannabis no Airveda, tá bom? Então o Airveda é uma medicina, é uma das medicinas tradicionais da Índia. A Índia tem várias e é um dos sistemas de medicina mais antigos do mundo e bastante completo.

E é um sistema bem interessante porque é um sistema holístico, ou seja, aborda o ser humano em todas as em toda a sua integralidade, né? pensando nos aspectos físicos, aspectos eh mental, espiritual, no bem-estar social de cada indivíduo. E uma outra coisa importante do Airveda, que a Herveda sempre vai olhar para uma pessoa ou cuidar de uma pessoa de uma forma individualizada. Então, no Airveda a gente não tem formulações, protocolos que são gerais, que são para todo mundo.

O tratamento é sempre pensado individualmente. Por exemplo, se nós tivermos um grupo de pessoas diabéticas, então esse tratamento ele vai ser individualizado, não vai ser o mesmo medicamento para todas as pessoas diabéticas, né? Então o medicamento vai ser para aquela pessoa naquele contexto de vida que ela se encontra, na idade que ela se encontra, no lugar que ela mora, ã, se é homem, se é mulher, se é uma criança. Então, sempre abordando a pessoa e não a doença, né?

Então, o foco do Airveda é sempre o indivíduo, é sempre a pessoa e nunca a doença. E é um sistema de medicina muito antigo. Então, há textos eh do Aurveda que falam que é um sistema que tem mais de 7.000 anos, outros eh mais de 6.000 anos, 5.000 anos. Ou seja, é um sistema de medicina milenar.

Ele é extremamente antigo. E o que é bastante interessante também com relação ao aurveda, que embora seja um sistema de medicina tão antigo, ele é extremamente moderno, extremamente eh vivo. E não só na Índia, né? A gente tem o Airveda presente hoje em muitos países, né?

né? O Airveda saiu da Índia e acabou chegando em outros países e chegando aqui no Brasil também, o que nos deixa bastante felizes. A palavra aurveda é uma palavra que vem do idioma sânscrito, que é um idioma bastante antigo também. E hoje em dia não é um idioma falado, ele é um idioma da literatura das ciências da Índia.

As ciências da Índia compreendem as ciências voltadas paraa cultura, por exemplo, dança, música, arte no geral. hã, astrologia, os sistemas de medicina, yoga e por aí vai. E ela pode ser dividida em duas partes, né? A primeira parte que é aur, significa vida.

E a segunda parte, veda, significa ciência ou conhecimento. Então, a palavra aurveda significa a ciência ou o conhecimento da vida. O que que isso quer dizer na prática? que o Airveda é esse sistema de medicina que nos ensina a viver da melhor forma possível para que a gente tenha longevidade, mas que a gente tenha uma longevidade com saúde e que a gente tenha uma autoobservação para ir percebendo quando a gente desequilibra e o que fazer, o que eu mudo na minha alimentação, o que eu mudo na minha rotina.

né? Ou seja, é um conhecimento da vida, conhecimento do cotidiano, um conhecimento da vida diária. Qual é a melhor forma pra gente se alimentar? Qual é a melhor forma pra gente se exercitar?

Qual a melhor forma pra gente se relacionar com outras pessoas e com a vida no dia a dia. E o airveda é baseado no que a gente chama de cinco grandes elementos, né? que tem uma palavra eh em sânscrito. E aqui a gente eliminou eh ao máximo, né, o o sânscrito para deixar mais simples para todos, para que possam entender.

Esses cinco grandes elementos, eles são formados a partir do mais sutil pro mais denso. O primeiro a ser formado é o elemento éter. Muitas vezes vocês vão ver em algumas literaturas que ao invés de ser chamado de éter, ele é chamado de espaço. Então, tanto faz chamar de éter ou espaço, a gente tá falando do mesmo elemento.

Depois forma-se o elemento ar, depois o elemento fogo, o elemento água e o elemento terra. E no entendimento do Airveda, tudo que existe nesse planeta é formado por combinações desses cinco grandes elementos. Então, seres humanos, este computador que está aqui na minha frente, ã, os animais, as plantas, ou seja, todo o o esse reino vegetal, animal, etc., tudo é formado por combinações desses cinco grandes elementos. E esses cinco grandes elementos, eles se juntam em duplas, eles se juntam em pares e formam o que a gente chama de docha.

Então, docha é uma palavra do idioma sântrodo, tá bom? Já já eu vou explicar um pouquinho melhor sobre isso. Então, esses dois primeiros elementos que são formados, né, que é o ou espaço e o ar, eles quando se juntam eles formam docha vata. Quando o elemento fogo, na realidade muito fogo e um pouco de água se junta, forma o docha pita.

Quando o elemento terra se junta com o elemento água, forma o docha capa. Os dochas eles são importantes porque eles vão eh participar tanto da nossa saúde quanto do nosso processo de adoecimento. Mas vamos visualizar aqui um pouquinho melhor essa junção desses dois elementos, né? Aqui de novo, numa outra imagem, essas duplas, né, de elementos se juntando éter e a para formar vata, fogo e água para formar pita e terra e água para formar capa.

A pronúncia aqui vocês vem que tem um pH e geralmente quando a gente vê p a gente pensa nessa pronúncia que vem do idioma inglês que seria a pronúncia como se fosse um f, né? Então vocês vão ouvir muita gente falar cafa, mas é uma palavra em sânscrito e no idioma sânscrito não existe o som de f. Então aqui é capa, não é capa, tá? Mas vocês vão ouvir muita gente falando cafa.

Então o que que são os dochas? é essa caracterização do nosso perfil biológico. Ou seja, cada um de nós tem uma combinação muito específica de dochas. Todos nós temos os três dochas, vata, pita e capa, mas em proporções diferentes.

Algumas pessoas têm uma quantidade maior de de vata, ou seja, é o elemento que predomina, é o docha que eh os dois elementos que predomina são étere e a, então o docha que predomina vai ser vata. Outras, outras pessoas vão ter a predominância de pita, outras pessoas vão ter a predominância de capa primeiro, mas a gente tem os três touchas porque nós somos formados por cinco elementos. Então também vamos ter essa combinação eh dos três dochas em nós. Os dochas eles são formados no momento da concepção.

Então, quando óvulo e espermatozoides se fundem, então os dochas presentes no espermatozoide e os dochas presentes no óvulo, eles vão se juntar, vai ter uma combinação ali e vai ser determinado qual é a proporção de wata, pita e capa daquele novo ser, né, daquele bebezinho que vai nascer. Então isso é pra vida toda. Então a nossa proporção de vata, pita e capa, que é determinada ali no momento concepção, ela é pra vida toda, né? A gente tem essa mesma essa mesma combinação de váap até o momento que a gente desencarnar, né?

Enquanto estivermos aqui nesse planeta, a gente tem essa combinação, mas há uma alteração, uma uma mudança, né, no nos dochas como eles se apresentam no dia a dia a partir das nossas relações, do que a gente come, como é a nossa rotina, se a gente vai dormir tarde, se se o tempo tá mais seco, se tá mais frio, se tá mais quente, se a gente pulou uma refeição, se a gente passou uma uma noite sem dormir. por qualquer razão que seja, isso tudo vai afetar os nossos dochas. Então, eles têm um funcionamento que é um um funcionamento hã que vai mudando de acordo com o que vai nos acontecendo ao longo do dia e também não só fatores externos, mas também, por exemplo, internos, né? Se a gente tem uma discussão com alguém, se a gente fica com raiva ou triste ou ansiosa, ansi ansioso, isso vai afetar como os nossos dochas vão se comportar, tá?

Mas a proporção de dochas em nós, ela não muda ao longo da vida, tá bom? Então é importante a gente saber, todos nós temos os três dochas presentes, mas a gente vai ter uma quantidade maior ou menor de um determinado do que para vocês imaginarem como seria uma pessoa com uma característica de uma proporção maior de vata, de pita ou de capa. Fisicamente, uma pessoa que tem uma quantidade maior de vata nela é uma pessoa que ela vai ser mais longelínea, uma pessoa que tem os braços mais alongados, ah, as pernas mais alongadas, é uma pessoa que ao longo da vida ela vai ter uma dificuldade para ganhar peso, vai ter uma facilidade para perder peso. aquela pessoa que se discute com alguém ou teve alguma mágoa ou eh ficou ansiosa ou estressada por alguma razão, ela perde peso com muita facilidade porque ela não consegue comer.

E é uma pessoa que ao longo da vida vai brigar com a balança nesse sentido, não vai ter dificuldade para ganhar peso, vai perder peso com muita facilidade. E a gente diz que é uma pessoa ossudinha porque não tem muito tecido adiposo, não tem muito tecido muscular. Então, os ossos de uma pessoa mais vata são ossos mais protuberantes. A gente vê nas articulações, né, os ossos eh muito muito claramente, ou seja, são ossos ficam de uma certa forma mais expostos.

E quando vata está bem, está em equilíbrio, é uma pessoa que tem uma tendência a ser ágil fisicamente e também mentalmente. uma pessoa que pensa muito rápido, faz raciocínios mais rápidos que que os [limpando a garganta] as pessoas que t uma predominância de de pita ou de capa, mas é uma pessoa que também não tem uma memória muito boa, da mesma forma que ela consegue eh alguém tá explicando algo, ela entende rapidamente também rapidamente essa pessoa vai esquecer, não tem uma memória muito boa. é uma pessoa que ao longo da vida ela pode ter problemas, por exemplo, nas articulações, ficar um pouquinho mais com pele mais seca, cabelo mais seco, porque como tem muito elemento ar nessa pessoa, o ar seca. Então esse ar secar também essa pessoa, tanto internamente quanto externamente.

vai ficar com cabelos mais secos, articulações mais secas, aquela articulação que faz um pouquinho de ruído ou às vezes a pessoa vai perdendo a flexibilidade nas articulações, se ovata, né, ela vai aumentando aí já numa situação mais, digamos, mais patológica, né, se ela tem um um estilo de vida onde o vata vai sendo mais e mais agravado, é uma pessoa que pode ter uma tendência a constipação, uma mente que uma mente que no equilíbrio é uma mente ágil, uma mente rápida, no desequilíbrio essa essa mente pode ficar um pouco mais agitada, essa pessoa pode ficar mais ansiosa, ela pode ter uma tendência à insônia, por exemplo, porque essa mente tá sempre em alerta. Ela pode ter uma dificuldade, por exemplo, com o funcionamento do intestino. Ela pode ter um pouco mais de prisão de ventre se o vata nela desequilibra. Mas se ela estiver com vata em equilíbrio, se ela estiver bem, é uma pessoa que vai ter uma rapidez física, mental, vai ter uma facilidade para adaptação.

Aquela pessoa que ela pode mudar de emprego, ela pode mudar de casa, de bairro, de país, de cidade, ela acha ótimo inclusive as mudanças e ela se adapta às mudanças e as mudanças na vida dela são bem-vindas, ela gosta, se sente bem. O outro perfil é o pita, uma pessoa que tem uma constituição onde o elemento fuga é mais predominante. É uma pessoa que vai ter [limpando a garganta] uma tendência a ter uma musculatura melhor definida. É uma pessoa que tem muita energia, então uma pessoa que vai precisar fazer atividade física.

Então, as pessoas que são atletas de qualquer e tipo de qualquer modalidade de de esporte, é uma pessoa que com certeza ela tem uma quantidade maior de pita, tem uma quantidade maior de elemento fogo, porque ela precisa gastar essa energia, ela se sente bem fazendo atividade física e é uma pessoa que tem uma tendência a ser competitiva. Por isso a pessoa acaba indo para esportes. pode ser esportes individuais ou o esporte em grupo, mas é uma pessoa que gosta de competir, ela compete inclusive com ela mesma. A gente vê, por exemplo, atletas eh de autformance que estão o tempo inteiro se desafiando, né?

um atleta que bate um quebra um recorde, no dia seguinte ele começa a treinar novamente para bater o o próprio recorde novamente ou para se manter, né, como a a pessoa eh de melhor desempenho naquele esporte. Então, a pessoa que é mais pita, ela tem uma mente mais eh mais que faz análises mais profundas, ah, que gosta desse raciocínio mais analítico, é uma pessoa que pode às vezes, né, no desequilíbrio tender para ser um pouco mais crítica, eh, consigo mesmo ou com o outro. é uma pessoa que no desequilíbrio, como o elemento fogo, é um elemento muito presente na constituição dela, é uma pessoa que pode, no desequilíbrio tender a inflamações, né? Porque há um excesso do elemento fogo.

A pele do de uma pessoa mais pita tem ser uma pele mais quentinha. É uma pessoa que gosta e de um clima mais fresco porque tem muito calor, que já é o oposto do Vata, né? O Vata gosta de clima mais quente, gosta de alimentos mais quentinhos. O pita gosta de alimentos frios, de uma água gelada, de uma bebida gelada.

Ah, o calor deixa o pita um pouco mais irritado, gosta mais do frio ou de dias mais frescos. É uma pessoa que tem uma capacidade de realização muito grande, porque tem muito elemento fogo. Então, a pessoa que vai paraa ação. O vata é o das ideias, vive no mundo das ideias, super criativos.

artistas todos tem muito vato. Então, vive na criação, né? tem muita capacidade criativa, mas muitas vezes não tem uma capacidade tão boa de realização. E o pita é esse que vai pra ação.

Às vezes até vai para pro, né, pro pro campo ali de batalha sem ter se preparado adequadamente porque age, né? é o aquele que age por impulso, que tem um pavio curto também quando está no desequilíbrio, tem uma tendência a maior irritabilidade, pode ser uma pessoa que se torne um pouco mais agressiva, ah, quando está em desequilíbrio. Ah, no corpo físico também o elemento fogo pode trazer um pouco de gastrite, eh, oasia, porque tem uma queimação muito grande nessa pessoa. as inflamações no geral, como eu tinha comentado agora a pouco, uma pessoa que é mais capa, tem uma presença maior do do capa, é uma pessoa que vai ter mais tecido adiposo, naturalmente aquela pessoa que a gente fala que ela é corpo lenta, meio troncudinha, não necessariamente tem gordura, mas é uma pessoa que ela tem os ossos mais largos, ela tem ã uma quantidade maior assim de tecido adiposo também, mas ela tem mais eh músculos mais definidos, aqueles músculos mais firmes.

É uma pessoa pesada e é uma pessoa estável. é uma pessoa estável fisicamente e uma pessoa estável também mentalmente. Aquela pessoa que tem uma voz eh mais pausada, é uma pessoa que você não vai ver ela falando assim super acelerada, uma pessoa que fala assim mais acelerada, que às vezes até eh se atropela falando porque a mente é tão rápida que não consegue eh verbalizar na mesma velocidade, acaba comendo algumas letras, algumas palavras. É o vata.

O capa é aquela pessoa mais tranquila, inclusive a forma, né, de caminhar, o vata caminha muito rápido, né, o Iupita é aquele caminhar bem determinado e o capa é aquele que caminha parece que tá passeando na praia devagar. É como um touro, né, devagar e sempre. E também em termos de imunidade, o vato é o que tem uma imunidade um pouco mais fragilizada, que é aquela pessoa que vira e mexe, ela tem alguma coisa, eh, tem um resfriado, depois ela tem uma questão eh intestino não funciona, um outro momento, eh, a digestão que não tá boa, sempre tem alguma coisinha. E o capa é muito estável.

capa geralmente não adoece com muita facilidade, tem um sistema imunógico bastante forte e é uma pessoa que também mentalmente é mais resiliente, uma pessoa que tem também uma estabilidade mental maior. O capa quando desequilibra tem uma tendência a formar tecidos novos no corpo, por exemplo, cistos, eh miomas, tumores e aí por diante. ter mais tecido adiposo, ou seja, o capa briga com a balança de uma forma oposta ao vata. O vata briga com a balança ali a vida toda tentando ganhar peso e o capa é o oposto, né?

briga com a balança porque eh tem muita dificuldade de emagrecer, engorda com muita facilidade. O cap é aquele que diz, né, que come um alface e engorda e o e o vato pode comer qualquer coisa e às vezes, inclusive querendo engordar e não consegue. Mas uma coisa que eu queria também deixar claro para vocês, às vezes quando a gente fala um pouquinho assim, né, dessas características, né, dos dos tochas, as pessoas tm uma tendência, não, então legal é ser capa que é mais estável, não. O vata que é rápido, é ágil, faz tudo muito rápido, ou pita que vai paraa ação, ah, que realiza, que faz as coisas acontecerem.

Primeira coisa, lembrar que nós temos os três dochas em proporções diferentes e não há um docha melhor que o outro, né? O importante é qual é a nossa combinação. Se nós estamos próximos da nossa combinação de vata pitcapa, aquela que foi determinada ali no momento nossa concepção, a gente está mais próximo da saúde, da estabilidade, tanto emocional quanto física. Mas se a gente tem uma forma de viver que o nosso dia a dia não condiz, né, com com o que seria bom para a nossa constituição, a gente acaba adoecendo.

Vou dar um exemplo aqui. uma pessoa que é mais vata, como eu comentei, uma pessoa que tem uma tendência a à criatividade, uma pessoa que geralmente vai, né, para esse universo da arte, muitas vezes também do ensino, muitos professores também são vata, porque o vata gosta de falar, tem uma uma facilidade inclusive para pr pra fala. Ah, mas se essa pessoa vão imaginar um um músico, né? Então essa pessoa toca à noite em bares, faz consertos, etc.

Então, ela vai dormir muito tarde, né, porque eh faz apresentações, viaja, tá em movimento o tempo todo. E se ela faz isso por muito tempo, ou seja, por muitos anos, até porque é a profissão dela, então muito tempo essa pessoa não tendo uma rotina para refeições, não tendo uma rotina para ir dormir, não tendo uma rotina para acordar em determinado horário. E quando a gente fala em sono, na visão da herveda, a gente sempre tá falando sono da noite, né? O sono que é reparador, o sono que traz saúde, é o sono da noite.

Não adianta a pessoa passar a noite toda acordada, por exemplo, maratonando ah uma série da Netflix, ah, ou várias séries ou por qualquer outra razão, né? Porque trabalha à noite, ou porque tá cuidando de alguém que está doente, ou porque tem um bebê, tem uma criança ou tem uma pessoa idosa, enfim, né? Por qualquer razão, a pessoa passa a noite acordada. Se você faz isso uma vez, um final de semana, de vez em quando, isso não vai ter grandes problemas.

Mas se é uma rotina, como por exemplo, se é o trabalho da pessoa, ele é músico ou é um um uma enfermeira, um médico, um policial, bombeiro, etc., trabalha numa fábrica que a pessoa faz o o turno da noite, isso vai desequilibrar muito vata. Então, essa pessoa, ela pode eh depois de um tempo, ela pode acabar adoecendo porque ela tá fazendo, ela tá tendo uma rotina que vai justamente contra tudo que Vata precisa. vata precisa de rotina, precisa de alimentação, eh, com horários, horário para refeição, horário para dormir, horário para acordar, precisa ter uma um momento, né, ali de aliviar estresse, por exemplo, ali, voltando para essa pessoa que é músico, que justamente tem uma, peguei um exemplo do músico, mas poderia ser qualquer outro, ah, tem uma rotina onde a pessoa tudo da rotina dela é irregular, não tem horário para nada, essa pessoa vai afetar muito, vai desequilibrar muito o vata dela. Então, ela pode ter uma tendência a adoecer mais cedo.

E esse adoecimento muitas vezes começa de uma forma muito simples, com uma mente ficando um pouco mais agitada, com mais dificuldade de concentração, a memória ficando um pouquinho pior, ficando mais ansiosa. o intestino que de vez em quando, quando, por exemplo, quando a pessoa viajava, mudava a alimentação, ela um pouco tinha um pouco de dificuldade para conciliar o sono ou o intestino não funciona justamente por conta dessas mudanças, né, de alimentação e rotina. Ah, e se ela tá o tempo inteiro com uma rotina assim que não é condizente com a saúde, ela vai acabar adoecendo porque ela está o tempo inteiro desequilibrando vata nela, ok? Então, a herveda sempre eh vai pensar o que a gente precisa fazer para manter os nossos toxas equilibrados.

Então, a gente geralmente precisa de coisas opostas. E o Airveda diz que o semelhante vai aumentar o semelhante. Por exemplo, o vata, ele é as características, né, do vata, como ele é formado por éter e ar, então ele é leve, ele é rápido, ele é movimento. Por exemplo, toda a nossa circulação sanguínea, nossa circulação linfática, o movimento das nossas articulações, inclusive o movimento, né, de ideias, pensamentos, tudo isso quem quem controla, quem governa é vata.

Então, se a pessoa tá com com o vata muito desequilibrado, por conta da rotina dela ou por conta da alimentação que ela tem, ela vai ficar mais ansiosa, ela vai ter mais dificuldade para dormir, ela vai ter uma uma pele mais seca, cabelos mais secos, as mucosas vão ficar mais secas, intestino vai ficar mais ressecado, por isso que ela vai ter uma tendência a prisão de ventre ou a formação de gases. Então, a gente precisa fazer o que é oposto. se a pessoa está em movimento o tempo inteiro, né, viajando, inclusive essa viagem que a gente faz nas cidades do trabalho pro pro para onde a gente mora ou e onde a gente mora pra escola, esse movimento diário de ônibus, transporte público, carro, etc. Isso agrava vata, porque movimento é uma característica de vata.

Se a gente faz algo que é igual a vata, a gente tá aumentando aquilo em vata. Então o vá tá ficando cada vez mais desequilibrado. Então o que seria recomendado no Airveda? Fazer o oposto.

Então se a pessoa tá com a mente muito agitada, ela tá com prisão de ventre, ela tá mais ressecada, que que precisa fazer? trazer hidratação, tomar mais água, eh fazer uma eh uma ração, hidratação também, oleosidade interna, né, com com bons olhos, né, na alimentação ou com guante clarificada e assim por diante. a gente sempre vai fazer o oposto para equilibrar, então diminuir e o movimento, diminuir esse vai e vem, diminuir a secura da do corpo daquela pessoa provocada por tanto movimento. Por exemplo, agora e em épocas que a gente tem mais vento ou em épocas do outono, por exemplo, dependendo que parte obviamente você eh está, se você está num lugar que o outono é seco e frio, isso vai aumentar a wata, porque vata é frio e vata é seco.

Se você, por exemplo, mora num lugar que a maior parte do tempo é quente e é úmido, então você, o calor aumenta a pita e a umidade também vai aumentar pita, porque pita tem água e tem fogo. ou se você mora ou se você passa a maior parte do do seu tempo num lugar que é que é frio e seco. Por exemplo, num ambiente com ar condicionado, você passa 8 horas, 10 horas do seu dia num ambiente com ar condicionado. O ar condicionado a gente sabe que resseca o ambiente, então vai agravar a vata.

Esse frio também vai gravar a vata e o frio também vai gravar a capa. Então você já sabe quando você [risadas] começa a ter muita eh crise de de sinusite e outras questões eh por conta de um ambiente com ar condicionado e frio, já sabe agora desde o ponto de vista da vida que você tem que fazer, né? você tem que aquecer o corpo, você tem que se hidratar mais, enfim, só para vocês terem uma ideia, né, dessa constituição. Claro que aqui eu tô colocando de uma forma mais simplificada, é um pouco mais eh complexo, um pouquinho mais profundo que isso, mas para vocês terem uma noção básica do que seria características de uma pessoa que tem uma quantidade maior de wata, de pita ou de capa, tá bom?

Overo tem uma abordagem bastante interessante, né, um entendimento bastante interessante do que é a saúde e do que a doença. Então os três dochas eles são muito importantes tanto para manutenção da nossa saúde e também participam do processo do nosso adoecimento, como eu comentei agora pouco, né? dependendo da rotina que a pessoa tem, dos hábitos diários que ela tem, do trabalho que ela faz, ela pode estar agravando, ou seja, desequilibrando os dochas dela. E sabendo um pouquinho como os dochas funcionam, você pode saber o que que você muda na sua alimentação, o que você muda no dia a dia, para não desequilibrar tanto os seus dochas.

Então, os dochos também são importantes para manter a integridade do nosso corpo e eles governam, eles controlam tanto a nossa estrutura física como os nossos processos, os nossos processos mentais. Então, no entendimento do Airveda, doença, que de uma forma bastante simplificada é desequilíbrio de dochas. Quando os dochas estão em equilíbrio, a gente tem saúde. Quando eles começam a sair dos trilhos, quando eles começam a desequilibrar, a gente começa a entrar num processo de adoecimento.

Se a gente não faz nada, esse processo de adoecimento vai agravando, vai ficando um pouquinho mais complicado e a gente acaba entrando aí num adoecimento um pouco mais complexo. E cura, na visão do Airveda, é a eliminação desses fatores que causam desequilíbrio, que gera doença. Ou seja, não é eliminar os sintomas. O Arveda nunca vai trabalhar pensando em sintomas, né?

Quais são os sintomas dessa doença? Então, eu vou aliviar ou vou remover esses sintomas e a pessoa vai ficar bem. O Airveda se preocupa em curar a raiz e lá no fundo ver qual é a causa daquele adoecimento, remover aquelas causas para que aí a pessoa volte ao equilíbrio. Simplesmente lidar com os sintomas.

A gente tá fazendo algo que é muito, é muito superficial. a pessoa pode ter um alívio ali e imediato, mas é um alívio temporário. E se a gente não trabalha em remover as causas daquele processo de adoecimento, aquele processo de adoecimento, ele dá um tempo, a a pessoa se sente melhor porque aliviou os sintomas, mas depois a doença se instala novamente, tá bom? E oveta tem dois princípios fundamentais que são muito simples, muito básicos, mas muito importantes, muito eficientes.

A primeira coisa é manter a saúde de uma pessoa saudável. Então ir tem vários eh procedimentos que a gente faz no dia a dia também nas mudanças de estação, dependendo que idade a gente está, se é para um bebezinho, se é uma pessoa idosa, se é uma pessoa na na fase eh ali adulto jovem ou um jovem eh ali na adolescência. Então, sempre levando em consideração a pessoa, o lugar que ela está, quem ela é, mas manter a saúde dessa pessoa. Então, tem ali qual é a alimentação que essa pessoa deve ter, quais são as rotinas do dia a dia dela, quantidade de sono e etc.

E a outra coisa é curar a pessoa quando ela adoece. Então, o Airveda dá uma ênfase muito grande na prevenção e aquele ditado, né, prevenir melhor que remediar. Então, a Arveira pensa dessa forma também. É muito mais inteligente a gente prevenir o adoecimento custa menos do que a gente correr atrás do prejuízo, né?

A gente vê de uma forma que a gente eh acaba adoecendo com muita facilidade por conta da forma que a gente que a gente vive e depois a gente corre atrás do do prejuízo, né? eh mais doloroso, é mais custoso e acaba eh consumindo aí um uma quantidade do nosso tempo, da nossa energia e também das nossas finanças, né? Então, a tem essas duas formas eh simples de pensar, né, em saúde, doença. Primeira coisa, se a pessoa está bem, vamos fazer de tudo para que ela continue bem.

Ela está saudável, vou fazer de tudo para que ela continue saudável. E se a pessoa adoece, a gente vai adoecer ao longo da vida, isso é é normal. O Airvea também tem as ferramentas, o conhecimento para trazer a pessoa de volta ao equilíbrio. O Airveda, muita gente eh não sabe, mas é um sistema de medicina bastante eh interessante e complexo, né?

O Herveda tem várias especialidades, tem oito especialidades, né? Para ser mais específica. Uma delas é chamada de medicina interna, a outra é pediatria. Depois depois vem olhos, ouvidos, nariz e garganta.

Muitas vezes é falado como otorrinolaringologia, psiquiatria, cirurgia, toxicologia, rejuvenescimento e longevidade, medicina reprodutiva e afrodisíacos. Então, a Herveda tem muita literatura, muito conhecimento sobre todas essas áreas. E quando a pessoa estuda para ser um médico, uma médica eh do Airveda, ela faz o curso de de medicina airveda e depois mais adiante ela vai se especializar numa dessas áreas, né, numa dessas áreas que chamou mais atenção ou que ela se identificou mais. E antigamente na Índia o não só o Aurveda, na realidade o sistema de ensino na Índia é um sistema que chamado guruculam.

Então, guru quer dizer eh o mestre, aquele que que vai orientar, que vai guiar, que vai ensinar pra vida. E era um uma palavra também sinônimo de de residência, o lugar onde esse guro mora. E esse sistema de ensino era um sistema onde as crianças elas a partir dos 5 anos de idade, às vezes 7 anos de idade, mas nessa fase, né, 5 7 anos de idade, elas iam morar com o guru para aprender sobre aquele determinado eh digamos ofício. Ah, vamos imaginar aqui no caso do Airveda.

Então, no caso do Airveda, as crianças iam morar com o Vaidia, que é um médico ou médica do Airveda por muitos anos. E aí aprender tanto a parte, digamos, prática, quanto a parte filosófica, como a parte teórica do Airveda. Então, esse ensino, no início, ele era um ensino que ele era oral. Então, todo esse conhecimento, ele era passado de mestre para discípulo de forma oral.

E é uma época que as pessoas tinham uma memória muito melhor do que a gente tem agora, né? Hoje em dia a gente não consegue nem lembrar do número de celular de alguém muito importante para a gente lembra o nosso número de celular, mas de qualquer outra pessoa a gente tem uma certa dificuldade. A gente tem que dar uma olhadinha nos contatos, né? Porque tá tudo a a nossa memória agora ela é externa, né?

Hã, e esse sistema de medicina, eh, perdão, esse sistema de ensino, infelizmente, ele foi abolido, eh, por lei, né, pelos britânicos. Os britânicos estiveram alguns séculos ali na Índia e, né, como colonizadores e, infelizmente destruíram muita coisa. Então tem muita coisa da das ciências da Índia, né, em termos de literatura, conhecimento que se perdeu inclusive com relação à Aurveda, né? Muita literatura foi destruída, muitos dos dos médicos, das médicas, né, os vaides do Airveda foram proibidos, né, de de praticar, de exercer essa essa medicina tão tão fantástica.

E como esse sistema de medicina, esse sistema de ensino, ele foi simplesmente abolido pelos britânicos, os britânicos então trouxeram, né, levaram para pra Índia, impuseram, na realidade o sistema de ensino eh europeu, né, o sistema britânico de de ensino. Então, antigamente todas todas as ciências da Índia, como eu comentei um pouco antes, né, as ciências relacionadas à arte, a medicina e etc, elas eram ensinadas nessa forma, né, no sistema guruculan de mestre para discípulo. Mas hoje em dia na Índia o airveda e todas as outras profissões, todos tudo na realidade com relação à educação, é nesse sistema que eles chamam de sistema britânico, né? Porque foi levado pra Índia e de fora, né?

Os ingleses levaram para lá. E aqui nessa imagem, no lado esquerdo tem uma universidade muito importante, eh, grande norte da Índia, num estado que chama Girat. E aqui na imagem de baixo é no sul da Índia. É uma outra grande eh instituição de Airveda, uma grande universidade airveda que fica no estado do Kerirala, que é Amarrit University, que é muito importante também.

E aqui dou dois exemplos, né, de como é hoje, né, na sala de aula. é um sistema como o nosso, né, que também é esse sistema eh eh ocidental de ensino. Então, na imagem de cima, estão ali os alunos na sala de aula, eh, numa aula teórica, né, de de Airveda e na imagem de baixo aqui já os alunos um pouquinho mais paraa frente no curso aqui com o médico fazendo discussões de caso, etc. Mas aqui para ilustrar para vocês que esse sistema foi modificado, né?

O sistema de ensino da Índia, o tradicional ele não existe mais. E o sistema de ensino na Índia hoje é dessa forma, né? Então, como se estuda a Irveda hoje na Índia? Como qualquer outro curso de medicina?

Isso é uma coisa interessante também da gente saber que aqui no no Brasil ou no Ocidente no geral, né, quando uma pessoa é um médico ou uma médica, a gente eh se quiser saber, né, qual é a especialidade da pessoa, a gente vai falar: "Você eh trabalha com qual especialidade? Ah, eu sou cardiologista, neurologista, psiquiatra, etc. Na Índia, quando alguém diz que é médico ou médica, na realidade a gente pergunta: "Qual o sistema? Porque a pessoa pode ser médico no sistema ocidental, que na realidade lá na Índia chamam de medicina inglesa, porque é o sistema de medicina que os ingleses levaram para lá, o sistema ocidental.

Pessoa pode ser médico do Airveda, ã, da medicina sida, que é um outro sistema de medicina tradicional do sul da Índia, medicina une. Naturatia e homeopatia. Então são sistemas diferentes, mas a forma como se estuda hoje é dessa forma, né? Na universidade todos esses eh seis seis cursos, né, de de medicina diferentes, de sistemas diferentes, eles têm a mesma a mesma carga horária, o mesmo tempo de curso, são 5 anos e meio de curso e e residência.

E no sistema Guruculan era diferente porque não tinha um tempo específico, uma quantidade de anos específico que o aluno ia estudar, era o mestre que decidia. Então a criança ia nessa idade de 5 a 7 anos e estudaria com aquele mestre até o mestre sentir que aquela pessoa está pronta para praticar aquela profissão. Então ele não ia pensar somente nessa parte técnica, na parte teórica, por exemplo, de um curso de medicina. ver também se aquela pessoa eh tinha os princípios éticos, morais, etc., para praticar aquele aquele aquela determinada profissão.

Aqui no caso o a medicina Airveda. Hoje na Índia tem muitas instituições de ensino, ou seja, muitas faculdades de medicina airveda. E o curso de medicina aurveda, ele é chamado de BS, que é uma sigla que quer dizer bachelor Airveda, medicine and surgery, ou seja, é o bacharelado e medicina, airveda e cirurgia. O aurveda também faz cirurgia, não cirurgias tão grandes como as cirurgias da medicina ocidental.

Mas também já se fazia cirurgia antigamente e continuam fazendo. Ã, na Índia hoje tem 513, talvez tenha um pouquinho mais agora, mas em torno mais de 500 eh faculdades de de medicina airveda. A duração do curso, como eu falei, são 5 anos e meio em residência. H, as instituições de pós-graduação em Aerveira, naquelas especialidades que eu comentei um pouco antes, é mais de 140, e tem mais ou menos uns 450.000 médicos eh airveda, se pensarmos todos os médicos da médicos e médicas do sistema dos sistemas tradicionais, incluindo a ir medicina, sida, unan, etc., são em torno de 800.000 médicos e médicas.

Então, a Airveda é o sistema que tem mais eh gente estudando. Tem quase 3.000 hospitais eh de Airveda e hospitais, obviamente tamanhos diferentes, hospitais grandes, hospitais menores, hospitais rurais, hospitais das cidades. E tem em torno de 8.000 fábricas de medicamento. Essa é uma outra coisa interessante da gente pensar com relação àirveda, porque no airveda toda todas as medicações, todas as formulações dos medicamentos do Airveda, eles não podem, nenhum medicamento airveda pode ser patenteado, porque essas formulações, elas são formulações eh de conhecimento público, elas estão nos textos clássicos do Airveda.

Então, qualquer pessoa que tenha conhecimento, né, tem estudado a Irveda e queira se especializar, por exemplo, em em fabricar os medicamentos, ela pode, claro que vai ter que comprovar, né? E tem todo um sistema ali na na índia de comprovação, mas ela pode abrir assim uma fábrica pequena, uma fábrica maior, não importa. Os medicamentos do Airveda são medicamentos que qualquer pessoa com conhecimento pode eh manufaturar. E uma outra coisa bem interessante na Índia, eles têm um ministério que chama Aush, que é um ministério que vai cuidar da desses sistemas de medicina, que é o Airveda, naturopatia, cuida também da do yoga, medicina unani, medicina sida e homeopatia.

Então, é um ministério que vai eh inclusive ver nas as instituições de ensino se elas estão eh com um bom nível, se estão eh dentro dos padrões exigidos, vai cuidar também da parte das medicações, né? Se as se as farmácias, se as fábricas de medicamento elas estão fazendo de acordo com os hã as formulações adequadas. Ah, inclusive eu tenho um medicamento aqui do Airveda por casualidade. Aqui tem, esse aqui é para tosse porque eu estou com tosse já alguns dias por conta desse tempo seco.

E é interessante aqui tá um nome, é um um nome longo, né, no idioma sanscissa patriade, que é o nome do medicamento. E é aqui não vai dar para vocês lerem porque tá muito pequenininho, né? Mas todo o medicamento do Airveda no na caixinha ou no potinho, no frasco, enfim, tem que dizer de qual da das dos livros, né, de qual dos textos do Airveda que essa formulação foi extraída. Ou seja, você encontra esse mesmo medicamento feito por centenas ou até milhares de farmácias eh fábricas de medicamento na Índia.

Essa aqui é uma formulação eh clássica, é uma formulação muito comum para vias aéreas, não somente tóci, né, mas para vias aéreas no geral. Bom, e a no Brasil, a gente tem aqui uma política que eu gosto bastante, que é a política nacional de que a gente chama de PNPIC, que é política nacional de práticas integrativas e complementares. Ah, e no Brasil a gente tem e 29 práticas integrativas e complementares que já estão, já estão, acho que melhor dizer, deveriam estar disponíveis para todos os usuários do SUS em todos os aparelhos do SUS, né? Então, as primeiras eh práticas elas foram incluídas, né, no Sistema Único de Saúde em 2006.

E foram essas cinco, né, acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia e termalismo. Depois, né, de alguns anos, em 2017, outras 14 foram incluídas. Nessa leva entrou o Airveda e depois em 2018 mais 10. Há outras várias que que nos próximos anos provavelmente também entrem.

né, para o o Sistema Único de Saúde. Por que que eu digo que assim eh na política é lindo, é maravilhoso, mas na prática se você for, por exemplo, num hospital público ou numa numa numa UBS e chega lá e fala: "Eu gostaria de passar por uma consulta com Airveda ou com algum desses outros sistemas, alguns alguns eh postos de saúde você vai encontrar, talvez Heikake ou yoga. homeopatia, acupuntura, mas a gente não encontra as 29, né? E muitas vezes, inclusive porque os gestores não conhecem essas práticas e também a população muitas vezes não conhece.

Então tem também todo um papel aqui, né, da população, né, de controle social. Por [limpando a garganta] isso que é importante que a população conheça essas práticas todas, todos esses sistemas e que faça também o seu papel, né, de pressionar ali os gestores para que cada vez mais a gente tenha profissionais treinados nessas nessas eh eh práticas integrativas e complementares todas e que esse esse esses eh essas práticas todas estejam disponíveis dos usuários do SUS, até porque diminui bastante, né, a quantidade de medicamento que as pessoas tomam e adoecimento quando a gente, né, pode receber uma massagem, receber um heake, ah, ou, eh, ser tratado com naturopatia ou fazer, né, alguma coisa que às vezes nem tá diretamente conectado com com a medicina, como por exemplo, uma meditação, uma biodança, uma dança circular. mas que com certeza vai melhorar muito a nossa saúde, né? Qualquer coisa que diminua nosso estresse vai melhorar bastante a nossa saúde.

Então fica aqui também essa esse apelo, né, para que todos nós a gente exerça essa função, né, de falar com os gestores e de conhecer essas práticas e pedir que elas estejam eh realmente disponíveis, né, no no SUS. E aqui a portaria, né? Trouxe para vocês aqui essa essa essa portaria, né, que é a 849 de 27 de março de 2017. Ou seja, já tem bastante tempo, né, que o Airved está ali que deveria estar disponível para os usuários do SUS, ah, teoricamente em todos os todos os aparelhos, né, ah, do SUS, mas são pouquíssimos, né, que a gente eh consegue encontrar alguma dessas práticas integrativas e complementares.

Quando a gente fala de Aurveda, a gente não pode deixar de mencionar, de trazer, né, eh, os vedas. E aqui também só vou dar uma pincelada para vocês entenderem também o contexto, né, dos Vedas e do Airveda. Então, os vedes são as escrituras sagradas, né, que são consideradas como parte do do conhecimento divino. Ou seja, é um conhecimento que foi revelado pelos deuses, eh, e intuído, ou seja, eh os os grandes assetas, os grandes sábios, né, os videntes, que a gente chama de videntes inspirados em meditação, eles é como se tivesse feito um download, né, do dos Vedas, né, então foi revelado a eles, né, hã e isso foi passado, né, de uma geração para outra por muito tempo, de forma oral e somente no século X antes de Cristo é que ele esse Vedas foram compilados, né, de forma escrita.

Então, os vedas a gente tem quatro, né? Esses hinos vélicos, eles são quatro obras, né? O Rigved Veda, que é o saber das preces ou das estrofes, né? Porque ele é eh tá em em slas, né?

Em estrofes, que é o primeiro, né? O mais antigo deles. Depois vem o Iadurveda, que é o saber do sacrifício, ou seja, das fórmulas sacrificiais. Depois vem o Sama Veda, que é o saber dos cânticos ou das melodias.

E depois vem o Atarva Veda, que é o saber dos encantamentos, das fórmulas mágicas, né? Esse é o último, né? ele foi acrescentado mais tarde. E aqui o que é interessante, eu trago inclusive essa essa informação sobre os Vedas, porque no Atarva Veda, que é esse eh último dos quatro Vedas, no livro 11, no hino 6 verso 15, eh eles têm essa essa eh esse esloca, né, essa estrofe.

E aqui vocês veem, inclusive, né, eu coloquei ali em sânscrito, no idioma sânscrito. E aqui a tradução que diz o seguinte: os cinco reinos das plantas, tendo soma, soma é uma das plantas, ou seja, ela como principal, né? Tendo soma como seu chefe, nós abordamos dar, banga, cevada e sarra, que eles nos libertem da aflição. Ou seja, essas cinco plantas são plantas muito importantes para trazer saúde, tanto física quanto eh psíquica emocional, ou seja, são plantas muito importantes para eh liberar, libertar os seres humanos da aflição, aquilo que nos aflige a nível físico ou a nível emocional.

E aqui banga se refere a cannabis, ou seja, ali no Atarvaveda já menciona, né, a importância da da cannabis com uma das cinco plantas que vai nos eh trazer mais mais saúde, mais qualidade de vida, nos libertando, né, das nossas aflições físicas e emocionais. E uma outra coisa que eu achei importante trazer, que não vou me deter muito nisso, mas quando a gente fala de canavis, a gente fala de banga, nesse contexto da Índia, é importante trazer também essa essa questão eh mitológica, né? Se vocês eh forem dar uma olhadinha, por exemplo, na na internet, né? Coloca ali Chiva, Deus Chiva e Cannabis.

Vocês vão ver que vai aparecer algumas conexões, vai sempre mencionar alguma coisa. Nessa imagem da esquerda aqui, tá? O Deus Chiva, que é um dos deuses, né, da mitologia hindu. Ele tá com um potinho na mão.

E esse portinho na mão, na realidade é, vocês vem aquele assim meio azulado, né? Esse portinho na mão é um um veneno, tem toda uma história, né, mitológica ali que estava acontecendo no mundo naquele momento de uma ah onde os deuses e os e os demônios estavam o tempo inteiro brigando. Aquela coisa da briga, né, da da de luz e sombra. Mas enfim, eles estavam brigando porque ambos queriam conseguir o néctar da imortalidade, que queriam viver para sempre.

Então, para conseguir esse nécto da imortalidade, [limpando a garganta] eles tinham que fazer uma uma tarefa bem complicada que era eh extrair do do oceano de leite. Lembrando aqui que a gente tá falando da mitologia, esse néctar, mas o oceano era muito vasto, né, muito grande. Então eles precisavam de uma de como se fosse uma cordinha e algo, né, no meio para fazer essa fricção ali para enquanto vai fazendo essa fricção ali como se fosse eh eh chacoalhando, né, aquele aquele oceano de leite, se extrairia essa esse esse amrit, essa esse néctar. O que que eles usaram para fazer isso?

um a parte central dentro do do oceano era uma montanha que eles colocaram e em volta dessa montanha colocaram uma grande cobra, né, que chamada Vasuk. Então, na na numa ponta da cobra seguraram os e deuses na outra ponta ali onde tá a cabeça, os assuras, que são os demônios, e ficaram puxando um de um lado pro outro para ir chacoalhando, né, esse ah esse leite para que fosse extraído esse néctar da imortalidade. De tanto puxar para lá e para cá, usando a cobra, né, essa grande cobra, como se fosse essa uma corda para fazer esse movimento, ela começou a passar mal. e ela eh eh ia vomitar um veneno, né?

Eh, [limpando a garganta] e esse veneno ia destruir o mundo. Então, Shiva, quando ele percebeu que isso ia acontecer, ele pegou esse eh esse veneno que essa cobra ah, essa serpente ia vomitar e ele bebeu. Porque se caísse uma gota desse veneno na terra, onde caísse, tudo seria destruído, ou seja, o universo teria destruído. Então, quando ele bebeu esse veneno, que era um veneno, um veneno muito potente, a esposa dele tava próxima e ela viu que se ele bebesse todo esse veneno, ele iria morrer.

Então, ela segura na garganta dele, né, para que ele não engula esse veneno. E o veneno fica parado na garganta. Por isso que vocês vão ver muitas imagens de Chiva, que ele tem a garganta azulada. E inclusive ele, um dos nomes de Shiva Nila canta, significa aquele da garganta azulada.

E uma coisa que eu descobri recentemente, conversando com um amigo que é um um indiano, grande estudioso da da mitologia hindu, eu pedi para que ele me explicasse um pouco melhor essa história. Ele falou: "Então, o que aconteceu é que quando ela segura na garganta e de Chiva para ele não engolir o o veneno e morrer imediatamente, ela pega banga e coloca na boca dele, porque banga era um antídoto. Ela diminuiria o veneno, a potência do veneno dessa cobra. E por isso assim, ele ficou um tempo, né, com com o veneno ali, enquanto ela, né, pegou ali a banga, né, a maconha, canabis, e colocou na boca dele.

Então isso também para ilustrar, né, o poder da cannabis, que ela foi capaz de salvar ali a a vida de de Chiva para que ele não fosse eh envenenado, ele querendo salvar o universo, acabasse morrendo, né? E aqui do outro lado, essa imagem desse Sadu, Sadu são os assetas, né? Eh, na Índia, que eles geralmente vivem nas florestas ou nas montanhas. Muitos vivem no nos Himalaias.

E eles são eh pessoas que se desconectam de tudo da vida para somente viver a espiritualidade. Então vivem em meditação, fazem alguma algumas penitências e eles não têm nenhuma posse, inclusive não tem nenhuma posse de roupa. Eles usam andam totalmente nus, tanto homens quanto mulheres. Tem muito mais sadus homens do que mulheres, obviamente, né?

Isso é uma coisa que na Índia é uma coisa mais recente, né? eh, que que tem mais sadus mulheres e os sadus eles então por conta dessa história mitológica que, né, que Gand, né, que Cannabis está conectado com Chiva e esse meu amigo explicou que muita gente na Índia eh disse que eh tá tudo bem fumar maconha, se você é adorador, né, se você é seguidor ou seguidora de de Chiva, porque Chiva está conectado com canabis. E aí ele me explicou essa história toda, falou: "Tem esse lado, mas eh a história da cannabis com chiva foi isso, né, que na realidade a esposa de Chiva usou a cannabis para salvar Chiva desse envenenamento, lembrando, né, dessa potência ah incrível dessa planta. E os sadus na Índia, eles então dentro desse contexto, né, mitológico, religioso, a cannabis ela é permitida por esses assetas.

Então, na Índia a cannabis é proibida, né? Se você for pego, fumando maconha, você vai preso. Ou se você for pego, né, na carregando, né, tem na sua bolsa coisa, vai ser preso, vai ser presa. Mas o sadus não.

Então, dentro desse dentro de um contexto ritualístico, ela é permitida. Então, é muito comum durante festivais. Na Índia, na Índia tem vários festivais ao longo do ano. Inclusive este ano teve um um festival que é gigante, que eu não sei se vocês já ouviram falar, que chama Marra Cumbamela e que é um festival que dura eh 45 dias.

Este que aconteceu esse ano, ele acontece a cada, se eu não me engano, a cada 12 anos e reuniu nada mais nada menos que 400 milhões de pessoas nesse festival. Claro que não todos no mesmo dia, né? é um festival que dura 45 dias e ao longo de 45 dias se reuniu a à beira do do rio Ganges eh para tomar esse banho, né, que eles acreditam que eh nessas datas específicas tem toda uma conjunção planetária eh importante e quando você toma um um faz um mergulho, né, nos rios sagrados, principalmente o rio Ganges, você como se você eh lavasse, né, to toda todas as as impurezas, digamos, não físicas, mas impurezas eh digamos a nível mais sutil. É como se você zerasse ali o seu karma.

Então é muito comum essa cena desse eh aqui, né, um sadu, mas nesses festivais, por exemplo, indiano, são [limpando a garganta] milhares de sadus. Se vocês derem um um Google e coloca lá Sadu, SH U, eh, e coloca festivais ou alguma coisa assim, vocês vão ver eh, fotos deles em momentos diferentes de festivais. E isso é uma coisa interessante, porque eles podem estar assim no lugar público, sentado à beira, eh, de um rio, debaixo de uma árvore, fumando eh ganja sem nenhum problema, né? fumando cannabis.

A polícia vai passar para lá e para cá. Ninguém vai eh olhar assim meio torto, nem falar nada, porque é totalmente permitido para eles. E aqui eu trago eh dois eh dois artigos, né, de alguns pesquisadores indianos. Inclusive uma das formas, né, de se chamar canabis na Índia é essa palavra em sansk, que quer dizer vigia.

Daqui a pouco eu já falo um pouquinho mais sobre isso, mas esses pesquisadores, eles escreveram esse fizeram uma revisão na literatura clássica do Aurveda para ver qual que era qual que era o uso terapêutico eh da cannabis no e a importância da cannabis no Airveda. Então eles consultaram aqui várias eh várias dessas eh desses livros dessa literatura do Airveda. E aí eles falam isso, né, que Viji, ou seja, Cannabis, eh geralmente é conhecido como Banga em rind, que é um dos idiomas eh da Índia ou cannabis em inglês e que ela desde sempre foi usada, né, pelos médicos do Airveda e para tratamento de várias doenças, né? várias questões de saúde, mas que recentemente, recentemente, quer dizer, algumas décadas, por questões de de eh do abuso da da cannabis como droga, ela acabou sendo eh não banida, mas eh não usada com tanta com tanta frequência.

E nessa nessa pesquisa, nessa revisão que eles fazem, eles veem que em vários dos textos do Aurveda, eles mencionam várias questões de saúde, por exemplo, problemas eh doenças na cabeça, tosse, problemas eh de ordem urinária, problemas de pele, cólica, inflamações, asma, orticária, [limpando a garganta] eh, e várias questões também de digestão, né? Síndrome de uma absorção, síndrome do intestino irritável. Ou seja, que a cannabis ela eh sempre foi usada no Airveda para várias questões eh de saúde, para tratamento de várias questões importantes de saúde. Nesse outro paper aqui, nesse outro artigo, esses [limpando a garganta] pesquis esses pesquisadores desse artigo, eles fazem uma revisão conceitual, né, da cannabis e o chamam a cannabis de ambrosia, ou seja, que é uma outra palavra para néctar, né?

Ou seja, que era um néctar que era muito conhecido, néctar nesse sentido, né, de ser uma planta, de ser um um medicamento eh extremamente importante, muito potente, muito eficiente e que por muitos anos acabou sendo deixado de lado, acabou sendo esquecido pelos próprios médicos eh do Airveda, mas também por essa questão, né, de ter sido eh proibida assim esse esse uso mais eh mais vasto como era antigamente no Airveda e aqui nessa nessa pesquisa eles falam também, né, desse nome da cannabis como Vidi, que é um dos nomes mais comuns para cannabis eh no Aurveda, e não somente do uso como eh medicamento, mas também falam do desses aspectos, né, da espiritual eh da cultura indiana, né, que é uma uma planta, um medicamento que que estava ali muito presente na cultura indiana e que hoje em dia ela é uma substância controlada, ah, e que na Índia ela ela cai dentro desse desse hall de drogas que são proibidas. E aqui também, novamente, nesse nessa pesquisa, eles mencionam vários problemas de de saúde que era comumente tratado pelo aurveda com a cannabis junto com outras plantas. E a cannabis tem muitos sinônimos, até porque na Índia tem muitos idiomas, né? Tem sanso, que é um um idioma eh da literatura, das ciências da Índia e dos Vedas, como a gente viu agora a pouco, mas tem muitos idiomas.

E uma outra característica, inclusive do sânscrito, é que uma mesma palavra pode ter vários significados e uma mesma coisa pode ter muitos nomes, como no caso da cannabis. Aqui tem alguns sinóios, né? Uma forma de chamar ah cannabis é chiva mu, ou seja, que ela mitologicamente ela tá conectada com chiva, né? origin originaliva viajia, que é o nome mais comum, aparece num numa quantidade maior de de livros e quer dizer vitória.

E aqui no sentido de vitória contra doenças, né, tanto a nível físico quanto a nível emocional. Bang, que é aquela que trata eh três tipos básicos de doença aqui, doença do corpo físico, doenças emocionais e doenças eh espirituais. Gandia, aquela que causa intoxicação como alcoolismo. Vimardini, que o processo é feito por trituração.

A gente vai ver daqui a pouco também as formas usadas. Divia, aquela que causa alegria, que causa prazer. Sida, uma erva sagrada. Sida, aquela que concede iluminação.

Sida mul, aquela eh os acetas deram um nome para essa para essa erva. Ou seja, os sadus que a gente viu agora a pouco que deram esse nome para ela. Mandudrava, aquela que estimula hormônios no Bramaranda, que é que é uma parte do nosso cérebro. Tida, Tidalada, aquela que dá felicidade e alegria e aquela que restaura a saúde, aquela que proporciona a vitória sobre a morte.

Ou seja, é uma uma planta tão potente que a pessoa pode estar tão doente e até próxima da morte que ela vai te trazer de volta pra vida. E o outro tome é aquela que cura todas as doenças, ou seja, ela era amplamente usada como um uma planta medicinal eh para muitas questões de saúde. E aí, pensando aqui em termos de propriedades farmacológicas, né, isso é bastante importante no Airveda, ah, a potência de uma determinada planta, de uma determinada erva, a, o sabor, qual o efeito sobre o doce, tudo isso é importante e vai determinar como é que a gente usa e que situações a gente usa para desequilíbrio de wata, de pita ou de capa. Então, ah, cannabis tem o sabor amargo e picante.

Ah, é uma planta que ela é leve e ela é penetrante, ela tem uma potência no airveda, isso é importante, né? Eh, as plantas, elas as plantas medicinais elas vão ter duas duas potências possíveis. ou ela tem a potência quente ou ela tem a potência fria, ela vai ter a capacidade de esquentar ou de esfriar. E aí a gente vai também decidir, né, quando a gente usa, se eu preciso esfriar ou se eu preciso esquentar aquele processo de adoecimento ou aquele processo que a pessoa se encontra tá precisando que seja eh a pessoa seja resfriada ou aquecida.

sabor pósdigestivo, que é algo muito eh próprio do Airveda. Então, a gente tem um primeiro sabor, que é aquele que a gente sente quando colocar algo na boca, o primeiro sabor. E após a digestão tem um outro sabor que ser importante, porque determinadas plantas, o efeito importante dela para curar um determinado algum processo de adoecimento é o sabor após a digestão. Então, por exemplo, um sabor picante é um sabor que ele aumenta, o sabor picante, ele tem muito elemento fogo, então ele vai aumentar pita.

Então, o sabor picante não é um sabor apropriado para tratar pita, mas é um sabor muito apropriado para tratar capa, por exemplo, né? Ah, a outra coisa que é importante é o, a gente sempre vai pensar qual o efeito sobre o docha. Então, no caso da cannabis, no caso do pita, ela é uma planta que ela é quente, né? Ela é picante, então o o pita já é quente, já tem muito elemento fogo, então não vai ser bom porque vai aumentar pita.

No caso do vata e do capa vai ser bom justamente porque vata e capa são frios e a cannabis ela é uma planta quente, então ela vai e equilibrar vata e pita, perdão, vata e capa. Uma outra característica mencionada nos textos, né, do Airveda sobre o o a cannabis é essa outra, [risadas] essas duas outras palavras em sânsc diz o pavicha varga. Quer dizer, uma é uma planta que ela é um subveneno. Quer dizer, o que quer dizer ser subveneno?

É que ela precisa passar por um processo de purificação para ser usada. Não pode simplesmente pegar do jeito que está e usar. Então o processo de purificação no aurirveda é chamado de shodana. Então esse processo ele vai remover as impurezas de uma determinada planta e vai aumentar as propriedades terapêuticas daquela planta.

Então é sempre necessário fazer um processo, né? Quando a gente faz as formulações do Arveda, que a gente tá fazendo esses processos, fazendo um processo de purificação, um processo ali de aumentar hã a os valores terapêuticos das plantas. E nos textos eh clássicos do Airveda, foram encontrados vários deles, né? Foram encontrados cinco métodos mencionado em determinados livros.

um método ou outro que era usado e que é usado para se se fazer a as medicações a partir da canabis. Ou seja, quais são esses esses processos de shouldana, quais são esses processos de purificação. Então, o método um, as folhas da canabis são colocadas, elas frescas, né? São colocados uns sacos de pano.

Aí ela é lavada em água até essa cor esverdeada sair totalmente. Aí quando você lava a água já sai clarinha, não sai mais nada esverdeado. Aí você retira daquele pano e você deixa secar o sol. Aí depois disso você pode usá-la na nas formulações que você vai fazer.

Esse processo ele é mencionado nesse nessa nessa literatura, né, que é a farmacopeia da Índia. Esse processo diminui em 26% o THC. O segundo método, as folhas secas. Primeiro você recolhe, deixa secar, aí você lava e depois você vai eh prensar essas folhas.

Depois você vai colocar para ela é secar novamente a luz do sol. Depois que elas estiverem sequinhas, você vai torrar no gui. Gui é a manteiga clarificada. E aqui fala guia de vaca, porque o guia, a manteiga clarificada, ela pode ser feita de leite animal, vários tipos de leite.

Leite de cabra, lá na índio tem, usa muito também leite de búfala, mas aqui é o leite de vaca. Então, eh, esse método é mencionado nesse determinado livro e esse é um e é o único que não não tá descrito quanto por cento THC eh diminui. Ah, o terceiro método, as folhas secas, elas são lavadas em água. Depois, de novo você coloca para secar, né, sob a luz direta do sol.

E depois também ela é tostada em guia de vaca, mas por um período longo, né? Ou seja, em fogo baixo. Isso diminui em 85% THC. O método quatro, as folhas são aquecidas numa decocção de decocção e no airveda é um pouco diferente do que a gente pensa em decocção, né?

Em decocção aqui no no Brasil a gente pensa em ferver, né? você ferve por um um tempinho maior. Decoção no airveda é uma é uma coxção lenta. Você cozinha aquela determinada substância por um tempo lento, por um tempo longo e num fogo baixo.

Então, nesse método quatro, ah, as folhas elas são assim cozidas nessa na deção dessa planta, né, que é a casca da da cáácia arábica. por mais ou menos uns 24 minutos, né, em fogo brando, baixinho, depois você bate ela no leite de vaca. E de todos os métodos ali mencionados, esse é o considerado o melhor método de purificação. Ele diminui em 43% o valor do THC.

O que que é isso que eles consideram o melhor ou pior método de purificação? é um método que vai fazer com que quando você eh for produzir os medicamentos, né, fazer as formulações, vai combinar com outras plantas e outras substâncias, você vai ter um melhor resultado. Aí tem o método cinco, que as folhas também são aquecidas em leite de vaca, só que um tempo maior, né, por 3 horas, você vai cozinhando ali por um por um [limpando a garganta] tempo maior em fogo baixo. Depois você retira essas folhas, espreme, tira todo aquele leite.

Aí você lava com água. Aí depois você coloca para secar também na na luz direto do sol e depois que ela estiver sequinha você frita no no gui eh de de leite de vaca. Esse método diminui em 65% o teor de THC. Aqui eu trouxe algumas das ações farmacológicas da cannabis, né?

Tem tem muito mais que isso. Trouxe algumas só para exemplificar. do que tá descrito ali na literatura da veda. Então ela, a cannabis melhora a digestão, melhora o apetite, aumenta libido e afrodisíaca, ah, ela causa perda de peso, ela aumenta a capacidade intelectual, proporciona a felicidade, induz o sono e é rejuvenecedora.

E de acordo com os textos clássicos, também tem formas de se administrar os medicamentos feitos a partir da cannabis. Então, depende da parte que é usada. Então, se se são as folhas, você pode fazer o suco fresco, ou seja, o sumo da planta na realidade e administrar de via oral. Se forem folhas e sementes, você seca, tritura, faz um pó bem fininho e também administrado de forma oral.

Não quer dizer necessariamente que é administrado sozinho, tá? Ela pode ser administrada junto com alguma outra ã alguma outra substância com o guia ou alguma outra coisa assim. Se forem folhas e sementes, de novo, você pode secar, triturar bem fininho e aplicar eh eh via eh nasal, assim como algo parecido com o uso que a gente faz do rapé. Se forem só as sementes, você extrai o óleo da semente e aí você usa também eh via nasal, pingar o óleo nas narinas.

Se for só as folhas, também dá para fazer uma decção e usar como enxaguatório bucal quando a pessoa tem algum problema na mucosa, né, da da boca, gengiva, língua, etc. Ou também uso externo, quando a pessoa tem algum problema de pele. E o caule, vê que eles usam tudo, né, da da cannabis, da planta. E o caule fresco, aquele pedacinho entre os nozinhos, né?

Entre um nozinho e outro, você morde, né? Morde aqui uma pontinha, dá uma mastigadinha, aí fica parecendo uma uma escovinha e é o que eles usam para escovar os dentes. E, aliás, esse é o é o tipo de escova de dente mais comum na Índia, né? A escova de dente é uma invenção relativamente nova, né?

Então, um país tão antigo como a Índia, como que eles faziam para escovar os dentes? Não existia ainda escova dentes. Eles faziam isso. Então, eles usam, até hoje, isso é muito comum, eles usam vários tipos de galinhos de plantas que não é muito duro, como por exemplo da folha de ninho, às vezes da mangueira e a cannabis também.

Então, é uma cena muito comum você não em cidades grandes, né? cidades grandes na Índia já estão bastante ocidentalizadas, a gente não vê isso, mas em cidades menores e zona rural, essa é a escova de dente. Pode ser um um caulezinho de qualquer planta que seja um pouquinho mais macia, que dá para dar uma mastigadinha na ponta e depois escovar os dentes. E com relação aos usos tradicionais, né?

Então, nesses estudos que os pesquisadores fizeram dessa literatura, né? Eh, tanto a literatura no aurvedo, a gente tem uma divisão na literatura, uma parte a gente chama de de clássicos maiores e outra parte a gente chama de clássicos menores. Então, os clássicos maiores são esses mais antigos, mais importantes e os clássicos menores são os que vieram depois dos maiores, que muitas vezes fazem referência a esse eh essa literatura mais antiga. Então, toda essa literatura que eles revisaram, eles encontraram 191 formulações com canáis, ou seja, 191 medicamentos feitos a partir de canáis, 187 para o uso interno e quatro para o uso externo.

Esse uso externo [limpando a garganta] pode ser na pele, por exemplo, né, com alguma afecção. E também encontraram entre 29 e 50 indicações, né, para para quais eh problemas de saúde aquela determinada formulação era indicada. E também nessa revisão que eles fizeram da da literatura, eles encontraram várias formas, né, de administração, pós. E esses pós eles podem ser com aqueles que a gente viu agora h pouco, um pó bem fininho, que é administrado como se fosse um rapé ou pós às vezes menos eh fininhos, que pode ser usado eh via oral ou às vezes até na pele, comprimidos, decocções.

Grita é o guiado. Quando a gente pega o gui e faz uma um remédio com algumas plantas, né, geralmente fazendo um certo cozimento, né, da das plantas naquele gui que é a manteiga clarificada. A valerra são os remédios do Arveda que são em formas de geleia. Tem vários medicamentos do a que são assim.

Geralmente são os tônicos, né? Os tônicos sempre tem essa essa constituição, né, de de geleia e são bem saborosos. é o único remédio do avereda que é gostoso. Depois a gente tem e arista, que são dois tipos de de formulações do do Airveda que são fermentados, né?

Um é fermentado da planta fresca e o outro quando tem uma faz primeiro uma decocção da planta para depois deixar ela fermentar. E os óleos medicados, né? Quando a gente pega um determinado óleo, o mais o óleo mais comum de se usar no Airveda para fazer óleo medicado é o óleo de jelim. O segundo é o óleo de coco e depois tem outros óleos, né?

Tem, por exemplo, óleo de ríco, tem eh outros óleos que se encontra lá na Índia, mas eu diria que pelo menos 80% dos óleos medicados da Irveda, o óleo base, né, para fazer esse óleo medicado é o óleo de linha. E o que que é um óleo medicado? é você pegar um um óleo vegetal, como eu comentei agora, pode ser óleo de coco, rino, gergim, mostarda e você faz uma uma um preparo, né, com plantas medicinais, onde você vai cozinhando, né, as plantas, fazendo uma decocção. Essa é uma das formas, uma decocção da das plantas daquele óleo.

E esse óleo pode ser muitas vezes para uso interno, mas a grande maioria é para uso externo, né? Maioria há várias massagens que se faz, né, para para questões de saúde, onde esse óleo medicado é aplicado na pele, então vai ser absorvido eh uma forma de se medicar a pessoa eh através da pele, ele vai ser absorvido pelos poros. E a outra coisa que eles encontraram, outra informação importante é com relação à quantidade, né, desse medicamento, qual que era a posologia. Então, geralmente e era de 125 a 250 mg.

E ainda falando sobre usos tradicionais, aqui tem uma lista, né? Lembra? Eu falei de de 29 a 50, né? Eh, indicações.

Aqui tem alguns, eu vou comentar somente eh algumas delas. Primeiro tá o nome da da questão de saúde em sânscrito e e dentro do entre parênteses tá ali eh em inglês, né? Então, uma das questões muito comuns para se usar na cannabis é aqui o número um, que é quando a pessoa tem uma um capacidade digestiva muito baixa. E na visão do Airveda, ter uma capacidade digestiva baixa, ou seja, a gente não digerir bem aquilo que a gente come, aquilo que a gente bebe, é uma questão de saúde, porque isso pode levar a outros adoecimentos, né?

Pode gerar outras doenças, reumatismo, epilepsias, epilepsia, diarreia. eh síndrome de eh uma absorção, tumores eh abdominais, eh febre. Febre é uma questão importante no erveda porque indica outras questões de saúde, ã, prurido, psoríase, psoríases, eh, infertilidade, eh, a pessoa começar a ficar com cabelo grisalho muito cedo, eczemas, eh, abessos, gota, desequilíbrio de todos os doxas, eh, osteoartrite, anemia, eh, desequilíbrio de pita, ah, insanidade. Aqui no número 36 tem essa palavra umada.

Ah, um e geralmente é traduzido, né, como insanidade. Ah, insanidade na herveda quer dizer todos os desequilíbrios psiquiátricos. Aí entra esquizofrenia, bipolaridade, borderline, etc., né? Eles não tinham essa classificação eh separada.

qualquer desequilíbrio psiquiátrico entrava dentro, entrava não, entro, né, porque ainda é assim, dentro do guarda-chuva do que é chamado de umada, urticária, dores de cabeça, ejaculação precoce, ou seja, né, esses medicamentos eh que eles encontraram nessa nessa literatura que foi revisada era principalmente para esses 50 eh problemas de saúde. E aqui eu trago algum alguns eh algumas formulações clássicas do Airveda. O que a gente entende como formulação clássica no Airveda é aquela formulação de medicamento que está nos textos clássicos. Então, lembrando, a Airveda é um sistema de medicina que é muito antigo, mas ele é muito moderno também porque ele está em uso até hoje, ou seja, é um sistema de medicina que sobreviveu, né, a tanta coisa e ao tempo.

Então, as formulações que estão nos textos clássicos, esses textos antigos da Airveda, são chamados formulações clássicas, mas o Airveda é um sistema de medicina vivo, então há muitos médicos, médicas, pesquisadores do Airveda continuam desenvolvendo formulações novas, né? Então, essas 10 que estão aqui são as antigas. Então, a primeira ela é usada para eh todo tipo de problema de pele, a segunda para sínome de má absorção, a terceira para renite, a quarta é um afrolisíaco, a quarta também a a quinta é também uma medicação que é para síndrome de uma má absorção. Aqui na realidade tá síndo de uma absorção, né?

chama Grahane, mas Grahane no Airveda também engloba eh várias questões eh digestivas, não somente eh síndrome da má absorção, entra também eh hã um intestino que não funciona adequadamente. entre várias questões aí eh conectadas com o intestino, inclusive eh esqueci agora como é que fala ah em português o nome da doença, mas é parecida com uma absorção. a síndrome, síndrome do intestino, intestino irritável, ah, rejuvenecedora para desequilíbrio de todos os doxas, pra diarreia, para leucodermo, né, quando começa a pele meio que desbotar, né, ficar com com manchas brancas na pele e também é usada para ejaculação precoce. Essa é uma outra literatura que eu mencionei mais eh um pouquinho para trás, né, que é a farmacopeia eh aurvédica da Índia.

Então, a primeira publicação dessa farmacopeia, né, onde fizeram essa revisão de toda essa literatura clássica do Airveda e aí reuniram ali na nessa farmacopeia, foi publicada pela primeira vez em 78. Nessa farmacopeia eles colocaram todas as, porque os textos clássicos do Herveiro tem tem muita informação. As formulações é uma parte da das informações, né, do conhecimento do aurveda. Então, a farmacopeia aégica, essa literatura, eh, reúne essas formulações todas e fala também quais são os usos terapêuticos e quais são as doses.

Aqui tem um outro livro que é bastante interessante também, né, que tem esse nome em sâns bava para caixa. Esse já é um texto clássico, mas é dos clássicos menores, né? Ele é do século X. Então, nesse nessa literatura fala que o a cannabis é boa para remover capa, ou seja, com ter um desequilíbrio eh grande de capa, que o sabor dela é amargo, que ela tem a capacidade de absorver água, seja, por exemplo, quando a pessoa tá com edema, é uma é uma indicação, ela auxilia a digestão.

Então, a pessoa que tem um uma gestão eh inadequada ou com muita facilidade, a pessoa come, não consegue digerir bem, essa é uma boa planta, né, para para ser usada para melhorar a digestão da pessoa. Ela tem uma ação leve, ela é penetrante, é uma planta que tem a capacidade de de penetrar em tecidos corporais mais profundos. Ela gera calor, como a gente viu anteriormente, então consequentemente ela vai aumentar pita, ela pode causar um estádio de semiconsciência, ou seja, a pessoa fica assim meio, né, meio chapadinha, eh, sonência. Ah, aí nesse texto diz que induz ao delírio, eh, aumento apetite, aqui é a a larica.

E nesse texto também fala sobre os usos terapêuticos, né? Então, que o pó ele vai ter a característica ser a distring se é usado eh suco ou pó, quando são usados juntos com afrodisíacos, eles vão, ou seja, se você usa o suco com afrodisíco ou o pó com afrodisíaco, vai melhorar um humor e a dosagem é entre 250 e 500 mg. Essa é uma outra literatura importante que é um niganto. Niganto são essas essa esses textos clássicos antigos também.

E Madana Pala é o autor, então é o Niganto, é esse texto clássico desse autor chamado Madana Pala. Então aqui na matéria médica, que é e uma literatura bem importante, fala que a canabis tem um sabor amargo, que ela é leve, penetrante, que tem a potência quente, que estimulante digestivo, que alivia a capa, que cura a constipação, mas que ela agrava a pita e causa intoxicação. Então, de novo, lembrando que ela é uma planta que aquece e o pita já é quente. Bom, então em 85 a Índia e passou, né, um uma lei que é conhecida na Índia como essa a lei de 1985, que é a lei de drogas narcóticas e substâncias psicotrópicas de 85, que ela pune a produção, a produção, fabricação, venda, posse, consumo, compra, transporte e uso de drogas proibidas, exceto para fins médicos científicos.

Então, nessa nessa leva aqui eh de drogas, né, consideradas e substâncias narcóticas, a cannabis entrou como uma substância narcótica, a menos que ela seja usada para fins médicos e científicos. Então, o que que essa lei diz? Ela define a cannabis como uma droga narcótica baseada nas partes da planta que que são usadas, né? Então, dependendo que parte da planta você vai usar, aquela parte é considerada uma droga, é considerado e uma droga narcótica.

Quais são elas? Tcharas, né? Uma palavra santo para resina. Então, a resina de qualquer forma, né?

Ela separada em qualquer forma, bruta, purificada, ah, né? obtida da planta de cannabis também inclui a preparação concentrada e resina eh conhecida como óleo de raxe ou rachxe líquido. Ou seja, qualquer forma eh da da resina, seja ela mais durinha, mais líquida, ela é considerada eh uma droga narcótica e é proibida. Gândia, que são as influorescências ou ou os frutos, excluindo, né, as sementes, folhas, ã, ou seja, semente, folha é OK, as influorescências e os frutos não.

E quando fala das pontas, ou seja, você pode pegar a planta, as folhas pode usar, mas a a influorescência, né, aquela parte aqui de cima, não, independente do nome que você dê a ela. Então você pode chamar ela de gândia ou chamar de qualquer outro nome. Se é influorescência, ela é considerada uma droga narcótica. E o que é permitido?

Então as sementes, folhas e caules é OK. Então não é tudo da cannabis que é proibido na Índia. Então se você eh consuma, por exemplo, a semente é algo muito comum. Você em qualquer lojinha que vende especializementes de cannabis.

Não só cannabis, sementes de papola também. São duas eh sementes que é muito comum na culinária. A de canabis, na realidade eles usam mais para óleo, mas usam também como eh um ingrediente ali da da culinária. As folhas também é OK usar e o caule.

E nessa imagem eu trago uma coisa que que é bem comum na Índia, independente da cidade, pode ser uma cidade enorme, como a capital ou uma cidadezinha de de vilarejo, você encontra em vários lugares. Esse aqui, por exemplo, é uma lojinha autorizada pelo governo. Tá escrito ali autorizar, loja de banca autorizada pelo governo. Então você encontra em vários lugares, eh, no país inteiro.

E aqui vocês veem que é uma loja bem pequenininha, né? É uma mesinha, o cara sentado eh do lado ali do da caixinha onde tá o a bebida, né? Bang dentro. E aqui do lado tem os potinhos que ele armazena mais, né?

Acabou o que tá ali, tem até um copinho ali de medida. Aí ele pega daqui. Isso é interessante porque na Índia tem muitos festivais, né, ao longo do ano, né, festivais religiosos que são como é como o nosso carnaval, é na rua, né, e milhares de de pessoas e vários festivais, principalmente os festivais conectados com Chiva, essa é uma bebida eh livremente consumida, não tem problema nenhum. Então, em vários lugares tem eh vendedores na rua, nas esquinas, na portinha de de alguma loja, vendendo, não só nos festivais, tem algumas lojas que são fixas, mas é permitido.

E aqui trago também hoje, como é hoje na Índia, hoje já tem algumas eh indústrias farmacêuticas. Quando eu falo indústria farmacêutica, não quer dizer uma indústria gigante, né? pode ser uma uma fabricazinha pequenininha, né, de de medicamentos que já eh fabricam e comercializam medicamentos eh à base de cannabis. Esse primeiro, o de cima, que é o canaflã, é um anti-inflamatório, então ele tem ali e eh a proporção é eh dois para um, né, de CBD THC.

E o de baixo que é o canapin, que ele é um um hã um analgésico. E aqui a proporção CBD THC é um para um. E eles também fazem na Índia hoje aqui. Esse é em forma de de tem uns que são em forma de comprimido, outros são em forma de de cápsula, onde dentro tá a planta em pó.

Mas também hoje na Índia já se faz eh bastante uso do óleo. Então tem aqui é um exemplo só, tem várias eh várias empresas que estão produzindo medicamentos à base de cannabis, mas lembrando, não pode usar nem a influorescência, ah, nem a resina. pode usar somente as sementes, o caule da planta e as folhas. E essa é uma coisa que eu também queria compartilhar com vocês, que é um um eh por enquanto é o único que existe na Índia, que é um é uma é um hospital do Airveda que faz tratamento com canabis.

Só tem um, eu não conheço nenhum outro. E inclusive ele foi inaugurado em 2022 e foi uma coisa assim muito eh divulgada na Índia. Primeiro eh hospital aurvédico, que além dos tratamentos com a faz tratamentos com canabis. O nome desse desse eh lugar, né, é o Ayurken, ou seja, aureda com cannabis.

E Boeco é a empresa que faz a produção dos medicamentos de a partir de cannabis e Puntatan Airvedrastram é o hospital aurvédico, que ele na realidade é um hospital bastante tradicional. Vou mostrar uma foto agora. Você olhando nem parece que é um hospital, parece mais assim um spa, um lugar de retiro. É esse aqui, ó.

É bem bacana. num lugar na Índia que é bem parecido com o Nordeste do Brasil, assim, mais tropical, mais verde. E aí de novo, eu trouxe aqui dois exemplos, mas saiu em muitas revistas, jornais, apareceu na televisão, né? Foi assim um bom, né?

De ó, agora o Airveda novamente volta a a usar com mais frequências, né? Medicamentos eh do Airveda preparados com canabis. E aqui na da página deles mostrando inclusive que eles eh têm aqueles medicamentos que são em formas de comprimido, outros são em formas de cápsula, mas eles têm também os os óleos, né, de de cannabis. E aí tem toda essa divulgação, né, herv cannabis, o can.

E aí agora, mais recentemente, bem recentemente, tem alguns meses atrás, o governo indiano passou esse essa essa hã não exatamente lei, mas passou essa essa informação, né, para para pro país inteiro, né, essa informação foi passada pelo ministério do Aux. Lembra que lá lá atrás, no começo da aula, eu falei que o Ayú é esse ministério que cuida do Airveda medicina sida, unânimo, homeopatia, yoga, etc. Então eles passaram essa esse essa ordem aqui para todos os hospitais, todos os fabricantes de medicamento da Airveda, inclusive isso passou na televisão, isesso público, dizendo que ah que o que é ilegal que eh praticantes, né, médicos e médicas, praticantes da medicina airveda, medicina sida, medicina Nani aqui não cita, mas num outro documento cita homeopatia e naturopatia, ah, que é ilegal que eles eh vendam em cannabis, né? Porque começou a ter um boom, né, de de medicamentos feitos a partir do cannabis e é permitido somente semente, como a gente viu, né?

Caula e semente e folhas. E não sei dizer se realmente tinha gente colocando as outras partes que são proibidas, né, por lei na Índia. ou se é só o o governo ou indústria farmacêutica ali tentando eh evitar que seja usado, né, outras partes da planta. E aí diz, né, que inclusive aqui cita também a a papa, diz que medicamentos a partir da cannabis e da da [limpando a garganta] a ripena, que é a papola.

Mesmo que haja nos textos clássicos as formulações para uso nesses sistemas de medicina da Índia, que são sistemas de medicina tradicionais, é preciso ter uma revisão do governo da Índia. Então, se forem lançar medicamentos novos e isso tudo vai ter que ser revisado, vai ter que ser eh eh aprovado pelo governo da Índia e pelo Ministério da Saúde lá e pelo Ministério Aúj. E aí eles soltaram essa nota pública, né, dizendo assim bem claramente: "Não existe médicos especialistas em cannabis no sistema IU." Qual é o sistema IU? Aurveda, homeopatia, naturopatia, medicina un e medicina sida, né?

e obviamente também na medicina ocidental que eles chamam lá de medicina inglesa. Então, deixando claro pro público, não existe esse tipo de especialização, né, de e que nenhum eh médico ou médica pode se colocar como expertos eh em tratamento com cannabis. Não pode se denominominar Hampid, Viider quer dizer médico, né, no aurveda, rempí de de canabis. Então não pode falar, eu sou um hampvider, eu sou um um médico especialista em cannabis que não há no sistemas de medicina que o Ayus cuida, nenhuma especialização como essa.

Então, é uma uma coisa que teve um boom ali do do Airveda retornando, né, eh, ao uso de muitos medicamentos com a recentemente, poucos meses atrás, o governo solta essa nota, né? Então, vamos ver o que que vem daqui para frente. Mas eu conversei com amigos e eles disseram que continuam usando, que não tem não tem problema nenhum. todas esses todos esses medicamentos que eles usam, que são a partir de sementes ou folhas, não há restrição, que continuam usando.

E talvez essa nota que o governo tenha soltado seja justamente porque tá acontecendo na Índia essa discussão, né, pela eh liberação de uso, não somente para para pesquisa, mas para o uso médico também da da resina e da e das outras partes que eram proibidas. Então, talvez o governo já esteja ali colocando um limite, dizendo: "Olha, eh, isso não vai acontecer, pelo menos vai acontecer tão cedo". Então, era isso que eu queria compartilhar com vocês. Eu espero que eu tenha trazido alguma informação aqui que seja interessante para vocês.

Do, para quem não conhece o Airveda, eu espero que o que eu trouxe a não tenha ficado confuso, que que tenha [limpando a garganta] sido algo que vocês tenham conseguido fazer essa correlação, né, dessas desses sistemas tradicionais antigos da Índia, o uso que se fazia, que era muito tranquilo e muito comum da cannabis, depois passou por um tempo de muita restrição, principalmente depois que os ingleses, né, eh eh colonizaram a Índia que proibiram os sistemas de medicina tradicionais de de funcionar, inclusive modificando o sistema de educação milenar da Índia. E agora eles estão nessa discussão, né? A gente tem esse conhecimento, a gente tem essa literatura, a gente tem essa validação aí desses sistemas tradicionais, porque a gente não pode usar. Então é algo que tá fervilhando na Índia agora, né, essa discussão do uso da cannabis nos sistemas tradicionais de medicina e principalmente no Airveda.

Então, agradeço pela atenção de vocês e agradeço pelo tempo que dedicaram aqui à aula, tá bom? Namastê.

16ª Aula: Cannabis sativa L. e o Transtorno do Espectro Autista — Cannabis sativa L. e o Transtorno do Espectro Autista - Dra. Manoela Hisae

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Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição dos do curso sobre uso terapêutico da canabis sativa. Sou a Gabi da Inés. Tô aqui para apresentar mais uma aula.

Aula que a gente vai receber a Dra. Manuela Rissai. Ela vai falar sobre o espectro autista e o uso da cannabis, né? O benefício do uso da cannabis dentro do TEA, dentro do autismo.

Então espero que vocês gostem da aula. Eh, tenho certeza que vai ser uma aula maravilhosa e a gente se vê então na próxima quinta-feira. Boa tarde a todos e todas. Sou Manuela Raê, sou médica prescritora de cannabis, atuo no SUS em pronto atendimento, mais especificamente na periferia da zona leste de São Paulo, né?

Eh, atualmente, eh, estou em especialização em saúde pública na Faculdade de Saúde Pública da USP. E eu queria muito agradecer a honra e a alegria que é poder compartilhar eh um pouco da minha prática clínica e dos meus conhecimentos e receber também outros conhecimentos num dos cursos mais antigos de cannabis medicinal, né? eh num dos cursos eh de vanguarda, resistência e ativismo e agradecer o convite em nome das forças motrizes desse curso, né, motivo desse curso continuar existindo, resistindo, eh, que a professora Dra. Eliana Rodrigues, Gabi Dainese e a Cris Segato também.

Então, falar dessa alegria de fazer parte de algo tão grandioso e necessário, é importante negar qualquer tipo de conflito de interesse, né? No meu caso, eh, um pouquinho sobre a minha formação, sobre a minha jornada. Eu fiz graduação em medicina na Universidade 9 de Julho em São Paulo. Me formei no ano de 2021, né?

Eh, fiz uma pós-graduação em urgências e emergências pediátricas no Instituto Israelita de Pesquisa Albert Einstein. Eh, alguns, né, fiz eh mais de três e continuo metalizando em cursos de cannabis medicinal, cannabis terapêutica, e, atualmente tô num um projeto de pesquisa junto ao Dr. Falcone, Dartus Xavier, eh, com a Unifesplementação de canabinoides para pessoas que buscam tratamento pro uso de substâncias psicotrópicas na cidade de São Paulo. É realizado na região da Cracolândia, né?

E a gente também tá com uma proposta de um projeto com autismo, eh, e terapia canabinoide junto à Associação Flor da Vida, né? inclusive eh, para acontecer, eu atendo, eh, num consultório particularina, faço parte de umas das associações mais sérias, né, de algumas das associações mais sérias do estado. Eh, eu vou introduzir o tema com uma frase do Mujica, que eu achei bastante pertinente. Há que se ter uma causa para viver.

Isso não quer dizer que essa causa seja a transformação da sociedade em que se vive. Pode ser a pintura, pode ser a poesia, pode ser a novela, pode ser uma arte, tocar um instrumento, mas tem que ser algo que você particularmente além da luta pela vida, te comova e te comprometa, porque senão para que se vive? para pagar conta paraa vida há que se inventar uma causa. E aí eu vou, quando eu falo da aula de cannabis e dessas, né, desse tema tão sensível que é o autismo, eh, eu falo um pouco também desse desse motor do por viver e e por que a minha profissão faz sentido nesse momento.

Então, um pouco dessa dessa colocação do Pep Mugica, ele me traz o o que que é o meu motor, tanto para minha profissão quanto para mim quanto ser humano, né? Acho que vale lembrar aqui Pep Mugi, que é o ex-presidente do Uruguai, que foi o primeiro país do mundo a legalizar o cultivo e a venda de canabis. Eh, tem um vídeo aqui que eu queria introduzir. Eh, a gente fez uma roda de conversas com as mães, né, com as mães, eh, eh, eu atendi o os filhos dessas mães que são da periferia da zona leste de São Paulo, né, e ainda continuo dando esse suporte.

E aí eu queria introduzir esse esse vídeo pra gente pensar um pouquinho, né? Ele traz um pouquinho de de várias coisas das quais a gente vai acabar tratando. Então vou vou dar o play aqui. Eu fiquei dando dão.

Da onde que vem essa falta de informação? Da onde que aí fui perguntar pra outra. Aí fui perguntar, fui perguntando, fui perguntando. Todos eles têm a mesma decisão sobre o cannabis.

e que canabis é uma droga. A neuro dele acha que é uma droga. Ela, eu falei, eu comuniquei a ela que ele tá tomando. Aí ela falou assim: "Eu não acho aconselhável".

Eu falei: "Mas eu também não acho aconselhável ele ficar tomando respirona. Sendo que respiridona dá problema nos rins e eu tenho o meu filho de 10 anos que também toma respirona, que foi o único que ele teve, ele só tem um rim. Com 3 anos ele teve que tirar porque ele teve o tumor no rim. Ele teve três paradas durante a cirurgia.

o meu de 10 anos e para mim também é uma droga e eu tô dando. Aí ainda falei para ela, vamos fazer assim, a então se as duas são uma droga, a droga que ganhar primeiro eu fico falei: "Pronto, vamos fazer uma, eu falei ainda falei pr ela, vamos fazer uma corrida pras neuro dele. A droga que ganhar eu fico. Se respiridona ganhar eu fico.

E se se a droga da maconha, que é como você fala ganhar, eu tiro o respiridona e fico com a maconha. Vamos ver. Aí eu ainda falei para, ela falou assim: "Mas você aí ela falou desse dia para mim, você vai pôr sua conta em risco?" Eu falei: "Vou, porque é a vida do meu filho, eu tô colocando [grito] a vida dele em risco, dando respiridona". Ele toma respiridona e toma um outro que a mãe, a mãe falou ali que eu esqueci o nome que ele tem que tomar dois de manhã.

Ela queria que eu desse um de manhã, um à tarde e uma noite. Eu fiz isso um dia. Ele não abriu o olho, ele dormiu o dia inteiro. Ele chegou na escola assim, eu falei: "Não, não".

Eu falei literalmente, é uma droga o remédio, porque meu filho tá ficando drogado com isso. No primeiro foi no leptil que ele deu, eu chorava, eu dei, eu dava chorando, ele ficava o dia inteiro capotado e ele ficava, ele dormindo de um lado e eu de um outro chorando. E minha mãe que é que brincou que é Deus no céu e os netos dela na terra chorando de outro lado porque ela falava: "Ele não vai acordar, vê se ele tá respirando, pelo amor de Deus". Da primeira vez que ele tomou no lepit, ele dormiu um dia e meio.

Ele tinha só 3 anos quando ele começou a tomar o nipito. E dormiu um dia e meio. Aí eu falei: "Não, pelo amor de Deus". Aí por isso que eu eu não acreditei assim quando ele falou que era uma droga, porque se é uma coisa assim da medicina e que todos sabem que é porque dificultam tanto pra gente, sabe?

Por que que só a gente não pode? Porque só você não pode. Porque a gente vê muita reportagem na TV. Ai, fulano traz os Estados Unidos, ciclando traz não sei da onde.

Bom, se se fulano que tem dinheiro traz os Estados Unidos, é porque é uma coisa boa, não é uma coisa ruim. Ele tem dinheiro, não ia dar uma coisa ruim pro filho dele. Só que pra gente não. Pra gente, igual você falando, não serve, não dá, não pode.

É tudo assim. >> Verdade. A gente acha que a gente precisa de profissionais capacitados na tanto na UBS quanto no CAPS. para ajudar a gente, porque assim, a maioria dos dos profissionais que têm uma capacitação para tá atendendo nossas crianças são particular, só que é fora da nossa realidade.

A gente não consegue estar pagando por mês uma terapia que ele precisa toda semana. Não tem como, não tenho condição de levar meu filho no no psiquiatra uma vez por mês particular. Não tenho condição, não tenho condição de levar meu filho na fon e três vezes na semana para pagar particular. Não tenho condição.

E a gente não tem no no SUS, não tem no CAPS. Ele faz, passa uma no capis uma vez por semana, isso vai ajudar. Ele pode ajudar um pouco, mas não vai resolver o problema dele. E assim, a gente não tem quem nos ajude, a gente não tem quem olhe pra gente.

O governo não quer saber. Eh, bota lá no canto, esconde que essa é uma menoria e que não é mais minoria, que tem tantas crianças aí. Agora, antigamente a gente, acho que deveria ter sim criança no da do do aspecto autista, mas não a gente não sabia porque não era falado, não vinha na televisão. Hoje a gente vê na televisão falando sobre isso, a gente não não sabia o que que era.

Eu vim saber depois que eu entrei nessa realidade. Então assim, a gente precisa de conhecimento, as pessoas precisam de conhecimento, precisa de empatia, precisa olhar pra gente que a gente existe, a gente tá aqui. É interessante o que esse vídeo traz, né, na voz dessas mulheres, eh, falando um pouquinho desse choque entre o tratamento alopático convencional, né, com psicotrópicos, eh, um pouco mais com efeitos colaterais mais expressivos, né, sobre a questão do acesso, sobre a questão dessas mulheres estarem na periferia. Mas, eh, maconha, cannabis, é bom ou ruim, né?

Eh, é difícil o acesso ou é fácil? Depende. Você tá levando seu filho no Hospital Albert Einstein, no sírio libanês, você tá no SUS, aonde você tá, né? Quais são os efeitos colaterais?

Como que é esse tratamento? Como que é resistência ou não ou aceitação por parte dos médicos? Então, só entrando agora na questão aí eu vou deixar em aberto porque a gente vai tentando abarcar isso ao longo da da nossa conversa. Em relação ao autismo entre si, acho que vale a pena a gente tratar um pouquinho da questão da semântica, né?

Eh, muitas vezes a gente vê os profissionais que trabalham com autismo ou não dizendo a criança autista. Quando a gente fala a criança autista, eh, né, tem esse termo e tem a criança com autismo. Quando a gente fala da da criança autista, eu acho que a gente pode pecar um pouquinho por tarjar a criança com a doença. Algo que a gente faz muito às vezes quando fala: "Ah, esse esse paciente ele é cardiopata, esse paciente ele é diabético, esse paciente, né?

O paciente é a doença e a gente apaga toda a subjetividade da criança. Então aquela criança, ela não é aquela doença, ela não é aquele sofrimento, ela não é aqu não. Aquela criança, ela tem sonhos, habilidades muito únicas, tem um jeitinho, tem as suas dores, suas alegrias. E e é por isso acho que é importante tratar esse paciente que é com o termo criança com autismo.

Então aquela criança ela tem autismo, né, que não é uma doença, é um transtorno. Então ela tem autismo e para além do autismo, ela tem muitas outras coisas, né? Eh, então por isso que eu prefiro optar pelo termo sempre criança com autismo. Às vezes escapa uma coisa ou outra, tudo mais, mas a gente tomar esse cuidado, eu acho que é importante ainda mais dizer o respeito em relação à criança, né?

A gente reduzir aquela criança a um termo, a uma doença. Então, a gente estigmatiza muito, coloca numa lugar muito engessado e muito estreito, curto, né? O autismo, acho que vale ressaltar que ele não é uma doença, ele é são alterações e transtorno do neurodesenvolvimento infantil. No DSM5, que é o quinto manual do diagnóstico estatístico de transtornos mentais, a gente tem para diagnóstico de TEIA alguns parâmetros para nos nortear.

são déficites persistentes na comunicação social, na interação social e padrões repetitivos, né, e restritos de comportamento, interesse ou atividades, que geralmente vem de forma muito precoce no desenvolvimento da criança e provoca prejuízo significativo no funcionamento social dessa criança. Importante a gente dizer é que quando a gente fala de de autismo, a gente fala, a gente não fala no autismo leve ou no autismo grave. Ai, minha minha vizinha tem um filho, a gente ouve muito isso, minha vizinha tem um filho com autismo, mas nem parece que tem autismo, é um autismo super leve ou não. Outra vizinha tem um sofrimento importante, tem um autismo grave.

A gente não fala dessa forma, porque a gente evita falar, né? Porque não existe autismo, né? Se a gente tivesse referindo ao quê? a uma percepção de sofrimento.

Às vezes a criança ela precisa de mais auxílio e, né, e tá mais amparada e às vezes ela precisa de menos auxílio, mas o sofrimento dela é considerável, a gente não pode comparar níveis de sofrimentos familiares ou do paciente. Então, o que a gente diz são que, né, a gente estratifica os níveis de suporte dessa criança. Tem o nível de suporte um, nível de suporte dois, nível de suporte três, né? sendo o nível de esporte uma autonomia maior em relação às atividades cotidianas ou um comprometimento menor, né, em relação à organização e planejamento em relação à criança.

E o nível de suporte três, onde eh a gente tem um comprometimento maior em relação ao ao comportamento, né, em relação às esferas de funções e habilidades da criança, com dificuldade extrema em lidar com mudança, eh, mudar foco ou ação, mais ou menos isso, né? os sinais de alerta, eh, que possivelmente podem sinalizar a questão do diagnóstico precoce do autismo, são contato visual mais empobrecido, né? Sorriso social ausente ou muito pobre, a criança não atender pelo nome, você chama, você chama e ela não olha. pouco engajamento sociocomunicativo, ausência de troca de turno na comunicação, fixação por alguns objetos.

Várias mães chegam no consultório e dizem: "Olha, doutora, ele gosta de caminhão". Aí ele empilha um caminhão atrás do outro, aí só fala de caminhão e aí coloca os objetos em ordem assim, eh, pouca ou nenhuma imitação, né? Criança é imitação o tempo todo, né? Ela imita o pai, imita a mãe, imita quem tá na convivência, imita a professora e eles têm muito pouco esse processo ou muito pouco desenvolvido às vezes esse processo de imitação.

Ausência eh de atenção compartilhada, atraso na linguagem, perda de habilidades previamente adquiridas. Também tem esses casos em que a mãe diz: "Doutor, até os 3, 4 anos ele tava começando a falar, fazendo as coisas, né, de uma forma eh esperada pra idade, do nada essa criança regresso abrupto de de regressão de alguma forma, né, ou de perda mesmo das habilidades. Importante também dizer que o autismo ele envolve múltiplas questões, muitas a serem estudadas e entendidas e algumas outras de forma muito, né, muito gerais que a gente entende que contribuem pra questão do autismo, da causa do autismo. São questões, sendo elas questões genéticas e ambientais, né, para além de outras.

as questões genéticas, por exemplo, muitas das vezes a gente tem uma criança com autismo, mas a gente tem uma doença de base mesmo, a gente tem uma síndrome associada, por exemplo, a síndrome do do X frágil, aí a criança tem um autismo, né, conjunto. É, e também a forma como o ambiente interfere nesses outros processos, né, da formação da criança, como, por exemplo, eh, níveis e importantes de agrotóxico, pesticida, metais pesados ingeridos diariamente, eh contribuindo pro processo neuroinflamatório causando, né, que causam danos constantes aos pacientes. Aqui acho que vale a pena eu fazer até uma uma homenagem ao professor Dr. Vinícius Barbosa, que é o coordenador do núcleo de cannabis do Cílio Libanês, que é um psiquiatra, né, infantil muito eh muito renomado e que sempre tá debatendo essas questões, né, eh que me abriu os olhos para essas questões do ambiente, né, que dessas questões dos agrotóxicos, pesticidas, o que que tá todo dia na mesa, por que tá, né, por tantos casos, porque aumentou essa essa incidência, né, para além da prevalência da questão do autismo.

Então, eh, de tá sempre pensando e buscando, assim, gostaria até de agradecer, né, por abrir e ampliar meu olhar. Obrigada, professor eh, Dr. Vinícius Barbosa. No diagnóstico na criança especificamente, né?

E aí eu falo mais da criança porque o maior número meu de pacientes com autismo, a a, né, a esmagadora maioria é de crianças. Então o diagnóstico ele é sempre feito por equipe multi. Então vai ter o médico, que pode ser o neuro ou psiquiatra, vai ter o psicólogo, né? Vai terapia ocupacional, vai, enfim, vão ter vários profissionais contribuindo para esse olhar pra gente fechar um diagnóstico na criança.

Você fechar um diagnóstico na infância é muita responsabilidade, né? exige um olhar muito delicado e sensível para que a gente não cometa ali nenhum erro de engessar, de tarjar, né? Uma criança que ou às vezes apenas tem as suas peculiaridades ou realmente se encaixa num nível, né, de de sofrimento ou de padrão em que a gente possa colocá-la, né, assim, numa caixinha, porque acaba que o o diagnóstico ele ele ele se encaixa numa caixinha. Eh, apesar de ser uma caixinha, às vezes ele é muito libertador, porque às vezes a gente entende aquela, né, aquela criança tá, ela tá com desenvolvimento diferente, ela tá tendo, apresentando algumas coisas que às vezes a mãe e o pai não entendem e quando tem o diagnóstico aí fica mais fácil entender, tá bom?

Agora com o diagnóstico para onde a gente caminha, como vai ser tratamento, como é que vai ser, né, como vai ser o encaminhamento, né? Como é que a gente faz agora? Então, acho que é isso. Alguns termos eh não necessariamente representam essa limitação, mas sim, na verdade muitas vezes para as famílias que buscam diagnóstico às vezes durante anos assim e anos mesmo assim, porque eu tenho mães do SUS, por exemplo, que que eu atendo os filhos com autismo e que elas falam: "Doutora, eu tô atrás desse laudo, desse desse documento, de um nome pro meu filho, já faz mais de 2 anos, né?" Eh, em relação ao tratamento, a gente não trata o autismo.

O autismo não é uma doença, mais uma vez importante reforçar, mas a gente medica os sintomas alvos, sintomas principais, geralmente alto e heteroagressão, ou seja, alto, quando o paciente eh a criança se bate, bate a cabeça na parede, se corta, se morde, né? E a heteroagressividade, que é quando ela agride o outro, agride a mãe, agride o pai, agride os amigos na escola, eh ansiedade, depressão, insônia, né? A seletividade alimentar, a gente usa geralmente a prática clínica eh convencional, né? Psiquiatros, neuros.

No tratamento do autismo usa-se os antipsicóticos, antidepressivos, psicoestimulantes, como ritalina, né? Em caso de TDH, respiridona é um dos mais utilizados, né, e até na verdade embasados hoje para que se use na criança que tenha o diagnóstico de autismo e que tenha um determinado perfil, né? Um dos contrapontos, né, alguns dos assim, né, dos contrapontos em relação à respiridona é a tolerância, que geralmente as mães chegam e falam: "Olha, doutora, meu filho tava indo super mal. a gente introduziu o respiridô, ele começou a ir muito bem, mas aí passou um determinado momento, parecia que não fazia efeito, então teve que aumentar a dose, aumentar, aumentar.

Então você começa a ter que aumentar a dose para ter o mesmo efeito de antes ou um efeito a quem? Abaixo do esperado. Então às vezes o paciente entra com uma dose X, né? É melhora expressivamente, aí depois meio que para, fica num platô assim e aí ele fica com três vezes aquela dose depois, né?

porque tem que tem que ter o ajuste e aí você vai buscando mais benefício e e esse benefício não chega. Então as crianças às vezes estão com triplo de uma dose inicial e apresentando uma piora expressiva assim dos sintomas. Eh, tem também a respiria, ela tá associada a problemas metabólicos, né, como resistência insulina, aumento de colesterol. Então assim, não é um remédio, assim como todos os remédios, ele não passe leso, ainda mais no corpo de uma criança, né?

a gente entra e aí a gente vai manejando os efeitos colaterais. Isso causa muitas vezes essa polifarmácia no paciente com autismo. Paciente com dois, três, às vezes mais que três, eh, remédios psicotrópicos associados, né, e entre outros remédios. Eh, não se sabe ao certo os mecanismos de ação de diversos psicotrópicos citados no organismo infantil.

Então, né, pesquisas estão sendo feitas, algumas outras são referências, mas assim, parte esmagadora dos psicotrópicos que essas crianças estão submetidas, se não a se não todos os psicotrópicos, eles não foram produzidos considerada a fisiologia da criança. Aqui vale ressaltar uma máxima da medicina. A criança, o corpo da criança não é a de um adulto pequeno. Não é porque essa criança, ela pesa 1/4 de um adulto que eu vou cortar aquele remédio em quatro e dar aquela dosagem de 1/4 que vai funcionar bem, né?

Ela tem uma fisiologia, um funcionamento de do corpo de metabolização muito próprio, né? A gente, na maioria das vezes, o que o que acontece é que a gente tá adaptando remédios pensados paraa fisiologia do corpo adulto, do cérebro adulto, né, sem comprovação de segurança paraa infância. E a gente tá adaptando essas doses simplesmente pela falta de eh de opções reais e respeitosas que resolvam os distúrbios ou as questões dessas crianças, né? E aí a gente rebola para dar conta dos efeitos colaterais.

Eh, em relação também ao tratamento, eh, a gente pensa no nas redes oferecidas pelo SUS, pelo estado. E aí eu tô falando mais desse perfil da população que eu atendo, que são pessoas vindo, né, eh, pelo SUS e não no consultório particular. Aí a história muda brutalmente, assim, né, pro bem, né, geralmente, porque aí as estruturas estão mais amparadas, né, enfim. Eh, tem os centros especializados em reabilitação, que são eh o ser, né, e os CAPS, que são centro de atenção psicossocial infantil.

Eh, na parte teórica é importante eh que a gente tenha a na parte simbólica também que a gente tenha esses centros eh fornecidos pelo Estado, porque é o Estado dizendo, tem lugar para você aqui, vem que eu acolho, né? Mas na prática, na realidade, eh acabam às vezes sendo lugares de muito sofrimento para essa família e para esse paciente, porque são lugares que os profissionais não tão eh preparados, atualizados o suficiente para lidar com as especificidades da criança com autismo e e dos sofrimentos familiares e do sofrimento do paciente, né? Então, na verdade, na minha prática, o que eu ouço em relação a a esses suportes, né, eh, que eles são muito insuficientes, tempo de terapia curto, terapia às vezes com, sei lá, 15 crianças na sala, então não se olha para aquela, né, eh, não se olha pra especificidade daquele paciente, às vezes numa terapia individual, né, demora para conseguir estabelecer as consultas, enfim, é isso, né? São centros que ainda bem que existem.

porque sinalizam, né, algum tipo de cuidado para essas famílias, mas tá muito a quem do que do que seria necessário, né, para para dar esse suporte familiar e pro paciente. Em relação às terapias, a gente tem a terapia ABA, que acho que é mais conhecida, né, que é foca mais no desenvolvimento comportamental. E tem o DRI Floor Time, que foca mais nesse desenvolvimento emocional, né? Eu não vou entrar muito nessas, aprofundar muito nesses tipos de terapia, até porque não sou uma estudiosa desses tipos de terapia e pra gente poder focar no geral.

Vamos lá. A gente falou do autismo, né, do tradicional, do do convencional. Agora a gente vai falar da proposta do autismo relacionado com tratamento com cannabis, né? Aqui eu vou colocar na tela algumas fotos, né?

Eh, sobre a gente tinha esse grupo de mães, né? Com mais de 50 mães, mais de 50 crianças, acho que final chegou até umas 100 mães ali no grupo. E aí elas iam compartilhando, até elas davam sempre deram essa, olha, doutora, pode levar se você for falar em alguma palavra. Por isso eu trago aqui, né?

Mas sempre tiro a identificação. Eh, tem esse aqui, se vocês forem observar, tem, olha a doutora, ele falando, ele não falava nada. Aí eu pergunto, né? Acho que eu, aí eu falei, ele não falava nada?

Aí ela falou: "Não." Aí ela grava o filho falando, começando a a verbalizar, né? Essa criança, se eu não me engano, ela tinha uns 6 anos de idade, tá? Aí a uma manda o áudio falando: "O Artur não verbal falando que me am". Então, o filho não falava e ela grava o filho falando pela primeira vez, te amo.

Eh, esse outro aqui do lado, ela fala: "Esse é meu Pedro". Quase não se comunicava, era muito difícil. Aí elas eh gravam vídeos, compartilham, né? Trocam dúvida umas das outras, a gente vai interagindo por lá.

Uma mãe compartilha aqui. Cada palavra uma vitória. Meu filho nunca falou nada, nem água sabe falar. vai fazer 5 anos hoje e ele acordou falando o nome dele.

Aí tem outro aqui embaixo. Bom dia. Com muito felicidade veio compartilhar com vocês. Comecei a dar o remédio pro Aquiles desde sábado passado, porém não tinha visto muito resultado, mas desde sexta para cá ele ficou muito bem porque coloquei certinho debaixo da língua e vi que ficou mais calmo.

Eh, passou a chorar e se bater menos. Então aqui a gente pensa em várias coisas, né? Essa questão do ajuste de dose, né? Olha, às vezes a criança tem uma seletividade alimentar, então tem dificuldade de deixar o remédio embaixo da língua.

E quando ele faz ajuste de dose, muda também a eficiência do remédio, de como ele age, né? Qual que é o impacto para uma mãe ver o filho chorando menos, menos irritado, se, né? Não tá mais se batendo. Então da gente ganhando essas dimensões assim do que significa a gente entrar com remédios mais respeitosos.

E nesse caso em que a gente trata aqui com óleo de cannabis, né? Aí tem um outro recado de outra mãe aqui. Eu me lembro dele há um mês e pouco gritando e dando muito trabalho, tomando calmante à tarde. Fazia isso para ele não ter uma parada cárdio, né?

Agora, sem um dos psicotrópicos, ele tá mais calmo, mais feliz. Tudo que eu esperava eu já tenho, né? Então esse é esses são um pouquinho assim, né? Do um pouquinho do do impacto da cannabis na vida dessas crianças.

e da suas do seu do seu lar, né, do entorno da mãe, do pai, dos irmãos. Aqui tem um outro, né? Tem nessa terceira parte aqui, tem gente, meu filho tem seletividade alimentar. Meu marido acabou de me mandar uma mensagem que o Gael sentou na mesa para almoçar e comeu toda a comida.

Ou de uma mãe ver se o o filho se alimentando do prato todo, né? Não só mais de leite, de coisas brancas, arroz. Boa tarde, Gael. tá no terceiro dia fazendo uso do óleo.

Não sei se é cedo para comemorar ele. Ele tinha várias crises ao ao decorrer do dia e ontem ele não teve nenhuma. Eu tô muito feliz, muito confiante, muito grata. Eh, né?

Então, ela vai trazendo aqui. É isso. Em relação aos ganhos, é só um pouquinho do que essas mães com essas crianças vivem quando a gente introduz eh um remédio tão potente como óleo de cannabis. sobre o sistema, entrando um pouquinho no no SEC, sistema endocanabinoide também eu não vou ficar me prolongando porque eu sei que o curso inteiro, né, vai trazer a questão do SEC.

Eh, isso vai ser debatido em vários cursos de várias formas, mas só para pencilar um pouquinho aqui por cima, eh, o sistema eh, o sistema canabinoide, né, ele desempenha um papel importante na regulação de muitos processos fisiológicos, incluindo regulação metabólica, apetite, sistemas de recompensa, dor, movimento, crescimento ósseo e função imunológica. Essa frase ela traz um pouquinho de eh é engraçado porque quando a gente fala de de cannabis parece um pouco que a gente é, né? Parece assim: "Nossa, é bruxaria, você vai tomar, serve para tudo, toma". É, é maravilhoso.

Mas por quê? Por que que ele serve aspas para tudo, né? Eh, porque ele mexe num sistema central, sistema maestro, né? Que rege a orquestra entre os outros órgãos e sistemas, fazendo com que essa dança aconteça no nosso corpo.

Então, não, não é bruxaria. Eh, é um sistema, a gente tá mexendo num sistema ali central que faz com que os outros órgãos do sistema se conversem e nisso a gente tem impacto nas funções basais do corpo, sono, fome, bem-estar, atenção, memória, né? Vale a pena a gente a gente enfatizar um pouco disso assim para que não pareça e e também acho que dizer importante dizer que nada na natureza, né? ou ou das das coisas sintéticas que criamos, serve para todos os corpos, para todas as condições, faz bem para todo mundo também.

A cannabis tem suas limitações. Às vezes a gente entra com óleo pr pra criança e e às vezes a criança ou ela tem um quadro de não resposta ou ela pode piorar. Então, dependendo do óleo, dependendo da composição, isso vale a pena a gente também trazer, né? Até para que se alinhe expectativas.

Isso é um tipo de coisa que a gente faz na consulta médica, né? Porque às vezes a mãe vem, já passou por uma jornada. E aqui eu digo mais porque mais assim, eu falo com segurança, mais de 95% dos responsáveis que trouxeram essas crianças com autismo em consulta, mais de 95% eram mães. Então, de forma geral, trazendo a questão dos depoimentos, trazendo essa questão do sistema endocanabinoide, quando a gente entra com a terapia canabinoide, a gente vê melhora expressiva geralmente nesses sintomas alvos, que são a hiperatividade, redução de problema de sono, né, em relação à ansiedade, depressão também amenizando, diminuindo, melhorando esses quadros, melhora na cognição, na sensibilidade sensorial, porque as crianças elas sentem às vezes som, cor, luz de outra forma, de uma forma que agride, né?

Eh, melhora na atenção, na interação social e na linguagem, né? Que são ganhos muito, muito expressivos e esperados na maior parte dos pacientes que vêm. Melhora no quadro de autoagressão, de raiva, de inquietação, de agitação psicomotora, de irritabilidade e agressividade também. Aqui assim na no próximo slide aqui tô mostrando, né, mais ou menos aonde se localizam os os sistemas receptores também.

Eu sei que tem aulas diversas ao longo do curso em relação a isso. Então aqui eu não vou me prolongar, gente, tem os receptores endocanabinois, né? O CB1 geralmente e expressivamente sistema nervoso central, o CB2 e células sistema autoimune, né? Eh, gastrointestinal.

Eh, em relação ao tratamento com canabis, a gente fala sobretudo, né, majoritariamente do THC, tetraí do canabinol e do CBD, que é o canabidiol, para além de outros componentes da planta, que é canabigerol, THCA, THCV, canabinol. Aqui vale ressaltar que outros que os outros componentes da planta, né, quando a gente pensa no no efeito entoragem, no efeito comitiva, eh muitos dos estudos explicitam uma efetividade maior no tratamento da planta full spectrum, ou seja, o espectro completo, né, não somente eh o óleo isolado de CBD, né, por exemplo, salvo eh algumas restrições específicas em alguns pacientes, né, específicos que a gente teria até indicação para isolar um componente ou outro, mas assim, a maior parte eh parte expressiva desses pacientes, eles vão dar resultados e resultados melhores com todos os componentes da planta. Em relação ao efeito entorragem, aqui também não vou me aprofundar porque eu sei que ele vai ter ao longo do curso, ele sendo tratado, né, por diversos profissionais aqui, tem o efeito comitiva, que é esse que a gente falou, eh, de forma geral, né, a gente tá falando de um, quanto mais próximo da planta, mais potente, mais a gente conserva as características e propriedades dessa planta. quando a gente, né, os componentes entre eles se potencializam para fazer ação nos organismos, nos corpos.

E quando a gente isola esses componentes, a gente tem um produto, uma eficiência menor, né, menos potente, com menos respostas. a gente tem os receptores CB1 e CB2, nós, né, para receberem, eh, o que, na verdade são componentes análogos, a, as substâncias que a planta produz, né, que é a nandamida, que é análogo ao THC, e o 2AG, que é análogo ao CBD. em relação ao CBD, né, a gente essas essas esses benefícios, na verdade eles conversam, eles misturam muito, mas em relação ao CBD, a gente pensa em características mais não eh com uma propriedade neuroprotetora, imunomoduladora, anti-inflamatória, né, propriedade analgésica, anticonvulsivante, né, ela inibe, ela equilibra um pouco a ação do THC, né, eh, aumento de sono de manutenção, né, que é aquele sono que não é o o alguns dos remédios clonazepã que as crianças tomam, etc, o diazepã, etc. Eles induzem o sono, só que a criança não consegue manter, fazer a manutenção.

O CBD não, ele tem essa característica de manter o sono de manutenção, né, que é muito importante pro desenvolvimento, eh, pro neurodesenvolvimento, não só infantil, mas dos seres humanos de forma geral. Com THC, a gente pensa num perfil mais analgésico, antispasmódico, né? Eh, um relaxante muscular também com propriedades anti-inflamatórias, um antiemético potente, né? E estimulante de apetite, indutor de sono.

Aqui acho que vale a pena a gente dizer que uma criança com seletividade alimentar, que só come arroz, só come leite, só come eh alimentos brancos, por exemplo, né, que não ingere uma proteína, né? eh, não ingere frutas, etc. Quando a gente entra com um THC bastante controlado, ela já pode ter benefícios, por exemplo, desse aumento de apetite. Essa seletividade alimentar, ela muda de característica ou ela ameniza ou ela, por vezes, pode regredir.

Não existe dose tóxica de CBD registrada em estudos científicos. Não há risco de overdose, nem risco de vida, né? O tegen, a gente precisa fazer um manejo mais fino e delicado, mas pensando em relação eh aos efeitos colaterais. Por exemplo, se eu passo de um determinado ponto, ao invés de eu deixar a criança mais focada, mais tranquila, eu posso na verdade eh deixar ela, essa criança mais agitada.

Então a gente precisa eh de um manejo muito mais delicado e controlado, né, em relação a alguns casos, pensando no autismo como uma neuroinflamação crônica, né, o paciente tá com cérebro inflamado e aí o cérebro fica comprometido em suas funções. É, a cannabis ela é uma neuroprotetora e neuromoduladora, então ela vai diminuir a ação inflamatória, é, vai proteger de substâncias tóxicas do ambiente e a gente resulta num quadro, né, de menos sofrimento, de menos regressão ou avanço de alguns dos sintomas relativos ao autismo. Em relação às vias de administração, a gente tem o óleo, a gente tem eh aí não para criança, tá? de forma geral, as vias de administração da cannabis, as vias possíveis, isso para adulto, para enfim, tem o óleo, tem a forma vaporizada, que geralmente a gente usa em casos específicos para os adultos, tem o spray nasal, por exemplo, paraa criança que tem o autismo e também apresenta epilepsia, né?

Também convulsiona a forma nasal, a absorção da mucosa, seja ela mucosa nasal, mucosa oral, ela é sempre mais rápida. Ela é uma forma mais rápida. ela tem uma forma mais rápida de ação, tem as cápsulas, né, tem os cremes e as pomadas, crianças com processo inflamatório muito intenso no sistema gastrointestinal, eh, que tem o um benefício limitado do óleo, do, né, da do tratamento com óleo. Por exemplo, quando elas fazem massoterapia com creme de cannabis, eh, costumam ter excelentes resultados, né?

Eh, tem os supositórios também. E aí a gente pode pensar, por exemplo, um um caso de endometriose, onde a gente vai usar um supositório para além do do tratamento com óleo. Tem os games, né, que são os comestíveis, as balinhas para para para pacientes geralmente que apresentam alguma questão restritiva, né, de de uso sublingual. E tem a forma fumada de combustão, né?

geralmente um uso adulto, eh, geralmente relacionado eh à forma recreativa, ainda que a gente faça reflexão de que essa forma recreativa, por fim, no, né, em última instância, ela diga, na verdade, respeito eh também muitas vezes ao uso medicinal, mas a gente também não vai aprofundar nessa reflexão aqui em [roncando] relação à minha prática clínica, eh, a prática clínica no sentido de tá, esse paciente a gente chega no consultório, [limpando a garganta] como é feito o manejo, né? Então, de forma geral, esse paciente chega no consultório e a coisa mais importante, a primeira coisa estabelecida eh olho no olho, né? Eh, escuta e observação. Então, eu deixo a mãe trazer as angústias, o pai, eh, eu deixo a criança se expressar para entender também como que ela tá se portando ali, né?

Eu fico de olho olhando a dinâmica da criança com a família. Eu não intervenho, a criança tá lá, já quer pegar o objeto, não sei quê, eu não intervenho. Eu fico olhando e aí eu fico ouvindo o que os pais trazem ou que como a criança, né, interage ou não comigo e com os pais. Essa primeira coisa é muito importante pra gente conseguir entender o que que a gente tem ali, né?

A segunda muito importante é alinhar a expectativa. Essa família, ela tá vindo o quê? De uma longa, extensa jornada. Paciente tá tomando cinco psicotrópicos, cinco remédios.

e ainda tá batendo a cabeça na parede, agredindo a mãe, se agredindo, se mordendo, batendo nos amigos da escola. Então, muitas vezes essa família chega com uma expectativa muito alta tratamento com canabis. E aí eu pergunto: "Como que é a alimentação?" Ah, doutora, só só toma leite, só toma leite, só toma leite, só come coisa amarela, né? Eh, não come proteína.

E aí, né, a gente precisa alinhar direitinho quais são as possibilidades da cannabis, né? A Cannabs, como Dra. Carolina Noet, médica prescritora, né, vanguarda no tema, diz, ela não pode ser a bala de prata. A gente não pode eh trazer o tratamento da cannabis como aquilo que vai salvar a vida daquela criança, daquela família.

a gente precisa alinhar as expectativas, colocar o pé no chão e dizer: "Olha, eh, precisa adequar a alimentação. Essa criança, ela precisa das, né, das terapias multiplinares, né, terapeuta ocupacional, afono, né, nutricionista, vários outros profissionais, psicopedagoga, nos profissionais no nas questões do cuidado, para que a gente possa almejar ali, né, um menor sofrimento, um melhor desenvolvimento, entre outras coisas. Eh, por exemplo, paciente, tinha um paciente meu que tava eh com adaptação escolar, né? Ele tinha eh tinha ficado um tempão de férias, voltou, né, pra escola, que era algo que já com a idade dele, 6 anos de idade, as crianças já falam, já verbalizam, já fazem grupinhos, né?

Então, às vezes, isso pode representar o estress pro paciente com autismo, que ele começa a ser eh identificado ali como uma criança diferente. Você pode causar um sofrimento para ele, né? A essa criança, ela tinha uma seletividade alimentar importante e a mãe tava com questões de saúde também. Minha mãe tava com uma questão de uma diabetes descontrolada, descompensada, muitos anos, estava perdendo, tava com a visão comprometida por causa da diabetes.

E aí, eh, a gente introduziu o óleo e essa mãe, ela tinha percepção de que o óleo não estava funcionando pro filho dela. Todas as consultas eram assim bem desanimadoras, porque não, ele não melhora, ele não melhora e tinha todas essas questões satélites que na verdade nem eram satélites, que poderiam ser uma uma questão central, né? da não resposta dessa criança, porque não é só entrar com cannabis que aí o mundo vai mudar, a vida vai mudar, não. A gente tem muitas outras coisas a fazer.

O o o óleo de cannabis, ele entra para organizar algumas questões de base, né? E aí a gente vai ter que continuar trabalhando muitas outras coisas. Então, aliás, as expectativas talvez dentro da consulta médica paciente com autismo e cannabis, né, relacionado ao tratamento de cannabis, seja uma das dos pontos mais importantes, né, os um dos pontos de ouro, tá? Aí a maior parte dos pacientes no meu consultório, por eu não ser psiquiatra e nem neurologista, eles já vêm, a maior parte não, né, a grande esmagadora, eles já vêm com diagnóstico e laudo, né?

Então eles já têm esse diagnóstico, eh, já tem um acompanhamento prévio, ainda que esse acompanhamento no SUS seja muito lacunar, muito vago, insuficiente, né? E aí a gente entra com a cannabis, a gente entra com a cannabis e ela sempre pergunta assim: "Doutora, já pode tirar os remédios? A gente vai entrar, já pode?" E eu digo, a cannabis, ela nunca faz um convite a nada, a nenhuma proposta radical. A cannabis, ela ela pede tempo, calma e respeito.

Então, como que a gente vai fazer? A gente vai entrar com a cannabis, a gente vai ajustar, vai entender como ela tá funcionando, né? Como que o seu filho, sua filha responde. E aí mais tarde a gente vai entrar em contato com neuro, com psiquiatra, vai falar, né?

Sempre é para falar. Eu sempre encorajo essas mães a dizerem: "Olha, meu filho tá em tratamento com cannabis, teve tais ou tais respostas, né, que sejam boas ou ruins, paraa gente manter um nível de diálogo com esses profissionais, eh, buscando a questão da segurança da da criança mesmo. Então, eh, a gente inicia o tratamento e acompanha, né? A gente faz a escolha do fármaco.

É, dependendo da onde a gente tá, né? Dependendo da onde a gente tá, por exemplo, paciente, ela não consegue comprar um importado ou ela quer um óleo de associação. Isso tudo a gente vai sentindo na consulta e vai calibrando em consulta, né? Eh, então o tratamento e acompanhamento diz respeito à escolha do do remédio, né?

acolher e diminuir a ansiedade, né? Eh, diminuir a ansiedade, expectativa daquela família, às vezes do próprio paciente, enfim. Então, no início do tratamento, a gente tem o o tratamento e o acompanhamento, que diz respeito à escolha de fármacos, introdução desses fármacos, né? acolher e diminuir um pouco a ansiedade do paciente ou da família, na verdade, maior parte das vezes é da família, eh, porque por vezes vai vir uma associação de que a cannabis passa a ser tudo que existe na vida daquela família.

Ou seja, olha, entrou o óleo, doutora, meu filho tá espirrando, será que é isso? Doutora, ele não tá respondendo, então a cannabis não tá funcionando. Eu digo, tá. E as outras questões, como é que seu filho tá?

Tá em fase de adaptação? Tem alguma coisa mudando? Então, a família acaba criando, né, um foco muito grande na cannabis e às vezes deixando de ler outras coisas importantes. Então, a gente vai calibrando junto com as famílias, né, o qual é o papel da cannabis ali, né, e o que que é possível ser feito ou que não é possível, o que que vai precisar de, né, de ajuda de outros campos.

A gente inicia o tratamento com a cannabis e faz o reforço da necessidade de acompanhamento com neuropsiquiatra no no caso dessas crianças. faz a manutenção e a regulação, se necessário. Tem criança que começa com um determinado tipo de óleo apresentar um tolerância. Isso geralmente com a canabis demora, tá?

Eh, mas pode acontecer. E nesses casos a gente tem que fazer uma boa, um bom acompanhamento e a manutenção. Então, tá, vamos trocar de óleo, por exemplo, né? Eh, aqui no próximo slide a gente tem a curva de uma invertida, que eu sempre explico pros pacientes de diversas formas.

Como que a canabis funciona, né? a gente tem o efeito e a dosagem. A gente vai aumentando as doses aos poucos, né? Na terapia endocanabinoide de lei, a gente inicia com a menor dosagem e avança devagar, né?

E aí a gente vai aumentando essa dosagem com as devidas orientações até que a gente chega no ponto ótimo ali, né, na curva do invertido, que seria o máximo de o os receptores todos com seus ligantes, né? Se a gente passa ali eh a a dosagem, né, do dessa curva, se a gente vai aumentando ali na parte dos efeitos, a gente começa a ver que diminui ao invés de melhorar, né? Não é aquela coisa, quanto mais melhor. Ah, então se eu der mais, ele tá indo bem, então se eu der mais óleo, ele vai melhor ainda.

Não, isso a gente tem que deixar muito claro, né? Porque às vezes, se a gente der mais, óleo, a gente passa dessa dessa desse ponto ótimo dessa curva, né, da associação do remédio, do quanto a criança associa o remédio. E aí a gente começa a ter efeitos colaterais, que pode ser sonolência, que às vezes é um efeito terapêutico, né, se esse paciente não dorme, pode ser tontura, dependendo do perfil do óleo, pode ser, ao invés de deixar a criança mais calma, ela fica mais agitada. Então, de forma geral, eh, é assim que funciona, né?

eh a o óleo de cannabis no corpo do na verdade dos seres humanos de forma geral. A gente pensa tanto no adulto quanto na criança, né? As questões sociais envolvendo minha prática clínica. E aí eu acho importante trazer isso porque são vários lugares, né?

Quando a gente fala de cannabis, a gente tá falando de vários lugares. Quem sou eu? Eu sou indústria farmacêutica? Eu sou associação, eu sou um médico.

Eu atendo no Cío Libanês, no IS, eu atendo no consultório particular. Eu atendo no SUS. onde eu atendo, né? Eu tô num ramo, eh, que visa eh questões mais recreativas, aonde eu tô, né?

Então, só para me situar também situar as questões que trago, eh a maior parte dos meus pacientes, né, o perfil são pacientes do SUS, né, pacientes sobretudo sociais, que vem das associações onde eu atendo, pacientes com média de idade entre 3 a 10 anos. Eh, cuidados e trazidos sobretudos pelas suas mães, né? Pacientes com dificuldade de estabelecer o tratamento convencional com neuro e psiquiatra no SUS, né? Então eu pergunto: "Seu filho tem neuro?

Seu filho tem psiquiatra?" Doutora, tem, mas ele passa às vezes quando é muito rápido, de seis em seis meses ou ou não consegue ainda mãe tá na fila de espera de um neuro ou de um psiquiatra ou o neuropsiquiatra se desligou do lugar de trabalho onde ele trabalhava e essas crianças elas ficam muitas vezes com uma assistência no mínimo defasada quando elas têm essa assistência, né? E num contexto de dificuldade extrema, extrema, de encontrar profissionais que prescrevam cannabis no SUS, né? Os pacientes geralmente eh eles coincidem com os pacientes de média geral de autismo, que são pacientes que chegam no consultório geralmente com dois a três psicotrópicos convencionais, né, com remédios, né, que regulam o sistema nervoso central. Eh, mas ainda que com essa com esse uso de dois a três remédios, né?

Um paciente às vezes com 4 anos de idade, usando três remédios psicotrópicos, ainda eles chegam no consultório quando procuram a cannabis com bastante sintomas, né? Então assim, ah, tá com respiridona, tá com periciasina e tá com certralina. E ele ainda continua batendo nos amiguinhos ou se agredindo ou eh, né, batendo a cabeça na parede, tendo crise de choro, eh, ficando bastante ansioso ou agitado, enfim. São crianças tomando rispiridona, aripiprasol, periciasina, ácido valpróico, ritalina, dosagens geralmente altas, tá?

e apresentando um sofrimento diário, né? Eh, às vezes sem conseguir dormir, realizar coisas básicas, né? Eh, a gente sabe que um tratamento isolado com óleo de cannabis é muito pouco efetivo, sem outros mecanismos de cuidado e saúde que são que são essenciais, né? E uma criança com autismo que apresente seletividade alimentar, por exemplo, severa, que só toma leite e que, portanto, eh possa apresentar uma anemia, uma falta de vitamina B12, uma falta de vitamina D, né, uma vitamina D baixa, na verdade, entre outras questões, ela tende a apresentar uma resposta muito a quem do que seria possível para ela mesmo assim, né, se tivesse ela como ela como parâmetro, não uma outra criança como parâmetro, do que se ela tivesse essas as questões organizadas e supridas.

Em relação ao eixo cérebro intestino, vale a pena dizer, né, que quando a gente tem essa seleção de uma microbiota mais desfavorável, maior a tendência dessa criança ficar mais sintomática, piorar as estereotipias e o e o e o sofrimento, né, que ela traz. E uma criança que não passe com recorrência no seu neuro, no seu nutricionista, no psicólogo, na fono, na terapia ocupacional, que seja no médico de postinho, eu sempre me pergunto, eu me deparo com ela e me pergunto assim, me pergunto não para ela, mas eu penso quanto efetivamente a gente vai entrar com esse óleo, mas quanto que ela pode se beneficiar desse tratamento com cannabis, né? Outro ponto que eu sempre deixei, faço questão de deixar claro é a importância da gente, eh, por exemplo, médico prescritor de cannabis, se a gente não é um psiquiatra, um neuro, um médico prescritor de cannabis especialista, né, nessas duas áreas, assim, acho que sempre tem que dialogar com os médicos referência de cuidado dessas crianças. É essencial, né?

por vezes, eh, a maior parte das vezes, eh, ou se colocam contra o tratamento com cannabis, isso no SUS, tá? Isso é o que eu venho vivenciando. Ou não se abrem pro diálogo até, né, não tem conhecimento ou ou enfim, eu não sei quais seriam os feedbacks, porque até hoje eu não tive nenhum, mas são médicos que não se abrem tanto pro diálogo. Eu sempre vou lá e falo: "Ofereça meu telefone pro pro neuro, pro psiquiatra do seu filho, pra gente poder conversar.

Até hoje eu não, a gente não, nenhum deles a gente conseguiu conversar muito porque até hoje nenhum entrou em contato. Eh, eu inclusive, é isso, né? Oferecer o meu contato para esse para esse diálogo com esses profissionais e e sempre encorajo essas mães, esses pais a dizerem: "Vai lá e fala pro neuropsiquiatra do seu filho que o seu filho está usando óleo de cannabis." Vai lá e relata. dormir assim, tá dormido assado.

Vai lá e relata as coisas boas, as coisas ruins que a senhora eh eh identifica, não esconde nada, vai lá e vê, porque aí esses psiquiatras, esses neuros, os especialistas começam a diminuir essa dosagem de de fárma de forma que eles estabeleceram no tratamento, né? E uma das consultas interessante, eu perguntei como tinha sido o feedback do neuro. Falei: "E aí, como é que foi? A senhora falou, né?

Eh, ao que a mãe me respondeu, o médico disse que se eu quisesse dar esse remédio pro meu filho, era mais fácil eu levar ele na biqueira. Então, assim, eh, é uma frase que não sai da minha cabeça, é uma frase extremamente simbólica, né, do que essas mães passam no SUS e o reflexo da formação médica, né, em relação à cannabis no Brasil, que está extremamente a quem e atrasada. A imensa maioria dessas mães, elas relatam lugar mais uma vez de marginalização por parte dos profissionais da saúde, né? E marginalizado, se a gente for pensar duas, três, quatro vezes, pelo estado, pelo local periférico e pelas condições onde elas vivem, né, com suas crianças, pela sentença da ignorância médica dos que insistem em não se atualizar, né?

Algo interessante é que essas mães inicialmente trazem seus filhos, eh, e elas vêm num contexto de muita exaustão, exaustão mental, física, enfim, eh, alguma dessas mães elas iniciam o óleo para si mesmas, né? E aí vale aquela aquela reflexão, quem cuida de quem cuida dessas crianças, né? Quem tá cuidando do do da rede de apoio, que na verdade muitas vezes elas nem têm, né? Olhar para essas mulheres para além da maternidade atípica parece outro ponto urgente.

Invariavelmente nas consultas, as queixas das crianças se misturam com as queixas das mães de modo quase que não dá para separar para distinguir, né? E se a mãe vive um momento turbulento por alguma cristã por alguma questão, você também consegue observar que a criança que tava mais estável, ela também entra em crise, né? Se a criança entra em crise, a vida da família para, as questões da mãe podem piorar. Então, eh, são coisas interessantes pra gente olhar, para tratar, trabalhar junto, né?

Depois que a gente inicia o tratamento, eh, a gente começa a ouvir mais um pouquinho da da de como isso afetou essas crianças. E aí é uma fase mais de registro, de escuta, de sentir. Eu acho que da minha parte, né, para além da parte técnica, alguma das frases que eu ouvi que eu não consigo esquecer, né, doutora, meu filho falou, eu te amo pela primeira vez, meu filho comeu tudo que tava no prato pela primeira vez, meu filho falou o nome da irmã pela primeira vez e é a primeira vez que ele consegue frequentar a missa até o fim. Tratamento com óleo de cannabis, ele proporciona experiências que hoje eu tô quase certa.

Dificilmente seriam possíveis com os psicotrópicos e tratamentos a que essas crianças estão sendo submetidas, pelo menos as crianças do SUS, as quais eu atendo. Imagina você sair de casa sempre armada como mãe ou sangrando, né, para expor seu filho a um mundo não adaptado a ele, com extrema poluição visual, com extrema poluição auditiva, né, falta de estrutura básica nos atendimentos em saúde, né, profissionais ou pessoas sem educação eh de olhar mesmo, de sensibilidade para entender, né, que aquilo não é uma birra de criança, que ela tá em plena crise, em pleno sofrimento, né? Não há remédio e tratamento respeitoso suficientes paraa maioria dessas crianças. Não há terapias suficientes cedidas pelo estado.

Isso para as famílias de baixa renda, né? [roncando] Então essas são algumas das reflexões com as quais eu vou encaminhando essa nossa conversa e apresentação pro fim. Então vou deixar algumas sugestões de livros assim, uma pincelada mesmo, porque tem muitos, né? A gente tem esse guia de prescrição de canabis medicinal que me ajuda bastante na minha prática clínica.

Eh, tem o livro do Sidarta que maconha cérebro e saúde, né? tem as flores do bem também, que acho que foi um dos últimos lançamentos dele, professor Sidarta, neurocientista Sidarta Ribeiro, que fala bastante das questões oníricas, subjetivas, de sonhos, né, eh, que permeiam os seres humanos e muitas vezes, eh, são mais importantes pra gente entender o paciente do que um guia meu de fisiologia, de anatomia, né, que eu tenha visto na faculdade. É, deixei aqui algumas sugestões de filmes, né, quebrando o tabu, o Iegal, a vida não espera, que fala dessa luta das mães atípicas, né, para conseguirem estabelecer lá lá no início o tratamento da canabis, as dificuldades, né, para estabelecer esse tratamento com os filhos e tem outros aqui também. E aí eu gostaria muito de remeter ao Wilton Krenc como uma forma de remeter aos conhecimentos ancestrais, milenares, que a planta, apesar de, né, de ela ter entrado às vezes, eh, infelizmente, né, numa lógica farmacêutica, industrial, capitalista, da gente remeter a essa essência da planta, né, a essa sabedoria da planta, né, a gente às vezes coloca como protagonista do tratamento.

Olha como esse paciente tá indo bem. Mas na verdade quem tá fazendo tudo é o corpo do paciente, é a criança, né, nesses casos, mas é sobretudo a planta, né? Então assim, o Ailton Crenc ele traz uma frase pra gente ler a cannabis. A cannabis ela é uma entidade que precisa ser tratada com respeito, numa relação colaborativa entre humanos e não humanos.

É preciso aceitar que para muitos ela tem um efeito curativo, possibilitando viver com menos dor e desconforto. Para outros é uma busca pela transcendência para outros estágios de consciência. Então, com essa frase da Crenc, eu me despeço, me despeço agradecendo e reforçando da minha alegria de fazer parte, né, desse curso com profissionais ali numa lista imensa de pessoas referências na área. Agradecer também os profissionais que vieram antes de mim, né, e por isso eu tô podendo prescrever hoje para uma criança com autismo.

São profissionais que também Dr. Vinícius Barbosa, Dra. Carolina Noete, entre outros, que me ajuda a ampliar o olhar, o sentir em relação tanto ao tratamento com cannabis quanto com essas crianças e também entender o contexto do SUS, né, como algo sempre mais dificultoso, etc. agradecer os pacientes com suas famílias, que através dos seus olhares, das suas histórias de dor, de conquista, né, eh tem me auxiliado a ser a profissional que eu tenho sido e que, enfim, que eu que eu possa melhorar através disso tudo.

Então, eu fico à disposição, tô deixando meu contato, né? Espero que tenham gostado da aula, da partilha. Eh, e ficou à disposição pra gente poder eh bater papo, né, trocar impressões, etc. Muito obrigado para você que até aqui teve paciência, disposição de de de assistir essa partilha.

17ª Aula: Cannabis sativa L. e Doenças neurodegenerativas: a Esclerose Múltipla — Cannabis sativa L. e Doenças neurodegenerativas: a Esclerose Múltipla

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Olá a todos e todas. Sejam bem-vindos a mais uma aula da nossa 14ª edição do curso sobre uso terapêutico da canabis ativa. Sou a Gabi Dainese. Tô aqui para apresentar uma aula que a gente vai falar sobre doenças neurodegenerativas e sobre esclerose múltipla.

Para essa aula a gente vai receber de novo e com muito prazer, né, a Dra. Ana Hoover, que tá nessa segunda aula com a gente nessa edição. Queria agradecer a Dra. Ana, por esses dois conteúdos maravilhosos.

Tenho certeza que vocês vão gostar da aula de hoje e a gente se vê na próxima terça-feira. >> Olá, eu sou a Dra. Ana Hoover e eu gostaria de dizer que é um prazer estar em mais uma edição do curso de extensão em cannabis medicinal MV Recan, promovido pela UNIFESP. E hoje nós vamos falar sobre a canalativa para a esclerose múltipla.

Eh, mas além de falar [música] sobre aplicação na esclerose múltipla, aqui nós vamos estar falando também sobre pessoas, sobre pessoas que convivem diariamente com a dor, diariamente [música] com a espasticidade, com a rigidez, com a perda da autonomia e toda a complexidade que [música] gira em torno da esclerose múltipla. E o meu objetivo hoje aqui não é trazer a cannabis de um ponto de vista tão simplificado ou mesmo trazê-la como algo até milagroso, mas sim trazê-la do ponto de vista científico, demonstrando a real aplicação, onde como a cannabis, né, e os seus componentes [música] podem ser utilizados e trazer qualidade de vida pro paciente que tem a esclerose múltipla. Quando nós falamos da esclerose múltipla, muitas vezes nós pensamos muito em encontrar alguma lesão, encontrar algo em um exame de imagem, por exemplo. Mas a gente tem que levar em consideração que essa doença ela está no cotidiano.

Então, os sintomas é que vão em grande parte dizer a complexidade dessa doença para cada um dos pacientes que tem esse diagnóstico, né? Ela acontece na dificuldade de caminhar, no medo, né, na perda de autonomia, na fadiga extrema, no cansaço. Então, é um múltiplo de sintomas que afeta diretamente no dia a dia. E também eh é importante dizer, né, que quando a gente pensa na esclerose múltipla, né, a gente pode falar do ponto de vista da neuroinflamação, da espasticidade, mas também vale muito a gente eh falar sobre o ponto de vista da experiência humana.

Isso tudo quando a gente fala em experiência, né? Eh, a minha aproximação com a can medicinal se dá muito baseado na história que eu enfrento, que eu estou enfrentando aí há pelo menos 10 anos com o meu avô, que também tem uma doença neurodegenerativa, que é o Alzheimer. Então, eh, do ponto de vista prático de vivência, né, todo mundo que assiste essa aula e que enfrenta alguma doença complexa como uma doença neurodegenerativa, né, entende o quanto é difícil você atravessar por esse diagnóstico e eh a o conforto que traz quando nós temos uma opção que pode de fato devolver a qualidade de vida para esses pacientes, como foi o caso, por exemplo, do meu avô, que teve um excelente resultado do tratamento com a cannabis medicinal pro Alzheimer e que, contrariando o que todos me falaram na época de que não valia a pena a gente tentar, de que não havia evidência pra gente investir em uma pesquisa científica sobre isso, ainda assim a gente acreditando e buscando pela ciência, por tudo aquilo que eh a Cannabis já vinha demonstrando. Hoje meu avô está aí, meu avô está com saúde, com qualidade de vida, graças ao acreditar na ciência e o que a cannabis, a ciência endocanabinoide pode trazer de benefício pro paciente.

E na esclerose múltipla isso também não é diferente, né? A cannabis tem um potencial muito amplo e para ajudar e devolver a qualidade de vida para quem tem esse diagnóstico. E a esclerose múltipla, ela não é apenas, né, uma doença da mielina, como é muito conhecida, né, uma doença de desmielinização, mas ela também envolve diferentes processos, como a neuroinflamação, aitotoxicidade, a desorganização funcional, alterações circuitos neuronais, né, e claro a neurodegeneração que é progressiva. Então, quando a gente ouve falar no tratamento, a gente tá abordando esse complexo como um todo, né?

E o potencial da cannabis nisso tudo, como que eh pode ser utilizado com segurança para trazer essa qualidade de vida. E aqui eu quero trazer um pouquinho do que é na prática clínica a esclerose múltipla, né? Então, quando a gente pensa nessa doença, nós estamos falando de um uma amplitude de sintomas, é, que impactam o dia a dia do paciente. E eu vou citar alguns dos principais, né?

Então, por exemplo, o paciente com esclerose múltipla é um paciente que vai apresentar um formigamento, que normalmente começa sendo de um lado da face ou mesmo do corpo, né? tendência a passar eh depois de algum período. Eh, esse paciente, ele também pode sentir uma dor do fundo dos olhos. E essa dor, quando o paciente movimenta o olho do lado que está sentindo a dor, tende a piorar, podendo inclusive levar ao embaçamento central, né, dessa visão.

Então, a parte mais central acaba ficando embaçada. Esse paciente pode desenvolver visão dupla, né? Então ele tá vendo uma cadeira, acaba vendo duas, havendo um objeto, acaba duplicando. Eh, esse paciente também sente um aperto na região da cintura, como se tivesse uma faixa.

E quando o paciente fazer esse movimento de encostar o queixo no peito, ele pode sentir também um choque que atravessa pela sua medula, pela sua coluna, né? Então, esses são os sintomas básicos que nós podemos encontrar na esclerose múltipla, né? E aqui eu quero comentar um pouquinho sobre um caso real de uma paciente que eu acompanho aí já há algum algum tempo, desde 2023, né? E essa paciente, ela chega para mim, né, paraa avaliação da farmacoterapia, acompanhamento da farmacoterapia, eh, relatando dores intensas, rigidez que iniciou em um lado do corpo e passou pro lado contrário depois de um certo período.

Eh, essa paciente, inclusive já tinha passado por processo cirúrgico, cirurgias ortopédicas, eh, sem nenhuma melhora considerável. Eh, também ela teve progressão com uma fraqueza extrema, uma impossibilidade de realizar as atividades do dia a dia, marcha com a perna arrastando, né, e também espasticidade, espasmos, muita dor, que era a queixa principal dela, né? Então, é uma amplitude de sintomas bem eh considerável que vão se apresentando. Esses sintomas eles surgem, né, pelo processo eh fisiopatológico da doença, né?

Então, quando nós pensamos na esclerose múltipla, nós estamos falando sim de uma doença autoimune, né? Ou seja, o próprio sistema imunológico, que é o sistema de defesa do organismo, ataca as próprias células, né? que leva a um processo eh bastante complexo, né, e que envolve a neuroinflamação, a neuroinflamação, aitotoxicidade, né? Então, como que isso funciona?

Lá no nosso cérebro, nós temos o que chamamos de neurônios motor, né, que comandam ali a nossa questão de movimento, né? Então, esse primeiro neurônio motor, ele é um neurônio que ele é inibitório, né? Para que que ele serve? Então, basicamente, quando ele recebe um estímulo, por ele ser inibitório, ele evita que haja uma sinalização muito intensa que acaba sendo desproporcional ao estímulo, né?

Então ele tem um papel fundamental quando temos todo esse processo fisiopatológico com a neuroinflamação, com a lesão, né, gerada, eh, o que acontece é que esse primeiro neurônio ele acaba ficando deficitário, ele acaba sofrendo, o que faz com que haja uma hipercitação que evolua com sintomas motores e tudo isso existe uma explicação causal, né? Então, o que que gera a esclerose múltipla? Então, a gente tem algumas teorias, mas basicamente nós estamos falando de uma doença, né, que ela ela eh tem uma predisposição genética, né? Então, o indivíduo, né, ele acaba recebendo genes dos do pai e da mãe que ao serem combinados, né, esses genes fazem com que essa pessoa tenha uma predisposição à esclerose múltipla, né?

Essa predisposição esclerose múltipla não quer dizer que ela vá desenvolver a doença, porque o desenvolver a doença depende de outros fatores, fatores ambientais, por exemplo, n? E um dos fatores mais estudados é o vírus, que é conhecido como o epistemar vírus, é o vírus do beijo, a doença do beijo, né? Eh, que é muito comum que que se tenha principalmente ali no início da adolescência, né? um período em que o indivíduo ainda é bastante jovem, eh cursa ali com bastante dor de garganta, infecção recorrente.

Eh, e isso, essa, esse tipo de infecção pelo bar, eh, está eh, como um alvo de estudo e um dos fatores principais que se relacionam com esse indivíduo, que tem essa predisposição desenvolver posteriormente a doença, a esclerose múltipla. Eh, eh, vale lembrar também que nós temos um eh o acometimento em mais mulheres do que homens, né? Uma doença mais comum em mulheres. Então, nós temos cerca aí de três mulheres para cada homem, diagnosticado com esclerose múltipla, né?

E também, claro, outros fatores, como, por exemplo, etnia, né? Nós temos eh primordialmente eh indivíduos brancos caucasianos sendo acometidos, né? Então, muito poucos indivíduos, eh, por exemplo, orientais ou mesmo indivíduos negros que, eh, são acometidos com a esclerose múltipla, né? E ela cursa então com toda essa questão da neuroinflamação, da desmielinização, que é basicamente quando esse vírus, né, o epistem bar vírus, ele mimetiza a baninha de mielina, ele mimetiza a mielina que recobre ali, né, o os nossos neurônios, nosso axônio, que é a uma parte do nosso neurônio.

Então, quando ele faz isso, por ser uma doença autoimune, o que acontece é que as nossas células de defesa não reconhecem mais, né, eh, a, a nossa bainha de mielina, elas acreditam, né, que essa bainha de mielina, né, seria algo intruso, algo que não deveria estar ali. Então, as nossas próprias células de defesa acabam lesionando, acabam eh fazendo com que a baninha de mielina acabe se degenerando, né? E com isso, com a degeneração, nós temos então o avanço da doença, nós temos ali eh o correr, o curso da esclerose múltipla. Essa bainha de mielina, ela é bastante importante pro nosso sistema nervoso, né?

Porque a partir da da baninha de mielina, né, neurônios que dispõe eh da banha de mielina, nós temos uma condução rápida de impulso, né? Então, esses neurônios fazem com que a informação passe rapidinho, né, e cheguemonde ela tem que chegar. Há uma comunicação neuronal mais satisfatória, de uma forma bem mais rápida, né, mais eh adequada, né, mais precisa, podemos dizer. H, além de que confere proteção, estabilidade paraa atividade neuronal.

com a perda da bainha mialina por esse processo neuroinflamatório, neurodegenerativo, acontece que esse dano gerado no nosso neurônio faz com que nós tenhamos essa condução do impulso nervoso muito mais lento. com a condução do impulso nervoso mais lento, né? Então nós temos eh vários fatores, várias oportunidades para que a falha da comunicação neuronal também venha como decorrência, né? e claro uma instabilidade nessas redes neuronais que faz com que a complexidade disso tudo aumente.

Então, de forma geral, nós temos uma doença que cursa com a neuroinflamação, com a disfunção da conectividade neural, eh, com, eh, disfunção na comunicação neuronal, fazendo com que ela não seja tão efetiva, eh, uma disfuncionalidade nas nossas redes funcionais, né, e, claro, da modulação sináptica. E de forma geral, eh, a esclerose múltipla, ela se manifesta de diferentes formas. A principal forma de manifestação é o que nós chamamos de esclerose múltipla remitente recorrente, que é a mais comum, cerca de 80%, 85% dos pacientes vão ter a esclerose múltipla dessa forma, que são os conhecidos surtos ou exacerbações que acontecem eh voltados à questão dos sintomas, né? Então, o que que nós temos?

períodos de surto em que o paciente apresenta todos esses sintomas que eu comentei com vocês da espasticidade, da rigidez, né, das dores, eh, enfim, a fraqueza e períodos que em mais ou menos duas semanas após início dos sintomas acontece, né, uma remissão desses sintomas que pode ser parcial ou até mesmo completa e o paciente volta à sua funcionalidade, né, nesse tipo de manifestação. Então nós temos picos e retorno ali à estabilidade, né, eh, dos sintomas da esclerose múltipla. Eh, nós temos uma uma questão inflamatória predominante no tipo de esclerose múltipla remitente e recorrente, né, que acaba sendo bastante importante e que é o que faz com que muitas vezes essa recuperação ela acabe sendo mais parcial. Depois nós temos também o tipo de manifestação que é a esclerose múltipla secundariamente progressiva.

O que que significa isso, né? Ela começa com as mesmas manifestações, com o mesmo curso da esclerose múltipla remitente recorrente. Então tem o surtos e remissões, mas a partir de um dado momento ela acaba se tornando mais progressiva, mais intensamente progressiva. e os sintomas, ao invés de deles eh reduzirem, eles vão aumentando a sua intensidade, aumentando a debilidade, a perda de funcionalidade e de autonomia desse paciente.

Esse tipo de manifestação eh acontece em torno de 10 a 15% dos casos, né? E na maioria nós começamos da primeira forma. Então nós temos uma progressão gradual dessa eh incapacidade, né? E podem ter então os cursos eh outros surtos que são mais ocasionais.

Também nós temos o tipo de esclerose múltipla que é primariamente progressiva, ou seja, a partir do momento que os sintomas surgem, ele é progressivo. Então esse paciente não vai ter surtos e remissões, né? ele vai aumentando gradualmente a intensidade desses sintomas, né? Aqui nós vamos ter também eh uma ocorrência em torno de 10 15%, né?

Enquanto eh no na forma secundariamente progressiva eh dos pacientes que iniciam com remitente recorrente, nós podemos chegar ali até 50, até 60% dos casos dessa forma, né? E nós vamos ter então sem remissões. É um tipo de manifestação onde não ocorre essa recuperação, né, essa remissão dos sintomas ao longo do curso. E nós podemos ter também a que chamávamos, né, de eh cerose múltipla progressiva recorrente, né, que hoje eh já não é mais tão utilizada nessa nomenclatura e a gente associa muito mais aos surtos, mas é um tipo de manifestação progressiva também, onde os surtos acontecem em dados momentos.

Então os sintomas eles vão evoluindo, vão progredindo ao longo do tempo, mas em alguns momentos nós temos surtos de intensificação desses sintomas. De forma geral, nós podemos também dizer, né, que a esclerose múltipla que vai cursar com tantos sintomas, né, como a espasticidade, a dor, a fadiga, n, ela também tem uma influência bastante importante dos fatores externos, né, como por exemplo a temperatura, né? Então, muitos pacientes relatam uma pior importante dos sintomas é relacionado ao aumento de temperatura, né? Outro fator é o estresse, né?

O estresse também faz com que os sintomas da esclerose múltipla possam ser intensificados, né? E dependendo do tipo de atividade física, também pode acontecer uma certa mudança no padrão ali eh dos sintomas. Vale ressaltar aqui que uma forma de conter, de melhorar a qualidade de vida do paciente é estimular a atividade física, mas ela tem que ter um acompanhamento, né? Esse paciente precisa ser acompanhado para que a gente consiga ter ali um manejo, né, dos sintomas e da dor e que ele aproveite de uma forma bastante efetiva de todo aquele tratamento que ele tá realizando.

Enquanto nós pensamos especificamente em um dos sintomas que é o mais conhecido ou talvez mais falado da esclerose múltipla, que é a espasticidade, né, nós também temos que relacionar esse sintoma com a toda a rede de outras manifestações que aparecem junto, né? Então, a esclerose múltipla, ela não é apenas um aumento de tô muscular, um aumento da espasticidade, uma rigidez, né? Mas ela traz uma um vários outros sintomas que afetam o cotidiano, o dia a dia do paciente, como por exemplo, um sono ruim, né? O sono eh ruim, dificuldade para dormir ou manter o sono, é um sintoma que também a eh entra ali como uma complicação que vai fazer com que os sintomas motores também sejam mais percebidos, mais autorrelatados pelo paciente, né?

Outra questão é a própria dificuldade motora, como a dificuldade de caminhar, a dificuldade na marcha, né? Esse paciente acaba muitas vezes tendo uma marcha arrastada, né? Ele não consegue ter aquela passada ampla, né? Com amplitude também em relação a você conseguir tirar a perna de uma forma efetiva do chão, né?

a questão da fraqueza que vem muito relacionado a isso. Normalmente o paciente com esclerose múltipla também pode cursar com doenças psiquiátricas, né, que podem ser secundárias, inclusive a a esclerose múltipla, como ansiedade e a depressão, né? Outra questão é a perda funcional, perda de autonomia. Se paciente aos poucos vai deixando de fazer a sua rotina normal, eh as as suas atividades de lazer e tudo aquilo que para ele até então era importante, era necessário no seu dia a dia.

Eh, além disso, a dor é um dos sintomas que vem acompanhando esclerose múltipla, né? E essa dor, né, que pode ser considerada, inclusive, né, tem um cunho neuropático, né, eh, também afeta diretamente na qualidade de vida desse paciente, né? E também nós temos, claro, a dor muscular de forma geral pelo causada pela própria rigidez, pelo próprio espasmo, né, pela própria espasticidade desse paciente. E muitas vezes o que é mais complexo aqui é que quando a gente pensa em uma escala de avaliação, quando a gente pensa em quantificar esses sintomas, né, em dar graus gravidade para esse sintoma, muitas vezes é difícil, né, por eh, as ferramentas que nós temos, na maioria das vezes, ela acaba fazendo um recorte daquele período, né?

E esse paciente, ele não é somente aquele período, né? é um paciente que tem esses sintomas vindo e voltando, intensificando, diminuindo ao longo do seu dia a dia. Às vezes, no mesmo dia, o paciente pode eh passar de um estado mais tranquilo, mais relaxado para um estado de uma dor extrema, incapacitante, né? Então, é, é complexo a gente pensar inclusive em como é quantificar ou qualificar cada um desses sintomas que cursam na esclerose imunda.

E um desses sintomas importantes também além da espasticidade, né, é a dor neuropática, né? Então, quando a gente pensa na dor neuropática, né, nós estamos falando de um estímulo que primordialmente poderia ser um estímulo nocivo, né, e que ele é interpretado lá no nosso sistema nervoso, né? Então, eh, células nervosas, as fibras e noceptivas, né, que estão na periferia, como, por exemplo, na musculatura, na nossa mão, nas nossas costas, né, elas recebem esse estímulo, elas vão fazer com que ele seja conduzido de uma forma equilibrada para que esse paciente receba uma sinalização e uma modulação adequada dessa dor, né, para que ela seja percebida de uma forma e de uma intensidade correta. na esclerose múltipla, por conta dessa neuroinflamação, da hipercitabilidade, né, e da sensibilização a nível de sistema nervoso, né, que gera um dano nessas fibras noceptivas, né, faz com que nós tenhamos, eh, uma percepção muito mais aumentada, né, da dor, faz com que a transmissão, a hipersetabilidade seja aumentada, né, e a dor seja amplificada.

Então esse paciente passa a sentir dor por um estímulo que muitas vezes não deveria promover a dor ou não deveria ser tão intensa, né? E e normalmente isso é refratário, acontece e é difícil de tratar, né? Nós não temos medicamentos tão efetivos para esse tipo de dor. Os tratamentos convencionais também são bastante complexos, né?

Por aqui, quando a gente fala de tratamento para esclerose múltipla, a gente se se baseia no controle imunológico por ser uma doença autoimune. A gente está falando no manejo dos surtos, né? Então, quando o paciente cursa com esses surtos e remissões, a reduzir esses períodos de surto do paciente e também no controle sintomático geral, como por exemplo da dor ou do próprio espasmo. É, o que acontece é que os medicamentos, como por exemplo, no tratamento do surto, onde nós usamos imunossupressores, porticoides, né, eles também, além de eh não curarem, né, não impedirem que a doença aconteça, eles trazem vários efeitos adversos, né, como, por exemplo, a própria fadiga, alteração de humor, dentre, dentre tantos outros.

Eh, nós temos as terapias modificadoras também do curso da doença e nós vamos ter também o tratamento sintomático, como por exemplo quando a gente fala aí de relaxantes musculares, né, de benzasepínicos, ansiolíticos, né, eh que anticonvulsivantes no tratamento da dor, né, eh que também, apesar de, eh, trazerem um relaxamento, trazerem uma certa redução da espasticidade, também fazem muitos efeitos adversos. como o prejuízo cognitivo, a fraqueza, sonolência excessiva, né? Eh, colaboram para que o paciente tenha risco de quedas, né? E tudo isso dificulta muito no manejo da esclerose imú.

E apesar de nós termos esses tratamentos convencionais, que mesmo tão complexos, eles eh trazem um certo controle da doença, ainda assim nós temos muitos sintomas que permanecem refratários e que continuam impactando dia após dia na vida, né, e na funcionalidade do paciente, como é o caso, por exemplo, da própria espasticidade, que muitas vezes, apesar de reduzir a um certo nível com o tratamento convencional, ela permanece ali, né? O paciente continua com o tôus muscular eh aumentado, ele continua com a rigidez e com isso ele continua apresentando uma dor persistente, uma dor que muitas vezes acaba sendo incapacitante para esse paciente. A fadiga também ela acaba sendo muito comum e persistente no dia a dia, até mesmo derivado dos próprios tratamentos, né? Eh, o impacto funcional, é claro, na esclerose múltipla.

Esse paciente tem dificuldade em atividades básicas, como, por exemplo, a própria caminhada, conforme a evolução da doença. E tudo isso, né, quando a gente pensa na limitação terapêutica, a gente abre os olhos para novas oportunidades de tratamento e dentre elas, nós destacamos então o tratamento com a canálise medicinal. né? Por que que os canabinoides eles podem funcionar na esclerose múltipla?

o que que, quais são as bases biológicas, onde eles atuam, que de certa forma ajudam, né, a trazer uma qualidade de vida pro nosso paciente. Então, basicamente, quando a gente pensa no sistema endocanabinoide como um todo, nós estamos falando de uma homeostase neural, ou seja, um equilíbrio ali da comunicação entre as nossas células do sistema nervoso, né? Então, o sistema endocanabinoide é um sistema modulador, modulador da dor, modulador do humor, do movimento e também da estabilidade neuronal, que é algo que está exacerbado na esclerose múltipla. Então, quando nós pensamos em uma doença que cursa com a dor neuropática, que cursa com espasticidade, neuroinflamação e todos esses outros sintomas, e nós temos o sistema endocanabinoide funcional, nós temos esse sistema capaz de modular adequadamente, né, a comunicação neuronal, né, as nossas sinapses.

É, nós vamos então levar a uma busca pela homeostase no sentido de reduzir todos esses sintomas, fazer com que os nossos circuitos neurais que estão hiperativados, eles reduzam essa atividade, voltem ao status basal, eh fazendo com que haja uma inibição desse exagero de transmissão ali de informação que está acontecendo, com que volte a ter um equilíbrio na informação que chega pra informação que sai através do dos nossos impulsos nervosos. Além disso, também trazendo a neuroproteção, né, que é muito importante porque nós estamos sim falando de uma doença neurodegenerativa e progressiva. Então, esse sistema endocanabinoide, que é um sistema distribuído pelo nosso organismo como um todo, né, ele é um sistema de modulação, né, e ele atua de uma forma um pouco diferente do que acontece, por exemplo, eh, com sistemas que controlam o nosso movimento, né? Então, nos nos sistemas que controlam nosso nosso movimento, né, como por exemplo o sistema dopaminérgico que está envolvido ali nesse controle, nesse sistema, nós temos uma comunicação que parte de um neurônio e caminha em direção ao outro e nós vamos tendo essa transmissão neurônio após neurônio.

No sistema endocanabinoide, nós temos a comunicação acontecendo de forma contrária. Então, ao invés das substâncias endógenas serem produzidas em um neurônio pressináptico e passando, né, esse impulso à frente, nós temos o sistema endocanabinoide a produção de moléculas próprias. Então, nosso, nossas células produzem moléculas endocanabinoides no neurônio pósináptico, que é aquele que receberia informação. Então, quando o nosso neurônio que recebe a informação produz essas moléculas endocanabinoides, essas moléculas vão lá no neurônio pré-sináptico, que é aquele que tá mandando muito exagero de informação, e fala para ele: "Olha, vamos diminuir essa atividade, tá demais".

Assim como quando nós temos um uma falha de comunicação, né, por uma redução dessa atividade, né, o sistema endocanabinoide também vai lá e modula isso para voltar a um status normal. E os cannabinoides presentes na planta da cannabisativa, como por exemplo o próprio THC, que é a molécula psicoativa da cannabis, né? Ele eh consegue ativar esse sistema endocanabinoide, esse sistema que é composto além dessas moléculas que o nosso próprio corpo produz, que são as moléculas endocanabinoides, né? eh também os nossos receptores que estão amplamente distribuídos em todo o nosso corpo, né?

Então, nessa imagem vocês vem que tudo que está aí pintado em verde, em azul, em amarelo, são locais onde esse sistema hidarabinoide está atuante, né, onde nós temos receptores desse sistema. E o sistema nervoso central, nós temos uma ampla distribuição, inclusive em todas essas áreas motoras que são afetadas pela esclerose múltipla. Então, de forma geral, né, nós temos essa comunicação retrógrada acontecendo e levando a uma modulação desses desse processo todo, né, eh, da comunicação celular, reduzindo a a esitotoxicidade, reduzindo essa esse eh, né, esse exagero de informação que está passando por ali, que leva o paciente a desenvolver essa doença. Além disso tudo, quando a gente pensa nos receptores do sistema endocanabinoide, né, nós temos dois que são os mais conhecidos, receptor CB1 e o receptor CB2, né?

O receptor CB1 que tem uma densidade muito grande quando nós falamos do sistema nervoso central, né? Ele está envolvido, então, eh, com o controle da espasticidade, da dor, dor neuropática, do tremor, né, da rigidez, enquanto que os receptores CB2, que estão pres em células do sistema imunológico, incluindo as células de defesa presentes no sistema nervoso, que são as conhecidas células da glia, né, esse esse receptor CB2 e a sua eh modulação adequada né? É o que está ligado então com toda a questão do sistema imune, né? Com reduzir a atividade excessiva de uma célula que nós conhecemos como micróglia, né?

é uma célula que é responsável ali por eh fazer o, né, ajudar no combate ali de de agressão de agressões que acontecem no sistema nervoso e por consequência uma hiperativação dessa micróglia leva a uma intensa inflamação, leva a um processo de estress oxidativo, né? Então, eh, quando nós temos o os receptores CB2 ativados nesse tipo celular, nós reduzimos esse status inflamatório do sistema nervoso, ao mesmo tempo que em outro tipo celular, conhecido como astrócitos, né, que são células de suporte, que são células que ajudam o neurônio a se manter estável, também aumenta a capacidade, né, desse tipo celular exercer a sua função, melhorar a liberação. de fatores anti-inflamatórios, antioxidativos, o que vai eh auxiliar muito no tratamento da esclerose múltipla. Com isso tudo, nós eh a gente modulando o sistema endocanabinoide e pensando mais agora nos receptores CB2, nós estamos falando de eh uma modulação da neuroinflamação, uma modulação, né, eh da liberação de citocinas, da resposta imune e também do ambiente neuronal como um todo.

E nesse sentido nós temos vários canabinoides presentes na planta, né? Hoje é muito mais de 100 canabinoides identificados. E aqui a gente vai trabalhar com destaque principalmente a dois, que é o tetrahidrocanabinol, THC psicoativo e o canabidiol CBD, né? Então o THC pra esclerose múltipla ele vem como com um papel importantíssimo, né?

Por quê? levando em conta, né, que a espasticidade, a rigidez, a dor são os sintomas mais incapacitantes, né, da esclerose múltipla, o THC é quem vai ter essa capacidade de modulação, principalmente relacionada à ativação dos receptores CB1 lá no sistema nervoso, né? Então, é levando a uma analgesia, levando a redução desse tôus muscular e, por consequência trazendo impacto positivo no dia a dia do paciente, com melhoras inclusive em outros fatores, como por exemplo no próprio sono, né, eh, que acaba sendo bastante prejudicado. Enquanto, por outro lado, nós vamos ter o canabidiol, CBD, importantíssimo na modulação inflamatória, né, que é um dos fatores e fisiopatológicos da esclerose múltipla.

Então, também conferindo a neuroproteção, melhora na tolerabilidade ao próprio THC, então reduzindo efeitos adversos, né, e reduzindo, especialmente nesse sentido os efeitos psicoativos, né, porque esses canabinoides eles atuam de uma forma sinérgica, né? Ou seja, quando eles estão combinados, é possível que a gente utilize doses muito mais moderadas, né, para fazer o tratamento eh desse paciente, não precisando doses que vão conferir efeitos adversos consideráveis, como uma sonolência excessiva, um risco de queda, né, e com isso também facilita o manejo desse tratamento. Então eu quero trazer um pouquinho para vocês, né, também o que os estudos clínicos estão demonstrando. Então, estudos que foram realizados com humanos em tratamento da esclerose múltipla com os canabinoides CBD e THC, tá?

Então, paraa gente falar disso, eu selecionei de uma forma um pouquinho diferente eh uma evolução temporal desses estudos, onde, como eu falei no comecinho dessa apresentação, eh eu não quero ressaltar aqui algo, a Cannabis como algo milagroso, mas sim como algo funcional, em que ponto que nós podemos aplicar a cannabis, como que ela tá impactando na qualidade de vida dos pacientes, né, e trazer um racional al para isso tudo que faça, que contribua para que na prática clínica a gente consiga, né, desenvolver o tratamento dos pacientes, tá? Então eu peguei estudos aqui de 1988 até 2024, eh, mostrando diferentes aspectos, eh, em que foram testados os canabinoides, né? Então, por exemplo, em 1988, nós temos um estudo que traz que trata de uma melhora, é, na questão da da espasticidade, que é um dos sintomas mais falados da esclerose múltipla. Eh, ao longo desse tempo, né, pensando que inicialmente eh se trabalhou muito mais com o THC, né, já que o THC via modulação de receptores CB1 é o que vai fazer com que possa haver essa redução eh na espasticidade.

Então, se pensava muito no THC como uma molécula capaz de ajudar na esclerose múltipla. o com o tempo, né, pensando já eh ali nos anos 2000, mais precisamente trouxe estudos aqui entre 2004, 2005, já se passou a olhar muito mais para formulações mais amplas, né, onde nós temos outros canabinoides, como por exemplo o CBD ou então o extrato completo da planta. pensando nesse sentido também em trazer melhora da qualidade de vida, inclusive da evolução da doença, eh pensando no aspecto de modulação da neuroinflamação e também na combinação desses compostos para trazer eh a neuroproteção. Depois nós vamos evoluir um pouquinho mais, né?

Então, já visto que há benefícios, né? Outros pesquisadores, né? eh tentaram trazer um pouquinho eh em relação [limpando a garganta] à progressão da doença, que que eles tentaram visualizar, se poderia interromper o curso, né? E falando sobre isso também, nós temos ali toda a limitação que vem dentro de uma pesquisa clínica, né?

Pesquisa clínica conduzida com seres humanos, né? Então, o que que vale ressaltar? Eh, os dados que a pesquisa apresenta são recortes de tempo. Então, esses pacientes eles passam a ser avaliados em um período específico, né?

Então, de acordo com o protocolo da pesquisa, esse paciente pode ser que seja avaliado em um dia que ele está muito bem ou num dia que ele está muito mal, né? Se eu comparo um dia que tá muito bem com um dia que tá muito mal, eu vou conseguir detectar algumas eh dificuldades metodológicas, inclusive eh quando a gente quer comparar uma coisa com a outra, né? Por isso que os estudos eles têm um rigor bastante específico, eles têm uma condução eh que garante com que a gente elimine esses fatores de confusão, mas ainda assim nós estamos falando de o paciente num determinado ponto de tempo. Então nós temos estudos que mais agora eh, né, em 2023, 2024 também tem tratado da experiência do paciente como um pilar para determinar a efetividade de um tratamento do que pensando somente no efeito estatístico demonstrado por, por exemplo, uma ferramenta que mede eh a espasticidade isoladamente.

Então, nós temos aqui, por exemplo, o estudo de 1988, onde eh 13 pacientes com esclerose múltipla refratária, né, e receberam tratamento com o THC isolado, né, e eles fizeram o escalonamento de dose. Então, começando com uma dose de 2,5, chegando até 10 mg de THC por dia, tá? Então, os principais resultados, né, desse desse estudo, considerando que foi só o THC, né, é que houve uma melhora significativa da espasticidade, ou seja, o tôus muscular reduziu, né? Com isso, a rigidez, né, passou a ser reduzida, o paciente passou a ter um movimento mais facilitado, eh, a caminhada menos arrastada, também cursa com uma redução de dor, né, e nós temos também muito pouco efeito adverso relatado, então demonstrando a segurança eh do tratamento com o THC paraa esclerose múltipla até essa dose de 10 mg.

Mas vejam que aqui nós estamos falando de 1988, né? Então, desses estudos mais modernos, com uma metodologia mais robusta, onde nós temos ali comparação com placebo, por exemplo, né? Então, né? Eh, começaram a partir desse ponto, daqui para diante.

Até então, né? Nós temos aqui pacientes que eh são avaliados no dia a dia sem essas essas eh medições, sem essa metodologia científica tão robusta. O que vai passar a acontecer, por exemplo, nesse estudo de 2004, né? Então esse estudo de 2004, que já é então o estudo placebo controlado com uma amostra muito maior de 160 pacientes, 160 pacientes com espasticidade, com dor refratária, com espasmos, né, e outros sintomas, eh, né, secundários, né?

Então eles utilizaram agora uma combinação de THC + CBD, né, que posteriormente ele foi registrado como um medicamento, né, conhecido como Satvex e aqui no Brasil conhecido como Mevatil, né? Então esses pacientes foram tratados, né, com esse spray oro mucoso, então spray que você coloca ali na mucosa oral, né? Eh, então esse spray contém tanto THC quanto CBD. né?

Eh, juntos é um extrato da planta. E esses pacientes receberam em média até 120 mg de THC CBD, né? Em doses divididas em várias vezes ao dia. Eh, o estudo ele teve uma duração de tempo um pouco maior, de seis semanas e ele foi controlado por placebo, ou seja, pacientes que realizaram tratamento com esse spray aromucoso de eh de um extrato de cannabis.

eh foram comparados com pacientes que utilizaram um placebo. E aqui, novamente, nós temos uma melhora significativa da espacidade comparado ao placebo, redução do desconforto corporal e da dor. não tivemos alterações significativas na questão do humor, nem efeitos colaterais relevantes, o que novamente eh ressalta a segurança e também a eh a relevância, né, do uso dos canabinoides para tratamento da esclerose múltipla. Outro estudo importante realizado em 2005 com uma amostra bem considerável de 630 pacientes.

Nesse caso não eram pacientes que estavam em surto ou pacientes eh refratários, mas eram pacientes que estavam estáveis, né, no curso da doença. pacientes eh que eles tinham a espacidade como um sintoma, eh, né, que que um sintoma que é refratário, digamos assim, porém não é um paciente que tava cursando com tantos surtos, é um paciente que o tratamento estava estável. Então, esses 630 pacientes, né, eles eh passaram eh por essa experiência nesse estudo, onde foi testado um extrato de cannabis, onde nós tínhamos concentrações de até 25 mg de THC. Então, uma concentração bem importante que o paciente autotitulava, então começou de doses pequenas e foi aumentando ao longo do tempo.

Esse estudo nós tivemos uma duração de 12 meses. Então vejam como é relevante para você poder acompanhar a evolução do paciente ao longo do tempo. E o que que ele demonstrou? que ao longo do tempo pacientes com tratamento estável, tratamento que está sendo efetivo, né, para para questão da estabilidade da doença, né?

E vejam que aqui eu não tô falando do paciente não ter sintoma e sim desses sintomas estarem estáveis, não serem progressivos, não terem esses surtos, né, recorrentes, né, para esse perfil de paciente. Esse estudo demonstrou que o uso, né, de um extrato oral, onde nós temos até 25 mg de THC, garantiu a estabilidade desses pacientes. Então, um benefício sustentado na questão da espasticidade, da dor, do sono e dos espasmos. Aqui também os pacientes eh autorataram melhoras eh em relação ao início do tratamento, né?

eh essas melhorias que muitas vezes, como eu falei, na ferramenta clínica eh aplicada, como por exemplo, quando eu quantifico quanto que o paciente eh que que tá participando do estudo tem de espasmos ao dia, qual é o tôus muscular desse paciente, eh essa ferramenta acaba cortando esse tempo, esse momento de avaliação e muitas vezes não representa a totalidade de efeitos que o paciente teve. Mas esse estudo mostra que, apesar disso, o relato do paciente é diferente. Então, eh, nesse estudo não foi demonstrado só a estabilidade, mas também o relato, a autopercepção dos pacientes de que o uso do extrato contendo o THC eh melhorou os sintomas. Então eles sentiram menos dor, eles sentiram menos espasmos, um tôus muscular mais reduzido do que no início do tratamento.

E também não houve nenhuma preocupação com efeitos adversos, eh, pois não teve, eh, pacientes com efeitos adversos relevantes nesse estudo também. seguindo um estudo de 2012, né, que teve uma amostra aí de 279 pacientes, também com esclerose múltipla estável e, nesse caso, pacientes que tinham a rigidez muscular como um dos sintomas relevantes, né, também testou o extrato oral de canabis de até 25 mg eh por dia de THC, né? Então, nós tivemos aqui um placebo controlado, né? Eh, os pacientes foram comparados com outros pacientes que utilizaram placebo.

Nessa amostra foi dividida e durante o período de 12 semanas. Aqui eh o que que nós eh visualizamos, né? Esse estudo demonstrou uma melhora subjetiva da rigidez muscular. Que que isso significa?

que essas ferramentas utilizad a medição do tôus muscular não mostrou a diferença. No entanto, subjetivamente o relato do paciente demonstrou que esse extrato diminuiu a rigidez muscular. O paciente se autopercebeu menos rígido, se autoercebeu com um movimento mais facilitado ao fazer o uso de um extrato oral de cannabis contendo o THC. Também eu trago aqui um outro estudo de 2013 com uma amostra de praticamente 500 pacientes, 498 pacientes eh no tipo de esclerose múltipla múltipla progressiva, que é aquela que não acontece em surtos, é aquela que o paciente tem os sintomas e eles só progridem e aumentam ao longo do tempo, não tem aquele período de remissão, né?

Então, eh, nesse caso foi utilizado o THC isolado em uma dose de 28 mg de THC durante 36 meses. Também foi um estudo eh placebo controlado, então, parte dessa amostra utilizou um placebo e ele foi realizado em vários centros de pesquisa diferentes para que nós para que eles pudessem avaliar amostras de diferentes locais, né? eh e ter aí uma uma reprodutibilidade melhor dos resultados. Aqui nesse estudo, o que que foi visto?

Que não houve uma melhora global, né? Então, um estudo que a princípio eh pensando na progressão da doença, que foi o intuíto, né? eh ao longo dos 36 meses de estudo não teve uma melhora da progressão. Então, esses pacientes eh como tem eles tinham esclerose eh múltipla progressiva, a progressão ela existiu ao longo dos 36 meses.

Ou seja, o dronaminol ou THC ele não parou. Mas o que que nós tivemos aqui? Uma melhora geral autopercebida pelos pacientes, né? Então, o nível de incapacidade do paciente eh reduziu ao longo desses 36 meses, né?

Então você esperava que conforme a doença progredisse, né, esse paciente se torn percebesse mais essa dificuldade, deixasse de fazer mais atividades e não foi o que aconteceu com o tratamento, mostrando que mesmo quando o estudo traz um resultado que inicialmente nos pareça negativo, a experiência e o que o paciente experimenta é algo que tem que é bastante sólido e tem que ser levado em consideração. do momento da intervenção com o uso de canabinoides não seja tão importante, né, quanto o próprio canabinoide que a gente está utilizando, né, demonstrando que o THC ele tem um papel fundamental na esclerose múltipla. Para quê? Para reduzir esse essa esse eh essa percepção de incapacidade para fazer com que o paciente esteja mais eh capaz de realizar suas atividades rotinetas.

Também nós temos estudos mais recentes de 2023, com uma amostra aí de mais de 700 eh pacientes, né, com eh espasticidade refratária, né, que mostrou que eh doses ali de 32 eh mais ou menos 30 mg de THC e de CBD ao dia, né, foram capazes de reduzir também a questão da espasticidade. E ele também passa a trazer essa importância do relato do paciente, da autopercepção do paciente, de que ele está se sentindo melhor, de que ele está conseguindo desenvolver as suas atividades do dia a dia, né? Então, basicamente, esse tratamento mostrou, né, que o uso dessa combinação de cerca de 30 mg de CBD e THC ao dia eh trouxe uma melhora sustentada na espasticidade ao longo de 12 semanas de estudo, né, e também teve uma redução de espasmos do tôus muscular, né, com o desfecho centrado muito na percepção do paciente. Da mesma forma, em 2024, nós tivemos um estudo com 68 pacientes.

Agora, que como já se tinham estudado muito a questão da espasticidade e do uso do THC, nesse estudo eles resolveram estudar a espasticidade moderada a grave. Então, um paciente que tem muito eh muita espacidade, em tônus muscular muito aumentado, cursando com muita dor e muita rigidez, né? aqui nesse estudo, eh, também se testou uma dose parecida em torno de 30 mg dia, 32 mg dia de THC e de CBD durante 21 dias. Desses 21 dias, 14 dias foram para titular.

Então, o paciente começou com uma dose pequena, poucos sprays oroom mucosos ao dia e foi aumentando ao longo dos dias, né? 7 dias finais, mantendo esse tratamento. O resultado estatístico, apesar de não ter mostrado, né, eh uma diferença significativa ali, eh, na questão da espacidade, também trouxe uma série de discussões em relação às ferramentas, né? o que já se tinha visto, que era importante ao longo desses dos anos, desde 1988, já tinha se percebido que se entrar visão na experiência do paciente era importantíssimo.

Aqui nesse estudo, isso veio à tona, veio a discussão de que o paciente está demonstrando, ele está autopercebendo melhora. Então, será que eh a gente procurar ferramentas mais robustas e centrar, né, os estudos na percepção, na experiência do paciente, não é um ponto que tem que ser levado em consideração? Não é daí que nós vamos conseguir evoluir ainda mais no tratamento clínico da esclerose múltipla com a cannabis. Então o que que realmente importa, né?

mais do que números ou do que escala, é recuperar tudo aquilo que a doença tira do paciente. É recuperar a funcionalidade, a autonomia, é melhorar o sono, melhorar a dor desse paciente, trazer mais dignidade e, principalmente, a qualidade de vida para essa pessoa. E assim nós vamos terminar então com a o autor relato de uma paciente, já que nós estamos falando eh sobre a percepção do paciente, nós estamos falando do tratamento com canabinoides, que sim mostra efeito em todos esses estudos, né, todos esses milhares de pacientes que [música] fazem uso ou participaram de estudos clínicos relataram benefícios com o uso de canabinoides, [música] especialmente do THC, que vem como principal canabinoide no manejo da esclerose múltipla. [música] Então, eu quero encerrar a nossa apresentação eh mostrando para vocês o relato dessa paciente [música] que lá no comecinho dessa aula eu comentei com vocês, né?

Uma paciente que chegou com marcha arrastada, com dor incapacitante, uma dor que dificultava muito na sua qualidade de vida, com vários espasmos ao longo do dia, né? e que vinha progredindo, né, essa esses sintomas ao longo da sua caminhada. [música] Então, vou deixar com vocês o áudio dessa paciente pra gente observar na prática uma paciente real a sua experiência com o uso de canabinoides. Nesse caso, o tratamento que nós estamos acompanhando desde 2023 é sim um tratamento voltado, né, ao quimiotipo [música] de THC.

E nós trazemos o CBD também para essa paciente, pensando nessa imunomodulação e melhorar a neuroinflamação e trazer uma neuroproteção. É através do uso de um extrato [música] completo de canabinoides com predominância do THC. Eu busquei o tratamento do canabidol pelo fato que eu sentia muita dor, rigidez muscular, [música] tinha espasmos devido a minha própria doença, que são sintomas, tinha vário, vários usos de medicações para a dor, né? >> E o efeito era por poucas horas.

Aí, então, busquei ajuda, busquei esse tratamento. Daí a partir desse tratamento eu senti melhora, tanto na, principalmente na dor, como também eh me ajudou com a fadiga, com os espasmos, regulou até o meu próprio sono e a minha rigidez diminuiu bastante. Então, ele me ajudou muito. Assim, eu passei a usar o canabidol, eu me sinto bem.

Meu principal objetivo era fazer uso para diminuir a dor, porque a dor era muito forte, né, como eu disse. Então, [música] através dele, a dor cessou. Então, hoje a minha qualidade de vida é [música] é boa. Ah, eu tenho um sono bom durante a noite, os meus espasmos diminuiu bastante, quase não tenho, muito raro.

Então, ele foi primeiro, foi muito bom. É um remédio assim excelente, eu posso dizer. Então, nós ficamos por aqui com a nossa aula de hoje. Eu espero ter contribuído um pouco nesse nessa construção de conhecimento sobre o uso terapêutico da canetativa, eh, pro tratamento da esclerose múltipla.

Se vocês tiverem dúvidas, tiverem questionamentos, me mandem mensagem, eu deixo aqui os meus contatos. Me sigam lá no Instagram, Ana Ruver Martins, né? O meu site anahuver.com. Eu tô à disposição pra gente conversar sobre o tema.

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